sábado, 28 de abril de 2012

Descraques: Thomas Gravesen

Assustador? Gravesen virou ídolo da torcida do Everton por suas incessantes
pancadas nos rivais da Premier League (Soccer Millionaire)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Baixinho, enfezado e caneleiro: este era Thomas Gravesen, brutamontes dinamarquês que ficou famoso durante a década de 2000. Volante com alto poder de marcação (e destruição), dava um toque bruto ao meio campo danês, que sofreu com o ostracismo após a aposentadoria dos irmãos Laudrup. Arquiteto do sarrafo, nasceu e foi criado na cidade pacata de Vejle, onde o maior ser humano escandinavo de todos, Allan Simonsen, foi revelado ao esporte.

Então, em 1995, pelo Vejle, iniciou sua saga sangrenta em busca do reconhecimento internacional. Por dois anos baixou o porrete e impedia bem a progressão do ataque adversário. Famoso pelo seu approach com vigor, não facilitava o serviço dos pobres oponentes que entravam em disputas de bola. A única certeza em lances que envolviam Gravesen era que os rivais sairiam do confronto com hematomas. 

Os desarmes e bom controle na marcação executada na meia cancha alarmaram os dirigentes do Hamburgo, que em 1997-98 estavam carentes de um atleta para desempenhar esta função de capanga. Transmitindo segurança aos homens de defesa, o dinamarquês não comprometia a retaguarda da sua equipe. 

Foto: NDR.de
Foram três anos no HSV, até a convocação para a Eurocopa, em 2000. Seria sua primeira grande competição internacional pela Dinamáquina, que já não assustava como outrora. Antes de deixar a equipe germânica, fez 51 aparições, sendo titular absoluto apenas no fim do ciclo, em 1999-00. No certame pela sua seleção, acompanhou de perto a vergonhosa campanha, fazendo dois dos três jogos dos escandinavos, que perdeu todos os seus compromissos na fase de grupos (França, Holanda e República Tcheca), saindo sem marcar um gol sequer. Diria o treinador Bo Johansson, meses depois da disputa da Euro que Gravy não era "psicologicamente estável". Daí já é possível concluir muita coisa a respeito do volante.

O Everton acabou se interessando nos serviços de Thomas. Na oportunidade, em 2000-01, os Toffees tinham um decadente Paul Gascoigne, Tobias Linderoth, Niclas Alexandersson e o jovem Leon Osman no setor de meio campo. Faltava um coringa para intermediar as ligações entre a defesa e o ataque, com aquela chegada que o danês executava com maestria. Iniciou-se no Goodison Park um reinado de terror. Gravesen e suas botinadas ganharam a simpatia dos torcedores, que se não iam bem no campeonato de futebol, ao menos nas artes marciais estavam com participação satisfatória. Sua fase no futebol inglês foi interessante, quando ocupou funções de criação (de jogadas, não de hematomas ou lesões).

Gravesen monta em Nedved durante a Euro2004: barbáries eram recorrentes
por parte do armário dinamarquês (SMH.au)
Quatro anos de lealdade ao Everton, a titularidade no selecionado de seu país e a fama de durão nos gramados fizeram dele uma figura de alguma forma carismática. Fora dos campos, constantemente era visto sorrindo ou em poses cômicas. Querido pelos companheiros, virou um tipo de segurança de boate para os colegas que fazia dentro do futebol. Mas ele queria mais do que isso. Companheiro de Stig Tofting na volância dinamarquesa, teve vital participação na campanha que levou sua nação até as oitavas de final da Copa de 2002. Um episódio célebre envolvendo Gravesen aconteceu nas Eliminatórias para esse Mundial. Autor de dois gols contra a Islândia, foi impecável na marcação e considerado o melhor jogador da partida. Horas depois foi requisitado por Mike Tyson, que pedia a camisa usada no cotejo. Até o astro do boxe se rendeu ao estilo do pangaré de Vejle.

Durante a Eurocopa de 2004, em Portugal, novas atuações e intimidações. Eliminados nas quartas pela República Tcheca, os daneses ainda foram longe num grupo complicado que tinha Itália (a decepção do torneio), Suécia e Bulgária. O Real Madrid tinha visto o suficiente de Gravesen para querer contratá-lo logo após o encerramento do certame. E assim o camisa 16 partia firme e forte rumo à conquista do planeta com suas machadadas e caretas.

Aproveitando o período Galactico do Real, Thomas se juntou a Zinedine Zidane, David Beckham, Roberto Carlos, Robinho, Ronaldo, Raúl e outros, que já encaravam um inconveniente jejum europeu. Chegando até a ser treinado por Wanderley Luxemburgo, o volante assumiu de vez a carapuça de caneleiro e fazia o serviço sujo na intermediária madridista.

Gravesen e sua muqueta clássica em Robinho: os dois ficaram
desprestigiados no Real, mas quem saiu foi o grandalhão
Foto: Cordero virtual
Como bem alegou Bo Johansson, anos antes, Thomas não era psicologicamente estável. Foi numa dessa, que em meados de 2006 se envolveu numa briga de treino logo com o franzino menino Robinho. A cena dos dois se esmurrando no CT do Real correu o mundo e até deu certa imagem de corajoso ao brasileiro, que tinha metade do tamanho do companheiro e ainda sim partiu para a briga. O entrevero não pegou bem para o grandalhão, que meses depois foi dispensado pelos espanhóis, ficando livre para negociar com o Celtic, que à época contava também com Roy Keane, outro especialista na arte de mandar oponentes para o Departamento médico.

Chegava com moral em Glasgow, marcando gol em clássico contra o Rangers e acredite, até um hat-trick contra o St. Mirren. O futebol escocês era talvez o habitat ideal para Gravesen, que sempre foi adepto de um estilo mais ríspido, sem firulas ou qualquer resquício de habilidade. Chegando o fim da temporada 2006-07, perdeu a motivação e foi aos poucos deixando de figurar entre os onze iniciais. Desinteressado, foi repassado ao Everton, onde ganhou fama. Lesionado e fora de forma, fez apenas oito jogos e retornou aos bhoys. Sem jogar, resolveu se aposentar em 2009, para alívio de centenas de atacantes que ainda o enfrentariam pelos campeonatos mundo afora.



sexta-feira, 27 de abril de 2012

Craques: Youri Djorkaeff

Foto: Inter.it
Victor Ferreira, @v_maedhros
Do Rio de Janeiro-RJ

Raízes russas e armênias, filho de ex-jogador de futebol e pertencente à uma das mais vitoriosas safras de jogadores franceses. Esse é Youri Djorkaeff, um dos craques da seleção campeã do mundo em 1998 que fez o Brasil se calar no fatídico 12 de julho daquele ano.

Nascido em Lyon, De família futebolística, teve como exemplo o ex-zagueiro Jean Djorkaeff, seu pai, que jogou por Lyon, Marseille e PSG, e então desde criança Youri se inclinou a trilhar o mesmo caminho. Teve de início a admiração por Johann Cruyff e pelo Liverpool de Kenny Dalglish como aliados à sua visão do futebol. Logo adentrou nas categorias de base do AS Villerbaune, onde chamou a atenção de olheiros que viam grande potencial naquele rapaz.

Aos 15 anos foi fichado pelo Grenoble, que à época militava na Segunda e Terceira divisão francesa, rapidamente sendo integrado à equipe profissional. Mas seu talento só iria estourar após sua transferência, por 5 milhões de francos franceses, para o Strasbourg.

No Strasbourg, que em 1989-90 disputava a Segunda Divisão, marcou 23 gols em 34 jogos, sendo 21 deles pelo Campeonato da Segunda Divisão, fato que despertou o interesse do então técnico do Monaco, Arsène Wenger. Contudo, seu debut na Ligue 1 foi complicado, pois Djorkaeff era obrigado a dividir suas atenções entre o esporte e o serviço militar obrigatório.

Djorkaeff em seu primeiro título oficial, a Copa da França 90-91 
Devido ao alistamento, Djorkaeff passara a semana à fazer suas tarefas no Batalhão de Joinville (não é em Santa Catarina, por favor), só tendo os finais de semana para jogar. Fez o seu debut contra o Sochaux-Montbéliard ao substituir Benjamin Clément. Porém, seu primeiro gol oficial só chegaria três semanas depois, contra o Stade Rennais. Em sua primeira temporada pelo Monaco, Youri acabou por conquistar seu primeiro título como profissional: a Copa Francesa contra o Olympique de Marseille, clube que seu pai defendera enquanto jogador. Em sua época seguinte, 1991-92, ainda disputaria a final da Taça das Taças UEFA, ocasião essa em que o Monaco perderia de 2-0 para o Werder Bremen.

Entretanto, o que parecia um caminho traçado pra que Djorkaeff chegasse a titularidade tomou um rumo inesperado, quando o Monaco contrata Victor Ikpeba, Jürgen Klinsmann e Enzo Scifo. Sem espaço como parte dos onze iniciais na agremiação do principado, Djorkaeff se transfere em 1995 para o Paris Saint Germain de Raí, fazendo de forma instantânea grandes atuações, com finalizações fortes e precisas, velocidade, sem falar nas cobranças de falta perfeitas fizeram com que o PSG mostrasse seu talento ao mundo. Foram 28 gols em 61 jogos pelo Paris Saint Germain, sendo campeão da Taça das Taças UEFA em cima do Rapid Viena. Essa temporada fenomenal fez com que Djorkaeff fosse assediado por outros grandes  Barcelona, Sevilla e Valencia. Foi aí que o francês aceitou se mudar para o leste em busca de um novo desafio: a Internazionale de Milão.

Foto: Calciofilia.wordpress.com
Na Internazionale, Djorkaeff viveria seu momento de consagração. Na equipe nerazzurri acabaria por participar de duas finais Copas da UEFA. A primeira, em 1996-97, contra o Schalke 04, não saiu como esperado. Após derrota de 1-0 no jogo de ida em Gelsenkirchen, o duelo sofrido no Giuseppe Meazza  foi salvo por Iván Zamorano, que empatou restando seis minutos para o fim, causando decisão por penais. Todavia, o que parecia regozijo virou lamentação. A Inter perderia a final nos pênaltis, com apenas Djorkaeff convertendo sua cobrança.

Porém o trauma deste revés para o Schalke seria rapidamente revertido. No ano seguinte, lá estavam novamente os interistas na final, desta vez contra a Lazio. Em uma partida fantástica do lado nerazzurri, a Inter acabou por despachar a Lazio com certa tranquilidade. Djorkaeff não marcou, mas contribuiu bastante na partida, que terminaria 3-0 para a equipe de Milão. Com aparições excepcionais, foi convocado para a seleção francesa para a Copa de 1998.

Na Copa de 1998, Djorkaeff acabaria por ser peça importantíssima na equipe campeã de Les Bleus, apesar de ter marcado apenas um gol durante o certame (contra a Dinamarca, de pênalti), formava ora dupla de ataque com Stéphane Guivarc'h, ora atuando como winger pela esquerda, atazanando as defesas adversárias com sua velocidade, passes e chutes.

Na finalíssima de 1998, brilhou ao travar as descidas de Roberto Carlos
(L' equipe)
Após a Copa, em 1999, se transfere para a Bundesliga, vindo a jogar pelo Kaiserslautern, onde ficaria até 2001, completando 89 jogos e 24 gols. Sua média de gols havia diminuído, mas ainda assim foi lembrado pelo técnico Roger Lemerre para a disputa da Euro 2000. Nesta edição, ajudou a França a conquistar o caneco, com dois tentos, um na vitória de 2-1 contra a República Tcheca e o outro sendo o da vitória de 2-1 contra a Espanha nas quartas de final.

Passados dois anos no Kaiserslautern, em 2001 se transfere para o Bolton Wanderers, que tentava formar uma equipe forte, com as contratações de Jay Jay Okocha e Iván Campo. Nesta época amargou a eliminação precoce da Seleção Francesa na Copa de 2002 e chegaria à sua última final, sendo finalista da Copa da Liga Inglesa de 2004, onde foi derrotado pelo Middlesbrough de Juninho Paulista por 2-1. Cumpriu 87 jogos e 21 gols pela camisa dos Wanderers, até se transferir para o Blackburn Rovers.

Não ficaria em Ewood Park por muito tempo. Entrou em campo somente três vezes e se transferiu para o futebol norte-americano, no New York MetroStars, seu último destino antes de pendurar as chuteiras em 2006. Seu anúncio de aposentadoria viria após uma lesão no tornozelo. Seu corpo já não aguentara mais os sprints e o jogo físico.

Mas ainda assim, de Djorkaeff sempre será lembrado pelos seus dribles, visão de jogo e capacidade de aterrorizar defesas adversárias. E mais ainda, será lembrado como aquele, que no 12 de Julho de 1998, aterrorizou Roberto Carlos pelo lado direito do ataque, ajudando a consagrar aquela grande geração de  Les Bleus que calou todo um país e fez a nação francesa comemorar.



TF História: Peñarol e o clássico dos oito contra onze

Façanha do Peñarol em 1987 contra o Nacional completa 25 anos nesta semana
Foto: Colombia sports
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Um dos componentes mais mágicos do futebol é sua imprevisibilidade. Nunca se sabe quando a história pode acontecer na frente de qualquer um. Uma decisão de quem vai subir para a 1ª divisão do Brasileirão pode se converter subitamente em um jogo inesquecível, como foi o caso da Batalha dos Aflitos.
E isso é ainda mais verdade quando se trata de um clássico. A possibilidade de heróis e vilões eternos é ainda maior. Há inúmeros exemplos, como Aldo Pedro Poy, que entrou na história do futebol argentino ao marcar de peixinho o gol da vitória de seu Rosário Central contra o rival Newell’s Old Boys nas semifinais do Nacional de 1971. A partida passou para a história como “La Palomita (peixinho) de Poy”, e é celebrada até hoje pela fanática torcida canalla todos os anos.
Em um clássico gigantesco como Peñarol x Nacional não podia ser diferente. A rivalidade mortal entre os dois monstros do futebol sul-americano e mundial criou uma galeria imensurável de ídolos, vilões e histórias inesquecíveis. Como o “Clasico de La Fuga”, em 1949, quando, temendo uma goleada histórica, o Nacional, que perdia por 2 a 0, se recusou a voltar para o 2º tempo (aquele Peñarol era a base da seleção uruguaia campeã mundial em 1950).
Nessa galeria está o histórico “clássico dos 8 contra 11”, que completou 25 anos esta semana. E a partida a princípio não parecia talhada para entrar para os anais do futebol uruguaio. Nada mais era do que parte de um triangular amistoso que incluía também o Bétis, da Espanha.
O primeiro tempo terminou com o Peñarol vencendo pela vantagem mínima, gol de Viera. Logo no início do 2º tempo Cardaccio empatou para o Bolso. Tudo parecia normal, até que veio uma sequência de expulsões que mutilou a equipe aurinegra. Entre os 23 e 30 minutos foram expulsos Ricardo Viera, José Perdomo e José Herrera. Parecia o fim do clássico. Com três a mais e com 15 minutos pela frente, o tricolor tinha a vitória nas mãos.
Mas o Peñarol não havia se resignado ao final que parecia inevitável. Seus oito jogadores restantes lutaram como nunca, e aos 37 minutos aconteceu o absolutamente inimaginável. Diego Aguirre fez boa jogada e passou para Jorge Cabrera marcar o gol da vitória Manya.
Nos últimos minutos o Nacional atacou como nunca, mas os jogadores carboneros conseguiram suportar tudo. Um dos leões naquela partida foi o zagueiro Obdulio Trasante, que posteriormente defenderia o Grêmio.
Quando a partida acabou, o Peñarol não havia vencido apenas um clássico amistoso. Aqueles jogadores haviam escrito uma das mais memoráveis páginas de um dos maiores clássicos do planeta. Mais que isso, a jovem equipe comandada por um iniciante Oscar Tabarez se enchia de brios. Meses depois venceria a Libertadores de forma igualmente heróica, com um gol de Aguirre aos 120 minutos do terceiro jogo da final contra o América de Cali.
Os oito heróis que inscreveram seu nome na história do Peñarol foram: Eduardo Pereira, Jorge Gonçalvez, Obdulio Trasante, Alfonso Dominguez, Eduardo da Silva, Gustavo Matosas, Jorge Cabrera e Diego Aguirre.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Desafortunados: Paul Dalglish

Foto: Getty Images

Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

Filho de peixe, peixinho é. Tal ditado bastante comum no cotidiano pode servir para evidenciar bastante coisas, porém, quando se fala em talento no futebol, esta frase não se aplica. Uma das provas mais concretas disso é Paul Dalglish. Filho de Kenny Dalglish, atual técnico do Liverpool e ídolo dos Reds e do Celtic na época em que era jogador, Paul não conseguiu chegar nem perto da unha do dedão do pai quando se diz a respeito do sucesso no futebol e, caso não fosse o famoso sobrenome, provavelmente não o conheceríamos.

O início de sua carreira foi de certa forma promissor. Atacante, com passagem pelas bases do Celtic e do Liverpool, muito em função do renome de seu pai dentro de ambas as equipes, Paul contou com algumas convocações para a seleção sub-21 da Escócia, mas não convenceu muito. Em 1997, graças a seu pai que treinava os magpies e o contratou, o Newcastle foi o rumo do jovem, que pouco mostrou de eficiência, mas foi emprestado para outras agremiações.

Contratado pelo papai, Paul Dalglish não conseguiu 
obter sucesso jogando pelo Newcastle (Foto: Getty Images)
Em 1999, durante empréstimo ao Norwich, Paul conseguiu ter alguns lampejos e agradar o clube que contratou em definitivo. Todavia, não demorou para os Canários se estressarem com o rapaz e em 2001, o mandaram novamente por empréstimo (sua sina) para o Wigan, onde também somou raras boas aparições. Já adentrando 2002, o herdeiro do reinado de King Kenny mudou-se para o Blackpool.

Nos Tangerines seu desempenho foi pífio tanto que ficou sem espaço e acabou emprestado para mais um time modesto, desta vez o Scunthorpe United, onde ficou por um curto período de 2003, já que no mesmo ano acabou por ir se aventurar na Irlanda, jogando pelo Linfield e lá flopou em mais uma apática passagem. Ano novo, vida nova e clube novo para o desafortunado Paulinho, que dessa vez partiu para o futebol escocês, pelo Livingston. Lá, teve apenas uma partida memorável, contra o Celtic, onde marcou dois gols, e chamou atenção de outro clube escocês que acabou arrematando-o: o Hibernian.

Dalglish e mais um flop no Hibernian (Foto: STV)
Apesar de ter chegado com certo renome, sua passagem pelos Hibs foi pouco brilhante e nem um ano ficou no clube. E daí então, o atacante foi atrás de novos ares para a sua carreira no ano de 2006, os Estados Unidos eram a nova morada do jogador, que se transferiu para o Houston Dynamo.

Foi mais um ano colecionando decepções em sua carreira, mas, na terra do Tio Sam, além das contusões que teve, Dalglish conseguiu realizar um feito notório e na final da MLS Cup de 2007, contra o New England Revolution, marcou os dois gols da sua equipe na vitória por 2 a 1 e o título ficou com os alaranjados de Houston, que já haviam sagrado-se campeões do mesmo evento em 2006.

Ainda achando que tinha lenha pra queimar, Paul acertou com o Kilmarnock onde mais uma apática passagem entrou pra sua coleção. As contusões se acentuaram, o obrigando a encerrar a carreira, para a alegria dos amantes do futebol bem jogado.

Hoje, o ex-atleta é técnico do Austin Aztek, equipe norte-americana de segunda linha que sequer joga a MLS. De fato, Paul só está aqui nesta seção e jogou em clubes conhecidos graças a um único fato: seu pai é Kenny Dalglish.


Fomos campeões: Schalke 1996-97

Foto: Euro Cup history
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Primeiro título internacional do Schalke, a Copa UEFA de 1996-97 ainda é lembrada pelos alemães em função do triunfo sobre o grande esquadrão que era aquela Internazionale. Sem possuir um plantel brilhante, valeu a união dos jogadores e o excelente trabalho de Huub Stevens à frente dos azuis reais. 

Terceiro colocado na Bundesliga de 1995/96, a agremiação de Gelsenkirschen ganhou vaga direta na 1a rodada, depois da 1a pré-eliminatória e da fase de classificação. Ainda funcionando em formato mata mata, concorrentes que tivessem consistência poderia ir longe, e foi justamente o que Stevens e seus pupilos fizeram naquele ano.

Sediando seus compromissos no Parkstadion, fechado em 2001 o Schalke mostrava força para uma arrancada histórica. Debaixo das traves, Jens Lehmann. Na defesa, o ídolo Olaf Thön, Yves Eigenrauch, Thomas Linke e Johan De Kock. Radoslav Látal era o volantão, resguardando e apoiando Andreas Müller (não, AQUELE era Andreas Möller, ídolo do Dortmund), Ingo Anderbrügge, Jiri Nemec e Mike Büskens. O tanque Marc Wilmots, ao lado de Martin Max, formava a costumeira dupla de ataque. 

Linke e Wilmots, matador azul real na edição
1996-97 da Copa UEFA (News.de)
O primeiro adversário foi o Roda JC, que não resistiu ao estilo de jogo germânico na primeira perna e levou 3-0, com dois de Wilmots e um de Youri Mulder, para tentar reverter na Holanda. Um empate em 2-2, (com gols de David Wagner e Wilmots) eliminou os negroamarelos dos Países baixos e abriu caminho para o Schalke enfrentar o Trabzonspor a seguir. 

Diante de mais de 50.000 torcedores, o Schalke sofreu para fazer 1-0 nos turcos. Max marcou o tento solitário na noite de Gelsenkirschen restando apenas 14 minutos para o apito final. Quem esperava nova retranca dos otomanos do Trabzonspor se surpreendeu com o duelo de volta no Huseyin Avni Aker. Shota Arveladze, aquele, diminuiu o estrago causado por De Kock, que havia marcado duas vezes. Hami Mandirali empatou e virou para o time da casa aos 71, mas Max, decisivo, igualou o placar dois minutos depois e deu a vaga aos alemães.

Pela frente, agora era o Club Brugge, no Jan Breydel Stadion. Com os belgas, vinha o primeiro revés azul real na competição. Mario Stanic inaugurou os trabalhos, Büskens empatou no começo do segundo tempo e Robert Spehar colocou os blauw zwart em vantagem para o confronto fora de casa. Entretanto, Max e Mulder não deram chance aos rivais de Bruxelas e o 2-0 serviu para que o Schalke progredisse até as quartas de final contra o Valencia.

A missão de derrotar Los Che não foi tão difícil quanto o imaginado. Linke e Wilmots fizeram os gols num cotejo pouco movimentado e de muita marcação por parte dos espanhóis. No Mestalla tivemos um confronto mais acirrado. Schalke saiu na frente com Mulder e Alberto Poyatos empatou para o Valencia antes do intervalo. Huub Stevens teve aquela conversinha com os seus comandados e a tarefa era uma só: evitar a virada. Dito e feito, germânicos nas semis contra outra equipe ibérica. O Tenerife de Francisco Rojas, Aurelio Vidmar, Slavisa Jokanovic e Oliver Neuville chegava embalado com vitórias sobre Maccabi Tel-Aviv, Lazio, Feyenoord e Brondby, certamente tinha bons motivos para estar naquela fase.

Prorrogação contra o Tenerife foi o primeiro dos testes para cardíaco envolvendo
o Schalke naquela Copa UEFA (Europa en juego)
Logo aos seis minutos de jogo no Heliodoro Rodriguez Lopez, Felipe Miñambres (aqueeele Miñambres se chama Oscar, não confundir) anotou numa penalidade o gol que colocaria a equipe das Ilhas Canárias na frente pela vaga na grande final. Os visitantes alemães não conseguiram passar pela barreira defensiva armada e sofreram os 90 minutos para marcar. Saindo de Santa Cruz do Tenerife com 1-0 contra na mala, era preciso foco para evitar novas e maiores dificuldades jogando em casa.

O equilíbrio marcou o encontro no Parkstadion. Sabendo que o empate era dos visitantes, o Schalke se lançou à frente e precisava balançar as redes para ao menos levar a decisão para o tempo extra. Linke, aos 68 deu a primeira nota na sinfonia azul real. Com o agregado em 1-1, foi preciso decidir a parada na prorrogação. Era muito drama e aos 107, dois minutos da segunda etapa, Wilmots deixou mais uma vez a marca do artilheiro. Antes das sempre temíveis penalidades, o centroavante belga tratou de dar jeito e colocar o seu time na final contra a Inter, que passou pelo Monaco na outra semifinal.

Formação do Schalke na decisão frente a Inter, em Milão (Museu virtual do futebol)
A decisão
Em 21 de maio de 1997, o caldo ferveu na decisão. Fazendo a primeira perna da finalíssima em Gelsenkirschen, os germânicos ditaram o ritmo e venceram a forte defesa nerazzurri com gol de Wilmots, aos 70, que marcava seu sexto naquela Copa UEFA, goleador máximo dos alemães. A hora da verdade viria no Giuseppe Meazza e a Inter ia entregando o troféu, quando faltando dez minutos para o final, Iván Zamorano deu sobrevida a Roy Hodgson e seus pupilos. Persistindo a igualdade na prorrogação, o jeito foi aguardar o grande vencedor após a disputa de pênaltis.

Enquanto o mesmo Zamorano e Aron Winter desperdiçavam suas cobranças pelo lado italiano, Anderbrügge, Thon, Max e Wilmots convertiam para os alemães. Apenas Youri Djorkaeff marcou pela Inter e o placar ficou em 4-1 para o visitante, que ergueu a taça com muito mérito após duras penas.

Campanha
1a rodada
Schalke 3-0 Roda JC
Roda JC 2-2 Schalke

2a rodada
Schalke 1-0 Trabzonspor
Trabzonspor 3-3 Schalke 

3a rodada
Club Brugge 2-1 Schalke
Schalke 2-0 Club Brugge

Quartas de final
Schalke 2-0 Valencia
Valencia 1-1 Schalke

Semifinal
Tenerife 1-0 Schalke
Schalke 2-0 Tenerife

Final
7 de maio de 1997 - Parkstadion, Gelsenkirschen
Schalke 1-0 Internazionale
21 de maio de 1997 - Giuseppe Meazza, Milão
Internazionale 1-0 Schalke (1-4 nos pênaltis)


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Bugados: Minanda

Foto: PES.neoseeker
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Bem, vocês estão acostumados a ler posts sobre jogadores que são gênios no videogame, mas que na vida real poderiam aposentar sem que ninguém notasse. O caso de hoje (e que abre precedente para mais companheiros virtuais) é o de Minanda, meia-atacante idolatrado por uns e odiado por outros.

Quem joga Winning Eleven/Pro Evolution Soccer sabe que o portuga tem a 10 na Master Liga e que também já está velho e logo anuncia sua retirada do esporte. Geralmente começando com 36 ou 37 anos. Também conhecido como Miranda em edições anteriores ao PES 6, o meia tem vocação para ser gênio e pereba. Oscilando muito nas suas atuações, pode protagonizar lindas jogadas de habilidade e precisão, tal como pode ficar completamente cozido em campo e não entrar em divididas como desejado.

A partir da versão 2008 passou a ter um rosto específico, não aqueles defaults que o jogo oferece. Ganhou também um cabelo único e se você olhar bem, vai notar uma semelhança com Luís Figo. É justo dizer que Minanda foi inspirado no atleta que teve passagens por Sporting, Barcelona, Real e Inter, ainda que tenha de ser feita a ressalva de que ele é uma cópia mal feita. 

Exímio cobrador de faltas e bom passador, pode facilmente ocupar o meio campo de uma equipe original (entenda ao lado de Ivarov, Jaric, Ruskin, Castolo, Espimas) na Master Liga. Todavia, seu estilo cretino pode prejudicar a campanha, sendo ideal ter um nome mais eficiente. Tente até mesmo Zeneli ou Hetemaj, que nunca custam caro. 

Alguém conseguiu fazer Minanda vingar no Arsenal
Já na metade de sua primeira temporada, pode ser extremamente preguiçoso e displicente. Efeitos de sua idade avançada. Alguns colegas dirão que já ganharam campeonatos por sua causa, outros dirão que levaram surras históricas também. O mito sobre o ancião luso difere de acordo com a região. 

No twitter, a discussão foi ampla (mentira). A audiência da TF comentou sobre o atleta, que causa divergências sobre seu potencial. Guilherme Dorneles, o homem hoje, @guidorneles comentou: "Completo. Só não é melhor que Henry Guilmer, holandês do FIFA, meu jogador favorito". Cristian Lorenz, @dudulorenz adotou uma linha saudosista: "Só perdia para Castolo na matéria de gênio". 

Outros exaltam sem hesitar o talento de Minanda, como Luiz Felipe, @luuizfelipe94, que frisa "MINANDEUS".  Felipe Ferreira, @felipepf13 (integrante da equipe aqui do blog) acrescenta que "Era um Túlio Maravilha do WE. Mesmo velho, liderava o time e era peça fundamental da equipe. Um verdadeiro mito!". Demais usuários da rede social tentaram avacalhar a pesquisa, sem sucesso (e que vão para aquele lugar).

Por fim, é possível concluir que o rapaz tem sim muito carisma e é querido pelos fãs da franquia da Konami. Para este que vos fala, um homem de lampejos e durante a maioria do tempo, vagaroso e pouco prestativo.





Bugados: Bosko Balaban

Foto: Hero my sin 
Felipe Portes, @portesovic
De Vladivostok-RUS

A Croácia formou dezenas de ótimos jogadores na década de 1990. Entre os talentos criados em sua maioria no Dinamo Zagreb, lá estava Bosko Balaban, um gênio do futebol (virtual). Acumulando boas passagens pelo Rijeka, o próprio Dinamo e Club Brugge, o atacante é um dos exemplos de craque subestimado. Aos 33 anos e perdido no futebol malaio, Bosko vai honrando seu passado que consistia em balançar as redes adversárias.

Em 1995 estreou no Rijeka, aos 17 anos. Rápido e forte para um juvenil, logo conquistou respeito na equipe croata, onde passou cinco anos e amadurecendo bem até se tornar uma das promessas do país para a década seguinte. Em 2000-01 se transferiu para o Dinamo Zagreb, detentor de invejável hegemonia nacional. De cara, se transformou no artilheiro dos Plavi. Foi crucial na vitoriosa da Copa croata em 2000-01, onde venceram o Hajduk Split na decisão. O troco dos rivais de Split veio no campeonato seguinte, por apenas um ponto na classificação final.

Bem cotado na Inglaterra, assinou com o Aston Villa, onde seria considerado pela imprensa local como grande fracasso. Devolvido em menos de seis meses a sua terra natal, por empréstimo, Bosko entrou em campo apenas nove vezes pelos Villans. Os plavi, mordidos com mais uma derrota doméstica, desta vez para o NK Zagreb na liga nacional, restabeleceram a normalidade e levou seu sétimo caneco desde 1992. Foram 15 gols de Balaban em 24 jogos, e seu próximo destino seria o Brugge.

Sem pagar nenhum tostão aos ingleses, a equipe de Bruxelas logo encontrou no croata a sua solução para o ataque. Mantendo uma média de 25 gols por temporada, chegou ao seu terceiro ano na Bélgica em alta com a torcida e principalmente com dois títulos: da Jupiler League em 2004-05 e a Supercopa belga em 2005. 2006-07 foi a temporada em que o Brugge ergueu a Copa da Bélgica, com ampla colaboração de Bosko para a façanha. Pouco depois do encerramento do calendário, a agremiação negociava com uma promessa do Germinal Beerschot, François Sterchele. A vinda de outro homem de frente significava que a diretoria estava às vésperas de se desfazer de seu goleador.

Foto: Dalje.com
Dito e feito, mais uma vez voltaria à Zagreb. Ao lado de estrelas como Luka Modric, Tomo Sokota e Mario Mandzukic (ainda recém promovido ao plantel profissional), conquistou o bi-campeonato nacional em 2006-07 e em 2007-08. A era bem sucedida se encerrou em 2008-09, sua última época na Croácia.

O Panionios ofereceu um contrato de três anos e arrematou o atacante, que teve início complicado, mas acabou sendo o artilheiro da equipe (o que não significava muito no cômputo geral). Sem sucesso, jogando hoje no futebol malaio pelo Selangor, tem boa média e já prepara a aposentadoria.

Joguetes em que brilhou
Quando ainda estava no Dinamo, saiu em duas versões do PES, a 2008 e 2009. Em ambas é extremamente perigoso, aquele cara que dorme durante os 90 minutos, mas que se pega uma bola na área em boa condição, complica o adversário. Extremamente decisivo, apesar da falta de habilidade. 



terça-feira, 24 de abril de 2012

Descraques: Angelos Charisteas

Foto: Daily Mail
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

É assim: Charisteas viveu um conto de fadas em 2004, tal qual toda aquela seleção da Grécia que encontrou um eficiente esquema tático para vencer a Eurocopa em Portugal. Com um futebol defensivo e cerebral, os helênicos derrubaram os donos da casa na final, com um gol de cabeça do rapaz aí na foto, o Descraque de hoje. É justo também dizer que antes e depois disso Angelos foi um atacante qualquer, sem nada de especial.

Tudo começou há um tempo atrás na Ilha do soooool em 1997, quando aquele menino grandalhão ganhou espaço no Aris. Pouco participava dos compromissos da equipe grega, até o ano de 2000, quando somou 28 aparições. Em 2001 já integrava a seleção grega e comprovando que eram tempos em que qualquer traste assumia a camisa 9 que um dia já foi vestida pela lenda Nikos Machlas. 

E então, fazendo uma temporada nada mais do que mediana em 2001-02, foi credenciado a ingressar no Werder Bremen, que em pouco tempo seria campeão nacional. O jovem Angelos faria parte de um elenco memorável da rapazeada alviverde. Ivan Klasnic, Ailton e Nelson Valdez eram os favoritos para a posição no olhar criterioso de Thomas Schaaf no comando da equipe em 2002-03.

Contratado pelo Bremen e ainda com a camisa 10, o grego começava
a enganar os dirigentes germânicos (De spiegel)
Não me venham dizer que a média de um gol a cada três ou quatro partidas é boa. Logo que chegou, disputou 31 jogos e balançou as redes nove oportunidades. Na caminhada da salva de prata, o grego ficou mais no banco de reservas, assistindo o brasileiro Ailton marcar 28 tentos e ser o artilheiro da competição. Charisteas fez apenas quatro, mas ainda sim foi lembrado por Otto Rehhagel (herói do Werder ao fim da década de 1980) para a Eurocopa de 2004.

Qualquer pessoa sã e com o mínimo conhecimento de futebol apontaria a Grécia como lanterna da chave A. Acontece que naquela edição em especial, todas as previsões óbvias ou coerentes cairiam por terra. No mesmo agrupamento onde Portugal e os helênicos se classificaram, Espanha e Rússia ficaram pelo caminho. Itália foi eliminada no C, onde Suécia e Dinamarca avançaram. Por fim, a Alemanha deu adeus e viu a República Tcheca (de forma justa, os tchecos foram a segunda melhor formação daquele certame) marcar nove pontos, cinco a mais do que a Holanda.

Ainda na fase de grupos, os lusos tiveram um aperitivo do que a Grécia poderia oferecer, logo na abertura, por 2-1. A forte retranca de Rehhagel superou a juventude e a empolgação dos portugueses. Detalhe, foi o único compromisso que os gregos marcaram mais de um gol. Todos os outros (empate em 1-1 com a Espanha, derrota por 2-1 para a Rússia, vitória por 1-0 sobre França e República Tcheca) foram exemplos nítidos que o ferrolho também tem vez nos tempos modernos. Lição essa aprendida pela Suíça nas Copas de 2006 e 2010. 

Célebre lance da cabeçada e gol de Angelos na final da Euro, no Estádio da Luz
Foto: Mlahanas
O dia 4 de julho de 2004 ficará sempre marcado na história do futebol português como o maior quase de todos. Naquela noite, o Estádio da Luz estava completamente lotado e claro, com a certeza de que o troco pelo revés na primeira fase seria vingado, além da disparidade técnica. Não sejamos injustos com os visitantes. Stelios Giannakopoulos, Giourkas Seitaridis, Theodoros Zagorakis e Giorgos Karagounis eram grandes jogadores, muito embora o quarto dessa lista nem tenha entrado na grande final. Em qualquer hipótese, os donos da casa eram favoritos, mas o irresistível estilo de Luís Figo, Cristiano Ronaldo, Nuno Gomes e sua patota simplesmente não conseguiam lidar com a barreira imposta a partir da intermediária.

Jogados redondos 12 da segunda etapa. Escanteio para a Grécia. Angelos Basinas, um dos que aparentavam já ter 50 anos ou mais na ocasião. Envelhecido, o plantel alviazul tinha como segundo ponto forte a experiência e a disciplina tática. Numa dessas piadas do destino, quiseram os deuses do futebol que a bola alçada por Basinas achasse Charisteas, marcado por Costinha e Ricardo Carvalho subisse ao encontro da gorducha que morreu no fundo das redes de Ricardo, mal posicionado no lance. Os minutos restantes daquele jogo vocês já sabem: retranca sobre retranca e Portugal no desespero.

Consagrado pelo gol que valeu a Euro ao seu país, o atacante foi contratado pelo Ajax logo depois. O resto da Europa sabia que ele não era grande coisa. O tempo foi passando e Angelos, coitado, caiu no ostracismo. Mesmo com passagens fracassadas por Feyenoord (2006-07), Nuremberg (2007-08), foi chamado para a Euro 2008, na Áustria/Suíça. O feitiço de quatro anos antes não se repetiu (apesar de Rússia e Espanha terem ficado no mesmo chaveamento) e Charisteas, juntamente com seus companheiros, saiu do evento sem marcar um mísero ponto.

Com moral na Alemanha, acertou com o Bayer Leverkusen para 2008-09 e quase não entrou em campo. Retornou do empréstimo para o Nuremberg em 2009-10. Marcando apenas dois gols nestas duas últimas temporadas em clubes, concretizou sua decadência ao se transferir para o Arles-Avignon, recém promovido na França, em 2010-11. Um semestre foi necessário para que os dirigentes perceberem que se tratava de uma farsa. Aos 31 anos, poderia se aposentar sem que ninguém notasse. Entretanto, o Schalke foi lá e provou que ainda tem muito bobo no futebol, amigo. Hoje, nosso Descraque joga pelo Panetolikos, uma mistura de Panetone com Catolikos na Primeira divisão grega.

De acordo com Joannis Mihail Moudatsos, (@grego___ ) colega do twitter e apreciador do futebol grego, Charisteas pode ser definido como "uma mistura de poste com perna de pau, que sabia usar a cabeça". Emblemático.

Craques: Predrag Mijatovic

Foto: Tumblr
Na história recente do futebol originado nas nações ex-Iugoslávia, as glórias clubísticas e os craques formados nas três potências (Dinamo Zagreb, Partizan e Estrela Vermelha) se espalharam pelo mundo e foram bem sucedidos em sua maioria. Um dos exemplos mais célebres deste sucesso certamente é Predrag Mijatovic, formado no alvinegro de Belgrado no final da década de 1980

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Farsa nossa: Sanjin Pintul

Foto: Bem Paraná
Bruno Núñez, @BrunoNunez
De São Paulo-SP
Zagueiro bósnio de sobrenome IMPRÓPRIO,  que foi contratado por causa do sobrenome pelo Atlético Paranaense em 1997, em uma época onde o Furacão começou a investir em jogadores vindos do Velho Continente, graças ao sucesso dos poloneses Piekarski e do saudoso Nowak. A piada (?) do momento era que o zagueiro era parente do goleiro do Atlético, Ricardo Pinto.
Diferente dos poloneses, Pintul não empolgou (trocadilho babaca), jogou apenas um jogo pelo Brasileirão de 97, contra o Botafogo em Caio Martins, derrota por 3 a 1 do time curitibano, após aquele jogo, Abel Braga nunca mais colocou o zagueiro bósnio em campo, que foi embora no fim daquele ano.
A carreira do bósnio começou no Velez Mostar (entre 1989 e 91) do seu país natal, com a guerra nos Bálcãs, entre 92 e 93, o zagueiro lutou na Guerra da Bósnia. Depois disso, Pintul foi para a Alemanha onde jogou por times obscuros como o Stahl Bradenburg (1994-95) e Oldenburg (1995-96). Com o fim da guerra, retornou a Bósnia onde jogou no Zeljeznicar (1996-97) e de lá veio para o Atlético-PR. Após a passagem frustrada no Brasil ele jogou na Turquia, no Karabukspor (1997-98) e depois na Suiça, no Young Boys, onde acabou encerrando a carreira em 2001.
Pela seleção bósnia, Pintul jogou 7 partidas e marcou 2 gols, ambos pela Dunhill Cup, essas copas que não servem pra nada amistosas com países do leste asiático. Também disputou as Eliminatórias da Copa de 1998, na França, a primeira competição (ainda que pré-classificatória) da história da Bósnia.

[Versão alternativa e não oficial]
Vê o tanque da foto? Pintul ganhou por seus serviços na Guerra da Bósnia, em 1996, logo após o fim do confronto nos Balcãs, em uma cerimônia onde foi recepcionado pelo presidente bósnio, Alija IzetbegovicO zagueiro se destacou nos campos de batalha, durante a Guerra Croata-Bósniaca, entre 1992 e 1993, um dos diversos conflitos que se passaram nos Balcãs na época.
Sanjin era atirador de um tanque T-55, que tinha a alcunha de Nitkov69, traduzindo do bósnio seria algo como Canalha69, e foi primordial em uma batalha em Sarajevo, onde sua mira ajudou muito as suas tropas aliadas. Quando a poeira abaixou um pouco, Pintul não titubeou ao aceitar a proposta de um amigo, indo para a Alemanha, retomar sua carreira como futebolista.
Atualmente, Pintul honra seu sobrenome, sendo dono de uma rede de boates GLS nas principais cidades bósnias, inclusive tendo filiais em outros países como Albânia e Macedônia. O tanque continua em sua mansão, conseguida graças a sua carreira de empresário da noite, afinal, ele pouco ganhou com o futebol.

*Nota dos editores: A editoria Farsa nossa é apenas uma brincadeira da equipe, que visa contar a verdadeira história de jogadores desconhecidos do grande público e mostrar um paralelo de como seria a vida do atleta em questão com um pouco mais de imaginação. Enfatizamos que nenhuma destas "versões não-oficiais" é verídica ou com fundo de verdade. É fruto da nossa idiotice, única e exclusivamente. 

TF História: Quando o Independiente derrotou a ditadura

Formação do Rojo que venceu o Talleres naquela inesquecível noite de 25 de
janeiro de 1978: façanha ainda é exaltada pelos fãs do clube de Avellaneda
(Foto: Taringa.net)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

No dia 25 de janeiro de 1978 aconteceu um dos jogos mais singulares da história do futebol argentino. Naquela partida, que decidiu o campeonato nacional de 1977, o Independiente foi campeão em cima do Talleres. Mas por melhor que fosse a equipe cordobesa, ela foi a parte mais simples de lidar. Pois naquele dia os rojos de Avellaneda enfrentaram um adversário muito mais temível: a ditadura argentina.
A década de 1970 é a mais gloriosa da história do Independiente. Após o bi da Libertadores em 1964 e 1965, a equipe consolidaria sua fama de “El Rey de Copas” ao vencer quatro edições seguidas do torneio, entre 1972 e 1975, façanha até hoje não alcançada. O Rojo venceu ainda dois títulos nacionais naqueles anos (o Metropolitano de 1970 e o Nacional de 1971), e chegou pela primeira vez ao título mundial interclubes, em 1973.
Naquele mundial despontou aquele que seria o maior ídolo Rojo desde Arsenio Erico: Ricardo “Bocha” Bochini. Talentoso meiocampista, era especialista em deixar os companheiros na cara do gol, embora também marcasse os seus. Os argentinos que se lembram dele costumam compará-lo a Andrés Iniesta, em função das semelhanças de estilo.
Não por acaso, Bocha foi o grande ídolo de Maradona, que torcia para os vermelhos graças a seu herói. Seu talento ficou óbvio quando, aos 19 anos de idade, comandou o Independiente na conquista do mundial de 1973, marcando o gol do título sob a Juventus de Turim em pleno estádio Olímpico de Roma.
Em 1977 aquela equipe vencedora não era mais a mesma. A grande maioria dos jogadores não estava mais lá. Mas Bochini continuava no Rojo, assim como o outro grande craque da equipe, Daniel Bertoni. E o treinador José Omar Pastoriza (jogador histórico do clube, então começando sua carreira de treinador) podia contar com outros brilhantes jogadores, como Omar Larrosa, que havia brilhado no grande time do Huracán entre 1973 e 1976.
E no Nacional de 1977 um rejuvenescido Independiente voltou a dar alegrias à sua torcida. Venceu dez das primeiras doze partidas, se classificando com antecipação para a fase final. Na semifinal, suplantou o Estudiantes, para encontrar o Talleres de Córdoba na grande decisão. Na primeira partida, em Avellaneda, prevaleceu o empate em 1 a 1. Tudo seria decidido em Córdoba: o vencedor levaria o título, e em caso de empate levaria a taça quem marcasse mais gols fora de casa (uma inovação para a época).
Mas logo ficou claro que as coisas não se resolveriam apenas no campo de jogo. O comandante militar e governador da província de Córdoba era nada menos do que Luciano Menendez, representante da linha-dura extremista da ditadura argentina. Para os membros dessa corrente, como Menendez e Suarez Mason, militares como Jorge Videla e Emilio Massera (posteriormente condenados à prisão perpétua pelas violações aos direitos humanos cometidas naqueles anos) eram demasiado tolerantes com a oposição. Entre outros feitos, Menendez era o responsável pelo Massacre de Las Palomitas, quando prisioneiros foram executados nas prisões da província de Salta. Foi um dos responsáveis por a Argentina quase ter entrado em guerra contra o Chile no final de 1978. Em 2009 foi condenado à prisão perpétua pelos crimes cometidos durante a ditadura.
E esse homem violentíssimo, vivendo o auge do poder, expressou claramente seu desejo de que o Talleres fosse campeão. No auge da repressão, isso era mais do que o suficiente. E quando as equipes entraram em campo naquele 25 de janeiro de 1978, ninguém sabia o que esperar.
A princípio tudo correu normalmente. As equipes buscavam o gol, e o Independiente virou o primeiro tempo em vantagem, com um gol de cabeça de Outes, o artilheiro máximo do clube no torneio. Mas no segundo tempo as coisas começaram a se complicar quando aos 13 minutos um centro da esquerda bateu no corpo de um defensor do Independiente na lateral da área. O juiz marcou o penal, bastante duvidoso, e convertido por Cherini (que por sinal sequer comemorou o gol tão importante; baixou a cabeça e caminhou de volta para o meio campo).
Aos 25 minutos o jogo se complicou de vez, quando Bocanelli aproveitou um centro e empurrou a bola para o gol com as mãos. O gol, flagrantemente ilegal, foi validado pela arbitragem, colocando os cordobeses em vantagem. No desespero, inconformados com tamanha injustiça, Trossero, Galván e Larrosa agrediram verbalmente o árbitro e foram expulsos.
Com três a mais, resultado favorável, arbitragem a favor, e jogando em casa, o Talleres tinha o título nas mãos. Mas não tinha Ricardo Bochini. Aos 41 do segundo tempo Bocha tabelou com seu grande amigo Bertoni e chutou a bola com força no alto da rede adversária.
O Independiente havia arrancado um miraculoso empate que lhe daria o título. Nos minutos finais da partida o Talleres atacou incessantemente, e o goleiro Rigante ainda teve tempo de fazer duas defesas dificílimas. E a bola estava em suas mãos quando o árbitro encerrou a partida.
O Independiente era campeão nacional de 1977, Bocha se consagrava definitivamente como um deus em Avellaneda, e a ditadura argentina sofria uma grande derrota nos gramados. Naquele dia um craque monumental se transformava em verdadeira lenda.
Texto originalmente postado no Futebol Portenho, pode ser visto aqui.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Bugados: Wilton Batata (Figueiredo)

Foto: Bildbyran
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Wilton Batata, conhecido nos arredores escandinavos como Figueiredo ainda é desconhecido por grande parte do público brasileiro e internacional. O atacante, que começou como meia nos idos de 2001 pelo Paranavaí, hoje faz relativo sucesso no Malmö, depois de passagem considerada bem sucedida no AIK. Os mais antenados em jogos eletrônicos devem se lembrar de que ele era um valor interessante no PES 2008, sendo uma contratação boa para se fazer com poucos recursos. 

Integrado em 2002 às categorias de base do São Paulo, foi repassado por empréstimo ao Grêmio Maringá no mesmo ano. Demonstrava boa capacidade de passes e de armação, relativa velocidade e bom posicionamento. Em 2003 passou por Criciúma e União Barbarense, sem conseguir se firmar. Entre centenas de promessas naquela época, ganhou reputação na equipe do interior paulista e foi para o Ceará, que ainda estava longe de traçar seu caminho para a elite brasileira.

Pouco menos de um ano depois, deixava seu país para tentar a sorte na Europa, mas não como os maiores talentos que surgem nos celeiros, mas sim em periferias futebolísticas como a Suécia. Assinara com o GAIS, em 2005, para daí conseguir brilhar como planejava anos antes. Chamado ao AIK, uma das principais forças locais, se consolidou como um dos principais atletas da Allsvenskan e ganhando a idolatria dos torcedores da equipe de Solna. 

Uma rápida passagem de dois anos pelo Catar (Al-Rayyan e Al-Kharitiyath), retornou em 2009 à Escandinávia, desta vez pelo Malmö, que por sua vez brigava pelas primeiras posições na liga doméstica. Não demorou muito para reconquistar o posto de principal atacante do certame, e em 2010 conquistou o título do Suecão. O reconhecimento viria em forma de prêmio como melhor jogador da competição, e claro, a vaga para a fase preliminar da Liga dos Campeões em 2011-12.

A campanha europeia do Malmö fracassou já nos play-offs, ganhando como prêmio de consolação a vaga na Liga Europa. Numa chave com Metalist, AZ Alkmaar e Austria Viena, os Himmelsblatt somaram apenas um mísero ponto e amargaram a lanterna do grupo G.

Joguetes em que brilhou
Como bem dito no início deste post, Figueiredo, como é conhecido na Suécia, ganhou destaque no PES 2008, quando passou pelo AIK. Atacante ligeiro, ainda que sem muita habilidade, é útil para ser o homem de finalização, ao menos nos primeiros dois anos em que o usuário não possui muitos fundos para contratações. Passado o segundo ano, se torna apenas peça de elenco, sem destaque.



quinta-feira, 19 de abril de 2012

Craques: Henrik Larsson

Foto: Interia.pl
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Se fosse possível definir Henrik Larsson em uma só palavra, ela seria VENCEDOR. O sueco foi vitorioso por onde passou, sempre dando o ar de seu talento até os últimos dias em que jogou futebol profissionalmente. Como se não bastasse a sua competência, era carismático e durante grande parte das décadas de 1990 e 2000 ostentou um rastafari que virou marca registrada.

Tudo começou em 1989, no Högaborgs, na Suécia, onde deu seus primeiros chutes. O faro de gol era apuradíssimo, o que fazia dele um grande nome a despontar no cenário escandinavo, que com exceção da Dinamarca, atravessava tempos inglórios antes de entrar nos anos 90. Uns podem lembrar daquele Göteborg bicampeão da Copa UEFA em 1982 e 1987, mas a verdade é que o futebol sueco em especial não gerava grandes nomes como antigamente. Em divisões inferiores, Henrik mostrava ao país que queria ser especial.

Foto: Yangin Cikisi
Até 1991 permaneceu no Högaborgs, quando recebeu em 1992 um convite do Helsingborgs, que lutava para deixar a segunda divisão local. Missão cumprida: com 34 gols em 31 aparições, Larsson foi vital para o acesso da equipe das vacas leiteiras. A boa sequência foi mantida, ainda que em menor número do que o ano anterior. Foi em 1993 que ganhou sua primeira chance na seleção sueca e o olhar atento do Feyenoord. 

Em Roterdã virou xodó da torcida e presença constante no selecionado nacional. Sua melhor performance no  De Kuip foi em 1994-95 quando encaixou 16 tentos em 38 partidas. Nada perto do que havia conseguido no Helsingborgs, mas ainda sim provara que tinha sim muita capacidade de figurar entre os grandes atacantes da época. A fama veio em definitivo após a bela participação na Copa de 1994, nos Estados Unidos.

Foto: FIFA.com
Entrando como reserva em quatro confrontos e ganhando a titularidade no derradeiro duelo do terceiro lugar contra a Bulgária, o até então cabeludo deixou sua marca quando teve a chance. Suas convocações eram quase que obrigatórias. Atravessava grande fase na Eredivisie, quando em 1997-98 recebeu uma boa proposta para jogar no Celtic. Foi artilheiro quase que instantaneamente, sempre em alto nível para mostrar que era a maior referência de gols na liga escocesa.

Os assombrosos números mostram a temporada 1998-99 como divisor de águas na carreira de Henrik. Somando 38 tentos em 48 partidas, logo no início da próxima época que disputaria pelos bhoys, sofreu uma grave lesão. Em meados de outubro de 1999, o Celtic enfrentava o Lyon pela Copa UEFA. Numa dividida com Serge Blanc, Larsson quebrou a perna em dois lugares, ameaçando um futuro ainda mais vitorioso. A preocupação geral passou a ser se ele recuperaria a boa forma depois dessa contusão, quando ficou cerca de oito meses afastado dos gramados.

Superando os próprios limites, Larsson deu a volta por cima após lesão e reinou
absoluto no Celtic, onde sempre será lembrado pelos seus feitos (Telegraph)
Assistindo grande parte da temporada 1999-00 de casa, Henrik sabia que a hora para se reafirmar novamente estava próxima. Retornando ao seu posto no ataque do Celtic em 2000-01, emplacou 53 gols em 50 jogos, seu recorde pessoal. Até 2004, quando defendeu as cores do alviverde de Glasgow, Larsson ergueu quatro campeonatos locais, duas FA Cup, e três taças da liga. Já aos 33 anos, foi para o Barcelona, que queria mais experiência no seu setor ofensivo. Mesmo como reserva, continuou a sequência de títulos.

Durante o período de um ano e meio que passou pelo Camp Nou, levantou dois campeonatos espanhois (2004-05, 2005-06) e uma Liga dos Campeões em 2005-06. Forçado por sua idade a adotar um estilo mais cerebral, entrava pouco, mas de forma eficiente. Passou a ser uma espécie de talismã blaugrana, ocupando a posição de segundo atacante. Vendo a aposentadoria de perto, retornou ao Helsingborgs em 2006.

Evidente que a capacidade de balançar as redes continuava a mesma. Dois mundiais (2002 e 2006) e três Eurocopas (2000, 2004 e 2008) depois, ainda tinha prestígio o suficiente para ir jogar no Manchester United, que caminhava para mais uma final europeia, em 2007. Os planos foram frustrados pelo Milan de um explosivo e decisivo Kaká, nas semifinais. Larsson não chegou a fazer nem 15 aparições e voltou para a Suécia, onde encerraria sua carreira no Helsingborgs. Capitão e homem gol das vacas leiteiras uma vez mais, parou em 2009, quando marcou 10 vezes em 22 oportunidades. Um legítimo matador.