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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Crescimento repentino. Será?

Aleksandr Yaroslavskiy e seu amigo Roman Abramovich (AP)
Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

Várias vezes falei da hegemonia de Shakhtar Donetsk e Dynamo Kyiv na Ucrânia. É inevitável mencionar a UPL e deixar de lado este detalhe. Por muito tempo se acreditou que o Dnipro fosse o único time que poderia tentar "quebrar" isso, mas hoje o pensamento é diferente. Depois de ficar na terceira colocação por 5 temporadas consecutivas, o Metalist está cada vez mais próximo de fazer frente aos 2 máximos campeões ucranianos. 

Para o resto do mundo, o Metalist ganhou mais destaque apenas nesta temporada, graças à sua brilhante participação na UEFA Europa League até o momento. E isso também é algo lógico, não há como esperar que todos acompanhem a UPL. De qualquer forma, quem segue sabe que o time de Kharkiv vem em uma crescente já há algum tempo. Esta terceira colocação em 5 campeonatos consecutivos se deu depois da chegada do grande empresário Aleksandr Yaroslavskiy, que investiu bem demais tanto dentro quanto fora de campo. Para se ter uma ideia, ele é um dos homens mais poderosos do país. Em 2007 ajudou a fundar o grupo DCH, que reúne os setores empresariais da construção, finanças e transporte.

Outro dos responsáveis por este sucesso do Metalist é o treinador Myron Markevich. Inclusive ele chegou ao clube no mesmo ano que Yaroslavskiy (2005). Nem é preciso dizer que balançou no cargo algumas vezes, mas felizmente não foi demitido. Claramente esta ideia de projeto a longo prazo foi baseada na do Shakhtar Donetsk, que contratou Mircea Lucescu em 2004. As duas situações são tão semelhantes que o Metalist também conta com vários jogadores sulamericanos em seu elenco (dentre eles os brasileiros Cleiton Xavier, Edmar, Marlos, Taison e Fininho).

Apesar dos bons resultados recentes na UPL, o time de Kharkiv ainda não conquistou nenhum título nacional. Na antiga liga soviética até teve bons desempenhos, mas também nada que mereça muito destaque. Seu maior feito foi levantar o "caneco" da antiga Copa Soviética de 1988, quando venceu o Torpedo Moscow por 2x0 na final. Atualmente a equipe ocupa de novo o terceiro posto da Premier ucraniana com 47 pontos, apenas 4 a menos que o vice-líder Dynamo Kyiv.

Algo que chama demais a atenção neste Metalist é seu estilo de jogo. Nada de pragmatismo e toques de lado sem objetividade, o que se vê realmente é uma grande qualidade técnica e um altíssimo poder ofensivo. Para não se complicarem na defesa, os Zhovto-Syni fazem questão de manter a posse de bola no campo de ataque durante suas partidas. Isso acontece independentemente de qual seja seu adversário. O 4-2-3-1 é uma unanimidade para Markevich.


Mesmo que haja um certo equilíbrio entre os três setores do Metalist, não restam dúvidas de que o defensivo é o mais "modesto" por assim dizer. Contudo, vem superando as expectativas no quesito confiança. O primeiro nome a ser citado é o do goleiro Oleksandr Goryainov. O veterano de 36 anos ainda é fantástico sob as traves da equipe e tem uma frequência de jogos muito grande.

No centro da zaga encontramos o senegalês Pape Gueye, jogador que faz muitíssimos gols de bola parada e também é muito veloz. Depois da campanha lastimável de Senegal na CAN 2012, muitos pensam até 5 vezes antes de confiar em um zagueiro desta nacionalidade, mas Gueye vem mostrando que nem todos são tão ruins. Seu companheiro é o argentino Marco Torsiglieri, um defensor de muita qualidade técnica que é o verdadeiro xerifão desta zaga.

Existem muitos times grandes europeus que têm sérios problemas com laterais. O Metalist ainda não é um destes grandes, mas felizmente não sofre com ausência de jogadores para esta posição. Os mais "habituais" são o ucraniano Oleksandr Romanchuk e o argentino Cristian Villagra. Para haver aquele tradicional equilíbrio, o primeiro tem maior poder de marcação e o segundo apoia muito bem ao ataque. Seus respectivos suplentes são o ucraniano Sergey Pshenichnikh e o brasileiro Fininho. O que vale mencionar é que os dois reservas poderiam ser titulares sem problema algum.

Como não poderia ser diferente, a dupla de volantes do Metalist também está a um nível espetacular. O brasileiro (já naturalizado ucraniano) Edmar e o argentino Juan Torres são fundamentais tanto na marcação quanto no início das jogadas. Enquanto o brasileiro fica mais na marcação, o argentino tem liberdade para sair. No entanto, esta liberdade é um pouco restrita. Em suma, o Metalist permanece quase sempre em um 4-2-3-1 e não varia para um 4-1-4-1 como várias equipes.

A linha de 3 mais dos Zhovto-Syni é com certeza o que mais agrada a todos nesta equipe. As jogadas protagonizadas por Sosa, Cleiton Xavier e Taison vêm enchendo os olhos de toda a Europa na atualidade. O argentino José Sosa sempre reclamou quando deslocado ou para o lado esquerdo ou para o direito. No Metalist foi diferente. Ele acatou a decisão de Markevich e vem jogando demais aberto pelo flanco direito. Mais centralizado está o maestro e capitão do time, Cleiton Xavier. O ex-jogador do Palmeiras vive uma das melhores fases de sua carreira. Praticamente todas as jogadas passam por seus pés. Por fim, quem faz o lado esquerdo é outro brasileiro, Taison. Como não poderia ser diferente, o momento que ele vive também é maravilhoso. Sua jogada característica de pegar a bola na ponta, driblar os defensores e entrar na área está dando dores de cabeça aos adversários desde o início da temporada.

E finalmente chegamos ao ataque do Metalist, composto por apenas um jogador. Em tese, o titular da posição é Marko Devic. O sérvio naturalizado ucraniano é um "9" puro e sempre rende muito bem. Como se não bastasse isso é o quarto maior artilheiro da história do clube, tendo marcado 69 gols. Mas nem sempre Markevich joga com um centro-avante mais preso na área, por isso Jonathan Cristaldo é frequentemente utilizado.

Fiquei abismado com a quantidade de pessoas que estão se mostrando surpresas com o Metalist na temporada e não sabem de onde vem todo este crescimento. Pois aí está o motivo. E para os "desavisados de plantão", não será nenhum absurdo se dentro de alguns (poucos) anos o time de Kharkiv conquistar um título ucraniano.

sábado, 21 de janeiro de 2012

E aí, Dnipro?

Vamos ver até quando dura a paciência com Juande Ramos
Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

Desde 1992 a hegemonia no futebol ucraniano é dividida entre Shakhtar Donetsk e Dynamo Kyiv. Os dois quase sempre permanecem no topo da tabela com "sobras" em relação aos outros. Atualmente, o Metalist está se aproximando bastante. Quer tentar o mesmo que o Tavriya, último time que conquistou uma liga ucraniana (justamente em 1992). 

Há algum tempo atrás se esperava que essa quebra de hegemonia começaria com o Dnipro, que passou a investir pesado em contratações e, além disso, já é um time historicamente grande. De meados da década de 70 até meados da de 80, o Dnipro conquistou dois títulos soviéticos (1983 e 1988) e se tornou o primeiro clube profissional da URSS.

Nomes como Oleg Protasov, Hennadiy Litovchenko, Oleksiy Cherednyk e Oleg Taran até hoje arrancam lágrimas dois mais antigos torcedores. Entretanto, desde este período o Dnipro passou a ser um verdadeiro "gigante adormecido", vendo times como Metalist e Shakhtar crescerem e conquistarem a simpatia da nação (principalmente a equipe de Donetsk).

Na temporada passada o proprietário Andiy Stetsenko decidiu que não bastava apenas trazer jogadores. Era preciso mudar a filosofia, assim como fez o Shakhtar quando contratou Mircea Lucescu. Foi exatamente por isso que trouxe o experiente treinador espanhol Juande Ramos para o banco de reservas, bancando -ponderadamente- suas contratações.

O técnico, por sua vez, se mostrou contente com o elenco trazendo apenas Matheus, Zozulya,  Derek Boateng e Nikola Kalinic para 2011-2012. Este último para substituir Yevgen Seleznyov (em russo Seleznev), artilheiro da UPL em 2010-2011, que foi para o Shakhtar. A princípio pareceram poucas contratações, mas considerando que o elenco já contava com Giuliano, Ruslan Rotan, Mandzyuk, Konoplyanka e Strinic, foram "cirúrgicas".

Quando a bola rolou, tudo pareceu mais complicado do que realmente era. Os insucessos do time caíram como uma "bomba" para a torcida e também para Ramos. Hoje a diferença do Dnipro, 5o. colocado, para o líder Shakhtar é de exatamente 18 pontos, em 19 rodadas disputadas. O que é algo bizarro, pelo elenco do Dnipro.

É fato que Juande Ramos ainda não encontrou uma formação para o time. Logicamente não pude ver todos os jogos do Dnipro na temporada, mas em todos que pude acompanhar, foram utilizados esquemas diferentes: 4-4-1-1, 4-4-2, 4-3-2-1 e, algumas vezes, até 4-3-3. Isso quando os jogadores não perdiam o controle e atacavam como loucos. Literalmente na base do abafa.

Não restam dúvidas de que quando um time não está bem, seu treinador deve mudar. Mas quando estas mudanças não são bem-sucedidas, ele precisa insistir em uma formação até que o plantel se habitue. Caso contrário, não haverá um padrão de jogo. Foi exatamente isso que aconteceu na partida Illychivets 3x2 Dnipro, onde a equipe de Dnipropetrovsk saiu perdendo por 2x0 e empatou no segundo tempo apenas por ter jogado com raça. Mas quase nenhuma técnica.

O esquema ideal

Pelas peças que tem, julgo que o esquema ideal para o Dnipro seja o 4-4-1-1, principalmente pela chegada de Matheus. Normalmente concordo com as opções para goleiros, mas depois de ter visto Kanibolotskiy na Ucrânia sub21 no último Europeu, não sei como ele é reserva do tcheco Lastuvka.

Na zaga Mandzyuk é incontestável. Titular tanto no Dnipro quanto na seleção ucraniana de Oleg Blokhin. Excelente nome. Ultimamente Juande vem utilizando Cheberyachko como seu companheiro, mas como ele é lateral, por vezes acaba se complicando. O nome do experiente volante croata Ivan Strinic me soa um pouco melhor.

Já que Cheberyachko é um lateral, Ramos poderia colocá-lo em sua posição -pela esquerda. Na direita Samuel Inkoom é o melhor, mas em casos extremos o winger Denys Kulakov pode ser recuado, atuando como lateral mais ofensivo.

Na faixa central do meio o nome do volante Ruslan Rotan é incontestável. O capitão do time passa uma enorme confiança e também é titular na Ucrânia. O problema é decidir quem pode ser seu companheiro. Nomes como Kravchenko, Boateng e Strinic são normalmente utilizados. O jogador ganês prefere atuar pela esquerda, mas como não vai tomar a posição de Konoplyanka, já foi escalado pelo centro.

Até o começo da temporada Giuliano era titular incontestável pelo lado direito do meio-campo. Mas não correspondeu. Nas últimas rodadas veio sendo trocado por Kulakov. Acharia uma medida interessante se o brasileiro passasse e jogar ao lado de Rotan, deixando o time mais criativo. Além do mais, Giuliano por vezes abdica do jogo pelas laterais e pouco chega à linha de fundo. Geralmente tende a cortar para o meio.

Do lado esquerdo está a "pérola" deste time, o jovem Yevgen Konoplyanka. Dono de uma técnica fantástica está jogando em uma "fogueira" enorme, sendo exigido demais. O jovem meia (22 anos) é dono de uma qualidade técnica sensacional e um toque de bola muito refinado, pouco comum a jogadores do leste Europeu. Por vezes tenta chamar o jogo, mas não consegue resolver sozinho.

Matheus começou como titular, foi para o banco e agora voltou a ser escalado. O ex-atacante do Braga é o nome ideal para ficar nos 3/4 do campo, fazendo a ligação com  ataque. Muito se fala de outro garoto: Roman Zozulya, ex-Dynamo Kyiv. Ele realmente é bastante promissor, mas ainda não jogou o suficiente para estar entre o XI titular.

A posição de "9" é uma das poucas que por enquanto não vem gerando dúvidas em Juande. Desde que chegou, Nikola Kalinic marcou 7 gols e desbancou as "incógnitas" Oleksiy Antonov, Denys Olyinyk e Dmytro Lyopa, que não passavam a mesma confiança que Seleznyov.

Preciso destacar que Juande Ramos já utilizou o time assim por algumas vezes. Mas ele não teve paciência de permanecer com o mesmo por 4 ou 5 rodadas, este foi o problema. Posso até estar terrivelmente enganado, mas pelo que conheço, estas seriam as melhores opções para o Dnipro hoje.

sábado, 14 de janeiro de 2012

As "cartadas" de Yuri Semin

Yuri Semin, treinador do Dinamo Kiev (Dnipro.ua)
Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

A temporada

Ninguém na Ucrânia (nem fora dela) tem dúvidas da força do Shakhtar Donetsk e de suas possibilidades de conquistar o título nacional. Mas depois de 2 duas temporadas sem levantar o "caneco", o todo poderoso Dynamo Kyiv vem com muita vontade -e sobretudo qualidade- para desbancar seus principais rivais.

Em 2008-2009, na primeira passagem de Yuri Semin pelo time de Kiev, o título foi conquistado com sobras: terminando 15 pontos à frente do Shakhtar e 20 do Metalist, vice-campeão e terceiro colocado, respectivamente. Semin saiu e voltou em 2010, mas não foi pário para Mircea Lucescu e seus comandados. Para um time que foi campeão 26 vezes (13 da Liga Soviética e 13 da UPL), dois anos sem um campeonato nacional é muita coisa.

Isso ficou comprovado com as contratações para esta temporada: Dudu, Ideye Brown, Carlos Corrêa, Lukman Haruna e Pape Dikhaté, que se juntaram a nomes como Vukojevic, Ninkovic, Garmash, Gusev, Yarmolenko, Milevskiy e Shevchenko. Com relação às baixas, as mais significantes foram dos meias Roman Eremenko e Roman Zozulya, mas que de momento não fazem muita falta.

A UPL já fez sua tradicional pausa de inverno e só volta em março. Por enquanto o líder é o próprio Dynamo, invicto e com 52 pontos, um a mais que o Shakhtar. Vale lembrar que o time do Serviço Secreto soviético já não briga mais por competições europeias, tendo ficado atrás de Besiktas e Stoke City no grupo E da Europa League. Logicamente o presidente Igor Surkis não ficou nada contente com a eliminação, mas ao menos o Dynamo pode se concentrar exclusivamente na UPL, o que torna as coisas ainda mais difíceis para o Shakhtar nesta temporada.

A equipe de Donetsk não é a mesma da temporada passada -em termos de atuações. A última colocação no grupo G da Champions mostrou que isso é um fato. O segundo lugar na UPL vem justamente pela superioridade de seu elenco em relação a outros times. Mas não podemos colocar esta aparente "queda" do Shakhtar como principal motivo para a liderança do Dynamo. Os méritos maiores são dos comandados de Yuri Semin.

Aliás, desde os tempos de Lokomotiv Moscow -time que ele fez crescer dentro do cenário russo- Semin era conhecido por seu pragmatismo. Uma fama até certo ponto justificada. Por outro lado, com opções mais ofensivas em 2011-2012 ele vem mostrando que pode armar também times cuja defesa é apenas um dos pontos fortes -mas não o principal.

O mais curioso deste Dynamo Kyiv é a recorrente alternância de esquemas táticos. No caso do Dnipro este fator deixa evidente sua irregularidade, mas no caso do Dynamo o que aparenta é a versatilidade dos jogadores e a confiança que Semin deposita nos mesmos. Vale mencionar que também existe esta versatilidade nos jogadores do Shakhtar, mas não ocorrem tantas mudanças táticas assim (Lucescu até que tentou colocar dois atacantes no time, o que não deu muito certo).

Esquema do começo da temporada
Os incontestáveis

Semin começou a temporada em um 4-2-3-1, que até hoje é o esquema mais decorrente no time. A defesa (menos vazada da UPL com apenas 8 gols sofridos) é comandada pelo capitão da seleção ucraniana Shovkovskiy, um goleiro muito experiente e que passa muita confiança.

Na zaga central o único nome que parece demonstrar mais segurança até o momento é o do nigeriano Aiyla Yussuf. Ele foi titular desde o princípio e poucas vezes ficou no banco de suplentes. A dúvida maior é gerada em torno de seu companheiro. Foram utilizados Diakhaté, Betão e Kacheridi. Mas nenhum deles conseguiu corresponder à altura.

Nas laterais é que começamos a notar as mudanças tão destacadas. Normalmente os titulares eram Danilo Silva e Popov. Isso é o lógico. Mas quem disse que Semin quer seguir a lógica? Dependendo da escalação ele coloca Danilo Silva e Betão, dois laterais predominantemente defensivos. No entanto, em uma das partidas contra o Besiktas pela UEL ele utilizou uma outra "cartada" entrando com Oleg Gusev pela direita e Popov pela esquerda. Ambos apoiam demais (Gusev é um right winger). Nisso, o croata Vukojevic voltava para fazer a zaga, formando um 3-4-3 ultra-ofensivo.

Por falar nele, Ognjen Vukojevic é outro atleta mais do que incontestável neste Dynamo Kyiv. O croata está há 3 anos na capital ucraniana e é titular absoluto. Por vezes mostrou que é imprescindível para o time. Durante suas lesões, Semin não coloca outro volante, deixando que o meia Aliyev faça a função.

Atual esquema
As variações 
É bastante delicado falar sobre o meio-campo e o ataque do Dynamo, que se modificaram bastante ao longo da temporada. Para se ter uma ideia, a linha de 3 meias que começou a temporada foi Gusev-Eremenko-Yarmolenko, sendo este último substituído algumas vezes por Ideye Brown.

Hoje quem ganhou espaço foram Ninkovic, Garmash e o já mencionado Aliyev. Enquanto isso, Artem Milevskiy, que fazia temporada lastimável, finalmente sentou no banco de reservas. Outra coisa que Semin mudou foi o posicionamento de Ideye, que saiu do lado esquerdo para jogar onde gosta, ou seja, no meio da área, como um "9" puro. Antes disso, Yarmolenko, Shevchenko e o próprio Milevskiy foram testados na posição, mas sem sucesso.

Detalhe é que isso tudo aconteceu quando Yuri Semin esteve utilizando um 4-2-3-1 (4-1-4-1), porque em dado momento da temporada ele passou para um improvável 4-4-1-1. Isso aconteceu quando Vukojevic se lesionou e ele não tinha alguém de confiança para deixar como seu "cão de guarda" no meio-campo.

Aí é que entram com mais protagonismo Oleksandr Aliyev, Denys Garmash e Milos Ninkovic. Os dois primeiros atuaram mais centralizados no meio-campo, sendo que Aliyev ficava mais com papel de marcação. Entretanto, como ele não é um grande marcador, acabou dando ainda mais qualidade para a bola "rodar".

A primeira opção para jogar a seu lado foi Ninkovic, mas ele não foi bem e acabou sendo substituído pelo jovem ucraniano Danys Garmash, que finalmente mostrou todo o seu potencial e agarrou de verdade a oportunidade. Mas para a sorte (?) de Ninkovic Gusev se lesionou e ele pôde entrar para fazer a left winger, com Yarmolenko sendo deslocado pelo lado direito. Ao menos a segunda chance ele aproveitou bem.

Enquanto isso Shvechenko foi colocado como um segundo-atacante (por vezes um "falso 10" como alguns preferem), fazendo exatamente o mesmo papel de Wayne Rooney no Manchester United. À sua frente seguiu Ideye Brown, mantendo uma altíssima média de gols (marcou 10 na temporada).

Realmente o Dynamo Kyiv não jogou bem em todas as partidas -isso seria quase impossível-  mas o fato é que seu elenco e o trabalho de Semin estão chamando demais a atenção. São raríssimos os times em ligas teoricamente de "segundo escalão da Europa" que têm tantas opções de qualidade e apresentam mudanças táticas tão interessantes. Em suma, o Dynamo precisa cair muito de produção ao longo da temporada para não conquistar este título ucraniano.