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domingo, 17 de julho de 2011

Banzai!

Seleção japonesa comemora seu inédito título nacional (GloboEsporte.com)
Por Felipe Portes

Foi um jogo épico entre EUA x Japão. No estádio de Frankfurt, as damas americanas tentaram o tri perante as destemidas nipônicas que deixaram Alemanha e Suécia pelo caminho. Assim como na peleja yankee contra o Brasil, a decisão foi para as grandes penalidades, onde seriam separadas as meninas das mulheres. 

O primeiro tempo reservou a sensação de "quase" para a torcida estadunidense, com ótimas chances de Wambach e Rapinoe. O Japão contra atacava com Ono e Anda, que testavam a defesa americana composta por Rampone e Buehler. Lloyd apareceu por algumas vezes, sempre chutando forte para o gol. Ainda para ser testada, a goleira japonesa Kaihori não acertava suas saídas, assustando a torcida de seu país.

Logo na volta do intervalo, vimos uma atuação decisiva dos EUA, que deixou a ansiedade de lado e colocou a bola no chão. Eis que aos '22, Morgan dominou e disparou no ataque, e ao entrar na área japonesa bateu no canto, com perfeição. 1 a 0. Aos poucos, as nipônicas nivelavam o jogo e se lançando à frente, sem medo da imponente esquadra yankee. A capitã Sawa, que estava de certa forma desaparecida em campo, começava a ter seus primeiros lampejos.

Miyama empatou a final aos '35. Em grande bobagem de Rampone e Krieger, que trabalharam juntas para o bem da nação japonesa, entregaram de bandeja para a camisa 8 adversária. 1 a 1, sem chances para Hope Solo. Com um duelo absolutamente equilibrado e aberto, fomos para mais 30 minutos de jogo. As americanas, já acostumadas com a tensão do tempo extra, pareciam mais confiantes. 

O cansaço prevaleceu sobre as jogadoras. De tal forma que Maruyama, reserva que substituiu a veloz Ando na segunda etapa, foi trocada por Iwabuchi quando se aproximava o fim da etapa derradeira na prorrogação. Aos '13, Wambach mostrou a que veio e cabeceou com muita força a bola em cruzamento de Rapinoe. Nada melhor do que um gol antes da última pausa. Contudo, bobo é quem pensa que as japonesas se entregaram em algum momento.

Foi com muita insistência (e algumas falhas de Rampone e Buehler) que o Japão chegou ao empate. Restando três, eu disse TRÊS minutos para o fim da jogatina, Sawa, a capitã nipônica que buscava seu espaço deixa tudo igual, de calcanhar. Foi uma ducha de água fria nas belas americanas que já ensaiavam o coro de tri campeãs mundiais na modalidade. 

Impossível não associar os acontecimentos seguintes ao jogo do domingo passado, entre Brasil x EUA. Como os amigos leitores bem sabem, Wambach igualou o marcador no penúltimo minuto da prorrogação. E assim se fez na máxima do "o feitiço se virou contra o feiticeiro". Nas penalidades, Boxx, Lloyd e Heath perderam, com a arqueira Kaihori assumiu o posto de heroína ao defender a terceira cobrança. Pelo Japão, Miyama e Sakaguchi converteram. Wambach cobrou bem e acertou o ângulo, mas nada pode fazer no chute que viria a seguir, quando Kumagai deu o título ao seu país. 

Enfatizando o que foi dito lá em cima, as japonesas derrubaram a bi-campeã Alemanha e a perigosa Suécia nesta caminhada até a final. Se o futebol masculino já é em si repleto de surpresas e viradas de jogo, porque é que o feminino, infinitamente mais gracioso não haveria de ter das suas? 

Japão campeão inédito do Mundial Feminino.

Confira em Tempo Real a final do Mundial Feminino! EUA x Japão

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Chegou a hora das samurais?

Nipônicas derrubaram Alemanha e Suécia, serão os EUA a próxima e última vítima? (FIFA)
Por Caio Dellagiustina

Depois de muito tempo se aprimorando no futebol masculino, o Japão parece ter descoberto seus talentos no futebol feminino. Isso porque a seleção japonesa está na final da Copa do Mundo, realizada na Alemanha. Para encarar as americanas, as japonesas derrotaram as favoritas Alemanha e Suécia sempre mostrando bom futebol.

Contra a Suécia, o time japonês não se assustou, mesmo depois de ter saído atrás do marcador. Virou com propriedade o jogo e consolidou o placar com um belo gol por cobertura.

Já as americanas...ahh, as americanas. Com um belíssimo time em todos os sentidos mostraram o quão competitivas podem ser. Depois de terem ido mal na primeira fase, o time americano já eliminou Brasil e agora na semifinal, eliminou a França.

A França que vinha pouco cotada no início do torneio, eliminou Inglaterra, tirou da Alemanha a vaga olímpica e chegou na semifinal contra os Estados Unidos que ainda capengavam na competição. Porém, desde o início as americanas foram superiores. O gol de Bompastor, para a França foi apenas um lapso. Nada que pudesse tirar a vaga dos Estados Unidos, que no final venceram por 3 a 1.

Agora, Estados Unidos e Japão farão um duelo para ver qual a melhor seleção feminina. Na teoria, as americanas são melhores, mas as samurais já provaram nessa competição que ainda darão muito o que falar.

A final acontece no próximo domingo, dia 17, às 15:45 em Frankfurt. 

terça-feira, 12 de julho de 2011

Intervalo: A seleção mais letal do Mundial Feminino

Por Felipe Portes

Bem se sabe que a Copa do Mundo Feminina é repleta de atletas que também podem ser modelos nas horas vagas. Nunca foi tão fácil parar e ver dois times de 11 correndo atrás da bola, sem temer o famoso close da câmera, nas transmissões.

Machistas como somos, é questão de tempo até que elaboremos uma seleção das mais belas que desfilam neste torneio. Para quem pensa que é uma tarefa fácil, digo-lhes que sobra opções para todas as funções táticas e até há disputa pelo banco de reservas. Dou-me o direito de escalar meu time, com os meus critérios próprios de beleza e não levando em conta se a jogadora disputou ou não algum jogo. Pode chamar de Miss Copa do Mundo, e como nosso negócio é futebol e não moda, cada uma ganha seu papel dentro do gramado. Em esquema 4-4-2, eis o meu grupo:

Goleira: Hope Solo - EUA (hors-concours)
O amigo leitor há de convir que qualquer seleção de futebol feminino tem de contar com Solo no gol. Melhor goleira e pedaço de mau caminho, a americana é unanimidade desde as Olimpíadas de 2004. Segura e toda produzida, Hope não poderia não guardar as metas da minha equipe. Atualmente joga no Boca Raton MagicJack, dos EUA. Importante ressaltar que ela é a capitã deste "catado".

Zagueira: Marita Skammelsrud Lund - Noruega
Marita cansou de levar dribles de Cristiane na partida válida pela primeira fase, mas não podemos jamais esquecer a sua bravura, seus lindos olhos e seus cab... sua boa capacidade de marcação. Vale a pena assistir aos jogos do selecionado norueguês para prestigiar a moçoila. Lund emana seu charme o resto do ano pelo Kvinner, de sua terra natal.

Zagueira: Corine Franco - França 
É importante ressaltar que haviam fotos mais ousadas de Franco, por aí. Mas como este blog é de respeito, utilizo esta, que é carregada de charme. Corine é uma das estrelas da seleção francesa, que faz boa campanha no Mundial. Encarregada de manter a cozinha arrumada (não poderia perder essa), assume o posto de zagueira deste selecionado. Como se pode perceber, joga pelo Olympique Lyonnais.

Lateral: Ellyse Perry - Austrália
Vinte anos, toda bonitinha, habilidosa e com uma peculiaridade: Ellysa Perry também joga pela seleção nacional de cricket! Com cara de atriz de Hollywood, foi reserva na maior parte do tempo deste Mundial, entrando como titular apenas contra a Suécia (poooxa, treinador!). Disputando as Copas do Mundo dos dois esportes, Perry não poderia ficar de fora desta postagem. Atualmente, joga futebol pelo Camberra United, da Austrália.

Lateral: Alex Krieger - EUA
Um dos destaques da lateral americana na partida contra o Brasil, Krieger fez uma partida exuberante. Tanto com a bola nos pés, quanto com as mãos levadas ao cabelo. A musa que fecha o setor defensivo desta escalação, está sem clube, ora só! Montarei um time do meu prédio, para que ela treine aqui em casa.


Volante: Laure Boulleau - França
Ah, a mulher francesa... Laure Boulleau é a responsável pela contenção e criação das bleus nesta Copa, envergando a camisa número 3, que já foi de Maldini. Ou Maldini teria vestido a 3 que seria de Boulleau? Difícil decidir. Fato é que a boa campanha francesa passa pelos pés desta loirinha de 1,59m que tem contrato com o Paris Saint-Germain.

Meia: Madeleine Giske - Noruega
Cérebro da seleção norueguesa, Madeleine Giske é veloz e apresenta bons passes. Características fundamentais para uma boa jogadora do meio campo. Quem acompanhou a peleja das escandinavas contra o Brasil, pode notar que uma das únicas que corriam e participavam ativamente da criação era justamente Giske. A camisa 13 da Noruega atualmente joga pelo Arna-Bjornar, do seu país.

Meia: Alex Morgan - EUA
A camisa 10, a favorita, a protegida deste que vos escreve. Alex Morgan causou furor ao adentrar o relvado contra o Brasil, na segunda etapa. Com seus gracejos e leveza ao caminhar, a lindinha deu mobilidade ao setor de meio campo dos EUA, no memorável duelo das quartas de final. Antes que este parágrafo vire um pedido de casamento, informo que Morgan joga pelo Western New York Flash.

Meia: Gaetane Thiney - França 
Thiney já posou de modelo juntamente com Corine Franco, antes da campanha da Euro-2009. Alternando entre as tarefas de meia ofensiva e atacante, Gaetane veste o manto francês com muita garra. Versatilidade é a palavra chave para definir esta atleta. Joga pelo Juvisy, da França.

Atacante: Jonelle Filigno - Canadá
Atacante titular desta equipe, Jonelle é a musa inspiradora do Canadá. Se disputasse concursos de beleza, certamente rivalizaria com as mais belas canadenses. Com calibre para brigar com Cobie Smulders, a mais célebre da terra de Celine Dion e Bryan Adams, Filigno foi presença constante durante a discreta campanha de sua nação nesta Copa. Eliminada precocemente ou não, ela ficará nos corações de muitos torcedores. Não é, @dsleite? Ela é vinculada ao time da universidade de Rutgers, nos EUA.

Atacante: Amy Rodriguez - EUA
Foi difícil, árduo e complicado ter escolhido a última atleta desta seleção. Fiquei entre Landstrom, da Suécia e a própria Rodriguez. Mas me lembrei do encanto que fui sujeito ao assistir aos jogos dos EUA e ver Amy, centroavante assim como tento ser. Americana no jeito de ser, de agir e até de ter sua função bem realizada em campo, Rodriguez integra um elenco quase perfeito, seja no primor técnico ou na beleza. Leva a camisa 9 pela simpatia. Joga pelo Philadelphia Independence.

*A pesquisa para a escolha das jogadoras foi demorada e criteriosa. Além das partidas televisionadas, este que vos escreve passou horas a fio no site da FIFA levantando ficha por ficha das nações participantes. Não suficiente selecionar atleta x ou y, consultei também as fotos presentes no Google para chegar a um consenso. Confesso que foi trabalhoso, mas realizei a tarefa com muito gosto. Afinal, mulher que joga futebol, por si é um charme..

segunda-feira, 11 de julho de 2011

É difícil ser Marta

Marta é marcada de perto pela americana Shannon Boxx,
 em partida épica deste domingo (GloboEsporte.com)
Por Felipe Portes

Em partida dramática nesta tarde de domingo, na cidade de Dresden a Seleção feminina de futebol foi eliminada da Copa do Mundo, pelas mãos e pés das meninas dos EUA. Um gol contra madrugador de Daiane aos dois minutos da primeira etapa, enervou as atletas brasileiras que com muito custo igualaram o marcador. Foi numa penalidade cobrada por Marta, na segunda tentativa (a primeira cobrada de forma displicente por Cristiane) que o Brasil conseguiu empatar a peleja. 

O segundo tempo foi conturbado e cheio de oportunidades para o lado amarelo, mas tivemos de assistir a mais meia-hora de um bom (e cansado) futebol. Seguia a igualdade no placar e a apreensão da torcida. A goleira/fenômeno/mulher maravilha Hope Solo fechou a meta e apesar de sofrer um gol besta no início da prorrogação, mais um de Marta, impediu dezenas de ofensivas tupiniquins. 

É justo se dizer que além da camisa 10 brasileira, apenas Érika, Fabiana e Cristiane estavam lúcidas em campo. A última, nem tanto, abusando demais das jogadas individuais. Rosana também tentou decidir a parada sozinha e por fim saiu pela linha de fundo com bola e tudo. Tudo ia muito bem, muito lindo, Brasil sonhando com o título -já que as donas da casa, as alemãs foram eliminadas pelo Japão- até que Megan Rapinoe (Luciano do Valle experimentou dizer Rapinói, Rampino, Rapini, Rampini, Rapinoé, Rapino) acertou cruzamento milimétrico na cabeça da grandalhona Abby Wambach. Wambach se aproveitou do momento "caça-borboletas" da ótima Andréia e empatou, restando dois minutos para o final do tempo extra. 

Depois disso, você já sabe que as Yankees venceram por 5 a 3, pênalti perdido por Daiane, em inferno astral. Mas vamos ao que realmente interessa neste texto, a protagonista desta competição e quiçá do esporte em si: Marta. Nunca foi tão insuportável ser ídolo no país quanto agora. 

Numa modalidade pouco vista pelo público mundial (salvo EUA, e alguns países europeus) Marta é a referência de bom futebol, talento e mágica como nem Mia Hamm, ex-estrela americana um dia conseguiu ser. Birgit Prinz era uma das rivais da brasileira, mas se aposentou após esta Copa. Como se não bastasse a falta de apoio que as meninas recebem, (não se iluda que futebol feminino "pegou" no Brasil) a forma como elas são menosprezadas chega a dar enjôo nos verdadeiros amantes do esporte.

Quem gosta de bom futebol, deveria no mínimo admirar Marta, assim como as outras equipes top. Alemanha, Noruega, Suécia e EUA praticam bom futebol, é fato. Mas o desconhecimento de quem assiste leva a comentários exagerados e equivocados de que quando o Brasil atropelou as norueguesas na primeira fase, o adversário era fraco. As nórdicas venceram o primeiro Mundial feminino...

Uns dizem que futebol feminino só pode ter atletas bonitas. Outros dizem que é quase uma aula de educação física transmitida para o mundo todo. Baita bobagem. Após esta derrota para os EUA, ouviu-se uma pequena quantidade de pessoas minimizando os feitos da nossa protagonista, que pode não ser tão bonita quanto Alex Morgan, Jonelle Filigno (musa eterna do colega Daniel Leite, @dsleite), Hope Solo, Alex Krieger ou Marita Lund. Mas a sua capacidade de destruir a marcação adversária, definir confrontos e carregar a bola sem ser desarmada é algo fascinante, encantador, de outro mundo.

Desde 2004, porém, Marta vem colecionando insucessos (importante que esta palavra seja usada, ao invés de fracasso). Foram duas Olimpíadas e duas Copas do Mundo. Mesmo ganhando prêmios e mais prêmios, grande parte da "torcida" taxa a atleta e suas companheiras como "campeãs do quase". Cruel, desnecessário e pejorativo para quem tanto briga pela exposição da modalidade no país. 

Marta sofre do mal de "sumir em decisão"? Não. Melhor em campo, melhor do torneio e contribuiu muito com o restante das companheiras que infelizmente não estavam em bom dia. Assim como Zico, mas de uma forma mais ativa, ela ainda é marcada para muitos brasileiros como "a jogadora que não ganha Copas", quando deveria ser ídolo.

É difícil ser a melhor jogadora do mundo, talvez de toda a história do futebol feminino. É difícil ser a melhor em campo em quase todos os jogos, mas ter um time que simplesmente não acompanha o ritmo ou não tem poder de decisão. É difícil ser Marta...