quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Craques: George Best

Best comemora o gol marcado em Wembley, contra o Benfica, na final da Copa dos Campeões
Tauan Ambrosio, @ambrosiotauan
Do Rio de Janeiro-RJ

Além de ser o berço do futebol, a Inglaterra é também o país de grandes bandas da história do rock n´roll. Foi lá que conjuntos como Iron Maiden, Judas Priest, Black Sabbath, Rolling Stones e tantas outras (também excelentes) nasceram. Impossível deixar de destacar o papel dos Beatles na Terra da Rainha. Junto com os Stones, os "Garotos de Liverpool" foram responsáveis pela popularização maciça do melhor e mais pesado estilo de música existente - opinião cada um tem a sua! Para os amantes do esporte bretão, futebol e Beatles remetem também a George Best, um dos maiores jogadores da história. E, ironia do destino, ele escreveu essa história usando a camisa de um time nada querido de Merseyside: Manchester United.

Nascido em Belfast, na Irlanda do Norte, Best já carregava no sobrenome o adjetivo que lhe alçaria ao posto de um dos melhores pontas da história do futebol europeu; considerado por muitos o maior jogador britânico de todos os tempos. Já vivendo em Manchester, estreou pelo United em 1963, com apenas 17 anos. Nesse mesmo ano conquistou a Copa da Inglaterra. Ao lado de Bob Charlton e Denis Law, levantou o título inglês da temporada 1964/1965, que colocou o clube na Copa dos Campeões da Europa – a Champions League. No torneio europeu, destacou-se na partida das quartas-de-final, contra o Benfica de Eusébio, uma potência que já havia conquistado a taça orelhuda em duas oportunidades (1960/1961 e 1961/1962).

Na primeira partida, no Old Trafford, vitória mancuniana por 3 a 2; na segunda, em Lisboa, o United goleou por 5 a 1. Nesse jogo, Best fez um hat-trick e se consagrou com o apelido de “O Quinto Beatle” – em referência ao seu talento nos campos e com as mulheres, além do fato de seus cabelos e costeletas lembrarem muito os usados pelos Garotos de Liverpool. O sonho da conquista, porém, acabou nas semifinais, com uma derrota para o Partizan. A chance de levantar o cobiçado troféu europeu veio novamente na temporada 1967/1968 (no ano anterior, os comandados do lendário treinador Matt Busby, os “Busby Babes”, conquistaram o 7º Campeonato Inglês da história do Manchester United. Durante essa temporada, Charlton, Law e Best foram responsáveis por 53,4% dos gols do time, isso fora as assistências).

Após passarem pelo Real Madrid nas semifinais da Copa dos Campeões, os Busby Babes voltaram a enfrentar o Benfica, desta vez na final. Para os Red Devils, melhor lugar impossível para a decisão: o Estádio de Wembley. Jogando de azul, o United empatou com os benfiquistas no tempo regulamentar: 1 a 1, gols de Bob Charlton e Jaime Graça. Na prorrogação, passeio dos Diabos Vermelhos, que marcaram três vezes e entraram para a história como o primeiro clube inglês a levantar o troféu mais cobiçado da Europa. O primeiro dos três tentos marcados na prorrogação foi um golaço de Best, aos 92 minutos. As excelentes atuações nos flancos ofensivos lhe renderam a bola de ouro da temporada 67/68.

Infelizmente, Best não chamava atenção somente pelo seu talento com a bola. Fora de campo, as longas bebedeiras e algazarras passaram a virar notícia. Os atrasos nos treinos, atividade que já não era a preferida do jogador, lhe renderam multas. Já sem contar com Charlton e Law no time, o Belfast Boy foi o último do trio a deixar o United, em 1974. Nessa mesma temporada o time acabou sendo rebaixado. O gol que selou o descenso dos Diabos foi, ironicamente, marcado por Denis Law, que passou a defender o Manchester City.

Sem a camisa mancuniana, migrou por diversos clubes, mas ao invés dos gols e das jogadas de habilidade, as notícias relatavam seu alcoolismo e confusões. Depois de uma passagem apagada no futebol estadunidense, teve uma rápida passagem no Fulham e no Stockport, da Inglaterra, mas foi no Hibernian, da Escócia, que voltou a chamar atenção de toda mídia. Seu péssimo estilo de vida fez com que o clube escocês o expulsasse. O caminho traçado pelo camisa 7 rendia muitas comparações à outro craque que sofria do mesmo mal: Garrincha. Ao contrário do Mané, Best teve uma vida mais longa, porém não mais saudável. Chegou a trabalhar como comentarista esportivo e participava de alguns eventos relacionados àquela fase áurea do United, sempre ao lado de Charlton e, principalmente, Law, seu grande amigo.

A história do Quinto Beatle teve seus acordes finais em 2005, quando, devido a complicações no fígado, o mortal e polêmico jogador do Manchester United passou a ser imortal nos corações dos torcedores. Em seu leito de morte, ao receber uma carta escrita por Pelé, trocou as frases engraçadas (“Em 1969, eu abandonei as mulheres e o álcool. Foram os 20 piores minutos da minha vida”) por uma sentença: “Este foi o último brinde da minha vida”. O que o Rei do Futebol havia escrito? “Do segundo melhor jogador de todos os tempos, Pelé”.


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