quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Desafortunados: Papa Bouba Diop

Jorge Lafond? Não, é Papa Bouba Diop, grande flop senegalês na terra da Rainha (Daily Mail)
Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP

Um africano que vai entrar para a história da Copa do Mundo. Não, não falo de Roger Milla, caro leitor. Falo de um senegalês que protagonizou uma das maiores zebras das Copas, o Homem Montanha.

O ano era 2002, o dia, 31 de maio. O estádio de Samg-Na, de Seul, na capital sul-coreana estava lotado para ver os atuais campeões mundiais em ação, contra um adversário estreante em mundiais. França e Senegal abriam a Copa daquele ano, que seria completamente tortuosa para os franceses.

Os bleus, amplamente favoritos, mantinham a base vencedora em 1998, com Zidane e companhia limitada. Já os senegaleses tinham como grande destaque um jovem que acabara de fazer grande temporada no Lens: El Hadji Diouf, que após a grande Copa, conquistara uma transferência para o Liverpool. No fim, quem acabou brilhando não foi nem Zidane, muito menos Diouf.

Aos 30 minutos de jogo, após uma bola perdida por Petit no meio campo, Diouf é lançado em velocidade, tira Leboeuf da jogada e cruza para Papa Bouba Diop, que entra como um raio na área. O senegalês chuta em cima de Barthez, que não segura e no rebote, o próprio Diop balança as redes para em seguida sair correndo para a bandeirinha de escanteio e fazer uma dança no melhor estilo Milla.

Diop passou a ser conhecido. Antes da Copa, ele jogou no Grasshoppers e Neuchátel Xamax, onde começou a carreira, com 18 anos. Antes do Mundial, veio interesse do Lens, da França, justamente no país onde foi carrasco. Lá, durou três anos (2001-04) e mesmo após uma passagem discreta, conseguiu uma transferência para o concorrido futebol inglês, mais precisamente no Fulham, onde recebeu a alcunha de "Homem Montanha" já em 2004. Com apenas um ano pelos lados de Londres, se destacou e chegou a valer 8 milhões de euros. No entanto, depois disso sua carreira só entrou em declínio.

Seu último ano no clube londrino foi esquecível, mas lhe rendeu uma venda ao Portsmouth, em 2007 pela metade do preço que chegou a valer dois verões antes. No time do sul, Diop enfrentou dias difíceis e a má administração financeira levou o Pompey a péssimas campanhas. O ponto alto da estadia de Bouba foi o título inédito da Copa da Inglaterra. Antes do barco afundar, ele preferiu ir para o AEK, da Grécia, ao fim de 2010.

A conquista da Copa da Grécia na primeira época por lá poderia mostrar o ressurgimento do jogador, contudo, mais uma crise financeira abalou os planos do senegalês, que resolveu voltar para a Inglaterra, dessa vez para jogar no West Ham.

Pela seleção, Diop também vem um pouco esquecido. Desde a Copa Africana de Nações de 2008 não é convocado para uma seleção que desde o Mundial de 2002 não conseguiu se firmar. Ao todo, até o momento, foram 63 jogos pelos Leões de Teranga e 11 gols marcados.

O melhor jogador africano de 2002, agora na segunda divisão inglesa, tenta voltar a jogar com frequência e quem sabe vir ao Brasil na Copa de 2014 e aprontar pra cima de outra grande seleção...

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