Ajax e Panathinaikos alinhados antes da decisão europeia de 1971
Foto: Football Archive
Quando Ajax e Panathinaikos entraram no gramado de Wembley em 2 de junho de 1971, a Europa veria um campeão inédito. Cerca de 90 mil pessoas testemunharam o surgimento de uma das maiores potências do futebol mundial: o esquadrão de Johann Cruyff e Rinus Michels.
Se já era difícil de acreditar que o Nottingham Forest foi campeão europeu dois anos após o acesso na Inglaterra, como reagir ao bicampeonato diante do Hamburg na Copa dos Campeões? O fenômeno tem um grande e falastrão responsável: Brian Clough.
Há 10 anos, a Juventus atropelou o Real Madrid na semifinal da Liga dos Campeões e assegurou seu lugar na decisão contra o Milan: passeio no Delle Alpi desnorteou os espanhóis, que eram os detentores do título.
Pacult como treinador do Rapid Vienna (Foto: Kurier.at)
Peter Pacult conseguiu a artilharia da Copa dos Campeões em 1991 fazendo apenas quatro jogos pelo Tirol Innsbruck, eliminado na segunda eliminatória do torneio europeu pelo Real Madrid: foi a primeira Oleg Salenkada que se tem lembrança no futebol mundial.
Ernst Happel leva o Hamburgo ao seu primeiro título europeu e é o pioneiro de um trio de treinadores campeões continentais por duas equipes diferentes, ao lado de José Mourinho e Ottmar Hitzfeld
Francis e a taça da Copa dos Campeões: façanha inigualável do Forest
Foto: Equaliser blog
Nottingham Forest do lendário Brian Clough ergue sua primeira taça europeia, dois anos depois de ter conseguido a promoção da segunda divisão inglesa, feito até hoje imbatível dentro do futebol
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP (Especial Romênia, parte 3)
Helmuth Duckadam foi o grande nome da conquista do Steaua na Liga dos Campeões, agarrando quatro cobranças do Barcelona, em 1986, no Ramón Sánchez Pizjuán. Por essa façanha, ficou conhecido pelos torcedores como "O Herói de Sevilla", alcunha que carrega até hoje.
Em 1977 iniciou sua caminhada no Constructorul Arad, chamando atenção pelos seus reflexos e segurança dentro da grande área. Com 19 anos transferiu-se para o rival do Constructorul, o UTA Arad. Permaneceu quatro temporadas, inclusive colaborando com o acesso da pequena equipe alvirrubra à primeira divisão romena, até assinar com o Steaua, em 1982, ganhando projeção internacional.
Convocado duas vezes para a seleção nacional em 1982, viveu sempre à sombra de Silviu Lung, arqueiro do Universitatea Craiova, que foi dono da posição até a Copa de 1990. Mesmo se tornando referência debaixo das traves, não voltou a defender sua nação, com a titularidade nos ros-albastrii.
Duckadam nos anos que antecederam a glória no Steaua
Foto: You mago
Os quatro anos em Bucareste, encerrados com chave de ouro com a conquista da taça europeia contra o Barcelona em 1986, foram inesquecíveis para o cidadão de Semlac, distrito de Arad. Ao fim da temporada 1985-86, foi atormentado por dores no braço direito, mas escondeu o fato da equipe médica por medo de ser vetado na decisão continental.
Muitas histórias foram especuladas sobre a verdadeira razão do afastamento de Helmuth, nenhuma convincente o bastante. Na mais célebre delas, o presidente comunista Nicolae Ceausescu, que tinha uma relação com o Steaua bem parecida com a de Silvio Berlusconi com o Milan, teria mandado amputar as mãos de Duckadam, que ganhou imensa popularidade na Romênia após a memorável noite de 7 de maio de 1986.
Outras versões dão conta de que ele teria optado por se aposentar por encarar um veto de transferência para clubes maiores, já que era de interesse de agremiações italianas e espanholas. A verdade foi exposta pouco depois, pelo próprio guarda redes, revelando problemas de saúde.
Apresentando alguns sintomas de trombose, o goleiro não seguiu a carreira depois disso e aos 27 anos foi forçado a se retirar do esporte, no seu auge, como alguns outros atletas poderiam fazer afim de não macular uma história. Um tímido retorno no Vagonul Arad por dois anos, de 1989 a 1991 foi o último esforço de Helmuth dentro do futebol.
Em 2010 foi eleito presidente do Steaua, cargo este que ocupa até hoje.
Pouco antes das façanhas da seleção romena comandada pelo gênio Gheorghe Hagi, o futebol local teve sua grande glória no cenário europeu. O Steaua, tradicional agremiação de Bucareste, conquistou em 1986 a Copa dos Campeões da Europa, vencendo o Barcelona nos penais. Para muitos, aquele foi o início de um período de ouro.
A esquadra ros-albastrii (rubro azul em romeno) conquistou a liga local em 1984-85 após seis anos de jejum, beliscando assim a vaga para a CCE. De forma inesquecível, o elenco partiu para desafiar os seus próprios limites e ambições.
O primeiro desafio daquela edição foi contra os dinamarqueses do Vejle, fora de casa. Na Escandinávia, os cárpatos conseguiram sair com um empate em 1-1, graças a Marin Radu, que fez o gol rubro azul pouco antes do apito final. Julian Barnett havia marcado o tento inaugural, para a equipe que ainda contava com a lenda Allan Simonsen no seu elenco. Não era dos adversários mais fáceis de se encarar logo no início de uma campanha, mas o conjunto do Steaua falou mais alto perante o talento do nanico danês.
Piturca, ao centro, comemora um dos gols contra o Vejle (Cupa de legenda)
Em Bucareste, não houve nenhum tipo de piedade por parte dos mandantes. Um sonoro 4-1 marcado por Victor Piturca, Laszlo Bölöni, Gavril Balint e Tudorel Stoica (Simonsen marcou para os pobres visitantes) denotou que os romenos não estavam para brincadeira. O domínio foi estabelecido sem muita resistência, num confronto em que só deu Steaua durante os 90 minutos.
Nas oitavas de final, mais dificuldades jogando longe dos seus domínios. Agora o rival era o Honvéd, conhecido em outros tempos como aquela potência onde Ferenc Puskas desfilava seu feroz ataque. Vivendo tempos de ostracismo, ainda que com alguma competência, os húngaros conseguiram vencer a primeira perna, com gol de Lajos Détári. Valeu a máxima da parede defensiva somada a contragolpes, e num desses que a vitória foi definida.
Sabendo que a inspiração e o apoio da torcida estariam em campo no retorno, o grupo romeno repetiu a atuação brilhante que lhe valeu a vaga na jornada anterior. Mais um 4-1 para a galeria, com a marca de Piturca, Marius Lacatus, Ilie Barbulescu e Mihail Majearu. Restou ao Honvéd apenas diminuir, novamente com Détári, na etapa final, quando a vaca já havia deitado.
A escola de futebol iniciada pelo Steaua tinha algumas características interessantes: a rapidez e a precisão. Na grande maioria das ofensivas, eram trocados poucos passes e a velocidade dos pontas e dos meias prevalecia sobre as defesas adversárias. No caso dessa formação vencedora, Balint (meia direita) era o homem que conduzia a bola até a frente e ligava com Piturca, um excelente centroavante que foi essencial no vitorioso trajeto até a final.
Duckadam foi o grande nome da decisão contra o Barça
(Foto: World Academy of Records)
Na defesa, o herói Helmuth Duckadam era o responsável por guardar a meta. Stefan Iovan, o capitão, tomou conta da lateral direita e fazia boas descidas, além da troca de passes e cobertura da retaguarda. No miolo da área, Adrian Bumbescu, uma rocha. Ilie Barbulescu mandava na ala esquerda, Miodrag Belodedici era o líbero perfeito, Lucian Balan e Laszlo Bölöni organizavam a região da meia, apoiando e fazendo passes longos. Mihail Majearu e Gavril Balint saíam pelas alas esquerda/direita, sempre com agilidade e inteligência. Fechando a formação, Marius Lacatus e Victor Piturca se encarregavam de finalizar, sendo Piturca o homem de área, a referência na frente. Outros nomes reservas, mas não menos importantes eram Angel Iordanescu (atacante), Tudorel Stoica (meia) e Marin Radu (meia).
Dando sequência ao torneio, o próximo adversário nas quartas de final era o FC Lahti, até então Kuusysi. Forçados a pensar nova tática para furar a excelente marcação por parte dos finlandeses, o treinador Emerich Jenei certamente perdeu algumas centenas de fios de cabelo. Ao contrário dos embates anteriores, a tendência de golear em Bucareste e só empatar fora deixou a torcida em estado de alerta.
O sufoco foi grande em Helsinki, diante de 32.000 torcedores. Tudo levava a crer que mais um empate duríssimo (de assistir) levaria à disputa de penais. Ainda não era a hora de testar o talento de Duckadam, então restando quatro minutos para o fim, Piturca aproveitou um bate-rebate na área adversária e entre dois zagueiros mandou para as redes, sepultando a esperança dos locais de seguirem adiante no certame.
Piturca faz dois e classifica o Steaua à final (Supporters Steaua)
Restando três jogos para a conquista, o Steaua ainda tinha o Anderlecht antes da grande final. Os belgas contavam com Morten Olsen, Juan Lozano, Enzo Scifo e Arnor Gudjohnsen (sim, pai daqueeele Gudjohnsen). Inicialmente a coisa ficou feia quando em Bruxelas o time da casa endureceu a resistência e saiu para enfrentar os rivais na segunda perna com vantagem. Scifo recebeu belíssimo lançamento na direita, matou no peito e jogou por cima de Duckadam, que ficou sem reação. 1-0.
Com a sabedoria de que no Ghencea não poderia cometer mais erros, o plantel romeno deu o seu máximo para reverter o prejuízo. Piturca foi letal ao completar troca de passes e recebeu de Majearu para vencer o marcador e jogar no cantinho do goleiro, aos quatro minutos. Escanteio na área visitante, a bola quicou e Balint, livre, mandou de primeira. 2-0, aos 23. Completamente refém do dono da casa, o Anderlecht recuou e constantemente via Piturca e Lacatus com liberdade.
Foi numa dessas bobagens que a zagueirada desviou mal um passe de Balint, que subiu e encontrou Piturca de frente com Dirk Vekerman. O arqueiro não conseguiu evitar o toque de cabeça, que sacramentou a vitória dos ros-albastrii, com vaga em Sevilla. Do outro lado do emparelhamento, o Barça sofreu, mas passou pelo Göteborg, campeão da Copa UEFA em 1982 e em 1987. Foi numa decisão por pênaltis que os catalães conseguiram progredir na competição.
Duckadam voa na bola para salvar o Steaua, de branco (Foto: ProSport)
A hora da verdade para Duckadam
70.000 pessoas estiveram presentes no Ramón Sánchez Pizjuán, em Sevilla, no dia 7 de maio de 1986 para ver quem seria o campeão. Steaua e Barcelona decidiriam quem seria o novo vencedor após a fatídica vitória da Juventus, um ano antes em Heysel. Travado demais, o cotejo derradeiro da Copa dos Campeões de 1986 não teve grandes momentos e se arrastou até as penalidades, com muitas faltas e pouquíssimos chutes a gol.
Liderados por Bernd Schuster, Steve Archibald e Ángel Pedraza, o selecionado blaugrana não esteve muito superior aos rivais da noite, não chegando a assustar a retaguarda romena. Até o apito final, poderíamos chamar facilmente aquela decisão de insossa, não fossem os sempre emocionantes penais. Para o azar dos cárpatos, não mais teriam uma segunda chance em seus domínios para tentar a vitória.
Foi aí que entrou em cena aquele que seria considerado "O herói de Sevilla", Helmuth Duckadam. O guarda redes que já havia esbanjado segurança em outros compromissos, se apresentou como principal destaque daquela noite andaluz. Trágico para a maioria dos atletas que tomaram distância para fazer suas cobranças, brilhante para quem sempre está acostumado ao lado inverso do reconhecimento.
Lacatus converteu a primeira penalidade e abriu caminho
para a vitória (Fan base)
Majearu foi o primeiro a cobrar. Telegrafada, a cobrança saiu rasteira e fraca para a defesa de Urruti. Alexanko bateu firme e Duckadam voou para a esquerda, espalmando. Da mesma forma que Alexanko, Bölöni correu e também desperdiçou. A consagração dos homens de luva estava próxima, mas só um levaria consigo o título e o lugar ao lado dos grandes campeões.
De repente todos resolveram cobrar no mesmo canto e Pedraza também permitiu ao camisa 1 romeno mais uma defesa no seu cartel. Lacatus, o primeiro sortudo da noite, mandou um canhão no alto, a bola tocou no travessão e entrou. 1-0 Steaua. Pichi Alonso correu e mandou novamente no canto esquerdo. Aí vocês já sabem: Duckadam defendeu. A previsibilidade do Barça favoreceu o oponente, que preferiu outra opção nos seus tiros. Balint foi até fora da área para tomar distância e chutou rasteiro na esquerda. Urruti errou o pulo e não conseguiu salvar. Marcos então teria a chance final de reverter a trágica série dos seus colegas.
Finalmente o lado escolhido mudou. Um traque foi disparado até a direita, onde Duckadam teve a mínima agilidade de saltar e agarrar a bola. Steaua campeão, catalães sequer balançaram as redes. Aos trancos e barrancos, os romenos tiveram a sua vez, graças a um goleiro em noite inspirada.
Capitão Iovan ergue a tão sonhada taça da UEFA: eternos heróis em Bucareste
Foto: The Guardian
Felipe Portes, @portesovic
De ainda não acredito que meu blog fez um ano-SRB
Voltando a um tempo em que o formato da Liga dos Campeões (ainda conhecida como Copa dos Campeões) era inteiramente disputado em play-offs e somente pelos vencedores de competições locais, a principal conquista sérvia (que ainda era conhecida como Iugoslávia) veio pelo Estrela Vermelha de Belgrado, tradicional pavilhão local que rivaliza e rivalizará até o fim deste planeta com o Partizan.
Muita coisa mudou desde então. Agora alguns países tem direito a quatro vagas na LC, outros sofrem para sequer chegar à fase de grupos, a nomenclatura do certame mudou e a Sérvia se encontra numa pasmaceira futebolística, sem formar os grandes talentos de outrora.
Pois bem, vamos pelo começo. Em 1990, quando equipes croatas ainda disputavam a mesma liga que os sérvios, eslovenos e aquele mundaréu de nações que surgiram após a dissolução da Iugoslávia, o Estrela caminhou para a vitória, deixando para trás o Dinamo Zagreb por 11 pontos. Seu maior rival, o Partizan, chegou em quarto e ficou com a vaga na Copa UEFA.
Prosinecki, cérebro daquele Estrela Vermelha
Foto: The vintage football club
Garantindo sua participação no maior torneio de clubes da Europa, os crveno-beli (alvirrubros em sérvio) passaram pelo Grasshoppers de Ottmar Hitzfeld na primeira rodada, empatando no Marakana em 1-1, mas atropelando na volta, no Letzigrund, por 4-1, com destaque para atuação de Robert Prosinecki, que marcou duas vezes. Pelo lado sérvio, Darko Pancev e Dusko Radinovic ainda balançaram as redes suíças.
Formado pela base da seleção iugoslava que participou Mundial de 1990, o Estrela contava com atletas do calibre de Sinisa Mihajlovic, Refik Sabanadzovic, Goran Juric, Miodrag Belodedici, internacional romeno, Vladimir Jugovic, Dejan Savicevic e Dragisa Binic, além dos supracitados Pancev e Prosinecki.
Pela segunda rodada, a tradição do Rangers entraria em campo para impedir o progresso do Zvezda. A missão dos escoceses de parar o bom futebol jogado pelos rapazes de Belgrado começou a ruir no Marakana com oito minutos do primeiro tempo. John Brown fez contra e complicou os visitantes. Prosinecki e Pancev marcaram num duelo em que a goleada poderia ter sido maior. Sem dúvida a vaga ficou decidida antes da segunda perna em Glasgow, onde não haveria muita margem para uma virada histórica. O empate por 1-1 com gols de Ally McCoist para os Rangers e Pancev para o Estrela selou a credencial sérvia para as quartas de final.
Savicevic foi crucial nos jogos contra o Dresden (Beliorlovi)
Sem sufoco até a final
Chegada a hora das quartas, o Crvena encarou o Dynamo Dresden, representante ilustre da Alemanha Oriental no certame europeu. Novamente sem muito esforço, o resultado saiu em Belgrado, com um 3-0 marcado por Prosinecki, Binic e Savicevic. A essa altura, os sérvios já tinham ideia do potencial que poderia ser explorado ao longo do torneio.
Em Dresden, no Glücksgas, Törsten Gütschow anotou uma penalidade logo aos três iniciais, esboçando uma reação. Savicevic voltou a balançar as redes e Pancev definiu novo triunfo crveno-beli e a chance de enfrentar o poderoso Bayern adiante.
Aconteceu que os bávaros não eram tão assustadores quanto o prometido. Em Munique, Roland Wohlfarth inaugurou o placar aos 22, assustando a torcida visitante, que já começava a pensar no que o professor Ljupko Petrovic poderia fazer para dar a volta na derrota parcial. Dentro do campo, a tensão envolvendo o cotejo era grande.
Restou aos infernais Savicevic e Pancev imitarem a atuação em Dresden, semanas antes. De virada, fora de casa, apenas um empate na Sérvia daria a chance do Estrela disputar sua primeira grande final continental. Na outra chave, o Marseille vencia o Spartak Moscou e se garantia sem maiores problemas, no primeiro grande passo da Era Tapie.
Diante de 80.000 pessoas no Marakana, Estrela Vermelha e Bayern empataram em 2-2, com participação peculiar de Klaus Augenthaler, que marcou duas vezes, uma contra e outra a favor. Manfred Bender ainda descontou para os germânicos, mas o estrago estava feito: era vez da Iugoslávia ser representada numa final europeia, tal qual o Partizan em 1966, que saiu derrotado pelo Real Madrid de Alfredo Di Stéfano.
Foto: O campo dos sonhos
Mais uma estrela no peito
A final contra o Marseille não seria de forma alguma fácil. A começar pelo fato que as duas nações envolvidas nunca haviam conquistado um troféu da Copa dos Campeões. Foi daí que o dia 29 de maio de 1991 marcou a entrada do Estrela no hall dos grandes que um dia já ergueram a taça mais desejada da Europa.
Repleta de nervosismo, a peleja de Bari viu dois rivais tumultuarem a meia cancha e um desafio particular: Dragan Stojkovic, ex-capitão do Estrela, agora alinhava pelos franceses, menos de um ano depois de ter se transferido. Para o azar de Piksi, ele só ingressou nos minutos finais da prorrogação, sem ter como evitar que o empate se prolongasse.
Recebendo três cartões amarelos, (Marovic, Mihajlovic e Binic) contra apenas um dos franceses, o Crvena se resguardou e não procurou tanto o ataque, e quando o fez, não conseguiu ultrapassar o sistema defensivo armado por Raymond Goethals, composto por Manuel Amoros, Eric Di Meco, Mozer e Basile Boli.
Persistindo o empate sem gols e o teste de nervos, a decisão foi para os penais. Prosinecki converteu, e Amoros errou a primeira pelo Marseille. Binic, Belodedici e Mihajlovic também marcaram, Casoni, Papin e Mozer cumpriram com a sua parte e ficou tudo nos pés de Pancev, o camisa 9. O atacante não titubeou e balançou as redes, dando o título a sua equipe. A festa no San Nicola foi vermelha e branca, coroando uma campanha que passou longe de ser impecável, mas procedeu sem grandes ameaças.
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP (199/200)
Jerome Renée Marcel Rothen, um jogador que já começou errado pelo nome. Canhoto, nascido em Chatênay-Malabry, uma pequena comuna localizada na Ilha da França, começou sua carreira no futebol em 1994, pelo Caen.
O garoto foi ganhando espaço com sua velocidade, bons passes e movimentação. Como meia, tinha domínio dos fundamentos da posição e não demoraria muito a ganhar autonomia dentro da França. Na verdade, demoraria sim. Depois do Caen, onde ficou até 2000, acertou com o Troyes, e aí sim se projetou nacionalmente, aos 22 anos.
Seu auge seria no Monaco, onde disputaria uma decisão de Liga dos Campeões, anos mais tarde. Todavia, deixemos isso para depois, vamos falar um pouco mais sobre os anos anteriores de menino Jerome. Trinta jogos em 2001-02 e atuações fantásticas pelo Troyes renderam uma transferência ao time do principado, que montava um plantel interessante e recheado de estrangeiros.
Derrotados pelo Porto, os monegascos lutaram bravamente até a grande final
Foto: Getty images
Titular já em 2002-03, colaborou e muito para o vice-campeonato francês do Monaco, que foi vencido pelo Lyon por apenas um ponto (68 a 67). Na temporada seguinte, era hora de subir um degrau, disputando a LC. Aquele ano, em especial, surpreendeu muitos especialistas no certame estrelado. Saindo de uma chave complicada, Les Rouge et blanc ficaram com a liderança, vencendo com 11 pontos, apenas um a mais que Deportivo e PSV, que foi eliminado.
Um a um os adversários iam caindo, juntamente com o seu favoritismo. E Rothen era considerado uma joia rara no meio campo monegasco, ao lado do capitão Ludovic Giuly, de Lucas Bernardi e Akis Zikos. Nenhum deles teve vocação para o estrelato, o que não eliminava a chance de mostrarem grande valor e eficiência. Foi-se o Lokomotiv, nas oitavas, depois o Real Madrid (esse com uma pitada maior de emoção, 4-2 no Santiago Bernabéu para os espanhois e 1-3 no Louis II classificaram Didier Deschamps e seus comandados).
Era hora de derrubar mais um azarão. O Chelsea de Hernán Crespo, que estava começando sua era de altos investimentos por Roman Abramovich, havia passado pelo grande rival Arsenal num eletrizante duelo em Stamford Bridge. Sem grandes dificuldades, o Monaco bateu os blues assegurou sua presença na Veltins Arena, em Gelsenkirschen, casa do Schalke 04, na finalíssima, contra o Porto.
No PSG, começou a decadência (Foto: Planéte PSG)
Considerado o segundo grande nome daquele plantel, Jerome só ficava atrás de Giuly na popularidade com os fãs europeus. Mesmo com a derrota para os portugueses na LC, Rothen foi lembrado pelo treinador Jacques Santini na convocação para a Eurocopa de 2004. A nau francesa afundou nas quartas de final, contra a Grécia, e essa seria a última competição de grande porte do nosso Descraque de hoje.
Assinando com o PSG para depois da fatídica Eurocopa, o rapaz queria estar num lugar onde brigaria por mais títulos. Coincidentemente ou não, os parisienses entraram numa crise tão grande que quase resultou em rebaixamento. Das cinco temporadas que esteve no Parc des Princes, as campanhas na Ligue 1 foram nono (2004-05 e 2005-06), 15o em 2006-07, 16o em 2007-08 e um admirável sexto, em 2008-09.
Cair em desprestígio após anos de glória se mostrou ser um duro golpe tanto para a equipe, quanto para Jerome, que foi emprestado ao Rangers no ano seguinte. No currículo dele, ainda constava só a Copa da Liga pelo Monaco em 2002-03 e PSG em 2008 a Copa da França em 2008.
Relegado ao time B dos parisienses, o empréstimo aos Rangers soou como salvação depois de um amargo tempo em que se lesionou com frequência. Mudar de ares parecia providencial para recuperar o bom futebol.
Posando de galã em Glasgow: novo flop de Rothen nos Rangers foi cruel
Foto: Daily mail
Foram apenas oito partidas em meia época no Rangers. Longe de ter qualquer sequência e sem esperanças, Rothen estava mais uma vez decepcionado, seu coração já estava cansado (abraço, @fgraziani) da rotina inglória que veio depois daquele sonho frustrado em Gelsenkirschen. Os escoceses estavam tão desagradados com a contratação, que quiseram se livrar do pobre meia antes do esperado. Vivendo num filme de drama provavelmente dirigido por Paul Haggis, aceitou a oferta do Ankaragucu, onde foi o melhor jogador da Liga Turca e marcou 39 gols em 30 jogos. Mentira, ele só teve 12 aparições e ainda sim como reserva.
Enfrentando muitas lesões, deixou o chinelismo tomar conta e se tornou um grande exemplo de ex-jogador em atividade. Passou 2010-11 amargando (veja só voce) o banco do PSG B, entrando em campo em míseras duas ocasiões. Super chateado, arrumou suas malas e foi para o Bastia, na segundona.
Com pompa de capitão, ainda que fora de forma, e em 30 jogos, balançou as redes quatro vezes, finalmente tendo papel determinante numa campanha vitoriosa. Campeões da Ligue 2, os rapazes da equipe córsega conseguiram a promoção à elite, juntamente com Stade de Reims e Troyes. Aos 34 anos, Jerome parece estar perto da aposentadoria. De contrato até o fim da temporada 2012/13, pode estar fazendo seu último ano como profissional.
Simic fazendo o que mais gostava: pancadas não intencionais (Zimbio)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP
100 jogos pela Croácia. Três Copas do Mundo, três Eurocopas e passagens por dois dos maiores clubes italianos: este é o currículo de Dario Simic, que para muitos, ainda ficou devendo como zagueiro/lateral/volante/gandula/garoto do suco.
Nascido em Zagreb, o lugar mais óbvio para se dar a luz a um croata futebolista, o menino Dario deu seus primeiros botes na categoria de base do Dinamo, o clube mais óbvio para formar um croata futebolista, em 1992. Lá encontrou seu lar dentro de campo, na defesa. Servia bem como lateral direito, mas também jogava de zagueiro, improvisava de volante, até de líbero. Versátil o rapaz, logo virou peça chave no esquema dos plavi e em especial do professor Miroslav Blazevic.
Parceiro de figurinhas carimbadas como Tomislav Butina, Drazen Ladic, Mario Stanic e Goran Vlaovic, Simic conquistou cinco vezes o Croatão, que com muita justiça hoje deveria se chamar Liga Stana Katic de futebol profissional, ou Stanão, mas é só uma ideia idiota.
Com ou sem Stana Katic no nome, Dario e seus comparsas, os bad blue boys, ergueram o caneco da Liga em (anote aí também os números da Mega-sena): 1992-93, 1995-96, 1996-97, 1997-98 e 1998-99. 6-13-19-23-48-57. Um ganhador foi sorteado em Vilhena-RO. Da HNL Cup então, quatro vezes: em 1993-94, 1995-96, 1996-97, e 1997-98. E então, o ciclo do lateral se encerrou após o último troféu doméstico, com propostas da Internazionale. (Caceta, quase todos os dez últimos perfis que escrevi os caras passaram pela Inter, puta vida).
Foto: Posto Ipiranga (dãa)
Deveria ter ouvido aos suplícios de Mamãe Simic que dizia: Mas filho, cê vai pra Milão porcausdiquê? Qui em Zagreb cê ganha tudo, não tem pro Hajduk Split e nem pro Cibalia, num vai minino, num faz isso ca sua mãe. Entretanto, a gana de despontar como grande talento internacional seduziu o rapaz, que aos 24 anos, pegou mala e cuia e foi-se embora para o Giuseppe Meazza.
Reserva absoluto, o croata demorou a se adaptar ao estilo de jogo italiano e até apareceu bastante como substituto nos quatro primeiros anos de Inter. De marcação forte e bom desarme, pecava na saída de bola e constantemente deixava brechas na cobertura, ainda que não fosse um atleta muito ofensivo. Os passes também eram uma negação, talvez se só o encarregassem de evitar ataques do oponente, teria obtido mais êxito na equipe nerazzurri. Detalhe: jogou quase sempre como zagueiro.
Pela seleção croata ia bem, obrigado. Com participação discreta na Euro em 1996, realizando apenas um jogo, galgou sua posição como pilar defensivo dois anos depois, no Mundial da França. Somando seis aparições, incluindo a fatídica semifinal onde os donos da casa se beneficiaram de certa forma da arbitragem, e bateram os axadrezados por 2-1, com direito a tapa na cara por parte de Laurent Blanc e gol de Lilian Thuram. Parte da imprensa acredita que a Croácia é a campeã moral daquela competição (por parte da imprensa, entenda esse que vos escreve).
Ainda foi aos Mundiais de 2002 e 2006, sempre com a cota Simic na lateral, que só foi anulada em 2008, na Eurocopa, com a aparição de Vedran Corluka na ala direita. Dario foi mero coadjuvante no evento sediado na Áustria-Suíça. Mas voltando ao seu histórico por clubes, em 2002-03 virou a casaca em Milão para a indignação da torcida interista. (Mentira, ninguém fez nenhum tipo de objeção)
Ganhou espaço no Milan e era presença constante no segundo tempo, para
evitar maiores danos defensivos (Foto: football wallpapers)
No Milan mudou sua característica. Passou a jogar de lateral, como na seleção. Parte da campanha milanista vitoriosa na Liga dos Campeões de 2002-03 sobre a Juventus, nos penais, deu o azar de ser desfalque nas três derradeiras partidas. Machucado, não retomou a mesma forma nos anos seguintes e caiu de produção, servindo apenas para esquentar o banco de Cafu. (Xarope que só ele, passou a ficar incomodado com a situação e cornetou Carlo Ancelotti por ser esquecido nas profundezas da reserva). Até 2008 ficou num impasse e jamais conseguiu resgatar os velhos tempos de Dinamo, era agora o famoso gerente do banco rossonero.
A insatisfação que estava evidente fez com que ele buscasse novos ares. Em 2008, quando também perdeu a regalia na seleção nacional, aos 33 anos, percebeu que era hora de sair da Itália. O Monaco, que já era apenas a sombra daquele bravo esquadrão vice campeão europeu em 2004, abriu as portas e lá foi Dario em busca de uma última razão para comemorar. Bicampeão europeu, campeão da Serie A, Coppa Italia e Supercoppa com o Milan, motivação não faltava. Faltava era um elenco decente para os monegascos, que tiveram de se contentar em chegar em décimo-primeiro e oitavo, respectivamente nas temporadas de 2008-09 e 2009-10.
Bateu saudade de casa e em 2010 Simic retornou à Zagreb com uma música na cabeça: no dia em que eu saí de casa/ minha mãe me disse/ filho vem cá/ passou a mão em meus cabelos/ olhou em meus olhos/ começou falar e então teria seu último ano como profissional no lugar onde se consagrou, ao menos para os locais. Devia ter ouvido Dona Simic e continuado em casa, mas a ambição falou mais alto. Encerrando com dignidade a sua caminhada, venceu a Super Copa da Croácia e pendurou as chuteiras.
Nascido em Arnhem, o meia atacante Andy Van der Meyde começou sua trajetória no futebol em 1997-98, pelo Ajax. Sua boa movimentação e interação com o setor ofensivo eram seus pontos fortes. Impressionando os treinadores das categorias de base dos Godenzonen, o rapaz traçou bons passos e o fato de ser canhoto (característica bem vista por olheiros) facilitou esse avanço.
Aparecendo constantemente entre os titulares numa fase complicada da equipe de Amsterdã, Andy foi emprestado ao Twente em 1999-00. Seu retorno ao Ajax em 2000-01 foi fundamental para consolidar sua posição como titular. Com as peças certas, conquistou o título da Eredivisie em 2001-02 sob comando do treinador Ronald Koeman.
Em ação contra o Valencia na LC de 2002-03 (NRC.nl)
Inicialmente como ponta direita, começou a fazer sucesso na Holanda, vivendo seu auge durante a Liga dos Campeões de 2002-03, quando os godenzonen alcançaram as quartas de final (última vez, inclusive), perdendo para o Milan, que viria a levantar o troféu contra a Juventus numa final com disputa de pênaltis.
Aquele foi o último grande elenco do Ajax, diga-se de passagem: Hatem Trabelsi, Christian Chivu, Maxwell, Petri Pasanen, Tomas Galásek, Steven Pienaar, Rafael Van der Vaart, Wesley Sneijder, Jari Litmanen, Nigel de Jong, Zlatan Ibrahimovic e Mido (tá, ok, o último foi só pra causar impacto). A boa fase de Andy refletiu no seu maior número de gols em uma só temporada: foram 11 tentos em 28 partidas.
Negociado com a Internazionale em 2003-04, foi logo mostrando que se tratava de um flop. O estilo decisivo dos tempos passados já não estava mais lá, os gols tampouco, restou só a promessa de que iria retomar a boa forma no futuro. Em dois anos na Inter, entrou em campo apenas 32 vezes, se tornando um reserva de luxo no esquema de Roberto Mancini, treinador nerazzurri em 2004-05.
Ainda sim ganhou uma chance de fazer parte da Holanda que disputou a Eurocopa de 2004, perdida nos penais para a República Tcheca nas quartas de final. Já ameaçando descer a ladeira daqueles que brilham e não mantém a performance, Van der Meyde decidiu se transferir para o Everton após mais um fiasco interista. A eliminação frente o Milan (também) nas quartas de final da LC de 2004-05 (aquele mesmo do sinalizador na cabeça do Dida, e tal) motivaram o meia a procurar sua reabilitação na Inglaterra.
Ligeiramente fora de forma e com problemas de comportamento,
Andy mostrou seu lado revoltadinho ao abdicar da cabeleira
e ficar completamente careca (Foto: Daily Mail)
Nos Toffees, piorou. Repetidas lesões e escassas atuações fizeram com que Andy passasse quase quatro temporadas só assistindo do banco de reservas. Jornais especulavam que ele agora tinha problemas com alcoolismo, o que sempre foi negado com veemência pelo holandês, muito embora meses depois ele tenha dado entrada num centro médico em Liverpool com certa quantidade de álcool no sangue. Fato é que ele raramente exercia seu ofício.
Cotado para voltar ao Ajax, afirmou várias vezes estar contente (claro, vamos tomar isso como verdade) no Goodison Park. As manchetes e a sua ausência na escalação do Everton diziam totalmente o contrário. Somente em 2008-09 desfez sua ligação com o clube, ficando alguns meses na geladeira até ser contratado junto ao PSV, onde lamentavelmente não faria nenhum jogo oficial. Detalhe: não marcou um gol sequer nas quatro temporadas em que esteve na Premier League.
Tiozão do churrasco no Emmen, Andy desfila a pança na terceirona holandesa
Foto: RTVDrenthe.nl
Chegou a se aposentar em 2009-10 após o fracasso no PSV. Aceitou o convite do WKE Emmen, que joga na terceira divisão holandesa e por lá joga até hoje, provavelmente se sentindo em casa e sem a vistosa cabeleira de outrora.
Com a camisa do Hamburgo, Felix Magath se consagrou, chegando até mesmo a ser campeão da UEFA Champions League (Foto: Getty Images)
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP
Nos dias de hoje, quem olha a carrancuda figura de Felix Magath, atual treinador do Wolfsburg, tem conhecimento dos seus métodos ditatoriais não consegue imaginar que o hoje mais do que exigente técnico já foi um dos principais jogadores da história do futebol alemão. Apresentando-se como um meio-campista de muita técnica e habilidade, marcou época nos anos '70.
Nascido na cidade de Aschaffenburg, Magath despontou no futebol profissional no futebol profissional em 1972. Até então com 19 anos, defendeu o modesto Viktoria Aschaffenburg, clube de sua cidade. Passados dois anos, a equipe de era pequena demais para um jovem que sonhava alto no futebol. Foi decretada sua transferência para o Saarbrücken que, na época, disputava a 2ª divisão da Bundesliga. Como já era esperado, ele conseguiu destaque na divisão de acesso e chamou a atenção do Hamburgo, que acabou o arrematando no ano de 1976.
Passando por um período de calvário em sua história, os Rothosen buscavam se reerguer e logo em sua primeira temporada no clube, Magath mostrou que poderia ser uma peça fundamental para o HSV ao ser uma das peças-chaves do time no título da já extinta Taça das Taças UEFA. O meia inclusive marcou um dos gols da vitória por 2 a 0 sobre o Anderlecht na final da competição. Ainda naquela época, o Hamburgo acabou sendo vice-campeão da Supercopa da UEFA ao empatar com o Liverpool em 1 a 1 na partida de ida da decisão da competição e levar um acachapante 6 a 0 na volta.
Aos poucos, o talentoso jogador ia se consolidando cada vez mais na Alemanha, visto que já colecionava convocações para a seleção nacional. No Hamburgo, a temporada 1978-79 foi importantíssima graças ao fato de que com as chegadas de Branko Zebec e Ernst Happel, Magath teria outros companheiros de alto nível podendo auxiliar a levar o seu clube a um posto de alto nível. Logo na primeira temporada do trio dinâmico, o título da Bundesliga foi conquistado.
Em 1980, Magath compôs o elenco da Nationalelf que acabou sagrando-se campeã da Eurocopa, contudo, o foco do jogador estava mesmo era em seu clube e na temporada 1981-82 ele voltaria a erguer a salva de prata, o que ajudou a diminuir a lamentação pelo fato do Hamburgo ter ficado com o vice-campeonato da Copa da UEFA ao perder para os suecos do Göteborg na final.
Eis que podemos usar o clássico ditado: depois da tempestade vem a bonança. Após o tropeço na final da Copa da UEFA, a temporada 1982-83 marcaria a redenção daquele grande time do Hamburgo e do nosso personagem em destaque. Com grande ajuda do Craque de hoje, os alemães fizeram uma grande campanha na Liga dos Campeões e chegaram até a final contra a grande Juventus de Paolo Rossi, Platini e Boniek. Na grande decisão, onde os Rotthosen eram franco atiradores, Felix Magath acertou um grande chute de fora da área, marcando o único tento da partida e assegurando o título para sua equipe. De fato, a glória máxima na carreira do tão habilidoso meia, que ainda nessa temporada viria a conquistar mais uma Bundesliga.
Após o título da LC, Magath e seus companheiros acabaram por ficar com dois vice-campeonatos no ano de 1983. Na Supercopa da UEFA, após um empate de 0 a 0 na ida, os escoceses do Aberdeen venceram na volta por 2 a 0 e conquistaram o campeonato. Na Copa Intercontinental, o adversário era o Grêmio de Renato Gaúcho que venceu por 2 a 1, com direito a gol no último minuto do falastrão que já teria dormido com mais de 5 mil mulheres.
Felix seguiu jogando até o ano de 1986, sempre no Hamburgo. Até que até então com 33 anos, decidiu pendurar as chuteiras, partindo para a carreira de técnico e deixando um legado como um dos maiores jogadores da história dos Rothosen e do futebol alemão.
Jogadores do Milan vibram com o título da Liga dos Campeões 1993-94 (Foto: Getty Images)
Por: Felipe Ferreira (@felipepf13)
De Araçatuba/SP
18 de maio de 1994. A data era marcada para fazer com que o Dream Team do Barcelona comandado por Cruyff e com atletas como Ronald Koeman, Pep Guardiola, Hristo Stoichkov, Romário, entre outros, entraria para a história como um time imortal, praticamente imbatível. No entanto, o destaque maior dessa noite é o fato da tão comentada equipe ter visto seu grande sonho e seu encanto terem sido "assassinados" pelo Milan, treinado por Fabio Capello, que em seu plantel tinha Paolo Maldini, Franco Baresi, Roberto Donadoni e Dejan Savicevic na final da Liga dos Campeões de 1993-94.
A campanha de ambos durante a competição havia sido excelente. Era notório que as duas equipes possuíam os melhores planteis da Europa e um confronto direto pelo título era questão de tempo.
Dono de um estilo de jogo tipicamente italiano, baseado na forte marcação e na frieza em decidir confrontos em poucos lances, o Milan de Fabio Capello era um esquadrão com uma eficiência enorme. Enquanto isso o Barcelona de Johan Cruyff vinha cercado de alardes, visto que o Dream Team era considerado por muitos como uma das melhores equipes de todos os tempos e, de certa forma, imbatível.
Às vésperas da decisão, a imprensa europeia dava pleno favoritismo ao lado culé, condição que era considerada até mesmo entre a comissão técnica e os atletas blaugranas. A forma com o que tratavam o Barça mostrava que os títulos dos catalães eram apenas questão de tempo, ainda mais que o adversário da grande decisão não poderia contar com Franco Baresi e Alessandro Costacurta, tão importantes durante toda a competição e que acabaram por levar o terceiro cartão amarelo na semifinal contra o Monaco.
Até que chegou o épico dia 18 de maio. Os olhos estavam todos voltados para Atenas. Será que seria possível parar o Dream Team do Barcelona? Era o questionamento que todos faziam. Poucos colocavam fé naquele Milan de defesa desfalcada, e que já não podia contar mais com Marco Van Basten, além de ter uma das maiores sensações do futebol europeu, Gianluigi Lentini, no estaleiro.
1° tempo: O Dream Team para na barreira do Milan do oportunista Massaro
O início tenso evidenciava o clima de decisão. O Barcelona jogava com a marcação adiantada, pressionando fortemente a saída de bola do Milan e trabalhando bem a bola, bem ao estilo da equipe atual. Enquanto isso, os italianos buscavam marcar forte e surpreender nos contra-ataques, impulsionados pelos pontas (Zvonimir Boban e Donadoni), além do sérvio Savicevic condicionando as jogadas.
Com a figura de Romário bem anulada por Maldini, a válvula de escape dos blaugranas acabou por ser as boas jogadas de Stoichkov oriundas do lado direito do campo. Contudo, os rossoneros conseguiam criar ofensivas perigosas, deixando claro que o Dream Team não era tão superior como muitos pregaram nas vésperas do duelo.
Jogando de maneira brilhante, Savicevic era responsável pelas melhores iniciativas do Milan, que ditava bem o ritmo da partida e merecidamente conseguiu chegar ao gol. O craque da antiga Iugoslávia desceu pela direita, deixou Nadal no chão e tocou na medida para Daniele Massaro empurrar para as redes. Estava aberto o placar no Estádio Olímpico de Atenas.
Em desvantagem no marcador, o Barça saiu mais para o jogo, porém, os comandados de Fabio Capello seguiam marcando forte e ditando o ritmo do confronto, apesar de que nada estava decidido, mas, as coisas se colocaram de maneira ainda mais favorável aos italianos antes do intervalo. Nos acréscimos da etapa inicial, Donadoni caiu muito bem pela ponta direita, sempre nas costas de Nadal, e tocou para Massaro novamente aparecer, aumentando a vantagem dos rossoneros.
2° tempo: A surpresa se confirma
A metade final serviria para definir a grande surpresa ou a prova de tamanha eficácia do Barcelona comandado por Cruyff. Contudo, logo nos primeiros minutos o destino já desenhava sua escolha.
Pouco mais de dois minutos de jogo no segundo tempo, Nadal volta a dar mole, Savicevic se aproveita e, mesmo sem ângulo, finaliza de maneira espetacular, encobrindo Zubizarretta, confirmando sua tamanha genialidade e ressaltando que os deuses do futebol apontaram para o Milan, visto que tudo dava certo para os italianos, que se desdobravam em campo visando a glória máxima.
Perdido em campo, o Barcelona se rendia a espetacular atuação do rival, que avançava com facilidade e via Savicevic dar show a frente da defesa blaugrana. Ainda haveria mais um tento para aumentar a goleada e tornar a vitória ainda mais brilhante: a defesa catalã deu mole na linha de impedimento, Desalilly se aproveitou, saiu na cara do goleiro e fazia 4 a 0, deixando todos os fãs de futebol pasmos com a fabulosa atuação milanista.
Após o quarto tento, a partida esfriou. Não houveram mais tantas jogadas de efeito e muito menos qualquer lance que pudesse trazer maiores surpresas. Todos pararam e apenas aplaudiam aquela partida do Milan de Capello, atuação considerada por muitos como a melhor na história de uma Liga dos Campeões.
O que todos esperavam, passou longe de acontecer. Impiedosa goleada de 4 a 0 do Milan sobre o Barcelona e a taça da UEFA em San Siro.
Milan: Rossi; Tassotti, Galli, Maldini (Nava) e Panucci; Albertini, Desailly, Boban, Donadoni e Savicevic; Massaro. Técnico: Fabio Capello
Barcelona: Zubizarreta; Ferrer, Koeman, Nadal e Sergi (Estebaranz); Bakero, Guardiola e Amor; Stoichkovc, Romário e Begiristain (Estebaranz). Técnico: Johann Cruyff
Gols: Massaro, aos 22' e 47' do primeiro tempo; Savicevic, aos 2', Desailly, aos 13', do segundo tempo
Na história recente do futebol originado nas nações ex-Iugoslávia, as glórias clubísticas e os craques formados nas três potências (Dinamo Zagreb, Partizan e Estrela Vermelha) se espalharam pelo mundo e foram bem sucedidos em sua maioria. Um dos exemplos mais célebres deste sucesso certamente é Predrag Mijatovic, formado no alvinegro de Belgrado no final da década de 1980
Se fosse possível definir Henrik Larsson em uma só palavra, ela seria VENCEDOR. O sueco foi vitorioso por onde passou, sempre dando o ar de seu talento até os últimos dias em que jogou futebol profissionalmente. Como se não bastasse a sua competência, era carismático e durante grande parte das décadas de 1990 e 2000 ostentou um rastafari que virou marca registrada.
Tudo começou em 1989, no Högaborgs, na Suécia, onde deu seus primeiros chutes. O faro de gol era apuradíssimo, o que fazia dele um grande nome a despontar no cenário escandinavo, que com exceção da Dinamarca, atravessava tempos inglórios antes de entrar nos anos 90. Uns podem lembrar daquele Göteborg bicampeão da Copa UEFA em 1982 e 1987, mas a verdade é que o futebol sueco em especial não gerava grandes nomes como antigamente. Em divisões inferiores, Henrik mostrava ao país que queria ser especial.
Foto: Yangin Cikisi
Até 1991 permaneceu no Högaborgs, quando recebeu em 1992 um convite do Helsingborgs, que lutava para deixar a segunda divisão local. Missão cumprida: com 34 gols em 31 aparições, Larsson foi vital para o acesso da equipe das vacas leiteiras. A boa sequência foi mantida, ainda que em menor número do que o ano anterior. Foi em 1993 que ganhou sua primeira chance na seleção sueca e o olhar atento do Feyenoord.
Em Roterdã virou xodó da torcida e presença constante no selecionado nacional. Sua melhor performance no De Kuip foi em 1994-95 quando encaixou 16 tentos em 38 partidas. Nada perto do que havia conseguido no Helsingborgs, mas ainda sim provara que tinha sim muita capacidade de figurar entre os grandes atacantes da época. A fama veio em definitivo após a bela participação na Copa de 1994, nos Estados Unidos.
Foto: FIFA.com
Entrando como reserva em quatro confrontos e ganhando a titularidade no derradeiro duelo do terceiro lugar contra a Bulgária, o até então cabeludo deixou sua marca quando teve a chance. Suas convocações eram quase que obrigatórias. Atravessava grande fase na Eredivisie, quando em 1997-98 recebeu uma boa proposta para jogar no Celtic. Foi artilheiro quase que instantaneamente, sempre em alto nível para mostrar que era a maior referência de gols na liga escocesa.
Os assombrosos números mostram a temporada 1998-99 como divisor de águas na carreira de Henrik. Somando 38 tentos em 48 partidas, logo no início da próxima época que disputaria pelos bhoys, sofreu uma grave lesão. Em meados de outubro de 1999, o Celtic enfrentava o Lyon pela Copa UEFA. Numa dividida com Serge Blanc, Larsson quebrou a perna em dois lugares, ameaçando um futuro ainda mais vitorioso. A preocupação geral passou a ser se ele recuperaria a boa forma depois dessa contusão, quando ficou cerca de oito meses afastado dos gramados.
Superando os próprios limites, Larsson deu a volta por cima após lesão e reinou
absoluto no Celtic, onde sempre será lembrado pelos seus feitos (Telegraph)
Assistindo grande parte da temporada 1999-00 de casa, Henrik sabia que a hora para se reafirmar novamente estava próxima. Retornando ao seu posto no ataque do Celtic em 2000-01, emplacou 53 gols em 50 jogos, seu recorde pessoal. Até 2004, quando defendeu as cores do alviverde de Glasgow, Larsson ergueu quatro campeonatos locais, duas FA Cup, e três taças da liga. Já aos 33 anos, foi para o Barcelona, que queria mais experiência no seu setor ofensivo. Mesmo como reserva, continuou a sequência de títulos.
Durante o período de um ano e meio que passou pelo Camp Nou, levantou dois campeonatos espanhois (2004-05, 2005-06) e uma Liga dos Campeões em 2005-06. Forçado por sua idade a adotar um estilo mais cerebral, entrava pouco, mas de forma eficiente. Passou a ser uma espécie de talismã blaugrana, ocupando a posição de segundo atacante. Vendo a aposentadoria de perto, retornou ao Helsingborgs em 2006.
Evidente que a capacidade de balançar as redes continuava a mesma. Dois mundiais (2002 e 2006) e três Eurocopas (2000, 2004 e 2008) depois, ainda tinha prestígio o suficiente para ir jogar no Manchester United, que caminhava para mais uma final europeia, em 2007. Os planos foram frustrados pelo Milan de um explosivo e decisivo Kaká, nas semifinais. Larsson não chegou a fazer nem 15 aparições e voltou para a Suécia, onde encerraria sua carreira no Helsingborgs. Capitão e homem gol das vacas leiteiras uma vez mais, parou em 2009, quando marcou 10 vezes em 22 oportunidades. Um legítimo matador.
O protagonista desta semana na Fomos campeões não foi destronado de qualquer forma, como grandes formações vitoriosas em campo. Quem acompanha futebol europeu está cansado de saber que mesmo com esquadrões quase perfeitos, a tarefa de ser campeão continental de forma consecutiva é dura. Que diga o Barcelona de Romário e Stoichkov, o Manchester United de Cristiano Ronaldo, o Barcelona de Lionel Messi e até a Internazionale de Eto´o.
A saga dos marselhanos começou em 1986, com o presidente Bernard Tapie, eleito na oportunidade. Com investimentos faraônicos, Tapie foi gastando o quanto podia para montar um grande time, praticamente do zero. Mal sabia ele que estava iniciando uma tendência no futebol europeu. Hoje grande parte dos clubes pequenos (não que fosse o caso do Olympique) conta com ricaços em seus cargos mais poderosos.
A cada temporada que se passava, o elenco transmutava, e até o primeiro título da Liga Francesa de sua gestão, foi preciso apenas dois anos. A primeira época em que tinha a nova diretoria, terminou com uma segunda colocação, atrás do Bordeaux, com quatro pontos a menos do que a equipe campeã. Karl-Heinz Forster, François Domergue, Alain Giresse e Jean-Pierre Papin foram os principais novos destaques dentre o grupo.
Em 1987-88, Yvon Le Roux, Abedi Pelé, Benoít Cauet, Bernard Genghini e Klaus Allofs chegaram para dar segmento ao processo de fortalecimento do selecionado marselhano. Todavia, muito dinheiro e muitos jogadores não entrosados, acabaram minando as chances do Olympique na temporada, que terminou apenas na 6ª posição, tendo o Monaco como grande vencedor da Liga.
Foto: lvironpigs
O primeiro triunfo celeste, e tecnicamente de Tapie, também, veio em 1988-89, superando o PSG por dois pontos. Astros como Alain Boghossian, Eric Cantona, Gaetan Huard e Franck Sauzée chegaram e conseguiram fazer a diferença. Com isso, o Olympique ganhou a chance de disputar a Liga dos Campeões no ano seguinte, e não fez feio. Bateu o Dinamo Tirana, Lech Poznan, e o Milan nas quartas-de-final. Com um plantel “estelar”, não era lá uma grande surpresa o progresso francês na Liga. A semifinal não foi desafiadora, e o Spartak Moscou foi a última presa fácil, tanto na ida quanto na volta. Por 3-1 e 2-1, respectivamente.
Na primeira grande decisão continental do Olympique, em 1990-91, a torcida foi em peso até o estádio San Nicola, em Bari, para prestigiar o cotejo contra o Estrela Vermelha, valendo a “coroa” de melhor time europeu da temporada. Um duelo especial para Dragan Stojkovic, meia/atacante iugoslavo que foi formado no clube sérvio e agora alinhava pelo Marseille. Stojkovic acabou entrando somente na segunda etapa de uma decisão dramática. Um 0-0 levou o confronto para as penalidades, vencidas por 5-3 pela agremiação alvi-rubra do Estrela Vermelha.
Derrota para o Estrela Vermelha adiou o sonho alviceleste na LC
Foto: Minhas camisas
O ano seguinte não reservou surpresas europeias para o Marseille, que caiu logo na segunda fase, perdendo para o Sparta Praga, na temporada 1991-92.
Finalmente sopraram bons ventos na época seguinte. Chegaram ao elenco: Fabien Barthez, Jocelyn Angloma, Marcel Desailly, Martín Vázquez, Didier Deschamps, Jean-Marc Ferreri, Alen Boksic, François Omam-Biyik, Rudi Völler, além dos já estabelecidos Mozer e Chris Waddle. Em 1992-93, a caminhada na LC começou contra o Glentoran, sem grandes dificuldades, os franceses atropelaram o time da Irlanda do Norte, com duas vitórias, uma por 5-0 e outra por 3-0. Na segunda fase vieram os romenos do Dinamo Bucareste, que venderam caro a classificação, com um empate sem gols na ida e uma derrota por 2-0 na França, selando o avanço marselhano para a fase de grupos.
Eram duas chaves com quatro clubes, o melhor de cada uma avançaria para a grande final, a ser jogada no Olímpico de Munique. O Marseille fez 9 pontos, com três vitórias e três empates (a vitória somava apenas dois pontos). Com a primeira posição dentre Rangers, Club Brugge e CSKA Moscou, nossos protagonistas conquistaram o direito de enfrentar o Milan na final.
No dia 26 de maio de 1993, a Liga dos Campeões seria decidida. O estádio lotou para o espetáculo. Alinharam pelo Marseille: Barthez, Boli, Angloma, Desailly, Eydelie, Di Meco, Deschamps, Sauzée, Boksic, Pelé e Völler. Pelo lado rossonero: Rossi, Tassotti, Maldini, Baresi, Costacurta, Rijkaard, Donadoni, Lentini, Massaro e Van Basten.
Foto: AC Milan blog
Foi uma peleja assaz disputada, com muita solidez apresentada pelas duas defesas, apesar dos lances perigosíssimos. Pelo Milan, Massaro e Van Basten não estavam se entendendo. Em um contra-ataque, o italiano correu com a bola em direção à área de Barthez, sozinho e com Van Basten em posição legal. A tentativa foi por água abaixo quando ele demorou para realizar o passe, dando tempo para os marselhanos se recompor. O Olympique também teve a sua chance de abrir o placar, com Völler e Boksic, mas o croata não acertou o alvo no rebote dado por Rossi.
Aos 44’ do primeiro tempo, Pelé recebeu passe de Sauzée e conduziu a pelota até a linha de fundo, onde tentaria achar um companheiro livre. Antes disso, Maldini conseguiu o desarme botando a bola para escanteio. O mesmo Pelé foi para a bola e acertou na medida para Boli subir mais que o defensor milanista e fazer o único tento da tarde/noite alemã. 1-0 Marseille, que só administrou a vantagem, com o excelente Barthez em grande atuação. Ao apito final, Deschamps levantou a taça e fez com que sua equipe fosse a única francesa a conseguir o título da Liga dos Campeões, até os dias atuais. O adversário no Mundial Interclubes seria o São Paulo, se a Federação Francesa não tivesse descoberto um esquema nas jornadas finais do Campeonato Francês daquela temporada.
O Olympique também venceu a sua liga doméstica, mas com ressalvas. Em 1994, foi revelado que alguns jogadores do Valenciennes, adversário dos celestes na reta final da competição nacional, teriam sido abordados pelo meia Jean-Jacques Eydelie, de forma que “não oferecessem resistência para a vitória, que jogassem limpo, evitando contundir os atletas do OM”, que estavam às vésperas do embate contra o Milan. Entre o grupo que revelou o suborno, estava Jorge Burruchaga, campeão do mundo em 1986 com a Argentina, que à época era um dos principais nomes do Valenciennes.
Foto: Top-people
O escândalo ficou conhecido como “L´affaire VA-OM” em alusão aos dois envolvidos. E é preciso dizer que a punição foi severa para os marselhanos: cassação do título francês de 1992-93, rebaixamento para a Segunda divisão, (onde teve de permanecer por dois anos) impossibilidade de disputar o Interclubes de 1993, SuperCopa Europeia de 1993 e a Liga dos Campeões 1993-94. O rebaixamento foi ocasionado por irregularidades fiscais que se somaram a todo o caos.
O presidente em questão, Bernard Tapie, foi condenado por cumplicidade em corrupção, além de suborno de testemunhas, entre outros crimes como sonegação de impostos. Estranhamente (ou não) Tapie ficou na cadeia por apenas seis meses, durante o ano de 1997, e anos depois se filiou ao Partido Radical de Esquerda na França.
Jogos
1a Rodada
Glentoran 0-3 Marseille
Marseille 5-0 Glentoran
2a Rodada
Dinamo Bucareste 0-0 Marseille
Marseille 2-0 Dinamo Bucareste
Grupo A
Rangers 2-2 Marseille
Marseille 1-1 Rangers
Marseille 3-0 Club Brugge
Club Brugge 0-1 Marseille
CSKA 1-1 Marseille
Marseille 6-0 CSKA
Final, 26 de maio de 1993 - Olímpico de Munich (Olympiastadion)