sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Craques: Peter Schmeichel

Foto: A bola e um mundo
Pedro Cuenca, @colderhearts
De São Paulo-SP

A profissão de goleiro é, com certeza, uma das mais ingratas do mundo. Enquanto a falha é motivo de crucificação, os acertos raramente são exaltados e esquecidos com o tempo, com exceção de gênios como Yashin, Banks e Taffarel. Além disso, os que perduram uma carreira inteira no clube costumam ser idolatrados. Os outros? Vilões até que provem o contrário.

E mesmo sabendo de tudo isso, Peter Boleslaw Schmeichel, nascido em Gladsaxe, Dinamarca, insistiu na carreira. Seu primeiro clube foi o Gladsaxe/Hero, da sua cidade natal, ainda em 1981, com menos de 18 anos. O time estava na terceira divisão do país. Três anos depois, migrou para o Hvidovre, onde teve que buscar empregos paralelos para sobreviver.

A carreira de Schmeichel só foi mudar em 1987, quando se transferiu para o Brøndby, após grandes atuações nos clubes anteriores. Lá, jogou com grandes craques compatriotas como John Jensen, Lars Olsen e Brian Laudrup, ganhando quatro dos cinco campeonatos nacionais que disputou.

A chance na Inglaterra
Com grandes apresentações na Copa da UEFA 1990/91, Peter chamou a atenção do Manchester United, clube que o contratou por uma quantia equivalente a atuais 600 mil euros. Anos depois, o técnico Alex Ferguson chamaria essa de a “negociação do século”, e com justiça. O período de sua chegada, porém, não era dos melhores, pois os Diabos Vermelhos amargavam um longo jejum de títulos.

As grandes defesas do goleiro rapidamente o transformaram em ídolo da carente torcida do United. Na primeira temporada, o Leeds levou o título inglês por quatro pontos de vantagem, mas sobrou a Copa da Liga Inglesa. Veio, então, a Eurocopa 1992, que o consolidou como um dos grandes arqueiros de sua geração.

Após a suspensão da Iugoslávia, a Dinamarca foi convidada a participar do torneio, mas caiu em uma cilada. No Grupo A, o país estava ao lado de Suécia, país-sede, França e Inglaterra. Com uma vitória, um empate e uma derrota, a classificação veio no limite, com três pontos e a vice-liderança da chave. Na semifinal, um empate eletrizante com a Holanda, então detentora do título, por 2 a 2. Nos pênaltis, Schmeichel defendeu a cobrança de Van Basten e deu a vaga na final.

Na grande decisão do torneio, a Dinamarca venceu a Alemanha por 2 a 0, com gols de Jensen e Vilfort, conquistando um título inédito na história. A campanha foi impressionante, principalmente pelos números de Schmeichel, que levou apenas quatro gols no campeonato. Com isso, ele voltava com mais moral ao United.

E a fase mudou no clube inglês. Na temporada 1992/93 foi inaugurada a Premier League. E o Manchester United conquistou o título de maneira incontestável, além de sensacional participação de Schmeichel. O arqueiro não levou gol em 22 partidas no torneio. Na sequência, em 93/94, o bicampeonato e o título da FA Cup de quebra. Apesar disso, ele não conseguiu ajudar sua seleção a se classificar para  Copa do Mundo.

Veio a temporada 1994/95 e a decepção chegou no Old Trafford. A equipe perdeu a Premier League para o Blackburn por apenas um ponto, além de ter sido derrotada pelo Everton na final da FA Cup. O retorno aos tempos sombrios? Não mesmo. Vida que passa e na temporada 95/96, a dobradinha com conquistas na Premier League e na FA Cup, superando o rival Liverpool. Era, com certeza, uma década dourada do United, mas ainda faltava um título: a Liga dos Campeões.

Um dos donos da Europa
Na temporada 1998/99, título da Premier League sobre o Arsenal por um ponto. O rival também foi derrotado na semifinal da FA Cup com Schmeichel defendendo um pênalti de Bergkamp. Na final, vitória sobre o Newcastle.

Na Liga dos Campeões, o United estreou com vitória, ainda na fase de classificação, sobre o LKS Lodz, da Polônia. O time ficou no Grupo D, ao lado de Bayern de Munique, Barcelona e Brøndby, dando a chance de Schmeichel reencontrar seu antigo clube. Após seis duros jogos, a vice-liderança da chave e a passagem de fase.

Nas quartas-de-final, vitória sobre a Inter de Milão por 2 a 0. Na volta, empate por 1 a 1 e a classificação. Nas semi, a poderosa Juventus. Após o primeiro jogo ter acabado em igualdade, o United venceu por 3 a 2 de maneira sensacional, fora de casa, e conquistou a vaga. O título continental estava ao alcance do time inglês.

Na final, a ser disputada em Barcelona, um conhecido adversário: o Bayern de Munique. E o time alemão começou arrasador, marcando com Basler logo aos seis minutos de jogo. Depois de muito pressionar o adversário, o empate do Manchester chegou aos 46 do segundo tempo, com Sheringham. O melhor, porém, estava por vir. Aos 48 minutos, último dos acréscimos, Solskjaer, desvia cabeçada e leva o United ao título. Como capitão, Schmeichel levanta a taça e chega ao ápice de sua carreira.

O fim da carreira, o início do mito
Na temporada seguinte, Peter fez as malas e se mudou para o Sporting, de Portugal. Lá, conquistou um campeonato português. Em 2000, participou da fracassada campanha da Dinamarca na Euro 2000, sem nenhuma vitória. Saiu da seleção no ano seguinte.

Em 2001, foi para o Aston Villa. Na temporada seguinte, se transferiu para o Manchester City, clube rival do United, onde encerrou sua carreira.

Não importa, o mito Schmeichel já estava criada. Suas defesas, imortalizadas. Lembram-se do que disse sobre os goleiros que ficam marcados na história? Pois é, Peter Schmeichel é um deles, um dos maiores goleiros já vistos e, na opinião deste que escreve, o melhor da década de 90.


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