Ronaldinho e o time que complicou a vida vascaína na última rodada (Lancenet!)
Pedro Cuenca, @colderhearts
De São Paulo-SP
Foi suado, difícil, na raça e com um sabor amargo no final. O Flamengo começou o ano fazendo barulho anunciando as contratações de Ronaldinho e Thiago Neves. Se esperava um time que apresentasse futebol genial, no Campeonato Carioca. Apesar do título, vencendo os dois turnos - um contra o Boavista e outro contra o Vasco - o rubro-negro teve apresentações irregulares e em muitos momentos irritou seu torcedor.
O primeiro semestre ainda teve a desastrosa Copa do Brasil. Vitórias suadas marcaram as primeiras fases, principalmente contra o fraco Horizonte. Nas quartas-de-final, porém, o duro golpe: derrota para o Ceará no Engenhão. Com a necessidade de reverter o quadro, o Fla fez uma de suas melhores partidas no ano, mas só empatou em 2 a 2 e o reino foi abalado.
De um lado, Luxemburgo era ameaçado de demissão. De outro, Ronaldinho era acusado de exagerar nas baladas. Patrícia Amorim, a presidenta bolha, pouco fez. Mas no Brasileirão, pelo menos no turno, a postura mudou. Por muitas rodadas, o time carioca encarou de frente os rivais paulistas Corinthians e São Paulo. A derrota para o Atlético-GO, já nas rodadas finais, no entanto, mexeu com o brio da equipe e com o restante da campanha.
No returno, o que se viu foi um Flamengo muito apagado, pouco parecido com o que vinha fazendo grandes apresentações nos primeiros vinte jogos. Vitórias heróicas, como a sobre o São Paulo num Morumbi lotado para receber Luis Fabiano ou a sensacional virada em cima do Fluminense, foram ofuscadas para tropeços dentro de casa contra Bahia, Palmeiras, Atlético-PR, empates nos clássicos contra Vasco e Botafogo, além da incrível virada sofrida pelo Grêmio.
Mesmo assim a Libertadores ficou nas mãos. A Pré-Libertadores, na verdade, mas que serve de alento para a apaixonada torcida do Fla. Que o “pojeto” de Luxemburgo dessa vez realmente funcione, que os jogadores rendam seu máximo, e que as contratações sejam bem feitas. O Flamengo não pode viver de resto. Não pode sonhar com o colo de “uma nêga chamada Teresa” e ficar “parado na esquina”.
A profissão de goleiro é, com certeza, uma das mais ingratas do mundo. Enquanto a falha é motivo de crucificação, os acertos raramente são exaltados e esquecidos com o tempo, com exceção de gênios como Yashin, Banks e Taffarel. Além disso, os que perduram uma carreira inteira no clube costumam ser idolatrados. Os outros? Vilões até que provem o contrário.
E mesmo sabendo de tudo isso, Peter Boleslaw Schmeichel, nascido em Gladsaxe, Dinamarca, insistiu na carreira. Seu primeiro clube foi o Gladsaxe/Hero, da sua cidade natal, ainda em 1981, com menos de 18 anos. O time estava na terceira divisão do país. Três anos depois, migrou para o Hvidovre, onde teve que buscar empregos paralelos para sobreviver.
A carreira de Schmeichel só foi mudar em 1987, quando se transferiu para o Brøndby, após grandes atuações nos clubes anteriores. Lá, jogou com grandes craques compatriotas como John Jensen, Lars Olsen e Brian Laudrup, ganhando quatro dos cinco campeonatos nacionais que disputou.
A chance na Inglaterra
Com grandes apresentações na Copa da UEFA 1990/91, Peter chamou a atenção do Manchester United, clube que o contratou por uma quantia equivalente a atuais 600 mil euros. Anos depois, o técnico Alex Ferguson chamaria essa de a “negociação do século”, e com justiça. O período de sua chegada, porém, não era dos melhores, pois os Diabos Vermelhos amargavam um longo jejum de títulos.
As grandes defesas do goleiro rapidamente o transformaram em ídolo da carente torcida do United. Na primeira temporada, o Leeds levou o título inglês por quatro pontos de vantagem, mas sobrou a Copa da Liga Inglesa. Veio, então, a Eurocopa 1992, que o consolidou como um dos grandes arqueiros de sua geração.
Após a suspensão da Iugoslávia, a Dinamarca foi convidada a participar do torneio, mas caiu em uma cilada. No Grupo A, o país estava ao lado de Suécia, país-sede, França e Inglaterra. Com uma vitória, um empate e uma derrota, a classificação veio no limite, com três pontos e a vice-liderança da chave. Na semifinal, um empate eletrizante com a Holanda, então detentora do título, por 2 a 2. Nos pênaltis, Schmeichel defendeu a cobrança de Van Basten e deu a vaga na final.
Na grande decisão do torneio, a Dinamarca venceu a Alemanha por 2 a 0, com gols de Jensen e Vilfort, conquistando um título inédito na história. A campanha foi impressionante, principalmente pelos números de Schmeichel, que levou apenas quatro gols no campeonato. Com isso, ele voltava com mais moral ao United.
E a fase mudou no clube inglês. Na temporada 1992/93 foi inaugurada a Premier League. E o Manchester United conquistou o título de maneira incontestável, além de sensacional participação de Schmeichel. O arqueiro não levou gol em 22 partidas no torneio. Na sequência, em 93/94, o bicampeonato e o título da FA Cup de quebra. Apesar disso, ele não conseguiu ajudar sua seleção a se classificar para Copa do Mundo.
Veio a temporada 1994/95 e a decepção chegou no Old Trafford. A equipe perdeu a Premier League para o Blackburn por apenas um ponto, além de ter sido derrotada pelo Everton na final da FA Cup. O retorno aos tempos sombrios? Não mesmo. Vida que passa e na temporada 95/96, a dobradinha com conquistas na Premier League e na FA Cup, superando o rival Liverpool. Era, com certeza, uma década dourada do United, mas ainda faltava um título: a Liga dos Campeões.
Um dos donos da Europa
Na temporada 1998/99, título da Premier League sobre o Arsenal por um ponto. O rival também foi derrotado na semifinal da FA Cup com Schmeichel defendendo um pênalti de Bergkamp. Na final, vitória sobre o Newcastle.
Na Liga dos Campeões, o United estreou com vitória, ainda na fase de classificação, sobre o LKS Lodz, da Polônia. O time ficou no Grupo D, ao lado de Bayern de Munique, Barcelona e Brøndby, dando a chance de Schmeichel reencontrar seu antigo clube. Após seis duros jogos, a vice-liderança da chave e a passagem de fase.
Nas quartas-de-final, vitória sobre a Inter de Milão por 2 a 0. Na volta, empate por 1 a 1 e a classificação. Nas semi, a poderosa Juventus. Após o primeiro jogo ter acabado em igualdade, o United venceu por 3 a 2 de maneira sensacional, fora de casa, e conquistou a vaga. O título continental estava ao alcance do time inglês.
Na final, a ser disputada em Barcelona, um conhecido adversário: o Bayern de Munique. E o time alemão começou arrasador, marcando com Basler logo aos seis minutos de jogo. Depois de muito pressionar o adversário, o empate do Manchester chegou aos 46 do segundo tempo, com Sheringham. O melhor, porém, estava por vir. Aos 48 minutos, último dos acréscimos, Solskjaer, desvia cabeçada e leva o United ao título. Como capitão, Schmeichel levanta a taça e chega ao ápice de sua carreira.
O fim da carreira, o início do mito
Na temporada seguinte, Peter fez as malas e se mudou para o Sporting, de Portugal. Lá, conquistou um campeonato português. Em 2000, participou da fracassada campanha da Dinamarca na Euro 2000, sem nenhuma vitória. Saiu da seleção no ano seguinte.
Em 2001, foi para o Aston Villa. Na temporada seguinte, se transferiu para o Manchester City, clube rival do United, onde encerrou sua carreira.
Não importa, o mito Schmeichel já estava criada. Suas defesas, imortalizadas. Lembram-se do que disse sobre os goleiros que ficam marcados na história? Pois é, Peter Schmeichel é um deles, um dos maiores goleiros já vistos e, na opinião deste que escreve, o melhor da década de 90.
Herói e artilheiro da Copa de 1998, Suker segue como
um dos maiores nomes do futebol croata (Football Team Players)
Pedro Cuenca, @colderhearts
De São Paulo-SP
Para muitos, o maior jogador da história da Croácia. Para outros, o melhor da Copa do Mundo de 1998, na qual foi artilheiro de maneira indiscutível. A história de Davor Suker, porém, começa na antiga Iugoslávia, no primeiro dia do ano de 1968.
Nascido em Osijek, foi lá, no clube que levava o nome da própria cidade, que Davor começou sua carreira em 1984, nas categorias de base. No mesmo ano, já tinha sido alçado à equipe principal, onde ficou até 1989. Nesse período, já chamava a atenção de muitos e foi campeão do Mundial sub-20 de 1987, além de ter disputado as Olimpíadas de 1988 pelo seu país.
Depois, se transferiu para o Dínamo Zagreb. Lá teve outra excelente média de gols, que o garantiu na Copa do Mundo. Apesar disso, o feroz centroavante só fez número no plantel e não teve a chance de mostrar sua oportunidade. Essa só viria depois, durante as Eliminatórias da Eurocopa, contra as Ilhas Faroe, quando entrou durante a partida e marcou um dos gols. Curiosamente, seria sua última partida pela Iugoslávia, pois a Croácia seria reconhecida oito dias depois.
Em 1991, se transferiu para o Sevilla, onde ficou por cinco anos. Lá, teve a oportunidade de jogar com o craque argentino Diego Maradona. Em 153 aparições com a camisa do time espanhol, Suker marcou incríveis 76 gols. Nesse período, ganhou mais destaque por seus jogos no clube, já que a Croácia e os outros países emancipados da Iugoslávia não disputaram as Eliminatórias para a Copa do Mundo dos Estados Unidos.
E foi em 1996 que a carreira do croata mudou. Ele se transferiu para o Real Madrid, que ainda não tinha o elenco galáctico, mas formava um esquadrão de respeito, com jogadores como Seedorf, Roberto Carlos, Hierro e Raúl. Nesse mesmo período, a Croácia lidera seu grupo nas Eliminatórias da Eurocopa, ficando na frente da Itália. Na competição continental, ele foi o vice-artilheiro com três gols, mas viu sua seleção ficar pelas quartas-de-final, ao ser derrotada para a Alemanha. A vingança viria anos depois.
Apesar das poucas chances no Real Madrid, ajudou seu país a chegar a Copa do Mundo de 1998. E foi no sufoco. A vaga veio na repescagem após uma vitória e um empate com a Ucrânia. As esperanças para o time da camisa xadrez eram poucas. Veio o sorteio e o Grupo H lhe foi reservado, ao lado da Argentina, uma das grandes favoritas ao título, além das estreantes seleções da Jamaica e do Japão.
A Croácia terminou na segunda posição, com seis pontos (perdeu apenas para a Argentina) e Suker com dois gols marcados. Nas oitavas-de-final, a Romênia. Um placar apertado, mas Suker garantiu a vitória. Chegou então a poderosa Alemanha na fase seguinte. Era a chance da vingança de dois anos antes. E não foi diferente. Com show da Croácia, Suker apenas fechou o caixão na vitória por 3 a 0.
Os axadrezados chegavam às semifinais em sua primeira Copa do Mundo, eliminando a Alemanha, campeã europeia em 1996. Na partida contra a França, Suker deixou sua marca, mas não evitou a derrota por 2 a 1 contra o time comandado por Thuram. Na disputa pelo terceiro lugar, vitória contra a Holanda e mais um tento do artilheiro da Copa com seis gols feitos.
No final daquele glorioso ano, Suker ainda concorreu ao prêmio de Melhor do Mundo, mas ficou em terceiro lugar, atrás de Zidane e Ronaldo. Além disso, foi campeão mundial interclubes com Real Madrid, após vencer o Vasco, em partida que disputou poucos minutos.
A falta de oportunidade, aliás, o fez se transferir para o Arsenal em 1999. O cenário, porém, não se modificou. O atacante continuou relegado ao banco de reservas, além de ter se envolvido em uma polêmica ao investir no Manchester United na bolsa de valores e perdido um dos pênaltis da final da Copa da UEFA de 2000, contra o Galatasaray.
Ao sair do time londrino, a carreira de Suker foi ladeira abaixo. Fracassos no West Ham e no Munique 1860 o fizeram se aposentar em 2003. Pela seleção croata, apresentava desempenhos fracos. O país não disputou a Eurocopa 2000, além de ter feito campanha mediana na Copa do Mundo de 2002.
Apesar disso, Suker foi eleito, em 2004, o maior jogador da Croácia pela FIFA. No mesmo ano, esteve na lista dos 125 maiores jogadores em atividade escolhidos por Pelé. É também o maior artilheiro de seu país e, querendo ou não um ídolo para muitos, inclusive para esse que vos escreve.