Mostrando postagens com marcador Copa UEFA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Copa UEFA. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
O cartão de visitas europeu de Thierry Henry
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Fomos Campeões: A maldição veste roxo
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Fomos Campeões: O trator de Bobby Robson
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Fomos Campeões: Simonsen e Heynckes contra todos
Alguns campeões da antiga Copa
UEFA deveriam ficar eternamente na memória dos torcedores. Não por esquadrões
sensacionais, padrão de jogo invejável ou goleadas, mas sim pelo carisma dos
vencedores em algumas edições
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Fomos Campeões: Entre alemães
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Fomos Campeões: Visita indesejada
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Fomos campeões: Parma 1994-95
| Foto: Storie di Calcio |
De Belgrado-SRB (200/200 posts, um marco histórico)
A saga crociati na Copa UEFA de 1994-95 começou na bela campanha feita na Serie A da temporada anterior. Naquela oportunidade, o quinto lugar para Nevio Scala e seus comandados serviu como alento para um grupo que se reforçou bem após o promoção da B, quatro anos antes. Com investimento da leiteria local Parmalat, o Parma conseguiu crescer no cenário italiano e assim tentaria também conquistar seu espaço continental.
Pela primeira vez qualificado a alguma competição europeia, a equipe gialloblu montou um plantel equilibrado, com bons valores em cada um dos setores. Luca Bucci era o titular debaixo das traves, deixando um jovem talentoso chamado Gianluigi Buffon no banco. Na defesa, Fernando Couto, Alberto Benarrivo, Luigi Apolloni, Roberto Mussi, Gianluca Falsini e Roberto Sensini, todos já devidamente internacionalizados. A meia cancha era formada por Gabriele Pin, Massimo Crippa, Dino Baggio, Tomas Brolin e Alberto Di Chiara. Por fim, o ataque trazia Gianfranco Zola, Faustino Asprilla, Marco Branca e Mario Lemme.
A primeira rodada se demonstrou um tanto desafiadora. O Vitesse, equipe mediana da Holanda, parecia não trazer problemas para o lado italiano. Parecia. Em Arnhem, Hans Gillhaus marcou o único tento dos aurinegros na partida, aos 51'. Para o duelo no Ennio Tardini, os donos da casa precisariam balançar as redes ao menos duas vezes para avançar na competição. Zola tratou de cumprir a missão e marcou duas vezes, aos 24 e aos 75.
Avançando para a segunda rodada, o próximo adversário do Parma era o AIK, que jogava a primeira perna em seus domínios, em Solna. Com certo sufoco, Crippa marcou aos 73' e deu ampla vantagem para os crociati, que poderiam empatar em casa e ainda sim se classificar. Na Itália, Lorenzo Minotti emulou Zola na fase anterior e garantiu mais um ticket para as oitavas, contra o Athletic. Sem nenhum sufoco, a barca seguia.
![]() |
| Bilbao de Etxeberria e Guerrero complicou a vida do Parma Foto: Iniestata.blogspot.com |
O primeiro rival à altura (oitavas de final)
Com muito esforço, os gialloblu venceram o Athletic. Não sem suar frio com a possibilidade real de derrota no Ennio Tardini. A emoção começou em San Mamés, onde os bascos venceram por 1-0, gol marcado por José Ziganda, num confronto equilibrado em que os mandantes estiveram longe de perder o comando no placar. As saídas de contra ataque levavam perigo à defesa do Parma, que escapou de ser vazada mais de uma vez, o que complicaria a situação em casa.
Diante de 18.000 expectadores, os crociati começaram fazendo a lição de casa. Zola e Baggio (duas vezes) marcaram para reverter o dano causado no País Basco. O embate ganhou contornos dramáticos quando Óscar Vales diminuiu para o Athletic aos 56'. Nove minutos depois, Couto aproveitou jogada na área adversária e concluiu, para deixar o Parma mais nas quartas. Julen Guerrero marcou o segundo dos visitantes e o caldo quase entornou com mais algumas descidas rojiblancas. Para a sorte de Nevio Scala e sua patota, ficou por isso mesmo.
Toda a disciplina tática e a alta qualidade na ligação do meio campo com o ataque faziam o Parma um esquadrão sólido e capaz de encarar grandes rivais naquela Copa UEFA. O dinamismo e a objetividade certamente fizeram diferença nos passos dados pela agremiação, que se não tinha atletas de absoluto topo, compensava com dedicação e empenho em cada minuto de jogo.
| Em foto de partida contra o Real Madrid, o ferrolho danês fica evidente (OB.dk) |
Dinamarqueses e o ferrolho
Era chegada a hora das quartas de final. O adversário, o Odense, trazia uma retranca das temíveis, neutralizando as armas ofensivas italianas, e retardando o ritmo adversário. E assim se fez um singelo 1-0 com gol de Zola, marcado num pênalti, pouco após a volta do intervalo. A dificuldade em furar o bloqueio dinamarquês era grande e para o retorno, na Escandinávia, o buraco seria bem mais embaixo.
Um modorrento e tedioso 0-0 sem quase nenhuma chance de gol foi o retrato do cotejo em Odense, no qual os crociati puderam sem emoções avançar no certame, para enfrentar o emergente Bayer Leverkusen, no último passo antes da grande final.
Leverkusen e a afirmação gialloblu
Não tão tradicional assim, mas emergente, o Leverkusen pleiteava a vaga na finalíssima, tentando encontrar do outro lado o também alemão Dortmund. Contudo, nem mesmo a própria tarefa os moços da farmácia puderam executar e em casa, apanharam do Parma. A festa do visitante não deixou de acontecer mesmo com gol de Paulo Sérgio (aquele, ex-Corinthians e Bayern), aos 27. Descendo para o intervalo com a vantagem, os germânicos provavelmente julgaram que o ímpeto italiano havia acabado, a moral adquirida com as constantes vitórias estava minada. Erraram.
Baggio e Asprilla destronaram o Leverkusen em cerca de dez minutos e a partir daí, só alegrias para os comandados de Nevio Scala. Sem correr grandes riscos jogando no Ennio Tardini, era hora de administrar a boa margem e colher os frutos antes de encarar a Juventus, que havia vencido os negro-amarelos na outra semifinal. Ah, enquanto isso na partida de volta, o Parma fez 3-0 com Asprilla (2) e Zola.
![]() |
| Retrato tirado na segunda perna da final da Copa UEFA de 1994-95 (twb.blogspot.com) |
Rival doméstico é sempre problema
Já acostumados a se enfrentarem na Serie A, Parma e Juventus caminharam até a final com muito mérito. No Ennio Tardini a primeira parte da decisão foi marcada pelo nervosismo de ambas as partes e pela objetividade do lado gialloblu. Seria mais um daqueles 0-0 que não empolgam e até irritam, não fosse o gol de Dino Baggio aos cinco iniciais. Para a equipe bianconera, restava tentar fazer prevalecer a sua tradição e camisa, no San Siro, afim de colecionar mais uma copa.
Vialli tratou de igualar o agregado aos 33 iniciais da derradeira batalha daquela Copa UEFA. A esperança juventina permanecia viva, e por mais que um duro duelo contra aquela ousada formação crociati implicasse em penalidades, a confiança ainda estava com os atletas de Marcello Lippi. Pressão aqui, pressão ali e quem marcou foi o Parma. Aos 54', Dino Baggio decidiu a peleja e a missão de Scala era apenas segurar as investidas da Juve e comemorar ao fim dos 90 minutos. Novamente cumprido com maestria, o objetivo foi assegurado e assim a simpática equipe emiliana levantou a primeira de suas duas taças UEFA (a outra foi em 1998-99, com Hernán Crespo e grande elenco).
Campanha
1a Rodada
Vitesse 1-0 Parma
Parma 2-0 Vitesse
2a Rodada
AIK 0-1 Parma
Parma 2-0 AIK
3a Rodada
Athletic Bilbao 1-0 Parma
Parma 4-2 Athletic Bilbao
Quartas de final
Parma 1-0 Odense
Odense 0-0 Parma
Semifinal
Leverkusen 1-2 Parma
Parma 3-0 Leverkusen
Final
3 de maio de 1995 - Ennio Tardini, Parma
Parma 1-0 Juventus
17 de maio - San Siro, Milão
Juventus 1-1 Parma
terça-feira, 8 de maio de 2012
Craques: Iván Zamorano
Bruno Núñez, @BrunoNunez
De São Paulo-SP
Seus primeiros passos no mundo da bola se deram em campos de terra cheios de pedras em Maipú, um bairro de classe baixa de Santiago, poucos que jogavam com o menino franzino de origem humilde, poderiam apostar que naqueles campos estaria surgindo um dos maiores jogadores da história do futebol chileno. No mesmo patamar de lendas, como Elías Figueroa, Leonel Sanchez, George Robledo e seu contemporâneo Marcelo Salas.
Zamorano começou jogando como zagueiro central, mas logo demonstrou que seu ofício era o gol, e como atacante chamou a atenção de muitos, sendo o principal jogador do Benito Juárez, clube onde jogou durante sua infância. O menino já era um homem, tinha perdido seu pai com apenas 13 anos de idade, tendo que assumir a responsabilidades em casa, ajudando sua mãe e irmã. O sonho de ser jogador era uma obrigação, seu pai sempre o apoiou muito e antes de morrer sempre dizia a sua mulher – ‘’O menino vai ser muito bom’’.
Zamorano começou jogando como zagueiro central, mas logo demonstrou que seu ofício era o gol, e como atacante chamou a atenção de muitos, sendo o principal jogador do Benito Juárez, clube onde jogou durante sua infância. O menino já era um homem, tinha perdido seu pai com apenas 13 anos de idade, tendo que assumir a responsabilidades em casa, ajudando sua mãe e irmã. O sonho de ser jogador era uma obrigação, seu pai sempre o apoiou muito e antes de morrer sempre dizia a sua mulher – ‘’O menino vai ser muito bom’’.
O sonho de virar jogador profissional se tornou realidade em 1985, Iván desembarcou no acampamento mineiro de El Salvador, o Cobresal pagou uma merreca para ter o jovem em seu elenco. Logo chamou a atenção, mas o técnico Manuel Rodríguez preferiu emprestar o garoto para ganhar experiência em um clube de uma divisão inferior. Com isso Zamorano jogou em mais um time de mineiros, o Cobreandino (atual Trasandino de Los Andes). A passagem dele pelos gramados maltratados da segunda divisão do país andino foi mais do que positiva, foram 27 gols em 29 jogos no campeonato de 1986.
Após a temporada que mostrou
ao Chile sua capacidade goleadora, Zamorano voltou ao Cobresal, que graças ao
dinheiro vindo da mineração de cobre, conseguiu montar um time de respeito.
Iván ajudou o clube a conquistar o troféu mais importante da história do clube,
a Copa Chile de 1987, seus 14 gols em 14 jogos levaram o clube a final contra o
Colo Colo, que foi derrotado por 2 a 0 pelo clube do acampamento mineiro.
| Coroado rei na Suíça, Zamorano começou a chamar a atenção dos grandes da Europa (blick.ch) |
Seus gols logo chegaram ao
conhecimento do futebol europeu, 350 mil dólares foram suficientes para
Zamorano chegar ao Bologna, aonde não chegou a jogar nenhum jogo, rapidamente
sendo emprestado para o St. Gallen da Suíça. No pontual (?) futebol suíço, o
franzino jogador ganhou força para enfrentar as duras marcações europeias, as
três temporadas no St. Gallen (88-89, 89-90 e o começo de 90-91) foram
prolíferas, o atacante se sagrou artilheiro da Liga Suíça com 23 gols na
temporada 1989-90 e de quebra ganhou o prêmio o melhor estrangeiro daquela
mesma temporada.
Zamorano ficou famoso pela
Europa graças aos seus gols em terras suíças, principalmente pelos gols feitos
de cabeça, a especialidade de Iván, o Terrível, apelido dado pelos jornais
europeus. O técnico chileno-argentino Vicente Cantatore, que dirigia o Sevilla
em 1990, precisava de um atacante para fazer dupla com o croata Davor Suker,
tentando achar o jogador ideal para seu ataque, foi até a Suíça ver Zamorano
jogar, e se decepcionou, já que o atacante não fez gols nos jogos em que esteve por lá. A sorte de Zamorano foi que seu companheiro de ataque no St.
Gallen, o também chileno Hugo Rubio, conhecia muito bem Cantatore, ambos haviam
estado juntos no Cobreloa, uma longa conversa entre os dois ajudou na decisão
do técnico, que acabou requerendo Zamorano nos Sevillistas, que desembolsou 2.5 milhões de dólares para ter o
atacante.
A mudança dos Alpes para a
terra das touradas não foi fácil, Zamorano não começou nada bem no Sevilla, na
primeira temporada fez apenas nove gols, nem perto dos seus números de costume,
a titularidade não era garantida, e para piorar sua situação, se machucou e
ficou de fora por uma boa parte da temporada 1990/91.
Na temporada seguinte,
Zamorano evoluiu bastante, não foi um jogador fora de série, mas era bastante
participativo, fez 12 tentos, mas jogava de uma maneira muito mais madura do que
no seu início na Espanha. Seu futebol acabou interessando mais um, o técnico
Benito Floro, que tinha acabado de chegar no Real Madrid em 1992 e não
titubeou em desembolsar cinco milhões de dólares para ter o chileno, era o
começo de uma bela história.
| A raça de Zamorano no Real Madrid, deixava o sangue na camisa. (Real Madrid Fans) |
Iván Zamorano chegava a um
dos clubes mais importantes da história do futebol, era a solução para o
problema do ataque madridista que
sentia falta do mexicano Hugo Sanchez, que havia saído do clube na temporada
anterior. Diferentemente do que pensaram, Zamorano não sentiu o peso da camisa,
pelo contrário, nunca uma camisa tinha caído tão bem no chileno, 36 gols
somando Campeonato Espanhol, Copas e Torneios Internacionais. Os gols mais
importantes da primeira época de Zamorano foram contra o rival Barcelona,
dois gols nos jogos da final da Supercopa Espanhola de 93, título que ficou com
o Real Madrid. O mundo conhecia o salto imponente e o cabeceio mortal do
chileno, que reinava soberano na grande área dos rivais dos merengues.
A temporada 1993-94 deveria
ser esquecida, Iván Zamorano teve um péssimo desempenho, nem perto de sua
temporada anterior que foi avassaladora. Foram meses sem marcar, os torcedores
do Real davam todo tipo de amuleto para o chileno buscando uma solução para sua
seca de gols. Só no fim do ano voltou ao encontro do gol, foi
contra seu ex-clube, o Sevilla.
O péssimo desempenho em 1993-94 provocou a saída do técnico Benito Floro, que foi
prontamente substituído por Jorge Valdano, jogador de passado glorioso no clube
da capital espanhola. O futuro de Zamorano no clube madrilenho era incerto,
Valdano declarou que achava o chileno dispensável no elenco, e sua saída era
questão de tempo. Para alegria dos torcedores, Valdano teve engolir suas
palavras a cada gol do centroavante chileno na decorrente época. O Terrível
havia voltado, foram 28 gols no Campeonato Espanhol, o título da Liga Espanhola
e o Trófeu de Pichichi (dado ao artilheiro do campeonato) eram seus.
| Comemorando um gol, cena mais do que típica na temporada 1994/95 (Enchula el deporte) |
Zamorano teve jogos
memoráveis na temporada 1994-95, talvez o mais impactante foi a goleada do Real
Madrid sobre o Barcelona por cinco a zero, o atacante chileno fez três gols no
jogo e saiu aplaudido de pé. Outro jogo chave de Zamorano foi contra o
Deportivo La Coruña, na antepenúltima rodada da Liga, ambos lutavam pelo título
e uma vitória dava o título aos merengues,
o jogo ganhou contornos dramáticos quando faltavam cinco minutos para acabar e
o placar apontava um empate de um a um. Foi quando Amavisca viu Bam Bam livre de marcação, o cruzamento
parou no peito do chileno, a bola se adiantou e o matador não perdoou o gol do
Deportivo, uma bomba com o pé direito sacramentou o título merengue.
A última participação de
Zamorano no Real Madrid foi modesta, 16 gols durante toda a competição, ainda
assim, o cartel do jogador era vasto, e interessados não faltariam. Saiu como
ídolo do Real Madrid, graças aos seus mais de 100 gols com a camisa merengue.
Massimo Moratti levou os
gols de Bam Bam para o lado nerazurri de Milão. Zamorano não teve o
mesmo protagonismo que teve no Real Madrid, e logo depois ganhou a companhia de
um atacante que vinha em grande fase. Ronaldo chegou na Internazionale e o chileno teve que ceder a camisa 9 para ele. Não conseguia largar de vez sua camisa que lhe rendeu tantos gols e alegrias, deu um
jeitinho pra continuar usando a 9, por isso passou a usar a camisa
18, ou melhor, a camisa 1+8. A maior glória de Iván na Inter veio na
final da Copa UEFA de 1997-98 contra a Lazio, o primeiro gol da decisão foi seu, o
jogo acabou em um estonteante 3 a 0 para os interistas.
| Poucos gols na Inter, mas sua entrega em campo conquistou a torcida. (Daily Mail) |
Foram cinco temporadas na
Internazionale, Zamorano não foi o goleador dos tempos de Real Madrid, foram
poucas vezes em que balançou as redes, o que ficou marcado foi sua entrega em campo e garra, aquele homem
com feições indígenas conquistou a torcida graças a sua raça dentro das quatro linhas. Após 14 temporadas na Europa, Zamorano achou
que era hora de voltar ao continente dos seus primeiros passos como jogador.
O jogador que dominava nas
cabeçadas na área, graças a sua impulsão, encontrou uma cidade à sua altura, os
2.240 metros de altura da Cidade do México iriam albergar os gols do atacante
chileno. O América do México era seu novo lar. Os gols surgiram rapidamente,
assim como as lesões, que atrapalharam um pouco sua passagem pelas Águilas. No fim, sua passagem foi satisfatória,
36 gols em 3 temporadas, além do título do Torneio de Verão de 2002, que
significou a nona estrela de campeão mexicano do América.
Em 2003, já com seus 36
anos, Zamorano resolveu atender um sonho do seu finado pai, vestir a camisa do
Colo Colo, que também era seu time do coração. Zamorano chegou brincando, dizia
que o índio do escudo parecia com ele, e era verdade, Bam Bam era a cara do clube, vindo da periferia, e vencendo com
muita garra, raça e coragem, como eram os seus antepassados araucanos, inclusive
o índio que deu inspiração ao nome do clube.
| O jogador do povo, no time do povo, pena que durou pouco. (Tarapacá Online) |
Todos acharam que Zamorano
iria triunfar no albo, que preferiu
não receber salário, já que o clube passava por uma grande crise econômica. Os
14 jogos e 8 gols foram trocados pela decepção da atitude do ídolo, que agrediu
um árbitro e foi suspenso do campeonato, o atacante preferiu encerrar a
carreira depois daquela atitude. Com o fim da sua carreira, Zamorano colecionou
327 gols, sendo o segundo maior artilheiro chileno da história, atrás apenas de
Osvaldo ‘’Pata Bendita’’ Castro, com
358 gols. Acabava o jogador, mas nascia a lenda.
| Capitão e ícone da seleção no caminho a Copa do Mundo de 1998 (AFP) |
A camisa que mais caiu bem
no atacante foi a da seleção chilena de futebol, pela Roja de Todos, Zamorano marcou época, principalmente na campanha
rumo a Copa do Mundo de 1998. Fazia a dupla ‘’Za-Sa’’ com Marcelo Salas no
ataque, que ficou famoso nas eliminatórias, impondo respeito e voltando a dar
uma boa impressão do futebol chileno que tinha sido excluído das competições
FIFA desde o escândalo no Maracanã protagonizado por Roberto Rojas. Inclusive
não permitindo a seleção tentar a vaga para a Copa de 1994.
Na Copa de 1998, Zamorano
era o grande ícone daquele elenco dirigido por Nelson Acosta, chamava muita
atenção à intensidade com que o capitão da seleção cantava o hino nacional. A
seleção chilena fez bonito, Zamorano também, o empate polêmico contra a Itália,
mostrou que a seleção poderia vencer qualquer um, empates contra Áustria e
Camarões abaixaram os ânimos, que foram pro espaço após a goleada contra o
Brasil, nas oitavas de final da competição. Mas o povo ficou orgulhoso de
todos, e principalmente do seu capitão, que não fez nenhum gol, mas impôs um
espirito de liderança único, típico de um índio araucano.
Outra grande participação de
Bam Bam pela seleção foi nas
Olímpiadas de 2000, em Sydney, na Austrália. A seleção ganhou pela primeira vez
uma medalha na competição olímpica, a medalha de bronze tinha grande
participação de Zamorano, que fez 6 gols e se consagrou o artilheiro daqueles
Jogos Olímpicos.
Sua despedida da seleção foi
no dia 1º de setembro de 2001, no Estadio Nacional lotado, em um amistoso
contra a França, vencido pelo Chile por 2 a 1, a Roja nunca mais seria vestido por aquele bravo homem, que botava tudo
em campo pelo país, o capitão nunca mais vestiria vermelho.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Fomos campeões: Schalke 1996-97
![]() |
| Foto: Euro Cup history |
De São Paulo-SP
Primeiro título internacional do Schalke, a Copa UEFA de 1996-97 ainda é lembrada pelos alemães em função do triunfo sobre o grande esquadrão que era aquela Internazionale. Sem possuir um plantel brilhante, valeu a união dos jogadores e o excelente trabalho de Huub Stevens à frente dos azuis reais.
Terceiro colocado na Bundesliga de 1995/96, a agremiação de Gelsenkirschen ganhou vaga direta na 1a rodada, depois da 1a pré-eliminatória e da fase de classificação. Ainda funcionando em formato mata mata, concorrentes que tivessem consistência poderia ir longe, e foi justamente o que Stevens e seus pupilos fizeram naquele ano.
Sediando seus compromissos no Parkstadion, fechado em 2001 o Schalke mostrava força para uma arrancada histórica. Debaixo das traves, Jens Lehmann. Na defesa, o ídolo Olaf Thön, Yves Eigenrauch, Thomas Linke e Johan De Kock. Radoslav Látal era o volantão, resguardando e apoiando Andreas Müller (não, AQUELE era Andreas Möller, ídolo do Dortmund), Ingo Anderbrügge, Jiri Nemec e Mike Büskens. O tanque Marc Wilmots, ao lado de Martin Max, formava a costumeira dupla de ataque.
![]() |
| Linke e Wilmots, matador azul real na edição 1996-97 da Copa UEFA (News.de) |
O primeiro adversário foi o Roda JC, que não resistiu ao estilo de jogo germânico na primeira perna e levou 3-0, com dois de Wilmots e um de Youri Mulder, para tentar reverter na Holanda. Um empate em 2-2, (com gols de David Wagner e Wilmots) eliminou os negroamarelos dos Países baixos e abriu caminho para o Schalke enfrentar o Trabzonspor a seguir.
Diante de mais de 50.000 torcedores, o Schalke sofreu para fazer 1-0 nos turcos. Max marcou o tento solitário na noite de Gelsenkirschen restando apenas 14 minutos para o apito final. Quem esperava nova retranca dos otomanos do Trabzonspor se surpreendeu com o duelo de volta no Huseyin Avni Aker. Shota Arveladze, aquele, diminuiu o estrago causado por De Kock, que havia marcado duas vezes. Hami Mandirali empatou e virou para o time da casa aos 71, mas Max, decisivo, igualou o placar dois minutos depois e deu a vaga aos alemães.
Pela frente, agora era o Club Brugge, no Jan Breydel Stadion. Com os belgas, vinha o primeiro revés azul real na competição. Mario Stanic inaugurou os trabalhos, Büskens empatou no começo do segundo tempo e Robert Spehar colocou os blauw zwart em vantagem para o confronto fora de casa. Entretanto, Max e Mulder não deram chance aos rivais de Bruxelas e o 2-0 serviu para que o Schalke progredisse até as quartas de final contra o Valencia.
A missão de derrotar Los Che não foi tão difícil quanto o imaginado. Linke e Wilmots fizeram os gols num cotejo pouco movimentado e de muita marcação por parte dos espanhóis. No Mestalla tivemos um confronto mais acirrado. Schalke saiu na frente com Mulder e Alberto Poyatos empatou para o Valencia antes do intervalo. Huub Stevens teve aquela conversinha com os seus comandados e a tarefa era uma só: evitar a virada. Dito e feito, germânicos nas semis contra outra equipe ibérica. O Tenerife de Francisco Rojas, Aurelio Vidmar, Slavisa Jokanovic e Oliver Neuville chegava embalado com vitórias sobre Maccabi Tel-Aviv, Lazio, Feyenoord e Brondby, certamente tinha bons motivos para estar naquela fase.
![]() |
| Prorrogação contra o Tenerife foi o primeiro dos testes para cardíaco envolvendo o Schalke naquela Copa UEFA (Europa en juego) |
Logo aos seis minutos de jogo no Heliodoro Rodriguez Lopez, Felipe Miñambres (aqueeele Miñambres se chama Oscar, não confundir) anotou numa penalidade o gol que colocaria a equipe das Ilhas Canárias na frente pela vaga na grande final. Os visitantes alemães não conseguiram passar pela barreira defensiva armada e sofreram os 90 minutos para marcar. Saindo de Santa Cruz do Tenerife com 1-0 contra na mala, era preciso foco para evitar novas e maiores dificuldades jogando em casa.
O equilíbrio marcou o encontro no Parkstadion. Sabendo que o empate era dos visitantes, o Schalke se lançou à frente e precisava balançar as redes para ao menos levar a decisão para o tempo extra. Linke, aos 68 deu a primeira nota na sinfonia azul real. Com o agregado em 1-1, foi preciso decidir a parada na prorrogação. Era muito drama e aos 107, dois minutos da segunda etapa, Wilmots deixou mais uma vez a marca do artilheiro. Antes das sempre temíveis penalidades, o centroavante belga tratou de dar jeito e colocar o seu time na final contra a Inter, que passou pelo Monaco na outra semifinal.
![]() |
| Formação do Schalke na decisão frente a Inter, em Milão (Museu virtual do futebol) |
A decisão
Em 21 de maio de 1997, o caldo ferveu na decisão. Fazendo a primeira perna da finalíssima em Gelsenkirschen, os germânicos ditaram o ritmo e venceram a forte defesa nerazzurri com gol de Wilmots, aos 70, que marcava seu sexto naquela Copa UEFA, goleador máximo dos alemães. A hora da verdade viria no Giuseppe Meazza e a Inter ia entregando o troféu, quando faltando dez minutos para o final, Iván Zamorano deu sobrevida a Roy Hodgson e seus pupilos. Persistindo a igualdade na prorrogação, o jeito foi aguardar o grande vencedor após a disputa de pênaltis.
Enquanto o mesmo Zamorano e Aron Winter desperdiçavam suas cobranças pelo lado italiano, Anderbrügge, Thon, Max e Wilmots convertiam para os alemães. Apenas Youri Djorkaeff marcou pela Inter e o placar ficou em 4-1 para o visitante, que ergueu a taça com muito mérito após duras penas.
Campanha
1a rodada
Schalke 3-0 Roda JC
Roda JC 2-2 Schalke
2a rodada
Schalke 1-0 Trabzonspor
Trabzonspor 3-3 Schalke
3a rodada
Club Brugge 2-1 Schalke
Schalke 2-0 Club Brugge
Quartas de final
Schalke 2-0 Valencia
Valencia 1-1 Schalke
Semifinal
Tenerife 1-0 Schalke
Schalke 2-0 Tenerife
Final
7 de maio de 1997 - Parkstadion, Gelsenkirschen
Schalke 1-0 Internazionale
21 de maio de 1997 - Giuseppe Meazza, Milão
Internazionale 1-0 Schalke (1-4 nos pênaltis)
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Fomos campeões: Galatasaray 1999-2000
| Jogadores do Galatasaray comemoram o título da Copa da UEFA (Getty Images) |
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP
O Galatasaray é muito mais do que um simples clube do futebol turco, é um dos grandes responsáveis a levar o futebol das terras do antigo Império Otomano a ser reconhecido na Europa. Na temporada 1988-89, o já havia conquistado um enorme feito para a sua história e do esporte de sua terra: chegou a semifinal da Liga dos Campeões. Contudo, foi em 1999-00 que veio a consagração do pessoal que traz consigo as cores do Mc Donald's: o título da Copa da UEFA.
Naquela época de 1998-99, os Leões acabaram por conquistar o Campeonato Turco e o direito de participar da LC. Porém, logo na 1ª fase de grupos, acabaram por ficar na terceira colocação em seu grupo. Concorrendo com Chelsea, Hertha Berlin e Milan, o esquadrão de Istambul ainda ficou na frente do tradicionalíssimo rubronegro italiano, ganhando como prêmio de consolação a vaga na Copa UEFA.
No plantel, nomes interessantes não faltavam. Responsável por fechar o gol, o já experiente e tetracampeão mundial Taffarel era titular absoluto do time. Na zaga aparecia Gheorge Popescu, xerifão não só apenas no Gala, como na seleção romena. O ataque, por sua vez, era liderado pelo turco Hakan Sükür, que em 2002 marcaria o gol mais rápido da história das Copas. Por último e não menos especial, Gheorghe Hagi, que mesmo fim de carreira, era o grande nome e maestro dessa equipe.
Mas bem, o Galatasaray por ter vindo do certame estrelado, entrou na Copa da UEFA logo na terceira fase e o seu primeiro adversário foi o Bologna. Na partida de ida, realizada na Itália, um gol de Sükür nos últimos minutos acabou por garantir um empate em 1-1. Pela segunda perna, o lado turco não deu chances aos rossoblu e com uma vitória de 2-1 garantiram vaga nas oitavas de final.
Era hora de passar pelas oitavas, o adversário seria mais difícil. Pela frente, os leões teriam o Borussia Dortmund. Já no primeiro jogo, Hagi e seus comparsas trataram de deixar a vaga bem encaminhada. Em pleno Westfalenstadion, o Maradona dos Cárpatos e Sükür marcaram, sacramentando uma brilhante vitória por 2-0. Mesmo jogando em casa na volta, o Galatasaray administrou a vantagem, segurando o 0-0 e carimbando o passaporte para o próximo round.
E quem diria que o confronto das quartas seria o menos complicado? Contra o Mallorca, os Leões deitaram e rolaram na partida na Espanha, venceram por 4-1 e garantiram tranquilidade total pro jogo da volta, realizado em seus domínios. No Ali Sami Yen veio uma vitória por 2-1 sem dificuldade e o Galatasaray teria de superar o Leeds nas semifinais.
Diante dos ingleses, os turcos ressaltaram bem sua força. Jogando em Istambul, Sükür e o zagueiro brasileiro Capone marcaram assegurando o 2-0. um jogo bastante equilibrado, diante de um Leeds disposto a tudo para ficar com a vitória no Elland Road, o Galatasaray buscou conter o ímpeto dos donos da casa logo no início. Hagi, de pênalti, abriu o placar. O gol de empate dos Whites marcado por Eirik Bakke reacendeu as esperanças, mas a noite era dos atrevidos visitantes. Sükür, sempre ele) fez 2-1 e ainda deu tempo para um empate, novamente com Bakke, mas a vaga na grande decisão era dos Leões.
Na outra chave de semifinal, o Arsenal de Henry, Kanu e trupe ilimitada venceu o Lens, se garantindo para enfrentar o Galatasaray na Dinamarca, mais precisadamente no Parken Stadium, localizado em Copenhague.
Mas bem, o Galatasaray por ter vindo do certame estrelado, entrou na Copa da UEFA logo na terceira fase e o seu primeiro adversário foi o Bologna. Na partida de ida, realizada na Itália, um gol de Sükür nos últimos minutos acabou por garantir um empate em 1-1. Pela segunda perna, o lado turco não deu chances aos rossoblu e com uma vitória de 2-1 garantiram vaga nas oitavas de final.
Era hora de passar pelas oitavas, o adversário seria mais difícil. Pela frente, os leões teriam o Borussia Dortmund. Já no primeiro jogo, Hagi e seus comparsas trataram de deixar a vaga bem encaminhada. Em pleno Westfalenstadion, o Maradona dos Cárpatos e Sükür marcaram, sacramentando uma brilhante vitória por 2-0. Mesmo jogando em casa na volta, o Galatasaray administrou a vantagem, segurando o 0-0 e carimbando o passaporte para o próximo round.
E quem diria que o confronto das quartas seria o menos complicado? Contra o Mallorca, os Leões deitaram e rolaram na partida na Espanha, venceram por 4-1 e garantiram tranquilidade total pro jogo da volta, realizado em seus domínios. No Ali Sami Yen veio uma vitória por 2-1 sem dificuldade e o Galatasaray teria de superar o Leeds nas semifinais.
| Hagi disputa bola com Danny Mills do Leeds em jogo que valeu vaga na final (AFP) |
Na outra chave de semifinal, o Arsenal de Henry, Kanu e trupe ilimitada venceu o Lens, se garantindo para enfrentar o Galatasaray na Dinamarca, mais precisadamente no Parken Stadium, localizado em Copenhague.
O capítulo final
Na finalíssima, o clima era de tensão e ansiedade, já que o duelo marcaria o encontro de dois atletas que viviam grande fase: Hagi pelo Galatasaray e Bergkamp pelo Arsenal. A imprensa europeia apontava os Gunners como grandes favoritos para o jogo, entretanto, a fanática torcida turca se mostrava esperançosa para o confronto, fato comprovado pelos 10 mil rubroamarelos estavam no estádio.
O primeiro tempo da decisão foi bastante tenso. Kormaz e Buruk demonstravam claro nervosismo e por entradas fortes levaram cartão amarelo logo na metade inicial da primeira etapa. Quanto ao Arsenal, Patrick Vieira também optou por abrir a caixa de ferramentas logo cedo, enquanto isso, Tony Adams buscava desmoralizar os adversários declamando "belas" palavras ao pé do ouvido. Com clara angústia dos dois lados, faltaram jogadas de efeito nos 45 iniciais, salvo uma boa jogada de Hagi que culminou em finalização de Sükür nada demais aconteceu.
Logo nos primeiros minutos da volta do intervalo, os turcos já foram buscar a surpresa e Seaman fez bela defesa em chute de longa distância de Arif. Contudo, logo o Arsenal conseguiu encaixar um bom estilo de jogo que privilegiava a velocidade de Henry e Overmars nos contra-ataques. Taffarel começava a se consagrar fazendo grandes defesas e assegurando que a decisão fosse para a prorrogação.
No tempo extra, o Galatasaray se complicou no começo quando Hagi agrediu Tony Addams e foi expulso. Com um homem a mais, o Arsenal correu atrás do gol de ouro, com destaque maior para duas excelentes finalizações, uma de Henry e outra de Kanu, que novamente mostraram o potencial do goleiro tetracampeão mundial. Chegava a hora que se separaria os meninos dos homens, a decisão de pênaltis decidiria o campeão daquele ano.
A agonia pela decisão de pênaltis seria menor pelo lado rubroamarelo. Taffarel voltaria a se consagrar e garantiu de vez o prêmio de melhor jogador da final. O guarda metas brasileiro foi responsável por defender a cobrança de Süker e contar com o erro de Vieira para garantir o inédito título do time turco, que acertou todas as cobranças com Penbe, Sükür, Davala e Popescu. Parlour ainda converteu sua cobrança a favor do Arsenal.
3ª fase
Bologna 1-1 Galatasaray
Galatasaray 2-1 Bologna
Oitavas de final
Dortmund 0-2 Galatasaray
Galatasaray 0-0 Dortmund
Quartas de final
Mallorca 1-4 Galatasaray
Galatasaray 2-1 Mallorca
Semifinal
Galatasaray 2-0 Leeds
Leeds 2-2 Galatasaray
Final, 17 de maio de 2000, Parken Stadion - Copenhague
Galatasaray 0-0 Arsenal (4-1 nos pênaltis)
terça-feira, 13 de março de 2012
TF História: Ipswich e a sombra de Bobby Robson
| Bobby Robson e a taça UEFA de 1981 (Site oficial Ipswich) |
De Zlatibor-SRB
Poucos treinadores tem sua carreira atrelada a certa campanha ou time como o lendário Sir Bobby Robson. Certamente o maior nome da história do Ipswich Town (hoje figurante da Npower Championship), Bobby foi contemporâneo e rival do não menos genial Brian Clough, que deu a Derby County e Nottingham Forest seus maiores períodos de glória. Para o mal, temos outro grande exemplo como o de Béla Guttmann, campeão europeu com o Benfica e que amaldiçoou os Encarnados anos depois ao ser praticamente dispensado do comando da equipe.
Sempre com muita classe e sabedoria, Robson foi um dos grandes exemplos dentro do esporte, de que a inteligência e disposição tática faziam sim tanta diferença quanto o talento ou a superioridade técnica. Na Inglaterra, fez seu nome inicialmente como jogador. Atacante, chegou a ser convocado algumas poucas vezes para o English Team, em cinco anos. Se aposentou como atleta em 1968, assumindo de imediato o comando técnico do Fulham.
Em 1969 seria o treinador do Ipswich, cargo que teria até 1982. Já campeões nacionais em 1962 sob a batuta de Alf Ramsey (por coincidência campeão do mundo com a Inglaterra quatro anos depois) e ainda vindos de um acesso da Segunda divisão, os Tractor Boys foram novamente rebaixados em 1964. Foi Bill McGarry o homem a tirar o clube de apuros e ganhar nova promoção em 1968. De partida para o Wolverhampton, foi substituído por Robson, que levaria a acanhada equipe ao hall das grandes forças britânicas nas décadas de 1970 e 80.
No Portman Road, não viu limites para seus pupilos. Apostando sempre em crias da base do Ipswich, pouco contratou durante sua passagem por lá. Conquistou uma Texaco Cup em 1973, uma competição que envolvia clubes do Reino Unido que não haviam se classificado para outras taças europeias. Começava ali o ressurgimento dos Tractor Boys para o futebol inglês.
As louváveis e consequentes campanhas dos comandados de Robson culminaram em uma grande final frente o Arsenal em 1978 pela F.A Cup, na qual o Ipswich venceu por 1-0. Não bastasse as grandes caminhadas que por vezes incomodaram os rivais diretos e deram esperança de novos títulos da Liga aos torcedores, mais um caneco viria em curto espaço de tempo.
Com a terceira colocação no Inglês de 1979/80, a nova possibilidade de ingressar na extinta Copa UEFA. Deixando pelo caminho Aris, Bohemians Praga, Widzew Lodz, Saint-Étienne e Colônia antes da eletrizante decisão contra o AZ Alkmaar. O caneco veio após um 3-0 no Portman Road e 2-4 na Holanda. A primeira conquista internacional daquele plantel, em 1981, foi também o marco da transição de Robson na carreira. O English Team o esperava novamente.
O mestre e seus promissores pupilos
Bobby esteve no comando da seleção inglesa nos mundiais de 1986 e 1990, alcançando as fases de quartas e semifinais, respectivamente. Logo depois da Copa na Itália, encarou a tarefa de domar o PSV, com um elenco deveras difícil de lidar, em especial Romário, que lhe confrontou algumas vezes em seu tempo por Eindhoven. Com todos estes elementos, Robson ergueu o bicampeonato holandês.
Migrou então para Portugal, onde assinaria com o Sporting em 1992. A parte interessante da história vem quando você sabe quem era o intérprete de Bobby nos Leões. José Mourinho, que somava trabalhos como assistente no Estrela Amadora e nas camadas jovens do Vitória de Setúbal era o fiel escudeiro do inglês em Lisboa.
Passando em branco pelo clube lisboeta, Robson não obteve êxito ao tentar confrontar a diretoria sportinguista, que administrava mal a política interna. Derrotado nas oitavas de final da Copa UEFA de 1993/94 pelo Casino (atual Red Bull) Salzburg, acabou sacado do comando ao fim de 1993.
Foi aí que o Porto enxergou a grande chance de manter a hegemonia no cenário nacional. Bicampeões portugueses em 1995 e 1996, os Dragões contavam com uma defesa imponente, base da seleção lusa. Além do triunfo duplo na Liga, A parceria entre Mou e Sir Bobby vingou e representava a harmonia entre as tendências táticas de cada um dos dois. Zé, que havia começado apenas como intérprete, se tornou vital no planejamento do chefe inglês. Neste intervalo, outra cria foi surgindo nos celeiros de manager em Portugal. André Villas-Boas, que morava no mesmo prédio que Robson, fez questão de mostrar a sua capacidade ao treinador do FCP.
Villas-Boas ganhou a condição de pupilo, aos 16 anos, tomando conta de times juniores do Porto na ocasião, já que era menor e não poderia assumir funções profissionais. Fez parte de sua preparação no Reino Unido e estágio no Ipswich, que consagrou o seu mentor. Anos depois viraria braço direito de Mourinho no mesmo Porto.
Não demorou a Sir Bobby ser chamado pela alta cúpula blaugrana. Ele colhia os frutos do sucesso por onde pisava e no Camp Nou não seria diferente. Responsável pela contratação de Ronaldo, o inglês desenvolveu um plantel eficiente e levantou uma Supercopa Europeia, uma Supercopa espanhola e uma Copa do Rei no período de dois anos, que também seria sua última honraria refletida em taças.
Retornou rapidamente ao PSV, por apenas uma época. Terceiro colocado na Eredivisie, garantiu apenas uma vaga europeia aos rapazes de Eindhoven antes de realizar o antigo sonho de ser treinador do Newcastle. Por quase cinco anos ficou à frente dos Magpies de St. James Park. De 1999 a 2004 sofreu com os altos e baixos do time que ainda enfrentaria nebulosa maior com o rebaixamento em 2008/09.
Condecorado com o ingresso ao Hall da fama do futebol inglês e muitas outras formas de reconhecimento pelo papel desempenhado em mais de 50 anos dedicados ao futebol, Sir Bobby Robson faleceu em 2009 aos 76 anos, vítima de um câncer no pulmão.
Ipswich e os intermináveis anos de frustração
O Ipswich, por sua vez, desceu a ladeira. No mesmo efeito de Clough-Forest, provou do rebaixamento e a estagnação em divisões inferiores, poucos anos depois. Sem disputar a Premier League desde 2001, os Tractor Boys convivem com a sombra de um passado dourado e brilhante. Acostumados a ficarem na parte de baixo da classificação da Npower Championship, permanecem sem perspectiva alguma de crescimento ou recuperação nos próximos anos.
Enfrentando uma falência administrativa no início da década passada, quase conseguiram o retorno em 2004/05 à Premier League, sendo eliminados nos playoffs pelo West Ham. A compra do clube por Marcus Evans, empresário inglês, em 2007 ajudou a simpática agremiação a sobreviver. Entretanto, isso não significa que haja algum sucesso em âmbito nacional, tendo em vista a ineficácia do Ipswich de bater os piores competidores na segundona, longe de qualquer briga por título.
Carentes de holofotes e motivação, os Tractor Boys atualmente vivem apenas das memórias do que foi construído por Sir Bobby, já em outro plano. Outrora campeões nacionais e da Europa, fizeram o caminho dos decadentes que só podem lutar para sair do fundo do poço. Resta esperar que um novo guia os conduza rumo à redenção, o que seria perfeitamente plausível dentro do futebol, que sempre reserva grandes surpresas.
| Ipswich derrotou Arsenal na final da F.A Cup de 1978: Robson fez o time ser um dos grandes no país. *O segundo à esquerda não é o Seu Madruga* (Foto: BBC) |
Com a terceira colocação no Inglês de 1979/80, a nova possibilidade de ingressar na extinta Copa UEFA. Deixando pelo caminho Aris, Bohemians Praga, Widzew Lodz, Saint-Étienne e Colônia antes da eletrizante decisão contra o AZ Alkmaar. O caneco veio após um 3-0 no Portman Road e 2-4 na Holanda. A primeira conquista internacional daquele plantel, em 1981, foi também o marco da transição de Robson na carreira. O English Team o esperava novamente.
| Robson voltou a se firmar como grande treinador de clubes após a Copa de 1990, no PSV (PSV.nl) |
Bobby esteve no comando da seleção inglesa nos mundiais de 1986 e 1990, alcançando as fases de quartas e semifinais, respectivamente. Logo depois da Copa na Itália, encarou a tarefa de domar o PSV, com um elenco deveras difícil de lidar, em especial Romário, que lhe confrontou algumas vezes em seu tempo por Eindhoven. Com todos estes elementos, Robson ergueu o bicampeonato holandês.
Migrou então para Portugal, onde assinaria com o Sporting em 1992. A parte interessante da história vem quando você sabe quem era o intérprete de Bobby nos Leões. José Mourinho, que somava trabalhos como assistente no Estrela Amadora e nas camadas jovens do Vitória de Setúbal era o fiel escudeiro do inglês em Lisboa.
Passando em branco pelo clube lisboeta, Robson não obteve êxito ao tentar confrontar a diretoria sportinguista, que administrava mal a política interna. Derrotado nas oitavas de final da Copa UEFA de 1993/94 pelo Casino (atual Red Bull) Salzburg, acabou sacado do comando ao fim de 1993.
| Dupla com Mourinho foi bem sucedida no Porto e no Barcelona Foto: It's the football, that's the football |
Villas-Boas ganhou a condição de pupilo, aos 16 anos, tomando conta de times juniores do Porto na ocasião, já que era menor e não poderia assumir funções profissionais. Fez parte de sua preparação no Reino Unido e estágio no Ipswich, que consagrou o seu mentor. Anos depois viraria braço direito de Mourinho no mesmo Porto.
| Mou, Sir Bobby e Ronaldo: mais sucesso no último ato da parceria (Mourinho fans) |
Retornou rapidamente ao PSV, por apenas uma época. Terceiro colocado na Eredivisie, garantiu apenas uma vaga europeia aos rapazes de Eindhoven antes de realizar o antigo sonho de ser treinador do Newcastle. Por quase cinco anos ficou à frente dos Magpies de St. James Park. De 1999 a 2004 sofreu com os altos e baixos do time que ainda enfrentaria nebulosa maior com o rebaixamento em 2008/09.
Condecorado com o ingresso ao Hall da fama do futebol inglês e muitas outras formas de reconhecimento pelo papel desempenhado em mais de 50 anos dedicados ao futebol, Sir Bobby Robson faleceu em 2009 aos 76 anos, vítima de um câncer no pulmão.
| Lee Bowyer: veterano e referência no elenco dos Tractor Boys (betting.stanjames.com) |
O Ipswich, por sua vez, desceu a ladeira. No mesmo efeito de Clough-Forest, provou do rebaixamento e a estagnação em divisões inferiores, poucos anos depois. Sem disputar a Premier League desde 2001, os Tractor Boys convivem com a sombra de um passado dourado e brilhante. Acostumados a ficarem na parte de baixo da classificação da Npower Championship, permanecem sem perspectiva alguma de crescimento ou recuperação nos próximos anos.
Enfrentando uma falência administrativa no início da década passada, quase conseguiram o retorno em 2004/05 à Premier League, sendo eliminados nos playoffs pelo West Ham. A compra do clube por Marcus Evans, empresário inglês, em 2007 ajudou a simpática agremiação a sobreviver. Entretanto, isso não significa que haja algum sucesso em âmbito nacional, tendo em vista a ineficácia do Ipswich de bater os piores competidores na segundona, longe de qualquer briga por título.
Carentes de holofotes e motivação, os Tractor Boys atualmente vivem apenas das memórias do que foi construído por Sir Bobby, já em outro plano. Outrora campeões nacionais e da Europa, fizeram o caminho dos decadentes que só podem lutar para sair do fundo do poço. Resta esperar que um novo guia os conduza rumo à redenção, o que seria perfeitamente plausível dentro do futebol, que sempre reserva grandes surpresas.
domingo, 11 de março de 2012
TF História: Petric, o multi homem do Basel
| Petric teve seu momento épico durante a passagem pelo Basel (Welt.de) |
De Novi Sad-SRB
Era novembro de 2006 e a Copa UEFA rodava a todo vapor para definir os classificados para a etapa de mata mata. O grupo E tinha Blackburn, Nancy, Feyenoord, Wisla Krakow e Basel. Os suíços, em dada jornada, lutavam para abocanhar a segunda vaga para o próximo round. Somando apenas um ponto, enfrentariam o Nancy no St. Jakob, na Basileia.
Pois bem, o Basel à época contava com um seleto pelotão estrangeiro. Apenas Zanni era natural da Suíça entre os onze iniciais, figurando num elenco com atletas já renomados como Kuzmanovic, Rakitic, Chipperfield, Ergic, Sterjovski e Petric, o protagonista dessa curta história de hoje. Não bastasse o amontoado eslavo escalado pelo então treinador Christian Gross, aquela partida em especial seria marcada pelas participações de australianos.
| Kim e um voleio na cara de Chipperfield (UEFA) |
Truncado, o confronto teve os franceses saindo na frente, aos 32 pelos pés de Kim (sim, aquele mesmo, que hoje está no Vasco). Um minuto depois, Chipperfield empatou. Não satisfeitos, os visitantes desempataram novamente, com Berenguer. Só aos 12 da etapa complementar Sterjovski daria números iguais ao marcador.
O Nancy tomou conta do segundo tempo e estava com a faca e o queijo nas mãos, quando Kim tabelou com Issiar Dia, disparando na esquerda. O senegalês cortou para o lado de fora e tentou o drible no arqueiro Costanzo, que saiu assaz atrapalhado para pegar a bola e acertou as pernas do rival, cometendo pênalti. Detalhe, o lance foi nos acréscimos.
"Cara, e agora?", indagou o argentino, expulso de campo. "Sai que é minha, mano", respondeu sem pestanejar o croata Petric. "Como assim, véi?" tornou a indagar o guarda redes. "Deixa que eu vou resolver essa parada, senta lá no banco que é nois, irmão", completou o croata ao pegar as luvas e a camisa já suja do colega. "Firmeza, vai lá, brou", aceitou Costanzo.
Saindo de campo frustrado pela bobagem, o arqueiro já esperava pelo pior. A culpa pela derrota e virtual eliminação, a bronca do pofexô Gross, a cobrança da torcida do Basel. Parado debaixo das traves, Petric assumiria mais uma responsabilidade além da de ser craque do elenco. De ser um dos poucos jogadores de linha a quebrarem galho no gol e passarem sem ser vazados.
Chretien, que havia ingressado na peleja já no segundo tempo se encarregou da cobrança. Petric abriu as asas e se preparou para escolher o canto. Na bola, o marroquino estava tenso com a importância da penalidade. Como dizem os antigos, correu e telegrafou o local do chute, facilitando a vida de Mladen, que deu um passo maroto à frente e acertou o lado. Em dois tempos (quase soltou a pelota) praticou a defesa e evitou a derrota, de forma heroica e inesperada.
Em tempo, o embate terminou em 2-2, e por obra do destino, o Basel foi lanterna do grupo. Eliminado e perdendo seu último compromisso frente o Wisla, por 3-1 na derradeira ronda daquele certame que teve como campeão o Sevilla, em eletrizante final contra o Espanyol.
O restante da história de Petric vocês já sabem. Peça essencial na seleção croata, já soma passagens por Borussia Dortmund e Hamburgo. No entanto, seus gols jamais chegarão ao tom épico daquele inusitado penal defendido na extinta Copa UEFA.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Fomos campeões: Bayer Leverkusen 1987-88
| Erick Ribbeck ao lado de Cha-Bum-Kum: Bayer não é tão derrotado como sugerem (UEFA) |
De um filme de suspense-SP
Quando se fala em Bayer Leverkusen, logo se associa a imagem de um clube azarado, amarelão, fama adquirida nos últimos anos, especialmente na década de 2000. Experiente no quesito "perder campeonatos para si mesmo", a equipe germânica levantou um caneco internacional em 1988, acredite. Vencendo a extinta Copa UEFA em 1988, os rapazes da farmácia entraram no seleto grupo de clubes alemães a ter conquistas continentais.
O sexto lugar na Bundesliga ao fim de 1986/87 credenciou os rubronegros a disputarem a segunda competição mais relevante de clubes na Europa. Na teoria, não era lá um plantel de botar medo nos adversários. Na prática, muito menos (risos). Capitaneados pelo já veterano Wolfgang Rolff, com passagens por Hamburgo, Colônia, Strasbourg e Karlsruhe, o Bayer ainda tinha como trunfo o já famoso Tita (ele mesmo), o grego Minas Hantzidis e o pioneiro coreano no velho continente, Cha Bum-Kum.
No primeiro embate ainda na rodada inicial (eliminatória em dois jogos), fora de casa contra o Austria Viena, um 0-0 insosso. Para a segunda perna do confronto, no Ulrich Haberland Stadion (atualmente com o nome BayArena) a surpreendente arrancada. 5-1 nos vizinhos vienenses foi o ticket alemão para a próxima fase. Representando bem o país ao lado de Borussia Dortmund, Monchengladbach e Werder Bremen, os rapazes da farmácia teriam pela frente o Toulouse de Yannick Stopyra e Dominique Rocheteau, ambos presentes no Mundial de 86 onde Les Bleus foram derrotados pela National Mannschaft nas semifinais.
Foi osso duro de roer. Empate na bacia das almas por 1-1 no Municipal de Toulouse. As principais equipes francesas viviam seus últimos suspiros de glória fora de seu território. Que dirá o Marseille, campeão da Liga dos Campeões, anos depois. O pingo de esperança de Les Pitchouns (os garotos, em francês) se esvaiu quando o Leverkusen conseguiu a vantagem mínima em seus domínios, deixando pelo caminho o último competidor oriundo da França, já que o Auxerre havia sido derrotado já na primeira fase.
O grau de dificuldade ia aumentando cada vez mais, afunilando e separando os grandes candidatos das zebras. Na terceira fase já não era fácil para ninguém, exceto para Barcelona e para o Werder, que duelavam contra Flamurtari Vlore, da Albânia, e Dinamo Tblisi, da Geórgia [ainda integrante da URSS], respectivamente. E convenhamos, foi tarefa fácil passar destes obstáculos. Agora, para o Bayer, era hora de tentar a sorte contra o Feyenoord, sem grandes nomes memoráveis. O equilíbrio prevaleceu na peleja marcada para o De Kuip, em Roterdã. 2-2 foi um resultado justo para dois oponentes que buscaram o ataque.
Era também chegado o ponto para o treinador Erick Ribbeck pensar sobre a postura adotada pelos seus comandados. Sem apresentar todo o seu potencial longe de casa, o técnico tratou de focar na defesa, em não levar mais tantos gols, colocando em risco a participação da equipe no torneio, visto que o saldo de gols nas duas pernas poderia fazer a diferença. Assim se fez, e na Alemanha, para o retorno contra os holandeses, o Leverkusen deixou o seu modesto gol e administrou a situação para às quartas de final, contra o Barcelona.
Como sempre, os blaugrana tinham um elenco forte, consistente e com certo toque de seleção, com seus craques de nível internacional. Andoni Zubizarreta, Bernd Schuster, Gary Lineker, Steve Archibald e Mark Hughes eram as estrelas da companhia. Não como nesta edição da LC, os espanhois tiveram mais trabalho para tentar vencer o lado germânico. Invertendo as lições de Ribbeck, o Leverkusen empatou sem gols em casa e partiu para jogar o tudo ou nada no Camp Nou, palco de lendários confrontos desde que o futebol é futebol.
No entanto, a estrela de Tita brilharia para decidir o vencedor daquele encontro. Ele havia sido campeão mundial pelo Flamengo em 1981 e em 1983 pelo Grêmio, quando chegou ao Leverkusen em 1987 e só ficou por lá justamente durante o período que conquistou o caneco desta Copa UEFA. Numa tarde onde a torcida do Barça não marcou presença, o cotejo era truncado, bem marcado e sem muitas chances. Aos 59', o atacante brasileiro marcaria o gol solitário para o lado alemão, que enfrentaria um rival do próprio país na semifinal.
A tendência para testar os torcedores cardíacos continuava no estilo do Leverkusen. Alois Reinhardt balançou as redes do Bremen aos 61', iluminando uma partida complicadíssima na BayArena. Ribbeck estava satisfeito, pois jogando feio ou não, o bom trabalho aparecia, os bons resultados eram fruto de consistência e o rubronegro mal sofria gols. No Weser Stadion, novo empate sem gols e a vaga na decisão para enfrentar o Espanyol, que superou o Club Brugge na outra chave de semifinal.
Final equilibradíssima só vê vencedor nas penalidades
Veja bem, o Espanyol não era lá um adversário fácil de ser batido. Treinados pelo polêmico Javier Clemente, os blanquiblaus desmontaram o sistema defensivo quase infalível do Bayer, marcando três gols com Losada (2) e Soler. A retaguarda espanhola também era consistente, com Golobart, Miguel Ángel, Santiago Urquiaga e José Maria Gallart, sem falar no excelente e lendário arqueiro camaronês Thomas N'Kono. O placar de 3-0 no Sarriá foi um duro golpe na confiança de Ribbeck e seus comandados, mas ainda haviam 90 minutos de jogo em casa.
Era 18 de maio de 1988, e o clima era de preocupação. Tendo de reverter a desvantagem, o Bayer entrou em campo para fazer uma atuação épica afim de sair de campo com o troféu. Foi-se todo um primeiro tempo tenso e com pressão em cima da defesa espanhola. Foi preciso 11 minutos da etapa final para que Cha Bum-Kum partisse pela direita e fizesse o cruzamento. Golobart domina e ao sair jogando, se atrapalha e não vê Tita se aproximar para dar um toque e inaugurar o marcador. Visivelmente com pressa, o brasileiro correu com a bola para o meio campo, não havia tempo para comemorações. Minutos depois, foi substituído por Klaus Täuber e viu do banco de reservas o desfecho dramático.
Com maestria, Täuber recebe na esquerda e dispara. Em certo ponto mira o cruzamento e manda a bola com força para a área. Falko Götz mergulha e cabeceia para fazer o segundo, aos 63'. Ainda faltava um. De forma heróica em falta cobrada por Rolff, o coreano Cha sobe mais alto que os oponentes e dá números iguais à decisão em Leverkusen. Teríamos penais para definir o vencedor.
Pichi Alonso cobrou e colocou o Espanyol na frente. Ralf Falkenmayer desperdiçou a primeira cobrança para o Bayer. Job converteu e Rolff também fez sua parte. A história mudaria ali. Urquiaga carimbou o travessão e Herbert Waas marcou, igualando as penalidades. Malandro, Rüdiger Vollborn intimidava os adversários com tímidas dancinhas (emulando Bruce Grobelaar em 1984). Manuel Zuñiga chutou mal e o guarda metas alemão defendeu, no meio do gol. Täuber também converteu seu tiro e deixou nos pés de Sebastián Lozada, o artilheiro do rival, o peso de definir a disputa.
Nova provocação de Vollborn fez com que o atacante mandasse a bola pelo alto, dando a taça aos germânicos, que tanto foram eficientes na sua defesa e cederam apenas cinco gols ao longo do certame. Esse feito fica lembrado como o primeiro triunfo do Neverkusen, que depois disso só venceria em 1993 a DFB Pokal.
Bayer: Vollborn, Rolff, Seckler, Alois Reinhardt, Knut Reinhardt, Schreier (Waas), Bunkol, Falkenmayer, Cha Bum-Kum, Götz e Tita (Täuber). Téc: Erick Ribbeck
Espanyol: N'Kono, Miguel Ángel, Golobart (Zuñiga), Urquiaga, Gallart, Job, Orejuela (Zubillaga), Iñaki, Soler, Alonso e Losada. Téc: Javier Clemente
Todos os jogos do Bayer:
Primeira Rodada
Austria Viena 0-0 Bayer
Bayer 5-1 Austria Viena
Segunda Rodada
Toulouse 1-1 Bayer
Bayer 1-0 Toulouse
Terceira Rodada
Feyenoord 2-2 Bayer
Bayer 1-0 Feyenoord
Quartas de final
Bayer 0-0 Barcelona
Barcelona 0-1 Bayer
Semifinal
Bayer 1-0 Werder
Werder 0-0 Bayer
Final
Espanyol 3-0 Bayer
Bayer 3-0 Espanyol (3-2) (p)
O sexto lugar na Bundesliga ao fim de 1986/87 credenciou os rubronegros a disputarem a segunda competição mais relevante de clubes na Europa. Na teoria, não era lá um plantel de botar medo nos adversários. Na prática, muito menos (risos). Capitaneados pelo já veterano Wolfgang Rolff, com passagens por Hamburgo, Colônia, Strasbourg e Karlsruhe, o Bayer ainda tinha como trunfo o já famoso Tita (ele mesmo), o grego Minas Hantzidis e o pioneiro coreano no velho continente, Cha Bum-Kum.
No primeiro embate ainda na rodada inicial (eliminatória em dois jogos), fora de casa contra o Austria Viena, um 0-0 insosso. Para a segunda perna do confronto, no Ulrich Haberland Stadion (atualmente com o nome BayArena) a surpreendente arrancada. 5-1 nos vizinhos vienenses foi o ticket alemão para a próxima fase. Representando bem o país ao lado de Borussia Dortmund, Monchengladbach e Werder Bremen, os rapazes da farmácia teriam pela frente o Toulouse de Yannick Stopyra e Dominique Rocheteau, ambos presentes no Mundial de 86 onde Les Bleus foram derrotados pela National Mannschaft nas semifinais.
Foi osso duro de roer. Empate na bacia das almas por 1-1 no Municipal de Toulouse. As principais equipes francesas viviam seus últimos suspiros de glória fora de seu território. Que dirá o Marseille, campeão da Liga dos Campeões, anos depois. O pingo de esperança de Les Pitchouns (os garotos, em francês) se esvaiu quando o Leverkusen conseguiu a vantagem mínima em seus domínios, deixando pelo caminho o último competidor oriundo da França, já que o Auxerre havia sido derrotado já na primeira fase.
O grau de dificuldade ia aumentando cada vez mais, afunilando e separando os grandes candidatos das zebras. Na terceira fase já não era fácil para ninguém, exceto para Barcelona e para o Werder, que duelavam contra Flamurtari Vlore, da Albânia, e Dinamo Tblisi, da Geórgia [ainda integrante da URSS], respectivamente. E convenhamos, foi tarefa fácil passar destes obstáculos. Agora, para o Bayer, era hora de tentar a sorte contra o Feyenoord, sem grandes nomes memoráveis. O equilíbrio prevaleceu na peleja marcada para o De Kuip, em Roterdã. 2-2 foi um resultado justo para dois oponentes que buscaram o ataque.
Era também chegado o ponto para o treinador Erick Ribbeck pensar sobre a postura adotada pelos seus comandados. Sem apresentar todo o seu potencial longe de casa, o técnico tratou de focar na defesa, em não levar mais tantos gols, colocando em risco a participação da equipe no torneio, visto que o saldo de gols nas duas pernas poderia fazer a diferença. Assim se fez, e na Alemanha, para o retorno contra os holandeses, o Leverkusen deixou o seu modesto gol e administrou a situação para às quartas de final, contra o Barcelona.
Como sempre, os blaugrana tinham um elenco forte, consistente e com certo toque de seleção, com seus craques de nível internacional. Andoni Zubizarreta, Bernd Schuster, Gary Lineker, Steve Archibald e Mark Hughes eram as estrelas da companhia. Não como nesta edição da LC, os espanhois tiveram mais trabalho para tentar vencer o lado germânico. Invertendo as lições de Ribbeck, o Leverkusen empatou sem gols em casa e partiu para jogar o tudo ou nada no Camp Nou, palco de lendários confrontos desde que o futebol é futebol.
No entanto, a estrela de Tita brilharia para decidir o vencedor daquele encontro. Ele havia sido campeão mundial pelo Flamengo em 1981 e em 1983 pelo Grêmio, quando chegou ao Leverkusen em 1987 e só ficou por lá justamente durante o período que conquistou o caneco desta Copa UEFA. Numa tarde onde a torcida do Barça não marcou presença, o cotejo era truncado, bem marcado e sem muitas chances. Aos 59', o atacante brasileiro marcaria o gol solitário para o lado alemão, que enfrentaria um rival do próprio país na semifinal.
A tendência para testar os torcedores cardíacos continuava no estilo do Leverkusen. Alois Reinhardt balançou as redes do Bremen aos 61', iluminando uma partida complicadíssima na BayArena. Ribbeck estava satisfeito, pois jogando feio ou não, o bom trabalho aparecia, os bons resultados eram fruto de consistência e o rubronegro mal sofria gols. No Weser Stadion, novo empate sem gols e a vaga na decisão para enfrentar o Espanyol, que superou o Club Brugge na outra chave de semifinal.
| Losada sobe de cabeça para marcar o primeiro do Espanyol, no jogo de ida (The trequartista) |
Veja bem, o Espanyol não era lá um adversário fácil de ser batido. Treinados pelo polêmico Javier Clemente, os blanquiblaus desmontaram o sistema defensivo quase infalível do Bayer, marcando três gols com Losada (2) e Soler. A retaguarda espanhola também era consistente, com Golobart, Miguel Ángel, Santiago Urquiaga e José Maria Gallart, sem falar no excelente e lendário arqueiro camaronês Thomas N'Kono. O placar de 3-0 no Sarriá foi um duro golpe na confiança de Ribbeck e seus comandados, mas ainda haviam 90 minutos de jogo em casa.
Era 18 de maio de 1988, e o clima era de preocupação. Tendo de reverter a desvantagem, o Bayer entrou em campo para fazer uma atuação épica afim de sair de campo com o troféu. Foi-se todo um primeiro tempo tenso e com pressão em cima da defesa espanhola. Foi preciso 11 minutos da etapa final para que Cha Bum-Kum partisse pela direita e fizesse o cruzamento. Golobart domina e ao sair jogando, se atrapalha e não vê Tita se aproximar para dar um toque e inaugurar o marcador. Visivelmente com pressa, o brasileiro correu com a bola para o meio campo, não havia tempo para comemorações. Minutos depois, foi substituído por Klaus Täuber e viu do banco de reservas o desfecho dramático.
Com maestria, Täuber recebe na esquerda e dispara. Em certo ponto mira o cruzamento e manda a bola com força para a área. Falko Götz mergulha e cabeceia para fazer o segundo, aos 63'. Ainda faltava um. De forma heróica em falta cobrada por Rolff, o coreano Cha sobe mais alto que os oponentes e dá números iguais à decisão em Leverkusen. Teríamos penais para definir o vencedor.
Pichi Alonso cobrou e colocou o Espanyol na frente. Ralf Falkenmayer desperdiçou a primeira cobrança para o Bayer. Job converteu e Rolff também fez sua parte. A história mudaria ali. Urquiaga carimbou o travessão e Herbert Waas marcou, igualando as penalidades. Malandro, Rüdiger Vollborn intimidava os adversários com tímidas dancinhas (emulando Bruce Grobelaar em 1984). Manuel Zuñiga chutou mal e o guarda metas alemão defendeu, no meio do gol. Täuber também converteu seu tiro e deixou nos pés de Sebastián Lozada, o artilheiro do rival, o peso de definir a disputa.
Nova provocação de Vollborn fez com que o atacante mandasse a bola pelo alto, dando a taça aos germânicos, que tanto foram eficientes na sua defesa e cederam apenas cinco gols ao longo do certame. Esse feito fica lembrado como o primeiro triunfo do Neverkusen, que depois disso só venceria em 1993 a DFB Pokal.
| Vollborn foi essencial para a vitória nos penais (Spox.com) |
Espanyol: N'Kono, Miguel Ángel, Golobart (Zuñiga), Urquiaga, Gallart, Job, Orejuela (Zubillaga), Iñaki, Soler, Alonso e Losada. Téc: Javier Clemente
Todos os jogos do Bayer:
Primeira Rodada
Austria Viena 0-0 Bayer
Bayer 5-1 Austria Viena
Segunda Rodada
Toulouse 1-1 Bayer
Bayer 1-0 Toulouse
Terceira Rodada
Feyenoord 2-2 Bayer
Bayer 1-0 Feyenoord
Quartas de final
Bayer 0-0 Barcelona
Barcelona 0-1 Bayer
Semifinal
Bayer 1-0 Werder
Werder 0-0 Bayer
Final
Espanyol 3-0 Bayer
Bayer 3-0 Espanyol (3-2) (p)
domingo, 6 de novembro de 2011
Fomos campeões: Zenit 2007-08
![]() |
| Pogrebnyak e o grande Zenit campeão da Copa Uefa em 2008 (Detriva Blog) |
De São Paulo-SP
Numa edição marcada por surpresas interessantes classificadas para a decisão em Manchester, a Copa Uefa de 2007/08 teve como campeão o emergente Zenit, num desfecho que certamente não era previsto, ao olharmos para a fase preliminar. Contudo, apesar da controvérsia envolvendo o duelo contra o Bayern nas semifinais, não deixa de ser uma história interessante a ser contada.
Tudo começou com o quarto lugar na Premier League russa em 2006 (o calendário russo era idêntico ao brasileiro na ocasião), quando o CSKA levantou a taça e foi seguido por Spartak Moscou e Lokomotiv, antes dos rapazes celestes de St. Petersburgo. O consolo para uma campanha nacional mediana foi justamente a vaga para a Copa UEFA supracitada. Nela, os Bomzhi (algo como andarilhos em russo) se consolidaram como uma das novas forças impulsionadas por injeção financeira (da Gazprom neste caso), uma mania ainda em crescimento naquele ano no cenário europeu.
O primeiro passo para este reconhecimento veio contra o Zlaté Moravce, da Eslováquia, na segunda eliminatória. Dois passeios, fora e dentro de casa. 2-0 e 3-0 selaram o ingresso da celeste soviética ao próximo round. A seguir, viriam os belgas do Standard Liège, supostamente aumentando o grau do desafio do Zenit rumo à fase de grupos. No agregado, 4-1, com 3-0 no Petrovsky e 1-1 em Liège, em um confronto de certa forma simples para os russos.
Avançando para a chave A, ao lado de Everton, Nuremberg, AZ Alkmaar e Larissa, Arshavin e sua intrépida trupe por pouco não foram eliminados, ao ficarem na terceira colocação, somando cinco pontos em quatro jogos. Entretanto, a esperança ainda estava viva, mesmo com más apresentações neste round do certame. A única vitória dos bomzhi foi justamente contra o Larissa, por 3-2, fora de casa. Os gols foram marcados por Pogrebnyak, Zyrianov e Fatih Tekke.
Os muitos empates neste estágio não empolgavam muito a torcida e nem a diretoria, que acreditavam em melhores atuações e resultados. De tanto sofrer, na fase de 16 avos de final o Zenit reagiu, logo contra o Villarreal. Em difícil confronto em St. Petersburgo, Pogrebnyak fez o gol solo dos mandantes aos 64 minutos, dando tons de drama ao duelo contra os espanhóis.
Na volta, no El Madrigal, novamente Pogrebnyak deixou a sua marca, aos 31. O submarino amarelo bem que virou a parada, com Franco e Tomasson, no último minuto, mas a regra do gol fora de casa classificou os russos, já devidamente motivados. Para quem pensa que a missão ficou mais fácil a seguir, o Zenit teve o Marseille como adversário nas oitavas.
Os franceses estavam num processo de reestruturação e amargavam a hegemonia do Lyon no Francês. Jogando pela primeira perna do confronto, o Marseille emplacou 3-1 nos russos, com doblete de Cissé e outro de Niang. Arshavin descontou para os visitantes que sem sombra de dúvida ficaram em maus lençóis para tentar uma virada em território soviético.
Quem não tem Ronaldo, ataca com Pogrebnyak. O grandalhão mais uma vez foi fundamental para o triunfo azulado, marcando dois tentos (aos 39 e 78) e conduzindo o Zenit ao inédito papel nas quartas (2-0), deixando um forte Olympique de Cana, Nasri, Valbuena, Niang e Cissé para trás. Outra vez, se aproveitando do gol fora de casa, marca registrada dos russos na disputa.
Num instante raro de tranquilidade do Zenit na Copa UEFA, o Leverkusen foi atropelado em casa, pelo placar de 4-1, na BayArena. Arshavin iniciou os trabalhos aos 20, Kiessling empatou aos 31 e depois disso só ladeira abaixo para os germânicos. Pogrebnyak, Anyukov e Denisov resolveram o cotejo antes da marca de 15 da etapa complementar. Para a volta, no Petrovsky, Bulykin marcou para o Bayer e ao menos honrou seu grupo, 1-0.
O momento crucial da caminhada
O oponente da vez era o poderoso Bayern, que passeava pela Copa UEFA naquela temporada. Poderia em qualquer circunstância significar o fim do sonho para os russos, mas não nesta em especial. O primeiro capítulo da novela foi disputado na Allianz Arena em Munique, no dia 24 de abril de 2008. Ribéry abriu o marcador aos 18 e viu Lúcio descontar (contra) para o Zenit.
Para o embate no Petrovsky, o inesperado aconteceu. Mas vamos relatar o que aconteceu extra-campo. Em reportagem do Daily Mail, ainda em 2008, foi levantada a suspeita de uma "venda" do resultado favorável aos soviéticos. O Bayern teria aceitado perder a partida por 4-0, pelo valor de 50M de euros, acusava o promotor espanhol Baltazar Garzon, responsável pela Operação Troika. A ação envolveu 400 agentes da polícia espanhola e conseguiu deter cerca de 20 membros da máfia Tambovskaya, oriunda de St. Petersburg, nas cidades de Mallorca, Málaga, Madrid e Alicante, numa tacada só.
Os mafiosos foram detidos sob acusação de lavagem de dinheiro, tráfico de armas e entorpecentes, além de homicídios. O burburinho envolvendo uma suposta entrega por parte dos alemães fez sentido ao analisarmos a participação da defesa bávara nos tentos sofridos. Oliver Kahn falhou na metade dos gols e dividiu a parcela de culpa com o seus companheiros de setor, que também não colaboraram muito para evitar um massacre por parte do Zenit. *OBS: Nenhum vídeo deste jogo foi encontrado, todos foram removidos pela UEFA.
A diretoria soviética afirmou na ocasião não ter envolvimento e ainda declarou que o caso não passou de "uma ofensa às raízes do clube", em coletiva pouco depois do estouro do escândalo. Fecha parênteses, segue com o relato dentro das quatro linhas. Não é preciso dizer que nenhuma providência foi tomada pela UEFA, que investigou 26 partidas daquela edição da Copa UEFA e não teve evidências conclusivas. (Que surpresa)
Pogrebnyak inaugurou o marcador aos 4, Zyrianov aumentou aos 39, Fayzulin fez o terceiro aos 54 e o matador Pogrebnyak dobrou o seu feito aos 73, aproveitando-se da estranha fragilidade defensiva dos oponentes para chegar às redes. A façanha deixou a cidade de St. Petersburgo em festa, com fãs enlouquecidos como nunca antes na história da Rússia pós-dissolução da URSS.
Com vaga garantida na decisão, no estádio City of Manchester, o Zenit ainda teria de passar pelo Rangers para se sagrar campeão da Europa. Tarefa não muito desafiadora diante dos passados triunfos nas fases anteriores.
Em 14 de maio de 2008, Denisov (72´) e Zyrianov (93´) marcaram os gols que deram a taça UEFA aos celestes soviéticos. Arshavin foi o melhor homem em campo, sempre com muita criatividade e velocidade pelo lado bomzhi. O Rangers não foi páreo para os poderosos rapazes de St. Petersburg, como não haveria de ser depois da grande superação de seu rival naquela noite.
O legado ficou nos lados do Petrovsky. Um título nacional depois, o Zenit é hoje a principal força na Rússia (tanto como time a ser batido quanto no sentido de investimento) e colhe os frutos daquele 2008 inesquecível.
Zenit: Malafeev, Krizanac, Anyukov, Sirl e Shirokov. Tymoschuk, Zyrianov, Fayzulin e Denisov. Arshavin e Pogrebnyak. Téc: Dick Advocaat
Os muitos empates neste estágio não empolgavam muito a torcida e nem a diretoria, que acreditavam em melhores atuações e resultados. De tanto sofrer, na fase de 16 avos de final o Zenit reagiu, logo contra o Villarreal. Em difícil confronto em St. Petersburgo, Pogrebnyak fez o gol solo dos mandantes aos 64 minutos, dando tons de drama ao duelo contra os espanhóis.
Na volta, no El Madrigal, novamente Pogrebnyak deixou a sua marca, aos 31. O submarino amarelo bem que virou a parada, com Franco e Tomasson, no último minuto, mas a regra do gol fora de casa classificou os russos, já devidamente motivados. Para quem pensa que a missão ficou mais fácil a seguir, o Zenit teve o Marseille como adversário nas oitavas.
Os franceses estavam num processo de reestruturação e amargavam a hegemonia do Lyon no Francês. Jogando pela primeira perna do confronto, o Marseille emplacou 3-1 nos russos, com doblete de Cissé e outro de Niang. Arshavin descontou para os visitantes que sem sombra de dúvida ficaram em maus lençóis para tentar uma virada em território soviético.
Quem não tem Ronaldo, ataca com Pogrebnyak. O grandalhão mais uma vez foi fundamental para o triunfo azulado, marcando dois tentos (aos 39 e 78) e conduzindo o Zenit ao inédito papel nas quartas (2-0), deixando um forte Olympique de Cana, Nasri, Valbuena, Niang e Cissé para trás. Outra vez, se aproveitando do gol fora de casa, marca registrada dos russos na disputa.
Num instante raro de tranquilidade do Zenit na Copa UEFA, o Leverkusen foi atropelado em casa, pelo placar de 4-1, na BayArena. Arshavin iniciou os trabalhos aos 20, Kiessling empatou aos 31 e depois disso só ladeira abaixo para os germânicos. Pogrebnyak, Anyukov e Denisov resolveram o cotejo antes da marca de 15 da etapa complementar. Para a volta, no Petrovsky, Bulykin marcou para o Bayer e ao menos honrou seu grupo, 1-0.
| Imagem do duelo polêmico entre Zenit-Bayern, que levantou suspeitas de corrupção dos alemães (Daily Mail) |
O oponente da vez era o poderoso Bayern, que passeava pela Copa UEFA naquela temporada. Poderia em qualquer circunstância significar o fim do sonho para os russos, mas não nesta em especial. O primeiro capítulo da novela foi disputado na Allianz Arena em Munique, no dia 24 de abril de 2008. Ribéry abriu o marcador aos 18 e viu Lúcio descontar (contra) para o Zenit.
Para o embate no Petrovsky, o inesperado aconteceu. Mas vamos relatar o que aconteceu extra-campo. Em reportagem do Daily Mail, ainda em 2008, foi levantada a suspeita de uma "venda" do resultado favorável aos soviéticos. O Bayern teria aceitado perder a partida por 4-0, pelo valor de 50M de euros, acusava o promotor espanhol Baltazar Garzon, responsável pela Operação Troika. A ação envolveu 400 agentes da polícia espanhola e conseguiu deter cerca de 20 membros da máfia Tambovskaya, oriunda de St. Petersburg, nas cidades de Mallorca, Málaga, Madrid e Alicante, numa tacada só.
Os mafiosos foram detidos sob acusação de lavagem de dinheiro, tráfico de armas e entorpecentes, além de homicídios. O burburinho envolvendo uma suposta entrega por parte dos alemães fez sentido ao analisarmos a participação da defesa bávara nos tentos sofridos. Oliver Kahn falhou na metade dos gols e dividiu a parcela de culpa com o seus companheiros de setor, que também não colaboraram muito para evitar um massacre por parte do Zenit. *OBS: Nenhum vídeo deste jogo foi encontrado, todos foram removidos pela UEFA.
A diretoria soviética afirmou na ocasião não ter envolvimento e ainda declarou que o caso não passou de "uma ofensa às raízes do clube", em coletiva pouco depois do estouro do escândalo. Fecha parênteses, segue com o relato dentro das quatro linhas. Não é preciso dizer que nenhuma providência foi tomada pela UEFA, que investigou 26 partidas daquela edição da Copa UEFA e não teve evidências conclusivas. (Que surpresa)
Pogrebnyak inaugurou o marcador aos 4, Zyrianov aumentou aos 39, Fayzulin fez o terceiro aos 54 e o matador Pogrebnyak dobrou o seu feito aos 73, aproveitando-se da estranha fragilidade defensiva dos oponentes para chegar às redes. A façanha deixou a cidade de St. Petersburgo em festa, com fãs enlouquecidos como nunca antes na história da Rússia pós-dissolução da URSS.
Com vaga garantida na decisão, no estádio City of Manchester, o Zenit ainda teria de passar pelo Rangers para se sagrar campeão da Europa. Tarefa não muito desafiadora diante dos passados triunfos nas fases anteriores.
Em 14 de maio de 2008, Denisov (72´) e Zyrianov (93´) marcaram os gols que deram a taça UEFA aos celestes soviéticos. Arshavin foi o melhor homem em campo, sempre com muita criatividade e velocidade pelo lado bomzhi. O Rangers não foi páreo para os poderosos rapazes de St. Petersburg, como não haveria de ser depois da grande superação de seu rival naquela noite.
O legado ficou nos lados do Petrovsky. Um título nacional depois, o Zenit é hoje a principal força na Rússia (tanto como time a ser batido quanto no sentido de investimento) e colhe os frutos daquele 2008 inesquecível.
| Dick Advocaat é erguido pelos atletas na festa do título europeu (UEFA) |
Rangers: Alexander, Weir, Broadfoot, Papac e Cuéllar. Whittaker, Ferguson, Hemdani e Thomson. Davis e Darcheville. Téc: Walter Smith
Todos os jogos do Zenit
2ª Pré-eliminatória
Zlate Moravce 0-2 Zenit
Zenit 0-3 Zlate Moravce
Play-off
Zenit 3-0 Standard Liège
Standard Liège 1-1 Zenit
Fase de grupos
Zenit 1-1 AZ Alkmaar
Larissa 2-3 Zenit
Zenit 2-2 Nuremberg
Everton 1-0 Zenit
16 avos de final
Zenit 1-0 Villarreal
Villarreal 2-1 Zenit
Oitavas de final
Marseille 3-1 Zenit
Zenit 2-0 Marseille
Quartas de final
Leverkusen 1-4 Zenit
Zenit 0-1 Leverkusen
Semifinais
Bayern 1-1 Zenit
Zenit 4-0 Bayern
Final - 14 de maio de 2008 - City of Manchester Stadium
Zenit 2-0 Rangers
Zenit st vs Rangers Final match por Haja91
Assinar:
Postagens (Atom)





.jpg)



.jpg)
.jpg)
.jpg)
