Ajax e Panathinaikos alinhados antes da decisão europeia de 1971
Foto: Football Archive
Quando Ajax e Panathinaikos entraram no gramado de Wembley em 2 de junho de 1971, a Europa veria um campeão inédito. Cerca de 90 mil pessoas testemunharam o surgimento de uma das maiores potências do futebol mundial: o esquadrão de Johann Cruyff e Rinus Michels.
Era o duelo de dois opostos. A Alemanha ainda estava no período de transição para o futebol profissional. Não tinha tradição no esporte e enfrentava um adversário que não só liderava qualquer ranking mundial como botava medo em todo time que estivesse do outro lado. A aposta óbvia era contar os húngaros como campeões, mas o que se viu foi uma aula de superação.
Se já era difícil de acreditar que o Nottingham Forest foi campeão europeu dois anos após o acesso na Inglaterra, como reagir ao bicampeonato diante do Hamburg na Copa dos Campeões? O fenômeno tem um grande e falastrão responsável: Brian Clough.
Em 1993, o Palmeiras encerrava o seu mais longo jejum de títulos. Com a dissolução da Academia de Ademir, Dudu, Leivinha, Edu, César Maluco e Leão, a equipe enfrentou anos de frustração, derrotas inexplicáveis e times pouco competitivos. Pois foi num 12 de junho que o alviverde resolveu acabar com a agonia, em cima de um dos seus maiores rivais, com um placar imponente: o hino palmeirense finalmente estava sendo honrado.
Terceiro título europeu do Anderlecht veio com vitórias imponentes contra grandes adversários e numa decisão frente o amaldiçoado Benfica de Fernando Chalana
Ipswich faz campanha incrível em casa na Copa UEFA e leva o título mais importante da história do clube: feito foi marcado por time corajoso e pelo comando de Bobby Robson, lendário técnico que teve nessa conquista a mais emblemática de todas
Alguns campeões da antiga Copa
UEFA deveriam ficar eternamente na memória dos torcedores. Não por esquadrões
sensacionais, padrão de jogo invejável ou goleadas, mas sim pelo carisma dos
vencedores em algumas edições
Eintracht Frankfurt vence seu primeiro título europeu em 1980, mas com gostinho de copa local: quatro alemães formaram a fase semifinal daquela edição da Copa UEFA
Once Caldas derruba Boca Juniors na final da Libertadores de 2004 e se torna a maior zebra na história da competição sul-americana; colombianos surpreenderam no mata-mata e ergueram o caneco
River conquista segunda Libertadores após dez anos e em cima do mesmo adversário: América de Cali encarna maldição sul-americana com quatro finais e quatro derrotas, sendo três delas consecutivas
Palmeiras conquista a América em 1999 com a marca de Felipão: na raça e com altas doses de emoção; Corinthians tirou uma casquinha em uma das guerras e levou o Paulistão daquele ano
São Paulo de Telê Santana derruba o Newell's de Bielsa e conquista a América de forma inédita; equipe campeã até hoje encanta amantes do futebol ao redor do mundo
CSKA derruba Sporting em pleno José Alvalade e se sagra o primeiro russo campeão europeu; Copa UEFA de 2004-05 premiou uma equipe repleta de futuras promessas e quatro delas hoje estão no futebol brasileiro
Moleque Travesso ergue seu principal título, na segunda divisão nacional e vira mais do que um simples arteiro: com Candinho no banco, Carlos Pracidelli na meta, Nelsinho Baptista na zaga e Gatãozinho na meia esquerda o Juventus fez a festa em cima do CSA
Ernst Happel leva o Hamburgo ao seu primeiro título europeu e é o pioneiro de um trio de treinadores campeões continentais por duas equipes diferentes, ao lado de José Mourinho e Ottmar Hitzfeld
Francis e a taça da Copa dos Campeões: façanha inigualável do Forest
Foto: Equaliser blog
Nottingham Forest do lendário Brian Clough ergue sua primeira taça europeia, dois anos depois de ter conseguido a promoção da segunda divisão inglesa, feito até hoje imbatível dentro do futebol
Wimbledon vence Liverpool na final da F.A Cup em 1988 e entra no grupo dos campeões nacionais; elenco destemido supera desconfiança geral rumo à glória
"Jogamos como nunca, perdemos como sempre". Não havia frase que descrevia melhor a situação da Espanha em meio a história do futebol mundial. Contudo, chegou o ano de 2008 e a Fúria mais uma vez apresentava um plantel forte. Encantando o mundo com seu futebol baseado no envolvente toque de bola, buscava apagar o seu retrospecto de amarelona.
Os espanhóis ostentavam condição de favoritos para a competição, que era realizada na Áustria e na Suíça. Ainda havia um receio geral a respeito dos comandados de Luis Aragonés. No mesmo grupo do que a Fúria, havia também as perigosas Rússia e Suécia, além da Grécia, que havia conquistado o torneio 4 anos antes.
Logo na estreia já foi possível ver que a seleção espanhola estava disposta a tudo pelo título e diante da boa equipe russa, um show de futebol e uma contundente goleada por 4 a 1, com direito a hat-trick de David Villa, atacante do Valencia.
Villa garante Espanha nas quartas com hat-trick frente a Rússia e gol tardio contra a Suécia (Foto: UEFA)
No segundo jogo, uma partida muito mais complicada contra a Suécia de Zlatan Ibrahimovic, Torres abriu o placar e Ibra empatou, até que nos acréscimos, a figura daquele que já havia brilhado na jornada inaugural voltou a aparecer: Villa marcou mais um e chegou ao seu quarto gol na Euro e sacramentou a vaga para a próxima fase.
Com a vaga já assegurada, Aragonés decidiu por mandar um mistão para enfrentar a Grécia. Os helênicos abriram o placar com Charisteas, mas não aguentaram o repuxo e cederam perante Rúben De La Red (volta, saudades) e Dani Güiza. De virada, abocanhou 100% de aproveitamento na fase de grupos e seguia firme e forte na briga pelo caneco.
Nas quartas de final, a Espanha tinha compromisso complicado diante da Itália. Sem poder contar com Andrea Pirlo e Gennaro Gattuso que estavam suspensos, a solução encontrada pela Squadra Azzurra foi se fechar e tentar matar o confronto no contra-ataque. Os ibéricos, por outro lado, encontravam grandes dificuldades em furar tal ferrolho, não conseguiam criar boas oportunidades.
Conseguiram mesmo foi evitar que os italianos levassem perigo. No fim, o 0 a 0 persistiu no placar, tivemos foi pênaltis e aí brilhou a estrela de Iker Casillas, que defendeu as cobranças de Daniele De Rossi e Antonio Di Natale colocando o selecionado espanhol nas semifinais.
A Rússia era velha conhecida, e queria devolver o 4 a 1 no debut das duas nações. Embalados, os russos derrubaram a Holanda. Repetindo a sapatada da primeira fase, os espanhóis deram um show e despacharam os oponentes com gols de Xavi, Güiza e David Silva. O 3 a 0 credenciou Aragonés e seus pupilos para a grande final em Viena, contra a Alemanha.
Foto: Imortais do futebol
A decisão
A final da Euro colocava frente a frente Espanha e Alemanha, duas forças que jogavam de maneira ofensiva. O prognóstico inicial era que uma tinha fama de "amarelar" em decisões e a outra de crescer nos momentos decisivos. Previsão essa que só aumentaria a expectativa em torno da finalíssima no dia 29 de junho de 2008, estádio Ernst Happel: o dia e local em que o mundo do futebol conheceria uma nova potência.
David Villa foi o artilheiro da Espanha, mas se lesionou e ficou de fora do derradeiro compromisso de sua equipe. Aragonés então foi esperto o substituindo por Fàbregas e fortalecendo o meio-campo, medida que foi fundamental para segurar os alemães no ímpeto dos primeiros 20 minutos.
Passada a metade inicial do primeiro tempo, a Fúria se encontrou de vez em campo e com suas envolventes trocas de passe começou a criar perigosas oportunidades. Aos 32 minutos da etapa inicial, Xavi lançou Fernando Torres que ganhou na corrida de Phillip Lahm para dar um belo toque de cobertura sobre Jens Lehmann abrindo o placar em Viena.
No segundo tempo, os atletas de La Roja entraram em campo de maneira mais cautelosa, organizada e preservando a vantagem adquirida. A Alemanha bem que tentou, mas não conseguiu se acertar e acabou sucumbindo com o cansaço: Espanha bicampeã da Euro, 44 anos depois da primeira conquista.
Foto: Imortais do futebol
Alemanha: Lehmann, Friedrich, Mertesacker, Metzelder, Lahm (Jansen), Frings, Schweinsteiger, Ballack, Hitzlsperger (Kuranyi), Podolski e Klose (Gomez). Téc: Joachim Löw
Espanha: Casillas, Puyol, Marchena, Sergio Ramos, Capdevila, Xavi, Iniesta, Marcos Senna, David Silva (Cazorla), Fàbregas (Alonso) e Torres (Güiza). Téc: Luis Aragonés
Campanha: Seis jogos, cinco vitórias e um empate. 12 gols marcados, três sofridos
Jogos Fase de grupos Espanha 4 x 1 Rússia Espanha 2 x 1 Suécia Espanha 2 x 1 Grécia
Quartas de final Espanha 0 x 0 Itália (4x2 nos pênaltis)
Felipe Portes, @portesovic
Da Mística de Barueri-SP
Esqueça tudo que você entende por futebol arte, futebol bonito e pra frente, escanteio curto e toda aquela frescura enquanto estiver lendo este post. A Grécia foi a primeira equipe na história a levantar um troféu praticando a mais pura retranca. Uns dirão que os helênicos eram tremendamente eficientes no que se prestavam, e devo concordar com eles, sem restrições ou poréns. Ponto incontestável é que o rei Otto Rehhagel armou um esquema quase perfeito para os padrões gregos e assim um grupo entrosado e disciplinado chegou tão longe na Eurocopa de 2004, em Portugal.
O choque geral começou logo no duelo inaugural contra os lusitanos no Estádio do Dragão. Lidando com uma motivada seleção comandada por Luiz Felipe Scolari, conhecida por seu dinamismo, trabalho em grupo e talento mostrado por craques como Luís Figo, Rui Costa, Deco e o jovem Cristiano Ronaldo.
Era dada como certa a vitória do mandante sobre aqueles frágeis rapazes grisalhos, que em sua maioria pareciam ser atletas de uma equipe de masters. Subestimando a organização de Rehhagel e sua tropa, o mundo viu Giorgos Karagounis e Angelos Basinas abrirem 2-0 de vantagem para os helênicos. Concedendo pouquíssimos espaços no seu campo, Theodoros Zagorakis executavam a missão de derrubar a grande força da chave com dois tiros milimetricamente disparados. Foi Ronaldo, ainda um moleque chorão o homem a diminuir a tragédia, ainda que com atraso, nos acréscimos da segunda etapa. 2-1.
Charisteas, o homem gol da Grécia empata contra a Espanha (Foto: UEFA)
A saga continuou contra a Espanha no Estádio de Bessa. Já com alguns dinossauros no grupo, a Fúria do contestado José Ignacio Sáez ainda escalava Raúl e Fernando Morientes no ataque, revivendo os bons tempos de Real Madrid. Atrás, no meio campo, a coisa ainda estava uma bagunça. Raúl Bravo, Raúl Baraja, Vicente e Joseba Etxeberria compunham o setor intermediário espanhol, para agonia dos torcedores.
Morientes abriu o placar e encaminhou a classificação após vitória sobre a Rússia na estreia. Não contavam com a astúcia de Angelos Charisteas, o perigoso grandalhão na ofensiva helênica. 1-1, nada resolvido para ambos. A questão iria para a rodada derradeira, quando Portugal x Espanha e Grécia x Rússia (já eliminada) definiriam os dois safos que disputariam as quartas de final.
Vocês não acreditariam, mas a Grécia conseguiu perder para os soviéticos e ainda sim se classificar. Batendo mais que carcereiro velho, os rapazes de Moscou abriram a contagem em Algarve logo aos dois minutos, com Dmitri Kirichenko.
Zagorakis não acredita na sorte que levou os gregos adiante na Euro.
Pegadinha do Mallandros? RÁAAA, GLU GLUKIS! (Foto: UEFA)
O que fazer quando o seu time não é um primor ofensivo e ainda sim tem de sair para o jogo? A) bico para a frente, seja o que Deus quiser B) ninguém nunca ganhou uma guerra atirando para todos os lados, então cautela C) mantenha a mesma passada, vai que dá. Resposta: C. O roteiro de tragédia grega estava armado: Dmitri Bulykin fez o crime e ampliou para 2-0. Danouskis.
Enquanto isso, no José Alvalade, Portugal empatava com os rivais espanhóis. Zisis Vryzas diminuiu aos 43, mas a parcial não bastava. A situação estava com Espanha 5, Portugal 4, Grécia 4 e Rússia 3. Desesperador. Voltando do intervalo, com um pingo de sorte, Nuno Gomes colocou os tugas em vantagem e a patota de Rehhagel nas quartas. (Espanha ficou sem marcar e perdeu no critério de desempate) E assim começou uma série de zebras nunca antes vista nas Eurocopas.
Campeonato europeu de 1 a 0
Vinha a França pela frente. Atuais campeões europeus mas com uma crise de personalidade e dependência de Zinedine Zidane, Les Bleus contaram com um Zizou bem apagado. Passando um perrengue danado para sair de campo na primeira etapa sem levar gols, os franceses certamente demoraram a acordar em campo, e quando o fizeram, era tarde demais. Charisteas, sempre ele, marcou de cabeça aos 65 e lá se foram os primeiros favoritos. 1-0, Au revoir.
Eis que a imponente República Tcheca chegava às semifinais com muita moral. Em forma quase perfeita, os eslavos atropelaram a Dinamarca com 3-0 nas quartas e viam em Tomas Rosicky, o Pequeno Mozart suas esperanças de reviver as glórias do tempo de Antonín Panenka. Sólida e bem treinada, a formação tcheca era dinâmica e trazia o gênio Pavel Nedved como referência no meio campo, juntamente com Karel Poborsky e o supracitado Rosicky, ainda no Dortmund.
Ricardo sai mal do gol português e Charisteas marca: fim do sonho e silêncio
no Estádio da Luz, em Lisboa (Foto: SMH.au)
Um tenebroso e tenso empate foi a proposta grega para tentar chegar à sua primeira final. Marcando até a sombra dos adversários, novamente sem dar espaço e saindo pouco para os contragolpes, o esquete helênico segurou a barra e o 0-0 até a prorrogação, que teria a controversa regra do gol de prata: quem marcasse primeiro e mantivesse a vantagem até o intervalo, venceria. Entrou em cena o coringa Traianos Dellas, beque romanista, que segundos antes do apito trilhar no primeiro tempo extra, matou os rivais com uma testada certeira e botou a Grécia na final. 1-0, Sbohem.
Tudo estava lindo em Lisboa na tarde de 4 de julho de 2004. O sentimento português era de vingança pelo 2-1 na primeira fase. Convencendo como um dos principais candidatos ao caneco, o selecionado de Scolari já orgulhava a nação com a alegria e a garra apresentadas. Um povo que sempre sonhou em ver a sua representação vencedora dentro de campo, acompanhava de perto a maior chance de todas.
Ligeiramente melhores, os lusitanos encontraram uma Grécia mais atrevida, disposta a abandonar sua retranca de outrora. A defesa grega trabalhou de forma impecável e barrava as melhores iniciativas por parte do ataque com Pauleta, auxiliado por Ronaldo. Passada a primeira hora de nervosismo, agora os donos da casa dominavam completamente, testando o poderio defensivo de Traianos Dellas, Zagorakis e o arqueiro/garoto propaganda da Grecin 5, Antonis Nikopolidis.
Numa guerra de nervos e ainda sem gols, Scolari usou a palestra de intervalo para alertar seus pupilos a respeito dos perigos nas jogadas aéreas e claro, tentou fazer o ataque funcionar. O que ele não esperava era uma nova blitz grega na volta para a etapa complementar. Giourkas Seitaridis desceu em velocidade pela direita e foi barrado por Nuno Valente. Ganhando o escanteio, Basinas cobrou no meio da área. Saindo mal do gol, o arqueiro Ricardo deu a abertura, Costinha parou no meio do caminho e Charisteas cabeceou: 1-0.
Protagonizando um drama, Portugal apostou todas as suas fichas no ataque, buscando sem sucesso o empate. Silenciado, o Estádio da Luz deu lugar a outra festa: a dos visitantes que nunca nem chegaram perto da glória mas que agora fariam da Grécia um país menor ainda se comparado ao tamanho das festividades. Os heróis serão sempre heróis, vivos ou mortos, velhos ou jovens, pois o feito de Rehhagel somado à bravura dos atletas, foi simplesmente inigualável.
Campeã do mundo dois anos antes, em casa, a França desembarcou na Bélgica para as primeiras duas rodadas da Euro 2000 (em sede dividida com a Holanda) com a equipe mais temida do continente e apresentando grande futebol. Liderados por Zinedine Zidane em grande fase e agora bem auxiliado por Thierry Henry, David Trezeguet, Youri Djorkaeff e Patrick Vieira,Les Bleus alcançaram sua segunda conquista europeia, chegando tão ou mais longe quanto Michel Platini, em 1984.
A questão é que a França era muito favorita. Conseguindo um reinado que poucas seleções já exerceram, Zidane e seus companheiros estrearam contra a Dinamarca, no Jan Breydelstadion em Bruxelas, castigando os escandinavos com três gols a zero. Laurent Blanc, Henry e Sylvain Wiltord balançaram as redes de um rival órfão dos irmãos Laudrup, pela primeira vez em 16 anos.
Contra os tchecos, mais experientes quatro anos depois da derrota na decisão em 1996, ofereceram um maior desafio aos franceses. Por mais que Henry tivesse inaugurado a contagem aos sete minutos, sacramentar mais um triunfo e a classificação saiu mais difícil do que o esperado. Aos 35, Karel Poborsky deu números iguais ao cotejo, de pênalti.
Restou a Djorkaeff arrematar ao gol, e contando com a má sorte do guarda metas Pavel Srnicek, que espalmou e viu Tomas Repka desviar contra as próprias redes. 2-1, França nas quartas, República Tcheca fora. O jogo-chave seria mesmo contra os holandeses, que na posição de anfitriões, buscavam a primeira colocação no grupo D.
Zenden, Kluivert e Overmars afundam França e tomam a ponta da chave D (Foto: UEFA)
Novamente a França deu o pulo do gato para abrir o placar no início. Dugarry emulou Henry e aos oito minutos bateu Sander Westerveld para fazer 1-0. Determinada, a Oranje equilibrou a peleja e antes de assumir o desespero, empataram com Patrick Kluivert. Desenhando um dramalhão no encerramento da fase de grupos, Les Bleus novamente ficaram em vantagem, com David Trezeguet. Logo após o intervalo, Frank De Boer estufou as redes de Bernard Lama para levantar a torcida presente na Amsterdam Arena. Foi Boudewijn Zenden quem resolveu de vez o duelo que lembrou os tempos de Velho Oeste. Holanda líder.
Voltando a Bruxelas, onde somou duas vitórias, os franceses teriam a Espanha pela frente. Zidane chamou a responsabilidade e conduziu com maestria sua seleção ao sucesso, mais uma vez. Aos 32, o carequinha inaugurou o marcador, encaminhando mais um triunfo. Vacilando de novo, a retaguarda azul cometeu pênalti e Gaizka Mendieta fez: 1-1. Terceiro compromisso consecutivo em que a França sofria gols oriundos de penalidade.
Pouco antes do intervalo, Djorkaeff deu um de seus chutes característicos e colocou Les Bleus nas semifinais. Sem reação, os espanhóis aceitaram a marcação e o ritmo imposto pelos franceses, superiores e já em passadas largas rumo ao segundo título.
Zidane aparece bem e tira Portugal da disputa (Foto: UEFA)
Allez, Zizou
Portugal prometia dificultar a vida da França tanto quanto em 1984. Luís Figo, Rui Costa, Fernando Couto e Vítor Baía chegaram no Roi Baudouin para mais um embate duríssimo contra os velhos rivais. Nuno Gomes abriu o placar aos 19 e a esperança lusitana tomava forma. Com calma, a equipe comandada por Roger Lemerre não abaixou a cabeça e permaneceu ligada em campo.
Na volta do intervalo, Henry marcou. 1-1, e agora seria a valentia portuguesa versus a técnica francesa. Zidane, como referência na meia cancha azul, fazia da bola o que bem entendia. Parelha, a semifinal persistiu com o resultado e adentrou o tempo extra. Restando seis minutos para o apito final e consequentemente as penalidades, eis que a zaga portuguesa arruinou a coisa toda.
Trezeguet tentou o gol, foi bloqueado por Baía e Wiltord pegou o rebote. A finalização bateu no braço direito de Abel Xavier: pênalti marcado, sob várias reclamações de Fernando Couto e João Pinto. Zizou tratou de classificar sua nação para a grande final.
Foto: Best soccer shop
Dois grandes oponentes e mais um gol de ouro
Roterdã recebeu a finalíssima entre França e Itália no dia 2 de julho de 2000. Amarrado, o confronto teve Henry e Albertini aparecendo bem para tentar o primeiro gol. Em lance de genialidade, Francesco Totti tocou de calcanhar e Gianluca Pessotto recebeu na direita. O cruzamento passou diante de três defensores azuis para encontrar Marco Delvecchio só completou: 1-0 Squadra Azzurra.
Desesperada, a França apertou sem sucesso a defesa italiana em busca da igualdade. Já nos acréscimos, Barthez cobrou tiro de meta até o campo inimigo e o relógio contava 92:56. Trezeguet escorou perto da meia lua e tocou de cabeça para Wiltord, que desceu pela esquerda. Sabendo que poderia ser sua última chance, o atacante francês bateu forte e baixo. A bola passou debaixo dos braços de Francesco Toldo e foi parar nas redes. Por um minuto, a Itália deixou escapar o campeonato.
No transcorrer do primeiro tempo da prorrogação, nova iniciativa pela esquerda destruiu o sonho italiano. Robert Pirès roubou a posse na intermediária esquerda e driblou dois marcadores. Diante da linha de fundo, o meia do Arsenal preferiu o passe para o meio da área, onde Trezeguet estava bem posicionado para mandar de primeira no alto da meta de Toldo: 2-1, gol de ouro, gol da taça. Pela primeira vez na história, o campeão mundial repetiu a glória na Eurocopa seguinte...
Foto: UEFA
França: Barthez, Blanc, Thuram, Desailly, Lizarazu (Pirès), Djorkaeff (Trezeguet), Deschamps, Zidane, Henry e Dugarry (Wiltord). Téc: Roger Lemerre
Itália: Toldo, Nesta, Cannavaro, Maldini, Iuliano, Pessotto, Albertini, Di Biagio (Ambrosini), Fiore (Del Piero), Totti e Delvecchio. Téc: Dino Zoff
Campanha: Seis jogos, cinco vitórias e uma derrota. 13 gols marcados, sete sofridos.
Jogos
Fase de grupos
França 3-0 Dinamarca
República Tcheca 1-2 França
Holanda 2-1 França
Quartas de final
Espanha 1-2 França
Semifinal
França 2-1 Portugal (gol de ouro)
Final - 2 de julho de 2000, Roterdã - Feyenoord Stadion