segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Craques: Allan Simonsen

Simonsen elevou o futebol dinamarquês no cenário internacional
(Foto: UEFA)
O único dinamarquês a ter conquistado o troféu de Bola de Ouro não é um dos irmãos Laudrup, por incrível que pareça. Na década de 1970, um furacão chamado Allan Simonsen passou por Vejle, Borussia Mönchengladbach, Barcelona e Charlton

sábado, 24 de dezembro de 2011

Por que contratar, por que não contratar? - Parte II

Martinuccio: flop tricolor em 2011 após chapéu no Palmeiras (Lancenet)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Segue a continuação do último post, com dicas teoricamente óbvias (mas quase sempre ignoradas por nossos clubes) a serem seguidas na hora de contratar jogadores sul-americanos.

Paciência
Não é fácil para ninguém se ambientar em um novo ambiente de trabalho. Muito menos em um país novo. Para os jogadores isso é especialmente forte. E não apenas por questões como a língua e a vida em um lugar novo. Esses elementos também pesam, mas há outros elementos que frequentemente não são levados em conta.

O principal é o fato de diferentes países terem diferentes escolas de futebol. Por exemplo, em termos táticos o Brasil tem várias peculiaridades em relação à maioria dos outros países. Uma: esperamos que os laterais exerçam uma importante função ofensiva, enquanto na maior parte dos países esses jogadores são defensores pelo lado do campo, necessitando no máximo aparecer por vezes como elemento surpresa no ataque.

Além disso, temos a peculiaridade de dividir o meio de campo entre jogadores prioritariamente marcadores e outros que são principalmente ofensivos. Assim, o 4-4-2 a rigor praticamente não existiu por aqui, preterido por um 4-2-2-2, em que dois jogadores mais centralizados tem funções majoritariamente defensivas, e outros dois abertos pelos lados do campo são posicionados mais à frente, para atacar geralmente em dupla com os laterais.

Assim, muitos jogadores podem sentir dificuldades, dado que chegam a um país onde se espera que exerçam funções distintas àquelas que estão acostumados. Um exemplo hipotético: Verón atua como volante no Estudiantes. Dificilmente seria bem aceito por aqui nessa função, pois tem como grande diferencial o enorme talento para organizar a equipe a partir do campo de defesa. No Brasil provavelmente seria considerado “ofensivo demais para a posição”.

Mas isso não ocorre na tradição argentina, onde os laterais são mais presos, o que anula a necessidade de dois volantes fixos à frente da zaga. Como nossos laterais avançam com mais freqüência, volantes marcadores são indispensáveis.  O oposto aconteceria com os laterais estrangeiros, que são essencialmente marcadores, e possivelmente seriam tido como “limitados” por aqui.

Nada disso impede o sucesso de jogadores estrangeiros nessas posições. Mas implicam na necessidade de ter em conta esses fatores na hora da contratação. E principalmente em ter paciência até o recém-chegado compreender o que se espera que jogadores da sua função façam por aqui.

Estrangeiros podem ser úteis sem ser protagonistas
Uma curiosa peculiaridade do futebol brasileiro é o fato de que estrangeiros só são aceitos por aqui para serem ídolos. Ainda não conseguimos compreender que jogadores de fora podem ser úteis sem serem os “donos do time”.

E perdemos muito com isso. Para dar um exemplo, os únicos países sul-americanos que tiveram campeões neste fim de 2011 sem argentinos no plantel foram Brasil, Peru e Colômbia. Em várias dessas equipes os jogadores argentinos não foram decisivos, mas muito frequentemente foram úteis para suas equipes.

Outro paralelo possível está na própria Argentina. A maioria absoluta dos clubes da primeira divisão do país possuem jogadores estrangeiros. Em alguns casos são protagonistas, como os colombianos Gutierrez e Moreno, destaques do Racing, ou o uruguaio Santiago Silva, agora na Fiorentina, mas grande destaque na campanha que deu o título ao Vélez Sarsfield no Clausura 2011.

Mas há outros casos. Várias equipes do país possuem bons jogadores uruguaios, chilenos, colombianos, paraguaios ou de outros países do continente. Não são ídolos, mas cumprem com competência sua função para ajudar suas equipes, como o venezuelano Vizcarrondo, o paraguaio Bareiro (ambos do Olimpo), o uruguaio Regueiro (Lanus) e o boliviano Raldés (Colón).

E houve diversos jogadores que passaram recentemente pelo Brasil e, ainda que de qualidade incontestável, duraram pouco por aqui exatamente porque não se compreendeu que poderiam ser úteis às suas equipes, ainda que não fossem exatamente grandes jogadores.

Basta notar quantos jogadores estrangeiros que fracassaram ou foram vistos como decepções nos últimos anos, para em seguida terem desempenho satisfatório em outros países. Urrutia e Equi Gonzalez, que jogaram pouco no Fluminense, são destaques da LDU. Saja, goleiro que saiu sem deixar saudades do Gremio, hoje é referencia no Racing, liderando uma defesa que está entre as melhores do país. Schiavi, campeão da Libertadores e ainda hoje xerife do Boca Juniors, foi reserva do inexpressivo Teco, quando passou pelo Grêmio. Arevalo Rios, de passagem discreta pelo Botafogo, é indispensável para a seleção uruguaia, de grandes sucessos recentes.

Nisso tudo há elementos imponderáveis, como a identificação com a nova camisa ou a adaptação ao país. Mas observar o jogador, saber o que esperar dele, ter paciência e não esperar que ele necessariamente vá ser o melhor jogador do time são atitudes que minimizam a chance de fracasso.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Por que contratar, por que não contratar?

Vargas tanto chamou a atenção dos clubes brasileiros que assinou com o Napoli (UEFA)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

O futebol brasileiro tem uma nova tradição nos períodos de transferências: as especulações infindáveis sobre jogadores de países vizinhos que podem ser trazidos por clubes brasileiros. A maioria não se concretiza (até porque os clubes e representantes frequentemente inventam interesse de clubes brasileiros para valorizar seus atletas, sem que haja qualquer negociação em andamento), mas várias de fato acontecerão. Algumas resultarão em sucesso, mas outros jogadores inevitavelmente irão fracassar em sua temporada brasileira.

Aqui vão duas dicas para diminuir a possibilidade de contratações mal-sucedidas. São muito simples, tão simples que nem deveriam ser necessárias. Mas como os clubes brasileiros mostram uma incrível persistência em não seguí-las, sempre é bom lembrar.

Jogar bem contra clube brasileiro não é atestado de qualidade
Por incrível que pareça, a maior parte dos clubes brasileiros parece convencida do contrário. Todo ano é a mesma coisa: algum jogador de clube sul-americano faz boa partida contra clubes brazucas em alguma competição continental. E de desconhecido se transforma em objeto de desejo de vários dos nossos clubes. Ninguém sabe nada sobre o jogador, mas como jogou bem contra clube brasileiro, deve ser craque.

O último exemplo foi o chileno Eduardo Vargas. Até a metade do ano, era um completo desconhecido por aqui. Mas suas boas partidas pela Universidad de Chile na Sul-Americana o transformaram em objeto dos sonhos de vários clubes brasileiros. Vargas de fato é bom jogador e seria um ótimo reforço.

Mas a questão é outra: não é um jogador recém saído das divisões de base. Aos 23 anos já tem cinco temporadas como profissional, convocações pela seleção chilena e foi eleito o melhor jogador do Apertura 2011, vencido pelo seu clube. Deveria ter sido notado há tempos pelos clubes brasileiros. Mas isso só aconteceu após seu ótimo desempenho contra Flamengo e Vasco. Tivesse La U estado em outra chave do torneio e seguiria desconhecido por aqui.

Um exemplo mais claro é o de Martinuccio. Jogador sem nenhum destaque na Argentina, onde atuou por um clube da 2ª divisão, acabou no Peñarol, onde fez uma bela partida contra o Internacional no Beira-Rio, e passou a ser visto no Brasil como um grande jogador. Acabou disputado a tapa por Palmeiras e Fluminense, e terminou 2011 lutando para sentar no banco de reservas tricolor. Bastava os cartolas terem perguntado por ele na Argentina, e ouviriam que é um atleta sem projeção. Ou aos uruguaios, onde ouviriam que os destaques daquele time carbonero eram o volante Aguiar e o meia Mier.

Outro exemplo é o Damian Escudero. Jogador talentoso, mas de carreira errática, foi contratado pelo Grêmio no início de 2011. Pessoalmente, como gremista que tem contatos em Porto Alegre, tentei alertar que o jogador não tinha um histórico recente que justificasse a contratação. Não adiantou: para todos os com quem conversei, Escudero era apenas “aquele cara que fez dois gols no Inter na Libertadores 2007”.

2) DVD não substitui a observação
Essa não vale apenas para estrangeiros, mas se aplica particularmente a eles, pois DVD’s de jogadores brasileiros podem ser complementados por indicações de conhecidos em que cartolas e treinadores confiem.

O caso mais notório recentemente foi Defederico (conhecido por muitos como DVDrico). Não que tenha sido propriamente uma contratação ruim: o jovem jogador havia sido peça destacada do Huracán na campanha do vice-campeonato do Clausura 2009 e despontava como promessa. Mas foi contratado para o lugar de Douglas, uma função bem diferente da sua. E com a expectativa de que chegaria ao país um “novo Messi” (Defederico disputava com Toranzo e Bolatti o posto de segundo melhor jogador da equipe; o melhor, indiscutivelmente, era Pastore). Contratado para jogar fora de sua posição com expectativas irreais, o fracasso era inevitável.
           
Por pouco não aconteceu um caso semelhante, quando um clube grande brasileiro esteve muito perto de contratar Patrício Toranzo, do Racing, julgando tratar-se de um clássico enganche. Na verdade o jogador atua em uma função que não existe há tempos no Brasil: é um “8” à moda antiga, um segundo volante que organiza o jogo a partir do campo de defesa, e é ótimo no passe e no arremate a gol. Já jogou mais perto da área adversária (como no Huracán do Apertura 2009), mas sem maior sucesso. Se tivesse vindo, dificilmente teria sucesso, pois chegaria para desempenhar uma função que não é a sua.

Esses problemas poderiam ser minimizados de forma simples. Bastaria que os clubes brasileiros fossem de fato profissionais e tivessem alguém acompanhando as ligas dos países vizinhos. Poderiam identificar talentos antes de eles se valorizarem muito, evitar erros de avaliação e escapar do cerco dos empresários e seus DVD’s mágicos. E seria um momento perfeito para isso, pois o Brasil tem moeda mais forte e economia mais sólida que a dos vizinhos, além dos clubes terem aumentado sua receita de TV. Mas aparentemente preferem desperdiçar essa possibilidade, contratando sem cuidado e rezando para dar certo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Descraques: Kily González

Você acha que Kily pensa na jogada, mas ele está bolando
um plano para quebrar o adversário (Hinchas Rosario Central)
Murillo Moret, @moret_
De São Paulo-SP

Ter triênios vitoriosos no Valencia e na Internazionale no currículo é louvável. E não? Jogar ao lado de Aimar, Ayala, Vicente e Cañizares até a chegar à decisão da Liga dos Campeões. Ou então de Zanetti, Gamarra, Emre, Recoba, Figo e Adriano e conquistar quatro títulos na Itália. Só que estamos falando de um descraque, e ele é Cristian González.
Kily saiu da mesma categoria de base que Mario Kempes, bomber que foi artilheiro do Mundial vencido pela Argentina em 1978 e fez história no Valencia no início da década de 80. Apesar disso, seu grande ídolo sempre foi Omar Palma, exímio meio-campista histórico do Rosario Central. Com 19 anos fez sua estreia como profissional n’Academia rosarina. Depois da derrota no debute para o Gimnasia por 2 a 0, foram mais 50 partidas e sete gols. Boa média para um meio-campista com duas décadas de vida.
Em 1995, Jorge Valdano estava em sua segunda temporada como técnico do Real Madrid. O futuro diretor geral do clube merengue tentou fechar com aquele argentino rápido e incisivo. O problema é que Valdano bateu de frente com o interesse de Diego Maradona – e do treinador Carlos Bilardo -, que gostaria de Kily no Boca Juniors. E foi exatamente por Pibe que o jogador assinou com o time da capital. Uma temporada depois, no entanto, 375 milhões de pesetas (2,25 milhões de euros) levou o meia ao Real Zaragoza.
Na região de Aragón, Kily González se tornou um dos melhores pontas canhoto da Liga. Ele sabia nada sobre o futebol espanhol – nem mesmo sobre o Real Madrid – quando firmou contrato com o Zaragoza. Em três anos, os 15 gols não foram suficientes para ganhar o primeiro título da carreira. Felizmente, para o argentino, ele estava chegando. Foi na temporada de 2001-02, quando se juntou com Aimar, Ayala e Cañizares, que Kily venceu a Primeira Divisão. Temporada sem goleadas, mas regularíssima: 75 pontos contra 68 do vice-líder La Coruña. A Liga dos Campeões ficou no quase, pois o Valencia foi eliminado nas quartas pela Internazionale.
O único título consolidou Kily González como o que já era – um dos melhores pontas-esquerdas. O problema do jogador é que ele podia iniciar uma jogada brilhante e terminar com uma confusão que, muito provavelmente, receberia um cartão vermelho. Ágil, inteligente, agressivo. Uma bomba prestes a estourar.
Mesmo assim ele foi à Copa do Mundo de 2002 e ainda ganhou – no campo – a medalha de ouro com a Argentina em 2004, nos Jogos Olímpicos de Atenas. À época, o hermanito já atuava em solos italianos. Hector Cuper, ex-técnico do Valencia, resolveu levá-lo para a Inter. O tempo do treinador foi curto: demitido em outubro, foi precedido por Alberto Zaccheroni. O comando foi trocado na temporada seguinte, Roberto Mancini preteria Kily e ele voltou à Argentina em 2006.
Teve tempo de atuar pelo Rosario na primeira divisão, antes de rumar ao San Lorenzo. Voltou ao clube do coração na Segundona, mas uma lesão quase o fez pendurar as chuteiras neste ano de 2011. Ainda não o fez. Estaria este fato próximo de acontecer? Em abril último, Cristian González foi afastado do time principal. Prelúdio.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Desafortunados: Kiki Musampa

Musampa surgiu no Mundial sub-20 de 1995 mas naufragou
nos anos seguintes (Futbol Sandigi)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Filho mais célebre de Whoopi Goldberg (comparação inevitável), Kizito Musampa nasceu no Zaire, antiga República Democrática do Congo lá em 1977. Criado nas geniais categorias de bases do Ajax e promovido ao profissional justamente no ano do título holandês na Liga dos Campeões sobre a Juventus. Naturalizado como cidadão dos Países-baixos, deu seus primeiros passos na academia de Amsterdã.

Bem como podem notar, Kizito piorou o que já estava ruim e ganhou a alcunha de Kiki, um prelúdio para o fracasso que viria anos depois. Afinal, quem é que brilha com um nome desses? Pelo menos não no futebol, não sabemos se no vôlei ou no handebol a história seria a mesma. 

Desde bem novo ostentava longos cabelos, que eram tendência nos jovens talentos de seu país. Davids e Seedorf eram adeptos do semi rastafari, provando que além do futebol vistoso, os garotos tinham estilo. E então, Kiki Goldberg foi chamado ao Mundial sub-20 de 1995, onde a Oranje foi eliminada ainda na primeira fase, vencendo apenas Honduras e ficando atrás de Portugal e Argentina.

Sem chances dentro de um poderoso Ajax, arrumou suas malas e partiu rumo a França, em 1997 para assinar com o Bordeaux. Esperando conseguir uma sequência maior de aparições, foi companheiro de vestiário de caras como Gralak, Ricardinho Grisalho, Wiltord e Papin. Tido como uma aposta para o segundo tempo, era um talismã para o professor Guy Stéphan e tentava sempre mudar o panorama das partidas nos minutos derradeiros. 

Com algumas lesões, ficou relegado a reserva pouco utilizado ao fim da temporada e o sonho de disputar a Copa de 1998 foi por água abaixo. Campeão francês em 99, foi apenas figurante na conquista. Frustrado, Kiki partiu com suas tralhas rumo ao Málaga em 1999. Ajudou os andaluzes a alcançarem uma melancólica 12ª posição em La Liga. Com o tempo, Musampa passou a se conformar no posto de jogador meia boca, um ruim eficiente, um perna de pau internacional.

Duelando com Mauro Silva pelo Málaga: não foi dessa vez
(Skyscraper city)
Passou quatro épocas no Málaga e era lembrado como o Severino, o quebra galho. Ganhando regularidade, disputou 96 compromissos neste meio tempo e até arrumou espaço para marcar gols, 22 ao todo. 2001/02 foi quando mais esteve na equipe titular dos boquerones. Finalmente atraiu olhares de um grande europeu. O Atlético de Madrid, de volta da Segundona, arrematou os serviços de Kiki em 2003. Não partiu da Andaluzía sem conquistar uma Intertoto (que na verdade nem é um título, mas sim uma vaga para a extinta Copa UEFA) em 2002.

Agora vô sê reconhecido, vô me consagrá e virá jogador da Laranja Mecânica, confia neu, mãe - contava um empolgado Musampa ao telefone com sua querida mãe, na longínqua República do Congo. Pouco antes disso, recebera o convite do treinador Claude Le Roy para jogar na seleção congolesa. No entanto, a FIFA não permitiu que Kizito (com várias chamadas para a sub-21 holandesa) aceitasse a oferta. O que me fez lembrar de um vídeo da TV Pirata com um paradoxo parecido, já que nosso Desafortunado queria honrar suas origens.

Vestindo a camisa 8 colchonera, esteve em boa parte dos compromissos de sua equipe em 2003/04, no honroso sétimo lugar ao final do Paz Vegão, como bem lembrou o astuto @Spilmann1986 no twitter enquanto este que vos escreve tentava achar uma alternativa de apelido para o Espanhol. Alinhou em 26 embates e marcou duas vezes.

Foto: Sporting Life
No ano seguinte, perdeu sua vaga nos 11 iniciais para o lépido dinamarquês Gronjkaer, contratado junto ao Chelsea e na prática, sinônimo de futebol alegre e moleque. (não) Estava encerrada a sua grande chance de estourar para o futebol mundial. Transferiu-se então em 2004 para um Manchester City desesperado e à beira da falência. Não fez mais de 41 jogos antes de dar linha na pipa do antigo Maine Road. 

Os otomanos do Trabzonspor resolveram investir alguns tostões em Musampa, em 2006. Daí em diante, ladeira abaixo. 14 míseras apresentações e mais uma vez foi convidado a passar no RH para retirar o boné, souvenir pelos pífios serviços prestados. De acessório novo cobrindo a juba, levou um DVD aos dirigentes do AZ para tentar uma possível volta para casa.

Volta o cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas, diriam os sábios telespectadores do Chaves. Enganou os diretores mas não o implacável técnico Louis Van Gaal. Cinco aparições botaram cal na carreira discreta do meia congolês/holandês. Passou pelo Seoul FC em 2008 e pelo Willem II antes de pendurar as chuteiras. Desnecessário dizer que não fez sucesso, já que de acordo com o ditado popular, de onde se menos espera, daí que não sai nada mesmo. 

Ficará sempre marcado por aquele... aquela... um grande jogo pelo... ok, não ficou marcado por nada, melhor parar por aqui.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Descraques: Oleg Salenko

Salenko na partida lendária contra os Camarões: ficou só nisso (Betfair)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Artilheiro do Mundial de 1994, Oleg Salenko foi o único jogador soviético a alcançar a chuteira de ouro em Copas. Aos que já se antecipam no pensamento de putz, então quer dizer que ele era craque de bola? - digo, NÃO. Não era. Evidente que não se pode menosprezar o potencial de um camarada que marca cinco gols num jogo na fase de grupos, quer dizer, pode sim. 

Nascido em Leningrado, ainda em período URSS, Salenko começou sua carreira em 1986 no Zenit Leningrad (hoje St. Petersburg) e por lá prometia um futuro brilhante, mostrando faro de gols, competência na finalização e bom posicionamento. Em dois anos nos bomzhi anotou 10 tentos em 47 aparições, olha lá, uma média até boa pra um novato. Em 1989, sua vida mudaria. Convocado para o Mundial sub-20 pela União Soviética, foi o artilheiro do certame com cinco gols marcados.

Para o ano de 1989, assinou com o Dinamo Kiev, alinhando com Onopko e Luznhy nos bilo-syni. Lá conquistou o Sovietão em 90, além da Copa da URSS. Sua melhor temporada em Kiev foi em 1991, quando fez 39 partidas e 21 gols. O reconhecimento para as suas boas atuações veio em 1993, com as primeiras convocações ao selecionado nacional russki. 

Em 1992 chegou a fazer uma partida pela seleção ucraniana, mas resolveu por só aceitar chamados da Mãe Rússia a partir de 1993. Contratado pelo pequeno Logroñés, da Espanha, que na época disputava La Liga, teve a honra de dividir o mesmo espaço de vestiário do lendário zagueiro CLEBÃO, ex-Palmeiras, Figueirense e São Caetano. Com um semestre no clube da cidade de Logroño, teve 16 participações, balançando as redes sete vezes.

O auge (entenda último momento de brilho) veio no biênio 1993-94. Escalado em 37 duelos pelo pequeno clube espanhol, anotando 21 gols, arrebentando a boca do balão, quebrando tudo, fazendo a diferença e sendo mito (não).

Lance da inesquecível temporada 1993/94 no Logroñés (AS.com)
Chegava a hora do maior momento para a discreta existência de Oleg. A Copa de 1994. Terra do Tio Sam, abertura de Diana Ross e Jon Secada (pffff), calor infernal, jogos ao meio-dia, AAAAAH, que alegria. Os russos caíram num grupo com Brasil, Suécia e Camarões. A estreia foi frustrante, derrota para os canarinhos por 2-0.

Na jornada seguinte, #sóderrota e a Suécia passeou sobre os sovietes também. 3-1. Deixou sua marca, num penal aos quatro minutos. A Rússia estava virtualmente eliminada, mas ainda lhe restava o último jogo contra os camaroneses, liderados pelo ancião Roger Milla, o homem mais velho a marcar em Mundiais.

28 de junho de 1994, Stanford Stadium, na Califórnia. Salenko estava em chamas e foi às redes africanas aos 15, 41, 44, 72 e 75´. Seria o maior artilheiro de uma só partida em Copas, tal qual o Chuteira de Ouro daquela edição, ao lado de Stoichkov, terceiro colocado na ocasião.

Com um esplêndido Mundial contando a seu favor, chamou a atenção dos dirigentes do Valencia, que contava com um elenco interessante. Mazinho, Penev, Zubizarreta, Mijatovic e Mendieta. Em 31 jogos apenas 10 gols e começavam as suspeitas de que aquele cracaço não era lá tudo isso, poderia vir a ser uma farsa, teoria essa que os escoceses do Rangers comprovaram.

Chegando para 1995/96 com pompas de estrela em recuperação, Oleg não enganou os dirigentes de Glasgow e atuou 17 vezes antes de ser dispensado, em seis meses. "Este homem é um falsário, uma cópia malfeita de Salenko! Devolvam-no aos russos ou joguem-no aos leões", vociferavam os britânicos. Era hora do tímido Istambulspor apostar numa lenda em decadência.

Somou 18 aparições em três temporadas. Ficou incrivelmente fora de forma e mostrou que aquele ano de 1994 era só um brilho distante de uma perna direita sem lembranças. Nada mais conseguia fazer, imprestável ficou, acumulando lesões e comentários sobre o quanto perdeu rendimento em curto espaço de tempo. Um clássico caso de exposição por apenas quinze minutos, onde os holofotes se cansaram de iluminar um cara que nunca teve nada demais para continuar no topo.

Uma última tentativa séria em 1998 no Córdoba, na Segundona espanhola e absolutamente sem ninguém especial no elenco. Quadro deprimente, em suma. Adentrou os relvados mais quatro vezes por lá e resolveu se aposentar. "Num guento mais, véi! Chega disso, peço desculpas ao papai e a mamãe por ter falhado, desculpa ae pessoal de Leningrado, St. Petersburg e região, não deu", deve ter dito numa de suas coletivas derradeiras. Fato é que o tempo foi cruel, muito cruel com Salenko.

Retornou para apenas um compromisso no Pogon, antes de desistir de vez da carreira futebolística que lhe foi tão ingrata. Nem seis anos depois do épico Mundial nos EUA ele havia caído em total esquecimento. No afã de se desvencilhar de memórias que nunca mais viriam, negociou a venda de seu troféu da chuteira de ouro ganho em território yankee, muito por sua façanha contra Camarões. Dizem as más línguas que conseguiu 500 mil dólares pela peça.

Ah, danado...


Craques: Grzegorz Lato

Com ele não era brincadeira: Lato foi genial em sua trajetória
Foto: My football facts
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

A década de 1970 foi assaz brilhante no que se diz formação e desfile de talentos no futebol. Pelé, Rivellino, Zico, Cruyff, Beckenbauer, Breitner, Kempes e Lato. É exatamente do último que a TF trata em mais uma breve conferida no passado do esporte.

Alheio aos mais populares e midiáticos estava um polonês atarracado, que jogava como ponta e sabia como poucos de um seleto grupo de estrelas o caminho mais curto para o gol, a glória e a vibração. Arisco e veloz, tinha uma leitura incrível do jogo adversário e acima de tudo consciência nas decisões que tomava com a bola nos pés, naquela fração de segundos vital para determinar o destino da jogada.

Nascido em 1950, na cidade de Malbark na Polônia, Lato iniciou sua trajetória muito jovem, aos 16 anos, no Stal Mielec, clube polaco em que permaneceu por toda a fase em que esteve no topo de sua forma física e talento. Mesmo fazendo parte de um elenco que era médio, Grzegorz conduziu o tímido esquadrão do bialo-niebiescy (alvi azuis em polonês) a duas conquistas nacionais em 1973 e 76.

Pela seleção, um monstro absoluto, maior de todos que já vestiram o manto vermelho. Campeão Olímpico em 1972, medalha de prata em 1976 e terceiro colocado nos Mundiais de 1974 e 82, o baixinho não se cansava de superar barreiras e liderar o seus companheiros à glória, que para alguém que nunca foi potência internacional foi um marco, os tempos mais dourados que o futebol polonês teve notícia.

Lato em partida no Mundial de 1974, frente o Haiti, quando marcou dois gols
 (Interia)
Não lhe bastavam os prêmios individuais, ele buscava algo maior. Artilheiro da Copa de 1974, na Alemanha e indiscutível integrante da seleção dos melhores pelas duas edições seguintes, Lato carecia mostrar seu magistral futebol em outro centro que não a amada Polônia.

Impedido de deixar a liga de seu país antes de completar 30 anos, uma regra que forçou o reconhecimento do futebol polaco em cenário europeu, teve de esperar até 1980 para vestir a camisa de alguma outra agremiação. Escolheu o Lokeren da Bélgica, onde ficou por duas temporadas. Passou em branco nas conquistas coletivas e em 1982 partiu para o emergente (que até hoje ainda tenta ser visto como potência) futebol mexicano, no Atlante. 

Aos 32 anos, sem a mesma agilidade, mas com a perícia que sempre lhe foi característica, Grzegorz levantou a taça da Champions da CONCACAF, em cima do Robinhood do Suriname (o nome claramente foi inspirado no lendário arqueiro de Nottingham), no ano de 1983. Terminou a temporada de 1984 e decidiu por não mais voltar aos gramados como profissional. 

Foi o fim da linha para um dos mais subestimados futebolistas da história, que encantou a plateia muito mais do que vários campeões do mundo jamais conseguiriam. Um raro maestro para equipes lendárias que jogavam por música. O gênio que pintou e bordou nos gramados mundo afora. 



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Craques: Kenny Dalglish

Maior ídolo da história do Liverpool, Dalglish voltou ao time
 principal dos Reds como técnico (Foto: Daily Mail)
Dalglish marcou época como símbolo do Liverpool que ganhou tudo na Europa nas décadas de 1970 e 80: vindo do Celtic, é tido por muitos como a maior lenda que já pisou em Anfield

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Desafortunados: Yegor Titov

Titov era talentoso, porém causou muitos problemas extra-campo por onde passou
(Gol atan kaleye)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Na União Soviética, a sua equipe te deixa para ficar com a mulher em estado final da gestação, diriam os mais ligados em memes internéticos. É com essa premissa que começamos a contar a história de mais um Desafortunado, o russo Yegor Titov, diversas vezes convocado para a seleção russa e de currículo dedicado quase que inteiramente ao Spartak Moscou.

Pois bem, Titov iniciou sua caminhada nas camadas jovens do Spartak em 1993. Passou dois anos dando o seu melhor até chamar a atenção de Oleg Romantsev, treinador da equipe principal dos moscovitas. Era responsável por ser o enganche, o trequartista, ou meia atacantevski dos krasno-belye (alvirrubros em russo) além de marcar muitos gols. Para alguns, tinha grande visão de jogo e sempre sabia o momento certo de dar um drible ou arriscar à baliza adversária. 

Na prática, ao menos até a metade dos anos 2000, era isso que ocorria com Yegor em campo. Determinado e forte nas divididas, capitaneou o lado spartachi durante o período supracitado. Todos o viam como um astro em ascensão, um talento para colocar o selecionado russo dentre as seleções do topo. Na prática não foi bem isso que aconteceu. Chamado por 41 vezes para envergar o manto da Mãe Rússia, disputou sem brilho o Mundial de 2002, além das Eliminatórias para a Euro 2004, ambos sem muito impacto. 

Impacto causou quando foi pego no doping depois de um confronto contra País de Gales nestas mesmas Eliminatórias. Ficou um ano na geladeira (sem jogar no futebol russo, entenderam? hã hã hã? -apaga essa-) e até apareceu como figura constante em reality shows russos. Quer dizer, as pessoas tem de manter sua renda, ora bolas. 

Chegando às vésperas da Euro 2008, em mais um episódio envolvendo a qualificação para o certame, Titov abortou a missão de encarar a Estônia, alegando que precisava ficar perto de sua esposa, até então gestante e prestes a colocar no mundo um pequeno herdeiro. Daí pra frente, só derrota, diriam os amigos @mlklaser, @zenascimento, @zezinhodudu, @tiagofeldens e @Borgo_. Nem é preciso dizer que nunca mais retornou a representar seu país. Fora de forma, entrou em nítida decadência técnica e deixou o quadro de atletas do Spartak na metade do mesmo ano. 

Acertou com o Khimki, pequenucho clube da Premier League russa, que sempre alternava entre a zona intermediária e a briga para escapar do rebaixamento. Terminaram na antepenúltima colocação naquela temporada,  o que fez Titov mudar de ares mais uma vez, optando por encerrar sua carreira no Astana, do Cazaquistão. 

Seu legado como um dos principais armadores do futebol russo ficará pelos próximos anos e na lembrança dos torcedores as boas apresentações são eternas, só que ao contrário.




domingo, 11 de dezembro de 2011

Craques: Carlos Alberto Gamarra

Monstro da zaga por onde passou, Gamarra deixou
 saudades na zaga corintiana nos anos 90 (Bettor)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP, capital mundial da chuva de verão

Para ser zagueiro e ganhar reconhecimento mundial pelo seu trabalho, é preciso ser exímio na função, ter um diferencial e um currículo invejável. Com incrível técnica, capacidade de marcação e desarme, Carlos Gamarra marcou época na seleção paraguaia e em muitos clubes por onde passou ao longo de 16 anos como profissional. Em especial o ano de 1998 em que esteve no Corinthians, sendo capitão na campanha do título alvinegro no Brasileirão.

Lá no Cerro Porteño em 1991, fez um bom primeiro ano no Ciclón e em 1992 levantou a taça do Campeonato Paraguaio em 1992. Foi negociado com o Independiente da Argentina, o famoso Rey de Copas. Sem grande sequência de jogos e amargando o banco do Rojo até decidir por retornar a Asunción.

1993 foi o ano de se consolidar no setor defensivo do Cerro e da seleção paraguaia. As primeiras convocações para a albirroja vieram com naturalidade e Gamarra tinha segurança de sobra para executar a função. Venceu mais um campeonato paraguaio em 1994 e em 1995 foi contratado junto ao Internacional.

Em especial a década de 1990 abriu as portas para atletas paraguaios no futebol brasileiro. Arce e Rivarola foram para o Grêmio e posteriormente para o Palmeiras. O exemplo de Carlos talvez tenha sido um dos mais bem sucedidos em relação ao apreço da torcida.

De imediata identificação com a torcida colorada, Gamarra foi a personificação da raça, do futebol aguerrido praticado no Sul. Não bastasse sua perseverança, ainda aliava a força com uma precisão incomparável. Por essas e outras qualidades, virou um dos pilares na campanha do Campeonato Gaúcho de 1997, afinal, um grande time começa por uma grande defesa.

Gamarra nos seus tempos alvinegros: faixa de capitão e títulos brasileiros em 1998/99
(Gazeta)
Teve rápida passagem pelo Benfica, no segundo semestre de 1997 onde ficou por meia temporada, até voltar ao Brasil, desta vez em São Paulo. Em 1998 chegou a peso de ouro no Corinthians, que ostentava parceria milionária com o Banco Excel, que por sua vez enchia o plantel corintiano com estrelas do futebol brasileiro. Gamarra foi o capitão do combalido grupo do Timão, campeão nacional em cima do Cruzeiro. Desnecessário dizer que seu estilo xerifão conquistou de pronto o coração da Fiel.

Um momento memorável de Gamarra na seleção paraguaia foi o duelo contra a França nas oitavas de final da Copa do Mundo. Sem cometer uma falta durante toda a sua participação no Mundial, lesionou o ombro e jogou durante todo o segundo tempo e a prorrogação imobilizado. Nem mesmo debilitado ele fez alguma infração, tendo feito o cotejo mais memorável por um paraguaio na história do evento FIFA. O duelo terminou 1-0 para os franceses, tento marcado por Blanc na prorrogação, sendo o primeiro gol de ouro da história das Copas.

Para 99, a mesma tendência vitoriosa, comandando a cozinha alvinegra campeã paulista e brasileira, em cima do Atlético Mineiro, sendo colocado como um dos maiores jogadores da posição em toda a história do clube paulista.

Continuando com a tendência nômade, foi vendido para o Atlético de Madrid ao fim de 1999 e esteve presente no rebaixamento colchonero em La Liga. Tratou de assinar com o Flamengo para 2000, que montava grande elenco para os torneios nacionais. Ficou por dois anos na Gávea, sem muito brilho como em dias passados. Levantou um Carioca e uma Copa dos Campeões em 2001.

De partida para a Grécia em 2001, ficou no AEK e conquistou uma Copa da Grécia no mesmo ano, mas já em franca decadência técnica. Ainda sim, sem mostrar o mesmo futebol de antes, virou ídolo absoluto da torcida ateniense. Conseguiu uma transferência para a Internazionale, em 2002, às vésperas da Copa no Japão/Coreia. Fez outro Mundial exuberante, apesar da frustrante campanha paraguaia. Venceu uma Coppa Italia em sua passagem pela agremiação milanesa.

Amargou o banco de reservas em três anos de nerazzurri, sem chances de competir com atletas como Córdoba, Materazzi, entre outros. Gamarra mal entrou em campo, apenas 27 aparições em três temporadas, somadas às lesões que teve neste período. Em 2005, cansado de ser mero esquenta bancos, assinou com o Palmeiras, onde chegaria com status de lenda e para organizar um setor tão carente no clube da Barra Funda.

Foto: Welt.de
Rapidamente assumiu a titularidade do time alviverde e a faixa de capitão, já que Marcos estava lesionado na oportunidade. Longe dos tempos de muralha defensiva e já prejudicado pela idade avançada (35 anos) e problemas com sua forma física, Gamarra demonstrou ter deixado para trás os seus anos corintianos, criticando o rival antes de um clássico no Campeonato Paulista, vencido pelos alvinegros com gol de Tévez, curiosamente em lance ganho em cima do mesmo Gamarra.

Ficou até o fim da disputa da Libertadores de 2006 no Palestra Itália, disputou o Mundial da Alemanha (fazendo inclusive um gol contra na partida frente à Inglaterra) e depois rescindiu contrato. Ficou sem clube até o início de 2007, quando optou por encerrar a carreira no grande oponente do Cerro, o Olímpia.

Por sete temporadas no futebol brasileiro, levou quatro premiações de Bola de Prata (1995, 1996, 1998 e 2005) e ficará lembrado em todas as equipes que passou como exemplo de dedicação, profissionalismo e acima de tudo pelos seus desarmes e jogadas que só um grande craque na zaga poderia proporcionar. Integrando muitas seleções de melhores atletas que os anos 90 tiveram, Gamarra é imortal nos corações paraguaios, alvinegros, colorados, palestrinos e rubronegros.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sócrates, o jogador que eu queria ser



Leonardo Rossatto, @leorossatto
De Santo André-SP

Minha mãe não gosta do Sócrates. Falava que ele era um “bebum”. Ainda em vida, que fique bem claro. O alcoolismo, que ajudou na morte prematura do ídolo, é uma doença, deve ser tratada como tal, e falar que é uma falha de caráter ou algo do tipo é leviano, pra não dizer babaca mesmo.

Não acompanhei Sócrates em sua carreira profissional. Uma pena. Mas sempre tive, quando criança e até determinado ponto da adolescência (aquele em que suas ilusões desabam para dar lugar à dura realidade), o sonho infantil de ser jogador de futebol. Eu via muitos jogadores atuando e nenhum deles tinha o CARÁTER e as características que eu gostaria de ter como jogador de futebol. Até ler e ver vídeos sobre a carreira do Sócrates.
Dentro do campo, sempre quis ser um sujeito com muita visão de jogo, que chutasse maravilhosamente bem de longe, que tivesse alguma habilidade, mas a utilizasse somente para o objetivo do jogo: fazer gol ou colocar alguém de forma genial na cara do gol. Além disso, queria ser aquele cara que marcasse com classe, tomasse a bola no tempo exato sem fazer faltas desnecessárias e saísse jogando com desenvoltura. Obviamente nunca nem cheguei perto disso. O mais perto que cheguei disso foi em um gol de calcanhar completamente casual numa final de um campeonato interno no IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp)
Fora de campo, gostaria de ser um sujeito esclarecido, diferente dos outros jogadores, um líder, que se importa com causas políticas e com a cultura dos jogadores de futebol, querendo atuar e lutar por diretrizes mais justas para a sociedade através do futebol, com muita consciência. Obviamente nunca tive notoriedade e nem futebol para isso.
Mas Sócrates foi o retrato fiel das duas frases acima. Dentro de campo foi vistoso, tinha uma visão de jogo maravilhosa, um estilo de jogo solidário e uma influência incomum sobre os companheiros. Fora dele, era um ativista, defendia causas como a democracia, a justiça social e a honestidade no futebol.
Sócrates morreu. Ele era uma daquelas pessoas que se importava mais com os outros e com aquilo que considerava justo do que consigo mesmo. E, entre essas pessoas, é comum que a própria saúde seja deixada em segundo plano. Aquela história de que “os bons morrem cedo” é verdade. Não só pela saudade que deixam. Mas porque os bons, como o Doutor Sócrates, dedicam-se mais os outros do que a si mesmos.
Sócrates era o exemplo perfeito do jogador que eu queria ser. Gostaria que muitos jogadores de futebol homenageassem o Sócrates. Não apenas com momentos que logo caem no esquecimento, antes ou depois dos jogos. Mas cientes que que a melhor forma de homenagear o Doutor é eternizando o seu legado, tomando o seu procedimento como exemplo e tornando-se um jogador de futebol com senso crítico, que busque se fortalecer não apenas como atleta, mas na cultura, no caráter e na disposição de lutar por uma sociedade mais justa através do futebol. Mostrar que o exemplo dado pelo Doutor Sócrates pode ser replicado é a melhor forma de mantê-lo vivo, agora que ele se foi.
Descanse em paz, Doutor.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Craques: Carlos Valderrama

Maior estrela colombiana de toda a história do futebol, Valderrama também
será lembrado pelo seu estilo ovelha de ser (Colombia link)
Valderrama fez de tudo o que podia para ser um dos maiores ícones da geração dourada do futebol colombiano: grande craque, carismático e herói de um país que teve seu esporte quase que totalmente içado pelo dinheiro do tráfico, fez também sua carreira fora da Colômbia

Ligas sul-americanas: fórmulas e situação de momento

Festa do Nacional, campeão uruguaio desta temporada (Lancenet)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Não é apenas no Brasil que a liga nacional chegou ao fim. Em todo o continente sul-americano as competições domésticas estão na reta final. Como cada país tem uma fórmula diferente, é comum que os que tentam acompanhar esses campeonatos se vejam em dificuldades. Este post tenta explicar melhor como se decide o campeão nos países sul-americanos.

Na Argentina vigora a temporada europeia, de agosto a junho, com dois torneios em que 20 clubes se enfrentam apenas uma vez em cada um, com dois campeões por temporada. O Apertura 2011 ainda terá duas rodadas, mas o Boca Juniors se sagrou campeão por antecipação neste domingo, ao vencer o Banfield por 3 a 0.

No Uruguai o sistema é semelhante, mas com 2 importantes diferenças: são apenas 16 clubes e há um único campeão anual. Ao fim do Clausura, os dois campeões da temporada se enfrentam em jogo único. O vencedor enfrentará o melhor na soma anual em duas partidas, que definirão o campeão. Caso um dos campeões seja também o melhor na tábua anual, a partida semifinal ocorre igualmente. Se essa equipe for a vencedora é a campeã do ano. Se a outra equipe vencer, haverá uma decisão.

Na última temporada, por exemplo, se enfrentaram Defensor, que ganhou o Apertura e o Nacional, campeão do Clausura, e também o melhor na soma dos dois torneios. Se o Defensor vencesse, iria à final contra o próprio Nacional. Como o Bolso venceu, se sagrou campeão sem necessidade da grande final. No momento os tricolores sonham em repetir a façanha, pois se sagraram campeões do Apertura ao vencer o Liverpool por 1 a 0, gol de Recoba.

A Bolívia acaba de adotar o calendário europeu, e assim como a Argentina o país tem dois campeões por temporada. Mas a fórmula não é a de pontos corridos: se formam duas chaves de seis equipes, cada qual classificando quatro para a fase de mata-mata, que começou no último fim de semana com as partidas: Bolívar 1 x 0 The Strongest, San José 1 x 0 Aurora, Nacional Potosí 2 x 3 Universitário Sucre e Guabirá 0 x 0 Oriente Petrolero.

O Chile tem calendário anual, de fevereiro a dezembro, e dois campeões anuais. Mas ao fim de uma fase classificatória, em que todos se enfrentam uma vez, há um mata-mata entre os oito primeiros. O Apertura foi vencido pela Universidad de Chile, e o Clausura iniciou os play-offs no último fim de semana. Os resultados foram: La Serena 2 x 6 Colo-Colo, Universidad Catolica 3 x 1 Audax Italiano, La Calera 0 x 1 Cobreloa e Unión Española 0 x 1 Universidad de Chile.

O mesmo sistema é utilizado na Colômbia, que também teve sua primeira rodada das quartas de final. Os placares foram: Boyacá Chicó 0 x 0 Junior (suspenso no intervalo quando o bandeira foi agredido por um torcedor), Santa Fé 3 x 2 Itagui, América 0 x 0 Once Caldas e Envigado 2 x 1 Milionários.

No Paraguai também há calendário anual e dois campeões anuais. Mas como são apenas 12 equipes, tanto o Apertura quanto o Clausura são jogados em sistema de ida e volta. O Nacional venceu o Apertura, e faltam 2 rodadas para o fim do Clausura. No último, o Libertad lidera com 38 pontos, seguido por Olimpia com 37 e Cerro Porteño com 36.

O sistema equatoriano lembra bastante o paraguaio, mas nele há um campeão anual, conhecido a partir do encontro entre os vencedores das duas etapas. Em 2011 esse confronto será entre Emelec e Deportivo Quito.

No Peru há um torneio único no ano, o Descentralizado, com um sistema semelhante ao brasileiro, mas com uma grande diferença: os dois primeiros colocados fazem uma decisão para conhecer o campeão. Essa final ocorrerá a partir desta semana, entre Alianza Lima e Juan Aurich.

Na Venezuela o sistema é semelhante ao argentino e uruguaio, com temporada acompanhando a europeia e dois torneios anuais, mas com um campeão anual, conhecido no confronto entre os dois campeões. No Apertura, a 2 rodadas do fim, o líder é o Deportivo Lara com 35 pontos, dois à frente do Caracas.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

2010, parte 2

E agora, Cuca? (Futnet)
Leonardo Bertozzi, @lbertozzi
De São Paulo-SP

Pelo segundo ano consecutivo, o Atlético-MG contratou dezenas de jogadores, evidenciou um planejamento confuso e terminou o Campeonato Brasileiro escapando do rebaixamento apenas na penúltima rodada. Dorival Júnior, que em 2010 serviu para salvar o time, foi demitido com a temporada em curso e deu lugar a Cuca.

Depois de um primeiro turno abaixo da crítica, com apenas 15 pontos somados, o Galo mudou de rota no segundo turno. Com a ascensão de jovens como Fillipe Soutto e Bernard e a contratação de Pierre, o time ganhou corpo e melhorou seu rendimento - sobretudo como mandante, permanecendo invicto nesta condição durante toda a segunda parte do campeonato.

O balanço geral, mais uma vez, é de fracasso. A certeza de que pelo menos havia as bases para formar um time com poucas e pontuais mudanças para 2012 foi abalada pela goleada de 6 a 1 para o Cruzeiro na última rodada. O resultado, além de configurar o maior revés do Galo em um jogo contra o rival, ainda tirou a chance de classificação para a Copa Sul-Americana.

Cuca permanece, mas o abalo gerado pelas declarações pós-clássico faz com que ele já comece o novo ano sem margem de erro. Difícil imaginar que o Atlético, que desde 1991 não começa e termina o ano com o mesmo técnico, mude a história desta vez.

Antes tarde do que mais tarde

Lance do clássico paranaense deste domingo, que celou rebaixamento do Furacão (IG)
Rodolfo Dias 
De Curitiba-PR

Ter mais de um técnico na temporada, é tradicional para o Atlético. Isso vem de pelo menos 20 anos para cá. Porém, nos bons anos, mesmo que se mudasse muito, a base do time era mantida.

Em 2001, por exemplo, foram quatro treinadores, o Estadual e o Brasileiro. O time tinha um esqueleto que esteve nas mãos de Paulo Cesar Carpegiani e Flávio Lopes, no Estadual, e depois com Mário Sérgio e Geninho no Nacional.

Não se chegava e saía jogadores, alguns medalhões, em ciclos, como na primeira metade dos anos 90. Não éramos um posto de boias-frias (que naquela época tinham acento). Corte a cana no estadual e depois no Brasileiro até cair fora.

Mas o negócio foi desandando de 2006 para cá e virou de novo a terra dos trabalhadores volantes, sem confundir com os médios defensivos. Este ano foi um excesso. Merece até novo parágrafo.

Seis treinadores em um ano. Sabe aquilo de que se um cara realmente não para em relacionamentos, o problema é com ele? O primeiro erro foi manter Sérgio Soares: o time tinha perdido desempenho com ele no fim do ano passado e ficou fora da Libertadores por detalhes.

Depois, sem repor as perdas da defesa, um tempo com Leandro Niehues, que ainda não mostrou no mínimo estar pronto para dirigir um time do tamanho do Atlético. A aposta em Geninho, na sequência, soou a populismo, pois é o campeão brasileiro pelo clube. A saída dele, com belo aproveitamento rachou o grupo. Quem sabe o Atlético fizesse uma campanha decente com ele no comando? Isso entrou no mundo dos "ses".

Adilson Batista é o oposto de Geninho e aí o time desandou no Brasileirão. Ele jogou o time para baixo com seu método. Renato Gaúcho foi uma solução com data de validade: ele se cansar da cidade. E Antônio Lopes talvez tenha surgido tarde demais, ainda mais que um time pego do meio costuma oscilar.

Fora isso, vários medalhões foram contratados em detrimento dos garotos. Exatamente igual ao rebaixamento do Galo em 2005. Robston, Márcio Borboleta? Oh, disgusting.

Não é nenhuma surpresa essa situação, por mais que o clube tenha superávit coisa e tal. É como um acidente aéreo: são várias falhas juntas para que ele se concretize. Isso sem falar como casos de indisciplina no elenco e de briga política no clube. É muita coisa.

Ceará, tua glória é lutar

Osvaldo em partida contra o Grêmio no Presidente Vargas: grande talento do Vozão (Lancenet)
Sérgio Botarelli, @SBotarelli
De São Paulo-SP

O final de 2010 foi satisfatório. O Ceará cumpriu o que pretendia e terminou um campeonato bom, para quem acabara de subir. Isto já anunciou o início espetacular de 2011. Campeão da primeira fase do Cearense invicto, o Ceará já tinha se classificado para a finalíssima, contra o campeão do segundo turno. Como não poderia ser contra o próprio, o Vozão levou o Cearense do modo que o povo local gosta de dizer: arrastão. Campeão do primeiro e do segundo turno com autonomia e goleada na final: 5 a 0 sobre o Guarany de Juazeiro.

Sob comando de Vagner Mancini e os veteranos Geraldo, Fernando Henrique e Iarley dentro de campo, o Ceará fez uma campanha surpreendente na Copa do Brasil. A alma do time se mostrou forte na vitória sofrida e no último minuto sobre o Brasiliense, no ainda ativo Castelão. O gol? Foi do, até então, xodó da Cearamor: Nicácio.

Depois de eliminar o Flamengo, o Ceará chegou à sua 2ª melhor campanha em Copas do Brasil (na melhor perdeu a final para o Gremio) e tinha pela frente um time que vinha destruindo desde o estadual, o Coritiba. Um empate em Fortaleza e uma derrota em Curitiba eliminaram o Vozão da Copa do Brasil...sob aplausos de todos.

Mas algumas coisas mexeram no time do Ceará, algumas despensas. Iarley perdeu espaço no time e preferiu sair, voltou para o Goiás. Geraldo ficou no banco até onde agüentou e partiu para o Vitória. Nicácio teve desavenças e foi afastado por um grande período. Não condeno o Mancini, por compreender a má fase dos três jogadores. Mas houve sim uma desestabilização no time, que tinha os três como os alicerces, mesmo no banco, por incrível que pareça.

Entre vitórias e derrotas, o Ceará ia se mantendo na 12ª colocação, nada mais que isso. Para o presidente, insuficiente. Mancini demitido. A maior besteira feita sob comando de Evandro Leitão, por ingenuidade e não por incompetência. Por pressão de uma torcida exigente e não por sacanagem. O ano do Ceará acabara ali. A contratação do já desgastado Estevam Soares (que já tinha uma passagem pífia e derrotada pelo Ceará) só piorou as coisas em Porangabuçu. Derrotas atrás de derrotas levaram o time à zona de rebaixamento. A dependência de um só jogador, Osvaldo, fez do Ceará um time previsível e presa fácil para os adversários. A vitória sobre o Gremio, no Olímpico, reascendeu a força que precisava para escapar.

Mas como “adversário de fuga” tinha um grande do futebol brasileiro. E o empate em casa com o Cruzeiro rebaixou, moralmente, o Vozão para a série B. Já que, meio anunciada, a entrega do jogo (digo com a boca cheia: ENTREGA DO JOGO) ao Cruzeiro por parte do Atlético-MG, na última rodada, só consolidou aquilo que já vinha sendo anunciada a muitos jogos, sendo fortalecido com a derrota para o Bahia, no Pituaçu.

É triste ver uma torcida apaixonada, que ama, que acompanha, que não desiste e que não abandona chorar por uma queda. Mas a Cearamor não vai largar o osso tão fácil. O Ceará, agora, já tem experiência suficiente para fazer com que o ano de 2012 prometa muito para a torcida. O ano acaba triste, porém confiante para o futuro. Ceará tua glória é lutar!

Povo? Gente? Bola pra frente

Claudio Pool, ou Caçapa, lenda avaiana deste Dilmão 2011

Rodrigo Salvador, @novosomsalvador
De Curitiba-PR

O jogo de domingo foi um bom retrato do ano do Avaí. Só faltou perder pra ficar um retrato excelente.

O time começou mal o jogo, como começou mal o ano. Um monte de jogador bom foi embora, tipo o Emerson, e veio muita gente boa, tipo o---. O Campeonato Catarinense, dá até um ruim de lembrar. Se juntasse os técnicos dos 10 times em um time, gordos e burros mesmo, pra um amistoso contra o Leão, eles ganhariam (sim, com um a menos). Foram 4 derrotas logo de cara, incluindo uma em casa pro glorioso Imbituba. Chegamos, sei lá como, na final do segundo turno, pra deixar a Chape levar a vaga pra final, puta merda. Tudo errado demais. No clássico também, a primeira meia hora do time foi uma grande, fedida, carcomida, apodrecida e nojenta bosta.

Aí, quando você tá pronto pra ver a próxima demência futebolística do Avaí, ele acerta. O time foi se encorajando, ameaçando, até que o Lincoln (fica Linco =/) cruzou pro gol do Diogorlando. E isso ajuda a lembrar que, nesse ano péssimo, o Leão fez uma coisa boa sim. Quartas de final da Copa do Brasil, todo mundo cantando São Paulo e Vasco na semifinal. O Vasco chegou, mas o São Paulo pegou o Leão. Guerreiro, corajoso, valente, o Leão foi buscar dois gols contra o "soberano" e cavar a vaguinha na semi. Guerreiro, corajoso, valente, a Azurra segurou o Vasco em São Januário e tinha condição total de ir pra final. Miguelão, covarde, medroso, perdeu em casa.

O balde de água fria daquele jogo contra o Vasco tem tudo a ver com o gol do tricolor do estreito ontem. O Avaí mostrando força, vindo do melhor momento que desde o começo do jogo/campeonato, aí toma uma invertida. É de cair os butiá do bolso. O time volta pro lugar em que estava, mas sem ânimo. E dá nisso: jogo arrastado, o time fingindo que o jogo valia alguma coisa. Ano arrastado, o Leão fingindo que podia se segurar na série A. E assim até o fim melancólico. Com o empate, o Leão garantiu duas coisas: a melhor campanha catarinese na história do Brasileiro, deixando o Figueira em oitavo, contra o sexto lugar de 2009; e um grande argumento de bosta pra maquiar as cagadas de 2011. 

Último lugar, nada de relevante no ano. Uma pena pra alguns caras, como o William, o Lincoln, o Caçapa, o Cleverson, até o Neguinho. Não mereciam esse cenário. E a expectativa pra 2012 é baixíssima. Os reforços são do quilate de Aélson, Marcinho Guerreiro, Renato Santos e Ronaldo Capixaba e Neílson. Vai ser um ano ruim se não subir, não importa o resto. Afinal, Zunino vai continuar desfilando do jeito que quer pela Re$$acada dele, vai continuar desmentindo o hino do time e fazendo do Avaí cada vez menos povo, menos gente, menos bola pra frente. O Avaí que a torcida quer é muito diferente do Avaí de hoje, que é "só coração". E agora eu peço licença pra esquecer essa merda toda.