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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

TF História: A escola do Newell's Old Boys

Foto: Elciudadanoweb
Tiago Melo, @melogtiago 

Quando se pensa em uma fase vitoriosa do Newell’s Old Boys, a referência obrigatória é o período em que Marcelo Bielsa comandou a equipe. Nada mais natural: foram dois títulos nacionais, um vice de Libertadores, vários jogadores de alto nível revelados e uma forma vertiginosa de jogar que marcou época e fez escola.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

TF História: Quando o Independiente derrotou a ditadura

Formação do Rojo que venceu o Talleres naquela inesquecível noite de 25 de
janeiro de 1978: façanha ainda é exaltada pelos fãs do clube de Avellaneda
(Foto: Taringa.net)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

No dia 25 de janeiro de 1978 aconteceu um dos jogos mais singulares da história do futebol argentino. Naquela partida, que decidiu o campeonato nacional de 1977, o Independiente foi campeão em cima do Talleres. Mas por melhor que fosse a equipe cordobesa, ela foi a parte mais simples de lidar. Pois naquele dia os rojos de Avellaneda enfrentaram um adversário muito mais temível: a ditadura argentina.
A década de 1970 é a mais gloriosa da história do Independiente. Após o bi da Libertadores em 1964 e 1965, a equipe consolidaria sua fama de “El Rey de Copas” ao vencer quatro edições seguidas do torneio, entre 1972 e 1975, façanha até hoje não alcançada. O Rojo venceu ainda dois títulos nacionais naqueles anos (o Metropolitano de 1970 e o Nacional de 1971), e chegou pela primeira vez ao título mundial interclubes, em 1973.
Naquele mundial despontou aquele que seria o maior ídolo Rojo desde Arsenio Erico: Ricardo “Bocha” Bochini. Talentoso meiocampista, era especialista em deixar os companheiros na cara do gol, embora também marcasse os seus. Os argentinos que se lembram dele costumam compará-lo a Andrés Iniesta, em função das semelhanças de estilo.
Não por acaso, Bocha foi o grande ídolo de Maradona, que torcia para os vermelhos graças a seu herói. Seu talento ficou óbvio quando, aos 19 anos de idade, comandou o Independiente na conquista do mundial de 1973, marcando o gol do título sob a Juventus de Turim em pleno estádio Olímpico de Roma.
Em 1977 aquela equipe vencedora não era mais a mesma. A grande maioria dos jogadores não estava mais lá. Mas Bochini continuava no Rojo, assim como o outro grande craque da equipe, Daniel Bertoni. E o treinador José Omar Pastoriza (jogador histórico do clube, então começando sua carreira de treinador) podia contar com outros brilhantes jogadores, como Omar Larrosa, que havia brilhado no grande time do Huracán entre 1973 e 1976.
E no Nacional de 1977 um rejuvenescido Independiente voltou a dar alegrias à sua torcida. Venceu dez das primeiras doze partidas, se classificando com antecipação para a fase final. Na semifinal, suplantou o Estudiantes, para encontrar o Talleres de Córdoba na grande decisão. Na primeira partida, em Avellaneda, prevaleceu o empate em 1 a 1. Tudo seria decidido em Córdoba: o vencedor levaria o título, e em caso de empate levaria a taça quem marcasse mais gols fora de casa (uma inovação para a época).
Mas logo ficou claro que as coisas não se resolveriam apenas no campo de jogo. O comandante militar e governador da província de Córdoba era nada menos do que Luciano Menendez, representante da linha-dura extremista da ditadura argentina. Para os membros dessa corrente, como Menendez e Suarez Mason, militares como Jorge Videla e Emilio Massera (posteriormente condenados à prisão perpétua pelas violações aos direitos humanos cometidas naqueles anos) eram demasiado tolerantes com a oposição. Entre outros feitos, Menendez era o responsável pelo Massacre de Las Palomitas, quando prisioneiros foram executados nas prisões da província de Salta. Foi um dos responsáveis por a Argentina quase ter entrado em guerra contra o Chile no final de 1978. Em 2009 foi condenado à prisão perpétua pelos crimes cometidos durante a ditadura.
E esse homem violentíssimo, vivendo o auge do poder, expressou claramente seu desejo de que o Talleres fosse campeão. No auge da repressão, isso era mais do que o suficiente. E quando as equipes entraram em campo naquele 25 de janeiro de 1978, ninguém sabia o que esperar.
A princípio tudo correu normalmente. As equipes buscavam o gol, e o Independiente virou o primeiro tempo em vantagem, com um gol de cabeça de Outes, o artilheiro máximo do clube no torneio. Mas no segundo tempo as coisas começaram a se complicar quando aos 13 minutos um centro da esquerda bateu no corpo de um defensor do Independiente na lateral da área. O juiz marcou o penal, bastante duvidoso, e convertido por Cherini (que por sinal sequer comemorou o gol tão importante; baixou a cabeça e caminhou de volta para o meio campo).
Aos 25 minutos o jogo se complicou de vez, quando Bocanelli aproveitou um centro e empurrou a bola para o gol com as mãos. O gol, flagrantemente ilegal, foi validado pela arbitragem, colocando os cordobeses em vantagem. No desespero, inconformados com tamanha injustiça, Trossero, Galván e Larrosa agrediram verbalmente o árbitro e foram expulsos.
Com três a mais, resultado favorável, arbitragem a favor, e jogando em casa, o Talleres tinha o título nas mãos. Mas não tinha Ricardo Bochini. Aos 41 do segundo tempo Bocha tabelou com seu grande amigo Bertoni e chutou a bola com força no alto da rede adversária.
O Independiente havia arrancado um miraculoso empate que lhe daria o título. Nos minutos finais da partida o Talleres atacou incessantemente, e o goleiro Rigante ainda teve tempo de fazer duas defesas dificílimas. E a bola estava em suas mãos quando o árbitro encerrou a partida.
O Independiente era campeão nacional de 1977, Bocha se consagrava definitivamente como um deus em Avellaneda, e a ditadura argentina sofria uma grande derrota nos gramados. Naquele dia um craque monumental se transformava em verdadeira lenda.
Texto originalmente postado no Futebol Portenho, pode ser visto aqui.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O primeiro título mundial argentino: Racing de 1967


Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Semana passada se completaram 44 anos de uma incrível façanha: o título mundial do Racing, a primeira vez que um clube ou seleção argentina chegou ao topo do planeta. Uma boa hora para lembrar a histórica “equipe de José”, referência a seu treinador, Juan José Pizzuti, grande responsável pelo feito.

Em 1965 Pizzuti tinha apenas 38 anos. Havia sido um bom atacante, com passagens por várias equipes, entre elas Racing e Boca Juniors, e várias convocações para a seleção de seu país. Naquele ano foi chamado para treinar a equipe pela qual havia conquistado dois títulos argentinos. Mas os tempos haviam mudado, e a equipe de Avellaneda ocupava um desesperador último lugar no campeonato nacional.

A estreia era contra o River Plate, então líder. A vitória por 3 a 1 mostrou que o novo comandante não estava para brincadeiras. A equipe chegou a ficar 14 partidas invicta, terminando o campeonato em quinto lugar. No ano seguinte a festa continuou. Com apenas uma derrota, chegando a completar 39 partidas invictas, a Academia chegou ao título com 3 rodadas de antecedência.

O segredo era uma grande novidade no futebol argentino: a ausência de posições fixas dos jogadores. Mesmo os atacantes recuavam para ajudar na marcação, e os contra-ataques eram devastadores, em bloco, algo nunca antes visto. Para muitos, uma antecipação da Laranja Mecânica de 1974. Para outros, o germe do futebol de resultados, que chegaria nos anos seguintes ao auge, com o Estudiantes treinado por Osvaldo Zubeldia, tricampeão da Libertadores.

O título argentino de 1966 levou a Academia à Libertadores de 1967. Na época, isso significava uma verdadeira maratona: na primeira fase a equipe de Avellaneda estava no grupo do River Plate e dos representantes da Colombia (Santa Fé e Independiente de Medellín) e Bolívia (Bolívar e 31 de outubro). Com 8 vitórias em 10 jogos, “el equipo de José” se classificou em 1º lugar para a segunda fase. Na segunda fase o Racing disputava uma única vaga na final com River, Universitário do Peru e Colo-Colo. Foi necessária uma partida desempate no Chile contra a equipe peruana, vencida pelos azuis e brancos. O Racing estava na final.

O adversário da final era o temível Nacional, repleto de jogadores que disputariam a semifinal do mundial de 1970 contra o Brasil. Após dois empates em 0 a 0, foi preciso disputar outro jogo desempate, novamente no Chile. E logo no primeiro tempo o Racing abriu 2 a 0, com gols do brasileiro João Cardoso e de Raffo. O Nacional descontou no fim, mas não pode impedir a festa argentina. Com Pizzuti no banco e o craque Humberto Maschio comandando a equipe em campo, não havia rivais para o clube de Avellaneda. Ou haveria?

Era a hora de tentar chegar onde nenhum clube argentino havia chegado: a taça intercontinental (como então se chamava o mundial de clubes). A única equipe argentina a vencer a Libertadores havia sido o Independiente, em 1964 e 1965, nas duas vezes perdendo o confronto contra a Internazionale. Conquistar o título que o arqui-rival havia perdido era um tempero a mais para o Racing.

Mas o rival era temível: o Celtic. Treinado pelo lendário Jock Stein (morto à beira do campo, após classificar a seleção escocesa para a repescagem das eliminatórias para o mundial de 1986), a equipe, inteiramente formada por jogadores nascidos num raio de 50 km de seu estádio, havia batido a Internazionale em Lisboa para ser campeã europeia.

A primeira partida, disputada no Hampden Park, foi terrível para o Racing. A equipe escocesa imprensou La Academia no campo de defesa, terminando por vencer por 1 a 0, gol de McNeil. Na volta, um público estimado em até 120 mil pessoas abarrotou o Cilindro de Avellaneda, disposto a empurrar sua equipe para a vitória. No primeiro tempo Gemmell abriu o placar para os escoceses cobrando um pênalti. No início do segundo tempo Raffo empatou. E já nos descontos da partida o valente Juán Carlos “Chango” Cardenas marcou o gol da vitória.

Era quase o céu para os racinguistas. Mas ainda faltava um terceiro jogo, disputado no Centenário de Montevidéu. Como de costume naqueles anos, a partida foi tensa, resultando em várias expulsões (incluindo Alfio Basile, então defensor do Racing, e posteriormente técnico da seleção argentina). O jogo foi resolvido aos 11 do segundo tempo, novamente com um gol de Chango Cárdenas, que acertou um canhotaço de 30 metros no ângulo, dando o título à Academia. Sem ter metade do talento e inteligência de Maschio, o nortenho foi o herói da conquista máxima do clube.

Naquele dia a equipe teve: Cejas, Martin, Perfumo, Basile e Chabay; Rulli, Rodriguez e Maschio. Cardoso, Raffo e Cárdenas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Os cinco grandes argentinos: uma ideia ultrapassada?

Independiente pode entrar no mesmo turbilhão do River no próximo ano? (4-4-2)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Quem está familiarizado com o futebol argentino sabe a dificuldade de convencer um brasileiro médio de que os cinco clubes tidos como “grandes” no país vizinho são Boca, River, Independiente, Racing e San Lorenzo. E nesse caso, há motivos para entender porque tantos acham estranha a composição dessa lista.

A questão é que no período clássico do futebol argentino esses cinco clubes tiveram uma predominância avassaladora. No período em que o futebol argentino profissional teve um único campeonato nacional por ano (1931 a 1966), o quinteto conquistou TODOS os títulos disputados. Uma hegemonia incontestável.

Em 1967 o futebol argentino incluiu mais clubes, dividindo-se em dois torneios: o Metropolitano e o Nacional. A mudança foi fulminante: no primeiro ano o Estudiantes venceu o Metropolitano, em 1968 o Vélez conquistou o Nacional e no ano seguinte o Chacarita Jrs. levou o Metropolitano. E em 1971 o Rosário Central venceu o Nacional, levando a primeira taça para o interior do país. Nos dez primeiros anos do novo sistema, os grandes levaram 13 títulos mas perderam sete.

Aos poucos o desenho do futebol argentino começou a mudar. E o primeiro a sentir os efeitos seria o Racing, que nos últimos 45 anos levantou apenas um título nacional, o Apertura 2001, passando pela 2ª divisão no início dos anos 1980. Depois foi a vez do San Lorenzo, que sustentou sua grandeza até meados dos anos 1970, mas no fim daquela década começou a perder força, vendeu o estádio e caiu para a Nacional B. Nos últimos 37 anos conquistou apenas três títulos nacionais, e é o único do quinteto a não ter título de Libertadores.

O declínio relativo dos grandes seguiu, e a próxima vítima seria o Independiente, o lendário “Rey de Copas”. Maior vencedor da história da Libertadores, o Rojo conquistou apenas dois títulos nacionais nos últimos vinte anos, o último deles em 2002. Durante muito tempo esse processo passou relativamente despercebido, até porque Boca e River, os dois gigantes, seguiram firmes em sua trajetória de títulos na Argentina e fora dela. Ao menos até 2008. Naquele ano cada um dos dois levou um título nacional. Mas mal sabiam que conheceriam dias negros logo em seguida.

Nos últimos cinco torneios, Boca e River não conseguiram ficar entre os três melhores nenhuma única vez. Na verdade, nenhum do quinteto de grandes chegou lá: o melhor desempenho do grupo foi a 4ª colocação do Independiente no Clausura 2010. Na verdade, a realidade recente dos grandes tem sido a metade debaixo da tabela. O Racing chegou a disputar a Promoción em 2008, e escapou por pouco de repetir a dose no ano seguinte. E nesta temporada entrou mal posicionado na tabela de promedios assim como Boca e San Lorenzo.

Com boa campanha no Apertura, os dois primeiros se afastaram de qualquer risco, mas o Ciclón está no limite da zona de promoción. O Independiente corre o risco de ter sérios problemas a partir do meio do ano que vem, quando deixará de contar com os pontos da ótima temporada 2009/2010, e poderá se converter em protagonista da luta contra o descenso. Algo que já atingiu o River, para escândalo nacional, deixando Boca e Independiente como únicos a disputar todas as edições dos campeonatos nacionais sob o profissionalismo.

No entanto, pode ser que algo esteja mudando nesse cenário sombrio. Boca e Racing lutam pelo título, o que merece ser lembrado como uma novidade nos últimos anos, em que os grandes nada mais foram que discretos figurantes no cenário nacional. O River lidera a Nacional B, mostrando que tem tudo para voltar rapidamente a primeira e virar a página mais negra de sua história. Ainda que em má fase técnica, o Independiente voltou a conquistar um título internacional, com a Sul-Americana 2010. Falta o San Lorenzo mandar um sinal de vida.

No entanto é evidente que há um notável afastamento em relação aos tempos do futebol clássico argentino. Fica difícil pensar no Vélez Sarsfield, que disputa a 1ª divisão de forma ininterrupta desde 1944 e tem um sólido histórico de títulos nos últimos 20 anos, como um time “pequeno”. Algo semelhante vale para o Estudiantes, que tem mais títulos de Libertadores que River Plate, Racing e San Lorenzo somados. Para se ter uma imagem mais adequada do futebol argentino, é preciso reconhecer: a configuração do cenário futebolístico local mudou muito nas últimas décadas.

River e Boca são gigantes incontestáveis, por todos os critérios possíveis. Mas abaixo de ambos, seria melhor pensar em um conjunto mais amplo de equipes, algumas das quais tem mais torcedores, outros tem mais títulos em períodos antigos, e outros ainda tem um desempenho mais sólido nas últimas décadas. Independiente, Racing e San Lorenzo teriam lugar cativo no grupo, mas ganhariam novos companheiros. Pois está claro que a ideia do “quinteto de grandes” parece ter perdido todo o sentido.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Enganche: produto de exportação argentina


Montillo: um dos maiores sucessos do Campeonato Brasileiro que vieram da Argentina (Cruzeiro Online)
Por Tiago de Melo Gomes
A presença crescente de enganches argentinos no futebol brasileiro tem aumentado bastante o respeito dos brasileiros em relação ao futebol argentino. Em particular chama a atenção o fato de que alguns desses atletas fizeram muito sucesso por aqui (Conca e Montillo, por exemplo). Muitos pensam: se esses talentosos nomes sequer são cogitados para a seleção de seu país, imagine o nível dos outros enganches do país!
Na verdade a coisa não funciona dessa maneira. A realidade é que a Argentina, ainda que produza esse tipo de jogador em grande quantidade, não tem dado muito espaço a eles nos últimos anos. Basta notar que Conca, Montillo, Bottinelli e Cañete mal conseguiram jogar por lá, jogando de fato no Chile antes de chegarem a clubes brasileiros. Escudero e Lanzini eram suplentes em Boca e River quando vieram para cá. Isso não diz respeito à qualidade desses atletas em especial, mas ao fato de que os enganches não têm tido muito espaço no futebol do país vizinho.
Quem observa o atual campeonato argentino pode comprovar isso. A maioria das equipes tem optado por uma linha de quatro meiocampistas, dois volantes centralizados e dois meias de características ofensivas abertos pelos lados, e dois atacantes. Esse é o sistema de jogo atual de equipes como River Plate, San Lorenzo, Vélez Sarsfield e Estudiantes.
Mesmo entre as equipes que mantém enganches, o jogador que desempenha a função frequentemente tem características de meia-atacante, e não alguém que pensa o jogo (ou seja, mais para Kaká do que para Riquelme). Um exemplo óbvio é o Racing, do colombiano Gio Moreno.
Dentre as equipes de ainda mantém enganches típicos, como o Tigre de Diego Morales e o Olimpo de Martin Rolle, esses jogadores têm tendido a atuar à frente de duas linhas de quatro, fazendo a ligação com um atacante único. Ou seja, quase como segundos atacantes, evidenciando o fato de que o sistema com linhas de quatro tende a predominar no país.


A grande exceção é o Boca Juniors, onde Riquelme é um enganche típico, solto entre uma linha de 3 meio campistas e outra de dois atacantes. Nesse espaço, o craque xeneize é livre para pensar o jogo. No entanto, há motivos para crer que o sistema sobreviva apenas pela presença desse jogador em particular. O Boca negociou recentemente todos os reservas possíveis de Riquelme (Diaz, Cañete, Escudero), e o substitui por jogadores de outras características quando seu dez está lesionado.


Infelizmente o futebol argentino parece agora estar tomando decisões muito semelhantes àquelas que o futebol brasileiro tomou entre os anos 1980 e 1990. Até ali nosso futebol tinha se destacado, entre outras coisas, pela existência de geniais meiocampistas (geralmente atuando com a camisa 8) que marcavam e organizavam o jogo, enquanto o camisa 10 (que aqui sempre teve mais características de meia-atacante, como Pelé e Zico) se juntava aos atacantes para infernizar as defesas adversárias.


Há 20 ou 25 anos esse ciclo se encerrou. Optamos por dois volantes defensivos e dois meias mais ofensivos, como os argentinos fazem agora. Nesse processo, os meias organizadores, que marcavam e pensavam o jogo sumiram. A brilhante linhagem de Didi, Gérson, Ademir da Guia e Dirceu Lopes se extinguiu com Cerezo e Falcão.

Muitos anos depois, percebemos o erro que havíamos cometido. Mas depois de tanto tempo, esse tipo de jogador não existia mais por aqui. E tivemos de buscar os camisas 10 argentinos para organizar o meio campo de nossas equipes. Mas se o futebol argentino continuar sem dar importância aos enganches, esse tipo de jogador deixará de existir. E de onde virá a vida inteligente das meia canchas das duas grandes potencias do futebol sul americano?