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terça-feira, 8 de maio de 2012

Craques: Iván Zamorano

A Copa Chile de 87, alavancou a carreira de Zamorano. (La Redó!)
Bruno Núñez, @BrunoNunez
De São Paulo-SP

Seus primeiros passos no mundo da bola se deram em campos de terra cheios de pedras em Maipú, um bairro de classe baixa de Santiago, poucos que jogavam com o menino franzino de origem humilde, poderiam apostar que naqueles campos estaria surgindo um dos maiores jogadores da história do futebol chileno. No mesmo patamar de lendas, como Elías Figueroa, Leonel Sanchez, George Robledo e seu contemporâneo Marcelo Salas.


Zamorano começou jogando como zagueiro central, mas logo demonstrou que seu ofício era o gol, e como atacante chamou a atenção de muitos, sendo o principal jogador do Benito Juárez, clube onde jogou durante sua infância. O menino já era um homem, tinha perdido seu pai com apenas 13 anos de idade, tendo que assumir a responsabilidades em casa, ajudando sua mãe e irmã. O sonho de ser jogador era uma obrigação, seu pai sempre o apoiou muito e antes de morrer sempre dizia a sua mulher – ‘’O menino vai ser muito bom’’.

O sonho de virar jogador profissional se tornou realidade em 1985, Iván desembarcou no acampamento mineiro de El Salvador, o Cobresal pagou uma merreca para ter o jovem em seu elenco. Logo chamou a atenção, mas o técnico Manuel Rodríguez preferiu emprestar o garoto para ganhar experiência em um clube de uma divisão inferior. Com isso Zamorano jogou em mais um time de mineiros, o Cobreandino (atual Trasandino de Los Andes). A passagem dele pelos gramados maltratados da segunda divisão do país andino foi mais do que positiva, foram 27 gols em 29 jogos no campeonato de 1986.

Após a temporada que mostrou ao Chile sua capacidade goleadora, Zamorano voltou ao Cobresal, que graças ao dinheiro vindo da mineração de cobre, conseguiu montar um time de respeito. Iván ajudou o clube a conquistar o troféu mais importante da história do clube, a Copa Chile de 1987, seus 14 gols em 14 jogos levaram o clube a final contra o Colo Colo, que foi derrotado por 2 a 0 pelo clube do acampamento mineiro.

Coroado rei na Suíça, Zamorano começou a chamar a atenção dos grandes da Europa (blick.ch)
Seus gols logo chegaram ao conhecimento do futebol europeu, 350 mil dólares foram suficientes para Zamorano chegar ao Bologna, aonde não chegou a jogar nenhum jogo, rapidamente sendo emprestado para o St. Gallen da Suíça. No pontual (?) futebol suíço, o franzino jogador ganhou força para enfrentar as duras marcações europeias, as três temporadas no St. Gallen (88-89, 89-90 e o começo de 90-91) foram prolíferas, o atacante se sagrou artilheiro da Liga Suíça com 23 gols na temporada 1989-90 e de quebra ganhou o prêmio o melhor estrangeiro daquela mesma temporada.

Zamorano ficou famoso pela Europa graças aos seus gols em terras suíças, principalmente pelos gols feitos de cabeça, a especialidade de Iván, o Terrível, apelido dado pelos jornais europeus. O técnico chileno-argentino Vicente Cantatore, que dirigia o Sevilla em 1990, precisava de um atacante para fazer dupla com o croata Davor Suker, tentando achar o jogador ideal para seu ataque, foi até a Suíça ver Zamorano jogar, e se decepcionou, já que o atacante não fez gols nos jogos em que esteve por lá. A sorte de Zamorano foi que seu companheiro de ataque no St. Gallen, o também chileno Hugo Rubio, conhecia muito bem Cantatore, ambos haviam estado juntos no Cobreloa, uma longa conversa entre os dois ajudou na decisão do técnico, que acabou requerendo Zamorano nos Sevillistas, que desembolsou 2.5 milhões de dólares para ter o atacante.

A mudança dos Alpes para a terra das touradas não foi fácil, Zamorano não começou nada bem no Sevilla, na primeira temporada fez apenas nove gols, nem perto dos seus números de costume, a titularidade não era garantida, e para piorar sua situação, se machucou e ficou de fora por uma boa parte da temporada 1990/91.

Na temporada seguinte, Zamorano evoluiu bastante, não foi um jogador fora de série, mas era bastante participativo, fez 12 tentos, mas jogava de uma maneira muito mais madura do que no seu início na Espanha. Seu futebol acabou interessando mais um, o técnico Benito Floro, que tinha acabado de chegar no Real Madrid em 1992 e não titubeou em desembolsar cinco milhões de dólares para ter o chileno, era o começo de uma bela história.

A raça de Zamorano no Real Madrid, deixava o sangue na camisa. (Real Madrid Fans)
Iván Zamorano chegava a um dos clubes mais importantes da história do futebol, era a solução para o problema do ataque madridista que sentia falta do mexicano Hugo Sanchez, que havia saído do clube na temporada anterior. Diferentemente do que pensaram, Zamorano não sentiu o peso da camisa, pelo contrário, nunca uma camisa tinha caído tão bem no chileno, 36 gols somando Campeonato Espanhol, Copas e Torneios Internacionais. Os gols mais importantes da primeira época de Zamorano foram contra o rival Barcelona, dois gols nos jogos da final da Supercopa Espanhola de 93, título que ficou com o Real Madrid. O mundo conhecia o salto imponente e o cabeceio mortal do chileno, que reinava soberano na grande área dos rivais dos merengues.

A temporada 1993-94 deveria ser esquecida, Iván Zamorano teve um péssimo desempenho, nem perto de sua temporada anterior que foi avassaladora. Foram meses sem marcar, os torcedores do Real davam todo tipo de amuleto para o chileno buscando uma solução para sua seca de gols. Só no fim do ano voltou ao encontro do gol, foi contra seu ex-clube, o Sevilla.

O péssimo desempenho em 1993-94 provocou a saída do técnico Benito Floro, que foi prontamente substituído por Jorge Valdano, jogador de passado glorioso no clube da capital espanhola. O futuro de Zamorano no clube madrilenho era incerto, Valdano declarou que achava o chileno dispensável no elenco, e sua saída era questão de tempo. Para alegria dos torcedores, Valdano teve engolir suas palavras a cada gol do centroavante chileno na decorrente época. O Terrível havia voltado, foram 28 gols no Campeonato Espanhol, o título da Liga Espanhola e o Trófeu de Pichichi (dado ao artilheiro do campeonato) eram seus.

Comemorando um gol, cena mais do que típica na temporada 1994/95 (Enchula el deporte)
Zamorano teve jogos memoráveis na temporada 1994-95, talvez o mais impactante foi a goleada do Real Madrid sobre o Barcelona por cinco a zero, o atacante chileno fez três gols no jogo e saiu aplaudido de pé. Outro jogo chave de Zamorano foi contra o Deportivo La Coruña, na antepenúltima rodada da Liga, ambos lutavam pelo título e uma vitória dava o título aos merengues, o jogo ganhou contornos dramáticos quando faltavam cinco minutos para acabar e o placar apontava um empate de um a um. Foi quando Amavisca viu Bam Bam livre de marcação, o cruzamento parou no peito do chileno, a bola se adiantou e o matador não perdoou o gol do Deportivo, uma bomba com o pé direito sacramentou o título merengue.

A última participação de Zamorano no Real Madrid foi modesta, 16 gols durante toda a competição, ainda assim, o cartel do jogador era vasto, e interessados não faltariam. Saiu como ídolo do Real Madrid, graças aos seus mais de 100 gols com a camisa merengue.

Massimo Moratti levou os gols de Bam Bam para o lado nerazurri de Milão. Zamorano não teve o mesmo protagonismo que teve no Real Madrid, e logo depois ganhou a companhia de um atacante que vinha em grande fase. Ronaldo chegou na Internazionale e o chileno teve que ceder a camisa 9 para ele. Não conseguia largar de vez sua camisa que lhe rendeu tantos gols e alegrias, deu um jeitinho pra continuar usando a 9, por isso passou a usar a camisa 18, ou melhor, a camisa 1+8. A maior glória de Iván na Inter veio na final da Copa UEFA de 1997-98 contra a Lazio, o primeiro gol da decisão foi seu, o jogo acabou em um estonteante 3 a 0 para os interistas.

Poucos gols na Inter, mas sua entrega em campo conquistou a torcida. (Daily Mail)
Foram cinco temporadas na Internazionale, Zamorano não foi o goleador dos tempos de Real Madrid, foram poucas vezes em que balançou as redes, o que ficou marcado foi sua entrega em campo e garra, aquele homem com feições indígenas conquistou a torcida graças a sua raça dentro das quatro linhas. Após 14 temporadas na Europa, Zamorano achou que era hora de voltar ao continente dos seus primeiros passos como jogador.

O jogador que dominava nas cabeçadas na área, graças a sua impulsão, encontrou uma cidade à sua altura, os 2.240 metros de altura da Cidade do México iriam albergar os gols do atacante chileno. O América do México era seu novo lar. Os gols surgiram rapidamente, assim como as lesões, que atrapalharam um pouco sua passagem pelas Águilas. No fim, sua passagem foi satisfatória, 36 gols em 3 temporadas, além do título do Torneio de Verão de 2002, que significou a nona estrela de campeão mexicano do América.

Em 2003, já com seus 36 anos, Zamorano resolveu atender um sonho do seu finado pai, vestir a camisa do Colo Colo, que também era seu time do coração. Zamorano chegou brincando, dizia que o índio do escudo parecia com ele, e era verdade, Bam Bam era a cara do clube, vindo da periferia, e vencendo com muita garra, raça e coragem, como eram os seus antepassados araucanos, inclusive o índio que deu inspiração ao nome do clube.
O jogador do povo, no time do povo, pena que durou pouco. (Tarapacá Online)
Todos acharam que Zamorano iria triunfar no albo, que preferiu não receber salário, já que o clube passava por uma grande crise econômica. Os 14 jogos e 8 gols foram trocados pela decepção da atitude do ídolo, que agrediu um árbitro e foi suspenso do campeonato, o atacante preferiu encerrar a carreira depois daquela atitude. Com o fim da sua carreira, Zamorano colecionou 327 gols, sendo o segundo maior artilheiro chileno da história, atrás apenas de Osvaldo ‘’Pata Bendita’’ Castro, com 358 gols. Acabava o jogador, mas nascia a lenda.

Capitão e ícone da seleção no caminho a Copa do Mundo de 1998 (AFP)
A camisa que mais caiu bem no atacante foi a da seleção chilena de futebol, pela Roja de Todos, Zamorano marcou época, principalmente na campanha rumo a Copa do Mundo de 1998. Fazia a dupla ‘’Za-Sa’’ com Marcelo Salas no ataque, que ficou famoso nas eliminatórias, impondo respeito e voltando a dar uma boa impressão do futebol chileno que tinha sido excluído das competições FIFA desde o escândalo no Maracanã protagonizado por Roberto Rojas. Inclusive não permitindo a seleção tentar a vaga para a Copa de 1994.

Na Copa de 1998, Zamorano era o grande ícone daquele elenco dirigido por Nelson Acosta, chamava muita atenção à intensidade com que o capitão da seleção cantava o hino nacional. A seleção chilena fez bonito, Zamorano também, o empate polêmico contra a Itália, mostrou que a seleção poderia vencer qualquer um, empates contra Áustria e Camarões abaixaram os ânimos, que foram pro espaço após a goleada contra o Brasil, nas oitavas de final da competição. Mas o povo ficou orgulhoso de todos, e principalmente do seu capitão, que não fez nenhum gol, mas impôs um espirito de liderança único, típico de um índio araucano.

Outra grande participação de Bam Bam pela seleção foi nas Olímpiadas de 2000, em Sydney, na Austrália. A seleção ganhou pela primeira vez uma medalha na competição olímpica, a medalha de bronze tinha grande participação de Zamorano, que fez 6 gols e se consagrou o artilheiro daqueles Jogos Olímpicos.

Sua despedida da seleção foi no dia 1º de setembro de 2001, no Estadio Nacional lotado, em um amistoso contra a França, vencido pelo Chile por 2 a 1, a Roja nunca mais seria vestido por aquele bravo homem, que botava tudo em campo pelo país, o capitão nunca mais vestiria vermelho.


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Farsa nossa: Sanjin Pintul

Foto: Bem Paraná
Bruno Núñez, @BrunoNunez
De São Paulo-SP
Zagueiro bósnio de sobrenome IMPRÓPRIO,  que foi contratado por causa do sobrenome pelo Atlético Paranaense em 1997, em uma época onde o Furacão começou a investir em jogadores vindos do Velho Continente, graças ao sucesso dos poloneses Piekarski e do saudoso Nowak. A piada (?) do momento era que o zagueiro era parente do goleiro do Atlético, Ricardo Pinto.
Diferente dos poloneses, Pintul não empolgou (trocadilho babaca), jogou apenas um jogo pelo Brasileirão de 97, contra o Botafogo em Caio Martins, derrota por 3 a 1 do time curitibano, após aquele jogo, Abel Braga nunca mais colocou o zagueiro bósnio em campo, que foi embora no fim daquele ano.
A carreira do bósnio começou no Velez Mostar (entre 1989 e 91) do seu país natal, com a guerra nos Bálcãs, entre 92 e 93, o zagueiro lutou na Guerra da Bósnia. Depois disso, Pintul foi para a Alemanha onde jogou por times obscuros como o Stahl Bradenburg (1994-95) e Oldenburg (1995-96). Com o fim da guerra, retornou a Bósnia onde jogou no Zeljeznicar (1996-97) e de lá veio para o Atlético-PR. Após a passagem frustrada no Brasil ele jogou na Turquia, no Karabukspor (1997-98) e depois na Suiça, no Young Boys, onde acabou encerrando a carreira em 2001.
Pela seleção bósnia, Pintul jogou 7 partidas e marcou 2 gols, ambos pela Dunhill Cup, essas copas que não servem pra nada amistosas com países do leste asiático. Também disputou as Eliminatórias da Copa de 1998, na França, a primeira competição (ainda que pré-classificatória) da história da Bósnia.

[Versão alternativa e não oficial]
Vê o tanque da foto? Pintul ganhou por seus serviços na Guerra da Bósnia, em 1996, logo após o fim do confronto nos Balcãs, em uma cerimônia onde foi recepcionado pelo presidente bósnio, Alija IzetbegovicO zagueiro se destacou nos campos de batalha, durante a Guerra Croata-Bósniaca, entre 1992 e 1993, um dos diversos conflitos que se passaram nos Balcãs na época.
Sanjin era atirador de um tanque T-55, que tinha a alcunha de Nitkov69, traduzindo do bósnio seria algo como Canalha69, e foi primordial em uma batalha em Sarajevo, onde sua mira ajudou muito as suas tropas aliadas. Quando a poeira abaixou um pouco, Pintul não titubeou ao aceitar a proposta de um amigo, indo para a Alemanha, retomar sua carreira como futebolista.
Atualmente, Pintul honra seu sobrenome, sendo dono de uma rede de boates GLS nas principais cidades bósnias, inclusive tendo filiais em outros países como Albânia e Macedônia. O tanque continua em sua mansão, conseguida graças a sua carreira de empresário da noite, afinal, ele pouco ganhou com o futebol.

*Nota dos editores: A editoria Farsa nossa é apenas uma brincadeira da equipe, que visa contar a verdadeira história de jogadores desconhecidos do grande público e mostrar um paralelo de como seria a vida do atleta em questão com um pouco mais de imaginação. Enfatizamos que nenhuma destas "versões não-oficiais" é verídica ou com fundo de verdade. É fruto da nossa idiotice, única e exclusivamente. 

terça-feira, 10 de abril de 2012

TF História: Por dentro da faixa de Gaza

A terra santa do futebol chileno, o Estádio Nacional. (O Gol) 
Bruno Núñez, @BrunoNunez

Cheguei a Santiago, capital do AR SECO, em um sábado com um clima DESÉRTICO e com o sol em grande fase, o uso de boné, boina ou quepe era OBRIGATÓRIO. Já tinha consciência do jogo que rolaria na tarde daquele sábado, em pleno Estádio Nacional, que outrora já fora palco de uma final de Copa do Mundo, hoje dava espaço para um duelo medieval entre ÁRABES e CRUZADOS, pela primeira rodada do Apertura chileno. Ambos em busca do HUEMUL DE PLATA, troféu dado ao campeão nacional.

Ludibriado pelo GOOGLE MAPS, achei que a estação de metrô estava ao lado do hotel onde me hospedei, mas me enganei e enfrentei uma caminhada de 10 minutos, que pareceram uma hora por causa do sol que mirava diretamente para o meu CUCURUTO. Chegando a estação Ñuble, a mais próxima do Estádio Nacional, fui novamente ludibriado pelo serviço de mapas online, que indicava o metrô bem próximo ao estádio, mas tive que fazer nova caminhada longa sobre o calor ESCALDANTE da cidade de Santiago. 

O estádio não aparecia nunca no meu campo de visão, achei que tinha pegado o caminho errado, mas percebi um grupo de NÓRDICOS que parecia ter o mesmo objetivo que o meu, e não deu outra, do nada, o Estádio Nacional EMERGIU na minha frente.

Estava atrasado, o jogo já havia começado, e isso se refletia nas ruas em torno do estádio, nenhuma alma viva próxima parecia respirar aquela partida, só chegando perto das bilheterias que percebi alguns HINCHAS do Palestino atrasados, comprando rapidamente seu ingresso para a batalha já em andamento. Eu estava indeciso para que torcida eu ia me bandear, e o bom senso falou mais alto: acabei comprando um ingresso para a GALERIA do Palestino, que no dia, jogava de local.

O Palestino de 1978, segunda e última vez que o time foi
 campeão chileno, Figueroa é o quarto da fileira de cima,
 da esquerda para a direita (Foto: Solo Fútbol)
Me perdi na área interna do estádio já que não tinha nenhuma sinalização mostrando que ali teriam ÁRABES vendo um jogo de futebol. De súbito percebi que tinha perdido um gol da Católica, enquanto LOS CRUZADOS saltavam e gritavam de felicidade, eu havia achado um senhor com uma bancada cheia de produtos do Palestino (chaveiros, flâmulas e vários outros tipos de PENDURICALHOS) que me indicou a entrada certa. Lá fui eu, subindo as escadas para finalmente ver o jogo, percebo ÊXTASE da torcida em que me aproximava, e sim, gol do Palestino e mais um gol perdido por mim.

Finalmente o jogo, haviam cerca de 100 pessoas (ou menos) na área destinada a torcida do Palestino, os CRUZADOS também decepcionaram e ocupavam pouquíssimos lugares, apesar disso, chego e me acomodo de pé ao lado de um senhor de baixa estatura, ele conversava com todos a sua volta, onde eu estava prestes a conhecer um EXPERT em Palestino e futebol em geral. Comecei a conversar com o senhor, perguntei quem tinha feito o gol e quem era o destaque do time, ele estranhou um pouco, logo me identifiquei como BRASILEÑO, e aí ele não parou de falar mais, ficou muito feliz que um estrangeiro tinha ido ver um jogo do Palestino.

Ele se apresentou como Francisco e depois me levou para a BARRA BRAVA (eram por volta de 10 pessoas). Logo começou a contar ANEDOTAS das canchas chilenas, entre elas a de grandes brasileiros (?) que passaram pelo futebol chileno: a história mais curiosa era a de BENEDITO PEREIRA, beque central que segundo Don Francisco veio ao Chile para ser jogador de basquete e acabou sendo um dos símbolos dos tempos AÚREOS do pequeno Independiente de Cauquenes, hoje na quinta divisão do país.

Don Francisco ENDEUSAVA Don Elías Figueroa, que estava presente no último CHILENÃO que o Palestino conquistou no ano de 1978, e bradava que DON ELÍAS tinha muita classe e foi o maior jogador na história daquele país. Do atual elenco ÁRABE ele admirava o capitão da equipe, Roberto Bishara, mais conhecido como El Jeque (O Sheikh) e que tem ascendência palestina e ainda por cima jogou pela SELEÇÃO PALESTINA, a capitania estava mais do que bem representada.

Roberto Bishara e Felipe Núñez, os ícones do time 
árabe na atualidade (El Gráfico) 
O jogo era bom, chances boas pra ambos os lados, ambos os arqueiros se destacaram, Toselli da Católica fez milagres, e FELIPÃO Núñez do Palestino (típico goleiro sul-americano, camisa colorida e cheia de Gustavo Cerati’s [vocalista do Soda Stereo, uma das maiores bandas de rock da América Latina], além de FELIPAO [sem til mesmo] nas mangas) parou quase tudo, menos um chute de Kevin Harbottle, indefensável.

A arbitragem ajudou um pouco a Universidad Católica, deixando os torcedores muito enfurecidos, principalmente com o bandeirinha, que era de origem judia, não preciso falar que ele era o mais hostilizado ali. A Católica venceu por 2 a 1, os poucos hinchas do clube estavam tristes porque o time mostrou empenho, mas a bandeira palestina que tremulava no CUME do Estadio Nacional mostrava que o sentimento estava mais vivo do que nunca.

Saindo do estádio, CRUZADOS e ÁRABES saíam pacificamente juntos do estádio, nada de GUERRA SANTA como no passado, o simpático senhor Francisco parou na bancada que vendia PENDURICALHOS do Palestino e me comprou um chaveiro, depois conversando com um amigo, me arranjou um CAMELO DE PLÁSTICO, falando que eram presentes para que eu nunca mais me esquecesse do Palestino, e realmente eu não iria. 

Voltei ao metrô conversando com Don Francisco, que seguia falando apaixonado de como o estádio era antigamente, quando se sentia o ALENTO e o CALOR do público. Hoje não, o Estádio Nacional perdeu todo seu charme com o PROCESSO DE EUROPEIZAÇÃO que  sofreu. Cheio de cadeiras, a cancha perdeu todo o ROMANTISMO que tinha por trás, um fato que destrói a mística do futebol sul-americano em geral.

O Estádio de La Cisterna, o habitat natural do Palestino. (Cada7)
Quando estávamos por nos despedir, ele me fez um convite, ir até o Estádio de La Cisterna (a casa do Palestino, segundo ele o MARACANÃ chileno, já que nunca fica cheio. (Sem sentido nenhum essa comparação, mas tudo bem). No outro sábado, me daria a camisa tricolor do time caso eu fosse, infelizmente não pude ir. Saí da cidade na sexta, creio que perdi uma grande história, mas ganhei um amigo de cancha e também um clube pra alentar, e como diz o único canto que a INTIFADA PALESTINA cantou durante o jogo, ‘’CHI CHI CHI, LE LE LE, PALESTINO DE CHILE’’, o clube árabe é um OASIS de histórias.


Os gols da partida, atentos para o gol de Peréz do Palestino, golaço (e eu não vi ao vivo)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Desafortunados: Emmanuel Amunike

Foto: Solo fútbol
Bruno Núñez, @BrunoNunez
De São Paulo-SP

O perfil desse Desafortunado é o típico caso do jogador que BARBARIZA jogando pela seleção, mas que não tem a mesma fortuna jogando pelos grandes clubes, que clamaram por seus serviços graças as boas exibições pelo esquadrão de sua terra natal. Ainda houve o agravante da lesão, que acabou com a sua carreira e não rendeu aquilo que todos esperavam dele.

Emmanuel foi um dos símbolos dos tempos de glória das Super Águias, a seleção nigeriana que encantou os gramados na década de 1990, o ala-esquerdo Amunike (que virou seu nome, de tanto que erraram a pronúncia) era um talento promissor, estava em campo quando a Nigéria foi campeã da Copa Africana de Nações em 1994 (fazendo os dois gols na final, consagrando-se ídolo dos nigerianos) e também fez parte do grupo que participou da primeira Copa da história dos Águias verdes naquele mesmo ano.

O ponto máximo daquela geração nigeriana foi a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos, que além de Amunike, tinha jogadores da estirpe de Amokachi, Babayaro, Kanu, Babangida, Okocha e West (com seu cabelo [?] que ficará eternamente nas nossas memórias). A vitória sobre o Brasil nas semifinais já tinha deixado os espectadores perplexos, então veio o triunfo sobre os argentinos na final olímpica, foi ainda mais estonteante, com o nosso Desafortunado tendo grande participação na partida, mostrando que tinha mística de decisão, marcando o gol do triunfo histórico dos nigerianos no último minuto do segundo tempo.

Na sua carreira profissional, Amunike começou a impressionar no Julius Berger, clube do seu país natal, mas logo foi para um gigante africano, o Zamalek do Cairo, onde se consagrou como um ala ofensivo esquerdo. Conquistando o bicampeonato egípcio de 1992 e 1993, viveu quatro anos na beira do Rio Nilo. Seu futebol logo chamou atenção do mercado europeu, principalmente por suas atuações pelo selecionado nacional, que lhe renderam o prêmio de melhor jogador africano de 1994. O presidente do Sporting de Lisboa na época, Sousa Cintra, fez de tudo para ter o jovem jogando pelos leoninos, inclusive foi ao Egito acertar pessoalmente com atleta e clube, já que era iminente a sua ida para um desconhecido da Alemanha, a atitude do presidente sportinguista fez com que o destino de Amunike fosse diferente.

O desembarque na Europa foi o melhor possível, Amunike logo assumiu a titularidade no elenco leonino, mostrando que era rápido, técnico e tinha um excelente chute. Essas qualidades ajudaram a agremiação lisboeta na temporada de 1994-95, finalizando o Campeonato Português em segundo, enquanto ele encaixava 24 jogos/8 gols (inclusive o seu primeiro gol foi contra o rival Benfica) e se sagrando campeão da Taça de Portugal.

Os tempos dourados de Amunike em clubes vieram no Sporting
(Craques e flops leoninos)
Na temporada seguinte, Amunike novamente foi um dos destaques do Sporting, 34 jogos e 9 gols, com direito a uma Supertaça de Portugal no bolso. No fim da época, Amunike embarcou para Atlanta e deu no que deu, campeão olímpico com as Super Águias, sendo um dos destaques daquele time, o Sporting não poderia segurar mais o jogador. Ainda jogou parte da temporada 1996-97 pelo alviverde luso, mas no fim do ano foi embora.

Sir Bobby Robson viu aquele jovem de 25 anos encantando os torcedores nas Olímpiadas, e não titubeou em trazê-lo para a Catalunha. Para isso o Barcelona desembolsou 4 milhões de dólares dos seus cofres. Amunike chegava a um elenco muito forte, entre os novos companheiros da Pantera Nigeriana estavam Figo (que havia jogado com ele no Sporting), Ronaldo e Guardiola.

Amunike parecia que ia ajudar muito os blaugranas, teve oportunidades, mas começou a padecer de sucessivas lesões no joelho (já havia sofrido de algumas no fim de sua passagem pelo Sporting), que deixaram ele parado por muito tempo, e graças a elas, ele não foi para a Copa do Mundo de 1998. Suas lesões voltavam, ele perdia ritmo de jogo, e isso começou a comprometer na sua habilidade, não era o mesmo, estava em processo de Pedrinhozação descraquização. As únicas lembranças que deixou em Barcelona foram seus arremessos laterais, que eram potentes; (não chegava a ser um Delap, mas dava para o gasto) a outra, foi o canto que os madridistas fizeram para o meia Luís Enrique do Barça, que dizia ‘’Luis Enrique tu padre es Amunike’’, bom...não preciso explicar o sentido do canto.

Choro ou cansaço? Só o tempo irá dizer
(The offside)
Foram três temporadas no clube (''conquistou'' 2 Ligas, 2 Copa do Rei, 1 Recopa Europeia e 1 Supercopa da Europa) mas de fato só conseguiu jogar 1 temporada e meia, foram cerca de 20 jogos e 1 gol com a camisa do Barça.

A carreira de Amunike só decaía, chegou ao Albacete na temporada de 2000-01, após a passagem frustrada pelo Camp Nou. As lesões destruíram a carreira do winger nigeriano, já não tinha a velocidade de antes, nem a técnica, o velocista que passava e colocava os zagueiros para dançar agora era colocado na roda de bobinho, não tendo o mesmo folego de antes. Seu futebol nunca mais foi o mesmo, o Albacete foi mais uma passagem frustrada na sua carreira, foram duas épocas pouquíssimo aproveitadas pelo africano. Depois foi para a Jordânia, vestiu a camisa do Al-Wihdat (temporada 2003-04), mas quando viu que não estava bem nem em terras jordanianas, decidiu que era a hora de parar.

Apostou nos cargos técnicos para seguir no futebol, foi treinador adjunto na Arábia Saudita, e depois foi contratado pelo Manchester United como observador de jogadores africanos, principalmente na Copa da África de 2008. Dirigiu o Julius Berger e o Ocean Boys da sua terra natal, mas depois voltou a Espanha, onde participou de um anúncio publicitário que tirou onda de sua fracassada passagem pelo Barcelona. Amunike mostra no anúncio que está vendendo um VHS com a sua melhor jogada, que é o seu arremesso lateral, único lance mostrado em toda vídeo-aula fictícia, pobre Emmanuel.

Atualmente dirige uma escolinha de futebol na Nigéria, apesar de viver na Espanha esperando por uma oportunidade em alguma comissão técnica de algum clube espanhol, apostando que pode triunfar em terras hispanas, já que não pôde quando jogador espera ter melhor sorte como treinador.