Sediada na Polônia e na Ucrânia, a última edição da Eurocopa teve dois campeões. A Espanha, que conseguiu defender o título com sucesso, e os próprios ucranianos, que puderam ter a honra de sediar um evento dessa magnitude após tanto tempo e tantos traumas.
"Jogamos como nunca, perdemos como sempre". Não havia frase que descrevia melhor a situação da Espanha em meio a história do futebol mundial. Contudo, chegou o ano de 2008 e a Fúria mais uma vez apresentava um plantel forte. Encantando o mundo com seu futebol baseado no envolvente toque de bola, buscava apagar o seu retrospecto de amarelona.
Os espanhóis ostentavam condição de favoritos para a competição, que era realizada na Áustria e na Suíça. Ainda havia um receio geral a respeito dos comandados de Luis Aragonés. No mesmo grupo do que a Fúria, havia também as perigosas Rússia e Suécia, além da Grécia, que havia conquistado o torneio 4 anos antes.
Logo na estreia já foi possível ver que a seleção espanhola estava disposta a tudo pelo título e diante da boa equipe russa, um show de futebol e uma contundente goleada por 4 a 1, com direito a hat-trick de David Villa, atacante do Valencia.
Villa garante Espanha nas quartas com hat-trick frente a Rússia e gol tardio contra a Suécia (Foto: UEFA)
No segundo jogo, uma partida muito mais complicada contra a Suécia de Zlatan Ibrahimovic, Torres abriu o placar e Ibra empatou, até que nos acréscimos, a figura daquele que já havia brilhado na jornada inaugural voltou a aparecer: Villa marcou mais um e chegou ao seu quarto gol na Euro e sacramentou a vaga para a próxima fase.
Com a vaga já assegurada, Aragonés decidiu por mandar um mistão para enfrentar a Grécia. Os helênicos abriram o placar com Charisteas, mas não aguentaram o repuxo e cederam perante Rúben De La Red (volta, saudades) e Dani Güiza. De virada, abocanhou 100% de aproveitamento na fase de grupos e seguia firme e forte na briga pelo caneco.
Nas quartas de final, a Espanha tinha compromisso complicado diante da Itália. Sem poder contar com Andrea Pirlo e Gennaro Gattuso que estavam suspensos, a solução encontrada pela Squadra Azzurra foi se fechar e tentar matar o confronto no contra-ataque. Os ibéricos, por outro lado, encontravam grandes dificuldades em furar tal ferrolho, não conseguiam criar boas oportunidades.
Conseguiram mesmo foi evitar que os italianos levassem perigo. No fim, o 0 a 0 persistiu no placar, tivemos foi pênaltis e aí brilhou a estrela de Iker Casillas, que defendeu as cobranças de Daniele De Rossi e Antonio Di Natale colocando o selecionado espanhol nas semifinais.
A Rússia era velha conhecida, e queria devolver o 4 a 1 no debut das duas nações. Embalados, os russos derrubaram a Holanda. Repetindo a sapatada da primeira fase, os espanhóis deram um show e despacharam os oponentes com gols de Xavi, Güiza e David Silva. O 3 a 0 credenciou Aragonés e seus pupilos para a grande final em Viena, contra a Alemanha.
Foto: Imortais do futebol
A decisão
A final da Euro colocava frente a frente Espanha e Alemanha, duas forças que jogavam de maneira ofensiva. O prognóstico inicial era que uma tinha fama de "amarelar" em decisões e a outra de crescer nos momentos decisivos. Previsão essa que só aumentaria a expectativa em torno da finalíssima no dia 29 de junho de 2008, estádio Ernst Happel: o dia e local em que o mundo do futebol conheceria uma nova potência.
David Villa foi o artilheiro da Espanha, mas se lesionou e ficou de fora do derradeiro compromisso de sua equipe. Aragonés então foi esperto o substituindo por Fàbregas e fortalecendo o meio-campo, medida que foi fundamental para segurar os alemães no ímpeto dos primeiros 20 minutos.
Passada a metade inicial do primeiro tempo, a Fúria se encontrou de vez em campo e com suas envolventes trocas de passe começou a criar perigosas oportunidades. Aos 32 minutos da etapa inicial, Xavi lançou Fernando Torres que ganhou na corrida de Phillip Lahm para dar um belo toque de cobertura sobre Jens Lehmann abrindo o placar em Viena.
No segundo tempo, os atletas de La Roja entraram em campo de maneira mais cautelosa, organizada e preservando a vantagem adquirida. A Alemanha bem que tentou, mas não conseguiu se acertar e acabou sucumbindo com o cansaço: Espanha bicampeã da Euro, 44 anos depois da primeira conquista.
Foto: Imortais do futebol
Alemanha: Lehmann, Friedrich, Mertesacker, Metzelder, Lahm (Jansen), Frings, Schweinsteiger, Ballack, Hitzlsperger (Kuranyi), Podolski e Klose (Gomez). Téc: Joachim Löw
Espanha: Casillas, Puyol, Marchena, Sergio Ramos, Capdevila, Xavi, Iniesta, Marcos Senna, David Silva (Cazorla), Fàbregas (Alonso) e Torres (Güiza). Téc: Luis Aragonés
Campanha: Seis jogos, cinco vitórias e um empate. 12 gols marcados, três sofridos
Jogos Fase de grupos Espanha 4 x 1 Rússia Espanha 2 x 1 Suécia Espanha 2 x 1 Grécia
Quartas de final Espanha 0 x 0 Itália (4x2 nos pênaltis)
Felipe Portes, @portesovic
Da Mística de Barueri-SP
Esqueça tudo que você entende por futebol arte, futebol bonito e pra frente, escanteio curto e toda aquela frescura enquanto estiver lendo este post. A Grécia foi a primeira equipe na história a levantar um troféu praticando a mais pura retranca. Uns dirão que os helênicos eram tremendamente eficientes no que se prestavam, e devo concordar com eles, sem restrições ou poréns. Ponto incontestável é que o rei Otto Rehhagel armou um esquema quase perfeito para os padrões gregos e assim um grupo entrosado e disciplinado chegou tão longe na Eurocopa de 2004, em Portugal.
O choque geral começou logo no duelo inaugural contra os lusitanos no Estádio do Dragão. Lidando com uma motivada seleção comandada por Luiz Felipe Scolari, conhecida por seu dinamismo, trabalho em grupo e talento mostrado por craques como Luís Figo, Rui Costa, Deco e o jovem Cristiano Ronaldo.
Era dada como certa a vitória do mandante sobre aqueles frágeis rapazes grisalhos, que em sua maioria pareciam ser atletas de uma equipe de masters. Subestimando a organização de Rehhagel e sua tropa, o mundo viu Giorgos Karagounis e Angelos Basinas abrirem 2-0 de vantagem para os helênicos. Concedendo pouquíssimos espaços no seu campo, Theodoros Zagorakis executavam a missão de derrubar a grande força da chave com dois tiros milimetricamente disparados. Foi Ronaldo, ainda um moleque chorão o homem a diminuir a tragédia, ainda que com atraso, nos acréscimos da segunda etapa. 2-1.
Charisteas, o homem gol da Grécia empata contra a Espanha (Foto: UEFA)
A saga continuou contra a Espanha no Estádio de Bessa. Já com alguns dinossauros no grupo, a Fúria do contestado José Ignacio Sáez ainda escalava Raúl e Fernando Morientes no ataque, revivendo os bons tempos de Real Madrid. Atrás, no meio campo, a coisa ainda estava uma bagunça. Raúl Bravo, Raúl Baraja, Vicente e Joseba Etxeberria compunham o setor intermediário espanhol, para agonia dos torcedores.
Morientes abriu o placar e encaminhou a classificação após vitória sobre a Rússia na estreia. Não contavam com a astúcia de Angelos Charisteas, o perigoso grandalhão na ofensiva helênica. 1-1, nada resolvido para ambos. A questão iria para a rodada derradeira, quando Portugal x Espanha e Grécia x Rússia (já eliminada) definiriam os dois safos que disputariam as quartas de final.
Vocês não acreditariam, mas a Grécia conseguiu perder para os soviéticos e ainda sim se classificar. Batendo mais que carcereiro velho, os rapazes de Moscou abriram a contagem em Algarve logo aos dois minutos, com Dmitri Kirichenko.
Zagorakis não acredita na sorte que levou os gregos adiante na Euro.
Pegadinha do Mallandros? RÁAAA, GLU GLUKIS! (Foto: UEFA)
O que fazer quando o seu time não é um primor ofensivo e ainda sim tem de sair para o jogo? A) bico para a frente, seja o que Deus quiser B) ninguém nunca ganhou uma guerra atirando para todos os lados, então cautela C) mantenha a mesma passada, vai que dá. Resposta: C. O roteiro de tragédia grega estava armado: Dmitri Bulykin fez o crime e ampliou para 2-0. Danouskis.
Enquanto isso, no José Alvalade, Portugal empatava com os rivais espanhóis. Zisis Vryzas diminuiu aos 43, mas a parcial não bastava. A situação estava com Espanha 5, Portugal 4, Grécia 4 e Rússia 3. Desesperador. Voltando do intervalo, com um pingo de sorte, Nuno Gomes colocou os tugas em vantagem e a patota de Rehhagel nas quartas. (Espanha ficou sem marcar e perdeu no critério de desempate) E assim começou uma série de zebras nunca antes vista nas Eurocopas.
Campeonato europeu de 1 a 0
Vinha a França pela frente. Atuais campeões europeus mas com uma crise de personalidade e dependência de Zinedine Zidane, Les Bleus contaram com um Zizou bem apagado. Passando um perrengue danado para sair de campo na primeira etapa sem levar gols, os franceses certamente demoraram a acordar em campo, e quando o fizeram, era tarde demais. Charisteas, sempre ele, marcou de cabeça aos 65 e lá se foram os primeiros favoritos. 1-0, Au revoir.
Eis que a imponente República Tcheca chegava às semifinais com muita moral. Em forma quase perfeita, os eslavos atropelaram a Dinamarca com 3-0 nas quartas e viam em Tomas Rosicky, o Pequeno Mozart suas esperanças de reviver as glórias do tempo de Antonín Panenka. Sólida e bem treinada, a formação tcheca era dinâmica e trazia o gênio Pavel Nedved como referência no meio campo, juntamente com Karel Poborsky e o supracitado Rosicky, ainda no Dortmund.
Ricardo sai mal do gol português e Charisteas marca: fim do sonho e silêncio
no Estádio da Luz, em Lisboa (Foto: SMH.au)
Um tenebroso e tenso empate foi a proposta grega para tentar chegar à sua primeira final. Marcando até a sombra dos adversários, novamente sem dar espaço e saindo pouco para os contragolpes, o esquete helênico segurou a barra e o 0-0 até a prorrogação, que teria a controversa regra do gol de prata: quem marcasse primeiro e mantivesse a vantagem até o intervalo, venceria. Entrou em cena o coringa Traianos Dellas, beque romanista, que segundos antes do apito trilhar no primeiro tempo extra, matou os rivais com uma testada certeira e botou a Grécia na final. 1-0, Sbohem.
Tudo estava lindo em Lisboa na tarde de 4 de julho de 2004. O sentimento português era de vingança pelo 2-1 na primeira fase. Convencendo como um dos principais candidatos ao caneco, o selecionado de Scolari já orgulhava a nação com a alegria e a garra apresentadas. Um povo que sempre sonhou em ver a sua representação vencedora dentro de campo, acompanhava de perto a maior chance de todas.
Ligeiramente melhores, os lusitanos encontraram uma Grécia mais atrevida, disposta a abandonar sua retranca de outrora. A defesa grega trabalhou de forma impecável e barrava as melhores iniciativas por parte do ataque com Pauleta, auxiliado por Ronaldo. Passada a primeira hora de nervosismo, agora os donos da casa dominavam completamente, testando o poderio defensivo de Traianos Dellas, Zagorakis e o arqueiro/garoto propaganda da Grecin 5, Antonis Nikopolidis.
Numa guerra de nervos e ainda sem gols, Scolari usou a palestra de intervalo para alertar seus pupilos a respeito dos perigos nas jogadas aéreas e claro, tentou fazer o ataque funcionar. O que ele não esperava era uma nova blitz grega na volta para a etapa complementar. Giourkas Seitaridis desceu em velocidade pela direita e foi barrado por Nuno Valente. Ganhando o escanteio, Basinas cobrou no meio da área. Saindo mal do gol, o arqueiro Ricardo deu a abertura, Costinha parou no meio do caminho e Charisteas cabeceou: 1-0.
Protagonizando um drama, Portugal apostou todas as suas fichas no ataque, buscando sem sucesso o empate. Silenciado, o Estádio da Luz deu lugar a outra festa: a dos visitantes que nunca nem chegaram perto da glória mas que agora fariam da Grécia um país menor ainda se comparado ao tamanho das festividades. Os heróis serão sempre heróis, vivos ou mortos, velhos ou jovens, pois o feito de Rehhagel somado à bravura dos atletas, foi simplesmente inigualável.
Campeã do mundo dois anos antes, em casa, a França desembarcou na Bélgica para as primeiras duas rodadas da Euro 2000 (em sede dividida com a Holanda) com a equipe mais temida do continente e apresentando grande futebol. Liderados por Zinedine Zidane em grande fase e agora bem auxiliado por Thierry Henry, David Trezeguet, Youri Djorkaeff e Patrick Vieira,Les Bleus alcançaram sua segunda conquista europeia, chegando tão ou mais longe quanto Michel Platini, em 1984.
A questão é que a França era muito favorita. Conseguindo um reinado que poucas seleções já exerceram, Zidane e seus companheiros estrearam contra a Dinamarca, no Jan Breydelstadion em Bruxelas, castigando os escandinavos com três gols a zero. Laurent Blanc, Henry e Sylvain Wiltord balançaram as redes de um rival órfão dos irmãos Laudrup, pela primeira vez em 16 anos.
Contra os tchecos, mais experientes quatro anos depois da derrota na decisão em 1996, ofereceram um maior desafio aos franceses. Por mais que Henry tivesse inaugurado a contagem aos sete minutos, sacramentar mais um triunfo e a classificação saiu mais difícil do que o esperado. Aos 35, Karel Poborsky deu números iguais ao cotejo, de pênalti.
Restou a Djorkaeff arrematar ao gol, e contando com a má sorte do guarda metas Pavel Srnicek, que espalmou e viu Tomas Repka desviar contra as próprias redes. 2-1, França nas quartas, República Tcheca fora. O jogo-chave seria mesmo contra os holandeses, que na posição de anfitriões, buscavam a primeira colocação no grupo D.
Zenden, Kluivert e Overmars afundam França e tomam a ponta da chave D (Foto: UEFA)
Novamente a França deu o pulo do gato para abrir o placar no início. Dugarry emulou Henry e aos oito minutos bateu Sander Westerveld para fazer 1-0. Determinada, a Oranje equilibrou a peleja e antes de assumir o desespero, empataram com Patrick Kluivert. Desenhando um dramalhão no encerramento da fase de grupos, Les Bleus novamente ficaram em vantagem, com David Trezeguet. Logo após o intervalo, Frank De Boer estufou as redes de Bernard Lama para levantar a torcida presente na Amsterdam Arena. Foi Boudewijn Zenden quem resolveu de vez o duelo que lembrou os tempos de Velho Oeste. Holanda líder.
Voltando a Bruxelas, onde somou duas vitórias, os franceses teriam a Espanha pela frente. Zidane chamou a responsabilidade e conduziu com maestria sua seleção ao sucesso, mais uma vez. Aos 32, o carequinha inaugurou o marcador, encaminhando mais um triunfo. Vacilando de novo, a retaguarda azul cometeu pênalti e Gaizka Mendieta fez: 1-1. Terceiro compromisso consecutivo em que a França sofria gols oriundos de penalidade.
Pouco antes do intervalo, Djorkaeff deu um de seus chutes característicos e colocou Les Bleus nas semifinais. Sem reação, os espanhóis aceitaram a marcação e o ritmo imposto pelos franceses, superiores e já em passadas largas rumo ao segundo título.
Zidane aparece bem e tira Portugal da disputa (Foto: UEFA)
Allez, Zizou
Portugal prometia dificultar a vida da França tanto quanto em 1984. Luís Figo, Rui Costa, Fernando Couto e Vítor Baía chegaram no Roi Baudouin para mais um embate duríssimo contra os velhos rivais. Nuno Gomes abriu o placar aos 19 e a esperança lusitana tomava forma. Com calma, a equipe comandada por Roger Lemerre não abaixou a cabeça e permaneceu ligada em campo.
Na volta do intervalo, Henry marcou. 1-1, e agora seria a valentia portuguesa versus a técnica francesa. Zidane, como referência na meia cancha azul, fazia da bola o que bem entendia. Parelha, a semifinal persistiu com o resultado e adentrou o tempo extra. Restando seis minutos para o apito final e consequentemente as penalidades, eis que a zaga portuguesa arruinou a coisa toda.
Trezeguet tentou o gol, foi bloqueado por Baía e Wiltord pegou o rebote. A finalização bateu no braço direito de Abel Xavier: pênalti marcado, sob várias reclamações de Fernando Couto e João Pinto. Zizou tratou de classificar sua nação para a grande final.
Foto: Best soccer shop
Dois grandes oponentes e mais um gol de ouro
Roterdã recebeu a finalíssima entre França e Itália no dia 2 de julho de 2000. Amarrado, o confronto teve Henry e Albertini aparecendo bem para tentar o primeiro gol. Em lance de genialidade, Francesco Totti tocou de calcanhar e Gianluca Pessotto recebeu na direita. O cruzamento passou diante de três defensores azuis para encontrar Marco Delvecchio só completou: 1-0 Squadra Azzurra.
Desesperada, a França apertou sem sucesso a defesa italiana em busca da igualdade. Já nos acréscimos, Barthez cobrou tiro de meta até o campo inimigo e o relógio contava 92:56. Trezeguet escorou perto da meia lua e tocou de cabeça para Wiltord, que desceu pela esquerda. Sabendo que poderia ser sua última chance, o atacante francês bateu forte e baixo. A bola passou debaixo dos braços de Francesco Toldo e foi parar nas redes. Por um minuto, a Itália deixou escapar o campeonato.
No transcorrer do primeiro tempo da prorrogação, nova iniciativa pela esquerda destruiu o sonho italiano. Robert Pirès roubou a posse na intermediária esquerda e driblou dois marcadores. Diante da linha de fundo, o meia do Arsenal preferiu o passe para o meio da área, onde Trezeguet estava bem posicionado para mandar de primeira no alto da meta de Toldo: 2-1, gol de ouro, gol da taça. Pela primeira vez na história, o campeão mundial repetiu a glória na Eurocopa seguinte...
Foto: UEFA
França: Barthez, Blanc, Thuram, Desailly, Lizarazu (Pirès), Djorkaeff (Trezeguet), Deschamps, Zidane, Henry e Dugarry (Wiltord). Téc: Roger Lemerre
Itália: Toldo, Nesta, Cannavaro, Maldini, Iuliano, Pessotto, Albertini, Di Biagio (Ambrosini), Fiore (Del Piero), Totti e Delvecchio. Téc: Dino Zoff
Campanha: Seis jogos, cinco vitórias e uma derrota. 13 gols marcados, sete sofridos.
Jogos
Fase de grupos
França 3-0 Dinamarca
República Tcheca 1-2 França
Holanda 2-1 França
Quartas de final
Espanha 1-2 França
Semifinal
França 2-1 Portugal (gol de ouro)
Final - 2 de julho de 2000, Roterdã - Feyenoord Stadion
O velho ditado que o futebol é jogado com onze atletas, uma bola, um juiz, dois bandeirinhas e a Alemanha vence no final não poderia ser mais verdadeiro durante a Eurocopa de 1996, na Inglaterra. Somando o seu terceiro título europeu, a Nationalelf derrubou a República Tcheca, novamente surpreendendo a todos e indo longe.
Agora com 16 competidores, a Euro invadiu o território inglês e se mostrou ser uma das mais emocionantes que os fãs do futebol já viram. Composto por quatro grupos de quatro times, o certame viu a Alemanha ser cabeça de chave no C, disputando uma das vagas com os tchecos, a Itália e a Rússia.
Pragmática, a formação ensaiada por Berti Vogts estreou no torneio jogando contra a República Tcheca, no Old Trafford em Manchester. Uma vitória por 2-0 com gols de Christian Ziege e Andreas Möller, com meia hora do primeiro tempo. Parecia que os eslavos não seriam grandes adversários no futuro. Só parecia. Chamou atenção o número de cartões amarelos distribuídos pelo sr. David Elleray: 10 (seis para os germânicos e quatro para os tchecos).
A mamata seguiu e na segunda jornada, uma fraca Rússia alinhava do outro lado, já tendo em conta uma derrota para a Itália. Jürgen Klinsmann brilhou e fez dois (o segundo, uma pintura) para demolir os soviéticos. Matthias Sammer completou o atropelamento. 3-0, vaga garantida nas quartas de final.
Köpke pega pênalti italiano e segura o empate em 0-0 (Foto: UEFA)
Os rivais italianos encerrariam a participação tedesca na fase de grupos. Precisando da vitória para avançar, a Squadra Azzurra terminou a rodada com saldo idêntico ao dos eslavos, mas no confronto direto uma derrota por 2-1 estava minando as chances de prosseguir. Com a expulsão de Thomas Strunz aos 59, a Itália teve nos pés de Roberto Donadoni a oportunidade ideal. Todavia, Andreas Köpke estragou as ambições de Arrigo Sacchi e seus pupilos, garantindo a igualdade. Itália fora.
Grandes duelos marcaram as quartas de final da Euro 96. França x Holanda, Espanha x Inglaterra, República Tcheca x Portugal e por último, Alemanha x Croácia. A tarefa germânica foi das mais ingratas, ao bater os axadrezados. Vivendo seus melhores tempos, os ex-iugoslavos faziam valer da grande fase de Davor Suker para tentar a sorte grande frente os alemães. Klinsmann inaugurou a contagem aos 20, de pênalti e os croatas não abaixaram a guarda. Sem nada a perder, encararam de igual pra igual os tricampeões mundiais e buscaram a igualdade.
Suker empatou aos 51 e manteve viva a esperança. Cinco minutos depois, Igor Stimac estragou tudo e foi expulso, abrindo espaço para o perigosíssimo ataque formado por Klinsmann e Dieter Eilts. O equívoco bastou para Sammer colocar a Nationalelf na frente outra vez, de forma definitiva. 2-1, e rumo às semifinais.
Foto: BBC.co.uk
Drama para os donos da casa
A geração de Alan Shearer, monstro inglês, foi a das mais cobradas e menos sucedidas. Jogando no Wembley, palco da histórica final da Copa de 66, trinta anos antes, o English Team chegava com moral e um bom plantel. Logo com três minutos, o gênio Shearer abriu a contagem.
Tomando conta do cotejo, os ingleses, trajando um curioso uniforme cinza, tentaram de n formas garantir o triunfo, mas não esperavam a aparição de Stefan Kuntz para empatar aos 26. Até o apito final aconteceu de tudo. Voleio na trave, pressão em cima da defesa tedesca, Teddy Sheringham perdendo gol crucial e claro, nada de novos gols.
Persistindo a igualdade na prorrogação, foram necessários os temidos penais para que o primeiro finalista fosse revelado. Gary Southgate errou o alvo e foi o bode expiatório de mais uma queda da Inglaterra, que desde 1868 perde disputas de pênalti, mundo afora.
Foto: Abendblatt.de
Bierhoff, o testa de ouro
Renovados depois da derrota na primeira fase, Pavel Nedved, Karel Poborsky e Patrik Berger acharam uma forma convincente e vistosa de jogar futebol, indo longe no certame. Contudo, para tentar o bicampeonato para os tchecos, a Alemanha estava outra vez no caminho. Derrotada quatro anos antes pela surpreendente Dinamarca, Vogts e seus comandados não queriam titubear novamente com o caneco.
Ousados, os eslavos peitaram os oponentes e traziam perigo nas descidas. Sammer cometeu seu primeiro erro grosseiro e derrubou Poborsky, que vinha embalado e livre na direita. Pênalti para os tchecos, que Berger converteu. 1-0. 76 passou na cabeça dos germânicos. Até os 69 minutos o resultado ainda era favorável aos eslavos, que já viam a taça se aproximar. Mehmet Scholl deu lugar a Oliver Bierhoff, matador do Milan.
Quatro minutos em campo bastaram ao camisa 20, que se antecipou aos marcadores e testou forte para empatar a peleja. Cercado de tensão e ansiedade, o duelo foi para o tempo extra, onde a nova e controversa regra do gol de ouro seria um critério de desempate. Eram jogados redondos cinco minutos quando o mesmo Bierhoff girou dentro da área e chutou meio sem jeito. A pelota foi nas mãos do desafortunado Petr Kouba, que soltou para trás e frangou, decretando numa grande infelicidade o terceiro título alemão na Eurocopa.
Foto: UEFA
República Tcheca: Kouba, Suchoparek, Kadlec, Nemec, Nedved, Bejbl, Kuka, Berger, Poborsky (Smicer), Hornak e Rada. Téc: Dusan Uhrin
O roteiro da Eurocopa 1992 é talvez um dos mais inusitados de toda a história. Sediado na Suécia, com o mesmo formato das duas edições anteriores (dois grupos de quatro, classificam-se os dois primeiros para as semifinais), o torneio reservou uma grande surpresa para os amantes do futebol.
Azar dos que esperavam uma Alemanha tão consistente quanto a que venceu a Copa de 1990 em cima da Argentina, aos que apostaram na Holanda e especialmente a grande parcela que duvidou da Dinamarca, que entrou de última hora na competição, substituindo a Iugoslávia, banida por crimes de guerra e conflitos civis contra a Croácia/Bósnia.
Integrando o grupo 1, Suécia, França, Dinamarca e Inglaterra duelavam pelas duas primeiras colocações sem que houvesse um amplo favorito na ocasião. Os ingleses poderiam até ter largado na frente, ao manter a base da formação semifinalista no Mundial de 1990, os suecos por demonstrar consistência e certa dose de talento. Todos os prognósticos foram derrubados rodada a rodada.
John Jensen desarma David Platt num empate duríssimo em Malmö (UEFA)
Segurando um empate em 0-0 na estreia contra o English Team, o esquete danês mostrou grande força defensiva com o paredão Peter Schmeichel, os beques Kent Nielsen e Lars Olsen, o volante/líbero Kim Christofte, sem falar na organização nos contragolpes, arquitetados por Fleming Povlsen e Brian Laudrup , concluídos por Kim Vilfort. (Michael Laudrup ficou de fora por divergências com o treinador Richard Moller-Nielsen). Com um jeitão dinâmico e focado na defesa, a ex-Dinamáquina seguiu sem alarde para a segunda jornada.
A opção pela defesa quase custou caro, desta vez contra os donos da casa. Em Solna, no lendário Rasunda, nascia uma estrela (que não brilharia por muito mais tempo adiante) sueca. Tomas Brolin, então no Parma, exibia grande fase e acertou um chutaço para vencer Schmeichel. 1-0 Suécia e as coisas haviam dificultado consideravelmente para Moller-Nielsen.
Encerrando a participação na fase de grupos, o adversário final seria a França de Eric Cantona, que empatou seus dois jogos e também precisava da vitória se quisesse continuar na luta. Enfraquecida, a seleção treinada por Michel Platini, responsável pelo título de oito anos antes, trazia um jovem Laurent Blanc, o determinado Didier Deschamps, o consagrado Luis Fernandez (no banco), a joia Jean-Pierre Papin além do problemático Cantona. O encontro foi rapidamente controlado pelos daneses, com gol de Henrik Larsen aos oito minutos.
Assustada, a França teve de se lançar ao ataque e tendo em vista a iminência da desclassificação, se enervou. Aos 60, Papin empatou e injetou motivação nos companheiros. Com contornos dramáticos, o confronto permaneceu com o placar de 1-1 até que Lars Elstrup, que entrou na vaga de Torben Frank minutos antes, recebeu assistência de Povlsen para desempatar e classificar a Dinamarca. 2-1.
Christofte marca o penal decisivo e elimina a Holanda (UEFA)
Grandes desafios, enorme superação
Agora não havia mais espaço para empates. A Dinamarca não poderia mais contar com a sorte se quisesse vencer os grandes e erguer a taça. Durante a semifinal contra a Holanda, contudo, o espírito do grupo foi maior do que a disparidade técnica entre os elencos. Repetindo a dose da vitória diante da França, Henrik Larsen marcou aos cinco minutos e despertou os laranjas, que demoraram a entrar no jogo.
Dennis Bergkamp, atacante e promessa do Ajax, tratou de dar números iguais na semifinal, com 23 minutos jogados no primeiro tempo. A missão dinamarquesa era ingrata: conseguir marcar outra vez e segurar o ímpeto ofensivo dos comandados de Rinus Michels, então campeões da edição anterior. 10 minutos se passaram desde o gol de Bergkamp, até que Larsen duplicou seu feito e colocou os escandinavos na frente.
Dramático e dominado pela seleção dos Países baixos, a peleja seguiu em desvantagem para a Oranje, que graças a Frank Rijkaard, faltando quatro minutos para o fim, decretou o 2-2 e provocou a prorrogação. Nos trinta minutos que foi acionado, Schmeichel protegeu a sua meta de forma heróica, bloqueando todas as tentativas por parte de Marco Van Basten, Bergkamp e Bryan Roy. Nas penalidades, o goleiro ainda pegou um pênalti pelos pés de Van Basten. Restou a Christofte converter o último tiro e colocar os daneses em sua primeira final na história.
Foto: UEFA
Mandante na finalíssima realizada no Ullevi, em Goteburgo, a destemida Dinamarca se preparava para enfrentar a Alemanha, que derrotou a Suécia num elétrico 3-2 pela outra semifinal. Levando em conta o aproveitamento germânico em decisões, o professor Moller-Nielsen usou todos os agentes motivacionais possíveis para convencer os seus pupilos de que era sim possível obter êxito naquela memorável noite de 26 de julho de 1992.
Numa descida de Povlsen, Jürgen Köhler desarmou sem falta o meia e partiu para afastar a bola de qualquer perigo. O que ele não esperava era a chegada de Vilfort, que roubou sorrateiramente a posse de Andreas Brehme para carregar até a linha de fundo. O passe para trás encontrou Jensen, que acertou um petardo no alto de Bodo Illgner. 1-0.
Schmeichel então passou a se comportar como um robô debaixo das traves dinamarquesas. Em tentativas de Stefan Effenberg, Jürgen Klinsmann, Matthias Sammer, o guarda metas defendeu até pensamento. A pressão germânica persistiu sem resultado e de tanto desperdiçar as chances, Vilfort fechou a conta se desvencilhando de dois marcadores e arrematando, quando a bola beijou a trave e venceu Illgner novamente. Os azarões venciam, tiravam a sorte grande. E provaram que mais uma vez, os mais fracos também tem chance. Inexplicavelmente, uma imensa parcela de pessoas não entende ou parece não apreciar um esporte que permite esse tipo de surpresa...
Laudrup com a taça Henry Delaunay (Foto: Yotufutbol)
Dinamarca: Schmeichel, Sivebaek (Christiansen), Nielsen, Olsen, Christofte, Jensen, Povlsen, Brian Laudrup, Piechnik, Larsen e Vilfort. Téc: Moller-Nielsen
Astros na década de 1970, os holandeses ganharam prestígio com a hegemonia europeia do Ajax de Johann Cruyff, vencendo três edições da Copa dos Campeões. Anos depois do auge de seus atletas, finalmente a Oranje atingiu o ponto máximo na Euro 1988, disputada na Alemanha.
A base do elenco laranja era formada por quatro talentos inquestionáveis: Ronald Koeman, líbero/volante do PSV, Frank Rijkaard, o genial Ruud Gullit e o letal Marco Van Basten, sendo os três últimos do Milan. Sob o comando do saudoso Rinus Michels, uma vez mais o técnico conseguiu utilizar as suas táticas, famosas e reconhecidas mundialmente em forma daquela Laranja mecânica de Cruyff.
Mais decisivo e com a bagagem de duas finais de Copa perdidas, Michels soube adaptar cada peça no estilo de jogo e tirou o máximo do trio milanista para alçar um vôo mais alto na Alemanha. Tudo bem que na estreia as coisas não saíram como planejado, mas aquela Holanda soube recuperar o seu foco.
O debut no Grupo B foi contra a URSS de Rinat Dasayev, lenda debaixo das traves, que atravessava fase espetacular pela sua seleção e no Spartak Moscou. Com uma vitória simples, os soviéticos venceram com gol de Vasiliy Rats, preocupando a torcida laranja. Van Basten teve sua chance apenas em meados da segunda etapa, entrando na vaga de Gerald Vanenburg. Marco brilharia mesmo no segundo compromisso, contra a Inglaterra.
Marco e a centroavância moleque, de arte, chuto y me voy (abs, @achrispin) Foto: UEFA
Em Dusseldorf, o Rheinstadion recebeu Inglaterra e Holanda para a segunda jornada e sediou um momento crucial naquela Euro. Peter Shilton, Tony Adams, Glenn Hoddle, John Barnes e Gary Lineker muito provavelmente ficaram se perguntando o que diabos aconteceu na tarde de 15 de junho. Todo o primeiro tempo transcorreu normalmente para o English Team, apesar da pressão laranja.
Na penúltima volta dos ponteiros, aos 44, Van Basten fez o primeiro. Bryan Robson ainda empatou aos 53, mas o camisa 12 adversário ainda estava disposto a fazer mais estrago. Sedento por balançar as redes, o centroavante também marcou aos 71 e aos 75, eliminando os britânicos, que já haviam sido derrotados pela Irlanda. 3-0 e um amargo adeus para o lendário Bobby Robson, duramente criticado na imprensa ingkesa.
Afim de carimbar seu passaporte para as semifinais, os holandeses enfrentariam a força e a cadência dos irlandeses, em Gelsenkirschen, no já extinto Parkstadion, casa do Schalke. Com muito custo e graças a Wim Kieft, vitória por 1-0 sobre o esquete treinado por Jack Charlton. Pela outra chave, Alemanha Ocidental e Itália se classificaram.
Jürgen Köhler, castigado pelo talento de Van Basten (Foto: UEFA)
Hora do troco
Relembrando 1974, a Oranje entrou em campo determinada a despachar a rival Alemanha. Em Hamburgo, os donos da casa encontraram um duro oponente em busca de mais uma participação na final. Equilibrado, o embate permaneceu em igualdade durante todo o primeiro tempo. Na volta do intervalo, quem marcou primeiro foram os germânicos, com o onipresente Lothar Matthäus, de pênalti, aos 55.
Inconformada em estar atrás no placar e na iminência de perder mais um duelo para os tedescos, os onze laranjas ergueram a cabeça e reagiram. Novo pênalti, desta vez de Köhler em Van Basten, permitiu a Koeman ficar cara-a-cara com Eike Immel. Sem titubear, 1-1 e mais quinze minutos até o apito final.
Mais ofensiva do que nunca, a Laranja mecânica versão 2.0 de Michels foi à frente. Jan Wouters arriscou de longe e quase pegou Immel desprevenido. Minutos depois, o mesmo Wouters teve espaço e calma para lançar Van Basten, que deslizou para tocar de leve na bola e tirar Kohler e o arqueiro germânico do lance. 2-1, com 88 jogados. Só poderia ser a vitória. Quando o árbitro romeno Ioan Igna encerrou a partida, a euforia tomou conta da torcida visitante. Credenciada a disputar mais uma decisão, a Holanda sabia que não poderia mais deixar escapar o troféu, e agora o inimigo era o mesmo que os fez de vítima na primeira fase: a URSS.
Foto: AIC
Era hora de encontrar velhos fantasmas. Aqueles que assombravam pelas anteriores derrotas em finais e claro, o dos soviéticos que triunfaram por 1-0 lá na estreia do torneio. Para o capitão Gullit e seus colegas, a concentração era primordial na execução da vingança, que daria o tão esperado troféu Henry Delaunay aos herdeiros do futebol total.
Agressivos, os vermelhos abusaram das faltas na primeira etapa. Vagiz Khidiyatullin, Anatoliy Demianenko e Gennadiy Lytovchenko receberam cartões amarelos por entradas mais ríspidas nos holandeses. Aos 32, Erwin Koeman mandou um belo cruzamento para Van Basten, que tocou de cabeça para o meio da área, onde Gullit estava livre de marcação para fuzilar Dasayev.
Tomando conta do ritmo determinando as ações, a Oranje seguiu com paciência o caminho até o segundo gol. Arnold Mühren dominou pela esquerda e enxergou boas condições para uma inversão. Com extrema felicidade, encontrou Van Basten para aquele que seria o seu gol mais célebre: pegou de primeira da ponta direita e encobriu Dasayev para sacramentar a conquista. 14 anos depois de perder sua primeira Copa, a Holanda entrava no seleto grupo de campeões europeus com uma geração tão brilhante quanto a que lhe tornou famosa na década de 1970.
Holanda: van Breukelen, van Tiggelen, Ronald Koeman, van Aerle, Vanenburg, Mühren, Gullit, Erwin Koeman, Rijkaard, Wouters e Van Basten. Téc: Rinus Michels
Campanha: Cinco jogos, quatro vitórias e uma derrota. Oito gols marcados, três sofridos.
Jogos
Fase de grupos
URSS 1-0 Holanda
Inglaterra 1-3 Holanda
Holanda 1-0 Irlanda
Semifinal
Alemanha 1-2 Holanda
Final - 25 de junho de 1988, Munique - Olympiastadion
Tipicamente conhecida pelo seu hábito de vencer competições em casa (Eurocopa em 1984 e Copa de 1998), a França montou o primeiro de seus lendários esquadrões com Michel Platini, Jean Tigana, Maxime Bossis, Alain Giresse, Luis Fernandez e Bernard Lacombe. Sabendo da necessidade de se impor, Les Bleus iniciaram a campanha contra a Dinamarca.
Era uma formação com a cara do futebol local. Estilo cadenciado, progressão lenta e fortíssima no contragolpe. O controle que a França exercia sobre os adversários foi algo notável durante a edição de 84 da Euro.
Diante de um rival focado em permanecer na defensiva, les bleus passaram maus bocados para vazar a retaguarda danesa, comandada por Morten Olsen. A geração escandinava estava em transição. Outrora liderados pelo gênio Allan Simonsen, os torcedores viam em Michael Laudrup, Preben Elkjaer e Frank Arnesen uma esperança de dias melhores para uma seleção que nunca foi lá muito forte.
Demolidora em fases anteriores, a dona da casa teve de se contentar com um mero 1-0, gol de Platini aos 78. Por pouco ou não, os dois pontos seriam importantes para a classificação e contra um dos oponentes mais difíceis da chave, o jeito era comemorar.
Platini destroçou a Bélgica, finalista quatro anos antes (UEFA)
Toda a frustração pelo placar murcho da estreia foi dizimada no segundo compromisso francês pelo certame. A Bélgica, com grande parte do elenco derrotado na final de 80, reforçada por Enzo Scifo, Nico Claesen e René Verheyen. Mesmo demonstrando mais maturidade, os belgas foram vítimas de um atropelamento em La Beaujoire, Nantes. Com nova exibição impecável por parte de Platini, Jean Marie Pfaff foi obrigado a buscar a bola no fundo das redes em cinco oportunidades. Três delas em chutes do inspirado camisa 10 da Juventus. Fernandez e Giresse fecharam a conta e decretaram a classificação.
Novamente alterado, o regulamento consistia em semifinais envolvendo os dois vencedores de cada uma das chaves. A Dinamarca, no afã de remar para se recuperar da derrota inaugural, também fez 5-0 na Iugoslávia. Klaus Berggreen, Arnesen (duas vezes), Elkjaer e Jan Lauridsen foram os responsáveis pelo naufrágio dos eslavos, que contavam com nada mais nada menos que Srecko Katanec, astro da Sampdoria, que à época jogava pelo Olimpija Ljubljana. Dragan Stojkovic, ainda em início de carreira.
Para o encerramento da fase de grupos, a França enfrentaria a já eliminada Iugoslávia para engordar o seu saldo e calibrar a pontaria para as semifinais. Com um pouco mais de dificuldade e sem alguns titulares, coube a Platini mais uma vez brilhar como a estrela maior da companhia. Mais três gols, barba, cabelo e bigode. Stojkovic e Milos Sestic diminuíram e encerraram menos envergonhados a sua participação. 3-2, restando apenas dois jogos para o título
Platini, sempre ele, classificou Les Bleus para a final Foto: UEFA
Pela outra chave, Espanha e Portugal avançavam e deixavam a Alemanha Ocidental eSi Romênia pelo caminho. Os confrontos das semifinais envolveriam lusos e franceses, espanhóis e dinamarqueses. No Vélodrome, em Marseille, o duelo foi elétrico entre os homens de bigode e o pessoal do petit-gateau. Dominante, a dona da casa tratou de se lançar ao ataque para intimidar os portugueses. Com 24 minutos, Jean-François Domergue abriu o placar numa cobrança de falta quase supersônica no alto da meta de Bento.
Rui Jordão foi o destaque lusitano na partida. Seu brilho apareceu pela primeira vez aos 74, em cruzamento de Fernando Chalana. O atacante do Sporting tocou de cabeça e venceu Joël Bats para empatar o duelo. O equilíbrio fez com que o placar persistisse até a prorrogação, onde grandes emoções estavam reservadas. Passados 98 minutos, oito da primeira etapa do tempo extra, novamente Jordão ferveu a caçarola francesa. Chalana achou o companheiro livre e cruzou da direita. Rui pegou de primeira e acertou o ângulo, numa pintura de gol. 2-1.
Domergue não entregou os pontos e em lance chorado, empatou outra vez a peleja, completando ofensiva de Tigana e em brilhante proteção do arqueiro Bento. 2-2. Tigana, endiabrado, desceu sozinho pela direita e passou bola rasteira para alguém que já havia feito chover: Platini. Entre o goleiro rival e três zagueiros, o capitão francês acertou um pequeno espaço livre para sacramentar a vitória dos mandantes. 3-2 e fim de papo.
Camacho tenta desarmar Giresse na final (Foto: UEFA)
Arconada e o frango
Não foi tudo tão fácil na final contra a Espanha, que bateu a Dinamarca na outra semifinal. 20 anos após sua primeira conquista, os ibéricos queriam o bicampeonato fora de casa. Seguros e favoritos, Les bleus partiram destemidos para o embate final daquela Eurocopa. Devidamente ocupados os assentos e arquibancadas do Parc des Princes, a imponente dona da casa contava com todo o apoio da torcida local para seu primeiro título internacional.
45 minutos levando pressão da Fúria bastaram para que a conversa no vestiário azul fosse mais séria. Platini ainda não havia se apresentado para o confronto, colocando em xeque a real importância de seus oito tentos anteriores. 12 minutos depois, o maestro teve a oportunidade numa falta próxima à área espanhola. Batendo rasteiro e no canto do guarda metas Luis Arconada, contou com a eventualidade de um frangaço. A bola resvalou no peito do goleiro, escapou dos braços e bateu na trave antes de entrar. Primeiro passo concluído.
Quando todos imaginavam que a despedida daquela edição seria um magro 1-0 graças a Arconada, Bruno Bellone disparou na esquerda e assim que invadiu a área roja tocou com finesse para encobrir o malfadado guarda redes hispânico. Já adentrando os acréscimos, a festa francesa era garantida em Paris. Com contribuição bombástica de seu camisa 10, finalmente a taça Henry Delaunay ficou em casa. 14 anos depois da conquista, outro camisa 10 carregaria a bandeira de sua nação no topo do futebol mundial. Mas essa é outra história. Em 1984, Platini foi a Eurocopa, e a Eurocopa foi Platini.
Foto: UEFA
França: Bats, Battiston (Amoros), Bossis, Le Roux, Domergue, Tigana, Platini, Fernandez, Giresse, Lacombe (Genghini) e Bellone. Téc: Michel Hidalgo
Espanha: Arconada, Urquiaga, Salva, Gallego, Camacho, Alberto, Señor, Muñoz, López, Santillana e Carrasco. Téc: Miguel Muñoz Mozún
Campanha: Cinco jogos, cinco vitórias. 14 gols marcados, quatro sofridos.
Jogos: Fase de grupos
França 1-0 Dinamarca
França 5-0 Bélgica
França 3-2 Iugoslávia
Semifinal
França 3-2 Portugal
Final - 27 de junho de 1984, Paris - Parc des Princes
França 2-0 Espanha
Com colaboração de João Paulo Barreto, @joaopaulo87_
A década de 1980 viu a Alemanha Ocidental se notabilizar como time de chegada, sempre envolvido nas grandes decisões, seja na Eurocopa ou na Copa do Mundo, com destaque para as derrotas de 1982 e 1986. Mas nem tudo foi lamento para os alemães. A conquista veio em nova edição realizada na Itália, agora com formato de dois grupos com quatro equipes.
Classificaram-se para o certame na Velha Bota a Alemanha, Tchecoslováquia, Holanda e Grécia no Grupo A, Itália, Bélgica, Inglaterra e Espanha no B. A caminhada dos germânicos se mostrou tranquila com duas vitórias e um empate (contra a Grécia, por 0-0). Conseguindo a chance de se vingar dos tchecos pela derrota quatro anos antes, a National Mannschaft venceu por 1-0, com gol de Karl-Heinz Rummenigge, aos 57. Importante observar que grande parte do elenco eslavo estava em campo na final de 76 também.
Tal como 2012, a segunda jornada reservou um duelo entre os tedescos e os holandeses, em transição da fase Cruyff e com formação bastante modificada. Capitaneada pelo clássico Ruud Krol, a ex-Laranja mecânica contava com nomes como Huub Stevens (hoje no comando do Schalke), Arie Haan, Johnny Rep, Dick Nanninga (autor de um dos gols na final da Copa de 1978) e os irmãos Rene e Willy van de Kerkhof.
Executando uma estratégia simples e eficaz, os comandados de Jupp Derwall não abusavam da posse de bola. Os passes rápidos, com objetividade, além da exímia visão do posicionamento adversário, foram valores que facilitaram e muito a trajetória da seleção germânica na competição.
Allofs comemora seu terceiro tento contra a Holanda (Bundesliga fanatic)
Duro adversário para os alemães, os laranjas tiveram de lidar com atuação de gala e hat-trick do possante Klaus Allofs, até então no Fortuna Düsseldorf. A superioridade dos bicampeões do mundo perante a Oranje era avassaladora e apenas nos minutos finais houve um princípio de reação. Rep diminuiu numa penalidade aos 79 e van de Kerkhof (Willy) deu esperança aos 85. Mas era só isso, não seria dessa vez que Krol e sua turma realizariam uma proeza de tal magnitude.
Para encarar a Grécia, já eliminada e atropelada pelos tchecos na rodada anterior, poupou alguns atletas e entrou em piloto automático, administrando empate por 0-0, no Delle Alpi em Turim. O regulamento visava que o primeiro colocado de cada chave estava qualificado para a decisão. A Bélgica de Jan Ceulemans seria a outra finalista.
Disputando a terceira colocação, os donos da casa enfrentavam os então campeões, para ao menos deixar o certame com honra. Lotando o San Paolo, em Nápoles, a Squadra Azzurra penou para empatar com os eslavos por 1-1, após gol de Ladislav Jurkemik. Não fosse por Francesco Graziani, bomber do Torino (e até onde sabemos, sem nenhuma relação com o amigo Fernando Graziani, @fgraziani) a história seria outra. Persistindo a igualdade no tempo normal e prorrogação, foi preciso uma disputa de penalidades. A contagem já estava em 9-8, quando Fulvio Collovati desperdiçou seu chute e sacramentou a derrota.
Ceulemans carrega a bola pela Bélgica (Foto: UEFA.com)
Presença certa em decisões
Como faria durante os anos 80 e início dos 90, a Alemanha participou de três grandes finais consecutivas. A da Euro na Itália era a terceira após a vitória em 72 e a derrota de 76 para a Tchecoslováquia. Anos depois, em 1982, perderia a Copa do Mundo para a Itália, em 1986 para a Argentina e em 1990 finalmente venceria os argentinos, vingando quatro anos antes.
Por sorte, a decisão contra os belgas resultou na segunda taça europeia em menos de 10 anos (sem falar na Copa de 1974). O Olimpico de Roma recebeu os finalistas na noite de 22 de junho de 1980. O selecionado dos Países baixos começava a crescer no âmbito mundial com nomes como Jean Marie Pfaff, Eric Gerets, François Van der Elst, Julien Cools, René Vandereycken e o explosivo Ceulemans.
A partida foi imediatamente controlada pelos alemães, especialmente por Bernd Schuster, que estava inspirado na meia cancha da Nationalelf. O então atleta do Colônia foi que iniciou a descida do primeiro gol. Controlando a bola no círculo central, Schuster carregou até a intermediária e rolou para Horst Hrubesch, que dominou no peito e fuzilou Pfaff para inaugurar o marcador.
Intrigado, o treinador belga Guy Thys conseguiu fechar o sistema defensivo e dar menos espaço ao talentoso esquete adversário. Esfriando os ânimos, talvez fosse possível buscar uma reação. Ao fim da segunda etapa, num contragolpe venenoso, Van der Elst disparou sozinho pelo meio e ia vencer Harald Schumacher quando Uli Stielike cometeu um pênalti. Vandereycken foi para a bola e empatou a peleja.
No soar do gongo, aos 88, desmontando qualquer esperança de prorrogação, Hrubesch novamente apareceu. A jogada foi originada num escanteio cobrado por Schuster, que percorreu toda a área e achou o atacante do Hamburgo, que testou forte no alto da meta de Pfaff, adiantado. Dois zagueiros ainda estavam em cima da linha para evitar o pior, mas lá estava: 2-1.
Acostumada a grandes decisões, a Alemanha Ocidental traçou seu caminho (inglório) em grande parte das competições importantes que vieram nos anos seguintes. O percentual de conquistas de fato ainda é baixo se comparado ao número de decisões disputadas. Entretanto, nunca se deve subestimar uma camisa que sempre chega longe e mostra um futebol acima de tudo competente, como os germânicos...