Durante a batalha da semifinal do Mundial de 82, França e Alemanha fizeram um dos duelos mais dramáticos da história das Copas. Nele, um empate no tempo normal em 1 a 1 forçou a prorrogação, onde as duas equipes jogaram 30 minutos de um filme de suspense.
Era o duelo de dois opostos. A Alemanha ainda estava no período de transição para o futebol profissional. Não tinha tradição no esporte e enfrentava um adversário que não só liderava qualquer ranking mundial como botava medo em todo time que estivesse do outro lado. A aposta óbvia era contar os húngaros como campeões, mas o que se viu foi uma aula de superação.
O grande gol da Copa de 78 e o mais importante na vida de Gemmill Foto: Daily Mail
Imagine que a sua seleção fosse a mais promissora em muitos anos, chegasse numa Copa com um elenco invejável, mas passasse vergonha na fase de grupos. Feito isso, chegue ao jogo mais difícil da chave sem esperança alguma e vença. Pronto, agora você já pode se dizer um pouquinho escocês.
A Iugoslávia foi extinta oficialmente em 2002, sendo sucedida por Sérvia e Montenegro. Entretanto, em Copas do Mundo, a sua última grande geração deu o ar de sua graça pela última vez em 90, ao perder para a Argentina.
Se você pensa que a vida da França nas últimas Eliminatórias para a Copa tem sido difícil, deveria lembrar de 1993, quando Les Bleus ficaram de fora do Mundial dos EUA com um gol aos 44 do segundo tempo.
Documentário holandês mostra o ponto de vista da Laranja Mecânica após os eventos da Copa de 78, na Argentina: torturas, mentiras e o legado sombrio de Jorge Rafael Videla marcaram o Mundial vencido pela Albiceleste.
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP (Especial Romênia, parte 1)
A Romênia produziu alguma quantidade de talentos notáveis na década de 1990. Após o sucesso do Steaua na Copa dos Campeões de 1985-86, o futebol local foi impulsionado pelo sucesso da equipe ros-albastrii no certame europeu. Curiosamente naquele ano, também iniciava a sua carreira um determinado atacante.
Nas categorias de base do Dinamo Bucareste, Florin Raducioiu foi treinado e promovido ao plantel profissional por Mircea Lucescu, e aos 17 anos ganhou sua primeira chance. Em 1988 passou a ser titular e sua presença decisiva na área virou parte essencial no esquema dos cainii-rosii (cães vermelhos), que venceriam a Liga local em 1989-90, consagrando o jovem. Inesquecível para Florin foi o duelo contra o Steaua na final da Taça da Romênia.
Deixando três gols e assombrando os rivais, consolidou-se como grande promessa do país depois de Gheorghe Hagi. Foi a estrela absoluta de um elétrico 6-4 naquela decisão, fundamental para a conquista do caneco.
Em sua passagem pelo Bari, Florin não despontou
Foto: Klasik futbol
Bem cotado na seleção romena em 1990, com vinte anos de idade, foi convocado para a Copa do Mundo, na Itália. Presente em três dos quatro compromissos dos cárpatos no evento, Raducioiu passou em branco, surpreendentemente. Ainda sim, encantou os dirigentes do Bari e assinou contrato para a temporada 1990-91.
Sem muito brilho, não conseguiu evitar uma campanha pífia de sua equipe, que terminou na 13a colocação naquela Serie A, vencida pela Sampdoria. Realizando 30 partidas, foi às redes em apenas cinco oportunidades.
Negociado com o Verona, sua média de gols caiu novamente. Agora era questão de um a cada quinze aparições, revelando que se tratava de um flop dos bons. O restante do grupo também não ajudou, terminando o campeonato na antepenúltima colocação.
Foto: El show de las reconciliaciones (???)
Bancando o cigano, partiu para o Brescia em 1992-93, recuperando a boa fase e emplacou 13 tentos em 29 compromissos. Contudo, nem sua redenção evitou que o Brescia fosse rebaixado. Ao lado de Hagi, Ioan Sabau, Dorin Mateut, a comunidade romena se viu representada nas cores da equipe biancoazzurri. De malas prontas para o Milan, onde tentava mostrar que era de fato um bom nome para o futuro. Sem impressionar no San Siro, embarcou para o Mundial de 1994 sem muitas esperanças, apesar dos títulos da Serie A, Supercoppa Italiana e a Liga dos Campeões
Nem mesmo os familiares de Florin esperavam uma Copa tão regular e estonteante por parte do rapaz. Dois gols contra a Colômbia na primeira fase, boas participações contra Suíça e Estados Unidos e mais um doblete contra a Suécia nas quartas de final transformaram Raducioiu numa figura revigorada. Por muito pouco não deu uma grande chance da Romênia ir à semifinal.
Os seguidos insucessos teriam ficado para trás depois de envergar o manto de sua seleção? A pergunta seria respondida no Espanyol ganhou o posto de titular e em duas temporadas enganou bem na equipe catalã. Um novo capítulo internacional de sua carreira veio em 1996, quando marcou o único gol romeno na Eurocopa. Depois daquele ano, jamais voltaria a ser convocado.
Foto: Daily Mail
Para a torcida do West Ham, é uma péssima lembrança. Sem se adaptar ao estilo do clube londrino, mal entrou em campo e virou reserva. Protagonizou um infame acontecimento onde estava fazendo compras em um shopping, enquanto os Hammers estavam em campo. Dispensado, retornou ao Espanyol, onde continuou com a sua decadência.
Daí em diante era só derrota, diria o amigo @zenascimento. Acumulando insossas passagens por Stuttgart, Brescia, Dinamo Bucareste, Monaco e Créteil, Florin era assumidamente uma promessa que não vingou. De 1997 a 2004, viveu o mais puro ostracismo até se aposentar em divisões inferiores na França. Foi o fim de uma história que quase teve uma ressurreição. Como o quase não entra em campo, Raducioiu ficará sempre lembrado por ser um Desafortunado, como muitos outros que fracassaram em manter o sucesso.
Nunca o futebol mundial viu um goleiro tão versátil como Jorge Campos (Foto: AllSport)
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP
Você acha que seu time tem um jogador bastante versátil? Bem, pode até ter um volante que joga em todas as posições do meio-campo, além de jogar na lateral, um zagueiro que faz suas vezes como ala ou até mesmo um atacante que aparece como meio-campista. Contudo, é difícil achar um goleiro que saiba jogar em outra função que não seja a de usar as mãos para evitar gols do adversário. Pode até ter um guarda-redes que vá bater faltas e deixe seus gols, como Rogério Ceni, mas, ver o defensor da meta aparecendo como atacante, é algo quase impensável. Por essas e outras que Jorge Campos é um jogador bastante diferenciado se comparado aos demais.
Tendo apenas 1,73m de altura, o mexicano iniciou sua carreira no futebol profissional no ano de 1988, quando tinha 22 anos, jogando pelo Pumas. Porém, um empecilho atrapalhou os planos do pequeno grande goleiro. Adolfo Rios era um dos principais jogadores locais e titular incontestável dos felinos debaixo das traves. Querendo jogar, o atleta nascido na cidade da praia do Chaves de Acapulco decidiu inovar pediu para ser escalado como atacante. No ataque, o jovem não decepcionou e marcou 14 gols em sua primeira temporada, para a surpresa de todos.
Foto: Cultura futebolistica.wordpress.com
Apesar do bom desempenho no ataque, Jorge Campos queria mesmo era ser o goleiro titular do Pumas e na temporada seguinte tal condição foi alcançada. A baixa estatura não o atrapalhou e ele passou a se destacar graças à sua enorme elasticidade. Foram 6 anos como titular absoluto da meta do clube e, em 1995, o homem-elástico se transferiu para o Atlante.
Porém, 1 ano antes de mudar de ares, o versátil goleiro começou a chamar a atenção de todo o planeta bola. Convocado para defender a seleção mexicana na Copa de 1994, Campos ganhou seus quinze minutos de fama com seus extravagantes uniformes e espetaculosas defesas. Importante ressaltar que um ano antes do torneio nos Estados Unidos, ele sagrou-se campeão da Copa Ouro com o México.
Voltando a falar da carreira clubística, "El Brody", como era chamado, passou apenas uma temporada no Atlante, onde marcou um belíssimo gol de bicicleta em um jogo que jogou como atacante, e, em 1996, foi se aventurar nos Estados Unidos sendo contratado pelo Los Angeles Galaxy, que ainda não pretendia contratar David Beckham e ser o time galáctico da terra do Tio Sam. Em solo yankee, o dono das extravagantes camisas não foi bem, voltando ao México para não se dar bem no Cruz Azul e, depois, colecionar mais uma temporada ruim na MLS, dessa vez com o Chicago Fire.
Jorge, em 1996, pelo Galaxy
Buscando se reencontrar com o bom futebol, o goleiro-atacante retornou ao Pumas, onde ainda era idolatrado pela torcida. No seu antigo lar, ele conseguiu estabelecer uma boa sequência de jogos e marcar seus gols, garantindo vaga na seleção mexicana que disputou a Copa do Mundo de 1998. Além de que com o selecionado, ele ainda se sagraria campeão da Copa das Confederações, novamente da Copa Ouro e medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, tudo isso em 1999.
As glórias no ano de 1999 vieram quando o jogador estava vestindo uma nova camisa. Passando apenas uma temporada no querido Pumas, ele passou uma temporada no Tigres para depois retornar aos auriazules em 2000, já em fim de carreira.
Após esta passagem pelo Pumas, onde ficou até 2001, o goleiro ainda passou por Atlante e Puebla para em 2004 encerrar sua carreira e assumir o cargo de auxiliar-técnico na seleção mexicana, função que exerceu até 2006.
Ao todo, foram 562 jogos em toda sua carreira e 34 gols marcados. Mas, os números pouco importam, o que vem ao caso é que Jorge Campos, o popular "El Brody", foi um dos mais místicos goleiros que da história do futebol mundial.
Sebastian Deisler: o destino não ajudou (Foto: Fussball24)
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP
Sebastian Deisler surgiu em um momento em que o futebol alemão não formava grandes jogadores, via a tradição do 3-5-2 com o líbero se encerrar, a National Mannschaft se via carentes de grandes nomes, visto que o único atleta de destaque era o goleiro Oliver Kahn, que começava a despontar para o mundo. Até que Deisler começou a obter grande destaque mostrando muita habilidade na ponta-direita e surgindo como a maior promessa dos últimos tempos no país.
Sua estreia no futebol profissional veio no ano de 1998, até então com 18 anos, jogando pelo Borussia Monchengladbach. Apenas uma temporada se passou, os potros foram rebaixados e Sebastian acabou por se transferir para o Hertha, onde mostrou todo o seu potencial, além de passes e dribles de efeito.
Ainda com 20 anos e já visto como uma possível salvação no cenário germânico, o meia foi chamado para a disputar sua primeira grande competição com a seleção alemã: a Eurocopa de 2000. Apesar de certa expectativa, o desempenho da Nationalelf foi totalmente apático e uma eliminação logo na primeira fase fez cair por terra as esperanças de redenção.
Foto: Futebol chucrute
Após a Euro, Sebastian seguiu apresentando bom futebol em Berlin. Chegou 2001, e ele teve seu primeiro grande problema físico da carreira. Uma grave lesão no joelho direito acabou fazer com perdesse toda aquela temporada e desfalcasse a seleção alemã na Copa do Mundo de 2002. Tudo isto desencadeou nos seus primeiros problemas emocionais, que viriam atrapalhar (e muito) sua trajetória.
Recuperado da lesão, Deisler se transferiu do clube da capital alemã logo após o fim da Copa de 2002 e acertou com o todo-poderoso Bayern, onde teria a oportunidade de expor ainda mais sua qualidade, não sem cobranças por parte da diretoria e torcida bávaras.
Os primeiros anos no clube bávaro foram decepcionantes. O meia sentiu toda pressão em sua volta, colecionou lesões, e a titularidade não vinha com tanta frequência. O conjunto de toda essa negatividade fez com que o jogador se afundasse na depressão, se complicando bastante.
Foto: Badische-zeitung.de
Na temporada 2004-05, Deisler amadureceu muito quando teve a chance de ser pai pela primeira vez, e pareceu readquirir confiança, ainda mais com o fato de ter passado a jogar regularmente. já que Michael Ballack, titular absoluto do Bayern até então, havia arrumado suas malas e partido para o Chelsea. Demonstrando grande melhora, voltou representar a Alemanha na Copa das Confederações de 2005 e provou por a+b que ainda teria lenha para queimar.
Quando tudo ia bem, as lesões e o emocional não incomodavam tanto, Sebastian sofreu um duríssimo baque. No ano de 2006, o jogador teve nova lesão, desta vez no joelho esquerdo, e mais uma vez, foi impedido de disputar a Copa do Mundo daquele ano, com o seu lado psicológico completamente abalado.
A lesão colocou o meia novamente num turbilhão emocional, até o ponto de ele não conseguir se recuperar de jeito nenhum deles. Foi então que no ano de 2007, com apenas 27 anos, a eterna promessa do futebol alemão anunciava sua aposentadoria, para surpresa de muitos.
Crente de que Basti (como era chamado) voltaria atrás, o Bayern não rescindiu seu contrato. O vínculo venceu em 2009 e hoje só resta a melancolia na Alemanha em função da tão promissora carreira de Deisler ter sido encerrada da forma prematura que foi.
Simic fazendo o que mais gostava: pancadas não intencionais (Zimbio)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP
100 jogos pela Croácia. Três Copas do Mundo, três Eurocopas e passagens por dois dos maiores clubes italianos: este é o currículo de Dario Simic, que para muitos, ainda ficou devendo como zagueiro/lateral/volante/gandula/garoto do suco.
Nascido em Zagreb, o lugar mais óbvio para se dar a luz a um croata futebolista, o menino Dario deu seus primeiros botes na categoria de base do Dinamo, o clube mais óbvio para formar um croata futebolista, em 1992. Lá encontrou seu lar dentro de campo, na defesa. Servia bem como lateral direito, mas também jogava de zagueiro, improvisava de volante, até de líbero. Versátil o rapaz, logo virou peça chave no esquema dos plavi e em especial do professor Miroslav Blazevic.
Parceiro de figurinhas carimbadas como Tomislav Butina, Drazen Ladic, Mario Stanic e Goran Vlaovic, Simic conquistou cinco vezes o Croatão, que com muita justiça hoje deveria se chamar Liga Stana Katic de futebol profissional, ou Stanão, mas é só uma ideia idiota.
Com ou sem Stana Katic no nome, Dario e seus comparsas, os bad blue boys, ergueram o caneco da Liga em (anote aí também os números da Mega-sena): 1992-93, 1995-96, 1996-97, 1997-98 e 1998-99. 6-13-19-23-48-57. Um ganhador foi sorteado em Vilhena-RO. Da HNL Cup então, quatro vezes: em 1993-94, 1995-96, 1996-97, e 1997-98. E então, o ciclo do lateral se encerrou após o último troféu doméstico, com propostas da Internazionale. (Caceta, quase todos os dez últimos perfis que escrevi os caras passaram pela Inter, puta vida).
Foto: Posto Ipiranga (dãa)
Deveria ter ouvido aos suplícios de Mamãe Simic que dizia: Mas filho, cê vai pra Milão porcausdiquê? Qui em Zagreb cê ganha tudo, não tem pro Hajduk Split e nem pro Cibalia, num vai minino, num faz isso ca sua mãe. Entretanto, a gana de despontar como grande talento internacional seduziu o rapaz, que aos 24 anos, pegou mala e cuia e foi-se embora para o Giuseppe Meazza.
Reserva absoluto, o croata demorou a se adaptar ao estilo de jogo italiano e até apareceu bastante como substituto nos quatro primeiros anos de Inter. De marcação forte e bom desarme, pecava na saída de bola e constantemente deixava brechas na cobertura, ainda que não fosse um atleta muito ofensivo. Os passes também eram uma negação, talvez se só o encarregassem de evitar ataques do oponente, teria obtido mais êxito na equipe nerazzurri. Detalhe: jogou quase sempre como zagueiro.
Pela seleção croata ia bem, obrigado. Com participação discreta na Euro em 1996, realizando apenas um jogo, galgou sua posição como pilar defensivo dois anos depois, no Mundial da França. Somando seis aparições, incluindo a fatídica semifinal onde os donos da casa se beneficiaram de certa forma da arbitragem, e bateram os axadrezados por 2-1, com direito a tapa na cara por parte de Laurent Blanc e gol de Lilian Thuram. Parte da imprensa acredita que a Croácia é a campeã moral daquela competição (por parte da imprensa, entenda esse que vos escreve).
Ainda foi aos Mundiais de 2002 e 2006, sempre com a cota Simic na lateral, que só foi anulada em 2008, na Eurocopa, com a aparição de Vedran Corluka na ala direita. Dario foi mero coadjuvante no evento sediado na Áustria-Suíça. Mas voltando ao seu histórico por clubes, em 2002-03 virou a casaca em Milão para a indignação da torcida interista. (Mentira, ninguém fez nenhum tipo de objeção)
Ganhou espaço no Milan e era presença constante no segundo tempo, para
evitar maiores danos defensivos (Foto: football wallpapers)
No Milan mudou sua característica. Passou a jogar de lateral, como na seleção. Parte da campanha milanista vitoriosa na Liga dos Campeões de 2002-03 sobre a Juventus, nos penais, deu o azar de ser desfalque nas três derradeiras partidas. Machucado, não retomou a mesma forma nos anos seguintes e caiu de produção, servindo apenas para esquentar o banco de Cafu. (Xarope que só ele, passou a ficar incomodado com a situação e cornetou Carlo Ancelotti por ser esquecido nas profundezas da reserva). Até 2008 ficou num impasse e jamais conseguiu resgatar os velhos tempos de Dinamo, era agora o famoso gerente do banco rossonero.
A insatisfação que estava evidente fez com que ele buscasse novos ares. Em 2008, quando também perdeu a regalia na seleção nacional, aos 33 anos, percebeu que era hora de sair da Itália. O Monaco, que já era apenas a sombra daquele bravo esquadrão vice campeão europeu em 2004, abriu as portas e lá foi Dario em busca de uma última razão para comemorar. Bicampeão europeu, campeão da Serie A, Coppa Italia e Supercoppa com o Milan, motivação não faltava. Faltava era um elenco decente para os monegascos, que tiveram de se contentar em chegar em décimo-primeiro e oitavo, respectivamente nas temporadas de 2008-09 e 2009-10.
Bateu saudade de casa e em 2010 Simic retornou à Zagreb com uma música na cabeça: no dia em que eu saí de casa/ minha mãe me disse/ filho vem cá/ passou a mão em meus cabelos/ olhou em meus olhos/ começou falar e então teria seu último ano como profissional no lugar onde se consagrou, ao menos para os locais. Devia ter ouvido Dona Simic e continuado em casa, mas a ambição falou mais alto. Encerrando com dignidade a sua caminhada, venceu a Super Copa da Croácia e pendurou as chuteiras.
Felipe Portes, @portesovic
De Rosana-SP [ATENÇÃO: este post contém informações biográficas inverídicas sobre o atleta em questão]
Ícone dos yankees na Copa de 1994 nos EUA, Tony Meola foi o capitão de uma geração que estava aprendendo a jogar futebol na terra do Tio Sam. Teve seu primeiro contato com o soccer na Universidade de Virginia, e de tão bem que se saiu foi convocado para o Mundial sub-20 de 1987, vencido pela Iugoslávia. Três anos depois disputou o Mundial de 1990 na Itália e sua participação segura garantiu um empréstimo ao Brighton & Hove Albion, que hoje disputa o Npower Championship.
Sem sucesso, no mesmo ano ainda jogou pelo Watford, encerrando sua expedição pelo futebol britânico, por problemas na licença de trabalho. Depois de 1991, quando jogou pelo Fort Lauderdale Strikers, demorou três anos até retornar a defender alguma equipe que não fosse a seleção dos EUA. Somente em 1994, pouco antes da Copa, que assinou com o Buffalo Blizzard, de futsal. Em 1995, com moral após boa apresentação nos quatro jogos dos americanos (o último contra o Brasil em 4 de julho, dia da Independência), reiniciou sua trajetória clubística pelo Long Island Rough Riders (que não era um time de motoqueiros gays).
Grandalhão, teve de esperar até 1996 para ter uma chance na MLS. O NY Metrostars (hoje Red Bulls e com Thierry Henry) contou com os serviços do gordachão até 1998. A fase não era boa e ele não teve chances no Mundial da França. Bem, Meola se mudou para o Kansas City Wizards em 1999 e lá ficou até 2004, e em 2005, às vésperas de pendurar as luvas, voltou ao NY, que já passava por processo de transformação em Red Bulls. Ameaçou retornar ao futebol em 2008, pelo New Jersey Ironmen, novamente se aventurando no futsal, sem sucesso.
Uma curiosidade sobre Tony é que ele foi kicker do New York Jets na NFL em meados de 1994, e também jogava basquete e baseball antes de completar 20 anos, na Universidade de Virginia.
[Versão alternativa e não oficial]
Lawman: o último quase trabalho de Meola como dublê de Seagal (AETV.com)
Antonio Michael Meola é filho de italianos (até possui dupla cidadania) e ainda jovem aprendeu a lutar artes marciais. Com o sucesso de filmes estrelados por Steven Seagal, o ator, sempre lembrado por seu rabo de cavalo precisava de um dublê. A semelhança de porte físico entre os dois era tão grande que logo no primeiro teste que Meola fez para o papel, o próprio Seagal requisitou ao seu staff que ele fosse contratado.
Os infindáveis compromissos cinematográficos impediam Tony de jogar por clubes. A saída para que os fãs do atleta, e não do dublê não percebessem era justamente ele continuar vestindo a camisa da seleção. Foram mais de 100 atuações pelos EUA e mais de trinta filmes iguais com Seagal. Fora de forma, em 2011, foi cogitado para participar de Lawman, uma série estrelada pelo astro da pancadaria, mas acabou perdendo a vaga para um ator mais jovem.
Hoje, Tony é comentarista esportivo e nas horas vagas apresenta um programa de utensílios domésticos na tv fechada norte-americana. A Tonyshop vende tralhas que podem ser compradas por telefone por pessoas que ainda acreditam em tranqueiras tecnológicas multifuncionais, como escovas de dente com fio dental/espelho/aplicador de flúor, liquidificador/processador de alimentos/torradeira/grill e o incrível incinerador de lixo/purificador de marofa/aspirador de pó entorpecente.
Felipe Portes, @portesovic
De Helsinki-FIN (tá frio pra caraco aqui, mas tá bacana)
A arma secreta de um bom beque é a aptidão para descer o sarrafo e não levar cartão vermelho por isso. Outros diriam que é o bom desarme que faz um zagueiro ser reconhecido mundialmente. Para qualquer outro atleta as duas alternativas anteriores são válidas. Mas não para Marco Materazzi, que em seu momento mais célebre, conseguiu esquentar o temperamento de Zinedine Zidane a ponto do francês, já campeão do mundo e coroado como melhor da sua geração, lhe acertar uma cabeçada no peito, nos minutos finais de uma Copa.
Bem, a história de Marco é cheia de momentos inusitados. Como o futebol corria em suas veias (é filho de Giuseppe Materazzi, que jogou por Lecce, Reggina e Bari na década de 1970), logo foi se familiarizando com o esporte e aos 17 já integrava os elencos juvenis do Messina, em meados de 1990. Demorou até alcançar o profissional, em 1993, pelo Marsala. Tão logo demonstrou uma de suas principais características: o faro de gol. Aparecia bem na área adversária em bolas paradas para marcar. Vários foram os tentos providenciais que marcou de cabeça, de canela, salvando as equipes que defendeu.
Depois do período de Marsala, desfilou no Trapani por uma temporada e foi contratado em 1995 pelo Perugia, onde ganharia fama no cenário italiano. Com força incomum e talento para marcação (e anulação de adversários), virou referência defensiva no grifoni. Emprestado ao Carpi em 1998, retornou ao Perugia e passou uma época no Everton. Sua imagem de caneleiro foi construída a partir daí.
Cena comum de Marco em sua passagem pelo Goodison Park
Foto: The sun
Conhecido como "The Butcher" pelos ingleses (nenhuma referência ao zagueiro Terry Butcher, o termo no caso de Materazzi era açougueiro mesmo), foi expulso quatro vezes em menos de trinta jogos pelos Toffees. De volta à Itália, defendeu o Perugia por mais dois anos. Em 2001 selou seu destino ao acertar com a Internazionale. Todo aquele papo de fazer muitos gols e baixar o cacete nos atacantes ficou ainda mais sério: Marco agora era convocado pela Squadra Azzurra. Ou seja, um ranca toco internacional.
Seu principal alvo na Serie A era sem dúvida Andriy Shevchenko. Rei da pancadaria nos clássicos contra o Milan, o beque sempre se desentendeu com o ucraniano dentro das quatro linhas. Evidente que não podemos classificar o camisa 23 como apenas um doido varrido e bom de briga. The Matrix também tinha certa técnica. Não era seu ponto forte, claro, mas enfim.
Presença constante na seleção italiana, disputou as Copas de 2002 e 2006, as Eurocopas de 2004 e 2008. Foi na Alemanha, em 2006, que ficou gravado na memória dos amantes do futebol como um dos maiores vilões (para todo o mundo, exceto para a Itália, que se beneficiou de sua peripécia). Assumiu a vaga de titular após a lesão de Alessandro Nesta e ficou no posto até a dramática decisão contra a França.
Eram sete minutos do primeiro tempo, quando Marco derrubou Florent Malouda dentro da área. A imprudência resultou em pênalti, cobrado com extrema classe e ousadia por parte de Zidane. 1-0. 12 minutos depois, a redenção: Pirlo bate escanteio e Materazzi, que havia feito bobagem pouco antes, testa para vencer Fabien Barthez. 1-1. O clima tenso se seguiu e o empate prevaleceu até a prorrogação. Foi aí que a malandragem do zagueirão fez a diferença.
A famigerada cabeçada de Zidane (football wallpapers)
Provocando o capitão francês até o limite, o italiano em determinado lance levou uma cabeçada no peito e conseguiu causar a expulsão de Zidane, que se aposentadoria minutos depois, sem arrependimento algum pelo que fez. De acordo com Marco, o entrevero com Zizou aconteceu por causa de um simples pedido de troca de camisas. Após recusa do capitão rival, ele então retrucou dizendo que "preferia a vadia da irmã" de Zinedine, que se enfezou e levou o cartão vermelho. A França teve de permanecer focada na partida por mais dez minutos, antes dos penais. O restante desse episódio todos sabem o final.
Conduzindo uma carreira cheia de botinadas e de títulos pela Inter, foi em 2010/11 que o zagueiro experimentou como era o outro lado da moeda. Em determinado clássico contra o Milan (no qual ele distribuía pontapés sem dó), ficou frente a frente com Zlatan Ibrahimovic, encrenqueiro mundialmente conhecido por também ter lutado taekwondo quando jovem. Seria uma dividida normal se o sueco não tivesse entrado com a sola por cima da pelota e acertado a cintura do adversário nerazzurri. Ironicamente, Ibra saiu só com um cartão amarelo.
Ídolo às avessas da torcida interista, Materazzi disputou sua última temporada justamente em 2010/11, quando o Milan saiu vencedor do scudetto, interrompendo o reinado da outra grande torcida milanesa. Aos 38 anos não se encontra aposentado, de acordo com o colega @arthurbarcelos_, que confirmou o fato do camisa 23 ainda estar ponderando sobre jogar mais uma ou duas temporadas, trabalhando com a possibilidade de assumir algum cargo técnico dentro da Inter.
Gol de Sparwasser derrubou por um dia a Alemanha que seria campeã do mundo
contra a Holanda de Johann Cruyff (Foto: Superillu.de)
Felipe Portes, @portesovic
De Belgrado-SRB
Um gol em
Copas do Mundo significa mais do que uma medalha, um baú repleto de ouro para
um jogador. Um gol em clássico de Mundiais, um tanto a mais. Um gol com
significado libertador e que representou todo um conflito entre países irmãos,
no caso duas partes do mesmo país, não há riqueza que se iguale.
É o caso de
Jürgen Sparwasser, ex-atacante da Alemanha Oriental (parte comunista do país) e
que marcou o gol de seu lado da pátria contra a poderosa irmã ocidental e
futura bicampeã mundial em 1974. Numa época em que as mazelas políticas e a Guerra fria ecoavam em todos os cantos
do globo, o tento marcado por Sparwasser (77 minutos) foi o marco de uma
batalha travada dentro do gramado e fora dele.
Com a
Revolta de 1953 em território germânico, milhares de alemães do lado oriental
tiveram de se refugiar do outro lado do Muro de Berlim, para evitar a repressão
que havia contra os ideais comunistas. E
é neste cenário de luta pela soberania que o duelo entre as duas irmãs ocorreu
no mundial sediado em seu país.
Era 22 de
junho de 1974, no Volkspark Stadion, em Hamburgo. Pelo selecionado azul
oriental, alinhavam: Croy, Kurbjuweit, Bransch, Weise, Waetzlich, Kische,
Kreische, Lauck, Irmscher, Sparwasser e Hoffmann.
A Alemanha
Ocidental, de branco, escalou Meier, Vogts, Schwarzenbeck, Beckenbauer,
Breitner, Cullmann, Overath, Hoeness, Grabowski, Müller e Flohe.
O domínio
dos ocidentais era completo. Breitner passeava em campo, e Müller trazia muitas
preocupações ao goleiro Croy. Um dos bons lances azuis na peleja, foi com
Kreische, que desperdiçou chance vital debaixo das traves de Meier. A pressão
se manteve até que o camisa 14, Sparwasser, recebeu passe pelo alto, matou no
peito, tirou o marcador e entrou na área. Com espaço mínimo, ele fuzilou o arqueiro Meier, que nada pode
fazer.
Com
cambalhotas, Sparwasser não sabia ao certo como externar a sua alegria de ter
marcado num jogo tão desigual. Antes de ser um confronto entre duas faces de
uma Alemanha, era um jogo entre um gigante e uma equipe mais acanhada, sem brilho.
Num dos raros casos em que a vontade sobrepõe ao talento, a DDR (denominação
para o lado oriental germânico) viu o futebol como válvula de escape aos
terríveis anos que se passaram por questões políticas e ideológicas.
O gol de
Jürgen foi quase como um grito de
liberdade. Contam os mitos do mundo da bola, que ele recebera prêmios do
governo comunista da DDR, como um carro e uma propriedade. Os atos, vistos como
manobra governamental para explorar o seu feito. Sensato e sem intenção de se
alinhar ao movimento, Sparwasser sempre negou com veemência que tivesse sido
“agraciado” pelos chefes de estado, tendo inclusive deixado o seu país em 1988,
pouco antes da queda do Muro de Berlim.
A Copa Chile de 87, alavancou a carreira de Zamorano. (La Redó!)
Bruno Núñez, @BrunoNunez
De São Paulo-SP
Seus primeiros passos no mundo da bola se deram em campos de terra cheios de pedras em Maipú, um bairro de classe baixa de Santiago, poucos que jogavam com o menino franzino de origem humilde, poderiam apostar que naqueles campos estaria surgindo um dos maiores jogadores da história do futebol chileno. No mesmo patamar de lendas, como Elías Figueroa, Leonel Sanchez, George Robledo e seu contemporâneo Marcelo Salas.
Zamorano começou jogando como zagueiro central, mas logo demonstrou que seu ofício era o gol, e como atacante chamou a atenção de muitos, sendo o principal jogador do Benito Juárez, clube onde jogou durante sua infância. O menino já era um homem, tinha perdido seu pai com apenas 13 anos de idade, tendo que assumir a responsabilidades em casa, ajudando sua mãe e irmã. O sonho de ser jogador era uma obrigação, seu pai sempre o apoiou muito e antes de morrer sempre dizia a sua mulher – ‘’O menino vai ser muito bom’’.
O sonho de virar jogador profissional se tornou realidade em 1985, Iván desembarcou no acampamento mineiro de El Salvador, o Cobresal pagou uma merreca para ter o jovem em seu elenco. Logo chamou a atenção, mas o técnico Manuel Rodríguez preferiu emprestar o garoto para ganhar experiência em um clube de uma divisão inferior. Com isso Zamorano jogou em mais um time de mineiros, o Cobreandino (atual Trasandino de Los Andes). A passagem dele pelos gramados maltratados da segunda divisão do país andino foi mais do que positiva, foram 27 gols em 29 jogos no campeonato de 1986.
Após a temporada que mostrou
ao Chile sua capacidade goleadora, Zamorano voltou ao Cobresal, que graças ao
dinheiro vindo da mineração de cobre, conseguiu montar um time de respeito.
Iván ajudou o clube a conquistar o troféu mais importante da história do clube,
a Copa Chile de 1987, seus 14 gols em 14 jogos levaram o clube a final contra o
Colo Colo, que foi derrotado por 2 a 0 pelo clube do acampamento mineiro.
Coroado rei na Suíça, Zamorano começou a chamar a atenção dos grandes da Europa (blick.ch)
Seus gols logo chegaram ao
conhecimento do futebol europeu, 350 mil dólares foram suficientes para
Zamorano chegar ao Bologna, aonde não chegou a jogar nenhum jogo, rapidamente
sendo emprestado para o St. Gallen da Suíça. No pontual (?) futebol suíço, o
franzino jogador ganhou força para enfrentar as duras marcações europeias, as
três temporadas no St. Gallen (88-89, 89-90 e o começo de 90-91) foram
prolíferas, o atacante se sagrou artilheiro da Liga Suíça com 23 gols na
temporada 1989-90 e de quebra ganhou o prêmio o melhor estrangeiro daquela
mesma temporada.
Zamorano ficou famoso pela
Europa graças aos seus gols em terras suíças, principalmente pelos gols feitos
de cabeça, a especialidade de Iván, o Terrível, apelido dado pelos jornais
europeus. O técnico chileno-argentino Vicente Cantatore, que dirigia o Sevilla
em 1990, precisava de um atacante para fazer dupla com o croata Davor Suker,
tentando achar o jogador ideal para seu ataque, foi até a Suíça ver Zamorano
jogar, e se decepcionou, já que o atacante não fez gols nos jogos em que esteve por lá. A sorte de Zamorano foi que seu companheiro de ataque no St.
Gallen, o também chileno Hugo Rubio, conhecia muito bem Cantatore, ambos haviam
estado juntos no Cobreloa, uma longa conversa entre os dois ajudou na decisão
do técnico, que acabou requerendo Zamorano nos Sevillistas, que desembolsou 2.5 milhões de dólares para ter o
atacante.
A mudança dos Alpes para a
terra das touradas não foi fácil, Zamorano não começou nada bem no Sevilla, na
primeira temporada fez apenas nove gols, nem perto dos seus números de costume,
a titularidade não era garantida, e para piorar sua situação, se machucou e
ficou de fora por uma boa parte da temporada 1990/91.
Na temporada seguinte,
Zamorano evoluiu bastante, não foi um jogador fora de série, mas era bastante
participativo, fez 12 tentos, mas jogava de uma maneira muito mais madura do que
no seu início na Espanha. Seu futebol acabou interessando mais um, o técnico
Benito Floro, que tinha acabado de chegar no Real Madrid em 1992 e não
titubeou em desembolsar cinco milhões de dólares para ter o chileno, era o
começo de uma bela história.
A raça de Zamorano no Real Madrid, deixava o sangue na camisa. (Real Madrid Fans)
Iván Zamorano chegava a um
dos clubes mais importantes da história do futebol, era a solução para o
problema do ataque madridista que
sentia falta do mexicano Hugo Sanchez, que havia saído do clube na temporada
anterior. Diferentemente do que pensaram, Zamorano não sentiu o peso da camisa,
pelo contrário, nunca uma camisa tinha caído tão bem no chileno, 36 gols
somando Campeonato Espanhol, Copas e Torneios Internacionais. Os gols mais
importantes da primeira época de Zamorano foram contra o rival Barcelona,
dois gols nos jogos da final da Supercopa Espanhola de 93, título que ficou com
o Real Madrid. O mundo conhecia o salto imponente e o cabeceio mortal do
chileno, que reinava soberano na grande área dos rivais dos merengues.
A temporada 1993-94 deveria
ser esquecida, Iván Zamorano teve um péssimo desempenho, nem perto de sua
temporada anterior que foi avassaladora. Foram meses sem marcar, os torcedores
do Real davam todo tipo de amuleto para o chileno buscando uma solução para sua
seca de gols. Só no fim do ano voltou ao encontro do gol, foi
contra seu ex-clube, o Sevilla.
O péssimo desempenho em 1993-94 provocou a saída do técnico Benito Floro, que foi
prontamente substituído por Jorge Valdano, jogador de passado glorioso no clube
da capital espanhola. O futuro de Zamorano no clube madrilenho era incerto,
Valdano declarou que achava o chileno dispensável no elenco, e sua saída era
questão de tempo. Para alegria dos torcedores, Valdano teve engolir suas
palavras a cada gol do centroavante chileno na decorrente época. O Terrível
havia voltado, foram 28 gols no Campeonato Espanhol, o título da Liga Espanhola
e o Trófeu de Pichichi (dado ao artilheiro do campeonato) eram seus.
Comemorando um gol, cena mais do que típica na temporada 1994/95 (Enchula el deporte)
Zamorano teve jogos
memoráveis na temporada 1994-95, talvez o mais impactante foi a goleada do Real
Madrid sobre o Barcelona por cinco a zero, o atacante chileno fez três gols no
jogo e saiu aplaudido de pé. Outro jogo chave de Zamorano foi contra o
Deportivo La Coruña, na antepenúltima rodada da Liga, ambos lutavam pelo título
e uma vitória dava o título aos merengues,
o jogo ganhou contornos dramáticos quando faltavam cinco minutos para acabar e
o placar apontava um empate de um a um. Foi quando Amavisca viu Bam Bam livre de marcação, o cruzamento
parou no peito do chileno, a bola se adiantou e o matador não perdoou o gol do
Deportivo, uma bomba com o pé direito sacramentou o título merengue.
A última participação de
Zamorano no Real Madrid foi modesta, 16 gols durante toda a competição, ainda
assim, o cartel do jogador era vasto, e interessados não faltariam. Saiu como
ídolo do Real Madrid, graças aos seus mais de 100 gols com a camisa merengue.
Massimo Moratti levou os
gols de Bam Bam para o lado nerazurri de Milão. Zamorano não teve o
mesmo protagonismo que teve no Real Madrid, e logo depois ganhou a companhia de
um atacante que vinha em grande fase. Ronaldo chegou na Internazionale e o chileno teve que ceder a camisa 9 para ele. Não conseguia largar de vez sua camisa que lhe rendeu tantos gols e alegrias, deu um
jeitinho pra continuar usando a 9, por isso passou a usar a camisa
18, ou melhor, a camisa 1+8. A maior glória de Iván na Inter veio na
final da Copa UEFA de 1997-98 contra a Lazio, o primeiro gol da decisão foi seu, o
jogo acabou em um estonteante 3 a 0 para os interistas.
Poucos gols na Inter, mas sua entrega em campo conquistou a torcida. (Daily Mail)
Foram cinco temporadas na
Internazionale, Zamorano não foi o goleador dos tempos de Real Madrid, foram
poucas vezes em que balançou as redes, o que ficou marcado foi sua entrega em campo e garra, aquele homem
com feições indígenas conquistou a torcida graças a sua raça dentro das quatro linhas. Após 14 temporadas na Europa, Zamorano achou
que era hora de voltar ao continente dos seus primeiros passos como jogador.
O jogador que dominava nas
cabeçadas na área, graças a sua impulsão, encontrou uma cidade à sua altura, os
2.240 metros de altura da Cidade do México iriam albergar os gols do atacante
chileno. O América do México era seu novo lar. Os gols surgiram rapidamente,
assim como as lesões, que atrapalharam um pouco sua passagem pelas Águilas. No fim, sua passagem foi satisfatória,
36 gols em 3 temporadas, além do título do Torneio de Verão de 2002, que
significou a nona estrela de campeão mexicano do América.
Em 2003, já com seus 36
anos, Zamorano resolveu atender um sonho do seu finado pai, vestir a camisa do
Colo Colo, que também era seu time do coração. Zamorano chegou brincando, dizia
que o índio do escudo parecia com ele, e era verdade, Bam Bam era a cara do clube, vindo da periferia, e vencendo com
muita garra, raça e coragem, como eram os seus antepassados araucanos, inclusive
o índio que deu inspiração ao nome do clube.
O jogador do povo, no time do povo, pena que durou pouco. (Tarapacá Online)
Todos acharam que Zamorano
iria triunfar no albo, que preferiu
não receber salário, já que o clube passava por uma grande crise econômica. Os
14 jogos e 8 gols foram trocados pela decepção da atitude do ídolo, que agrediu
um árbitro e foi suspenso do campeonato, o atacante preferiu encerrar a
carreira depois daquela atitude. Com o fim da sua carreira, Zamorano colecionou
327 gols, sendo o segundo maior artilheiro chileno da história, atrás apenas de
Osvaldo ‘’Pata Bendita’’ Castro, com
358 gols. Acabava o jogador, mas nascia a lenda.
Capitão e ícone da seleção no caminho a Copa do Mundo de 1998 (AFP)
A camisa que mais caiu bem
no atacante foi a da seleção chilena de futebol, pela Roja de Todos, Zamorano marcou época, principalmente na campanha
rumo a Copa do Mundo de 1998. Fazia a dupla ‘’Za-Sa’’ com Marcelo Salas no
ataque, que ficou famoso nas eliminatórias, impondo respeito e voltando a dar
uma boa impressão do futebol chileno que tinha sido excluído das competições
FIFA desde o escândalo no Maracanã protagonizado por Roberto Rojas. Inclusive
não permitindo a seleção tentar a vaga para a Copa de 1994.
Na Copa de 1998, Zamorano
era o grande ícone daquele elenco dirigido por Nelson Acosta, chamava muita
atenção à intensidade com que o capitão da seleção cantava o hino nacional. A
seleção chilena fez bonito, Zamorano também, o empate polêmico contra a Itália,
mostrou que a seleção poderia vencer qualquer um, empates contra Áustria e
Camarões abaixaram os ânimos, que foram pro espaço após a goleada contra o
Brasil, nas oitavas de final da competição. Mas o povo ficou orgulhoso de
todos, e principalmente do seu capitão, que não fez nenhum gol, mas impôs um
espirito de liderança único, típico de um índio araucano.
Outra grande participação de
Bam Bam pela seleção foi nas
Olímpiadas de 2000, em Sydney, na Austrália. A seleção ganhou pela primeira vez
uma medalha na competição olímpica, a medalha de bronze tinha grande
participação de Zamorano, que fez 6 gols e se consagrou o artilheiro daqueles
Jogos Olímpicos.
Sua despedida da seleção foi
no dia 1º de setembro de 2001, no Estadio Nacional lotado, em um amistoso
contra a França, vencido pelo Chile por 2 a 1, a Roja nunca mais seria vestido por aquele bravo homem, que botava tudo
em campo pelo país, o capitão nunca mais vestiria vermelho.
Assustador? Gravesen virou ídolo da torcida do Everton por suas incessantes
pancadas nos rivais da Premier League (Soccer Millionaire)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP
Baixinho, enfezado e caneleiro: este era Thomas Gravesen, brutamontes dinamarquês que ficou famoso durante a década de 2000. Volante com alto poder de marcação (e destruição), dava um toque bruto ao meio campo danês, que sofreu com o ostracismo após a aposentadoria dos irmãos Laudrup. Arquiteto do sarrafo, nasceu e foi criado na cidade pacata de Vejle, onde o maior ser humano escandinavo de todos, Allan Simonsen, foi revelado ao esporte.
Então, em 1995, pelo Vejle, iniciou sua saga sangrenta em busca do reconhecimento internacional. Por dois anos baixou o porrete e impedia bem a progressão do ataque adversário. Famoso pelo seu approach com vigor, não facilitava o serviço dos pobres oponentes que entravam em disputas de bola. A única certeza em lances que envolviam Gravesen era que os rivais sairiam do confronto com hematomas.
Os desarmes e bom controle na marcação executada na meia cancha alarmaram os dirigentes do Hamburgo, que em 1997-98 estavam carentes de um atleta para desempenhar esta função de capanga. Transmitindo segurança aos homens de defesa, o dinamarquês não comprometia a retaguarda da sua equipe.
Foto: NDR.de
Foram três anos no HSV, até a convocação para a Eurocopa, em 2000. Seria sua primeira grande competição internacional pela Dinamáquina, que já não assustava como outrora. Antes de deixar a equipe germânica, fez 51 aparições, sendo titular absoluto apenas no fim do ciclo, em 1999-00. No certame pela sua seleção, acompanhou de perto a vergonhosa campanha, fazendo dois dos três jogos dos escandinavos, que perdeu todos os seus compromissos na fase de grupos (França, Holanda e República Tcheca), saindo sem marcar um gol sequer. Diria o treinador Bo Johansson, meses depois da disputa da Euro que Gravy não era "psicologicamente estável". Daí já é possível concluir muita coisa a respeito do volante.
O Everton acabou se interessando nos serviços de Thomas. Na oportunidade, em 2000-01, os Toffees tinham um decadente Paul Gascoigne, Tobias Linderoth, Niclas Alexandersson e o jovem Leon Osman no setor de meio campo. Faltava um coringa para intermediar as ligações entre a defesa e o ataque, com aquela chegada que o danês executava com maestria. Iniciou-se no Goodison Park um reinado de terror. Gravesen e suas botinadas ganharam a simpatia dos torcedores, que se não iam bem no campeonato de futebol, ao menos nas artes marciais estavam com participação satisfatória. Sua fase no futebol inglês foi interessante, quando ocupou funções de criação (de jogadas, não de hematomas ou lesões).
Gravesen monta em Nedved durante a Euro2004: barbáries eram recorrentes
por parte do armário dinamarquês (SMH.au)
Quatro anos de lealdade ao Everton, a titularidade no selecionado de seu país e a fama de durão nos gramados fizeram dele uma figura de alguma forma carismática. Fora dos campos, constantemente era visto sorrindo ou em poses cômicas. Querido pelos companheiros, virou um tipo de segurança de boate para os colegas que fazia dentro do futebol. Mas ele queria mais do que isso. Companheiro de Stig Tofting na volância dinamarquesa, teve vital participação na campanha que levou sua nação até as oitavas de final da Copa de 2002. Um episódio célebre envolvendo Gravesen aconteceu nas Eliminatórias para esse Mundial. Autor de dois gols contra a Islândia, foi impecável na marcação e considerado o melhor jogador da partida. Horas depois foi requisitado por Mike Tyson, que pedia a camisa usada no cotejo. Até o astro do boxe se rendeu ao estilo do pangaré de Vejle.
Durante a Eurocopa de 2004, em Portugal, novas atuações e intimidações. Eliminados nas quartas pela República Tcheca, os daneses ainda foram longe num grupo complicado que tinha Itália (a decepção do torneio), Suécia e Bulgária. O Real Madrid tinha visto o suficiente de Gravesen para querer contratá-lo logo após o encerramento do certame. E assim o camisa 16 partia firme e forte rumo à conquista do planeta com suas machadadas e caretas.
Aproveitando o período Galactico do Real, Thomas se juntou a Zinedine Zidane, David Beckham, Roberto Carlos, Robinho, Ronaldo, Raúl e outros, que já encaravam um inconveniente jejum europeu. Chegando até a ser treinado por Wanderley Luxemburgo, o volante assumiu de vez a carapuça de caneleiro e fazia o serviço sujo na intermediária madridista.
Gravesen e sua muqueta clássica em Robinho: os dois ficaram
desprestigiados no Real, mas quem saiu foi o grandalhão
Foto: Cordero virtual
Como bem alegou Bo Johansson, anos antes, Thomas não era psicologicamente estável. Foi numa dessa, que em meados de 2006 se envolveu numa briga de treino logo com o franzino menino Robinho. A cena dos dois se esmurrando no CT do Real correu o mundo e até deu certa imagem de corajoso ao brasileiro, que tinha metade do tamanho do companheiro e ainda sim partiu para a briga. O entrevero não pegou bem para o grandalhão, que meses depois foi dispensado pelos espanhóis, ficando livre para negociar com o Celtic, que à época contava também com Roy Keane, outro especialista na arte de mandar oponentes para o Departamento médico.
Chegava com moral em Glasgow, marcando gol em clássico contra o Rangers e acredite, até um hat-trick contra o St. Mirren. O futebol escocês era talvez o habitat ideal para Gravesen, que sempre foi adepto de um estilo mais ríspido, sem firulas ou qualquer resquício de habilidade. Chegando o fim da temporada 2006-07, perdeu a motivação e foi aos poucos deixando de figurar entre os onze iniciais. Desinteressado, foi repassado ao Everton, onde ganhou fama. Lesionado e fora de forma, fez apenas oito jogos e retornou aos bhoys. Sem jogar, resolveu se aposentar em 2009, para alívio de centenas de atacantes que ainda o enfrentariam pelos campeonatos mundo afora.
Raízes russas e armênias, filho de ex-jogador de futebol e pertencente à uma das mais vitoriosas safras de jogadores franceses. Esse é Youri Djorkaeff, um dos craques da seleção campeã do mundo em 1998 que fez o Brasil se calar no fatídico 12 de julho daquele ano.
Nascido em Lyon, De família futebolística, teve como exemplo o ex-zagueiro Jean Djorkaeff, seu pai, que jogou por Lyon, Marseille e PSG, e então desde criança Youri se inclinou a trilhar o mesmo caminho. Teve de início a admiração por Johann Cruyff e pelo Liverpool de Kenny Dalglish como aliados à sua visão do futebol. Logo adentrou nas categorias de base do AS Villerbaune, onde chamou a atenção de olheiros que viam grande potencial naquele rapaz.
Aos 15 anos foi fichado pelo Grenoble, que à época militava na Segunda e Terceira divisão francesa, rapidamente sendo integrado à equipe profissional. Mas seu talento só iria estourar após sua transferência, por 5 milhões de francos franceses, para o Strasbourg.
No Strasbourg, que em 1989-90 disputava a Segunda Divisão, marcou 23 gols em 34 jogos, sendo 21 deles pelo Campeonato da Segunda Divisão, fato que despertou o interesse do então técnico do Monaco, Arsène Wenger. Contudo, seu debut na Ligue 1 foi complicado, pois Djorkaeff era obrigado a dividir suas atenções entre o esporte e o serviço militar obrigatório.
Djorkaeff em seu primeiro título oficial, a Copa da França 90-91
Devido ao alistamento, Djorkaeff passara a semana à fazer suas tarefas no Batalhão de Joinville (não é em Santa Catarina, por favor), só tendo os finais de semana para jogar. Fez o seu debut contra o Sochaux-Montbéliard ao substituir Benjamin Clément. Porém, seu primeiro gol oficial só chegaria três semanas depois, contra o Stade Rennais. Em sua primeira temporada pelo Monaco, Youri acabou por conquistar seu primeiro título como profissional: a Copa Francesa contra o Olympique de Marseille, clube que seu pai defendera enquanto jogador. Em sua época seguinte, 1991-92, ainda disputaria a final da Taça das Taças UEFA, ocasião essa em que o Monaco perderia de 2-0 para o Werder Bremen.
Entretanto, o que parecia um caminho traçado pra que Djorkaeff chegasse a titularidade tomou um rumo inesperado, quando o Monaco contrata Victor Ikpeba, Jürgen Klinsmann e Enzo Scifo. Sem espaço como parte dos onze iniciais na agremiação do principado, Djorkaeff se transfere em 1995 para o Paris Saint Germain de Raí, fazendo de forma instantânea grandes atuações, com finalizações fortes e precisas, velocidade, sem falar nas cobranças de falta perfeitas fizeram com que o PSG mostrasse seu talento ao mundo. Foram 28 gols em 61 jogos pelo Paris Saint Germain, sendo campeão da Taça das Taças UEFA em cima do Rapid Viena. Essa temporada fenomenal fez com que Djorkaeff fosse assediado por outros grandes Barcelona, Sevilla e Valencia. Foi aí que o francês aceitou se mudar para o leste em busca de um novo desafio: a Internazionale de Milão.
Foto: Calciofilia.wordpress.com
Na Internazionale, Djorkaeff viveria seu momento de consagração. Na equipe nerazzurri acabaria por participar de duas finais Copas da UEFA. A primeira, em 1996-97, contra o Schalke 04, não saiu como esperado. Após derrota de 1-0 no jogo de ida em Gelsenkirchen, o duelo sofrido no Giuseppe Meazza foi salvo por Iván Zamorano, que empatou restando seis minutos para o fim, causando decisão por penais. Todavia, o que parecia regozijo virou lamentação. A Inter perderia a final nos pênaltis, com apenas Djorkaeff convertendo sua cobrança.
Porém o trauma deste revés para o Schalke seria rapidamente revertido. No ano seguinte, lá estavam novamente os interistas na final, desta vez contra a Lazio. Em uma partida fantástica do lado nerazzurri, a Inter acabou por despachar a Lazio com certa tranquilidade. Djorkaeff não marcou, mas contribuiu bastante na partida, que terminaria 3-0 para a equipe de Milão. Com aparições excepcionais, foi convocado para a seleção francesa para a Copa de 1998.
Na Copa de 1998, Djorkaeff acabaria por ser peça importantíssima na equipe campeã de Les Bleus, apesar de ter marcado apenas um gol durante o certame (contra a Dinamarca, de pênalti), formava ora dupla de ataque com Stéphane Guivarc'h, ora atuando como winger pela esquerda, atazanando as defesas adversárias com sua velocidade, passes e chutes.
Na finalíssima de 1998, brilhou ao travar as descidas de Roberto Carlos
(L' equipe)
Após a Copa, em 1999, se transfere para a Bundesliga, vindo a jogar pelo Kaiserslautern, onde ficaria até 2001, completando 89 jogos e 24 gols. Sua média de gols havia diminuído, mas ainda assim foi lembrado pelo técnico Roger Lemerre para a disputa da Euro 2000. Nesta edição, ajudou a França a conquistar o caneco, com dois tentos, um na vitória de 2-1 contra a República Tcheca e o outro sendo o da vitória de 2-1 contra a Espanha nas quartas de final.
Passados dois anos no Kaiserslautern, em 2001 se transfere para o Bolton Wanderers, que tentava formar uma equipe forte, com as contratações de Jay Jay Okocha e Iván Campo. Nesta época amargou a eliminação precoce da Seleção Francesa na Copa de 2002 e chegaria à sua última final, sendo finalista da Copa da Liga Inglesa de 2004, onde foi derrotado pelo Middlesbrough de Juninho Paulista por 2-1. Cumpriu 87 jogos e 21 gols pela camisa dos Wanderers, até se transferir para o Blackburn Rovers.
Não ficaria em Ewood Park por muito tempo. Entrou em campo somente três vezes e se transferiu para o futebol norte-americano, no New York MetroStars, seu último destino antes de pendurar as chuteiras em 2006. Seu anúncio de aposentadoria viria após uma lesão no tornozelo. Seu corpo já não aguentara mais os sprints e o jogo físico.
Mas ainda assim, de Djorkaeff sempre será lembrado pelos seus dribles, visão de jogo e capacidade de aterrorizar defesas adversárias. E mais ainda, será lembrado como aquele, que no 12 de Julho de 1998, aterrorizou Roberto Carlos pelo lado direito do ataque, ajudando a consagrar aquela grande geração de Les Bleus que calou todo um país e fez a nação francesa comemorar.