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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Grandes jogos: Argentina-Brasil 1946

Foto: Baú do futebol
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE
No dia 10 de fevereiro de 1946 Brasil e Argentina fizeram um dos confrontos mais lembrados do longo histórico de partidas entre as duas seleções. A partida, válida pelo Sul-Americano (como então se denominava a Copa América) daquele ano, terminou com uma vitória da Argentina por 2 a 0, dois gols de Méndez. Mas o que menos se lembra é da partida em si.

No Brasil a história normalmente é contada como se essa partida fosse um desdobramento do confronto entre as duas equipes no final do ano anterior pela Copa América. A partida, disputada em São Januário, foi marcada por muita violência. Quem levou a pior foi o zagueiro argentino Battagliero, que fraturou a perna numa dividida com Ademir Menezes. Não há imagens do lance, mas no Brasil se assegura que o lance foi involuntário.

A partida de 1946, no Monumental de Nuñez é encarada por aqui como uma vingança planejada pelos argentinos. Nessa versão, tudo teria descambado de vez quando, aos 28 minutos, Jair da Rosa Pinto, também acidentalmente, quebrou a perna do zagueiro Salomón. A partir daí teria começado uma briga generalizada em que os argentinos massacraram os brasileiros, que teriam em Chico Aramburu o grande herói da briga.

Sempre segundo a versão brasileira da história, ao fim da briga a equipe brasileira estava amedrontada e temendo pela própria vida. Sem clima para jogar futebol, o Brasil teria apenas assistido a Argentina jogar e fazer os gols que quis. Em suma, o que se conta por aqui é que não houve futebol, apenas violência argentina contra um pobre e indefeso time do Brasil.

É difícil avaliar adequadamente a situação, pois não se conhece imagens em movimento das duas partidas, e em geral a história é contada por pessoas que não estavam no Monumental de Nuñez. Mas há coisas que merecem ser revistas nessa história.


Foto: Futebol e cia. ltda
A primeira: é difícil acreditar que os jogadores brasileiros tenham sido apenas vítimas da violência argentina. Afinal, o saldo final das duas partidas foi de duas pernas argentinas fraturadas por jogadores brasileiros. A versão argentina é exatamente oposta. Nela o Brasil bateu sem piedade nos vizinhos na partida de São Januário, e ainda teve a coragem de quebrar Salomón dentro do Monumental de Nuñez. Para os argentinos, a vitória naquela partida simplesmente refletiu a superioridade da albiceleste daqueles anos.

O argumento argentino levanta uma questão importante. Naquela ocasião o Brasil tinha um time muito interessante, já com muitos jogadores que atuariam em 1950. O ataque era avassalador: Tesourinha, Zizinho, Heleno de Freitas, Jair e Chico (com Ademir Menezes no banco). Aquela seleção poderia enfrentar qualquer outra de igual para igual. Menos a Argentina.

Naquele momento os vizinhos tinham a melhor geração de sua história. Era o auge da “maquina” do River Plate, com o lendário ataque formado por Muñoz, Moreno (para muitos daquele tempo, o melhor jogador da história do país), Pedernera, Labruna e Lostau. No Boca Juniors estava Mario “Atomico” Boyé. No San Lorenzo atuava o genial ponteiro Rinaldo Pontoni. No Huracán havia o artilheiro Norberto “Tucho” Méndez, autor dos dois gols da partida.

Eram tantos grandes jogadores que o River podia se dar ao luxo de emprestar Di Stefano, então com 20 anos, para o Huracán. E no Brasil daquele tempo, abundavam jogadores argentinos que, sem espaço em seu país, vinham para nosso país e reforçavam as grandes equipes daqui. Se jogadores argentinos medianos se destacavam por aqui, fica difícil sustentar que naquele encontro do Monumental de Nuñez a violência argentina possa ser a única explicação para nossa derrota.

E isso não deveria ser novidade, já que argentinos e uruguaios foram melhores que os brasileiros em quase todos os momentos da primeira metade do século XX. Nesses países o futebol chegou mais cedo e se desenvolveu muito antes do que por aqui. Os uruguaios haviam vencido duas Olimpíadas e um mundial, e viriam a vencer o próximo, em 1950. Em duas dessas competições (Olimpíada de 1928 e Mundial de 1930) o título veio em finais disputadíssimas contra os argentinos.

Os historiadores do futebol brasileiro adoram criar justificativas para explicar um fato que, objetivamente, é incontestável: na primeira metade do século XX o futebol brasileiro não teve qualquer destaque internacional. Teve como maior feito chegar em uma semifinal de mundial, algo que naqueles anos EUA e Suécia também conseguiram. Por isso não surpreende que o artilheiro argentino Pancho Varallo tenha declarado, sobre o mundial de 1930: “os melhores times eram Argentina e Uruguai. Dizem que o Brasil estava lá mas nem me lembro. Só importavam Argentina e Uruguai”.

Assim, a partida de 1946 poderia ser vista por outro prisma. Como lembrança de um tempo em que éramos fregueses (ou “hijos”, como dizem os argentinos) dos vizinhos do Rio da Prata. E o enorme esforço para superá-los certamente foi essencial para o crescimento do futebol brasileiro. Derrotas como aquela mostraram aos brasileiros que ainda havia muito a evoluir.

Argentina: Vacca, Salomón (Marante) e Sobrero; Fonda, Strembel (Ongaro) e Pescia; De la Mata, Méndez, Pedernera, Labruna e Loustau.

Brasil: Luiz Borracha, Domingos da Guía e Norival; Zezé, Danilo e Jaime (Rui); Tesourinha (Lima), Zizinho (Ademir), Heleno de Freitas, Jair e Chico.

Gols: Méndez aos 38 do 1º tempo e aos 10 do 2º.

Expulsões: De la Mata e Chico, aos 28 do 1º tempo.

*Agradeço a meu amigo Esteban Bekerman, @egerbek, historiador e jornalista esportivo argentino, pela ficha técnica da partida.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Grandes jogos: Milan x Barcelona

Jogadores do Milan vibram com o título da Liga dos Campeões 1993-94 (Foto: Getty Images)

Por: Felipe Ferreira (@felipepf13)
De Araçatuba/SP

18 de maio de 1994. A data era marcada para fazer com que o Dream Team do Barcelona comandado por Cruyff e com atletas como Ronald Koeman, Pep Guardiola, Hristo Stoichkov, Romário, entre outros, entraria para a história como um time imortal, praticamente imbatível. No entanto, o destaque maior dessa noite é o fato da tão comentada equipe ter visto seu grande sonho e seu encanto terem sido "assassinados" pelo Milan, treinado por Fabio Capello, que em seu plantel tinha Paolo Maldini, Franco Baresi, Roberto Donadoni e Dejan Savicevic na final da Liga dos Campeões de 1993-94.

A campanha de ambos durante a competição havia sido excelente. Era notório que as duas equipes possuíam os melhores planteis da Europa e um confronto direto pelo título era questão de tempo. 

Dono de um estilo de jogo tipicamente italiano, baseado na forte marcação e na frieza em decidir confrontos em poucos lances, o Milan de Fabio Capello era um esquadrão com uma eficiência enorme. Enquanto isso o Barcelona de Johan Cruyff vinha cercado de alardes, visto que o Dream Team era considerado por muitos como uma das melhores equipes de todos os tempos e, de certa forma, imbatível.

Às vésperas da decisão, a imprensa europeia dava pleno favoritismo ao lado culé, condição que era considerada até mesmo entre a comissão técnica e os atletas blaugranas. A forma com o que tratavam o Barça mostrava que os títulos dos catalães eram apenas questão de tempo, ainda mais que o adversário da grande decisão não poderia contar com Franco Baresi e Alessandro Costacurta, tão importantes durante toda a competição e que acabaram por levar o terceiro cartão amarelo na semifinal contra o Monaco.

Até que chegou o épico dia 18 de maio. Os olhos estavam todos voltados para Atenas. Será que seria possível parar o Dream Team do Barcelona? Era o questionamento que todos faziam. Poucos colocavam fé naquele Milan de defesa desfalcada, e que já não podia contar mais com Marco Van Basten, além de ter uma das maiores sensações do futebol europeu, Gianluigi Lentini, no estaleiro.

1° tempo: O Dream Team para na barreira do Milan do oportunista Massaro

O início tenso evidenciava o clima de decisão. O Barcelona jogava com a marcação adiantada, pressionando fortemente a saída de bola do Milan e trabalhando bem a bola, bem ao estilo da equipe atual. Enquanto isso, os italianos buscavam marcar forte e surpreender nos contra-ataques, impulsionados pelos pontas (Zvonimir Boban e Donadoni), além do sérvio Savicevic condicionando as jogadas.

Com a figura de Romário bem anulada por Maldini, a válvula de escape dos blaugranas acabou por ser as boas jogadas de Stoichkov oriundas do lado direito do campo. Contudo, os rossoneros conseguiam criar ofensivas perigosas, deixando claro que o Dream Team não era tão superior como muitos pregaram nas vésperas do duelo.

Jogando de maneira brilhante, Savicevic era responsável pelas melhores iniciativas do Milan, que ditava bem o ritmo da partida e merecidamente conseguiu chegar ao gol. O craque da antiga Iugoslávia desceu pela direita, deixou Nadal no chão e tocou na medida para Daniele Massaro empurrar para as redes. Estava aberto o placar no Estádio Olímpico de Atenas.

Em desvantagem no marcador, o Barça saiu mais para o jogo, porém, os comandados de Fabio Capello seguiam marcando forte e ditando o ritmo do confronto, apesar de que nada estava decidido, mas, as coisas se colocaram de maneira ainda mais favorável aos italianos antes do intervalo. Nos acréscimos da etapa inicial, Donadoni caiu muito bem pela ponta direita, sempre nas costas de Nadal, e tocou para Massaro novamente aparecer, aumentando a vantagem dos rossoneros.

2° tempo: A surpresa se confirma
A metade final serviria para definir a grande surpresa ou a prova de tamanha eficácia do Barcelona comandado por Cruyff. Contudo, logo nos primeiros minutos o destino já desenhava sua escolha.

Pouco mais de dois minutos de jogo no segundo tempo, Nadal volta a dar mole, Savicevic se aproveita e, mesmo sem ângulo, finaliza de maneira espetacular, encobrindo Zubizarretta, confirmando sua tamanha genialidade e ressaltando que os deuses do futebol apontaram para o Milan, visto que tudo dava certo para os italianos, que se desdobravam em campo visando a glória máxima.

Perdido em campo, o Barcelona se rendia a espetacular atuação do rival, que avançava com facilidade e via Savicevic dar show a frente da defesa blaugrana. Ainda haveria mais um tento para aumentar a goleada e tornar a vitória ainda mais brilhante: a defesa catalã deu mole na linha de impedimento, Desalilly se aproveitou, saiu na cara do goleiro e fazia 4 a 0, deixando todos os fãs de futebol pasmos com a fabulosa atuação milanista.

Após o quarto tento, a partida esfriou. Não houveram mais tantas jogadas de efeito e muito menos qualquer lance que pudesse trazer maiores surpresas. Todos pararam e apenas aplaudiam aquela partida do Milan de Capello, atuação considerada por muitos como a melhor na história de uma Liga dos Campeões.

O que todos esperavam, passou longe de acontecer. Impiedosa goleada de 4 a 0 do Milan sobre o Barcelona e a taça da UEFA em San Siro.

Milan: Rossi; Tassotti, Galli, Maldini (Nava) e Panucci; Albertini, Desailly, Boban, Donadoni e Savicevic; Massaro. Técnico: Fabio Capello

Barcelona: Zubizarreta; Ferrer, Koeman, Nadal e Sergi (Estebaranz); Bakero, Guardiola e Amor; Stoichkovc, Romário e Begiristain (Estebaranz). Técnico: Johann Cruyff

Gols: Massaro, aos 22' e 47' do primeiro tempo; Savicevic, aos 2', Desailly, aos 13', do segundo tempo

domingo, 25 de março de 2012

Grandes Jogos: Milan x Liverpool (2005)


Gerrard e Benítez com a "orelhuda" (The Sun)
Arthur Barcelos, @arthurbarcelos_ 
De Marabá-PA

Era 25 de maio de 2005. Dez conquistas da Liga dos Campeões/Copa Europeia em campo. Quis o destino que a peleja fosse disputada em Istambul, Turquia, com 70 mil espectadores. E os envolvidos não decepcionaram.

Em sua primeira temporada pelo Liverpool, após passagem vitoriosa no Valencia, Rafa Benítez surpreendeu a todos levando os Reds até a final da Liga dos Campeões 2004/05, quando ficou devendo na Premier League, tendo uma campanha muito irregular, e até mesmo na própria Liga, na fase de grupos. O espanhol ainda conseguiu levar o time até a final da Carling Cup, entretanto, caiu para o, quase, invencível Chelsea de Mourinho. E foi contra o próprio Chelsea por quem venceu nas semifinais da principal competição europeia.

Já o Milan de Carlo Ancelotti teve uma campanha excelente até a final, na Serie A, embora, acabou sendo "refém" de uma Juventus avassaladora de Fabio Capello, que, no entanto, não pôde comemorar o título oficialmente pelo campeonato ter sido cancelado, devido ao Calciopoli, esquema de manipulação de resultados descoberto em 2006. 

O favoritismo era maior por parte dos rossoneri, com um elenco melhor e maior força. Não à toa, dominaram a primeira etapa, ganhando quase que todas as bolas no meio-campo com o trio Gattuso-Pirlo-Seedorf, assessorados por um Kaká que progredia cada vez mais. E foi o mesmo Kaká quem sofreu falta de Traoré pela direita, logo no primeiro minuto. Na cobrança, Andrea Pirlo colocou a pelota na área e o capitão Paolo Maldini, com toda sua categoria, se antecipou de Xabi Alonso, acertando bom chute cruzado.

O gol logo no primeiro minuto foi um duro baque para os comandados de Benítez, apresentando erros capitais. Um dos erros era o mau posicionamento da linha defensiva, o que era explorado pelos italianos por meio de passes longos e enfiadas de bola nas costas dos defensores reds. Muitas chances assim foram criadas, como no segundo gol, aos 39 minutos, com Hernán Crespo, após passe de Kaká para Shevchenko nas costas de Traoré, esse passando para o argentino, sempre bem posicionado, marcar.

Cinco minutos depois veio o terceiro, em novo contragolpe, Kaká acertou ótimo passe para Crespo, nas costas de Carragher, e o camisa 11 não desperdiçou, tocando na saída de Dudek. 


Na volta do intervalo, mudanças no Liverpool. Rafa Benítez, que já havia colocado Smicer no lugar de Kewell, lesionado, promoveu a entrada do volante grandalhão Hamann, no lugar de Finnan. O espanhol reposicionou sua equipe num inesperado 3-4-2-1. Foi a chave para o empate.

Aos 54 minutos, Riise levantou a bola na área e Gerrard, livre de marcação, subiu sozinho para o cabeceio certeiro. Ainda baqueado pelo gol, o Milan deu espaço para o Liverpool fazer o segundo, quando aos 56, a bola foi passando entre os jogares que compunham a linha de quatro red: Riise, Xabi Alonso, Hamann e Smicer, esse que acertou ótimo chute de fora da área.

Embalado pelo dois gols em dois minutos, o time inglês partiu para cima e aos 60 minutos, Gerrard veio em velocidade após o passe de Baros e acabou sendo deslocado por Gattuso, caindo na grande área e sendo marcado o penal. Na cobrança de Xabi Alonso, Dida defendeu, mas pecou ao dar rebote, esse aproveitado pelo volante espanhol, empatando a peleja e levando à loucura os kopites presentes no estádio.


E a partida seguiu tensa, movimentada, mas o placar manteve-se inalterado até o fim do segundo tempo da prorrogação, com destaques para duas defesas espetaculares de Dudek aos 117 minutos, nos chutes de  Shevchenko.

Decisão por pênaltis na Turquia. Na primeira cobrança, Serginho elanou, mandando a bola para longe da meta. Na sequência, Hamann converteu. Então veio Pirlo, que viu sua cobrança ser defendida por Dudek, com toda sua malemolência polonesa. Cissé, que havia entrado no final da segunda etapa, ampliou a vantagem red. Precisando de um gol, Tomasson não deu atenção para as provocações do arqueiro adversário e converteu sua cobrança. 

Foi a vez de Dida mostrar sua capacidade de defender pênaltis, defendendo o bom chute de Riise. E assim como Tomasson, Kaká não ligou para Dudek e empatou a disputa. Smicer também não desperdiçou sua cobrança. Então veio Shevchenko, aparentemente desatencioso, e acabou perdendo a penalidade de forma medonha, para a festa de Dudek, o herói inesperado, dos demais jogadores, comissão técnica e torcedores do Liverpool. 


Milan (4-3-1-2/3-4-1-2): Dida; Cafu, Nesta, Stam, Maldini; Gattuso (Rui Costa), Pirlo, Seedorf (Serginho); Kaká; Shevchenko, Crespo (Tomasson). Téc.: Carlo Ancelotti

Liverpool (4-4-1-1/3-4-2-1): Dudek; Finnan (Hamann), Carragher, Hyypia, Traoré; Luis García, Gerrard, Xabi Alonso, Riise; Kewell (Smicer); Baros (Cissé). Téc.: Rafa Benítez

Gols: Maldini (1-0, 1'), Crespo (2-0, 39'), Crespo (3-0, 44'); Gerrard (3-1, 54'), Smicer (3-2, 56'), Alonso (3-3, 60')

Pênaltis: Tomasson, Kaká; Hamann, Cissé, Smicer / Desperdiçados: Serginho, Pirlo, Shevchenko; Riise


sexta-feira, 9 de março de 2012

Grandes Jogos: Palmeiras x Boca

Em era dourada, Palmeiras venceu o Boca com placar assaz elástico na Libertadores 1994
(A Tribuna Digital)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
Há exatamente 18 anos o Palmeiras conseguia uma façanha histórica, ao aplicar inimagináveis 6 a 1 no Boca Juniors. A diferença de gols foi absolutamente surpreendente, mas a vitória alviverde era esperada. Naquele momento, as equipes viviam momentos muito distintos.
Dirigido por Vanderlei Luxemburgo, o Palmeiras vivia o auge da fase Parmalat. O dinheiro da multinacional possibilitou a chegada de grandes jogadores ao Parque Antártica, dois dos quais seriam titulares da seleção campeã mundial logo depois: Mazinho e Zinho. Naquele 1994 o Palmeiras repetiria o sucesso do ano anterior, se sagrando então bi campeão paulista e bi campeão brasileiro, uma façanha ainda inalcançada no futebol paulista (no Brasil apenas o Internacional conseguiu o mesmo resultado, em 1975/76);
Por outro lado, eram tempos duros para a tradicional equipe de La Boca. Os xeneizes conquistaram apenas um título entre 1981 e 1998, o Apertura 1992. Logo em seguida o clube faria pesados investimentos, trazendo grandes estrelas, como Maradona e Caniggia. A estratégia não deu resultado, e o Boca reencontraria o caminho dos títulos apenas com a chegada de Carlos Bianchi. Naquela Libertadores, os comandados de César Menotti ficaram na primeira fase, com 4 derrotas em seis jogos, e ocuparam a lanterna do grupo.
Mas nada naquela noite faria prever tamanho massacre. A partida era válida pela segunda rodada daquela Libertadores, e as duas equipes haviam estreado bem. O Palmeiras havia vencido o Cruzeiro por 2 a 0 em casa, enquanto o Boca conseguira um empate com o Vélez fora de casa, um resultado muitíssimo aceitável. Naquele dia os argentinos vinham para o Brasil enfrentar seus rivais: enquanto o verdão destruía os xeneizes, o Vélez conseguia um bom empate no Mineirão contra a Raposa.
Mas aquela partida teria um grande fator desequilibrante: Mazinho. O camisa 8 palmeirense fez a melhor partida de sua vida, em uma atuação que ninguém que tenha assistido à partida vai esquecer. Os muitos críticos do sistema tático da seleção brasileira da época, com Mauro Silva e Dunga como volantes, se desesperavam só de pensar que o Brasil deixaria tal craque no banco (ao fim aconteceu o inesperado, e Mazinho foi campeão mundial como titular, mas na vaga de Raí).
O primeiro tempo terminou com vantagem mínima para o Palmeiras, um gol marcado logo aos 15 minutos. Navarro Montoya conseguiu fazer duas grandes defesas no mesmo lance, mas finalmente Cléber conseguiu estufar a rede com um potente arremate. O goleiro colombiano certamente não imaginava ter de voltar tantas vezes para buscar a bola no fundo da meta.
E no segundo tempo veio o massacre. Aos 6 minutos Evair deu lindo passe de calcanhar para Roberto Carlos fuzilar Navarro Montoya. Três minutos depois Edílson marcou o terceiro. Aos 20 Mazinho fez grande jogada individual, só sendo parado por uma falta dentro da área. Evair cobrou o pênalti e marcou o quarto.
Aos 26 minutos Mazinho cobriu Navarro Montoya com um toque maravilhoso, deixando o colombiano imóvel, apenas torcendo para a bola não entrar. A trave salvou o Boca, mas no rebote Evair marcou mais um. Aos 33 Jean Carlo aproveitou uma jogada coletiva para marcar o sexto. Um minuto depois Martinez descontou de pênalti.
Em termos concretos aquela partida não teve muita relevância. Palmeiras e Boca Juniors fariam partidas muito mais importantes anos depois, chegando a decidir a Libertadores de 2000. Mas os palmeirenses têm razão em considera-la inesquecível. Primeiro: não é todo dia que o Boca leva seis gols. Mas o principal é que naquele dia o verdão fez um dos maiores jogos de sua história, colocando na roda e dando um baile em um clube que é uma superpotência mundial.
Palmeiras: Sérgio, Cláudio, Antonio Carlos, Cléber e Roberto Carlos; César Sampaio (Tonhão), Amaral, Mazinho (Jean Carlo) e Zinho; Edílson e Evair. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
Boca Jrs.: Montoya, Soñora, Noriega, Giuntini e MacAllister; Peralta, Mancuso, Márcico e Carranza; Martinez e Da Silva (Acosta). Técnico: César Menotti.
Gols: Cléber (15") no primeiro tempo; Roberto Carlos (06'), Edílson (09'), Evair (20'), Evair (26'), Jean Carlo (33'), Martinez (34') no segundo tempo.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Grandes jogos: Inglaterra x Argentina

Batistuta sob olhares atentos de Shearer e Southgate (UOL)

Allan Amarelo, @Allan_Amarelo
De São Paulo-SP

[Valendo muito mais do que as Malvinas]

Quando o sorteio da Copa do Mundo de 1998 cravou Inglaterra e Argentina nos grupos G e H respectivamente, não só duas das maiores potências futebolísticas pararam para analisar os rivais e os possíveis confrontos nas seguintes fases, mas dois povos, distintos e interligados por uma cultura outrora pacífica e até mesmo invejável.

A cultura britânica foi sempre muito forte pelas terras próximas ao Rio da Prata. Não é a toa que o primeiro campeonato de futebol no país vizinho tinha o nome de Argentine Assiciation Football League e o seu primeiro campeão foi o St. Andrew's Scots School. Não só o futebol interligava Argentina e Inglaterra, mas o rugby e até mesmo os colégios ingleses, onde muitos porteños (argentinos nascidos em Buenos Aires) sonhavam estudar.

A influência era forte em todos os lados, mas sendo os ingleses fundadores do mais famoso esporte-bretão, os argentinos e até mesmo italianos imigrantes no país que fundaram os primeiros clubes, tinham a necessidade de “homenagear” aos gênios que inventaram a maior paixão do homem depois da mulher (até hoje não temos certeza disso). Boca Juniors, River Plate, Newell’s Old Boys, All Boys, entre outros, foram alguns dos principais clubes argentinos que tiveram influência inglesa em seus nomes. E isso não era por ser uma moda de uma língua hoje muito falada onde cabelereiros, restaurantes, empresas de pequeno e médio porte colocam seus nomes na “língua global”. Não! Isso era simples e genuinamente cultural.

Tão historicamente ligados, Argentina e Inglaterra começaram a se dividir em 1966, quando o volante Antonio Rattin, do Boca Juniors e da seleção albiceleste, foi expulso do jogo entre as duas seleções no Mundial daquele ano. No meio da confusão que durou vários minutos, Rattin foi obrigado a sair de campo por policiais e, em protesto, amassou a bandeira inglesa, começando ali o que seria muito mais que uma guerra.

Dizem que a vingança é um prato que se come frio. Em 1982, a guerra pelas Ilhas Malvinas matou diversos argentinos e fez com que estes povos pensassem que aquele fato num longínquo mundial quase duas décadas antes, fosse um presságio do que viria. Na verdade, ninguém pode prever as maravilhas do futuro. Quatro anos depois, talvez Deus estivesse ao lado dos argentinos. E se ele não estava, certamente estava “D10S”, Diego Armando Maradona, fazendo um gol com a mão (dele mesmo?) e o mais lindo de todos os mundiais. Sim, a Argentina venceu e eliminou a Inglaterra da Copa do Mundo, mas este é um jogo para ser contado um outro dia.

Voltando ao que viemos falar, parece que o destino iria escrever – por linhas retas – que essa história ainda não podia acabar. O sorteio daquele Mundial de 1998, na França, mostrava que possivelmente Argentina e Inglaterra se enfrentariam nas oitavas-de-final. Uma festa era preparada como um banquete. A Argentina passou em seu grupo com 100% de aproveitamento e a Inglaterra cumpriu seu papel no destino. Perdeu seu segundo jogo para a Romênia e após vencer a Colômbia, classificou-se em segundo lugar e assim tudo seguia como deveria seguir.

Terça-feira, 30 de Junho de 1998, estádio Geoffroy-Guichard, Saint-Étienne. Diante de um público de 30.600 pessoas, começava mais uma batalha dessa história tão fascinante e por muitos, desconhecida. “Trapos” (faixas para os argentinos) diziam “As Malvinas são Argentinas”. A torcida gritava “Quem não pula é um inglês” e não adiantava falar que era um esporte, pois o clima definitivamente não era esse.

Com apenas seis minutos de jogo, Batistuta, de pênalti, colocava a Argentina na frente. Num chute que o goleiro David Seaman quase pegou e o camisa nove comemorou homenageando seu filho que acabara de nascer. A alegria dos argentinos era enorme, mas como tudo que é bom (dizem) dura pouco, Alan Shearer, o nove inglês, empatou, também cobrando pênalti. Um a um. E a alegria durou tão pouco, que apenas seis minutos depois, um garoto chamado Michael Owen, passa em velocidade pela defesa composta por Ayala e Chamot para acertar um lindo chute e marcar um dos mais belos gols daquele torneio. Era a virada inglesa.

Pancada de Zanetti no gol de empate argentino (Archivos de fútbol)
Porém, antes do intervalo, no último minuto do primeiro tempo, Javier Zanetti acerta um chute inesperado e empata a partida novamente. O jogo era um típico clássico entre estas duas seleções. A tensão da arquibancada ultrapassava os limites da linha do campo e penetrava em cada jogador que corria atrás da bola.

Logo no começo da segunda parte, um dos principais jogadores ingleses, David Beckham, cai na provocação do sempre vigoroso e violento, Diego Simeone e é expulso. A Argentina tinha um homem a mais e quase um tempo inteiro por se jogar. A verdade é que isso não mudou em nada, o time inglês era bravo e parecia jogar por sua rainha, os argentinos corriam, e pareciam, de novo, querer vencer pelo seu povo. E a vontade de ambos permaneceu intacta durante os noventa minutos, levando o jogo para a prorrogação.

Como é comum, o desgaste físico e mental fez com que o jogo perdesse ritmo e qualidade, e nos trinta minutos seguintes os arcos de David Seaman e Carlos Roa foram intransponíveis, levando a partida para a disputa de grandes penalidades.

A Argentina começou batendo e não tinha o seu batedor oficial, Batistura, substituído ainda na segunda parte do tempo regulamentar. Mesmo assim, Berti, com segurança, fez o um a zero. Em resposta, Shearer fez Roa de novo buscar um pênalti no fundo das redes. Seguindo, Crespo falhou e encheu de esperança os hooligans presentes no estádio. Mas o volante Paul Ince não fez muito melhor e, assim, tudo seguia igual.

Veron e Gallardo para a Argentina, Merson e Owen para a Inglaterra. A disputa estava em três a três e nem a “sorte” dos pênaltis parecia conseguir escolher um vencedor num dos mais equilibrados encontros da história das Copas.

Para as últimas batidas sobraram um zagueiro para o lado argentino e um volante daqueles bem marcador para o lado inglês. Nenhum deles parecia ter vantagem. Nenhum deles teria um craque para marcar o último. Ambas as torcidas parecia não confiar em nenhum de seus batedores, mas o destino teria que escolher um vencedor. Ayala, absolutamente aliviado, viu a bola ultrapassar a linha e balançar a rede. As esperanças inglesas estavam nos pés de David Batty, o camisa oito que havia entrado durante a prorrogação parecia ser um especialista no tiro de X metros. Mas não, a verdade é que Batty jamais havia estado numa disputa de pênaltis em toda sua carreira e ai, pela primeira vez, o destino parecia ter escolhido o seu favorito.

E como um sussurro no ouvido, este personagem - existente ou não - parecia ter falado com o goleiro argentino. Roa caiu para o lado certo e espalmou a bola chutada pelo inglês.

Os jogadores corriam, gritavam choravam. Ambos, a reação parecia a mesma, e nestes momentos vemos a diferença daquele que escorre lágrimas de alegria ou de tristeza. Mas com toda aquela rivalidade, com uma bandeira amassada, uma guerra, marcas na história, vimos que quem venceu foi o futebol, e aquela vitória, naquele momento, valeu muito mais que as Malvinas.

30 de junho de 1998 - Estádio Geoffroy Guichard, St. Étienne - Oitavas de final 

Argentina (2): Roa, Ayala, Chamot, Vivas, Almeyda, Simeone, Verón, Ortega, Zanetti, Batistuta (Gallardo), López (Crespo). Téc: Daniel Passarella

Inglaterra (2): Seaman, Campbell, Le Saux (Southgate), Adams, Neville, Ince, Beckham, Anderton (Batty), Scholes (Merson), Owen e Shearer. Téc: Glenn Hoddle

Gols: Batistuta, 5', Shearer, 9', Owen, 16', Zanetti, 45 +1

Cartões amarelos: Seaman, Ince, Verón, Simeone, Almeyda, Roa

Cartões vermelhos: Beckham


domingo, 4 de dezembro de 2011

Grandes jogos: Liverpool x Alavés

Foto: Betshoot.com

Murillo Moret, @moret_
De São Paulo-SP

O mês era o do aniversário de Steven. Aquela era a terceira temporada dele no clube de vestimenta vermelha. A terceira e o título individual de melhor jogador jovem do país. Coisa pouca ele não era. Não porque Gerrard era titular do meio-campo de Gérard Houllier em 2001. Não porque ele marcou um dos gols na final da Copa da Uefa contra o Alavés.

A maratona foi desgastante. Além da Uefa, o Liverpool disputava a Premier League e as Copas da Inglaterra e da Liga. Em fevereiro, título da última ante o Birmingham. Em maio, dia 12, virada nos últimos minutos e caneco da FA Cup sobre o Arsenal. Quatro dias depois, o Westfalenstadion em Dortmund recebeu os vermelhos e o Alavés.

Os títulos da temporada estavam do lado inglês; do outro, os espanhóis supreendiam a Europa. O Liverpool passou com dificuldades por Roma, Porto e Barcelona até chegar a final. O Alavés, por sua vez, não teve problemas em eliminar a Inter de Marco Tardelli no Giuseppe Meazza, passou pelo Rayo Vallecano e atropelou o Kaiserslautern na semifinal.

A blitz inicial foi do Liverpool. Heskey sofreu falta e McAllister colocou na cabeça do alemão Markus Babbel. Não tardou para Eggen errar passe, Murphy interceptar e começar a jogada que parou apenas no fundo da rede em gol de Gerrard. Só que não tinha bêbado nem morto jogando de azul e amarelo. E eles tinham Cosmin Contra - aquele mesmo do Bayern x Getafe em 2008.

O romeno ainda estava com 26 anos. Um jovem. Um quase garoto que viu espaço de Carragher e cruzou na cabeça de Iván Alonso, o Fàbregas uruguaio back in the days. Aliás, o atacante subiu uns 3m - chutando baixo. Eis que veio mais uma sapatada na cara do Alavés: Herrera saiu johnnyherreramente do gol e cometeu pênalti em Owen. McAllister converteu e os Reds foram ao vestiário em vantagem.

Acabou que em dois minutos o empate aconteceu. Contra, sempre ele, fez o que quis com Carragher. Talvez o inglês ainda seus 60 de acceleration e speed no FIFA 2001. Mas o romeno o colocou para dançar e, novamente, passou a bola na cabeça de um companheiro. O felizardo foi Javi Moreno. Ou por que não bomber? do Alavés ainda virou: à Ronaldinho, bateu falta por baixo da barreira. E isso ainda estava aos 50'.

Era um jogaço. O futuro aniversariante Gerrard tentava motivar o time. Javi Moreno e Contra também. Em um contra-ataque, McAllister assistiu Fowler, no que pensava que seria o último gol da partida. Título nas mãos inglesas. Que escapou. Escapou aos 88'. Jordi Cryuff, filho do Mito, subiu entre três zagueiros para empatar.

A prorrogação viu a expulsão de Magno e Karmona. Desfalcado e combalido, Téllez e Tomic observaram McAllister cobrar falta na cabeça de... Geli. O título voltou às mãos do Liverpool com o gol contra. E ficou por lá. Quinze dias depois da final, Gerrard, quem diria!, comemorou o aniversário com o Treble.

Liverpool (5)
Westerveld, Babbel, Hyypiä, Henchoz (Smicer 55'), Carragher; McAllister, Hamann, Gerrard, Murphy; Heskey (Fowler 64'), Owen (Berger 78')
T: Gérard Houllier

Alavés (4)
Herrera, Contra, Karmona, Téllez, Eggen (Iván Alonso 23'), Geli; Jordi, Tomic, Desio, Astudillo (Pablo 46'); Javi Moreno (Magno Mocelin 65')
T: José Manuel Esnal
Árbitro: Gilles Veissière (FRA)

Estádio: Westfalenstadion, em Dortmund (ALE)

Data: 16 de maio de 2001

Gols: Babbel 4', Gerrard 16', Alonso 27', McAllister 41', Moreno 47' e 51', Fowler 73', Jordi 89', Geli (contra) 117'

Cartões amarelos: Babbel, McAllister; Herrera, Contra, Téllez, Astudillo

Cartões vermelhos: Karmona, Magno Mocelin


domingo, 30 de outubro de 2011

Grandes jogos: Getafe x Bayern

Cabeçada de Toni decidiu a peleja válida pela antiga Copa Uefa (Photobucket)
Murillo Moret, @moret_
De São Paulo-SP

A primeira temporada de Luca Toni no Bayern foi em 2007-08. Atleta de técnica questionável, mas com faro de gol impressionante. O Getafe foi um dos times que mais sofreu nas mãos – digo, nos pés e cabeça – do artilheiro italiano.

Quinta-feira, na Espanha. Copa Uefa. Quartas de final. A vantagem era dos mandantes. Empate sem gols no Alfonso Pérez dava a vaga na semifinal da competição européia ao Getafe, que havia empatado em 1 a 1 na Allianz Arena. A inversão do papel aconteceu aos nove minutos do primeiro tempo quando de la Red foi expulso após falta em Klose – o alemão tropeçou em suas próprias pernas. 

O treinador Michael Laudrup se via em maus lençóis depois de perder Uche por lesão. A entrada de um zagueiro fez com que o bom lateral romeno Contra jogasse no meio-campo. Ele, aliás, passou como quis pela defesa bávara há um minuto do fim do primeiro tempo. Resultado desastroso pelo o que o Bayern fez a frente de um dos melhores Getafes da história.

O problema era que o time alemão não conseguia transpor a barreira criada pelo dinamarquês. Cortes se virava com Ribéry, os atacantes eram bem marcados pela dupla de defesa, e a equipe espanhola ficava recuada. Mas Luca Toni viva fase soberba. No único pivô que conseguiu fazer, deixou Ribéry na cara do gol: 1 a 1 aos 44 minutos do segundo tempo.

Tempo para um descanso. Tempo que foi levou os pensamentos dos jogadores de defesa do Bayern lá para a Alemanha: Casquero, com um petardo indefensável de fora da área, e Braulio, num vacilo de Lúcio, abriram 3 a 1 em apenas dois minutos de prorrogação. A comemoração de Braulio dizia tudo. Era o gol da vaga na semifinal. Laudrup sorria, festa no Alfonso Pérez.

Mas se de um lado tinha Luca Toni, do outro jogava Pato. O capitão do Getafe largou a bola nos pés do italiano aos 115 minutos. Gol. O semblante do dinamarquês mudou: repousando os braços no banco de reservas, fechou a cara e sabia o que viria. Hitzfeld, sentado, só observava. Viu Sosa, aposta, cruzar a bola na área. Luca Toni subiu no meio da zaga e cabeceou para marcar o tento da classificação no último minuto do jogo.

O Coliseum desabou, mas foi com a festa da minoria bávara.

Getafe 3
Abbondanzieri, Contra (Cotelo 66’), Cortés, Tena e Licht; de la Red; Manu (Braulio 62’), Casquero, Celestini e Gavilán; Uche (Belenguer 21’). 
T: Michael Laudrup


Bayern 3 Kahn, Lell (Jansen 46’), Lúcio, Demichelis e Lahm; Schweinsteiger (Sosa 64’), van Bommel, Zé Roberto (Podolski 75’) e Ribéry; Klose e Toni. 
T: Ottmar Hitzfeld 

Árbitro: Massimo Busacca (SUI) 

Estádio: Coliseum Alfonso Pérez, em Getafe 

Data: 10/04/2008

Gols: Cosmin Contra 44’, Ribéry 89’, Casquero 91’, Braulio 93’, Toni 115’ e 120’ 

Cartões amarelos: Belenguer; Toni, Lahm, Lell, Podolski Cartão vermelho: de la Red