Ao passo de que foi formado por uma das categorias de base mais bem sucedidas da Argentina, Fernando Redondo foi se transformando num jogador completo. Originalmente volante, ele saiu de Buenos Aires para brilhar na Espanha.
Laurie Cunningham foi um dos mais talentosos jogadores ingleses a ser praticamente esquecido em convocações para a seleção. Revelado pelo West Brom, Laurie quebrou uma série de barreiras durante seu tempo de jogador, mas colecionou histórias trágicas até a sua morte em 1989.
Lutz Eigendorf apareceu para o futebol alemão como talento do Dinamo Berliner, na Oberliga da República Democrática Alemã. Fez seu nome do lado comunista e depois se rebelou contra a própria nação ao aceitar uma proposta do Kaiserslautern: a deserção o colocou na mira da Stasi, a polícia secreta da RDA.
Mais cedo na Trivela, repercuti a declaração de Ashley Cole ao dizer que era grato a Mourinho pela sua evolução como profissional. Com o advento da entrevista, me empolguei e decidi falar de alguns "Desafortunados" que ganharam seus minutinhos de fama com Mourinho.
Vladmir Kasalo, mais conhecido como Vlado Kasalo, nunca foi um zagueiro brilhante, mas chamou a atenção de Franz Beckenbauer e foi parar no Nuremberg, onde colecionou gols contra e levantou muitas suspeitas
Quem olha para esta foto de Oscar Dertycia não faz ideia do que viria a marcá-lo nos anos 1990. Nascido em Córdoba, Mister Proper ganhou fama no futebol espanhol jogando por pequenas equipes como Cádiz, Albacete e Tenerife. A razão de ser famoso? Sua careca
Em função de um glaucoma, Davids precisou de uma licença especial da FIFA para poder usar óculos durante o jogo: talvez esse acessório tenha marcado mais o meia holandês do que seu próprio futebol e suas contribuições a Ajax, Juventus e Tottenham
Taddei: uma referência para os pernas de pau do mundo todo
Foto: All voices
O que se passa na cabeça do jogador que perde pênalti, erra gol na cara, dá uma furada ou marca contra? Noite de futebol entre amigos rende uma reflexão sobre os pernas de pau espalhados mundo afora
De La Peña foi um dos principais jovens promovidos das canteras do Barcelona na década de 1990, mas ofuscado pela chegada de Louis Van Gaal ao comando blaugrana, perdeu espaço e anos depois se contentou em brilhar no Espanyol
Rodrigo Beckham surgiu no fim da década de 1990 e teria chegado mais longe não fosse uma lesão no joelho; até hoje o meia é lembrado por uma passagem obscura pelo Everton
Matt Le Tissier nunca venceu nenhum troféu pelo Southampton, mas se consolidou como um dos maiores astros da história do clube; veja perfil do talentoso meia inglês que ainda é pouco lembrado por aqui
Gaizka Mendieta foi capitão de um Valencia que há muito não se vê: duas vezes consecutivas em finais europeias, o meia não sabe o que é ser campeão continental e é um dos maiores injustiçados do futebol
Feio, chorão, encrenqueiro e carismático. Poucas palavras podem definir Paul Gascoigne, um dos maiores ícones do futebol inglês nos anos 1980 e 90. Nascido em Gateshead, na Inglaterra, Gazza marcou época não só por suas jogadas brilhantes e por seu temperamento duvidoso, mas sim por ser uma figura que dificilmente pode ser enquadrada como boa ou ruim, sem maniqueísmos.
Ouro derretido é talvez a melhor descrição para o túnel de ostracismo em que Adrian Mutu entrou em 2010. Descoberto no Dinamo Bucareste em 1999 depois de passar pelo Arges Pitesti, o romeno em pouco tempo adquiriu o status de grande promessa no país. A marca de 29 gols em 41 jogos impressionou a Internazionale, que amarrou o jovem e viu um gol logo em sua estreia contra o Milan.
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP (Especial Romênia, parte 1)
A Romênia produziu alguma quantidade de talentos notáveis na década de 1990. Após o sucesso do Steaua na Copa dos Campeões de 1985-86, o futebol local foi impulsionado pelo sucesso da equipe ros-albastrii no certame europeu. Curiosamente naquele ano, também iniciava a sua carreira um determinado atacante.
Nas categorias de base do Dinamo Bucareste, Florin Raducioiu foi treinado e promovido ao plantel profissional por Mircea Lucescu, e aos 17 anos ganhou sua primeira chance. Em 1988 passou a ser titular e sua presença decisiva na área virou parte essencial no esquema dos cainii-rosii (cães vermelhos), que venceriam a Liga local em 1989-90, consagrando o jovem. Inesquecível para Florin foi o duelo contra o Steaua na final da Taça da Romênia.
Deixando três gols e assombrando os rivais, consolidou-se como grande promessa do país depois de Gheorghe Hagi. Foi a estrela absoluta de um elétrico 6-4 naquela decisão, fundamental para a conquista do caneco.
Em sua passagem pelo Bari, Florin não despontou
Foto: Klasik futbol
Bem cotado na seleção romena em 1990, com vinte anos de idade, foi convocado para a Copa do Mundo, na Itália. Presente em três dos quatro compromissos dos cárpatos no evento, Raducioiu passou em branco, surpreendentemente. Ainda sim, encantou os dirigentes do Bari e assinou contrato para a temporada 1990-91.
Sem muito brilho, não conseguiu evitar uma campanha pífia de sua equipe, que terminou na 13a colocação naquela Serie A, vencida pela Sampdoria. Realizando 30 partidas, foi às redes em apenas cinco oportunidades.
Negociado com o Verona, sua média de gols caiu novamente. Agora era questão de um a cada quinze aparições, revelando que se tratava de um flop dos bons. O restante do grupo também não ajudou, terminando o campeonato na antepenúltima colocação.
Foto: El show de las reconciliaciones (???)
Bancando o cigano, partiu para o Brescia em 1992-93, recuperando a boa fase e emplacou 13 tentos em 29 compromissos. Contudo, nem sua redenção evitou que o Brescia fosse rebaixado. Ao lado de Hagi, Ioan Sabau, Dorin Mateut, a comunidade romena se viu representada nas cores da equipe biancoazzurri. De malas prontas para o Milan, onde tentava mostrar que era de fato um bom nome para o futuro. Sem impressionar no San Siro, embarcou para o Mundial de 1994 sem muitas esperanças, apesar dos títulos da Serie A, Supercoppa Italiana e a Liga dos Campeões
Nem mesmo os familiares de Florin esperavam uma Copa tão regular e estonteante por parte do rapaz. Dois gols contra a Colômbia na primeira fase, boas participações contra Suíça e Estados Unidos e mais um doblete contra a Suécia nas quartas de final transformaram Raducioiu numa figura revigorada. Por muito pouco não deu uma grande chance da Romênia ir à semifinal.
Os seguidos insucessos teriam ficado para trás depois de envergar o manto de sua seleção? A pergunta seria respondida no Espanyol ganhou o posto de titular e em duas temporadas enganou bem na equipe catalã. Um novo capítulo internacional de sua carreira veio em 1996, quando marcou o único gol romeno na Eurocopa. Depois daquele ano, jamais voltaria a ser convocado.
Foto: Daily Mail
Para a torcida do West Ham, é uma péssima lembrança. Sem se adaptar ao estilo do clube londrino, mal entrou em campo e virou reserva. Protagonizou um infame acontecimento onde estava fazendo compras em um shopping, enquanto os Hammers estavam em campo. Dispensado, retornou ao Espanyol, onde continuou com a sua decadência.
Daí em diante era só derrota, diria o amigo @zenascimento. Acumulando insossas passagens por Stuttgart, Brescia, Dinamo Bucareste, Monaco e Créteil, Florin era assumidamente uma promessa que não vingou. De 1997 a 2004, viveu o mais puro ostracismo até se aposentar em divisões inferiores na França. Foi o fim de uma história que quase teve uma ressurreição. Como o quase não entra em campo, Raducioiu ficará sempre lembrado por ser um Desafortunado, como muitos outros que fracassaram em manter o sucesso.
Nunca o futebol mundial viu um goleiro tão versátil como Jorge Campos (Foto: AllSport)
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP
Você acha que seu time tem um jogador bastante versátil? Bem, pode até ter um volante que joga em todas as posições do meio-campo, além de jogar na lateral, um zagueiro que faz suas vezes como ala ou até mesmo um atacante que aparece como meio-campista. Contudo, é difícil achar um goleiro que saiba jogar em outra função que não seja a de usar as mãos para evitar gols do adversário. Pode até ter um guarda-redes que vá bater faltas e deixe seus gols, como Rogério Ceni, mas, ver o defensor da meta aparecendo como atacante, é algo quase impensável. Por essas e outras que Jorge Campos é um jogador bastante diferenciado se comparado aos demais.
Tendo apenas 1,73m de altura, o mexicano iniciou sua carreira no futebol profissional no ano de 1988, quando tinha 22 anos, jogando pelo Pumas. Porém, um empecilho atrapalhou os planos do pequeno grande goleiro. Adolfo Rios era um dos principais jogadores locais e titular incontestável dos felinos debaixo das traves. Querendo jogar, o atleta nascido na cidade da praia do Chaves de Acapulco decidiu inovar pediu para ser escalado como atacante. No ataque, o jovem não decepcionou e marcou 14 gols em sua primeira temporada, para a surpresa de todos.
Foto: Cultura futebolistica.wordpress.com
Apesar do bom desempenho no ataque, Jorge Campos queria mesmo era ser o goleiro titular do Pumas e na temporada seguinte tal condição foi alcançada. A baixa estatura não o atrapalhou e ele passou a se destacar graças à sua enorme elasticidade. Foram 6 anos como titular absoluto da meta do clube e, em 1995, o homem-elástico se transferiu para o Atlante.
Porém, 1 ano antes de mudar de ares, o versátil goleiro começou a chamar a atenção de todo o planeta bola. Convocado para defender a seleção mexicana na Copa de 1994, Campos ganhou seus quinze minutos de fama com seus extravagantes uniformes e espetaculosas defesas. Importante ressaltar que um ano antes do torneio nos Estados Unidos, ele sagrou-se campeão da Copa Ouro com o México.
Voltando a falar da carreira clubística, "El Brody", como era chamado, passou apenas uma temporada no Atlante, onde marcou um belíssimo gol de bicicleta em um jogo que jogou como atacante, e, em 1996, foi se aventurar nos Estados Unidos sendo contratado pelo Los Angeles Galaxy, que ainda não pretendia contratar David Beckham e ser o time galáctico da terra do Tio Sam. Em solo yankee, o dono das extravagantes camisas não foi bem, voltando ao México para não se dar bem no Cruz Azul e, depois, colecionar mais uma temporada ruim na MLS, dessa vez com o Chicago Fire.
Jorge, em 1996, pelo Galaxy
Buscando se reencontrar com o bom futebol, o goleiro-atacante retornou ao Pumas, onde ainda era idolatrado pela torcida. No seu antigo lar, ele conseguiu estabelecer uma boa sequência de jogos e marcar seus gols, garantindo vaga na seleção mexicana que disputou a Copa do Mundo de 1998. Além de que com o selecionado, ele ainda se sagraria campeão da Copa das Confederações, novamente da Copa Ouro e medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, tudo isso em 1999.
As glórias no ano de 1999 vieram quando o jogador estava vestindo uma nova camisa. Passando apenas uma temporada no querido Pumas, ele passou uma temporada no Tigres para depois retornar aos auriazules em 2000, já em fim de carreira.
Após esta passagem pelo Pumas, onde ficou até 2001, o goleiro ainda passou por Atlante e Puebla para em 2004 encerrar sua carreira e assumir o cargo de auxiliar-técnico na seleção mexicana, função que exerceu até 2006.
Ao todo, foram 562 jogos em toda sua carreira e 34 gols marcados. Mas, os números pouco importam, o que vem ao caso é que Jorge Campos, o popular "El Brody", foi um dos mais místicos goleiros que da história do futebol mundial.
Sebastian Deisler: o destino não ajudou (Foto: Fussball24)
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP
Sebastian Deisler surgiu em um momento em que o futebol alemão não formava grandes jogadores, via a tradição do 3-5-2 com o líbero se encerrar, a National Mannschaft se via carentes de grandes nomes, visto que o único atleta de destaque era o goleiro Oliver Kahn, que começava a despontar para o mundo. Até que Deisler começou a obter grande destaque mostrando muita habilidade na ponta-direita e surgindo como a maior promessa dos últimos tempos no país.
Sua estreia no futebol profissional veio no ano de 1998, até então com 18 anos, jogando pelo Borussia Monchengladbach. Apenas uma temporada se passou, os potros foram rebaixados e Sebastian acabou por se transferir para o Hertha, onde mostrou todo o seu potencial, além de passes e dribles de efeito.
Ainda com 20 anos e já visto como uma possível salvação no cenário germânico, o meia foi chamado para a disputar sua primeira grande competição com a seleção alemã: a Eurocopa de 2000. Apesar de certa expectativa, o desempenho da Nationalelf foi totalmente apático e uma eliminação logo na primeira fase fez cair por terra as esperanças de redenção.
Foto: Futebol chucrute
Após a Euro, Sebastian seguiu apresentando bom futebol em Berlin. Chegou 2001, e ele teve seu primeiro grande problema físico da carreira. Uma grave lesão no joelho direito acabou fazer com perdesse toda aquela temporada e desfalcasse a seleção alemã na Copa do Mundo de 2002. Tudo isto desencadeou nos seus primeiros problemas emocionais, que viriam atrapalhar (e muito) sua trajetória.
Recuperado da lesão, Deisler se transferiu do clube da capital alemã logo após o fim da Copa de 2002 e acertou com o todo-poderoso Bayern, onde teria a oportunidade de expor ainda mais sua qualidade, não sem cobranças por parte da diretoria e torcida bávaras.
Os primeiros anos no clube bávaro foram decepcionantes. O meia sentiu toda pressão em sua volta, colecionou lesões, e a titularidade não vinha com tanta frequência. O conjunto de toda essa negatividade fez com que o jogador se afundasse na depressão, se complicando bastante.
Foto: Badische-zeitung.de
Na temporada 2004-05, Deisler amadureceu muito quando teve a chance de ser pai pela primeira vez, e pareceu readquirir confiança, ainda mais com o fato de ter passado a jogar regularmente. já que Michael Ballack, titular absoluto do Bayern até então, havia arrumado suas malas e partido para o Chelsea. Demonstrando grande melhora, voltou representar a Alemanha na Copa das Confederações de 2005 e provou por a+b que ainda teria lenha para queimar.
Quando tudo ia bem, as lesões e o emocional não incomodavam tanto, Sebastian sofreu um duríssimo baque. No ano de 2006, o jogador teve nova lesão, desta vez no joelho esquerdo, e mais uma vez, foi impedido de disputar a Copa do Mundo daquele ano, com o seu lado psicológico completamente abalado.
A lesão colocou o meia novamente num turbilhão emocional, até o ponto de ele não conseguir se recuperar de jeito nenhum deles. Foi então que no ano de 2007, com apenas 27 anos, a eterna promessa do futebol alemão anunciava sua aposentadoria, para surpresa de muitos.
Crente de que Basti (como era chamado) voltaria atrás, o Bayern não rescindiu seu contrato. O vínculo venceu em 2009 e hoje só resta a melancolia na Alemanha em função da tão promissora carreira de Deisler ter sido encerrada da forma prematura que foi.
Nascido em Arnhem, o meia atacante Andy Van der Meyde começou sua trajetória no futebol em 1997-98, pelo Ajax. Sua boa movimentação e interação com o setor ofensivo eram seus pontos fortes. Impressionando os treinadores das categorias de base dos Godenzonen, o rapaz traçou bons passos e o fato de ser canhoto (característica bem vista por olheiros) facilitou esse avanço.
Aparecendo constantemente entre os titulares numa fase complicada da equipe de Amsterdã, Andy foi emprestado ao Twente em 1999-00. Seu retorno ao Ajax em 2000-01 foi fundamental para consolidar sua posição como titular. Com as peças certas, conquistou o título da Eredivisie em 2001-02 sob comando do treinador Ronald Koeman.
Em ação contra o Valencia na LC de 2002-03 (NRC.nl)
Inicialmente como ponta direita, começou a fazer sucesso na Holanda, vivendo seu auge durante a Liga dos Campeões de 2002-03, quando os godenzonen alcançaram as quartas de final (última vez, inclusive), perdendo para o Milan, que viria a levantar o troféu contra a Juventus numa final com disputa de pênaltis.
Aquele foi o último grande elenco do Ajax, diga-se de passagem: Hatem Trabelsi, Christian Chivu, Maxwell, Petri Pasanen, Tomas Galásek, Steven Pienaar, Rafael Van der Vaart, Wesley Sneijder, Jari Litmanen, Nigel de Jong, Zlatan Ibrahimovic e Mido (tá, ok, o último foi só pra causar impacto). A boa fase de Andy refletiu no seu maior número de gols em uma só temporada: foram 11 tentos em 28 partidas.
Negociado com a Internazionale em 2003-04, foi logo mostrando que se tratava de um flop. O estilo decisivo dos tempos passados já não estava mais lá, os gols tampouco, restou só a promessa de que iria retomar a boa forma no futuro. Em dois anos na Inter, entrou em campo apenas 32 vezes, se tornando um reserva de luxo no esquema de Roberto Mancini, treinador nerazzurri em 2004-05.
Ainda sim ganhou uma chance de fazer parte da Holanda que disputou a Eurocopa de 2004, perdida nos penais para a República Tcheca nas quartas de final. Já ameaçando descer a ladeira daqueles que brilham e não mantém a performance, Van der Meyde decidiu se transferir para o Everton após mais um fiasco interista. A eliminação frente o Milan (também) nas quartas de final da LC de 2004-05 (aquele mesmo do sinalizador na cabeça do Dida, e tal) motivaram o meia a procurar sua reabilitação na Inglaterra.
Ligeiramente fora de forma e com problemas de comportamento,
Andy mostrou seu lado revoltadinho ao abdicar da cabeleira
e ficar completamente careca (Foto: Daily Mail)
Nos Toffees, piorou. Repetidas lesões e escassas atuações fizeram com que Andy passasse quase quatro temporadas só assistindo do banco de reservas. Jornais especulavam que ele agora tinha problemas com alcoolismo, o que sempre foi negado com veemência pelo holandês, muito embora meses depois ele tenha dado entrada num centro médico em Liverpool com certa quantidade de álcool no sangue. Fato é que ele raramente exercia seu ofício.
Cotado para voltar ao Ajax, afirmou várias vezes estar contente (claro, vamos tomar isso como verdade) no Goodison Park. As manchetes e a sua ausência na escalação do Everton diziam totalmente o contrário. Somente em 2008-09 desfez sua ligação com o clube, ficando alguns meses na geladeira até ser contratado junto ao PSV, onde lamentavelmente não faria nenhum jogo oficial. Detalhe: não marcou um gol sequer nas quatro temporadas em que esteve na Premier League.
Tiozão do churrasco no Emmen, Andy desfila a pança na terceirona holandesa
Foto: RTVDrenthe.nl
Chegou a se aposentar em 2009-10 após o fracasso no PSV. Aceitou o convite do WKE Emmen, que joga na terceira divisão holandesa e por lá joga até hoje, provavelmente se sentindo em casa e sem a vistosa cabeleira de outrora.
Passagem de Taibi pelo todo poderoso United foi pífia, diria Mauro Cezar Pereira.
Foto: MUFC.net
Felipe Portes, @portesovic
De Spa-Francorchamps-BEL (ôo, o portes voltou, o portes voltoooo-ôooou)
Taibi e seu triste porém cômico destino no futebol tiveram seu primeiro capítulo lá em 1990-91, pelo Trento. Impulsionado por grandes gerações de arqueiros formados na Itália como Dino Zoff, Franco Tancredi, Walter Zenga, Gianluca Pagliuca, entre outros, Massimo se agarrava ao objetivo de sua carreira, que muito provavelmente deveria ser um grande guarda redes de nível internacional.
E então foi começando a ser uma barreira para os atacantes pelos lados do estádio Briamasco, quando em apenas uma simples temporada alertou os dirigentes do Milan. Com enormes dificuldades para se adaptar de forma tão rápida ao esquadrão rossonero, foi repassado ao Como, por empréstimo, sem ao menos entrar em campo. Fez sucesso na Serie C, quando os Lariani passaram perto de ascender à Serie B de 1992-93. A terceira colocação frustrou a rapazeada e especialmente Taibi, que sabia da dificuldade que era aparecer para o grande público jogando em divisões inferiores.
Perseverante, o jovem siciliano (nascido em Palermo) aceitou a oferta da Piacenza, que jogava na B, para poder então prestar seus serviços. Íntimo das traves, com bons reflexos e colocação ímpar na pequena área, Massimo trouxe mais confiabilidade para o setor defensivo dos biancorossi. A terceira posição na classificação final e o acesso à Serie A alavancou a popularidade do humilde rapaz, que agora já estava com boas condições para mostrar as suas cartas.
Cinco temporadas na Piacenza fizeram com que o goleiro voltasse a fazer parte dos planos do Milan, em 1997-98. Caindo no mesmo conto de anos antes, foi feito de mera peça do elenco, apenas participando de 17 compromissos. Com pompas de top 5 goleiros italianos da época, foi ao Venezia e lá jogou ao lado de atletas como Alessandro Pistone (aquele, 1), Fillippo Maniero (aquele, 2) Fabio Bilica (poltrona 36?), Álvaro Recoba e Tuta (aquele, 3), veja só você.
O uniforme amarelo e a careta de E agora, Jesus? foram emblemáticos
na estadia de Taibi no Old Trafford (Tumblr)
Logo na sequência, em 1999-00, o siciliano resolveu então aceitar o maior convite de sua carreira, por parte do Manchester United, que se impressionara com as habilidades do guarda metas. Haviam duas possibilidades: ser reserva de uma das maiores forças da Europa ou enfim vingar como maior nome italiano na posição, sucedendo o genial Pagliuca. Entretanto, o inesperado não só aconteceu, como marcou Taibi por toda a sua trajetória profissional.
Fazendo míseras quatro aparições pelos Red Devils, estreou contra o Liverpool em 10 de setembro de 1999, no Anfield. O Manchester saiu na frente graças a uma falha clamorosa de Jamie Carragher, que cortou cruzamento e testou contra a própria meta, defendida pelo lendário Sander Westerveld. Sem chances, o holandês apenas pode lamentar o infortúnio. Andy Cole aumentaria a vantagem dos visitantes de cabeça, aproveitando um dos precisos cruzamentos de David Beckham. Estava tudo bem para Sir Alex Ferguson e sua intrépida trupe, parte 1.
Aos 23, falta cobrada na área do United e Taibi sai exatamente igual Marcos no Mundial Interclubes de 1999. Caçando borboletas, o italiano não achou a bola que vinha pelo alto e permitiu que Sami Hyypia testasse para o fundo das redes. Nada de grave. Com duas excelentes defesas logo em seguida, Massimo se redimia de sua falha inicial. Garantindo a vitória por 3-2 (Carragher marcou mais um gol contra aos 44'), estava seguro de que havia encontrado um porto seguro. Pois é, mas as coisas não caminharam tão bem assim. Duas partidas depois da glória, nosso Desafortunado passou por maus bocados.
O duelo era contra o Southampton do brilhante Matthew Le Tissier e assim de repente Marian Pahars marcou um gol de placa, dando uma caneta em Jaap Stam para inaugurar os trabalhos no Teatro dos sonhos. Teddy Sheringham empatou e Dwight Yorke colocou o United na frente. Estava tudo bem para Sir Alex e sua intrépida trupe, parte 2. Estava. Le Tissier dominou uma bola na faixa de 30 metros e carregou com dois toques até achar espaço. Resolveu arriscar e nessa chance contou com um frangaço clássico de Taibi. Por entre as pernas do siciliano foi a bola, traquina e cruel. Checando sua chuteira após o lance, Massimo deve ter pensado que demônios tiraram a pelota de seu controle. Demônios arteiros, diga-se.
Mikaël Silvestre fez bobeira na lateral, perdeu para Pahars que achou Le Tissier no meio da área. 3-3. Yorke havia deixado o seu minutos antes, mas aparentemente não teve a mesma sorte do que naquele dia contra o Liverpool. A nebulosa de Taibi não acabaria ali. O frangaço foi tratado com muitas piadas por parte da imprensa britânica, que não demorou a crucificar o rapaz de Palermo pelo erro crucial (e vexatório). Na rodada seguinte, contra o Chelsea, em Stamford Bridge, mais um duro golpe e o último que Massimo sofreria na Inglaterra.
Vamos resumir o sofrimento: Dan Petrescu cruza, Taibi sai novamente caçando borboletas e Gustavo Poyet marca. 1-0; Chris Sutton cabeceia no ângulo, 2-0; Celestine Babayaro faz carnaval na defesa e só rola para Frank Leboeuf, que chuta, Taibi rebate mal e Poyet confere, 3-0; Gianfranco Zola faz uma jogada extremamente técnica e cruza para Sutton, mas Henning Berg chega antes e faz contra, 4-0; Jody Morris recebe sozinho na área e chuta rasteiro, entre as pernas de Taibi. Fim do show de horrores.
Na Reggina, redenção e gol em escanteio. Great times revival?
Foto: Dio salvi la Reggina
Passado o pesadelo inglês, Massimo retornou à Itália para jogar pela Reggina, na Serie A, na temporada 2000-01. No primeiro de abril de 2001, confrontando a Udinese e perdendo por 1-0 até os 43 do segundo tempo, o goleiro que tanto foi apedrejado pela torcida vermelha de Manchester conseguia um afago após anos de duro trabalho.
De cabeça marcou o gol de empate, para insana festa dos locais no Reggio Calabria. Somando mais passagens por Atalanta (2001-05), Torino (2005-07) e Ascoli (2007-09, se aposentou em 2009) Taibi seria mais um nome memorável de goleiro italiano, não fosse seu fiasco relâmpago no United.
Filho de peixe, peixinho é. Tal ditado bastante comum no cotidiano pode servir para evidenciar bastante coisas, porém, quando se fala em talento no futebol, esta frase não se aplica. Uma das provas mais concretas disso é Paul Dalglish. Filho de Kenny Dalglish, atual técnico do Liverpool e ídolo dos Reds e do Celtic na época em que era jogador, Paul não conseguiu chegar nem perto da unha do dedão do pai quando se diz a respeito do sucesso no futebol e, caso não fosse o famoso sobrenome, provavelmente não o conheceríamos.
O início de sua carreira foi de certa forma promissor. Atacante, com passagem pelas bases do Celtic e do Liverpool, muito em função do renome de seu pai dentro de ambas as equipes, Paul contou com algumas convocações para a seleção sub-21 da Escócia, mas não convenceu muito. Em 1997, graças a seu pai que treinava os magpies e o contratou, o Newcastle foi o rumo do jovem, que pouco mostrou de eficiência, mas foi emprestado para outras agremiações.
Contratado pelo papai, Paul Dalglish não conseguiu obter sucesso jogando pelo Newcastle (Foto: Getty Images)
Em 1999, durante empréstimo ao Norwich, Paul conseguiu ter alguns lampejos e agradar o clube que contratou em definitivo. Todavia, não demorou para os Canários se estressarem com o rapaz e em 2001, o mandaram novamente por empréstimo (sua sina) para o Wigan, onde também somou raras boas aparições. Já adentrando 2002, o herdeiro do reinado de King Kenny mudou-se para o Blackpool.
Nos Tangerines seu desempenho foi pífio tanto que ficou sem espaço e acabou emprestado para mais um time modesto, desta vez o Scunthorpe United, onde ficou por um curto período de 2003, já que no mesmo ano acabou por ir se aventurar na Irlanda, jogando pelo Linfield e lá flopou em mais uma apática passagem. Ano novo, vida nova e clube novo para o desafortunado Paulinho, que dessa vez partiu para o futebol escocês, pelo Livingston. Lá, teve apenas uma partida memorável, contra o Celtic, onde marcou dois gols, e chamou atenção de outro clube escocês que acabou arrematando-o: o Hibernian.
Dalglish e mais um flop no Hibernian (Foto: STV)
Apesar de ter chegado com certo renome, sua passagem pelos Hibs foi pouco brilhante e nem um ano ficou no clube. E daí então, o atacante foi atrás de novos ares para a sua carreira no ano de 2006, os Estados Unidos eram a nova morada do jogador, que se transferiu para o Houston Dynamo.
Foi mais um ano colecionando decepções em sua carreira, mas, na terra do Tio Sam, além das contusões que teve, Dalglish conseguiu realizar um feito notório e na final da MLS Cup de 2007, contra o New England Revolution, marcou os dois gols da sua equipe na vitória por 2 a 1 e o título ficou com os alaranjados de Houston, que já haviam sagrado-se campeões do mesmo evento em 2006.
Ainda achando que tinha lenha pra queimar, Paul acertou com o Kilmarnock onde mais uma apática passagem entrou pra sua coleção. As contusões se acentuaram, o obrigando a encerrar a carreira, para a alegria dos amantes do futebol bem jogado.
Hoje, o ex-atleta é técnico do Austin Aztek, equipe norte-americana de segunda linha que sequer joga a MLS. De fato, Paul só está aqui nesta seção e jogou em clubes conhecidos graças a um único fato: seu pai é Kenny Dalglish.