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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A vingança que não sacia

Foto: Site oficial Flamengo
Dizem os antigos que não há fúria no mundo que seja tão eficaz quanto uma boa vingança, sobretudo se ela vem na mesma moeda. Quando o Flamengo começava a dominar o futebol carioca nos anos 70, liderado por Zico, uma goleada do Botafogo mexeu com o brio do rubro-negro. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A hora chegou

Foto: Portal das notícias




Doze anos. 12. Douze. D-O-Z-E. DOZE. Foram doze anos sem uma conquista além das fronteiras estaduais. Na noite de 11 de julho de 2012, doze, douze, 12, D-O-Z-E, DOZE, o Palmeiras conquistou em cima do Coritiba a sua segunda Copa do Brasil. Com muito mais sofrimento do que diante do Vasco, no Troféu Rio-São Paulo lá em março de 2000, o alviverde imponente finalmente honrou a alcunha. Foram tempos dolorosos em que perdemos até (temporariamente, que se diga) o nosso lar no Parque Antártica. 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Joga, Coritiba

Foto: Band
Ana Claudia Cichon, @anacichon

22 pares de pernas e uma bola. É só isso que os meus olhos vão enxergar a partir das 21h50 desta quarta-feira. Os meus e os dos mais de 30 mil coxas-brancas que estarão no Couto Pereira, plenos, idealizando o título que bateu na trave no ano passado.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Uma final, dois alviverdes

Foto: Terra
Felipe Portes, @portesovic 
Palestra Itália-SP, Parte 1

Temos passado por anos difíceis. Os bons tempos, de riso fácil e taças aos montes ficaram para trás, com este mesmo senhor bigodudo e ranzinza no comando. Olhávamos para a meta até o fim de 2011 e lá estava um santo dos mais humanos, que de tão humano não conseguiu mais lutar contra as próprias dores, sejam elas físicas ou na alma. Nossas glórias viraram parte do passado, pois o presente é tortuoso. Até essa noite de quinta-feira.

O orgulho que tenho no Palmeiras vem muito mais da garra apresentada na Copa do Brasil do que no próprio elenco. É imensurável a surpresa que sinto ao ver esse time, que caiu perante o Guarani e formado por quase todas as mesmas peças do fracasso de 2011, ergueu a cabeça e entrou com fé nessa competição, que 14 anos atrás foi o primeiro passo para a nossa maior conquista. 

Veja bem, já são 12 anos sem chegar em uma grande final. Desde aquela noite contra o Boca, em que viramos porcus tristis não sabemos o que é chegar perto de um troféu relevante. O que não quer dizer que não tenhamos comemorado o Paulista de 2008, mas é outro espírito. Agora, caminhando entre a cautela e a esperança de libertar o grito que há tempos está entalado na garganta, entro no dia 5 de julho com o coração pesado, carregando um vagão de dúvidas sobre as nossas possibilidades.

São muitas deficiências, mas acima de tudo é preciso ressaltar o foco e a garra apresentadas nos duelos quase de velho oeste na competição. Contra o Atlético Paranaense, duas partidas de paciência, com um empate fora e a vitória demorada em Barueri. A vontade era de fazer uma série do Fomos campeões sobre a edição de 1998, mas era cedo.

Contra o Grêmio, a cartada inicial: Mazinho e Barcos derrubaram o tricolor em Porto Alegre e aquele sonho que estava perdido, aos poucos apareceu por detrás dos montes. Juro que foi a maior alegria no ano saber que no meio de tanto sofrimento acumulado, o meu time, sim, o meu time ainda me fazia sorrir, pular pela casa, gritar e encher o peito outra vez. Como disse, já faz tempo que não tenho essa sensação e gostaria muito de tê-la novamente.

Chego incrédulo para escrever as linhas finais de uma prévia da decisão mais importante na década. Para nós, alviverdes, o quase esteve sempre perto, risonho, fanfarrão e cruel. Mas se conheço nosso comandante, tenho certeza de que ele não admitirá nova derrota. Que despertou o brio em cada peça, em cada camisa, em cada um dos vinte que entrarão em campo na Arena Barueri para devolver o semblante feliz do palmeirense, que já não suporta a longa espera, que quer sair da fila e quer ser campeão.

Se por um lado os maiores rivais foram campeões com grande merecimento, que seja aplaudido o auge deles. A parcela verde de São Paulo jamais deverá lamentar por isso, e sim bater no peito e dizer que agora é nossa vez. Seja na Libertadores ou na Copa do Brasil: queremos ser campeões e não chegamos até aqui para sentar ao lado do fracasso outra vez.

Que vença o melhor entre os dois alviverdes. Se for possível, que esse melhor seja o alviverde de Barcos, Scolari, Mazinho e Valdívia. Pra que aquele 6-0 sirva não como trauma e sim como o primeiro passo para a redenção. E olha só, Palmeiras, daria a vida inteira pra ser campeão. 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Fomos campeões: Criciúma 1991

Foto: Click nos campeões
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

A história do Criciúma é dessas poucas em que times pequenos chegam à glória com algo de muito especial. No caso do Tigre, um treinador que já aprontava das suas em território nacional e a determinação em vencer todos os grandes desafios pela frente. Campeão da Copa do Brasil em 1991, os catarinenses foram o que podemos considerar de primeira zebra da competição, que anos depois viu o Juventude (1999), Santo André  (2004) e Paulista (2005) saírem vencedores e credenciados com a vaga na Libertadores da América.

Os méritos foram muitos daquele elenco que soube aproveitar as vantagens e desvantagens do regulamento. Bastante focado na disciplina, marca registrada das equipes treinadas por Luiz Felipe Scolari, o plantel era basicamente formado por atletas sem muito reconhecimento, mas que seguiam a mesma base de anos anteriores, sem grandes mudanças. O entrosamento falou alto nos momentos de tensão, ainda que o tricolor tenha terminado o torneio sem uma derrota sequer.

Até então treinado por Luís Gonzaga Milioli (saiu do cargo antes das oitavas), o negro-amarelo entrava em campo quase sempre na mesma formação: Marola (Alexandre), Sarandí, Vilmar, Itá, Roberto Cavalo, Grizzo, Zé Roberto, Gelson, Vanderlei, Jairo Lenzi e Soares. 

Tendo como primeiro adversário o quase anônimo Ubiratan-MS, o Tigre jogou para o gasto no Mato Grosso do Sul e voltou para Santa Catarina com um empate de 1-1 na bagagem. No Heriberto Hülse, goleada por 4-1 (gols de Evandro, Grizzo, Zé Roberto e Vanderlei), resultado até surpreendente para os padrões de Felipão. Ao fim, o que interessava foi alcançado: a vaga nas oitavas.

Jairo Lenzi, ponta esquerda do Criciúma, destaque na caminhada
até o caneco da Copa do Brasil de 1991 (Terceiro Tempo)

A chapa começou a esquentar já nas oitavas, quando ficou definido que o Atlético Mineiro viria pela frente. O Galo atropelou o Caiçara-PI e somou 12-0 no agregado, inclusive castigando os piauienses com 11-0 no Independência. Temendo passar pelo mesmo perrengue do que os nordestinos, Big Phil ofereceu aos atleticanos o seu cartão de visita: a retranca e a jogada em contra golpe. Com atuação segura no Sul, o Criciúma fez 1-0 com Cavalo e se deu por satisfeito.

Fora de casa, a cautela em relação à defensividade teria de ser redobrada. Dito e feito, mais uma vitória simples e o campeão brasileiro de 1971 era despachado do certame, graças ao gol de Vanderlei aos dez minutos da primeira etapa.

Ganhando moral após tirar o primeiro grande do caminho, o tricolor catarinense encontraria o Goiás de Wilson Goiano e Túlio nas quartas de final. Alçando grande voo, o grupo demonstrava grandes sinais de união e usavam esse elemento, que pesava mais do que o talento em determinadas oportunidades. Viajando à Goiânia para dar sequência no trabalho, os comandados de Scolari seguraram o 0-0 e a pressão esmeraldina. Deixando toda a decisão para o Heriberto Hülse, Jairo Lenzi e sua tropa não decepcionaram: três a zero, com gols do próprio Jairo, Gelson e Grizzo.

Xerifão Scolari acertou a mão no Criciúma, que ia derrubando os adversários,
um a um até a grande final contra o Grêmio (Estadão)
O calor do Pará prometia ser um obstáculo na passagem do Tigre até a grande final. Favorito no duelo contra o Remo, precisou apenas de um tempo, mais precisamente 43 minutos para vazar a defesa do Leão, com Soares. Percebendo o cansaço dos seus atletas, apesar da chuva que caiu pouco antes da partida, Felipão recuou os homens de frente. Administrando o triunfo, já estava com um pé na finalíssima diante do Grêmio, vencedor da edição 1989, a primeira Copa do Brasil.

Em seus domínios, não houve nenhum tipo de turbulência para o Criciúma sair de campo sem a classificação. Esbanjando tranquilidade e bom futebol, o tricolor contou com a infelicidade de Chico Monte Alegre aos 35 do primeiro tempo para desamarrar o sistema defensivo do Remo. Soares completou a contagem aos 14 da etapa complementar e Santa Catarina teria um representante direto na disputa de um título nacional. 

Invictos, os catarinenses pretendiam utilizar a mesma tática bem sucedida que fora usada contra o Atlético nas oitavas. Sabendo da força do Grêmio, e que o conto de fadas poderia desmoronar se não fossem tomadas precauções, Big Phil acreditou que haviam boas chances se explorasse o erro do adversário.

Dino Sani, comandante gremista, às vésperas da decisão (Clic RBS)
Jogando com o regulamento
No dia 30 de maio de 1991, a história começaria a ser escrita no Olímpico. O tricolor imortal de Dino Sani trazia no elenco o sagaz China, o ligeirinho Caio, os meias Norberto e João Antonio e o atacante Maurício. Certamente não foi nem de longe um dos grandes esquadrões que os gaúchos montaram, contudo, jamais se despreza a tradição. Os dois rivais ainda não haviam perdido na competição.

Um pouco mais ousado do que de costume, o Tigre chegava mais no ataque. A força excessiva em alguns lances ficou clara com a chegada do capitão Itá em China, que ficou alguns instantes rolando e com dores na lateral esquerda. A defesa catarinense resistiu à perigosos ataques gremistas e saiu na frente com Vilmar, em cruzamento de Jairo Lenzi no primeiro pau. O beque subiu de cabeça e testou forte, sem chance para Gomes.

Seria uma grande vitória fora de casa, não fosse Maurício empatar a parada, restando sete minutos para o apito final. Tirando a alegria dos visitantes antes do soar do gongo, o tricolor gaúcho se manteve vivo na disputa e precisava marcar no Heriberto Hülse para provocar uma disputa de penais. Até aí, a festa em Criciúma já estava armada, com ou sem a taça.

Felipão, ao lado de Roberto Cavalo e a taça da Copa do Brasil (Polidoro Jr)
18 meses sem sofrer uma derrota sequer em seus domínios era a credencial apresentada pelos donos da casa na segunda perna da finalíssima. Um domingo, dia 2 de maio de 1991 foi escolhido para a consagração de um time aguerrido e de seu treinador ranzinza. Aproveitando a vantagem no confronto, novo empate, só que sem gols garantiu ao clube do interior catarinense levantar o caneco daquela edição da Copa do Brasil. Depois da conquista, Felipão enfatizava que seu grupo era composto por jogadores do mesmo nível técnico e físico e que não contava com estrelas e sem elas, conseguiu ser campeão sem perder nenhum compromisso. 

Criciúma: Alexandre, Vilmar, Sarandí, Itá, Gelson, Altair, Roberto Cavalo, Grizzo, Zé Roberto, Jairo Lenzi e Soares.

Grêmio: Sidmar, Vilson, João Marcelo, Chiquinho, Hélcio, João Antonio, Norberto, Caio, Donizete Oliveira, Nando (Darci) e Maurício. 

Campanha: Seis vitórias, quatro empates, nenhuma derrota. 14 gols marcados, três sofridos.

Jogos:
Primeira fase
Ubiratan-MS 1-1 Criciúma
Criciúma 4-1 Ubiratan-MS

Oitavas de final
Criciúma 1-0 Atlético Mineiro
Atlético Mineiro 0-1 Criciúma

Quartas de final
Goiás 0-0 Criciúma
Criciúma 3-0 Goiás

Semifinal
Remo 0-1 Criciúma
Criciúma 2-0 Remo 

Final
30 de maio de 1991, Porto Alegre - Olímpico
Grêmio 1-1 Criciúma

2 de junho, Criciúma - Heriberto Hülse
Criciúma 0-0 Grêmio