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terça-feira, 19 de junho de 2012

Fomos campeões: URSS 1960

Foto: Blog da comunicação
Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP
[Especial Eurocopa]

Cinco anos após a primeira disputa europeia entre clubes, é dado o pontapé inicial para o torneio que viria a ser a segunda grande competição do futebol, somente atrás da Copa do Mundo. A Eurocopa surgiu 30 anos após o projeto inicial, logo após o término do primeiro mundial, no Uruguai, em 1930, que contou com apenas quatro europeus. Para mostrar que a Europa não precisava da FIFA para organizar uma grande competição, nasceu o Campeonato Europeu de Seleções.

Ainda com resquícios da Segunda Guerra, algumas seleções de grande importância como Alemanha Ocidental, Itália e Inglaterra preferiram ficar de fora e se reconstruir à participar desse torneio. Assim, 17 seleções começaram da primeira Eurocopa, que diferente do que vemos hoje em dia, não tinha o mesmo formato.

Disputado no formato de mata-mata, o certame começou com o duelo entre Irlanda x Tchecoslováquia para decidir quem se juntaria aos outros 15 concorrentes. Perdendo por 2 a 0 em Dublin, os tchecoslovacos golearam por 4 a 0 em Bratislava e avançaram.

As primeiras fases não tinham uma sede definida e era o que poderíamos chamar de eliminatórias. Assim, foram oito confrontos em jogos de ida e volta, um em cada país. União Soviética (atual campeã olímpica) 4x1 Hungria*, França 8x2 Grécia*, Romênia 3x2 Turquia*, Noruega 2x6 Áustria*, Iugoslávia 3x1 Bulgária*, Alemanha Oriental 2x5 Portugal*, Polônia 2x7 Espanha* e Dinamarca 3x7 Tchecoslováquia* fizeram os jogos das oitavas de final. Destaque para a disparidade de resultados, com embates marcados por goleadas, tendo o confronto mais equilibrado entre Romênia e Turquia, em que os romenos triunfaram no placar agregado por 3 a 2.

Na fase seguinte, os oito classificados se enfrentariam, nos mesmos moldes da fase anterior, com dois jogos, novamente um em cada país. Com isso, tivemos chaveados França 9x4 Áustria*, Portugal 3x6 Iugoslávia*, Romênia 0x5 Tchecoslováquia* e Espanha x União Soviética. Contudo, por ainda estar sob o comando do ditador Francisco Franco, a Fúria se recusou a viajar até Moscou, onde o comunismo imperava. Desta forma, a URSS avançaria direto à fase final. França, Iugoslávia e Tchecoslováquia também conseguiriam, com certa facilidade, a classificação para o decisivo quadrangular final.

*Placar agregado

Lance da final entre URSS x Iugoslávia (Foto: Futebol e cia ltda.)
Nessa fase, diferente do que havia até o momento, houve uma sede fixa. O país escolhido foi a França (em Marselha e Paris), único dos representantes no final four que não era esquerdista. Definidos, os confrontos seriam entre Tchecoslováquia x União Soviética e França x Iugoslávia. Melhor para soviéticos e iugoslavos que avançaram e disputariam o inédito título.

Na final, um jogo emocionante que só teve seu vencedor definido na prorrogação. Com destaque para o goleiro Lev Yashin e o artilheiro da competição, Viktor Ponedelnik, a URSS venceu por 2-1. Milan Galic abriu o placar aos 43 e a Iugoslávia não teve muito tempo para comemorar a vantagem. Slava Metreveli igualou o cotejo seis minutos depois. Arrastado até o tempo extra, a Euro 60 foi definida por Ponedelnik, restando sete minutos para as penalidades.

Um grande coincidência foi que, como o jogo começara as dez horas da noite de um domingo, no horário local, o gol do título saiu somente na segunda-feira, e o nome do autor do gol, Ponedelnik, significa justamente, segunda-feira, em russo.

Foto: O campo dos sonhos
Campanha: Quatro jogos, quatro vitórias. Nove gols marcados, dois sofridos.

Jogos:
Oitavas de final
URSS 3-1 Hungria
Hungria 0-1 URSS

Quartas de final*
Espanha desistiu de enfrentar a URSS

Semifinal
Tchecoslováquia 0-3 URSS

Final – 10 de julho de 1960, Paris – Parc des Princes
URSS 2-1 Iugoslávia 


sábado, 24 de março de 2012

Craques: Ahn Jung Hwan

Ahn no momento mais marcante da sua vida, comemorando o gol contra a Itália na Copa de 2002 
Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP

Um gol pode mudar a carreira de um jogador, para melhor ou para pior. Ahn Jung Hwan teve esse (des)gosto na Copa do Mundo de 2002. Um dos principais nomes da surpreendente seleção sul-coreana era o destaque do modesto Perugia, da Itália. Ao final da temporada 2001-02 terminou a Serie A na oitava colocação, três pontos atrás da Lazio, conseguindo vaga na antiga Copa UEFA. Porém, desde a Copa-2002 sua carreira jamais se acertou.

Oitavas de finais do Mundial. A Itália, que não tinha lá um grande time, mas é sempre favorita, enfrentava a surpresa Coréia do Sul. Os comandados do técnico Guus Hiddink já faziam uma grandiosa campanha, passando de forma inédita da primeira fase. Qualquer coisa além disso já seria espetacular. Um gol de Vieri logo no início da peleja deixou silenciado o caldeirão que estava o estádio de Daejeon. Mas um tento de Seol Ki-Hyeon, já no final do tempo normal deu novas esperanças aos asiáticos. Restando menos de cinco minutos para o final da prorrogação, todos esperavam os pênaltis. Eis que Jung Hwan acerta um lindo cabeceio que elimina a Squadra Azzurra da Copa.

Nem mesmo a péssima e controversa arbitragem do equatoriano Byron Moreno fez com que o orgulhoso presidente do Perugia, Luciano Gaucci, mudasse de idéia de simplesmente dispensar Ahn após dois anos de serviços prestados.

Antes de chegar à Itália, o sul coreano havia se destacado tardiamente com seus 22 anos no Busan I´Park, de sua terra natal. A ida para a velha bota era a abertura para jogadores sul-coreanos no futebol europeu. Durante os dois anos em que permaneceu no Perugia, Ahn teve certo destaque. Após sua dispensa, escolheu o Japão para recuperar a sua motivação, em 2002.

Durante os quatro anos em que ficou na terra do sol nascente, Ahn viveu uma fase de artilheiro, primeiro no Shimizu S-Pulse e depois no Yokohama Marinos (2004). Perto dos 30 anos, outra chance de brilhar no velho continente apareceu. O “senhor do anel”, como é conhecido, pelo fato de beijar seu anel de casamento a cada gol marcado, acertou um contrato de um ano com o Metz, em 2005.

Todavia, a decepcionante campanha que culminou no rebaixamento da equipe não deixou portas fechadas para o sul-coreano. Apesar de um convite do Blackburn, preferiu a Bundesliga e assinou com o Duisburg. Talvez com o intuito de se ambientar para a Copa do Mundo de 2006.

Pinta de craque na chegada ao Duisburg

Novamente rebaixado, o jogador já não era unanimidade na Europa e retornou novamente à Ásia, em 2007 após a pífia passagem da Coréia do Sul pelo Mundial. Mas ao invés do Japão, ele retornou à sua terra mãe para jogar pelo Suwon Bluewings. A passagem por lá durou apenas um ano e sem muito brilho, mas suficiente para ficar de fora da seleção, pela primeira vez desde que estreou, em 1997, como parte do projeto de renovação do então técnico Pim Verbeek.

Já com 32 anos e cogitando encerrar a carreira, retorna ao Busan, seu clube de origem. Sua influência e liderança chamaram a atenção do Dalian Shide, da China, que dava início ao processo de transformação do futebol chinês, hoje completamente endinheirado. No país do espetinho de cachorro, Ahn teve o prazer (?) de jogar ao lado do grande Adriano Michael Jackson.

Ao final do primeiro mês de 2012 e depois de três anos na China, já com 36 anos, decidiu, emocionado, que era a hora de se aposentar. Não por problemas físicos ou técnicos, mas pelo simples fato de querer curtir a vida ao lado dos familiares. O mais promissor jogador sul coreano teve tudo para brilhar na Europa, mas por um acaso, não engrenou. Ainda assim, sua história não deve ser desmerecida por isso. O herói da Copa do Mundo de 2002 sempre será lembrado por seu gol contra a Itália, que segundo ele foi o momento mais marcante de sua caminhada como atleta..

quarta-feira, 14 de março de 2012

Craques: Alex Aguinaga

Toques de categoria eram o prato principal do garçom Aguinaga 
Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP

Poucos jogadores tem um sobrenome que condizem com seu futebol. Aguinaga pode se orgulhar disso. Alex Dario Aguinaga GARZÓN é nome verdadeiro, mas para muitos ele é conhecido apenas por “El Maestro”, pelos seus passes perfeitos. Equatoriano de nascimento e mexicano de coração, ele pode se orgulhar de ser um dos mais importantes jogadores da seleção equatoriana e ídolo no Necaxa, do México, por onde jogou boa parte de sua carreira.

Alex começou a carreira cedo e com apenas 15 anos fechou seu primeiro contrato profissional com o Deportivo Quito após mostrar toda sua incrível habilidade no sul-americano juvenil quando ajudou o time a se consagrar campeão, ainda como um legítimo ponta esquerda, longe da função de armador que tanto o consagrou.

Com 20 anos, foi convocado para defender o Equador na Copa América realizada no Brasil e, mesmo com seu time nem sequer passando da primeira fase, Alex foi um dos grandes destaques. Após a competição, choveram propostas de times gigantes como Internazionale, Real Madrid, Barcelona e Milan, mas acabou se transferindo para o Necaxa, do México. Isso mesmo, o time apenas tradicional em território mexicano desbanca potências mundiais na compra de um grande talento.

Tudo isso se deve ao fato de, na época, a liga mexicana estar em uma crescente e do clube alvirrubro ter sido recém comprado pelo grupo Televisa, uma das maiores empresas midiáticas do mundo, que chegava com a missão de reformular o elenco e via em Aguinaga como uma peça fundamental nesse projeto.

Recebendo a honrosa medalha de terceiro colocado no
Mundial de Clubes
 
Tanto esforço foi retribuído, já que o meia ficou lá por 14 anos e os deu três títulos mexicanos, até então desconhecidos na sala de troféus do clube de Aguascalientes: uma Copa do México e uma liga da Concacaf, em 1999, credenciando o time à disputa do 1º (?!) Mundial de Clubes, realizado no Brasil. Era a primeira vez que uma agremiação mexicana participava de uma competição de tamanha relevância. E o Necaxa não fez feio, terminando a disputa em terceiro lugar, após derrotar o Real Madrid. A coroação de Alex veio ao receber o prêmio de melhor jogador do país asteca nos anos 90.

Seu auge como atleta foi durante a disputa da Copa do Mundo de 2002. Graças a seu bom desempenho, somados à boa geração com Kaviedes, Delgado, Cevallos e Hurtado, o Equador conseguiu a inédita classificação. No entanto, nem todos esses bons nomes conseguiram evitar a fraca campanha e a eliminação ainda na fase de grupos.

Em 2003, mudou de ares e foi para o Cruz Azul, mas a fase já não era a mesma e apenas fez 13 partidas pela nova equipe. Para tentar um fim de carreira digno, retornou à terra natal para jogar pela LDU, dando início à um belo trabalho, culminando com o título da Libertadores de 2008, já sem “El Maestro”. Em dois anos na Liga, conseguiu o inédito doblete, ao vencer tanto o torneio Apertura quanto o Clausura, pela primeira e única vez na história do clube da capital equatoriana.

Muito parecido com Roberto Bolaños, Aguinaga já treinou o Barcelona... de Guayaquil
Depois de aposentado, tentou a carreira como técnico, no Barcelona de Guayaquil, mas sua inteligência em campo não deu resultado fora dele. Sem emprego, hoje ele é apenas referência e inspiração para novos jogadores não só no Equador, mas também no México.

terça-feira, 6 de março de 2012

Desafortunados: Hao Haidong


Hao sendo marcado por Lúcio na Copa de 2002

Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP

Aproveitando a onda Chen Zhi Zhao, ou Zizão, como queiram, o Desafortunados vem falar de uma das grandes esperanças chinesas em tempos passados.

Ele nunca foi famoso. Longe disso, pelo menos em âmbito internacional, mas teve uma grande responsabilidade em suas costas. No auge de seus 32 anos, Hao Haidong era o camisa 10 da seleção chinesa em sua primeira participação em Copas do Mundo, em 2002. Seria o primeiro mundial da seleção, a oportunidade da China se tornar uma potência mundial... mas não deu.

Muito além disso. Os asiáticos nem sequer passaram da primeira fase. Foram três decepcionantes derrotas, uma inclusive para o Brasil, por 5-0 e sem sequer um gol marcado. Nem o mítico e carismático técnico Bora Milutinovic deu jeito.

Ainda sim, Hao foi uma grande referência no futebol chinês. Apesar de ser camisa dez, jogava como atacante e é o maior artilheiro da seleção e da história da liga local, antes de seu profissionalismo, em 2004, considerado até hoje o melhor jogador, em termos técnicos, que os chineses tiveram.

Haidong começou sua carreira cedo, ainda com 16 anos no Bayi FC, time do Exército da Libertação que tinha sede em Pequim, após ser recrutado com apenas dez anos. Apesar de ter uma base militar no controle, a equipe nunca foi uma potência local. Despontando desde cedo, Hao ficou lá por incríveis onze anos, alternando entre o futebol e as atividades militares, até realmente pensar grande e se transferir ao Dalian Shide, que apesar de nova é uma das grandes forças da China.

Sua ida ao Sheffield só serviu para divulgar o nome do time no Oriente

Desde que aterrissou por lá, Hao ganhou sete títulos nos dez anos de Dalian, de 1996 à 2005. Já com 35 anos, ele teve a grande oportunidade de sua carreira, seria um dos primeiros chineses a jogar na terra da rainha, mais precisamente no Sheffield United. Comandado por Neil Warnock, os Blades, até então na segunda divisão buscavam uma maneira de expandir seu nome, principalmente no mundo asiático. Contudo,  Hao sofreu uma séria lesão  logo que chegou, que o impediu até de estrear pela equipe inglesa. Permaneceu então por dois anos treinando o time de reservas.

Haindong (ao centro) tem papel fundamental na busca de novos talentos para a seleção local

Embora não tenha pisado em campos europeus, Haidong pode se orgulhar de ainda ser o mais habilidoso jogador de seu país (não que isso seja muito difícil). Hao teve azar de jogar em uma época que a China não tinha nem metade do investimento atual, mas deixou seu legado. Aposentado, é o “manda-chuva” do Tianjin Songjiang, da terceira divisão local. Bem que sua história pode servir de inspiração para um novo goleador chinês. Quem sabe não é o Chen?


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Desafortunados: Taribo West

IIIH, NOJEEEENTO! (Nairaland)
Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP

Em uma época em que Cristiano Ronaldo e Neymar fazem sucessos com seus cabelos extravagantes e comportamento duvidoso, poucos lembram de um penteado que marcou uma geração (Winning Eleven) e assustou criancinhas durante a década de 1990. Taribo West, um carrasco brasileiro que nasceu na Nigéria, foi ainda jovem para a Europa é lembrado muito mais por seus cabelos verdes do que pelo seu bom futebol.

Depois de dois anos no Julius Berger, de seu país natal, West partiu para a França, porta de entrada para muitos africanos na Europa. Seu primeiro time no velho continente foi o Auxerre, em 1993. Em quatro anos no clube foram mais de 70 jogos. Porém, sua passagem pela equipe francesa não foi nem de longe comparada com sua participação nas Olimpíadas de 1996.

Junto de astros como Kanu, Babangida, Okocha, Amokachi e Babayaro, West era referência na zaga que tirou a grande chance do Ouro Olímpico para o futebol brasileiro. As Águias Verdes eliminaram o Brasil na semifinal com o extinto gol de ouro, marcado por Kanu. Se serve de consolo para alguns, a Nigéria derrotou a Argentina na final.

Taribo até jogou na Inter. Jogou? (Football Tea)
A participação de West nos jogos de Atlanta rendeu respeito por diversos grandes clubes. Permaneceu mais um ano no Auxerre, o zagueiro foi contratado pela Internazionale, que contava no seu elenco com Ronaldo e Roberto Carlos. Porém, na Itália, Taribo não rendeu o que dele se esperava. Seu desrespeito com o técnico Mircea Lucescu, devido suas subidas sem nexo ao ataque, no melhor estilo Lúcio nos tempos áureos de Bayern. Essa desavença foi a gota d’água para que ele saísse da Inter. Quando se esperava uma transferência para Inglaterra ou Holanda, West assina simplesmente com o maior rival da Inter, o Milan.

No esquadrão rossonero ele foi mero espectador, isso porque, em uma temporada, o zagueirão nigeriano entrou em campo apenas quatro vezes. Era hora de deixar a Itália. Partiu em 2000 para a Inglaterra, para jogar no modesto Derby County. Não se firmou e acertou contrato com o Kaiserslautern, justamente numa boa época do time alemão, que vinha de boas campanhas e um recente título na Bundesliga.

Mas tantas mudanças não fizeram bem a Taribo, que viu sua carreira desandar. Em 2002 foi para o Partizan. Os dois anos na Sérvia não trouxeram o bom futebol que o consagrou anos antes, obrigando-o a ver como uma das últimas soluções partir para o “mundo árabe”, até então com pouca visibilidade. No Al Arabi, West foi só expor seu excêntrico penteado pois futebol que é bom... Saiu do clube sem fazer nenhuma partida.

OLHA ESSE CABELO! Foto: Fora da Súmula
Retornou à Inglaterra para jogar na terceira divisão, pelo Plymouth, mas pouco atuou. Depois disso ainda regressou ao seu primeiro clube, Julius Berger e encerrou a carreira, ainda cedo, com 35 anos no Paykan, do Irã.

Apesar do bom início de carreira, West não despontou como se esperava para o futebol. Seu temperamento o prejudicou quando sua carreira explodia. Ainda assim ficará marcado como um grande desafeto para os brasileiros e o zagueiro mais contratado da história do Winning Eleven 4. Fora as tranças...



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Desafortunados: Papa Bouba Diop

Jorge Lafond? Não, é Papa Bouba Diop, grande flop senegalês na terra da Rainha (Daily Mail)
Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP

Um africano que vai entrar para a história da Copa do Mundo. Não, não falo de Roger Milla, caro leitor. Falo de um senegalês que protagonizou uma das maiores zebras das Copas, o Homem Montanha.

O ano era 2002, o dia, 31 de maio. O estádio de Samg-Na, de Seul, na capital sul-coreana estava lotado para ver os atuais campeões mundiais em ação, contra um adversário estreante em mundiais. França e Senegal abriam a Copa daquele ano, que seria completamente tortuosa para os franceses.

Os bleus, amplamente favoritos, mantinham a base vencedora em 1998, com Zidane e companhia limitada. Já os senegaleses tinham como grande destaque um jovem que acabara de fazer grande temporada no Lens: El Hadji Diouf, que após a grande Copa, conquistara uma transferência para o Liverpool. No fim, quem acabou brilhando não foi nem Zidane, muito menos Diouf.

Aos 30 minutos de jogo, após uma bola perdida por Petit no meio campo, Diouf é lançado em velocidade, tira Leboeuf da jogada e cruza para Papa Bouba Diop, que entra como um raio na área. O senegalês chuta em cima de Barthez, que não segura e no rebote, o próprio Diop balança as redes para em seguida sair correndo para a bandeirinha de escanteio e fazer uma dança no melhor estilo Milla.

Diop passou a ser conhecido. Antes da Copa, ele jogou no Grasshoppers e Neuchátel Xamax, onde começou a carreira, com 18 anos. Antes do Mundial, veio interesse do Lens, da França, justamente no país onde foi carrasco. Lá, durou três anos (2001-04) e mesmo após uma passagem discreta, conseguiu uma transferência para o concorrido futebol inglês, mais precisamente no Fulham, onde recebeu a alcunha de "Homem Montanha" já em 2004. Com apenas um ano pelos lados de Londres, se destacou e chegou a valer 8 milhões de euros. No entanto, depois disso sua carreira só entrou em declínio.

Seu último ano no clube londrino foi esquecível, mas lhe rendeu uma venda ao Portsmouth, em 2007 pela metade do preço que chegou a valer dois verões antes. No time do sul, Diop enfrentou dias difíceis e a má administração financeira levou o Pompey a péssimas campanhas. O ponto alto da estadia de Bouba foi o título inédito da Copa da Inglaterra. Antes do barco afundar, ele preferiu ir para o AEK, da Grécia, ao fim de 2010.

A conquista da Copa da Grécia na primeira época por lá poderia mostrar o ressurgimento do jogador, contudo, mais uma crise financeira abalou os planos do senegalês, que resolveu voltar para a Inglaterra, dessa vez para jogar no West Ham.

Pela seleção, Diop também vem um pouco esquecido. Desde a Copa Africana de Nações de 2008 não é convocado para uma seleção que desde o Mundial de 2002 não conseguiu se firmar. Ao todo, até o momento, foram 63 jogos pelos Leões de Teranga e 11 gols marcados.

O melhor jogador africano de 2002, agora na segunda divisão inglesa, tenta voltar a jogar com frequência e quem sabe vir ao Brasil na Copa de 2014 e aprontar pra cima de outra grande seleção...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Chegou a hora das samurais?

Nipônicas derrubaram Alemanha e Suécia, serão os EUA a próxima e última vítima? (FIFA)
Por Caio Dellagiustina

Depois de muito tempo se aprimorando no futebol masculino, o Japão parece ter descoberto seus talentos no futebol feminino. Isso porque a seleção japonesa está na final da Copa do Mundo, realizada na Alemanha. Para encarar as americanas, as japonesas derrotaram as favoritas Alemanha e Suécia sempre mostrando bom futebol.

Contra a Suécia, o time japonês não se assustou, mesmo depois de ter saído atrás do marcador. Virou com propriedade o jogo e consolidou o placar com um belo gol por cobertura.

Já as americanas...ahh, as americanas. Com um belíssimo time em todos os sentidos mostraram o quão competitivas podem ser. Depois de terem ido mal na primeira fase, o time americano já eliminou Brasil e agora na semifinal, eliminou a França.

A França que vinha pouco cotada no início do torneio, eliminou Inglaterra, tirou da Alemanha a vaga olímpica e chegou na semifinal contra os Estados Unidos que ainda capengavam na competição. Porém, desde o início as americanas foram superiores. O gol de Bompastor, para a França foi apenas um lapso. Nada que pudesse tirar a vaga dos Estados Unidos, que no final venceram por 3 a 1.

Agora, Estados Unidos e Japão farão um duelo para ver qual a melhor seleção feminina. Na teoria, as americanas são melhores, mas as samurais já provaram nessa competição que ainda darão muito o que falar.

A final acontece no próximo domingo, dia 17, às 15:45 em Frankfurt. 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Uruguai vence no aperto e enfrenta Argentina no sábado

Uruguaios fazem festa com gol salvador contra o México:
Agora a Argentina vem pela frente (GloboEsporte.com)
Por Caio Dellagiustina

Credenciado como um dos grandes favoritos ao lado de Argentina e Brasil e decepcionado como ambos nos dois primeiros jogos, o Uruguai suou... mas venceu os jovens mexicanos por 1 a 0 e avançou para a próxima fase.

Com um gol solitário de Álvaro Pereira ainda no primeiro tempo, os uruguaios tiveram todo o jogo para ampliar o marcador, mas as finalizações eram deploráveis. Forlán, grande astro celeste não conseguia acertar um chute e perdeu diversas chances de gol. Pelo menos armou as jogadas do time, assim como fez na Copa do Mundo.

Sem poder contar com Cavani e Godín machucados, coube a Coates, jogador preterido pelo São Paulo compor a zaga com Lugano e a Cristian Rodriguez subir mais para o ataque, deixando Forlán mais avançado ao lado de Suárez.

Logo no início já foi possível ver uma mudança de postura no time Oscar Tabarez. Mais ofensivo, chegou ao gol logo aos 14 minutos. As chances persistiram, mas a incapacidade de marcar deu o tom do que seria o segundo tempo.

Cadenciando mais o jogo, os uruguaios atacaram pouco na segunda metade de jogo. Os mexicanos, sem nada a perder começaram a se lançar ao ataque, dando sustos no goleiro Muslera que por si só já causa um frio na espinha dos torcedores a cada bola que chega ao gol. Aos 42 minutos o México marcou com Rafa Márquez, (não é aquele ex-Barcelona, mas é tão ruim quanto) porém para a sorte do Uruguai, o bandeirinha boliviano acusou impedimento.

Agora a Celeste enfrenta a arqui-rival Argentina nas quartas de finais. O jogo será no próximo sábado em Santa Fé. E fé é o que os dois times precisarão ter pois com o futebol que vem jogando eles tem sorte que pelo menos um passa...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Primeira rodada bem fraca na Copa América

Por Caio Dellagiustina

Quem esperava ver Messi, Sanchéz, Neymar, Falcão e outros mais brilharem na primeira rodada, se decepcionou. Os seis primeiros jogos foram fracos, não salvou um time sequer.

Começamos pela estreia de los Hermanos. A Argentina rendeu pouco com os três atacantes. Messi tentou resolver, até Batista colocar ele mais recuado no segundo tempo. O time só melhorou um pouco com a entrada de Agüero. Banega foi um destastre, não só pelo gol que concedeu à Bolívia, mas pelos diversos passes errados também. A zaga ainda não realmente testada, mas demonstra continuar fraca.

Ah...a Bolívia atacou. Duas vezes. E marcou um gol, nada mais.

Destaque: Edivaldo. O brasileiro com cidadania boliviana estragou a festa argentina com um gol de calcanhar.


No segundo jogo do grupo, a Colômbia, franca favorita contra a seleção reserva da Costa Rica, pressionou até marcar, já no fim do primeiro tempo. Depois disso, ficou com preguiça do jogo. Ainda mais com a expulsão de Brenes, ainda no primeiro tempo. A Costa Rica, percebendo que não tinha condições de atacar, ainda mais com um jogador a menos, pouco criou e a primeira vitória da competição saiu para a equipe colombiana.

Destaque: Freddi Guarín. Foi o cérebro no meio campo colombiano.


Pelo grupo B, ninguém saiu do zero. Paraguai e Equador até criaram oportunidades, mas pecaram na finalização. Do lado paraguaio, pesou a saída de Barreto, lesionado, ainda no primeiro tempo. O empate até foi justo, mas um golzinho para cada lado não seria ruim.

Destaque: Chucho Benítez. Enquanto teve gás, infernizou a zaga paraguaia


Já no jogo do Brasil...ahh o Brasil. Não saiu de um empate com a Venezuela. E o pior, as duas maiores esperanças brasileiras não renderam nem um pouco do esperado. O melhor jogador da seleção, Pato, saiu graças à Mano Menezes que errou ao trocar Robinho por Fred e quando tentou voltar atrás, sacou o camisa 9.

Pode se perceber, o mesmo que aconteceu com Dunga na Copa do Mundo. Faltou jogadores que se encaixassem no esquema da seleção. Hulk seria uma boa pois poderia substituir qualquer um dos pontas (Neymar ou Robinho), sem precisar alterar jogadores ou esquema de jogo.

Destaque: Pato. Era o melhor jogador do Brasil, só Mano Menezes que não percebeu isso.


E no grupo C, pelo menos os gols saíram. Uruguai, um dos favoritos da competição,  não passou de um empate com o Peru, que teve chances para ganhar o jogo, principalmente no segundo tempo. O ataque uruguaio formado por Cavani, Suaréz e Forlán pouco produziu. No Peru, pouco podia se esperar, afinal dois dos melhores jogadores ficaram de fora por lesão, Farfán e Pizarro. Porém o time se virou bem com  Guerrero no ataque e no segundo tempo, com a entrada de Vargas o time ficou ainda mais perigoso.

Destaque: Guerrero. O nome é sugestivo, pois foi exatamente o que ele foi. Sozinho, enfrentou toda a zaga uruguaia e foi premiado com um belo gol.


No último jogo da primeira rodada, o Chile venceu o México por 2 a 1. Mas assim como os outros grandes, enfrentou dificuldades, tanto que iniciou perdendo mas graças a apatia mexicana, os chilenos foram pra cima e viraram o jogo.

Destaque: Vidal. O chileno ajudava no ataque e na defesa. Fez o gol da virada e da vitória do Chile.

Agora, só nos resta esperar que a segunda rodada não dê tanto sono como a primeira.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O brilho perdido - Boavista

Jogadores do Boavista comemoram o título na Taça de Portugal de 1991/92 (Glórias do passado)

Por Caio Dellagiustina

Quais são os campeões de toda a história do campeonato português? De bate pronto, os nomes que vem a mente de milhares de pessoas são os do trio de ferro, Benfica, Sporting e Porto. E não estão errados. Fora eles, apenas o Belenenses na temporada 1945/46 e o Boavista na temporada 2000/2001 conseguiram o feito histórico.

Curiosamente, ambas equipes não vivem bons momentos. O Belenenses foi rebaixado temporada passada após muitos problemas extra-campo como casos de jogadores irregulares e dívidas.

Já o Boavista foi rebaixado na temporada 2007/08, mas também por estar envolvidos em problemas de ordem judicial. O Comitê de Disciplina da Liga Portuguesa de Futebol Profissional puniu o Boavista, Porto e União Leiria devido ao escândalo chamado Apito Dourado, um escândalo de corrupção que manchou o nome do campeonato português.

O clube fundado em 1903 por ingleses que vieram à Portugal para trabalhar e para lembrar os tempos da terra natal, se reuniam para jogar futebol aos sábados. O time da cidade do Porto é um dos grandes propulsores do futebol português, já que foi o primeiro a construir um estádio (Estádio do Bessa) e o primeiro clube a profissionalizar o futebol.

Mesmo sendo tão tradicional, o clube só conquistou seu primeiro título no ano de 1936/37. E ainda assim, não foi um título dos mais importantes. A conquista da segunda divisão portuguesa, levou os “panteras negras” à primeira divisão.

Porém, o clube do Bessa, levou um tempo até se firmar na elite portuguesa. Isso foi na década de 70, época que o clube se reformulou, ampliou o estádio e se tornou grande em Portugal. Nessa década, o clube axadrezado conquistou títulos de expressão, como a Taça de Portugal em três ocasiões (1974/75, 1975/76, 1978/79) e da Supertaça de Portugal na temporada 1978/79, além de disputar as copas européias.

Entre boas e más campanhas na elite portuguesa, o Boavista se consolidaliza como quarta força do cenário português na década de 80. Já na década seguinte, o time retoma a fase de conquistas, vencendo mais duas Taças de Portugal e duas Supertaças de Portugal, ambas nos anos 1991/92 e 1996/97, mas foi somente na temporada 2000/01 que o Boavista, com o apoio de um grupo empresarial que formou uma associação desportiva para gerir o departamento de futebol, conquistou sua maior glória, a Liga Portuguesa.

Nos anos seguintes, o clube também teve boas participações européias, chegando até a semifinal da Copa da Uefa de 2002/03, quando perdeu para o Celtic da Escócia.

A partir daí, o clube só se afundou. O caso do escândalo Apito Dourado  foi o estopim que decretou o fim da alegria alvinegra. Com a investigação nas contas do clube, ficou decretado, na temporada 2007/08 que o clube da cidade do Porto fosse para a segunda divisão. Mas devido ao rombo financeiro que o clube tem até hoje, desceu à terceira divisão, onde está até o momento, tentando se reeguer para voltar à sua fase de ouro.

Títulos

Campeonato Português: 2000/01
Taça de Portugal: 1974/75, 1975/76, 1978/79, 1991/92 e 1996/97
Supertaça de Portugal: 1978/79, 1991/92 e 1996/97
Campeonato Português da 2ª divisão: 1936/37
Campeonato Português da 3ª divisão: 1949/50

Confira um vídeo sobre o título nacional do Boavista, na temporada 2000/01, logo abaixo.