terça-feira, 31 de julho de 2012

PES 2013: Ainda falta muito

Neymar virtual está idêntico ao original, tanto na aparência
quanto na ginga e movimentação  (Foto: Christian Post)


Lançada nesta terça-feira para a PSN americana (lar de muitas contas de brasileiros), a demo de Pro Evolution Soccer 2013 prometeu inovar o dobro do que fez na versão anterior e tentar fugir um pouco da irritante comparação com a série FIFA.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Pau no cu do 0x0

Luís Fabiano acabou com o Flamengo na volta de Rogério Ceni
Foto: Globoesporte.com
Rodrigo Salvador, @novosomsalvador
[Uma coisa que eu nao gosto muito é gente que tira sarro. Sabe eu acho meio bobo e HAHAHAHHAHAHA JOSÉ CADÊ O GREMIO CADÊ HAHAHAHA VAI LÁ LESIONARDO NA CATIGURIA QUE GOLAÇO HAHAHA JOSÉEEEEE eu fiz um air guitar em sua homenage no gol do Ayrton josé, e ainda chupinharam o gol do Roberto que não tava impedido HAHAHA JOSE UM ABS]

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vilão especialmente convidado

Tolói fez um golaço, pena que ninguém estava vendo Foto: Globoesporte.com
José, @zenascimento

Olá, pessoal, como estão todos? O público dessa revista talvez não me conheça. Então, se quiserem saber mais sobre mim, twitter.com/zenascimento. Ali estão minhas credenciais (não recomendo). Mas vamos direto ao ponto: o El (Rodrigo Salvador) (como vocês devem ter percebido) e eu vamos escrever por aqui sobre o Brasileirão, a pedido do @portesovic.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

TF História: Ele é perigooooooooso, acabou!

Foto: Pase del desprecio
Lá em 1996, quando o futebol brasileiro ainda vivia o êxtase do tetracampeonato pelos pés de Romário, Bebeto e aquela turma lá, a expectativa era ganhar a primeira medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

De volta à Revista Total Seedorf Football‏

Foto: Globoesporte.com
Rodrigo Salvador, @novosomsalvador

O bom filho à casa torna, dizem. E pelo jeito o filho que só fala merda também, porque eu voltei pra TF. Ano passado o chefe Portes falou assim: "Sal, [obs: já falei que tenho dúvidas a respeito da orientação sexual de quem me chama de Sal ou Salva, mas isso é apenas uma obs] rola de escrever pra gente na TF sobre o Brasileirão?" Topei de boa. O que aconteceu? O Coxa empatou com o Bahia, 0x0. E é nesse clima ~revival~ que eu volto pra cá (re)começando os trabalhos com um "puta que la merda galera taloco" .

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A hora chegou

Foto: Portal das notícias




Doze anos. 12. Douze. D-O-Z-E. DOZE. Foram doze anos sem uma conquista além das fronteiras estaduais. Na noite de 11 de julho de 2012, doze, douze, 12, D-O-Z-E, DOZE, o Palmeiras conquistou em cima do Coritiba a sua segunda Copa do Brasil. Com muito mais sofrimento do que diante do Vasco, no Troféu Rio-São Paulo lá em março de 2000, o alviverde imponente finalmente honrou a alcunha. Foram tempos dolorosos em que perdemos até (temporariamente, que se diga) o nosso lar no Parque Antártica. 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Joga, Coritiba

Foto: Band
Ana Claudia Cichon, @anacichon

22 pares de pernas e uma bola. É só isso que os meus olhos vão enxergar a partir das 21h50 desta quarta-feira. Os meus e os dos mais de 30 mil coxas-brancas que estarão no Couto Pereira, plenos, idealizando o título que bateu na trave no ano passado.

Lei de Gérson na Série C

Presidente do Treze, ao centro, num dos capítulos da lamentável briga
extra-campo por uma vaga na Série C (WArepórter)




Desde o mês de maio, a credibilidade da CBF em relação aos seus campeonatos das Séries C e D tem sido colocada em xeque, semana após semana. Como se não bastasse o período de "transição" de Ricardo Teixeira para José Maria Marin, a confederação mostra não ter pulso firme para decidir os rumos das competições, em especial a Série C, que segue com um asterisco, a caminho da terceira rodada.

domingo, 8 de julho de 2012

Não convence?

Ramos e Puyol durante a derrota espanhola para os EUA na
Copa das Confederações em 2009 (Foto: Globoesporte.com)
Felipe Portes, @portesovic
De Subotica-SRB

O futebol apresentado pela Espanha desde o título da Copa de 2010 ainda gera discórdia nas mesas redondas e nas redes sociais. Grande parte acha que é melhor e mais eficiente estilo de todos (o que é a minha opinião, apesar de alguns jogos em que a Fúria não mostra as suas garras) e muito acima dos principais rivais, no caso Alemanha, Holanda, Uruguai, Argentina e Brasil (não necessariamente nesta ordem).

É engraçado reparar que a massa que não acompanha todos os jogos tende a somente elogiar ou constatar esse fato após um ou mais títulos. Durante a decisão da Euro 2008, diziam que sim, fez 90 minutos superiores aos germânicos. Imponente, o esquete espanhol foi disputar a Copa das Confederações na África do Sul em 2009 como apenas uma grande promessa, não o time a ser batido. Ao menos isso era o que os leigos imaginavam, enxergando que a maior força era o Brasil, futuro campeão do torneio.

Com nove pontos na fase de grupos, goleando a Nova Zelândia por 5-0, vencendo o Iraque de forma suada por 1-0 e por fim derrotando os donos da casa por 2-0, avançando para as semifinais contra os Estados Unidos. Parecia que a prova de fogo para os ibéricos era despachar os yankees e enfrentar o Brasil, arrogantemente apontado como favorito até para o Mundial que chegaria no ano seguinte.

Sem muito esforço, é possível lembrar que o rótulo de amarelona ainda era usado e abusado pela mídia pacheca, numa tentativa de tentar desmerecer o emergente selecionado espanhol. Na derrota para os americanos por 2-0, em atuação monstruosa de Dempsey, esse rótulo foi vendido para quem quisesse ver: a Espanha ainda precisa comer muito arroz e feijão para se tornar uma potência mundial. 

Escapando do duelo contra os canarinhos, Xavi, Iniesta, Torres e Casillas seguiam sendo subestimados pela crítica, enquanto a turma de Luís Fabiano, Júlio César, Dani Alves e Kaká levantava o caneco com uma admirável virada em cima dos EUA. Desnecessário comentar que o título fez muito mal aos brasileiros, que continuaram pensando que estavam por cima da carne seca.

Um ano depois, agora valendo algo relevante, a Copa do Mundo se desenrolou na terra dos Bafana Bafana. Todos voltaram novamente seus olhares ao time de Del Bosque, que enfrentou uma retranca medonha da Suíça de Ottmar Hitzfeld na estreia, perdendo por 1-0. Mesmo com um bombardeio no segundo tempo, o placar não saiu do prejuízo para a Fúria. Novamente, aquele papo de que "eles nunca estarão prontos para a Copa" transbordou a crítica e os céticos pintaram e bordaram.

Como todos sabem, a Espanha se reconstruiu e prevaleceu até a decisão contra a Holanda, vencendo com um gol de Iniesta no fim da prorrogação. Só a partir daí que a maioria passou a enxergar com outros olhos a dominação. Afinal, ninguém espera a inquisição espanhola. Dois anos depois, o papo é o mesmo. Será que eles são tudo isso mesmo?

Desta vez, diferentemente, o ponto de discórdia girou em torno da dedicação dos atletas ao jogo. É mais do que evidente que se trata do melhor grupo que o mundo pode ter atualmente, mas por alguma razão (já vou mais além) se segurava no ataque e quase não arriscava ao gol, teoria comprovada contra a Itália (primeira fase), Croácia, França e Portugal. O que não quer dizer que não tiveram posse de bola ou muito menos a chance de definir o placar. Agora o "defeito" da Espanha era passar demais perto da área e não finalizar.

A conduta de segurar demais a posse e não concluir irritou a quem queria um jogo mais franco e objetivo por parte de Xavi e seus comparsas. Uns dizem que é arrogância, outros dizem que a superioridade e a inteligência da seleção chegou a tal nível que já consegue avaliar com frieza o que é necessário para obter a vitória. Este que vos fala, no caso, tem a opinião que até a finalíssima contra a Itália, a Espanha executou o seu mínimo esforço, tendo sim condições de ao menos ter marcado três vezes em cada adversário.

Derrubando todos os prognósticos e voando para garantir o seu terceiro troféu da Euro, parece que agora, mais do que nunca, a parcela de pessoas que criticava e contestava o sucesso da Fúria, sossegou. Em quatro anos, duas conquistas europeias, uma Copa do Mundo e a certeza de que quase o mesmo elenco disputará o Mundial de 2014, no Brasil. Resta saber qual modalidade de corneta a Espanha irá enfrentar daqui em diante. 

Por fim: para este escriba, La Roja beira a perfeição. Seria ideal que entrassem em cada partida com 100% de seu potencial, vontade e poder de decisão, especialmente em torneios de tiro curto. Mas até aí, que campeão foi absoluto, incontestável e imaculado na história do futebol? Em diferentes patamares e formas, Espanha e Barcelona escrevem páginas fantásticas e gloriosas no esporte. Bobo é quem não se vê como privilegiado de poder acompanhar essa grandiosidade.




sábado, 7 de julho de 2012

Saudade da várzea

Dental (grená) x Vila Musa/Curitibanos (alviverde) Foto: Arquivo pessoal
Felipe Portes, @portesovic
De Ourinhos (saudades)-SP

Lá em 2010, quando a Espanha ainda não era campeã do mundo, o Corinthians não era campeão da América e muito menos o Chelsea era campeão europeu, a edição do Campeonato amador de Ourinhos foi o meu maior projeto como estudante de jornalismo e repórter do Jornal da Divisa. Cobri fazendo fotos e as crônicas de todas as rodadas, até a decisão entre União Barra Funda x Nacional Itajubi, em que o primeiro venceu por 2-0.

Durante oito meses que trabalhei lá, e já devo ter dito isso em algum outro lugar, aprendi um pouco de tudo que alguém da profissão precisa. Enfrentei a falta de estrutura, de pautas, de criatividade, de orientação e de experiência. Não creio de verdade que tenha passado por algo que fosse desmotivador. Ainda guardo algumas fotos, mas as anotações devem ter ficado na casa de mamãe, como outro universo de coisas que não consegui trazer.

Pois bem, foram várias as lições ensinadas nos gramados do Clube Atlético Ourinhense, onde eram realizadas as partidas, sempre nos domingos à tarde. Eram doze equipes divididas em dois grupos, onde os quatro melhores de cada chave avançavam até as quartas de final. Para um campeonato amador, a organização foi bem feita, sem tapetões como os que vemos por aí na Série C nacional. 

Numa terra em que quem joga em 90% das vezes não recebe por isso, a vitória passa a ser questão de honra, de tradição. Sem a motivação financeira, você sabe que quem está ali suando e correndo realmente ama o que faz. Os esquetes mais tradicionais eram o Gazeta, o Manchester (da Vila Manchester), o São Cristóvão e o União, que atualmente mantém a hegemonia local, de acordo com o que fui informado recentemente. 

Manchester (vermelho/branco) x Pacheco Chaves (amarelo/preto)
durante a primeira fase: Manchester foi a decepção do certame
No meio de tantas batalhas para dominar o cenário ourinhense, me lembro claramente que em quase nenhum dos jogos se via o desinteresse, a pasmaceira. Evidente que o nível técnico não era um primor, mas não faltava vontade, o que ficava claro em divididas na lateral, quase sempre marcadas por carrinhos ou discussões com o técnico e banco adversários. 

Não está ao vivo, Paulinho
Algumas histórias engraçadas desses oito meses podem ser contadas aqui. Coisas que certamente já aconteceram nos maiores torneios desse país. A começar pelo treinador do Manchester, que me concedeu uma entrevista no primeiro dia do Amador. Cheguei perto com o meu celular e pretendia gravar a repercussão dele a respeito do 0-0 inaugural dos alvirrubros, que tanto investiram para formar um plantel competitivo. 

E então, o professor pensou que estava ao vivo em alguma rádio, saudando os ouvintes e a equipe, dando um parecer que Wanderley Luxemburgo, Celso Roth e Hélio dos Anjos nunca fariam melhor. Deixei a situação ficar embaraçosa por ao menos dez segundos, segurando o riso, até que não pude mais evitar e contei a triste verdade, que se tratava apenas de uma gravação. Os atletas, logo ao lado, também não aguentaram e tiraram o maior sarro do treinador.

Arquibancada do CAO em União (Vasco) x São Cristóvão (Figueirense)
Jamais enfrentarás a torcida
Durante o encontro de Manchester x Pacheco Chaves (segunda imagem), um lance duvidoso foi marcado na lateral, e a torcida do Pacheco, uma das mais hostis da cidade (sentada na mesma arquibancada da rival, como a configuração da foto acima revela), resolveu protestar com veemência perante a decisão do juiz. Como geralmente o policiamento era ostensivo nas imediações do estádio e a equipe de arbitragem também é composta por policiais em sua maioria, apenas xingamentos mais leves eram direcionados aos homens do apito. 

Um dos pachequenses, mais exaltado, atirou uma garrafa dentro do campo (perceba que a grade não impede muito esse tipo de ação) e os dirigentes da Liga pediram aos repórteres presentes que fossem fotografar o elemento. Como única alma viva munida de uma câmera fotográfica no recinto, sobrou para a minha pessoa atravessar o tapete do CAO e chegar perto do alambrado para obter um ângulo melhor. Assim que os amarelos notaram que eu vinha correndo, já começaram a vaiar e obviamente, não poupando o palavreado agressivo que usariam contra o bandeirinha. 

Precisei de um minuto para localizar o rapaz, que se escondeu atrás de três mulheres não menos raivosas e vestindo camisetas da torcida dos negroamarelos. Quando vi que um ou dois cabras se aproximavam da grade me xingando e ameaçando algo, tratei de clicar logo e dar meia volta até a bancada da Liga, sob mais vaias e homenagens ao meu nome, de mamãe e dos honrados Portes, claro.

A Copa do Mundo pode esperar
Quando se trata de um duelo decisivo no seu trabalho, até o seu programa preferido pode esperar. Como todos sabem, a Copa acontece de quatro em quatro anos, e quiseram os deuses do futebol que eu estivesse trabalhando em pleno dia de México x Argentina pelas oitavas de final. Tive de dolorosamente dividir minhas atenções entre os eventos, enquanto fazia minhas anotações e fotos. 

Por sorte, no segundo tempo consegui subir até uma sala com TV e que dava ampla visão do gramado. Desnecessário dizer que sempre que o Palmeiras jogava, eu dava um jeito de arrumar ângulos diferentes para os registros fotográficos...

Gasolina, o Denzel Washington ourinhense, treinador do Itamaraty 
"Anota aí: Negro lindo"
Gasolina, emblemático e carismático treinador do Itamaraty, é conhecido na cidade por ser diretor na Usina São João. Sempre bem humorado antes dos jogos, o bonachão sempre aprontava alguma ao fornecer os nomes que havia escalado. Em determinado jogo na primeira fase, me chamou: Ô, garoto! Vem cá! Cê não quer o meu time? Chega aqui que eu te passo. 

Realmente passou, dizendo número, posição, nome e apelido, como manda o figurino. Sabendo que eu havia tirado um retrato dele minutos antes, retribuiu o favor e ajudou no meu trabalho. Citados os onze do Itamaraty, ele ainda passou os reservas, mas com um pedido inusitado. "No treinador você coloca assim: Negro Lindo".

Visão isenta, palpite certeiro
O Nacional perdia o jogo contra o São Cristóvão, por 2-1, se não me falha a memória. Após o intervalo, debaixo de forte calor, peguei um copo de água e fiquei perto do banco de reservas por causa da sombra. Puxei papo com o treinador e disse a ele na linguagem local que o ponta esquerda estava cozido (expressão ourinhense que significa cansado, mole, preguiçoso) e que no mesmo lado da defesa adversária estava com sérias deficiências. A medida óbvia então era sacar o rapaz e colocar algum outro mais veloz ou disposto. 

Apesar da risada e o deboche com a minha opinião, dez minutos depois o técnico enxergou a mina de ouro e fez a alteração sugerida. Aos trinta do segundo tempo, veio o gol de empate. De nada, professor. Fui devidamente repreendido pelo oficial da Liga por ter me intrometido no trabalho da equipe, porém feliz, por saber que ainda entendo um pouco do esporte que tanto escrevo sobre.

Coleguinhas preguiçosos
A concorrência dos jornais na cobertura esportiva ourinhense não era grande. Presença garantida além da minha era a do Nelsinho, do Repórter na Rua. Sempre conversamos e complementamos informações, sem aquela besteira de rivalidade. Contudo, nem todos são lá muito profissionais. Na segunda metade do campeonato uma outra moça resolveu participar da cobertura por um terceiro jornal. Sempre atrasada, dava as caras durante a segunda partida e perdida, pedia ajuda nas escalações e tumultuava a mesa da diretoria, onde eu também me sentava.

Transformando a conduta em rotina, a coleguinha badernou o coreto em busca dos onze de cada time, requisitando a minha ajuda. Estampando um sorriso maléfico, deixei a imaginação fluir e anotei num papel a formação do Gazeta: Cabo do Medo, Jonas, Osvaldo, Cleiton, Arnaldo, Escurinho, Gelson, Mabília, Babau e Cascatinha. Não sei se ela de fato utilizou a informação, mas...

Entre tantos recortes, fica a saudade daqueles tempos em que o sol, a bola rolando e a diversão eram garantidos. Qualquer dia eu apareço aí de novo, várzea ourinhense.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Chão de estrelas

Foto: Fox Sports
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Calando muitos críticos e céticos a respeito de sua maior conquista, o Corinthians venceu (e convenceu) o -Boca Juniors -segundo maior campeão do continente- e ergueu a Taça Libertadores da América diante de um Pacaembu lotado e pintado de preto e branco, como só a Fiel poderia fazer. 

Cantaria Nelson Gonçalves (em composição de Silvio Caldas) que os alvinegros "andaram cantando sua fantasia entre as palmas febris dos corações". Por todas as semanas que antecederam o duelo emocionante contra o Santos e por fim o que marcou a glória frente o Boca, o que mais se viu foi o orgulho corintiano levado às ruas, cantado a todo pulmão para quem quisesse ouvir que chegava a hora, que chegava a hora e chegava a hora.

O grito começou a ecoar mais alto no 1-1 em Buenos Aires. "Ninguém joga a bola que jogamos lá, agora em São Paulo é só correr pro abraço", diz o torcedor, o que por si é uma grande verdade, já que os soldados de Tite cumpriram sua missão de parar o imponente esquete xeneize quando ele mais cresceu. Romarinho, moleque de cabeça fria, concentrado e sem pressão, entrou e empatou. 

Muitos diziam que os argentinos, apesar de trazer um experiente e seguro Schiavi e o sempre venenoso Riquelme, não eram mais os mesmos. "Chegaram só com a camisa até aqui, duvido fazerem um bom papel contra esse Corinthians", se precipitaram alguns ignorantes escribas da bola, bola que nunca devem ter visto, jogado ou chegado perto num evento que não fosse exposição. Julio Cesar Falcioni também soube tirar o máximo de um elenco bravo, que se reergueu de anos medíocres se comparados à história boquense.

Terminou a noite de quarta, com 2-0 para o Timão no placar, dois gols de Emerson. Enlouquecida, a massa corintiana ergueu suas camisas, qual bandeiras agitadas, parecia um estranho festival. Foi a festa dos trapos alvinegros. Lembrando aquele que foi um patriarca, o camisa 8, o líder de uma democracia, os discípulos de Doutor Sócrates mais uma vez gritaram o nome de um herói, morto no dia da última grande alegria da equipe de Parque São Jorge. Justo seria com Doutor estar ali perto para ver o seu legado.

Com os braços ao alto, a Fiel cantarola o hino e enche as ruas com a sua festa tão esperada, a mostrar que  nos morros mal vestidos é sempre feriado nacional. É pisando num chão de estrelas que acorda o corintiano, colhendo os frutos dessa batalha que parecia ser incessante, mas enfim foi vencida. Necessário completar que nunca precisaram dela para serem grandes. Já eram enormes sem a taça, o que dizer agora que estão em posse dela?

A alegria dessa vida deve ser a cabrocha, o luar, e o Timão...



Uma final, dois alviverdes

Foto: Terra
Felipe Portes, @portesovic 
Palestra Itália-SP, Parte 1

Temos passado por anos difíceis. Os bons tempos, de riso fácil e taças aos montes ficaram para trás, com este mesmo senhor bigodudo e ranzinza no comando. Olhávamos para a meta até o fim de 2011 e lá estava um santo dos mais humanos, que de tão humano não conseguiu mais lutar contra as próprias dores, sejam elas físicas ou na alma. Nossas glórias viraram parte do passado, pois o presente é tortuoso. Até essa noite de quinta-feira.

O orgulho que tenho no Palmeiras vem muito mais da garra apresentada na Copa do Brasil do que no próprio elenco. É imensurável a surpresa que sinto ao ver esse time, que caiu perante o Guarani e formado por quase todas as mesmas peças do fracasso de 2011, ergueu a cabeça e entrou com fé nessa competição, que 14 anos atrás foi o primeiro passo para a nossa maior conquista. 

Veja bem, já são 12 anos sem chegar em uma grande final. Desde aquela noite contra o Boca, em que viramos porcus tristis não sabemos o que é chegar perto de um troféu relevante. O que não quer dizer que não tenhamos comemorado o Paulista de 2008, mas é outro espírito. Agora, caminhando entre a cautela e a esperança de libertar o grito que há tempos está entalado na garganta, entro no dia 5 de julho com o coração pesado, carregando um vagão de dúvidas sobre as nossas possibilidades.

São muitas deficiências, mas acima de tudo é preciso ressaltar o foco e a garra apresentadas nos duelos quase de velho oeste na competição. Contra o Atlético Paranaense, duas partidas de paciência, com um empate fora e a vitória demorada em Barueri. A vontade era de fazer uma série do Fomos campeões sobre a edição de 1998, mas era cedo.

Contra o Grêmio, a cartada inicial: Mazinho e Barcos derrubaram o tricolor em Porto Alegre e aquele sonho que estava perdido, aos poucos apareceu por detrás dos montes. Juro que foi a maior alegria no ano saber que no meio de tanto sofrimento acumulado, o meu time, sim, o meu time ainda me fazia sorrir, pular pela casa, gritar e encher o peito outra vez. Como disse, já faz tempo que não tenho essa sensação e gostaria muito de tê-la novamente.

Chego incrédulo para escrever as linhas finais de uma prévia da decisão mais importante na década. Para nós, alviverdes, o quase esteve sempre perto, risonho, fanfarrão e cruel. Mas se conheço nosso comandante, tenho certeza de que ele não admitirá nova derrota. Que despertou o brio em cada peça, em cada camisa, em cada um dos vinte que entrarão em campo na Arena Barueri para devolver o semblante feliz do palmeirense, que já não suporta a longa espera, que quer sair da fila e quer ser campeão.

Se por um lado os maiores rivais foram campeões com grande merecimento, que seja aplaudido o auge deles. A parcela verde de São Paulo jamais deverá lamentar por isso, e sim bater no peito e dizer que agora é nossa vez. Seja na Libertadores ou na Copa do Brasil: queremos ser campeões e não chegamos até aqui para sentar ao lado do fracasso outra vez.

Que vença o melhor entre os dois alviverdes. Se for possível, que esse melhor seja o alviverde de Barcos, Scolari, Mazinho e Valdívia. Pra que aquele 6-0 sirva não como trauma e sim como o primeiro passo para a redenção. E olha só, Palmeiras, daria a vida inteira pra ser campeão. 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Fomos Campeões: Espanha 2008

Foto: Poster de times campeões
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

"Jogamos como nunca, perdemos como sempre". Não havia frase que descrevia melhor a situação da Espanha em meio a história do futebol mundial. Contudo, chegou o ano de 2008 e a Fúria mais uma vez apresentava um plantel forte. Encantando o mundo com seu futebol baseado no envolvente toque de bola, buscava apagar o seu retrospecto de amarelona.

Os espanhóis ostentavam condição de favoritos para a competição, que era realizada na Áustria e na Suíça. Ainda havia um receio geral a respeito dos comandados de Luis Aragonés. No mesmo grupo do que a Fúria, havia também as perigosas Rússia e Suécia, além da Grécia, que havia conquistado o torneio 4 anos antes.

Logo na estreia já foi possível ver que a seleção espanhola estava disposta a tudo pelo título e diante da boa equipe russa, um show de futebol e uma contundente goleada por 4 a 1, com direito a hat-trick de David Villa, atacante do Valencia.

Villa garante Espanha nas quartas com hat-trick frente a Rússia e gol tardio
contra a Suécia (Foto: UEFA)
No segundo jogo, uma partida muito mais complicada contra a Suécia de Zlatan Ibrahimovic, Torres abriu o placar e Ibra empatou, até que nos acréscimos, a figura daquele que já havia brilhado na jornada inaugural voltou a aparecer: Villa marcou mais um e chegou ao seu quarto gol na Euro e sacramentou a vaga para a próxima fase.

Com a vaga já assegurada, Aragonés decidiu por mandar um mistão para enfrentar a Grécia. Os helênicos abriram o placar com Charisteas, mas não aguentaram o repuxo e cederam perante Rúben De La Red (volta, saudades) e Dani Güiza. De virada, abocanhou 100% de aproveitamento na fase de grupos e seguia firme e forte na briga pelo caneco.

Nas quartas de final, a Espanha tinha compromisso complicado diante da Itália. Sem poder contar com Andrea Pirlo e Gennaro Gattuso que estavam suspensos, a solução encontrada pela Squadra Azzurra foi se fechar e tentar matar o confronto no contra-ataque. Os ibéricos, por outro lado, encontravam grandes dificuldades em furar tal ferrolho, não conseguiam criar boas oportunidades.

Conseguiram mesmo foi evitar que os italianos levassem perigo. No fim, o 0 a 0 persistiu no placar, tivemos foi pênaltis e aí brilhou a estrela de Iker Casillas, que defendeu as cobranças de Daniele De Rossi e Antonio Di Natale colocando o selecionado espanhol nas semifinais.

A Rússia era velha conhecida, e queria devolver o 4 a 1 no debut das duas nações. Embalados, os russos derrubaram a Holanda. Repetindo a sapatada da primeira fase, os espanhóis deram um show e despacharam os oponentes com gols de Xavi, Güiza e David Silva. O 3 a 0 credenciou Aragonés e seus pupilos para a grande final em Viena, contra a Alemanha.

Foto: Imortais do futebol
A decisão
A final da Euro colocava frente a frente Espanha e Alemanha, duas forças que jogavam de maneira ofensiva. O prognóstico inicial era que uma tinha fama de "amarelar" em decisões e a outra de crescer nos momentos decisivos. Previsão essa que só aumentaria a expectativa em torno da finalíssima no dia 29 de junho de 2008, estádio Ernst Happel: o dia e local em que o mundo do futebol conheceria uma nova potência.

David Villa foi o artilheiro da Espanha, mas se lesionou e ficou de fora do derradeiro compromisso de sua equipe. Aragonés então foi esperto o substituindo por Fàbregas e fortalecendo o meio-campo, medida que foi fundamental para segurar os alemães no ímpeto dos primeiros 20 minutos.

Passada a metade inicial do primeiro tempo, a Fúria se encontrou de vez em campo e com suas envolventes trocas de passe começou a criar perigosas oportunidades. Aos 32 minutos da etapa inicial, Xavi lançou Fernando Torres que ganhou na corrida de Phillip Lahm para dar um belo toque de cobertura sobre Jens Lehmann abrindo o placar em Viena.

No segundo tempo, os atletas de La Roja entraram em campo de maneira mais cautelosa, organizada e preservando a vantagem adquirida. A Alemanha bem que tentou, mas não conseguiu se acertar e acabou sucumbindo com o cansaço: Espanha bicampeã da Euro, 44 anos depois da primeira conquista.

Foto: Imortais do futebol
Alemanha: Lehmann, Friedrich, Mertesacker, Metzelder, Lahm (Jansen), Frings, Schweinsteiger, Ballack, Hitzlsperger (Kuranyi), Podolski e Klose (Gomez). Téc: Joachim Löw


Espanha: Casillas, Puyol, Marchena, Sergio Ramos, Capdevila, Xavi, Iniesta, Marcos Senna, David Silva (Cazorla),  Fàbregas (Alonso) e Torres (Güiza). Téc: Luis Aragonés


Campanha: Seis jogos, cinco vitórias e um empate. 12 gols marcados, três sofridos


Jogos
Fase de grupos
Espanha 4 x 1 Rússia
Espanha 2 x 1 Suécia
Espanha 2 x 1 Grécia


Quartas de final
Espanha 0 x 0 Itália (4x2 nos pênaltis)


Semifinal 
Espanha 3 x 0 Rússia


Final
Espanha 1 x 0 Alemanha

Fomos campeões: Grécia 2004

Foto: Wiki.phantis
Felipe Portes, @portesovic
Da Mística de Barueri-SP

Esqueça tudo que você entende por futebol arte, futebol bonito e pra frente, escanteio curto e toda aquela frescura enquanto estiver lendo este post. A Grécia foi a primeira equipe na história a levantar um troféu praticando a mais pura retranca. Uns dirão que os helênicos eram tremendamente eficientes no que se prestavam, e devo concordar com eles, sem restrições ou poréns. Ponto incontestável é que o rei Otto Rehhagel armou um esquema quase perfeito para os padrões gregos e assim um grupo entrosado e disciplinado chegou tão longe na Eurocopa de 2004, em Portugal.

O choque geral começou logo no duelo inaugural contra os lusitanos no Estádio do Dragão. Lidando com uma motivada seleção comandada por Luiz Felipe Scolari, conhecida por seu dinamismo, trabalho em grupo e talento mostrado por craques como Luís Figo, Rui Costa, Deco e o jovem Cristiano Ronaldo. 

Era dada como certa a vitória do mandante sobre aqueles frágeis rapazes grisalhos, que em sua maioria pareciam ser atletas de uma equipe de masters. Subestimando a organização de Rehhagel e sua tropa, o mundo viu Giorgos Karagounis e Angelos Basinas abrirem 2-0 de vantagem para os helênicos. Concedendo pouquíssimos espaços no seu campo, Theodoros Zagorakis executavam a missão de derrubar a grande força da chave com dois tiros milimetricamente disparados. Foi Ronaldo, ainda um moleque chorão o homem a diminuir a tragédia, ainda que com atraso, nos acréscimos da segunda etapa. 2-1.
Charisteas, o homem gol da Grécia empata contra a Espanha (Foto: UEFA)
A saga continuou contra a Espanha no Estádio de Bessa. Já com alguns dinossauros no grupo, a Fúria do contestado José Ignacio Sáez ainda escalava Raúl e Fernando Morientes no ataque, revivendo os bons tempos de Real Madrid. Atrás, no meio campo, a coisa ainda estava uma bagunça. Raúl Bravo, Raúl Baraja, Vicente e Joseba Etxeberria compunham o setor intermediário espanhol, para agonia dos torcedores. 

Morientes abriu o placar e encaminhou a classificação após vitória sobre a Rússia na estreia. Não contavam com a astúcia de Angelos Charisteas, o perigoso grandalhão na ofensiva helênica. 1-1, nada resolvido para ambos. A questão iria para a rodada derradeira, quando Portugal x Espanha e Grécia x Rússia (já eliminada) definiriam os dois safos que disputariam as quartas de final. 

Vocês não acreditariam, mas a Grécia conseguiu perder para os soviéticos e ainda sim se classificar. Batendo mais que carcereiro velho, os rapazes de Moscou abriram a contagem em Algarve logo aos dois minutos, com Dmitri Kirichenko. 
Zagorakis não acredita na sorte que levou os gregos adiante na Euro.
Pegadinha do Mallandros? RÁAAA, GLU GLUKIS! (Foto: UEFA)
O que fazer quando o seu time não é um primor ofensivo e ainda sim tem de sair para o jogo? A) bico para a frente, seja o que Deus quiser B) ninguém nunca ganhou uma guerra atirando para todos os lados, então cautela C) mantenha a mesma passada, vai que dá. Resposta: C. O roteiro de tragédia grega estava armado: Dmitri Bulykin fez o crime e ampliou para 2-0. Danouskis.

Enquanto isso, no José Alvalade, Portugal empatava com os rivais espanhóis. Zisis Vryzas diminuiu aos 43, mas a parcial não bastava. A situação estava com Espanha 5, Portugal 4, Grécia 4 e Rússia 3. Desesperador. Voltando do intervalo, com um pingo de sorte, Nuno Gomes colocou os tugas em vantagem e a patota de Rehhagel nas quartas. (Espanha ficou sem marcar e perdeu no critério de desempate) E assim começou uma série de zebras nunca antes vista nas Eurocopas.

Campeonato europeu de 1 a 0
Vinha a França pela frente. Atuais campeões europeus mas com uma crise de personalidade e dependência de Zinedine Zidane, Les Bleus contaram com um Zizou bem apagado. Passando um perrengue danado para sair de campo na primeira etapa sem levar gols, os franceses certamente demoraram a acordar em campo, e quando o fizeram, era tarde demais. Charisteas, sempre ele, marcou de cabeça aos 65 e lá se foram os primeiros favoritos. 1-0, Au revoir.

Eis que a imponente República Tcheca chegava às semifinais com muita moral. Em forma quase perfeita, os eslavos atropelaram a Dinamarca com 3-0 nas quartas e viam em Tomas Rosicky, o Pequeno Mozart suas esperanças de reviver as glórias do tempo de Antonín Panenka. Sólida e bem treinada, a formação tcheca era dinâmica e trazia o gênio Pavel Nedved como referência no meio campo, juntamente com Karel Poborsky e o supracitado Rosicky, ainda no Dortmund. 
Ricardo sai mal do gol português e Charisteas marca: fim do sonho e silêncio
no Estádio da Luz, em Lisboa (Foto: SMH.au)
Um tenebroso e tenso empate foi a proposta grega para tentar chegar à sua primeira final. Marcando até a sombra dos adversários, novamente sem dar espaço e saindo pouco para os contragolpes, o esquete helênico segurou a barra e o 0-0 até a prorrogação, que teria a controversa regra do gol de prata: quem marcasse primeiro e mantivesse a vantagem até o intervalo, venceria. Entrou em cena o coringa Traianos Dellas, beque romanista, que segundos antes do apito trilhar no primeiro tempo extra, matou os rivais com uma testada certeira e botou a Grécia na final. 1-0, Sbohem.

Tudo estava lindo em Lisboa na tarde de 4 de julho de 2004. O sentimento português era de vingança pelo 2-1 na primeira fase. Convencendo como um dos principais candidatos ao caneco, o selecionado de Scolari já orgulhava a nação com a alegria e a garra apresentadas. Um povo que sempre sonhou em ver a sua representação vencedora dentro de campo, acompanhava de perto a maior chance de todas. 

Ligeiramente melhores, os lusitanos encontraram uma Grécia mais atrevida, disposta a abandonar sua retranca de outrora. A defesa grega trabalhou de forma impecável e barrava as melhores iniciativas por parte do ataque com Pauleta, auxiliado por Ronaldo. Passada a primeira hora de nervosismo, agora os donos da casa dominavam completamente, testando o poderio defensivo de Traianos Dellas, Zagorakis e o arqueiro/garoto propaganda da Grecin 5, Antonis Nikopolidis. 

Numa guerra de nervos e ainda sem gols, Scolari usou a palestra de intervalo para alertar seus pupilos a respeito dos perigos nas jogadas aéreas e claro, tentou fazer o ataque funcionar. O que ele não esperava era  uma nova blitz grega na volta para a etapa complementar. Giourkas Seitaridis desceu em velocidade pela direita e foi barrado por Nuno Valente. Ganhando o escanteio, Basinas cobrou no meio da área. Saindo mal do gol, o arqueiro Ricardo deu a abertura, Costinha parou no meio do caminho e Charisteas cabeceou: 1-0.

Protagonizando um drama, Portugal apostou todas as suas fichas no ataque, buscando sem sucesso o empate. Silenciado, o Estádio da Luz deu lugar a outra festa: a dos visitantes que nunca nem chegaram perto da glória mas que agora fariam da Grécia um país menor ainda se comparado ao tamanho das festividades. Os heróis serão sempre heróis, vivos ou mortos, velhos ou jovens, pois o feito de Rehhagel somado à bravura dos atletas, foi simplesmente inigualável.
Foto: UEFA
Portugal: Ricardo, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Miguel (Paulo Ferreira), Nuno Valente, Costinha (Rui Costa), Maniche, Figo, Deco, Cristiano Ronaldo, Pauleta (Nuno Gomes). Téc: Luiz Felipe Scolari

Grécia: Nikopolidis, Dellas, Fyssas, Seitaridis, Zagorakis, Giannakopoulos (Venetidis), Basinas, Vryzas (Papadopoulos), Kapsis, Katsouranis, Charisteas. Téc: Otto Rehhagel

Campanha: Seis jogos, quatro vitórias, um empate, uma derrota. Sete gols marcados, quatro sofridos.

Jogos
Fase de grupos
Portugal 1-2 Grécia
Grécia 1-1 Espanha
Rússia 2-1 Grécia

Quartas de final
França 0-1 Grécia

Semifinal
Grécia 1-0 República Tcheca

Final - 4 de julho de 2004, Lisboa - Estádio da Luz
Portugal 0-1 Grécia

domingo, 1 de julho de 2012

Fomos campeões: França 2000

Foto: Handsome Poi

Felipe Portes, @portesovic
De Berthierville-CAN


Campeã do mundo dois anos antes, em casa, a França desembarcou na Bélgica para as primeiras duas rodadas da Euro 2000 (em sede dividida com a Holanda) com a equipe mais temida do continente e apresentando grande futebol. Liderados por Zinedine Zidane em grande fase e agora bem auxiliado por Thierry Henry, David Trezeguet, Youri Djorkaeff e Patrick Vieira, Les Bleus alcançaram sua segunda conquista europeia, chegando tão ou mais longe quanto Michel Platini, em 1984.

A questão é que a França era muito favorita. Conseguindo um reinado que poucas seleções já exerceram, Zidane e seus companheiros estrearam contra a Dinamarca, no Jan Breydelstadion em Bruxelas, castigando os escandinavos com três gols a zero. Laurent Blanc, Henry e Sylvain Wiltord balançaram as redes de um rival órfão dos irmãos Laudrup, pela primeira vez em 16 anos. 

Contra os tchecos, mais experientes quatro anos depois da derrota na decisão em 1996, ofereceram um maior desafio aos franceses. Por mais que Henry tivesse inaugurado a contagem aos sete minutos, sacramentar mais um triunfo e a classificação saiu mais difícil do que o esperado. Aos 35, Karel Poborsky deu números iguais ao cotejo, de pênalti. 

Restou a Djorkaeff arrematar ao gol, e contando com a má sorte do guarda metas Pavel Srnicek, que espalmou e viu Tomas Repka desviar contra as próprias redes. 2-1, França nas quartas, República Tcheca fora. O jogo-chave seria mesmo contra os holandeses, que na posição de anfitriões, buscavam a primeira colocação no grupo D. 

Zenden, Kluivert e Overmars afundam França e tomam a ponta da chave D
 (Foto: UEFA)
Novamente a França deu o pulo do gato para abrir o placar no início. Dugarry emulou Henry e aos oito minutos bateu Sander Westerveld para fazer 1-0. Determinada, a Oranje equilibrou a peleja e antes de assumir o desespero, empataram com Patrick Kluivert. Desenhando um dramalhão no encerramento da fase de grupos, Les Bleus novamente ficaram em vantagem, com David Trezeguet. Logo após o intervalo, Frank De Boer estufou as redes de Bernard Lama para levantar a torcida presente na Amsterdam Arena. Foi Boudewijn Zenden quem resolveu de vez o duelo que lembrou os tempos de Velho Oeste. Holanda líder.

Voltando a Bruxelas, onde somou duas vitórias, os franceses teriam a Espanha pela frente. Zidane chamou a responsabilidade e conduziu com maestria sua seleção ao sucesso, mais uma vez. Aos 32, o carequinha inaugurou o marcador, encaminhando mais um triunfo. Vacilando de novo, a retaguarda azul cometeu pênalti e Gaizka Mendieta fez: 1-1. Terceiro compromisso consecutivo em que a França sofria gols oriundos de penalidade.

Pouco antes do intervalo, Djorkaeff deu um de seus chutes característicos e colocou Les Bleus nas semifinais. Sem reação, os espanhóis aceitaram a marcação e o ritmo imposto pelos franceses, superiores e já em passadas largas rumo ao segundo título. 

Zidane aparece bem e tira Portugal da disputa (Foto: UEFA)
Allez, Zizou
Portugal prometia dificultar a vida da França tanto quanto em 1984. Luís Figo, Rui Costa, Fernando Couto e Vítor Baía chegaram no Roi Baudouin para mais um embate duríssimo contra os velhos rivais. Nuno Gomes abriu o placar aos 19 e a esperança lusitana tomava forma. Com calma, a equipe comandada por Roger Lemerre não abaixou a cabeça e permaneceu ligada em campo.

Na volta do intervalo, Henry marcou. 1-1, e agora seria a valentia portuguesa versus a técnica francesa. Zidane, como referência na meia cancha azul, fazia da bola o que bem entendia. Parelha, a semifinal persistiu com o resultado e adentrou o tempo extra. Restando seis minutos para o apito final e consequentemente as penalidades, eis que a zaga portuguesa arruinou a coisa toda.

Trezeguet tentou o gol, foi bloqueado por Baía e Wiltord pegou o rebote. A finalização bateu no braço direito de Abel Xavier: pênalti marcado, sob várias reclamações de Fernando Couto e João Pinto. Zizou tratou de classificar sua nação para a grande final. 

Foto: Best soccer shop

Dois grandes oponentes e mais um gol de ouro
Roterdã recebeu a finalíssima entre França e Itália no dia 2 de julho de 2000. Amarrado, o confronto teve Henry e Albertini aparecendo bem para tentar o primeiro gol. Em lance de genialidade, Francesco Totti tocou de calcanhar e Gianluca Pessotto recebeu na direita. O cruzamento passou diante de três defensores azuis para encontrar Marco Delvecchio só completou: 1-0 Squadra Azzurra. 

Desesperada, a França apertou sem sucesso a defesa italiana em busca da igualdade. Já nos acréscimos, Barthez cobrou tiro de meta até o campo inimigo e o relógio contava 92:56. Trezeguet escorou perto da meia lua e tocou de cabeça para Wiltord, que desceu pela esquerda. Sabendo que poderia ser sua última chance, o atacante francês bateu forte e baixo. A bola passou debaixo dos braços de Francesco Toldo e foi parar nas redes. Por um minuto, a Itália deixou escapar o campeonato.

No transcorrer do primeiro tempo da prorrogação, nova iniciativa pela esquerda destruiu o sonho italiano. Robert Pirès roubou a posse na intermediária esquerda e driblou dois marcadores. Diante da linha de fundo, o meia do Arsenal preferiu o passe para o meio da área, onde Trezeguet estava bem posicionado para mandar de primeira no alto da meta de Toldo: 2-1, gol de ouro, gol da taça. Pela primeira vez na história, o campeão mundial repetiu a glória na Eurocopa seguinte...

Foto: UEFA
França: Barthez, Blanc, Thuram, Desailly, Lizarazu (Pirès), Djorkaeff (Trezeguet), Deschamps, Zidane, Henry e Dugarry (Wiltord). Téc: Roger Lemerre

Itália: Toldo, Nesta, Cannavaro, Maldini, Iuliano, Pessotto, Albertini, Di Biagio (Ambrosini), Fiore (Del Piero), Totti e Delvecchio. Téc: Dino Zoff

Campanha: Seis jogos, cinco vitórias e uma derrota. 13 gols marcados, sete sofridos.

Jogos
Fase de grupos
França 3-0 Dinamarca
República Tcheca 1-2 França
Holanda 2-1 França

Quartas de final
Espanha 1-2 França

Semifinal
França 2-1 Portugal (gol de ouro)

Final - 2 de julho de 2000, Roterdã - Feyenoord Stadion
França 2-1 Itália (gol de ouro)