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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Fomos campeões: Athletic Bilbao 1983-84


Victor Ferreira, @v_maedhros
De Bilbao-ESP

Um título épico, disputado ponto a ponto, com direito a sofrimento até os últimos segundos. Esse foi o trajeto do Athletic Bilbao da temporada 1983/84. Um Athletic que venceu os prognósticos de início de temporada. Jornais espanhóis davam como impossível o clube bizkaino ganhar novamente a Liga. Pois bem, a esquadra de Javier Clemente foi capaz.

O campeonato viria a ser disputado entre Athletic, Real Madrid de Emilio Butragueño e o Barcelona de Don Diego Maradona. Porém quem largou na frente no campeonato foi o Atlético Madrid. O primeiro grande jogo, e cheio de polêmica, foi a dura derrota do então campeão frente ao Barcelona, da dura entrada de Andoni Goikoetxea sobre Maradona, que saiu de campo com o tornozelo quebrado. Na oportunidade o jogador recebeu apenas o cartão amarelo, porém o Comitê acabou por sentenciá-lo a 18 jogos de suspensão (que com apelos foi diminuído para 7 partidas). 

Essa derrota desestabilizou a equipe rojiblanca, que perdeu frente ao Sevilla. O Real Madrid, que começara a Liga de maneira confusa perdendo de 6-2 para o Málaga, se recuperou frente ao Barcelona em pleno Camp Nou e dando ânimo para o Derby Madrileño, que foi vencido pelo Real por 5-0. Durou pouco, na rodada seguinte perdeu de 4-1 para o Sevilla no Sanchez-Pizjuán.

O primeiro turno acabou com o Real Madrid a frente do Athletic, em segundo, Barcelona e Zaragoza. No entanto, o segundo turno começaria com um Athletic arrasador. Tomaram a frente do conjunto madridista com 4 vitórias seguidas por 1-0, roubando-lhes a ponta.

Na 21ª rodada, o Athletic se viu surpreendido novamente pelo Barcelona, perdendo a primeira posição e dando chances de título ao Barcelona e o Atlético de Madrid. Essa liderança merengue durou até o jogaço em San Mamés. Os merengues saíram na frente na Catedral de San Mamés com gol de Stielike, porém os leões conseguiram remontar, com gol de Andoni Goikoetxea e Dani no finalzinho. 2-1 e a liderança voltou para Bizkaia. A disputa seguiria acirrada até a última rodada. Athletic decidiria o título frente seus rivais da Real Sociedad e o Real Madrid frente o Espanyol. Segue então os relatos, quase em tempo real da rodada.

Aos 18' do primeiro tempo, San Mamés rugiu em festa: Gol do zagueiro Licenrazu. O resultado daria o título ao Athletic. Em um momento inesperado, Orejuella do Espanyol abriu o placar contra o Real Madrid no Sarriá. Espanyol 1-0 Real Madrid. A torcida do Athletic já comemorava o título, até os 23' do segundo tempo, quando Uralde empatou em San Mamés para a Real Sociedad.

O resultado dava o título ao Barcelona. Porém dois minutos depois, a alegria culé acabou. Pênalti para o Real Madrid, cobrado por Butragueño. Gol, Espanyol 1-1 Real Madrid. Essa combinação de resultados fazia os merengues serem campeões. Aos 34' do segundo tempo, o momento histórico: Licenrazu, ele de novo, de cabeça, balança as redes dos txuri-urdin da Sociedad. O tento número 3.000 do clube bizkaino na Liga, e ao que indicava, o que representaria o título. Athletic 2-1 Real Sociedad. Nem o gol de Butragueño, novamente de pênalti no Sarriá adiantou. O Athletic se sagra campeão em cima do Real Madrid, por meio do saldo de gols, quesito de desempate.

Alirón, Alirón. El Athletic campeón. 

Athletic: 34 jogos, 20 vitórias, 9 empates, 5 derrotas. 53 gols pró, 30 sofridos. Saldo 23. 49 pontos.
Real Madrid: 34 jogos, 22 vitórias, 5 empates, 7 derrotas. 59 gols pró, 37 contra. Saldo 22. 49 pontos.

O último título dos Leões havia de ser assim. Com muita batalha, raça até o último segundo. E a Gabarra partiu. Toda Bilbao passou. Um momento que jamais será esquecido por esse clube que se apega às tradições e diz "Se é pra ganhar, que ganhemos do nosso jeito."

Athletic: Zubizarreta; Urkiaga, Licenrazu, Goikoetxea, de la Fuente; De Andrés, Sola, Urtubi, Dani; Noriega, Argote. Técnico: Javier Clemente



sexta-feira, 27 de abril de 2012

Craques: Youri Djorkaeff

Foto: Inter.it
Victor Ferreira, @v_maedhros
Do Rio de Janeiro-RJ

Raízes russas e armênias, filho de ex-jogador de futebol e pertencente à uma das mais vitoriosas safras de jogadores franceses. Esse é Youri Djorkaeff, um dos craques da seleção campeã do mundo em 1998 que fez o Brasil se calar no fatídico 12 de julho daquele ano.

Nascido em Lyon, De família futebolística, teve como exemplo o ex-zagueiro Jean Djorkaeff, seu pai, que jogou por Lyon, Marseille e PSG, e então desde criança Youri se inclinou a trilhar o mesmo caminho. Teve de início a admiração por Johann Cruyff e pelo Liverpool de Kenny Dalglish como aliados à sua visão do futebol. Logo adentrou nas categorias de base do AS Villerbaune, onde chamou a atenção de olheiros que viam grande potencial naquele rapaz.

Aos 15 anos foi fichado pelo Grenoble, que à época militava na Segunda e Terceira divisão francesa, rapidamente sendo integrado à equipe profissional. Mas seu talento só iria estourar após sua transferência, por 5 milhões de francos franceses, para o Strasbourg.

No Strasbourg, que em 1989-90 disputava a Segunda Divisão, marcou 23 gols em 34 jogos, sendo 21 deles pelo Campeonato da Segunda Divisão, fato que despertou o interesse do então técnico do Monaco, Arsène Wenger. Contudo, seu debut na Ligue 1 foi complicado, pois Djorkaeff era obrigado a dividir suas atenções entre o esporte e o serviço militar obrigatório.

Djorkaeff em seu primeiro título oficial, a Copa da França 90-91 
Devido ao alistamento, Djorkaeff passara a semana à fazer suas tarefas no Batalhão de Joinville (não é em Santa Catarina, por favor), só tendo os finais de semana para jogar. Fez o seu debut contra o Sochaux-Montbéliard ao substituir Benjamin Clément. Porém, seu primeiro gol oficial só chegaria três semanas depois, contra o Stade Rennais. Em sua primeira temporada pelo Monaco, Youri acabou por conquistar seu primeiro título como profissional: a Copa Francesa contra o Olympique de Marseille, clube que seu pai defendera enquanto jogador. Em sua época seguinte, 1991-92, ainda disputaria a final da Taça das Taças UEFA, ocasião essa em que o Monaco perderia de 2-0 para o Werder Bremen.

Entretanto, o que parecia um caminho traçado pra que Djorkaeff chegasse a titularidade tomou um rumo inesperado, quando o Monaco contrata Victor Ikpeba, Jürgen Klinsmann e Enzo Scifo. Sem espaço como parte dos onze iniciais na agremiação do principado, Djorkaeff se transfere em 1995 para o Paris Saint Germain de Raí, fazendo de forma instantânea grandes atuações, com finalizações fortes e precisas, velocidade, sem falar nas cobranças de falta perfeitas fizeram com que o PSG mostrasse seu talento ao mundo. Foram 28 gols em 61 jogos pelo Paris Saint Germain, sendo campeão da Taça das Taças UEFA em cima do Rapid Viena. Essa temporada fenomenal fez com que Djorkaeff fosse assediado por outros grandes  Barcelona, Sevilla e Valencia. Foi aí que o francês aceitou se mudar para o leste em busca de um novo desafio: a Internazionale de Milão.

Foto: Calciofilia.wordpress.com
Na Internazionale, Djorkaeff viveria seu momento de consagração. Na equipe nerazzurri acabaria por participar de duas finais Copas da UEFA. A primeira, em 1996-97, contra o Schalke 04, não saiu como esperado. Após derrota de 1-0 no jogo de ida em Gelsenkirchen, o duelo sofrido no Giuseppe Meazza  foi salvo por Iván Zamorano, que empatou restando seis minutos para o fim, causando decisão por penais. Todavia, o que parecia regozijo virou lamentação. A Inter perderia a final nos pênaltis, com apenas Djorkaeff convertendo sua cobrança.

Porém o trauma deste revés para o Schalke seria rapidamente revertido. No ano seguinte, lá estavam novamente os interistas na final, desta vez contra a Lazio. Em uma partida fantástica do lado nerazzurri, a Inter acabou por despachar a Lazio com certa tranquilidade. Djorkaeff não marcou, mas contribuiu bastante na partida, que terminaria 3-0 para a equipe de Milão. Com aparições excepcionais, foi convocado para a seleção francesa para a Copa de 1998.

Na Copa de 1998, Djorkaeff acabaria por ser peça importantíssima na equipe campeã de Les Bleus, apesar de ter marcado apenas um gol durante o certame (contra a Dinamarca, de pênalti), formava ora dupla de ataque com Stéphane Guivarc'h, ora atuando como winger pela esquerda, atazanando as defesas adversárias com sua velocidade, passes e chutes.

Na finalíssima de 1998, brilhou ao travar as descidas de Roberto Carlos
(L' equipe)
Após a Copa, em 1999, se transfere para a Bundesliga, vindo a jogar pelo Kaiserslautern, onde ficaria até 2001, completando 89 jogos e 24 gols. Sua média de gols havia diminuído, mas ainda assim foi lembrado pelo técnico Roger Lemerre para a disputa da Euro 2000. Nesta edição, ajudou a França a conquistar o caneco, com dois tentos, um na vitória de 2-1 contra a República Tcheca e o outro sendo o da vitória de 2-1 contra a Espanha nas quartas de final.

Passados dois anos no Kaiserslautern, em 2001 se transfere para o Bolton Wanderers, que tentava formar uma equipe forte, com as contratações de Jay Jay Okocha e Iván Campo. Nesta época amargou a eliminação precoce da Seleção Francesa na Copa de 2002 e chegaria à sua última final, sendo finalista da Copa da Liga Inglesa de 2004, onde foi derrotado pelo Middlesbrough de Juninho Paulista por 2-1. Cumpriu 87 jogos e 21 gols pela camisa dos Wanderers, até se transferir para o Blackburn Rovers.

Não ficaria em Ewood Park por muito tempo. Entrou em campo somente três vezes e se transferiu para o futebol norte-americano, no New York MetroStars, seu último destino antes de pendurar as chuteiras em 2006. Seu anúncio de aposentadoria viria após uma lesão no tornozelo. Seu corpo já não aguentara mais os sprints e o jogo físico.

Mas ainda assim, de Djorkaeff sempre será lembrado pelos seus dribles, visão de jogo e capacidade de aterrorizar defesas adversárias. E mais ainda, será lembrado como aquele, que no 12 de Julho de 1998, aterrorizou Roberto Carlos pelo lado direito do ataque, ajudando a consagrar aquela grande geração de  Les Bleus que calou todo um país e fez a nação francesa comemorar.