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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Grandes jogos: Argentina-Brasil 1946

Foto: Baú do futebol
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE
No dia 10 de fevereiro de 1946 Brasil e Argentina fizeram um dos confrontos mais lembrados do longo histórico de partidas entre as duas seleções. A partida, válida pelo Sul-Americano (como então se denominava a Copa América) daquele ano, terminou com uma vitória da Argentina por 2 a 0, dois gols de Méndez. Mas o que menos se lembra é da partida em si.

No Brasil a história normalmente é contada como se essa partida fosse um desdobramento do confronto entre as duas equipes no final do ano anterior pela Copa América. A partida, disputada em São Januário, foi marcada por muita violência. Quem levou a pior foi o zagueiro argentino Battagliero, que fraturou a perna numa dividida com Ademir Menezes. Não há imagens do lance, mas no Brasil se assegura que o lance foi involuntário.

A partida de 1946, no Monumental de Nuñez é encarada por aqui como uma vingança planejada pelos argentinos. Nessa versão, tudo teria descambado de vez quando, aos 28 minutos, Jair da Rosa Pinto, também acidentalmente, quebrou a perna do zagueiro Salomón. A partir daí teria começado uma briga generalizada em que os argentinos massacraram os brasileiros, que teriam em Chico Aramburu o grande herói da briga.

Sempre segundo a versão brasileira da história, ao fim da briga a equipe brasileira estava amedrontada e temendo pela própria vida. Sem clima para jogar futebol, o Brasil teria apenas assistido a Argentina jogar e fazer os gols que quis. Em suma, o que se conta por aqui é que não houve futebol, apenas violência argentina contra um pobre e indefeso time do Brasil.

É difícil avaliar adequadamente a situação, pois não se conhece imagens em movimento das duas partidas, e em geral a história é contada por pessoas que não estavam no Monumental de Nuñez. Mas há coisas que merecem ser revistas nessa história.


Foto: Futebol e cia. ltda
A primeira: é difícil acreditar que os jogadores brasileiros tenham sido apenas vítimas da violência argentina. Afinal, o saldo final das duas partidas foi de duas pernas argentinas fraturadas por jogadores brasileiros. A versão argentina é exatamente oposta. Nela o Brasil bateu sem piedade nos vizinhos na partida de São Januário, e ainda teve a coragem de quebrar Salomón dentro do Monumental de Nuñez. Para os argentinos, a vitória naquela partida simplesmente refletiu a superioridade da albiceleste daqueles anos.

O argumento argentino levanta uma questão importante. Naquela ocasião o Brasil tinha um time muito interessante, já com muitos jogadores que atuariam em 1950. O ataque era avassalador: Tesourinha, Zizinho, Heleno de Freitas, Jair e Chico (com Ademir Menezes no banco). Aquela seleção poderia enfrentar qualquer outra de igual para igual. Menos a Argentina.

Naquele momento os vizinhos tinham a melhor geração de sua história. Era o auge da “maquina” do River Plate, com o lendário ataque formado por Muñoz, Moreno (para muitos daquele tempo, o melhor jogador da história do país), Pedernera, Labruna e Lostau. No Boca Juniors estava Mario “Atomico” Boyé. No San Lorenzo atuava o genial ponteiro Rinaldo Pontoni. No Huracán havia o artilheiro Norberto “Tucho” Méndez, autor dos dois gols da partida.

Eram tantos grandes jogadores que o River podia se dar ao luxo de emprestar Di Stefano, então com 20 anos, para o Huracán. E no Brasil daquele tempo, abundavam jogadores argentinos que, sem espaço em seu país, vinham para nosso país e reforçavam as grandes equipes daqui. Se jogadores argentinos medianos se destacavam por aqui, fica difícil sustentar que naquele encontro do Monumental de Nuñez a violência argentina possa ser a única explicação para nossa derrota.

E isso não deveria ser novidade, já que argentinos e uruguaios foram melhores que os brasileiros em quase todos os momentos da primeira metade do século XX. Nesses países o futebol chegou mais cedo e se desenvolveu muito antes do que por aqui. Os uruguaios haviam vencido duas Olimpíadas e um mundial, e viriam a vencer o próximo, em 1950. Em duas dessas competições (Olimpíada de 1928 e Mundial de 1930) o título veio em finais disputadíssimas contra os argentinos.

Os historiadores do futebol brasileiro adoram criar justificativas para explicar um fato que, objetivamente, é incontestável: na primeira metade do século XX o futebol brasileiro não teve qualquer destaque internacional. Teve como maior feito chegar em uma semifinal de mundial, algo que naqueles anos EUA e Suécia também conseguiram. Por isso não surpreende que o artilheiro argentino Pancho Varallo tenha declarado, sobre o mundial de 1930: “os melhores times eram Argentina e Uruguai. Dizem que o Brasil estava lá mas nem me lembro. Só importavam Argentina e Uruguai”.

Assim, a partida de 1946 poderia ser vista por outro prisma. Como lembrança de um tempo em que éramos fregueses (ou “hijos”, como dizem os argentinos) dos vizinhos do Rio da Prata. E o enorme esforço para superá-los certamente foi essencial para o crescimento do futebol brasileiro. Derrotas como aquela mostraram aos brasileiros que ainda havia muito a evoluir.

Argentina: Vacca, Salomón (Marante) e Sobrero; Fonda, Strembel (Ongaro) e Pescia; De la Mata, Méndez, Pedernera, Labruna e Loustau.

Brasil: Luiz Borracha, Domingos da Guía e Norival; Zezé, Danilo e Jaime (Rui); Tesourinha (Lima), Zizinho (Ademir), Heleno de Freitas, Jair e Chico.

Gols: Méndez aos 38 do 1º tempo e aos 10 do 2º.

Expulsões: De la Mata e Chico, aos 28 do 1º tempo.

*Agradeço a meu amigo Esteban Bekerman, @egerbek, historiador e jornalista esportivo argentino, pela ficha técnica da partida.

domingo, 24 de julho de 2011

A volta dos que não foram


Por Felipe Portes

Foi uma tarde dentro do esperado no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. Um placar justo, um futebol eficiente e um título mais do que merecido. Uns fulanos podem sugerir que o Uruguai é um time limitado, outros dizem que é zebra não contar com Brasil ou Argentina na partida final. Não há uma verdade absoluta sobre o que significou esta vitória celeste além da atuação avassaladora frente os rivais paraguaios.

Se há o que lamentar tendo em vista o futebol bem praticado (entenda bons passes, marcação e estilo de jogo mais solto) é a presença do Paraguai na decisão. Os amigos leitores devem concordar que seria mais justo a brava Venezuela estar peleando com o Uruguai. Este que vos escreve defende o emergir de nomes pouco tradicionais no esporte, especialmente quando se tem muita paixão movendo um grupo de jogadores.

A Celeste não foi brilhante todo o tempo, é importante que se assuma isso. Lutou na primeira fase e com certa dificuldade obteve o ingresso para as quartas de final. No confronto contra os donos da casa foi possível se ver uma mescla do futebol cheio de vontade com algumas artes marciais mais obscuras. Que o diga Diego Pérez, expulso de campo ainda na primeira etapa do duelo. Excessos e carrinhos à parte, o clássico teve um resultado digno do que foi visto nos 120 minutos + pênaltis.

Especificamente na final desta Copa América, o Uruguai deu o seu melhor. Tanto na marcação quanto na precisão de seus homens de frente, que anotaram os tentos do triunfo derradeiro nesta edição. Suárez foi tão letal quanto nos seus bons dias de Ajax e Liverpool, Forlán esteve criativo e os demais desempenharam seu papel com maestria. Foi uma partida fácil, apesar dos ataques galoperos no início da etapa complementar. Além do bom posicionamento defensivo da Celeste, o atacante Zeballos não era muito qualificado para ameaçar o placar final.

Ao fim das contas, o que se pode fazer é comemorar mais uma glória uruguaia, como poucas da história recente e saudosa dos tempos dourados de Ghiggia, Schaffino e Maracanazo. Para que os cegos saibam que a América do Sul não vive só de Brasil e Argentina, Maradona e Pelé. Agora é hora de Forlán e Suárez, que tecem uma história belíssima a ser contada para nossos filhos e netos. O Uruguai representa um guerreiro gigante que retornou mesmo sem ter partido. Ou como dizia meu pai: a volta dos que não foram.

domingo, 17 de julho de 2011

Jogamos como sempre, perdemos como nunca

Vargas: força decisiva dentro do plantel peruano

Por Rodolfo Zavati

É adaptando o célebre mote mexicano de fracassos futebolísticos que podemos ter uma noção do que representou Colômbia x Peru para os cafeteros.

Antes de falar da partida, faremos uma pequena viagem no tempo. Mais especificamente para 1990, Copa da Itália. A seleção de Valderrama avança para as oitavas de final do Mundial, conseguindo a classificação num grupo difícil, que contava com Alemanha e Iugoslávia. No primeiro mata-mata, um duelo "acessível" contra a sensação Camarões. O placar em branco no tempo normal levou a partida para a prorrogação. E foi no tempo extra que ruiu o sonho colombiano de chegar pela primeira vez entre as oito melhores seleções do mundo. Numa das falhas mais bizarras da história das Copas, o goleiro René Higuita perdeu a bola para Roger Milla enquanto tentava driblar o atacante. A Colômbia ainda descontou, mas o gol camaronês foi um balde de água fria.

De volta ao presente para o Colômbia x Peru de ontem, em Córdoba. A partida que valia uma vaga nas semifinais da Copa América de 2011 foi exatamente o que se imaginava. Peruanos fechados, apostando no contra-ataque, aguardando o erro do adversário. Colombianos passando a sensação de estarem sempre mais perto do gol.

Em momento algum o Peru foi dominado, é verdade. Mas, mesmo sem ser incisiva, a Colômbia controlava o jogo, imprimindo sua habitual escola de toque e valorização da posse de bola. O primeiro tempo, morno, terminou 0-0. Na segunda etapa, o sumido Guarín entrou no jogo e o volume colombiano aumentou, com direito a bola na trave. Ao Peru, restava assustar com chutes de fora da área.

Aos 20 minutos, lance capital: pênalti para a Colômbia. A vitória estava nunca esteve tão próxima. Na cobrança, contudo, Radamel Falcão García desperdiçou a chance de possivelmente liquidar a fatura. E poucos minutos depois, o mesmo Falcão, abatido, furou na hora de completar ótima jogada de Dayro Moreno. Nos acréscimos, as traves peruanas tremeram novamente, em bomba de Guarín que explodiu no travessão.

O fim do tempo regulamentar e o desânimo pelo gol que não saiu derrubou o time de Hernán Darío Gómez. Apáticos, apenas assistiram Juan Manuel Vargas e Paolo Guerrero tomarem conta da partida (conforme nós da TF cantamos a bola no dia anterior). E foi após um cruzamento do ala da Fiorentina que o goleiro Neco Martínez saiu mal, permitindo a Lobatón abrir a contagem. Gómez promoveu alterações e a Colômbia partiu para a tentativa do empate, num improvável 4-1-1-4. No entanto, em novo erro de Martínez, Vargas fechou o caixão colombiano.

Para a Colômbia, fica a lição que vem sendo dada ao time há, no mínimo, vinte anos: a habilidade diferenciada dos jogadores do país não é suficiente na hora de um jogo eliminatório, em que muitas vezes a disposição supera a qualidade técnica. Falta à seleção colombiana o "algo a mais" que sobrou ao Once Caldas, último clube local a vencer a Taça Libertadores.

Do lado peruano, prêmio para um time frio, que soube aguardar pacientemente pela falha do adversário para dar o bote. E festa pela primeira classificação para as semifinais da Copa América em 14 anos.

De qualquer forma a justiça seria feita

Dia inusitado para os uruguaios: Muslera salvou a pátria contra a Argentina (Globo Esporte.com)
Por Felipe Portes

Sempre que as bandeiras de Argentina e Uruguai entram em campo, o mínimo da garra apresentada gera faíscas, fogueiras e fora do sentido metafórico, alguns hematomas. Uma única palavra define a partida de ontem pelas quartas de final da Copa América: vontade. Ainda perdida com seu sistema tático, a Argentina vestia a camisa 10 em campo. O Uruguai, por sua vez, não descansava na marcação e conseguiu seu gol numa falha defensiva de seu oponente.

A cidade de Santa Fé via mais um capítulo deste clássico tão charmoso da América do Sul, onde não vimos albiceleste e nem a própria celeste olímpica, visto que as duas seleções adentraram o gramado com seus uniformes alternativos (a Argentina de azul marinho/branco e o Uruguai de branco/preto). Capítulo este que lembrava um filme de guerra, com seus jogadores lutando por cada espaço no campo. O mais bravo (qualquer um dos sentidos é válido na compreensão) foi Diego Pérez, que abriu o placar para os uruguaios logo aos cinco minutos. O volante cometeu quatro faltas e na última sobre Gago recebeu o cartão vermelho, pouco antes do intervalo. 

Solada pra cá, carrinho pra lá, Messi achou espaço por entre a defesa adversária e cruzou para Higuaín testar contra Muslera, que caiu tarde demais na bola para evitar o empate dos donos da casa. A peleja seguiu com uma pitada de violência até os minutos finais. 

Além da situação tensa para as torcidas, tivemos dois gols anulados no primeiro tempo. Aos 30, Messi bate com perfeição uma falta e joga novamente na testa de Higuaín, que guardou mais um. Em posição de impedimento, Gonzalo imediatamente olhou para o auxiliar que levantava sua bandeira. Nem fez questão de reclamar. 

Como bom adversário, não demorou muito para o Uruguai dar o troco na mesma moeda. Lugano (em uma das trezentas cabeçadas ao gol que tentou) acertou a trave de Romero e no rebote, Cáceres balançou as redes argentinas. Mas lá estavam os bandeirinhas para impedir que o placar saísse do empate.

Foi um grande duelo, de qualquer forma. Ao final do segundo tempo, que foi um tanto quanto morno, comparado ao restante do confronto, o Uruguai viu um milagre ser realizado. Muslera fez defesas importantíssimas nos minutos derradeiros, como nunca havia feito em toda a sua carreira. (Que isso não soe como uma crítica severa, mas o goleiro é mediano)

Preservado o empate entre os rivais, tivemos 30 minutos de prorrogação que não serviram para outra coisa a não ser deixar os pobres torcedores mais tensos e sujeitos à ataques cardíacos. Messi fez a jogada mais perigosa do tempo extra, driblando a marcação mas sem conseguir o chute, esbarrando no arqueiro uruguaio. 

Nos pênaltis, muitas cobranças boas por parte das estrelas, exceto Tévez, que ingressou na etapa complementar da partida, depois de vários pedidos da torcida. O quase corintiano (transferência pode pintar nos próximos dias) bateu mal e Muslera pegou. E no final, de qualquer forma a justiça seria feita. Seja pelo bom futebol dos uruguaios ao longo da competição ou o despertar dos argentinos.

Na semifinal, o Uruguai encara o Peru na terça-feira, em La Plata. 

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Mais um vôo de Falcão?

Radamel Falcão, o astro da perigosa seleção colombiana

Por Rodolfo Zavati

Colômbia e Peru é, de certa forma, um confronto inesperado. Embora a classificação colombiana, numa chave que contava com Costa Rica e Bolívia, fosse esperada, poucos apostariam que o time de Hernán Darío Gómez superaria a Argentina em pontos e terminaria na dianteira do grupo A. E não pára por aí: os colombianos fizeram a melhor campanha da primeira fase e ainda não sofreram nenhum gol na competição.

Do lado peruano, não se pode considerar que a classificação como o segundo melhor terceiro colocado tenha sido uma zebra. Surpreende, entretanto, os bons jogos realizados pelo time, que empatou com o Uruguai e só perdeu do Chile com um gol nos acréscimos - mesmo jogando com um time misto. O trabalho do técnico Sergio "El Brujo" Markarián começa a render frutos. Markarián, uruguaio de 66 anos que teve passagens de sucesso por clubes de Paraguai, Chile e do próprio Peru, tenta repetir a boa passagem que teve pela seleção paraguaia - que treinou entre 1999 e 2002.

O ponto forte dos colombianos é a já citada defesa invicta. O quarteto Zuñiga (Napoli), Yepes (Milan), Perea (Atlético de Madrid) e Armero (Udinese) faz ótima Copa América. Na frente, porém, a deficiência na finalização faz o time perder chances demais. O incrível gol desperdiçado por Dayro Moreno contra a Argentina, por exemplo, custou a vitória colombiana. O alento ofensivo é Radamel Falcão García, um dos melhores atacantes da última temporada européia. Na mira do Chelsea, o artilheiro do Porto desencantou na última partida da primeira fase, marcando duas vezes em cima da Bolívia.

O Peru depende especialmente da atuação de dois jogadores: o ala José Vargas (da Fiorentina) e o centroavante Paolo Guerrero (do Hamburgo). As jogadas pelo lado esquerdo feitas pelo capitão Vargas são a principal arma ofensiva peruana. Na área, o rápido e oportunista Guerrero espera qualquer vacilo da zaga adversária para balançar as redes. Em bom momento, foram dele os dois gols peruanos na Copa América até o momento.

Em tese, o favoritismo é da Colômbia. Porém, deverá ser um jogo mais equilibrado do que se espera, em que a ineficiência do ataque colombiano poderá custar a classificação.

Colômbia x Peru
Estádio Mario Kempes, Córdoba
16/07, 16:00

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Brasil segue roteiro de suspense contra o Equador e avança às quartas

Pato e Neymar fizeram a diferença contra o Equador,
apesar de Caicedo e Júlio César (GloboEsporte.com)
Por Felipe Portes

Não há quem convença o torcedor mais atento que esta última atuação brasileira contra o Equador foi algo brilhante, digno dos anos mais dourados da camisa amarelinha no futebol. A mídia pacheca insiste em exaltar o placar de 4-2 como efeito colateral do pragmatismo, do jornalismo de resultado praticado neste país desde a chegada de Dunga ao comando da equipe nacional.

Mas se há algo a se preocupar para as próximas partidas é a inconsistência do setor defensivo -com ressalvas para Júlio César- que foi vazado por quatro vezes nas últimas duas rodadas. O duelo contra o Paraguai ainda tem o desconto de que Roque Santa Cruz e sua turma têm crescido no esporte na última década, o que por si não é nenhuma mentira ou exagero. Entretanto, de Paraguai para o frágil Equador há muita diferença, um abismo, um oceano inteiro. 

As comparações com a campanha argentina acontecem a todo instante. Uma hora a Argentina é menosprezada por ter vencido a inexperiente Costa Rica, outra hora o Brasil conseguiu retomar seu melhor futebol. Exageros e parcialidades à parte, as duas equipes tiveram certa dificuldade para abater o nervosismo na primeira etapa de seus desafios nesta derradeira jornada na Copa América. A albiceleste conseguiu seu primeiro tento com Agüero apenas no último minuto do primeiro tempo. O Brasil foi para o intervalo empatando em 1-1 e com falha fragorosa de Júlio César. 

Durante o segundo tempo, a maioria dos cronistas esportivos apontam que o meio campo brasileiro passou a funcionar. Uma verdade das mais discretas, dado o fato que a horrenda atuação dos homens de retaguarda quase comprometeu o restante da formação. O Brasil foi mesmo melhor, principalmente nos vinte minutos finais, o que não deve ficar como sucesso absoluto tendo em vista o contexto em que a partida estava inserida.

Neymar e Pato funcionaram e deixaram dois gols cada. Muito se falou sobre Robinho (mais do penteado do que o jogador, propriamente dito) e Ganso (continua objetivo e de certa forma reticente) como as forças decisivas deste selecionado de Mano Menezes. Ao menos Filipe Caicedo não entrará em campo contra os canarinhos na próxima partida, para alívio de muitos. Mas o traiçoeiro Paraguai pode trazer um jogo diferente e mais maduro que este Equador. 

A esperança para o torcedor brasileiro é que o velho clichê do "camisa pesa nos grandes jogos" se faça valer nas próximas fases desta competição. Por outro lado, futebol é 11 contra 11, bola e um extenso gramado, não só fantasias e superstições. 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Uruguai vence no aperto e enfrenta Argentina no sábado

Uruguaios fazem festa com gol salvador contra o México:
Agora a Argentina vem pela frente (GloboEsporte.com)
Por Caio Dellagiustina

Credenciado como um dos grandes favoritos ao lado de Argentina e Brasil e decepcionado como ambos nos dois primeiros jogos, o Uruguai suou... mas venceu os jovens mexicanos por 1 a 0 e avançou para a próxima fase.

Com um gol solitário de Álvaro Pereira ainda no primeiro tempo, os uruguaios tiveram todo o jogo para ampliar o marcador, mas as finalizações eram deploráveis. Forlán, grande astro celeste não conseguia acertar um chute e perdeu diversas chances de gol. Pelo menos armou as jogadas do time, assim como fez na Copa do Mundo.

Sem poder contar com Cavani e Godín machucados, coube a Coates, jogador preterido pelo São Paulo compor a zaga com Lugano e a Cristian Rodriguez subir mais para o ataque, deixando Forlán mais avançado ao lado de Suárez.

Logo no início já foi possível ver uma mudança de postura no time Oscar Tabarez. Mais ofensivo, chegou ao gol logo aos 14 minutos. As chances persistiram, mas a incapacidade de marcar deu o tom do que seria o segundo tempo.

Cadenciando mais o jogo, os uruguaios atacaram pouco na segunda metade de jogo. Os mexicanos, sem nada a perder começaram a se lançar ao ataque, dando sustos no goleiro Muslera que por si só já causa um frio na espinha dos torcedores a cada bola que chega ao gol. Aos 42 minutos o México marcou com Rafa Márquez, (não é aquele ex-Barcelona, mas é tão ruim quanto) porém para a sorte do Uruguai, o bandeirinha boliviano acusou impedimento.

Agora a Celeste enfrenta a arqui-rival Argentina nas quartas de finais. O jogo será no próximo sábado em Santa Fé. E fé é o que os dois times precisarão ter pois com o futebol que vem jogando eles tem sorte que pelo menos um passa...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Argentina acorda e evita vexame doméstico

Segunda-feira da Copa América viu show de Messi e Aguero, numa partida
incrivelmente tensa na primeira etapa. (ESPN)
Por Felipe Portes

Não adiantou o famoso "corneteiro" secar a albiceleste. Por mais que a torcida anti-Argentina tivesse ganho força neste início tenebroso de Copa América, os jogadores fizeram a sua parte contra a surpreendente Costa Rica sub-23. Com dois gols de Agüero e um de Di Maria, os donos da casa garantiram a vaga na próxima fase, jogando em Córdoba.

A "teimosia" de Sergio Batista em escalar um meio campo com dois volantes e apenas um homem de criação (Di Maria) foi um dos fatores a se destacar pela má atuação argentina nos dois jogos anteriores. O problema tático era evidente e a consequência foi o time ter forçado (entenda ter insistido demais) nas descidas pelas pontas. Di Maria demonstrava vontade, mas não esteve tão bem quanto em outras atuações pelo Real Madrid. Todavia, o centro das atenções era Messi, acusado de não ser "argentino o suficiente" para vestir a camisa de sua seleção nacional.

Durante os primeiros 40 minutos, o que se viu foi uma pressão intensa e desordenada por parte dos mandantes, ainda que Messi estivesse ligado em campo, coisa que não acontecia com Higuain. Gonzalo perdeu gols a esmo, enquanto Agüero seguia sendo a esperança no setor ofensivo. Foi num dos "abafas" argentinos que aos 45, Gago pegou rebote e bateu firme. Moreira, o goleirão costarriquenho soltou nos pés de Kun, que fuzilou e deu a tranquilidade ao restante da sua equipe.

Voltando do intervalo a Argentina era praticamente outra seleção. Com outro espírito, calma e a cabeça no lugar, os dois outros gols fluíram e a vaga para a próxima fase apareceu sem que nenhum tango fosse executado nas imediações do estádio. Fim de papo: 3 a 0 em cima da pobre e jovem Costa Rica.

Se livrando do peso de uma possível eliminação diante de seus torcedores, a Argentina teve pela frente um fraco adversário, é verdade. Mas mesmo com a escalação controversa de Batista foi possível deixar o campo de cabeça erguida e com a confiança necessária para enfrentar o próximo adversário. Ainda abaixo do que pode desempenhar, Messi e sua patota despertaram do sono profundo (ou tático) para buscar o título. 

Ou terá sido mais um lampejo de uma seleção que caiu vergonhosamente para a Alemanha em 2010? 

terça-feira, 5 de julho de 2011

Primeira rodada bem fraca na Copa América

Por Caio Dellagiustina

Quem esperava ver Messi, Sanchéz, Neymar, Falcão e outros mais brilharem na primeira rodada, se decepcionou. Os seis primeiros jogos foram fracos, não salvou um time sequer.

Começamos pela estreia de los Hermanos. A Argentina rendeu pouco com os três atacantes. Messi tentou resolver, até Batista colocar ele mais recuado no segundo tempo. O time só melhorou um pouco com a entrada de Agüero. Banega foi um destastre, não só pelo gol que concedeu à Bolívia, mas pelos diversos passes errados também. A zaga ainda não realmente testada, mas demonstra continuar fraca.

Ah...a Bolívia atacou. Duas vezes. E marcou um gol, nada mais.

Destaque: Edivaldo. O brasileiro com cidadania boliviana estragou a festa argentina com um gol de calcanhar.


No segundo jogo do grupo, a Colômbia, franca favorita contra a seleção reserva da Costa Rica, pressionou até marcar, já no fim do primeiro tempo. Depois disso, ficou com preguiça do jogo. Ainda mais com a expulsão de Brenes, ainda no primeiro tempo. A Costa Rica, percebendo que não tinha condições de atacar, ainda mais com um jogador a menos, pouco criou e a primeira vitória da competição saiu para a equipe colombiana.

Destaque: Freddi Guarín. Foi o cérebro no meio campo colombiano.


Pelo grupo B, ninguém saiu do zero. Paraguai e Equador até criaram oportunidades, mas pecaram na finalização. Do lado paraguaio, pesou a saída de Barreto, lesionado, ainda no primeiro tempo. O empate até foi justo, mas um golzinho para cada lado não seria ruim.

Destaque: Chucho Benítez. Enquanto teve gás, infernizou a zaga paraguaia


Já no jogo do Brasil...ahh o Brasil. Não saiu de um empate com a Venezuela. E o pior, as duas maiores esperanças brasileiras não renderam nem um pouco do esperado. O melhor jogador da seleção, Pato, saiu graças à Mano Menezes que errou ao trocar Robinho por Fred e quando tentou voltar atrás, sacou o camisa 9.

Pode se perceber, o mesmo que aconteceu com Dunga na Copa do Mundo. Faltou jogadores que se encaixassem no esquema da seleção. Hulk seria uma boa pois poderia substituir qualquer um dos pontas (Neymar ou Robinho), sem precisar alterar jogadores ou esquema de jogo.

Destaque: Pato. Era o melhor jogador do Brasil, só Mano Menezes que não percebeu isso.


E no grupo C, pelo menos os gols saíram. Uruguai, um dos favoritos da competição,  não passou de um empate com o Peru, que teve chances para ganhar o jogo, principalmente no segundo tempo. O ataque uruguaio formado por Cavani, Suaréz e Forlán pouco produziu. No Peru, pouco podia se esperar, afinal dois dos melhores jogadores ficaram de fora por lesão, Farfán e Pizarro. Porém o time se virou bem com  Guerrero no ataque e no segundo tempo, com a entrada de Vargas o time ficou ainda mais perigoso.

Destaque: Guerrero. O nome é sugestivo, pois foi exatamente o que ele foi. Sozinho, enfrentou toda a zaga uruguaia e foi premiado com um belo gol.


No último jogo da primeira rodada, o Chile venceu o México por 2 a 1. Mas assim como os outros grandes, enfrentou dificuldades, tanto que iniciou perdendo mas graças a apatia mexicana, os chilenos foram pra cima e viraram o jogo.

Destaque: Vidal. O chileno ajudava no ataque e na defesa. Fez o gol da virada e da vitória do Chile.

Agora, só nos resta esperar que a segunda rodada não dê tanto sono como a primeira.