Moret chuta por cima do gol e é observado por Lobo e Jonatan
A ansiedade tava foda na semana passada. E já peço perdão porque escrevo palavrão mesmo. Não existe outro adjetivo que represente da forma igual a este foda. O campeonato passou e já estou ansioso pra voltar ao Complexo Ivanov.
Você acha que Kily pensa na jogada, mas ele está bolando
um plano para quebrar o adversário (Hinchas Rosario Central)
Murillo Moret, @moret_
De São Paulo-SP
Ter triênios vitoriosos no Valencia e na Internazionale no currículo é louvável. E não? Jogar ao lado de Aimar, Ayala, Vicente e Cañizares até a chegar à decisão da Liga dos Campeões. Ou então de Zanetti, Gamarra, Emre, Recoba, Figo e Adriano e conquistar quatro títulos na Itália. Só que estamos falando de um descraque, e ele é Cristian González.
Kily saiu da mesma categoria de base que Mario Kempes, bomber que foi artilheiro do Mundial vencido pela Argentina em 1978 e fez história no Valencia no início da década de 80. Apesar disso, seu grande ídolo sempre foi Omar Palma, exímio meio-campista histórico do Rosario Central. Com 19 anos fez sua estreia como profissional n’Academia rosarina. Depois da derrota no debute para o Gimnasia por 2 a 0, foram mais 50 partidas e sete gols. Boa média para um meio-campista com duas décadas de vida.
Em 1995, Jorge Valdano estava em sua segunda temporada como técnico do Real Madrid. O futuro diretor geral do clube merengue tentou fechar com aquele argentino rápido e incisivo. O problema é que Valdano bateu de frente com o interesse de Diego Maradona – e do treinador Carlos Bilardo -, que gostaria de Kily no Boca Juniors. E foi exatamente por Pibe que o jogador assinou com o time da capital. Uma temporada depois, no entanto, 375 milhões de pesetas (2,25 milhões de euros) levou o meia ao Real Zaragoza.
Na região de Aragón, Kily González se tornou um dos melhores pontas canhoto da Liga. Ele sabia nada sobre o futebol espanhol – nem mesmo sobre o Real Madrid – quando firmou contrato com o Zaragoza. Em três anos, os 15 gols não foram suficientes para ganhar o primeiro título da carreira. Felizmente, para o argentino, ele estava chegando. Foi na temporada de 2001-02, quando se juntou com Aimar, Ayala e Cañizares, que Kily venceu a Primeira Divisão. Temporada sem goleadas, mas regularíssima: 75 pontos contra 68 do vice-líder La Coruña. A Liga dos Campeões ficou no quase, pois o Valencia foi eliminado nas quartas pela Internazionale.
O único título consolidou Kily González como o que já era – um dos melhores pontas-esquerdas. O problema do jogador é que ele podia iniciar uma jogada brilhante e terminar com uma confusão que, muito provavelmente, receberia um cartão vermelho. Ágil, inteligente, agressivo. Uma bomba prestes a estourar.
Mesmo assim ele foi à Copa do Mundo de 2002 e ainda ganhou – no campo – a medalha de ouro com a Argentina em 2004, nos Jogos Olímpicos de Atenas. À época, o hermanito já atuava em solos italianos. Hector Cuper, ex-técnico do Valencia, resolveu levá-lo para a Inter. O tempo do treinador foi curto: demitido em outubro, foi precedido por Alberto Zaccheroni. O comando foi trocado na temporada seguinte, Roberto Mancini preteria Kily e ele voltou à Argentina em 2006.
Teve tempo de atuar pelo Rosario na primeira divisão, antes de rumar ao San Lorenzo. Voltou ao clube do coração na Segundona, mas uma lesão quase o fez pendurar as chuteiras neste ano de 2011. Ainda não o fez. Estaria este fato próximo de acontecer? Em abril último, Cristian González foi afastado do time principal. Prelúdio.
O mês era o do aniversário de Steven. Aquela era a terceira temporada dele no clube de vestimenta vermelha. A terceira e o título individual de melhor jogador jovem do país. Coisa pouca ele não era. Não porque Gerrard era titular do meio-campo de Gérard Houllier em 2001. Não porque ele marcou um dos gols na final da Copa da Uefa contra o Alavés.
A maratona foi desgastante. Além da Uefa, o Liverpool disputava a Premier League e as Copas da Inglaterra e da Liga. Em fevereiro, título da última ante o Birmingham. Em maio, dia 12, virada nos últimos minutos e caneco da FA Cup sobre o Arsenal. Quatro dias depois, o Westfalenstadion em Dortmund recebeu os vermelhos e o Alavés.
Os títulos da temporada estavam do lado inglês; do outro, os espanhóis supreendiam a Europa. O Liverpool passou com dificuldades por Roma, Porto e Barcelona até chegar a final. O Alavés, por sua vez, não teve problemas em eliminar a Inter de Marco Tardelli no Giuseppe Meazza, passou pelo Rayo Vallecano e atropelou o Kaiserslautern na semifinal.
A blitz inicial foi do Liverpool. Heskey sofreu falta e McAllister colocou na cabeça do alemão Markus Babbel. Não tardou para Eggen errar passe, Murphy interceptar e começar a jogada que parou apenas no fundo da rede em gol de Gerrard. Só que não tinha bêbado nem morto jogando de azul e amarelo. E eles tinham Cosmin Contra - aquele mesmo do Bayern x Getafe em 2008.
O romeno ainda estava com 26 anos. Um jovem. Um quase garoto que viu espaço de Carragher e cruzou na cabeça de Iván Alonso, o Fàbregas uruguaio back in the days. Aliás, o atacante subiu uns 3m - chutando baixo. Eis que veio mais uma sapatada na cara do Alavés: Herrera saiu johnnyherreramente do gol e cometeu pênalti em Owen. McAllister converteu e os Reds foram ao vestiário em vantagem.
Acabou que em dois minutos o empate aconteceu. Contra, sempre ele, fez o que quis com Carragher. Talvez o inglês ainda seus 60 de acceleration e speed no FIFA 2001. Mas o romeno o colocou para dançar e, novamente, passou a bola na cabeça de um companheiro. O felizardo foi Javi Moreno. Ou por que não bomber? do Alavés ainda virou: à Ronaldinho, bateu falta por baixo da barreira. E isso ainda estava aos 50'.
Era um jogaço. O futuro aniversariante Gerrard tentava motivar o time. Javi Moreno e Contra também. Em um contra-ataque, McAllister assistiu Fowler, no que pensava que seria o último gol da partida. Título nas mãos inglesas. Que escapou. Escapou aos 88'. Jordi Cryuff, filho do Mito, subiu entre três zagueiros para empatar.
A prorrogação viu a expulsão de Magno e Karmona. Desfalcado e combalido, Téllez e Tomic observaram McAllister cobrar falta na cabeça de... Geli. O título voltou às mãos do Liverpool com o gol contra. E ficou por lá. Quinze dias depois da final, Gerrard, quem diria!, comemorou o aniversário com o Treble.
Melhor que Nakamura no WE? Farsa japonesa? Conto do vigário nipônico?
De que vive, do que se alimenta? Por onde passou? No próximo Glo.. OH WAIT (Zimbio)
Murillo Moret, @moret_
De São Paulo-SP
O único japonês que está na lista dos 100 melhores jogadores do mundo é Hidetoshi Nakata. No fim da década de 90, ele fazia sucesso na Serie A - passando por Perugia e Roma. O conterrâneo Shunsuke Nakamura, habilidoso meia canhoto, era eleito pela segunda vez no time da temporada. Era 2000. Ao seu lado despontava Junichi Inamoto. O motorzinho do Gamba Osaka chegava para causar furor.
Arsène Wenger sempre foi um treinador que buscou promessas em diversos países. Fato. Nem sempre, no entanto, elas vingam. Como Tomas Danilevicius, de técnica discutível, comprado junto ao Lausanne em dezembro de 2000. Ou Francis Jeffers do Everton por 13 milhões de libras. Era dia 23 de julho de 2001 e lá estava Junichi Inamoto vestindo a camisa do Arsenal, a de número 19. História, ele fez: foi o primeiro japonês a conseguir tal feito. Custou 3,5 milhões de libras aquele jogador que entrou em campo contra Grimsby e Blackburn Rovers, ambos pela Worthington Cup - e também em dois joguinhos na Liga dos Campeões...
Está certo que Inamoto precisava ser um gênio para entrar naquele time. O meio-campo formado por Patrick Vieira, Edu, Freddie Ljungberg e Robert Pires pouco foi mudado no decorrer da temporada - raras exceções para as presenças de Ray Parlour e Gilles Grimandi na volância. "Sabia que ele seria um vencedor desde quando jogou contra a Bélgica", disse Wenger durante a primeira fase da Copa do Mundo de 2002. Mas ele não pensou duas vezes em liberar Inamoto de graça para o Gamba Osaka no verão de 2002. Os japoneses cederam o jogador por empréstimo ao Fulham. Inamoto não teve regularidade e recebeu mais cartões amarelos do que fez gols. Além disso, teve uma lesão na perna que comprometeu a temporada. O técnico Chris Coleman não ficou impressionado e deu tchau para o japa.
A terceira tentativa de se dar bem na Inglaterra foi no West Brom. Gary Megson pagou 200 mil libras pelo meio-campista (que desvalorização em dois anos, hein?!). Como foi um pedido do técnico, Inamoto deve ter pensado: "agora vai!". O único problema foi que Megson não suportou a pressão por resultados e foi demitido. Após passagem do interino Frank Burrows, Bryan Robson foi contratado pelos Baggies. O novo comandante preferia a presença do nada talentoso Ronnie Wallwork no círculo central. A alternativa era ser emprestado para o Cardiff City, na Championship. Em 2005-06, Inamoto estava de volta à primeira divisão, mas não conseguiu segurar seu time na elite do futebol inglês.
No novo ano, o japonês achou na Turquia um novo local para viver. Com Eric Gerets, o Galatasaray, no entanto, não conseguiu manter o título de campeão nacional. Inamoto rodou por Alemanha (Frankfurt) e França (cinco jogos pelo Rennes) antes de retornar à Terra do Sol Nascente. Já são três anos atuando com as cores azul e preta do Kawasaki Frontale. O japa loiro foi à duas Copas do Mundo, mas sempre vai ficar conhecido por ser melhor que Nakamura no Winning Eleven.
Cabeçada de Toni decidiu a peleja válida pela antiga Copa Uefa (Photobucket)
Murillo Moret, @moret_
De São Paulo-SP
A primeira temporada de Luca Toni no Bayern foi em 2007-08. Atleta de técnica questionável, mas com faro de gol impressionante. O Getafe foi um dos times que mais sofreu nas mãos – digo, nos pés e cabeça – do artilheiro italiano.
Quinta-feira, na Espanha. Copa Uefa. Quartas de final. A vantagem era dos mandantes. Empate sem gols no Alfonso Pérez dava a vaga na semifinal da competição européia ao Getafe, que havia empatado em 1 a 1 na Allianz Arena. A inversão do papel aconteceu aos nove minutos do primeiro tempo quando de la Red foi expulso após falta em Klose – o alemão tropeçou em suas próprias pernas.
O treinador Michael Laudrup se via em maus lençóis depois de perder Uche por lesão. A entrada de um zagueiro fez com que o bom lateral romeno Contra jogasse no meio-campo. Ele, aliás, passou como quis pela defesa bávara há um minuto do fim do primeiro tempo. Resultado desastroso pelo o que o Bayern fez a frente de um dos melhores Getafes da história.
O problema era que o time alemão não conseguia transpor a barreira criada pelo dinamarquês. Cortes se virava com Ribéry, os atacantes eram bem marcados pela dupla de defesa, e a equipe espanhola ficava recuada. Mas Luca Toni viva fase soberba. No único pivô que conseguiu fazer, deixou Ribéry na cara do gol: 1 a 1 aos 44 minutos do segundo tempo.
Tempo para um descanso. Tempo que foi levou os pensamentos dos jogadores de defesa do Bayern lá para a Alemanha: Casquero, com um petardo indefensável de fora da área, e Braulio, num vacilo de Lúcio, abriram 3 a 1 em apenas dois minutos de prorrogação. A comemoração de Braulio dizia tudo. Era o gol da vaga na semifinal. Laudrup sorria, festa no Alfonso Pérez.
Mas se de um lado tinha Luca Toni, do outro jogava Pato. O capitão do Getafe largou a bola nos pés do italiano aos 115 minutos. Gol. O semblante do dinamarquês mudou: repousando os braços no banco de reservas, fechou a cara e sabia o que viria. Hitzfeld, sentado, só observava. Viu Sosa, aposta, cruzar a bola na área. Luca Toni subiu no meio da zaga e cabeceou para marcar o tento da classificação no último minuto do jogo.
O Coliseum desabou, mas foi com a festa da minoria bávara.
Getafe 3
Abbondanzieri, Contra (Cotelo 66’), Cortés, Tena e Licht; de la Red; Manu (Braulio 62’), Casquero, Celestini e Gavilán; Uche (Belenguer 21’).
T: Michael Laudrup
Bayern 3 Kahn, Lell (Jansen 46’), Lúcio, Demichelis e Lahm; Schweinsteiger (Sosa 64’), van Bommel, Zé Roberto (Podolski 75’) e Ribéry; Klose e Toni.
T: Ottmar Hitzfeld
Árbitro: Massimo Busacca (SUI)
Estádio: Coliseum Alfonso Pérez, em Getafe
Data: 10/04/2008
Gols: Cosmin Contra 44’, Ribéry 89’, Casquero 91’, Braulio 93’, Toni 115’ e 120’
Cartões amarelos: Belenguer; Toni, Lahm, Lell, Podolski Cartão vermelho: de la Red