quinta-feira, 31 de maio de 2012

Fomos campeões: Atlético Nacional 1989

Foto: Alineaciones internacional
Felipe Portes, @portesovic
De San Pablo-SP

Responsável direto pela evolução do futebol colombiano e primeiro campeão continental do país, o Atlético Nacional deixou seu nome na história da maior competição sul-americana no ano de 1989, ao levantar o caneco em vitória suada sobre o Olimpia. O feito só foi igualado em 2004, pelo Once Caldas, que de acordo com alguns, é o pior vencedor da Copa Libertadores. 

Vice-campeão do Apertura de 1988, Los Verdolagas acompanharam o Millonarios na edição de 1989 do torneio continental. Quando as equipes ainda eram concentradas em duas nações por chave, a Colômbia teve como par o Equador no agrupamento 3, representado por Deportivo Quito e Emelec. Com certa dificuldade, o Nacional somou sete pontos, depois de frustrar a torcida com três empates consecutivos no primeiro turno, todos em 1-1, fora de casa.

Importante observar que o perfil do Atlético era um rascunho daquilo que se tornaria a seleção de Carlos Valderrama, Freddy Rincón, Faustino Asprilla e Mauricio Serna, entre outros. Um futebol de força defensiva e muita técnica do meio campo e ataque. O aperfeiçoamento desse estilo tomou forma no início da década de 1990, com o seu auge em 1993, quando os cafeteros impuseram um 5-0 na Argentina de Maradona, nas Eliminatórias da Copa de 1994.

A inconstância inicial do plantel alviverde, que era comandado por Francisco Maturana, lendário treinador, revelou ao futebol nomes como René Higuita, Andrés Escobar (R.I.P), Luis Herrera, Luis Carlos Perea, Leonel Álvarez, Victor Marulanda, Albeiro Usuriaga, John Tréllez e o folclórico Victor Hugo Aristizábal (saudades, volta). Tido como elenco sólido para a disputa internacional, os Verdolagas só encontraram sua primeira vitória na quinta jornada, contra o Deportivo Quito, por dois tentos a um, em Medellín.

Maturana: o Sidney Poitier cafetero (Foto: Blog Chico Maia)
Ao que concerne o compromisso anterior, os Millonarios saíram do Atanasio Girardot com dois pontos e dois gols na bagagem. O risco de sair do certame de forma antecipada assombrava o professor Maturana, que tratou de dar um jeito na motivação do grupo. Repetindo a boa atuação diante do Deportivo, nova vitória, por 3-1 sobre o já eliminado Emelec na derradeira rodada da chave.

O primeiro adversário na fase de mata mata era o Racing, que venceu a disputa com o Boca para liderar a chave 4. La Academia trazia figurinhas carimbadas como o goleiraço Ubaldo Fillol, José Luis Brown, Néstor Fabbri, Jorge Borelli, Hugo Pérez, Julio Olarticoechea e o possante uruguaio Rúben Paz. O pessoal de Avellaneda proporcionou um bom desafio, apesar da derrota por 2-0 em Medellín.

Com o poder de decidir a situação no Cilindro, os argentinos dominaram o adversário e passaram perto de reverter a derrota na primeira perna. Fazendo prevalecer a pressão de sua torcida, o mandante fez 2-1, o que não foi suficiente para continuar no caminho do título. O sufoco fez crescer a bronca de Maturana, que aos poucos ia tendo noção de como poderia transformar a ansiedade em gols, em resultado.

Os jogos na Libertadores de 89 fizeram virar clássico o embate
 entre Nacional e Millonarios Foto: Every futbol
A seguir, um embate para definir quem seria o último dos cafeteros a disputar o caneco. Novamente estariam frente a frente Atlético e Millonarios, marcando talvez o mais importante dos duelos envolvendo clubes daquele país. O reencontro não poderia ser menos dramático, criando uma rivalidade posteriormente.

Executando apenas o básico, os alviverdes fizeram sua lição de casa e com 1-0, levando a vantagem para Bogotá na revanche. Equilibrado, acirrado e sem chances para falhas individuais e coletivas, chegavam carregados de tensão os 90 minutos finais entre os oponentes. No El Campín, altas doses de emoção estavam reservadas, quando um empate em 1-1 teimou em persistir até o apito final, encerrando uma batalha de nervos e de ambições. Reparando o problema da primeira fase, o Nacional esfriou a cabeça e saiu com o resultado necessário para chegar nas semis.

Tudo estava pronto para El Verde y blanco tentar bater o Danubio, que chegava forte após derrubar o Nacional de Montevidéu e o Cobreloa. Os uruguaios representavam a terceira força local, mas impulsionados por boas apresentações, faziam com que não houvesse favorito nas meias finais. Um ensosso empate sem gols em terras charruas deu a sensação de que desta vez Maturana e seus pupilos teriam de tirar o coelho da cartola.

Foto: Sul 21
O que ninguém jamais esperava era uma atuação de gala no Atanasio Girardot. Sabendo da importância de uma vitória com boa margem, afim de chegar na decisão esbanjando confiança, o Nacional castigou os visitantes com seis gols, para delírio da torcida local, que lotou as dependências do recinto em Medellín. Garantindo com sobras, estilo e imponência o passaporte para a decisão, os colombianos agora enfrentariam o Olimpia, duríssimo adversário que buscava repetir o feito de dez anos atrás, quando derrubou o então bicampeão Boca Juniors.

Estava marcado para o dia 24 de maio de 1989, em Asunción, o primeiro capítulo da finalíssima envolvendo Olimpia e Nacional. O Defensores del Chaco estava dominado pelas cores alvinegras e os presentes testemunharam a uma vitória do mandante por 2-0, num jogo duro em que o craque Raúl Amarilla infernizou a retaguarda verdolaga. Agora a missão era ainda mais difícil.

Bogotá recebeu de braços abertos os atletas do Nacional, que mais do que nunca precisavam do empurrão vindo das arquibancadas. Todo o domínio dos paraguaios no compromisso anterior virou de lado. Com autoridade, a festa no El Campín foi se desenhando e os gols saíram com naturalidade. Igualando o agregado com dois tentos, os colombianos forçaram a disputa por pênaltis.

Escobar caminhou para a bola e marcou. Ever Almeida desperdiçou a primeira cobrança pelo Olimpia. O drama se arrastou por nove cobranças (García, Pérez, Gómez e Perea perderam para os alviverdes, González, Guash, Balbuena e Sanabria por La O). Restava a Leonel Álvarez, o Bell Marques colombiano conferir o seu e dar o tão sonhado e comemorado título ao Nacional.

Foto: Futbol red.com
Campanha: Seis vitórias, cinco empates e três derrotas, 21 gols marcados, 12 sofridos.

Jogos: 
Fase de grupos
Millonarios 1-1 Atlético Nacional
Emelec 1-1 Atlético Nacional
Deportivo Quito 1-1 Atlético Nacional
Atlético Nacional 0-2 Millonarios
Atlético Nacional 2-1 Deportivo Quito
Atlético Nacional 3-1 Emelec

Oitavas de final
Atlético Nacional 2-0 Racing
Racing 2-1 Atlético Nacional

Quartas de final
Atlético Nacional 1-0 Millonarios
Millonarios 1-1 Atlético Nacional

Semifinal
Danubio 0-0 Atlético Nacional
Atlético Nacional 6-0 Danubio

Final - 24 de maio de 1989, Asunción - Defensores del Chaco
Olimpia 2-0 Atlético Nacional

31 de maio, Bogotá - El Campín
Atlético Nacional 2-0 Olimpia (5-4 nos pênaltis)



quarta-feira, 30 de maio de 2012

Fomos campeões: Steaua Bucareste 1985-86

Foto: Okazii.ro
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Pouco antes das façanhas da seleção romena comandada pelo gênio Gheorghe Hagi, o futebol local teve sua grande glória no cenário europeu. O Steaua, tradicional agremiação de Bucareste, conquistou em 1986 a Copa dos Campeões da Europa, vencendo o Barcelona nos penais. Para muitos, aquele foi o início de um período de ouro. 

A esquadra ros-albastrii (rubro azul em romeno) conquistou a liga local em 1984-85 após seis anos de jejum, beliscando assim a vaga para a CCE. De forma inesquecível, o elenco partiu para desafiar os seus próprios limites e ambições. 

O primeiro desafio daquela edição foi contra os dinamarqueses do Vejle, fora de casa. Na Escandinávia, os cárpatos conseguiram sair com um empate em 1-1, graças a Marin Radu, que fez o gol rubro azul pouco antes do apito final. Julian Barnett havia marcado o tento inaugural, para a equipe que ainda contava com a lenda Allan Simonsen no seu elenco. Não era dos adversários mais fáceis de se encarar logo no início de uma campanha, mas o conjunto do Steaua falou mais alto perante o talento do nanico danês.

Piturca, ao centro, comemora um dos gols contra o Vejle (Cupa de legenda)

Em Bucareste, não houve nenhum tipo de piedade por parte dos mandantes. Um sonoro 4-1 marcado por Victor Piturca, Laszlo Bölöni, Gavril Balint e Tudorel Stoica (Simonsen marcou para os pobres visitantes) denotou que os romenos não estavam para brincadeira. O domínio foi estabelecido sem muita resistência, num confronto em que só deu Steaua durante os 90 minutos.

Nas oitavas de final, mais dificuldades jogando longe dos seus domínios. Agora o rival era o Honvéd, conhecido em outros tempos como aquela potência onde Ferenc Puskas desfilava seu feroz ataque. Vivendo tempos de ostracismo, ainda que com alguma competência, os húngaros conseguiram vencer a primeira perna, com gol de Lajos Détári. Valeu a máxima da parede defensiva somada a contragolpes, e num desses que a vitória foi definida.

Sabendo que a inspiração e o apoio da torcida estariam em campo no retorno, o grupo romeno repetiu a atuação brilhante que lhe valeu a vaga na jornada anterior. Mais um 4-1 para a galeria, com a marca de Piturca, Marius Lacatus, Ilie Barbulescu e Mihail Majearu. Restou ao Honvéd apenas diminuir, novamente com Détári, na etapa final, quando a vaca já havia deitado.

A escola de futebol iniciada pelo Steaua tinha algumas características interessantes: a rapidez e a precisão. Na grande maioria das ofensivas, eram trocados poucos passes e a velocidade dos pontas e dos meias prevalecia sobre as defesas adversárias. No caso dessa formação vencedora, Balint (meia direita) era o homem que conduzia a bola até a frente e ligava com Piturca, um excelente centroavante que foi essencial no vitorioso trajeto até a final.

Duckadam foi o grande nome da decisão contra o Barça
(Foto: World Academy of Records)
Na defesa, o herói Helmuth Duckadam era o responsável por guardar a meta. Stefan Iovan, o capitão, tomou conta da lateral direita e fazia boas descidas, além da troca de passes e cobertura da retaguarda. No miolo da área, Adrian Bumbescu, uma rocha. Ilie Barbulescu mandava na ala esquerda, Miodrag Belodedici era o líbero perfeito, Lucian Balan e Laszlo Bölöni organizavam a região da meia, apoiando e fazendo passes longos. Mihail Majearu e Gavril Balint saíam pelas alas esquerda/direita, sempre com agilidade e inteligência. Fechando a formação, Marius Lacatus e Victor Piturca se encarregavam de finalizar, sendo Piturca o homem de área, a referência na frente. Outros nomes reservas, mas não menos importantes eram Angel Iordanescu (atacante), Tudorel Stoica (meia) e Marin Radu (meia).

Dando sequência ao torneio, o próximo adversário nas quartas de final era o FC Lahti, até então Kuusysi. Forçados a pensar nova tática para furar a excelente marcação por parte dos finlandeses, o treinador Emerich Jenei certamente perdeu algumas centenas de fios de cabelo. Ao contrário dos embates anteriores, a tendência de golear em Bucareste e só empatar fora deixou a torcida em estado de alerta.

O sufoco foi grande em Helsinki, diante de 32.000 torcedores. Tudo levava a crer que mais um empate duríssimo (de assistir) levaria à disputa de penais. Ainda não era a hora de testar o talento de Duckadam, então restando quatro minutos para o fim, Piturca aproveitou um bate-rebate na área adversária e entre dois zagueiros mandou para as redes, sepultando a esperança dos locais de seguirem adiante no certame.

Piturca faz dois e classifica o Steaua à final (Supporters Steaua)
Restando três jogos para a conquista, o Steaua ainda tinha o Anderlecht antes da grande final. Os belgas contavam com Morten Olsen, Juan Lozano, Enzo Scifo e Arnor Gudjohnsen (sim, pai daqueeele Gudjohnsen). Inicialmente a coisa ficou feia quando em Bruxelas o time da casa endureceu a resistência e saiu para enfrentar os rivais na segunda perna com vantagem. Scifo recebeu belíssimo lançamento na direita, matou no peito e jogou por cima de Duckadam, que ficou sem reação. 1-0.

Com a sabedoria de que no Ghencea não poderia cometer mais erros, o plantel romeno deu o seu máximo para reverter o prejuízo. Piturca foi letal ao completar troca de passes e recebeu de Majearu para vencer o marcador e jogar no cantinho do goleiro, aos quatro minutos. Escanteio na área visitante, a bola quicou e Balint, livre, mandou de primeira. 2-0, aos 23. Completamente refém do dono da casa, o Anderlecht recuou e constantemente via Piturca e Lacatus com liberdade.

Foi numa dessas bobagens que a zagueirada desviou mal um passe de Balint, que subiu e encontrou Piturca de frente com Dirk Vekerman. O arqueiro não conseguiu evitar o toque de cabeça, que sacramentou a vitória dos ros-albastrii, com vaga em Sevilla. Do outro lado do emparelhamento, o Barça sofreu, mas passou pelo Göteborg, campeão da Copa UEFA em 1982 e em 1987. Foi numa decisão por pênaltis que os catalães conseguiram progredir na competição.

Duckadam voa na bola para salvar o Steaua, de branco (Foto: ProSport)
A hora da verdade para Duckadam
70.000 pessoas estiveram presentes no Ramón Sánchez Pizjuán, em Sevilla, no dia 7 de maio de 1986 para ver quem seria o campeão. Steaua e Barcelona decidiriam quem seria o novo vencedor após a fatídica vitória da Juventus, um ano antes em Heysel. Travado demais, o cotejo derradeiro da Copa dos Campeões de 1986 não teve grandes momentos e se arrastou até as penalidades, com muitas faltas e pouquíssimos chutes a gol.

Liderados por Bernd Schuster, Steve Archibald e Ángel Pedraza, o selecionado blaugrana não esteve muito superior aos rivais da noite, não chegando a assustar a retaguarda romena. Até o apito final, poderíamos chamar facilmente aquela decisão de insossa, não fossem os sempre emocionantes penais. Para o azar dos cárpatos, não mais teriam uma segunda chance em seus domínios para tentar a vitória.

Foi aí que entrou em cena aquele que seria considerado "O herói de Sevilla", Helmuth Duckadam. O guarda redes que já havia esbanjado segurança em outros compromissos, se apresentou como principal destaque daquela noite andaluz. Trágico para a maioria dos atletas que tomaram distância para fazer suas cobranças, brilhante para quem sempre está acostumado ao lado inverso do reconhecimento.

Lacatus converteu a primeira penalidade e abriu caminho
para a vitória (Fan base)
Majearu foi o primeiro a cobrar. Telegrafada, a cobrança saiu rasteira e fraca para a defesa de Urruti. Alexanko bateu firme e Duckadam voou para a esquerda, espalmando. Da mesma forma que Alexanko, Bölöni correu e também desperdiçou. A consagração dos homens de luva estava próxima, mas só um levaria consigo o título e o lugar ao lado dos grandes campeões.

De repente todos resolveram cobrar no mesmo canto e Pedraza também permitiu ao camisa 1 romeno mais uma defesa no seu cartel. Lacatus, o primeiro sortudo da noite, mandou um canhão no alto, a bola tocou no travessão e entrou. 1-0 Steaua. Pichi Alonso correu e mandou novamente no canto esquerdo. Aí vocês já sabem: Duckadam defendeu. A previsibilidade do Barça favoreceu o oponente, que preferiu outra opção nos seus tiros. Balint foi até fora da área para tomar distância e chutou rasteiro na esquerda. Urruti errou o pulo e não conseguiu salvar. Marcos então teria a chance final de reverter a trágica série dos seus colegas.

Finalmente o lado escolhido mudou. Um traque foi disparado até a direita, onde Duckadam teve a mínima agilidade de saltar e agarrar a bola. Steaua campeão, catalães sequer balançaram as redes. Aos trancos e barrancos, os romenos tiveram a sua vez, graças a um goleiro em noite inspirada.

Capitão Iovan ergue a tão sonhada taça da UEFA: eternos heróis em Bucareste
Foto: The Guardian
Steaua: Duckadam, Iovan, Belodedici, Barbulescu, Bumbescu, Balan (Iordanescu), Bölöni, Majearu, Balint, Piturca (Radu) e Lacatus.

Barcelona: Urruti, Gerardo, Migueli, Julio Alberto, Alexanko, Muñoz, Schuster (Moratalla), Pedraza, Marcos, Archibald e Carrasco.

Campanha: Quatro vitórias, três empates, duas derrotas. 13 gols marcados, cinco sofridos.

Jogos:
Primeira rodada
Vejle 1-1 Steaua
Steaua 4-1 Vejle

Oitavas de final
Honvéd 1-0 Steaua
Steaua 4-1 Honvéd

Quartas de final
Steaua 0-0 Kuusysi
Kuusysi 0-1 Steaua

Semifinal
Anderlecht 1-0 Steaua
Steaua 3-0 Anderlecht

Final - 7 de maio de 1986, Sevilla - Ramón Sánchez Pizjuán
Steaua 0-0 Barcelona (4-2 nos pênaltis)



terça-feira, 29 de maio de 2012

Fomos campeões: Aberdeen 1982-83

Foto: Staff.stir.ac.uk
Felipe Portes, @portesovic
De Éadinbárrgh-ESC

Tempos atrás, quando Sir Alex Ferguson ainda não era a imagem da vitória e do sucesso do Manchester United, lá em 1983 (três anos antes de deixar a Escócia para assinar com os Red Devils), o treinador obteve sucesso absoluto com o Aberdeen. Considerado como quarto poder na terra do kilt e da gaita de fole, Fergie levantou a Taça das Taças UEFA, contando apenas com atletas escoceses na formação titular.

Já em 1980, mostrou a que veio fez a proeza de interromper o domínio de Celtic e Rangers na liga local. Não contente com apenas uma taça, se acostumou a colecioná-las. Ferguson conduziu seus pupilos ao título da F.A Cup escocesa e conquistou o direito de disputar a Taça das Taças UEFA, que reunia todos os ganhadores de copas nacionais.

Foi então que na primeira jornada do torneio, estavam Aberdeen, Swansea, Sion e Braga. The Dons, como são conhecidos os rapazes protagonistas desse post, encararam o Sion. No Pittodrie, um sonoro 7-0 pra cima dos helvéticos, que assustados, certamente pensaram em não disputar o jogo seguinte em casa. Cumprindo tabela, os visitantes britânicos ainda acharam gás para mais um banho de bola. 4-1. Tudo começou muito bem para aquele plantel que era a espinha dorsal da seleção escocesa até o fim da década. 

Começando pelo guarda metas Jim Leighton, passando pelos beques Alex McLeish e Willie Miller, os laterais Doug Rougvie e John McMaster, os meias Neale Cooper, Neil Simpson, o genial Gordon Strachan e três atacantes de boa chegada, Mark McGhee, Eric Black e Peter Weir. Como antecipado no primeiro parágrafo, eram 11 jogadores naturais da Escócia, um trunfo para o orgulho que moveu o futebol do país.

Strachan: peça chave no meio campo dos Dandies 
O estilo marcante de passe e pressão do meio campo dos Reds era uma das principais características e até hoje se faz presente nas táticas de Ferguson. A defesa forte e de boa estatura não dava espaços, o meio campo fluía com velocidade e os atacantes, de mais movimentação, recebiam sempre em boa condição em relação à retaguarda adversária.

A primeira rodada após a qualificação frente o Sion aconteceu contra o Dinamo Tirana e o ferrolho albanês fez o Aberdeen suar frio para anotar apenas um tento sobre os quase anônimos rivais. 1-0 em casa e 0-0 fora deu a chance aos Dons de avançarem às oitavas de final. Ainda havia muito o que melhorar, como o sofrimento para vazar um simples esquema como o do Tirana. 

Na sequência, mais retranca, desta vez por parte do Lech Poznan. Com muito mais talento que os oponentes anteriores no caminho dos Dandies, os polacos se permitiam sair mais um pouco ao ataque, esbarrando em Miller e McLeish, extremamente seguros na cabeça de área vermelha. Nem dez homens colocados poderiam evitar o zigue zague por parte de Strachan, que abriu espaços e permitiu que os comandados de Sir Alex marcassem duas vezes. Feita a vantagem no Pittodrie, restou apenas um morno 1-0 na Polônia, no qual os Reds tiraram de letra, se resguardando e avançando para ter o Bayern adiante.

A sabedoria de Ferguson foi de grande importância e impulsionou a ótima
campanha dos Reds naquela Taça das Taças (Who ate all the pies)
Atirados aos leões
Evidente que os alemães iriam ser osso duro de roer. Sabendo disso, o elenco sentia calafrios e tinha de fazer a disparidade técnica ser superada pela determinação e o envolvimento. Para eles, o empate em 0-0 no Olímpico de Munique serviu como primeiro alívio. Alívio que só voltou a ecoar no vestiário do Aberdeen após o apito final na batalha seguinte, num elétrico 3-2 a favor dos escoceses, que de fato predominaram sobre a burocrática formação bávara. Fazendo da posse de bola e dos contragolpes sua principal arma, Ferguson seguia inabalável e invicto rumo ao troféu mais importante do seu clube.

O primeiro leão estava morto. Restavam ainda Waterschei da Bélgica (hoje extinto), Austria Viena e Real Madrid. Ao que interessava aos rapazes de kilt, os belgas não seriam lá grande problema se comparado ao poderoso esquadrão germânico derrotado na fase anterior. Sem dificuldades e tentando reprisar a atuação estonteante daquele já longínquo massacre contra o Sion, os Dons emplacaram 5-1 em casa, na sua semifinal. Não que tenha muita importância motivacional ou impacto no feito que Sir Alex e seus aprendizes realizaram, mas na segunda perna daquele estágio o rival impôs o primeiro revés da equipe avermelhada. 1-0 e a perda da invencibilidade que no fundo nem devia fazer (tal como não fez) tanta diferença.

O último e mais alto degrau
O dia 11 de maio de 1983, a chuvosa noite em Gotemburgo marcou um evento histórico. O confronto em terreno sueco colocou frente a frente o sempre temido Real Madrid versus os modestos rapazes britânicos que certamente estiveram acima de suas mais otimistas previsões de chegada no torneio. Rolou a bola e a objetividade do Aberdeen resultou em grande jogada de Strachan, cruzando para o meio da área onde Black não pensou duas vezes antes de acertar um voleio... na trave. O susto para o arqueiro Agustín foi grande. 

Instantes depois, em escanteio cobrado pelo elétrico Strachan achou McLeish vindo de um pique do meio campo. O zagueiro testou, contou com desvio da retaguarda madridista e só aguardou o rebote por Black, que desta vez só tinha o gol em sua frente. 1-0. Contra ataque violento do Real Madrid aos 14, e Santillana foi ao solo em falta de Leighton. Pênalti claro para o ídolo merengue Juanito cobrar. 1-1.

McGhee é acompanhado de perto por marcador do Real: batalha foi
resolvida na prorrogação (Site oficial Aberdeen)
Segurando a pressão vermelha, o Real passou a sobreviver dos erros de passe e cobertura. Dominados pela rapidez na intermediária por parte dos escoceses, sempre com Strachan, McGhee e Black, os espanhóis agradeceram algumas boas vezes ao iluminado Agustín, que evitou boas finalizações de balançarem as redes do gigante de Madrid.

Weir decidiu tentar acabar com o jogo e partiu driblando quem encontrava pela frente. Foram três atletas de branco superados na arrancada até que camisa 11 optasse pelo cruzamento visando o miolo da área. Bonet tentou afastar e a bola caiu na frente de Black, que cabeceou com força, pelo alto. A tendência de perder gols aos montes quase custou caro a Ferguson e sua patota.

Impaciente e sabendo que a vitória não viria do céu, o treinador escocês mudou e tirou Black para dar uma chance a John Hewitt. O resultado não foi imediato e já eram redondos 112 de duelo, sete da etapa final da prorrogação, quando o movimento crucial foi feito. McGhee arrancou pela esquerda, chamou o oponente para dançar, fez o breque e cruzou. Alguns gritos eufóricos já antecipavam o que viria: Hewitt estava livre e quase sem goleiro para tocar de cabeça e colocar o Aberdeen na frente. Apavorado, o selecionado de Di Stéfano se afobou e teve uma única chance real, com Salguero, de falta. 

Ao lado de Archie Knox, seu assistente, Fergie comemora o primeiro
de muitos títulos europeus (Who ate all the pies)
Trilhou então o apito para consagrar uma equipe aguerrida, com bons valores e o mais importante que só o futuro iria dizer: um brilhante manager. Sir Alex ainda levantaria duas ligas escocesas, duas F.A Cup e uma Taça da liga pelo Aberdeen. Em 1986, treinou a seleção do seu país no Mundial da Espanha e pouco depois escolheu o seu destino, no cargo que ocupa até hoje: lenda absoluta no Manchester United.

Aberdeen: Leighton, McMaster, Rougvie, McLeish, Miller, Cooper, Strachan, McGhee, Simpson, Weir e Black (Hewitt).

Real Madrid: Agustín, Juan José, Metgod, Bonet, José Antonio Camacho (San José), Ángel, Gallego, Stielike, Isidro (Salguero), Juanito e Santillana.

Campanha: Oito vitórias, dois empates e uma derrota, 25 gols marcados, seis sofridos.

Jogos:
Pré-eliminatória
Aberdeen 7-0 Sion 
Sion 1-4 Aberdeen

Primeira rodada
Aberdeen 1-0 Dinamo Tirana
Dinamo Tirana 0-0 Aberdeen

Oitavas de final
Aberdeen 2-0 Lech Poznan
Lech Poznan 0-1 Aberdeen 

Quartas de final
Bayern 0-0 Aberdeen
Aberdeen 3-2 Bayern

Semifinal
Aberdeen 5-1 Waterschei
Waterschei 1-0 Aberdeen

Final - 11 de maio de 1983, Gotemburgo - Nya Ullevi
Aberdeen 2-1 Real Madrid


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Fomos campeões: Estrela Vermelha 1990-91

Foto: Sport.blic.rs
Felipe Portes, @portesovic
De ainda não acredito que meu blog fez um ano-SRB

Voltando a um tempo em que o formato da Liga dos Campeões (ainda conhecida como Copa dos Campeões) era inteiramente disputado em play-offs e somente pelos vencedores de competições locais, a principal conquista sérvia (que ainda era conhecida como Iugoslávia) veio pelo Estrela Vermelha de Belgrado, tradicional pavilhão local que rivaliza e rivalizará até o fim deste planeta com o Partizan. 

Muita coisa mudou desde então. Agora alguns países tem direito a quatro vagas na LC, outros sofrem para sequer chegar à fase de grupos, a nomenclatura do certame mudou e a Sérvia se encontra numa pasmaceira futebolística, sem formar os grandes talentos de outrora. 

Pois bem, vamos pelo começo. Em 1990, quando equipes croatas ainda disputavam a mesma liga que os sérvios, eslovenos e aquele mundaréu de nações que surgiram após a dissolução da Iugoslávia, o Estrela caminhou para a vitória, deixando para trás o Dinamo Zagreb por 11 pontos. Seu maior rival, o Partizan, chegou em quarto e ficou com a vaga na Copa UEFA.

Prosinecki, cérebro daquele Estrela Vermelha
Foto: The vintage football club
Garantindo sua participação no maior torneio de clubes da Europa, os crveno-beli (alvirrubros em sérvio) passaram pelo Grasshoppers de Ottmar Hitzfeld na primeira rodada, empatando no Marakana em 1-1, mas atropelando na volta, no Letzigrund, por 4-1, com destaque para atuação de Robert Prosinecki, que marcou duas vezes. Pelo lado sérvio, Darko Pancev e Dusko Radinovic ainda balançaram as redes suíças.

Formado pela base da seleção iugoslava que participou Mundial de 1990, o Estrela contava com atletas do calibre de Sinisa Mihajlovic, Refik Sabanadzovic, Goran Juric, Miodrag Belodedici, internacional romeno, Vladimir Jugovic, Dejan Savicevic e Dragisa Binic, além dos supracitados Pancev e Prosinecki.

Pela segunda rodada, a tradição do Rangers entraria em campo para impedir o progresso do Zvezda. A missão dos escoceses de parar o bom futebol jogado pelos rapazes de Belgrado começou a ruir no Marakana com oito minutos do primeiro tempo. John Brown fez contra e complicou os visitantes. Prosinecki e Pancev marcaram num duelo em que a goleada poderia ter sido maior. Sem dúvida a vaga ficou decidida antes da segunda perna em Glasgow, onde não haveria muita margem para uma virada histórica. O empate por 1-1 com gols de Ally McCoist para os Rangers e Pancev para o Estrela selou a credencial sérvia para as quartas de final.

Savicevic foi crucial nos jogos contra o Dresden (Beliorlovi)
Sem sufoco até a final
Chegada a hora das quartas, o Crvena encarou o Dynamo Dresden, representante ilustre da Alemanha Oriental no certame europeu. Novamente sem muito esforço, o resultado saiu em Belgrado, com um 3-0 marcado por Prosinecki, Binic e Savicevic. A essa altura, os sérvios já tinham ideia do potencial que poderia ser explorado ao longo do torneio.

Em Dresden, no Glücksgas, Törsten Gütschow anotou uma penalidade logo aos três iniciais, esboçando uma reação. Savicevic voltou a balançar as redes e Pancev definiu novo triunfo crveno-beli e a chance de enfrentar o poderoso Bayern adiante.

Aconteceu que os bávaros não eram tão assustadores quanto o prometido. Em Munique, Roland Wohlfarth inaugurou o placar aos 22, assustando a torcida visitante, que já começava a pensar no que o professor Ljupko Petrovic poderia fazer para dar a volta na derrota parcial. Dentro do campo, a tensão envolvendo o cotejo era grande.

Restou aos infernais Savicevic e Pancev imitarem a atuação em Dresden, semanas antes. De virada, fora de casa, apenas um empate na Sérvia daria a chance do Estrela disputar sua primeira grande final continental. Na outra chave, o Marseille vencia o Spartak Moscou e se garantia sem maiores problemas, no primeiro grande passo da Era Tapie.

Diante de 80.000 pessoas no Marakana, Estrela Vermelha e Bayern empataram em 2-2, com participação peculiar de Klaus Augenthaler, que marcou duas vezes, uma contra e outra a favor. Manfred Bender ainda descontou para os germânicos, mas o estrago estava feito: era vez da Iugoslávia ser representada numa final europeia, tal qual o Partizan em 1966, que saiu derrotado pelo Real Madrid de Alfredo Di Stéfano.

Foto: O campo dos sonhos
Mais uma estrela no peito
A final contra o Marseille não seria de forma alguma fácil. A começar pelo fato que as duas nações envolvidas nunca haviam conquistado um troféu da Copa dos Campeões. Foi daí que o dia 29 de maio de 1991 marcou a entrada do Estrela no hall dos grandes que um dia já ergueram a taça mais desejada da Europa.

Repleta de nervosismo, a peleja de Bari viu dois rivais tumultuarem a meia cancha e um desafio particular: Dragan Stojkovic, ex-capitão do Estrela, agora alinhava pelos franceses, menos de um ano depois de ter se transferido. Para o azar de Piksi, ele só ingressou nos minutos finais da prorrogação, sem ter como evitar que o empate se prolongasse.

Recebendo três cartões amarelos, (Marovic, Mihajlovic e Binic) contra apenas um dos franceses, o Crvena se resguardou e não procurou tanto o ataque, e quando o fez, não conseguiu ultrapassar o sistema defensivo armado por Raymond Goethals, composto por Manuel Amoros, Eric Di Meco, Mozer e Basile Boli. 

Persistindo o empate sem gols e o teste de nervos, a decisão foi para os penais. Prosinecki converteu, e Amoros errou a primeira pelo Marseille. Binic, Belodedici e Mihajlovic também marcaram, Casoni, Papin e Mozer cumpriram com a sua parte e ficou tudo nos pés de Pancev, o camisa 9. O atacante não titubeou e balançou as redes, dando o título a sua equipe. A festa no San Nicola foi vermelha e branca, coroando uma campanha que passou longe de ser impecável, mas procedeu sem grandes ameaças.

Foto: Crvena Zvezda.rs
Estrela Vermelha: Stojanovic, Sabanadzovic, Najdoski, Belodedici, Marovic, Mihajlovic, Prosinecki, Jugovic, Pancev, Savicevic (Stosic), Binic.

Marseille: Olmeta, Amoros, Di Meco (Stojkovic), Mozer, Boli, Casoni, Fournier (Vercruysse), Waddle, Papin, Abedi Pelé, Germain. 

Campanha: 5 vitórias, quatro empates, 18 gols marcados, sete sofridos

Jogos:
1a rodada
Estrela Vermelha 1-1 Grasshoppers
Grasshoppers 1-4 Estrela Vermelha

Oitavas de final
Estrela Vermelha 3-0 Rangers
Rangers 1-1 Estrela Vermelha

Quartas de final
Estrela Vermelha 3-0 Dynamo Dresden
Dynamo Dresden 1-2 Estrela Vermelha

Semifinal
Bayern 1-2 Estrela Vermelha
Estrela Vermelha 2-2 Bayern 

Final - 29 de maio de 1991, Bari - San Nicola
Estrela Vermelha 0-0 Marseille (5-3 nas penalidades)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Fomos campeões: Parma 1994-95

Foto: Storie di Calcio
Felipe Portes, @portesovic
De Belgrado-SRB (200/200 posts, um marco histórico)

A saga crociati na Copa UEFA de 1994-95 começou na bela campanha feita na Serie A da temporada anterior. Naquela oportunidade, o quinto lugar para Nevio Scala e seus comandados serviu como alento para um grupo que se reforçou bem após o promoção da B, quatro anos antes. Com investimento da leiteria local Parmalat, o Parma conseguiu crescer no cenário italiano e assim tentaria também conquistar seu espaço continental.

Pela primeira vez qualificado a alguma competição europeia, a equipe gialloblu montou um plantel equilibrado, com bons valores em cada um dos setores. Luca Bucci era o titular debaixo das traves, deixando um jovem talentoso chamado Gianluigi Buffon no banco. Na defesa, Fernando Couto, Alberto Benarrivo, Luigi Apolloni, Roberto Mussi, Gianluca Falsini e Roberto Sensini, todos já devidamente internacionalizados. A meia cancha era formada por Gabriele Pin, Massimo Crippa, Dino Baggio, Tomas Brolin e Alberto Di Chiara. Por fim, o ataque trazia Gianfranco Zola, Faustino Asprilla, Marco Branca e Mario Lemme. 

A primeira rodada se demonstrou um tanto desafiadora. O Vitesse, equipe mediana da Holanda, parecia não trazer problemas para o lado italiano. Parecia. Em Arnhem, Hans Gillhaus marcou o único tento dos aurinegros na partida, aos 51'. Para o duelo no Ennio Tardini, os donos da casa precisariam balançar as redes ao menos duas vezes para avançar na competição. Zola tratou de cumprir a missão e marcou duas vezes, aos 24 e aos 75.

Avançando para a segunda rodada, o próximo adversário do Parma era o AIK, que jogava a primeira perna em seus domínios, em Solna. Com certo sufoco, Crippa marcou aos 73' e deu ampla vantagem para os crociati, que poderiam empatar em casa e ainda sim se classificar. Na Itália, Lorenzo Minotti emulou Zola na fase anterior e garantiu mais um ticket para as oitavas, contra o Athletic. Sem nenhum sufoco, a barca seguia.

Bilbao de Etxeberria e Guerrero complicou a vida do Parma
Foto: Iniestata.blogspot.com
O primeiro rival à altura (oitavas de final)
Com muito esforço, os gialloblu venceram o Athletic. Não sem suar frio com a possibilidade real de derrota no Ennio Tardini. A emoção começou em San Mamés, onde os bascos venceram por 1-0, gol marcado por José Ziganda, num confronto equilibrado em que os mandantes estiveram longe de perder o comando no placar. As saídas de contra ataque levavam perigo à defesa do Parma, que escapou de ser vazada mais de uma vez, o que complicaria a situação em casa.

Diante de 18.000 expectadores, os crociati começaram fazendo a lição de casa. Zola e Baggio (duas vezes)  marcaram para reverter o dano causado no País Basco. O embate ganhou contornos dramáticos quando Óscar Vales diminuiu para o Athletic aos 56'. Nove minutos depois, Couto aproveitou jogada na área adversária e concluiu, para deixar o Parma mais nas quartas. Julen Guerrero marcou o segundo dos visitantes e o caldo quase entornou com mais algumas descidas rojiblancas. Para a sorte de Nevio Scala e sua patota, ficou por isso mesmo. 

Toda a disciplina tática e a alta qualidade na ligação do meio campo com o ataque faziam o Parma um esquadrão sólido e capaz de encarar grandes rivais naquela Copa UEFA. O dinamismo e a objetividade certamente fizeram diferença nos passos dados pela agremiação, que se não tinha atletas de absoluto topo, compensava com dedicação e empenho em cada minuto de jogo.

Em foto de partida contra o Real Madrid, o ferrolho danês fica evidente (OB.dk)
Dinamarqueses e o ferrolho
Era chegada a hora das quartas de final. O adversário, o Odense, trazia uma retranca das temíveis, neutralizando as armas ofensivas italianas, e retardando o ritmo adversário. E assim se fez um singelo 1-0 com gol de Zola, marcado num pênalti, pouco após a volta do intervalo. A dificuldade em furar o bloqueio dinamarquês era grande e para o retorno, na Escandinávia, o buraco seria bem mais embaixo.

Um modorrento e tedioso 0-0 sem quase nenhuma chance de gol foi o retrato do cotejo em Odense, no qual os crociati puderam sem emoções avançar no certame, para enfrentar o emergente Bayer Leverkusen, no último passo antes da grande final.

Leverkusen e a afirmação gialloblu
Não tão tradicional assim, mas emergente, o Leverkusen pleiteava a vaga na finalíssima, tentando encontrar do outro lado o também alemão Dortmund. Contudo, nem mesmo a própria tarefa os moços da farmácia puderam executar e em casa, apanharam do Parma. A festa do visitante não deixou de acontecer mesmo com gol de Paulo Sérgio (aquele, ex-Corinthians e Bayern), aos 27. Descendo para o intervalo com a vantagem, os germânicos provavelmente julgaram que o ímpeto italiano havia acabado, a moral adquirida com as constantes vitórias estava minada. Erraram. 

Baggio e Asprilla destronaram o Leverkusen em cerca de dez minutos e a partir daí, só alegrias para os comandados de Nevio Scala. Sem correr grandes riscos jogando no Ennio Tardini, era hora de administrar a boa margem e colher os frutos antes de encarar a Juventus, que havia vencido os negro-amarelos na outra semifinal. Ah, enquanto isso na partida de volta, o Parma fez 3-0 com Asprilla (2) e Zola.

Retrato tirado na segunda perna da final da Copa UEFA de 1994-95 (twb.blogspot.com)
Rival doméstico é sempre problema
Já acostumados a se enfrentarem na Serie A, Parma e Juventus caminharam até a final com muito mérito. No Ennio Tardini a primeira parte da decisão foi marcada pelo nervosismo de ambas as partes e pela objetividade do lado gialloblu. Seria mais um daqueles 0-0 que não empolgam e até irritam, não fosse o gol de Dino Baggio aos cinco iniciais. Para a equipe bianconera, restava tentar fazer prevalecer a sua tradição e camisa, no San Siro, afim de colecionar mais uma copa.

Vialli tratou de igualar o agregado aos 33 iniciais da derradeira batalha daquela Copa UEFA. A esperança juventina permanecia viva, e por mais que um duro duelo contra aquela ousada formação crociati implicasse em penalidades, a confiança ainda estava com os atletas de Marcello Lippi. Pressão aqui, pressão ali e quem marcou foi o Parma. Aos 54', Dino Baggio decidiu a peleja e a missão de Scala era apenas segurar as investidas da Juve e comemorar ao fim dos 90 minutos. Novamente cumprido com maestria, o objetivo foi assegurado e assim a simpática equipe emiliana levantou a primeira de suas duas taças UEFA (a outra foi em 1998-99, com Hernán Crespo e grande elenco).

Campanha
1a Rodada
Vitesse 1-0 Parma 
Parma 2-0 Vitesse

2a Rodada
AIK 0-1 Parma
Parma 2-0 AIK

3a Rodada
Athletic Bilbao 1-0 Parma
Parma 4-2 Athletic Bilbao

Quartas de final
Parma 1-0 Odense
Odense 0-0 Parma

Semifinal
Leverkusen 1-2 Parma
Parma 3-0 Leverkusen

Final 
3 de maio de 1995 - Ennio Tardini, Parma
Parma 1-0 Juventus

17 de maio - San Siro, Milão
Juventus 1-1 Parma


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Descraques: Jerome Rothen

Foto: Telegraph.co.uk
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP (199/200)

Jerome Renée Marcel Rothen, um jogador que já começou errado pelo nome. Canhoto, nascido em Chatênay-Malabry, uma pequena comuna localizada na Ilha da França, começou sua carreira no futebol em 1994, pelo Caen. 

O garoto foi ganhando espaço com sua velocidade, bons passes e movimentação. Como meia, tinha domínio dos fundamentos da posição e não demoraria muito a ganhar autonomia dentro da França. Na verdade, demoraria sim. Depois do Caen, onde ficou até 2000, acertou com o Troyes, e aí sim se projetou nacionalmente, aos 22 anos.

Seu auge seria no Monaco, onde disputaria uma decisão de Liga dos Campeões, anos mais tarde. Todavia, deixemos isso para depois, vamos falar um pouco mais sobre os anos anteriores de menino Jerome. Trinta jogos em 2001-02 e atuações fantásticas pelo Troyes renderam uma transferência ao time do principado, que montava um plantel interessante e recheado de estrangeiros.

Derrotados pelo Porto, os monegascos lutaram bravamente até a grande final
Foto: Getty images
Titular já em 2002-03, colaborou e muito para o vice-campeonato francês do Monaco, que foi vencido pelo Lyon por apenas um ponto (68 a 67). Na temporada seguinte, era hora de subir um degrau, disputando a LC. Aquele ano, em especial, surpreendeu muitos especialistas no certame estrelado. Saindo de uma chave complicada, Les Rouge et blanc ficaram com a liderança, vencendo com 11 pontos, apenas um a mais que Deportivo e PSV, que foi eliminado.

Um a um os adversários iam caindo, juntamente com o seu favoritismo. E Rothen era considerado uma joia rara no meio campo monegasco, ao lado do capitão Ludovic Giuly, de Lucas Bernardi e Akis Zikos. Nenhum deles teve vocação para o estrelato, o que não eliminava a chance de mostrarem grande valor e eficiência. Foi-se o Lokomotiv, nas oitavas, depois o Real Madrid (esse com uma pitada maior de emoção, 4-2 no Santiago Bernabéu para os espanhois e 1-3 no Louis II classificaram Didier Deschamps e seus comandados).

Era hora de derrubar mais um azarão. O Chelsea de Hernán Crespo, que estava começando sua era de altos investimentos por Roman Abramovich, havia passado pelo grande rival Arsenal num eletrizante duelo em Stamford Bridge. Sem grandes dificuldades, o Monaco bateu os blues assegurou sua presença na Veltins Arena, em Gelsenkirschen, casa do Schalke 04, na finalíssima, contra o Porto.

No PSG, começou a decadência (Foto: Planéte PSG)
Considerado o segundo grande nome daquele plantel, Jerome só ficava atrás de Giuly na popularidade com os fãs europeus. Mesmo com a derrota para os portugueses na LC, Rothen foi lembrado pelo treinador Jacques Santini na convocação para a Eurocopa de 2004. A nau francesa afundou nas quartas de final, contra a Grécia, e essa seria a última competição de grande porte do nosso Descraque de hoje.

Assinando com o PSG para depois da fatídica Eurocopa, o rapaz queria estar num lugar onde brigaria por mais títulos. Coincidentemente ou não, os parisienses entraram numa crise tão grande que quase resultou em rebaixamento. Das cinco temporadas que esteve no Parc des Princes, as campanhas na Ligue 1 foram nono (2004-05 e 2005-06), 15o em 2006-07, 16o em 2007-08 e um admirável sexto, em 2008-09.

Cair em desprestígio após anos de glória se mostrou ser um duro golpe tanto para a equipe, quanto para Jerome, que foi emprestado ao Rangers no ano seguinte. No currículo dele, ainda constava só a Copa da Liga pelo Monaco em 2002-03 e PSG em 2008 a Copa da França em 2008.

Relegado ao time B dos parisienses, o empréstimo aos Rangers soou como salvação depois de um amargo tempo em que se lesionou com frequência. Mudar de ares parecia providencial para recuperar o bom futebol.

Posando de galã em Glasgow: novo flop de Rothen nos Rangers foi cruel
Foto: Daily mail
Foram apenas oito partidas em meia época no Rangers. Longe de ter qualquer sequência e sem esperanças, Rothen estava mais uma vez decepcionado, seu coração já estava cansado (abraço, @fgraziani) da rotina inglória que veio depois daquele sonho frustrado em Gelsenkirschen. Os escoceses estavam tão desagradados com a contratação, que quiseram se livrar do pobre meia antes do esperado. Vivendo num filme de drama provavelmente dirigido por Paul Haggis, aceitou a oferta do Ankaragucu, onde foi o melhor jogador da Liga Turca e marcou 39 gols em 30 jogos. Mentira, ele só teve 12 aparições e ainda sim como reserva.

Enfrentando muitas lesões, deixou o chinelismo tomar conta e se tornou um grande exemplo de ex-jogador em atividade. Passou 2010-11 amargando (veja só voce) o banco do PSG B, entrando em campo em míseras duas ocasiões. Super chateado, arrumou suas malas e foi para o Bastia, na segundona.

Com pompa de capitão, ainda que fora de forma, e em 30 jogos, balançou as redes quatro vezes, finalmente tendo papel determinante numa campanha vitoriosa. Campeões da Ligue 2, os rapazes da equipe córsega conseguiram a promoção à elite, juntamente com Stade de Reims e Troyes. Aos 34 anos, Jerome parece estar perto da aposentadoria. De contrato até o fim da temporada 2012/13, pode estar fazendo seu último ano como profissional.


TF História: O sérvio que brilhou nos Países Bascos

Milorad Pavic, o último estrangeiro 
a ganhar um título como treinador no 
Athletic Bilbao (Foto: SerBenfiquista)


Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

Por apenas aceitar jogadores nascidos ou desenvolvidos nos Países Bascos, o Athletic Bilbao é um dos mais emblemáticos símbolos da identidade basca. Se com atletas há todo este critério para a seleção, a presença de técnicos não-bascos é permitida, tanto que o atual é o argentino Marcelo Bielsa e outros treinadores já passaram pelo time. Todavia, o sucesso dos estrangeiros que tiveram a chance não foi tão grande, e como toda regra tem sua exceção, um nome em especial merece destaque na história do Athletic: o sérvio Milorad Pavic.

Com passagem pelo Estrela Vermelha, o sérvio quase teve que deixar o futebol de lado quando foi convocado pelo exército para defender sua nação na Segunda Guerra Mundial. Sobrevivendo ao conflito, foi capaz de desempenhar seu trabalho com êxito, sobreviver e em 1957 iniciar sua carreira de técnico no clube que defendeu quando mais jovem.

Depois de passar pelo gigante de Belgrado, Pavic foi para Bélgica, onde trabalhou por oito anos e conquistou duas Copas Belgas com o Standard Liége. Foi em 1972 que ele desembarcou em Bilbao para comandar o Athletic.

O mesmo Pavic, treinando o Celta (Foto: Yo entrené el Celta)
Nos Países Bascos, o sérvio não conseguiu obter sucesso instantâneo, e após uma primeira temporada pouco brilhante, precisaria trabalhar duro no ano de 1973 para mostrar a que veio. Mesmo com uma campanha pífia em La Liga, os seus comandados colecionaram boas atuações na Copa do Rei, até chegaram na final para enfrentar o Castellón.

Antes da decisão, o clube de San Mamés passou por dois combinados andaluzes, além de Real Oviedo, Sevilla e Málaga. No plantel, jogadores como o goleiro Irribia e os atacantes (e irmãos) Txetxu e José Francisco Rojo.

Foto: Edu Caxias.blogspot.com
Pois bem, eis que chegou o dia 29 de junho de 1973, um dia que viria a ser histórico na história do Athletic. Na grande decisão da Copa do Rei, os leões mostraram-se superiores e abriram o placar no 1° tempo com Arieta. Ainda antes do intervalo, Zubiaga ampliaria a vantagem, sacramentando o título da Copa do Rei e coroando o professor Pavic.

Milorad ainda permaneceria em território basco até 1974, quando se transferiu para o Benfica e sagrou-se campeão português. Ele ainda rodaria por Espanha, Portugual, França e Sérvia, retornando a Bélgica no ano de 1988 para encerrar sua carreira como treinador de futebol. Fazendo seu último trabalho no Standard Liége.

Passados 39 anos desde o título da Copa do Rei por Pavic, o Athletic Bilbao pode ver um segundo técnico estrangeiro sagrar-se campeão de algum torneio na história da agremiação. Marcelo Bielsa e seus comandados enfrentam o Barcelona nesta sexta-feira em jogo válido pela final da mesma competição conquistada no ano de 1973.

Um triunfo colocará El Loco na mesma condição de Pavic, como um dos poucos que brilharam no Países Bascos, mesmo sem ter tal origem.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Craques: Marcel Desailly

Foto: ABC.net
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Nascido em Accra, capital de Gana, o pequeno Odenke Abbey pouco entendeu o que a vida lhe traria aos quatro anos, quando mudou para a França. Sua mãe havia se casado com o responsável pelo consulado francês no país africano, e a chance era grande para que os meninos (Seth Adonkor era o outro filho, mais velho) fossem criados em condições melhores de vida. 

A nova fase em Nantes veio e agora Odenke era Marcel. Marcel Desailly. Juntamente com seu irmão, seguiu o caminho que o futebol proporciona, e dava seus primeiros chutes na bola, colocado na defesa. Grandalhão e bom na marcação, logo figurou entre o plantel do Nantes. Em 1986 estreou pelos canários, mas teve de esperar até 1988 para ser efetivamente titular.

As atuações seguras lhe valeram uma passagem para Marseille, onde defenderia o Olympique em 1992, que formava um esquadrão para tentar o título europeu, em história já conhecida por aqui na TF. No ano seguinte ganharia sua primeira chance na Seleção francesa e claro, a taça de campeão continental contra o Milan. Uma simples temporada rendeu o interesse dos italianos nos serviços de Marcel.

Foto: Quattro tratti
O ciclo glorioso continuou e logo de cara pelo Milan, Desailly ergueu a taça da Liga dos Campeões. Desta vez, com o requinte de marcar o gol da vitória, no famoso 4-0 em cima do Barça (relatado aqui neste mesmo blog pelo Felipe Ferreira). Já consagrado como atleta, viu de perto a eliminação francesa frente a Bulgária nas eliminatórias para a Copa de 1994, com gol de Emil Kostadinov restando dois minutos para o fim.

Nem tudo era frustração na segunda metade de 1994. Acumulando com a conquista europeia a Serie A italiana, também venceu a Supercopa UEFA. Atuando como volante na equipe rossonera, o francês se via como peça essencial no esquema armado por Fabio Capello, que mais tarde foi substituido por Óscar Tabárez, treinador uruguaio que concluiu o trabalho que resultou em mais um scudetto milanista, em 1995-96.

De partida novamente, desta vez para o Chelsea, em 1998-99, foi crucial para a sólida equipe francesa que venceu a Copa de 1998, em casa. Passando a segurança necessária para o restante do grupo, Desailly foi exemplo de garra e disciplina durante a competição que coroou Zinedine Zidane como estrela de nível mundial e na opinião de quem acompanhou de perto, o melhor de sua geração. A expulsão na final contra o Brasil de forma alguma tirou o brilho de sua participação como um todo no evento.

Foto: Daily Mail
No Stamford Bridge, chegou com pompas merecidas de campeão mundial. Não demorou para o traçado vitorioso voltar aos trilhos. Vencedor da Supercopa UEFA com o Chelsea, ainda carimbou no seu currículo os títulos da F.A Cup de 1999-00 e a Charity Shield em 2000, incrementando ainda mais uma história repleta de troféus. Sempre marcando suas aparições com força, vigor e precisão defensivas, Desailly comandou a defesa de Les Bleus na conquista da Eurocopa em 2000, contra a Itália, encerrando ali a era de um dos grandes esquadrões do futebol moderno.

Fosse em questão de elenco ou de domínio no cenário internacional, aquela França marcou época. E Marcel, pilar na retaguarda, tinha boa parcela no sucesso. Capitão do selecionado nacional após a Euro 2000, passou também pela maior decadência do futebol francês, no início da década de 2000.

Vencendo a Copa das Confederações em 2000 e 2003, foi o líder de um plantel apático que fracassou em sequer avançar às oitavas no Mundial de 2002. Duas derrotas, para Senegal e Dinamarca e um empate com o Uruguai selaram a volta para casa dos campeões, que entraram para a história como primeiros detentores do título a serem eliminados na primeira fase.

Seu tempo de Chelsea acabou em 2004, antes da última oportunidade em que vestiu a camisa da França. Novamente numa Eurocopa, e tal como no Mundial anterior, uma discreta passagem pela competição. Derrotados nas quartas pela futura campeã Grécia (com um gol de Angelos Charisteas), os campeões em 1998 experimentaram o ostracismo.

Antes de encerrar a carreira, Desailly jogou pelo Al-Gharafa, onde venceu a Liga Qatariana em 2004-05, e pelo Qatar SC, em 2006, este sim seu último ano como profissional.




terça-feira, 22 de maio de 2012

Desafortunados: Jorge Campos

Nunca o futebol mundial viu um goleiro tão versátil como Jorge Campos (Foto: AllSport) 
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

Você acha que seu time tem um jogador bastante versátil? Bem, pode até ter um volante que joga em todas as posições do meio-campo, além de jogar na lateral, um zagueiro que faz suas vezes como ala ou até mesmo um atacante que aparece como meio-campista. Contudo, é difícil achar um goleiro que saiba jogar em outra função que não seja a de usar as mãos para evitar gols do adversário. Pode até ter um guarda-redes que vá bater faltas e deixe seus gols, como Rogério Ceni, mas, ver o defensor da meta aparecendo como atacante, é algo quase impensável. Por essas e outras que Jorge Campos é um jogador bastante diferenciado se comparado aos demais.

Tendo apenas 1,73m de altura, o mexicano iniciou sua carreira no futebol profissional no ano de 1988, quando tinha 22 anos, jogando pelo Pumas. Porém, um empecilho atrapalhou os planos do pequeno grande goleiro. Adolfo Rios era um dos principais jogadores locais e titular incontestável dos felinos debaixo das traves. Querendo jogar, o atleta nascido na cidade da praia do Chaves de Acapulco decidiu inovar pediu para ser escalado como atacante. No ataque, o jovem não decepcionou e marcou 14 gols em sua primeira temporada, para a surpresa de todos.

Foto: Cultura futebolistica.wordpress.com
Apesar do bom desempenho no ataque, Jorge Campos queria mesmo era ser o goleiro titular do Pumas e na temporada seguinte tal condição foi alcançada. A baixa estatura não o atrapalhou e ele passou a se destacar graças à sua enorme elasticidade. Foram 6 anos como titular absoluto da meta do clube e, em 1995, o homem-elástico se transferiu para o Atlante.

Porém, 1 ano antes de mudar de ares, o versátil goleiro começou a chamar a atenção de todo o planeta bola. Convocado para defender a seleção mexicana na Copa de 1994, Campos ganhou seus quinze minutos de fama com seus extravagantes uniformes e espetaculosas defesas. Importante ressaltar que um ano antes do torneio nos Estados Unidos, ele sagrou-se campeão da Copa Ouro com o México.

Voltando a falar da carreira clubística, "El Brody", como era chamado, passou apenas uma temporada no Atlante, onde marcou um belíssimo gol de bicicleta em um jogo que jogou como atacante, e, em 1996, foi se aventurar nos Estados Unidos sendo contratado pelo Los Angeles Galaxy, que ainda não pretendia contratar David Beckham e ser o time galáctico da terra do Tio Sam. Em solo yankee, o dono das extravagantes camisas não foi bem, voltando ao México para não se dar bem no Cruz Azul e, depois, colecionar mais uma temporada ruim na MLS, dessa vez com o Chicago Fire.

Jorge, em 1996, pelo Galaxy
Buscando se reencontrar com o bom futebol, o goleiro-atacante retornou ao Pumas, onde ainda era idolatrado pela torcida. No seu antigo lar, ele conseguiu estabelecer uma boa sequência de jogos e marcar seus gols, garantindo vaga na seleção mexicana que disputou a Copa do Mundo de 1998. Além de que com o selecionado, ele ainda se sagraria campeão da Copa das Confederações, novamente da Copa Ouro e medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, tudo isso em 1999.

As glórias no ano de 1999 vieram quando o jogador estava vestindo uma nova camisa. Passando apenas uma temporada no querido Pumas, ele passou uma temporada no Tigres para depois retornar aos auriazules em 2000, já em fim de carreira.

Após esta passagem pelo Pumas, onde ficou até 2001, o goleiro ainda passou por Atlante e Puebla para em 2004 encerrar sua carreira e assumir o cargo de auxiliar-técnico na seleção mexicana, função que exerceu até 2006.

Ao todo, foram 562 jogos em toda sua carreira e 34 gols marcados. Mas, os números pouco importam, o que vem ao caso é que Jorge Campos, o popular "El Brody", foi um dos mais místicos goleiros que da história do futebol mundial.