quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O dilema de Vitor Pereira

Vitor Pereira, já com passagem conturbada pelo comando técnico do Porto (Armada azul e branca.blogspot.com)

Por Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

Parece um pouco cedo para dizer, ou mesmo exagerado pela colocação do Porto na Liga Zon Sagres, mas o time comandado por Vítor Pereira é muito diferente do de André Villas-Boas. As diferenças saltam à vista. Inclusive os jogadores não estão ao lado do treinador.

Já conhecemos muito bem a (curta) história de Villas-Boas com o FC Porto. Em apenas uma temporada ele conquistou praticamente todos os títulos que disputou (exceto Taça da Liga) com os Dragões e ainda por cima, o título nacional veio de forma invicta. Como se não bastasse isso, as atuações do time portista eram sempre empolgantes e memoráveis, prezando por um futebol muito vistoso.

Com o fim da temporada 2010-2011, surgiu o interesse do Chelsea no jovem treinador português, visando a substituição do italiano Carlo Ancelotti. Logicamente o presidente Pinto da Costa não queria se desfazer de seu treinador, mas depois de uma multa rescisória altíssima oferecida por Roman Abramovich, ele não teve como negar.

Boa parte da comissão técnica foi com ele para a Inglaterra, exceto Vítor Pereira, que ficou no Dragão. O ex-auxiliar então foi rapidamente eleito novo técnico do time, contando com todo o apoio do presidente portista, que declarou total confiança no antigo "braço direito" de AVB para o cargo. Em uma de suas declarações, Villas-Boas até mencionou que o verdadeiro "gênio tático" do Porto era Pereira e não ele.

Mas infelizmente o que estamos vendo na temporada não é nada disso. Apesar de ser vice-líder do campeonato com a mesma pontuação do Benfica, o time ainda não convenceu. Aliás, muito pelo contrário, só deixou a desejar. Até a efetividade perdeu, tanto que é terceiro colocado no grupo G da Champions League, que é liderado pelo APOEL.

Aparentemente a "gota d'água" foi a eliminação para a Académica (treinada por Pedro Emanuel) na Taça de Portugal, perdendo por 3-0. Isso provocou revolta em toda a torcida, tanto que a SAD portista foi forçada a alertar Fernando Madureira, presidente da torcida organizada "Super Dragões", para acalmar a todos.

O objetivo é evitar que o incidente de 2006 se repita. Na ocasião, o treinador era o holandês Coo Adriaanse (hoje no Twente). Justamente depois de uma eliminação na Taça de Portugal seu carro foi vítima de diversos vândalos, todos da mesma torcida comandada por Fernando Madureira.

Mas, como em 2006, é bastante provável que Pinto da Costa banque Vítor Pereira até o final da temporada, já que ele não costuma voltar atrás em suas decisões. O fato é que Pereira terá que conquistar a confiança do plantel e fazer esta equipe voltar a jogar bem, algo que de momento parece muito complicado.

O 4-3-3 foi conservado e, além de Falcão, nenhuma outra peça importante foi perdida. O que intriga é como o Porto se comporta dentro de campo, sendo bem menos vertical, lento e sem toda aquela capacidade de compor invejável. Em suma, parece que o time envelheceu de uma hora para outra.

A forma mais simples de se notar isso é em Hulk. As atuações dele refletem no time. E provavelmente ele faz sua pior temporada desde que chegou aos Dragões. Como em 2010-2011 ele foi artilheiro e verdadeira referência portista dentro de campo, é constantemente buscado por seus companheiros. Mas não responde à altura. Tanto que Pereira já foi forçado a sacá-lo de campo, o que mudou um pouco a cara do plantel, mas provocou uma enorme revolta em todos.

Este dilema que vive Vítor Pereira é realmente muito complicado. E, ao invés das coisas melhorarem, estão piorando. A última notícia -divulgada pelo jornal "Expresso"- é que um grupo de jogadores não confia no atual técnico. O respeitavam como auxiliar, mas como comandante não. Segundo a mesma fonte, o líder deste grupo é João Moutinho, que curiosamente foi muito bem servindo a seleção portuguesa, mas péssimo com o FC Porto.

Caso esta notícia seja verdade, não restará outra alternativa ao presidente que não seja demitir Vítor Pereira, porque é impossível trabalhar com um time sem ter a confiança dos jogadores. E agora ele terá pouquíssimo tempo para provar que são apenas boatos "plantados" pela imprensa e fazer com que o time melhore, ou será forçado a sair pela porta dos fundos.

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