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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Craques: Julio Dely Valdés

Foto: Diálogo americas
Felipe Portes, @portesovic
De Brisbane-AUS

Aproveitando o fato que falamos do maior jogador costarriquenho da história, Paulo Wanchope, o gancho é bom para que o protagonista de hoje seja Julio Dely Valdés, o maior panamenho de todos que já caminharam por esta terra.

Goleador daqueles desesperados, um artilheiro nato, Dely Valdés marcou época no PSG, Oviedo e Málaga, também com boas passagens por Cagliari e Nacional do Uruguai. Começou sua carreira em 1987, no Deportivo Paraguayo, de divisões inferiores na Argentina. O talento para balançar as redes usando o bico da chuteira, a testa, a canela e até a cintura fizeram de Julio ídolo imediato na pequena agremiação de Buenos Aires. 

De lá, partiu para o Nacional, onde ganharia destaque internacional e suas primeiras chances na seleção panamenha, onde seria eterno camisa 9 e maior ícone. Reza a lenda que O Pelé da América Central marcou mais de 100 gols pelo Bolso. A mitificação de Dely era algo inevitável. De 1989 a 1993 torturou os goleiros e defesas adversárias no Uruguai até chamar a atenção do Cagliari. Foi campeão nacional em 1992 e no ano seguinte partiu para a equipe da Sardenha.

No Cagliari, ainda possuindo alguma quantidade de cabelos, Julio fez companhia de ataque ao não menos lendário e carismático Luis Oliveira (Oliveirrá, como diziam os belgas). A parceria não vingou como esperado e apenas uma décima posição na Serie A frustrou os ânimos dos dirigentes no Sant'Elia. Para a temporada seguinte, em 1994-95, contou com Roberto Muzzi e Massimiliano Allegri no elenco gialloblu, mas o resultado final também não empolgou. A nona posição foi a gota d'água para que o panamenho procurasse outro lugar para tentar corresponder às suas ambições como profissional.

Semi-voleio de Dely Valdés na final da Taça das Taças em 1996
O Paris Saint-Germain foi a escolha para o futuro. Já adotando o visual careca/Seal/Sebastian da C&A, Dely  já chegou com pompas e levantando o título da Taça das Taças UEFA em 1995-96. A vitória sobre o Rapid Viena, com gol de Bruno N'Gotty, foi o único troféu erguido pelo talentoso atacante, apesar da excelente média de gols (64 jogos e 24 gols). Em 1997 deixou o Parc des Princes e assinou com o Real Oviedo, onde seria rei. 

Eram tempos nebulosos para a simpática equipe das Astúrias. Três péssimas campanhas em La Liga, com ponto alto para os intermináveis gols de Julio contrastaram na história do clube. Ainda importantíssimo e herói no Oviedo, o atacante foi para o Málaga, em 2000-01 onde venceu a Copa Intertoto (2002) e se consagrou como um dos maiores artilheiros dos Boquerones. 


O reconhecido faro de gols continuava ali. Com o passar dos anos, Julio se transformou num centroavante mais de área, de conclusão, não um jogador de arrancada, explosão e velocidade como nas suas passagens por Cagliari, PSG e até mesmo Oviedo.


Veteraníssimo, aos 36, saiu do Málaga em 2003 e rumou ao Nacional, onde foi revelado para o futebol internacional. A idade foi uma barreira e ele disputou apenas 15 partidas antes de defender o Árabe Unido, do Panamá, onde encerraria sua carreira (vejam só como rimou com o começo da oração). É irmão gêmeo de Jorge Dely Valdés, que teve passos similares no que se diz início e fim da caminhada como jogador de futebol.



sábado, 17 de dezembro de 2011

Desafortunados: Kiki Musampa

Musampa surgiu no Mundial sub-20 de 1995 mas naufragou
nos anos seguintes (Futbol Sandigi)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Filho mais célebre de Whoopi Goldberg (comparação inevitável), Kizito Musampa nasceu no Zaire, antiga República Democrática do Congo lá em 1977. Criado nas geniais categorias de bases do Ajax e promovido ao profissional justamente no ano do título holandês na Liga dos Campeões sobre a Juventus. Naturalizado como cidadão dos Países-baixos, deu seus primeiros passos na academia de Amsterdã.

Bem como podem notar, Kizito piorou o que já estava ruim e ganhou a alcunha de Kiki, um prelúdio para o fracasso que viria anos depois. Afinal, quem é que brilha com um nome desses? Pelo menos não no futebol, não sabemos se no vôlei ou no handebol a história seria a mesma. 

Desde bem novo ostentava longos cabelos, que eram tendência nos jovens talentos de seu país. Davids e Seedorf eram adeptos do semi rastafari, provando que além do futebol vistoso, os garotos tinham estilo. E então, Kiki Goldberg foi chamado ao Mundial sub-20 de 1995, onde a Oranje foi eliminada ainda na primeira fase, vencendo apenas Honduras e ficando atrás de Portugal e Argentina.

Sem chances dentro de um poderoso Ajax, arrumou suas malas e partiu rumo a França, em 1997 para assinar com o Bordeaux. Esperando conseguir uma sequência maior de aparições, foi companheiro de vestiário de caras como Gralak, Ricardinho Grisalho, Wiltord e Papin. Tido como uma aposta para o segundo tempo, era um talismã para o professor Guy Stéphan e tentava sempre mudar o panorama das partidas nos minutos derradeiros. 

Com algumas lesões, ficou relegado a reserva pouco utilizado ao fim da temporada e o sonho de disputar a Copa de 1998 foi por água abaixo. Campeão francês em 99, foi apenas figurante na conquista. Frustrado, Kiki partiu com suas tralhas rumo ao Málaga em 1999. Ajudou os andaluzes a alcançarem uma melancólica 12ª posição em La Liga. Com o tempo, Musampa passou a se conformar no posto de jogador meia boca, um ruim eficiente, um perna de pau internacional.

Duelando com Mauro Silva pelo Málaga: não foi dessa vez
(Skyscraper city)
Passou quatro épocas no Málaga e era lembrado como o Severino, o quebra galho. Ganhando regularidade, disputou 96 compromissos neste meio tempo e até arrumou espaço para marcar gols, 22 ao todo. 2001/02 foi quando mais esteve na equipe titular dos boquerones. Finalmente atraiu olhares de um grande europeu. O Atlético de Madrid, de volta da Segundona, arrematou os serviços de Kiki em 2003. Não partiu da Andaluzía sem conquistar uma Intertoto (que na verdade nem é um título, mas sim uma vaga para a extinta Copa UEFA) em 2002.

Agora vô sê reconhecido, vô me consagrá e virá jogador da Laranja Mecânica, confia neu, mãe - contava um empolgado Musampa ao telefone com sua querida mãe, na longínqua República do Congo. Pouco antes disso, recebera o convite do treinador Claude Le Roy para jogar na seleção congolesa. No entanto, a FIFA não permitiu que Kizito (com várias chamadas para a sub-21 holandesa) aceitasse a oferta. O que me fez lembrar de um vídeo da TV Pirata com um paradoxo parecido, já que nosso Desafortunado queria honrar suas origens.

Vestindo a camisa 8 colchonera, esteve em boa parte dos compromissos de sua equipe em 2003/04, no honroso sétimo lugar ao final do Paz Vegão, como bem lembrou o astuto @Spilmann1986 no twitter enquanto este que vos escreve tentava achar uma alternativa de apelido para o Espanhol. Alinhou em 26 embates e marcou duas vezes.

Foto: Sporting Life
No ano seguinte, perdeu sua vaga nos 11 iniciais para o lépido dinamarquês Gronjkaer, contratado junto ao Chelsea e na prática, sinônimo de futebol alegre e moleque. (não) Estava encerrada a sua grande chance de estourar para o futebol mundial. Transferiu-se então em 2004 para um Manchester City desesperado e à beira da falência. Não fez mais de 41 jogos antes de dar linha na pipa do antigo Maine Road. 

Os otomanos do Trabzonspor resolveram investir alguns tostões em Musampa, em 2006. Daí em diante, ladeira abaixo. 14 míseras apresentações e mais uma vez foi convidado a passar no RH para retirar o boné, souvenir pelos pífios serviços prestados. De acessório novo cobrindo a juba, levou um DVD aos dirigentes do AZ para tentar uma possível volta para casa.

Volta o cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas, diriam os sábios telespectadores do Chaves. Enganou os diretores mas não o implacável técnico Louis Van Gaal. Cinco aparições botaram cal na carreira discreta do meia congolês/holandês. Passou pelo Seoul FC em 2008 e pelo Willem II antes de pendurar as chuteiras. Desnecessário dizer que não fez sucesso, já que de acordo com o ditado popular, de onde se menos espera, daí que não sai nada mesmo. 

Ficará sempre marcado por aquele... aquela... um grande jogo pelo... ok, não ficou marcado por nada, melhor parar por aqui.