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terça-feira, 9 de julho de 2013

Como Messi vai ganhar uma Libertadores pelo Newell´s


O ano é 2019. Messi está no seu primeiro ano longe do Barcelona e resolveu voltar ao Newell´s depois de seis meses frustrantes jogando pelo Málaga, onde chegou para ser o principal nome dos Boquerones na Liga dos Campeões.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Club Tijuana e o cartel

Campeão do Apertura mexicano em 2012, o jovem Tijuana é estreitamente ligado ao cartel de narcotraficantes da cidade (Foto: La Prensa San Diego)
Ligado ao cartel de narcotraficantes da cidade de Tijuana, o clube homônimo disputará a Libertadores pela primeira vez em sua história no ano de 2013. Em 1989, o Nacional de Medellín ostentava ligações semelhantes e sagrou-se campeão da mais importante competição interclubes da América do Sul

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Fomos Campeões: O mais surpreendente campeão da América

Foto: Abril
Once Caldas derruba Boca Juniors na final da Libertadores de 2004 e se torna a maior zebra na história da competição sul-americana; colombianos surpreenderam no mata-mata e ergueram o caneco

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Fomos Campeões: A última de Francescoli

Foto: El Gráfico
River conquista segunda Libertadores após dez anos e em cima do mesmo adversário: América de Cali encarna maldição sul-americana com quatro finais e quatro derrotas, sendo três delas consecutivas

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Fomos campeões: Um ano e três guerras

Foto: Folha de São Paulo
Palmeiras conquista a América em 1999 com a marca de Felipão: na raça e com altas doses de emoção; Corinthians tirou uma casquinha em uma das guerras e levou o Paulistão daquele ano

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Fomos Campeões: Uma América tricolor

Foto: Lancenet
São Paulo de Telê Santana derruba o Newell's de Bielsa e conquista a América de forma inédita; equipe campeã até hoje encanta amantes do futebol ao redor do mundo

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Chão de estrelas

Foto: Fox Sports
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Calando muitos críticos e céticos a respeito de sua maior conquista, o Corinthians venceu (e convenceu) o -Boca Juniors -segundo maior campeão do continente- e ergueu a Taça Libertadores da América diante de um Pacaembu lotado e pintado de preto e branco, como só a Fiel poderia fazer. 

Cantaria Nelson Gonçalves (em composição de Silvio Caldas) que os alvinegros "andaram cantando sua fantasia entre as palmas febris dos corações". Por todas as semanas que antecederam o duelo emocionante contra o Santos e por fim o que marcou a glória frente o Boca, o que mais se viu foi o orgulho corintiano levado às ruas, cantado a todo pulmão para quem quisesse ouvir que chegava a hora, que chegava a hora e chegava a hora.

O grito começou a ecoar mais alto no 1-1 em Buenos Aires. "Ninguém joga a bola que jogamos lá, agora em São Paulo é só correr pro abraço", diz o torcedor, o que por si é uma grande verdade, já que os soldados de Tite cumpriram sua missão de parar o imponente esquete xeneize quando ele mais cresceu. Romarinho, moleque de cabeça fria, concentrado e sem pressão, entrou e empatou. 

Muitos diziam que os argentinos, apesar de trazer um experiente e seguro Schiavi e o sempre venenoso Riquelme, não eram mais os mesmos. "Chegaram só com a camisa até aqui, duvido fazerem um bom papel contra esse Corinthians", se precipitaram alguns ignorantes escribas da bola, bola que nunca devem ter visto, jogado ou chegado perto num evento que não fosse exposição. Julio Cesar Falcioni também soube tirar o máximo de um elenco bravo, que se reergueu de anos medíocres se comparados à história boquense.

Terminou a noite de quarta, com 2-0 para o Timão no placar, dois gols de Emerson. Enlouquecida, a massa corintiana ergueu suas camisas, qual bandeiras agitadas, parecia um estranho festival. Foi a festa dos trapos alvinegros. Lembrando aquele que foi um patriarca, o camisa 8, o líder de uma democracia, os discípulos de Doutor Sócrates mais uma vez gritaram o nome de um herói, morto no dia da última grande alegria da equipe de Parque São Jorge. Justo seria com Doutor estar ali perto para ver o seu legado.

Com os braços ao alto, a Fiel cantarola o hino e enche as ruas com a sua festa tão esperada, a mostrar que  nos morros mal vestidos é sempre feriado nacional. É pisando num chão de estrelas que acorda o corintiano, colhendo os frutos dessa batalha que parecia ser incessante, mas enfim foi vencida. Necessário completar que nunca precisaram dela para serem grandes. Já eram enormes sem a taça, o que dizer agora que estão em posse dela?

A alegria dessa vida deve ser a cabrocha, o luar, e o Timão...



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Fomos campeões: Atlético Nacional 1989

Foto: Alineaciones internacional
Felipe Portes, @portesovic
De San Pablo-SP

Responsável direto pela evolução do futebol colombiano e primeiro campeão continental do país, o Atlético Nacional deixou seu nome na história da maior competição sul-americana no ano de 1989, ao levantar o caneco em vitória suada sobre o Olimpia. O feito só foi igualado em 2004, pelo Once Caldas, que de acordo com alguns, é o pior vencedor da Copa Libertadores. 

Vice-campeão do Apertura de 1988, Los Verdolagas acompanharam o Millonarios na edição de 1989 do torneio continental. Quando as equipes ainda eram concentradas em duas nações por chave, a Colômbia teve como par o Equador no agrupamento 3, representado por Deportivo Quito e Emelec. Com certa dificuldade, o Nacional somou sete pontos, depois de frustrar a torcida com três empates consecutivos no primeiro turno, todos em 1-1, fora de casa.

Importante observar que o perfil do Atlético era um rascunho daquilo que se tornaria a seleção de Carlos Valderrama, Freddy Rincón, Faustino Asprilla e Mauricio Serna, entre outros. Um futebol de força defensiva e muita técnica do meio campo e ataque. O aperfeiçoamento desse estilo tomou forma no início da década de 1990, com o seu auge em 1993, quando os cafeteros impuseram um 5-0 na Argentina de Maradona, nas Eliminatórias da Copa de 1994.

A inconstância inicial do plantel alviverde, que era comandado por Francisco Maturana, lendário treinador, revelou ao futebol nomes como René Higuita, Andrés Escobar (R.I.P), Luis Herrera, Luis Carlos Perea, Leonel Álvarez, Victor Marulanda, Albeiro Usuriaga, John Tréllez e o folclórico Victor Hugo Aristizábal (saudades, volta). Tido como elenco sólido para a disputa internacional, os Verdolagas só encontraram sua primeira vitória na quinta jornada, contra o Deportivo Quito, por dois tentos a um, em Medellín.

Maturana: o Sidney Poitier cafetero (Foto: Blog Chico Maia)
Ao que concerne o compromisso anterior, os Millonarios saíram do Atanasio Girardot com dois pontos e dois gols na bagagem. O risco de sair do certame de forma antecipada assombrava o professor Maturana, que tratou de dar um jeito na motivação do grupo. Repetindo a boa atuação diante do Deportivo, nova vitória, por 3-1 sobre o já eliminado Emelec na derradeira rodada da chave.

O primeiro adversário na fase de mata mata era o Racing, que venceu a disputa com o Boca para liderar a chave 4. La Academia trazia figurinhas carimbadas como o goleiraço Ubaldo Fillol, José Luis Brown, Néstor Fabbri, Jorge Borelli, Hugo Pérez, Julio Olarticoechea e o possante uruguaio Rúben Paz. O pessoal de Avellaneda proporcionou um bom desafio, apesar da derrota por 2-0 em Medellín.

Com o poder de decidir a situação no Cilindro, os argentinos dominaram o adversário e passaram perto de reverter a derrota na primeira perna. Fazendo prevalecer a pressão de sua torcida, o mandante fez 2-1, o que não foi suficiente para continuar no caminho do título. O sufoco fez crescer a bronca de Maturana, que aos poucos ia tendo noção de como poderia transformar a ansiedade em gols, em resultado.

Os jogos na Libertadores de 89 fizeram virar clássico o embate
 entre Nacional e Millonarios Foto: Every futbol
A seguir, um embate para definir quem seria o último dos cafeteros a disputar o caneco. Novamente estariam frente a frente Atlético e Millonarios, marcando talvez o mais importante dos duelos envolvendo clubes daquele país. O reencontro não poderia ser menos dramático, criando uma rivalidade posteriormente.

Executando apenas o básico, os alviverdes fizeram sua lição de casa e com 1-0, levando a vantagem para Bogotá na revanche. Equilibrado, acirrado e sem chances para falhas individuais e coletivas, chegavam carregados de tensão os 90 minutos finais entre os oponentes. No El Campín, altas doses de emoção estavam reservadas, quando um empate em 1-1 teimou em persistir até o apito final, encerrando uma batalha de nervos e de ambições. Reparando o problema da primeira fase, o Nacional esfriou a cabeça e saiu com o resultado necessário para chegar nas semis.

Tudo estava pronto para El Verde y blanco tentar bater o Danubio, que chegava forte após derrubar o Nacional de Montevidéu e o Cobreloa. Os uruguaios representavam a terceira força local, mas impulsionados por boas apresentações, faziam com que não houvesse favorito nas meias finais. Um ensosso empate sem gols em terras charruas deu a sensação de que desta vez Maturana e seus pupilos teriam de tirar o coelho da cartola.

Foto: Sul 21
O que ninguém jamais esperava era uma atuação de gala no Atanasio Girardot. Sabendo da importância de uma vitória com boa margem, afim de chegar na decisão esbanjando confiança, o Nacional castigou os visitantes com seis gols, para delírio da torcida local, que lotou as dependências do recinto em Medellín. Garantindo com sobras, estilo e imponência o passaporte para a decisão, os colombianos agora enfrentariam o Olimpia, duríssimo adversário que buscava repetir o feito de dez anos atrás, quando derrubou o então bicampeão Boca Juniors.

Estava marcado para o dia 24 de maio de 1989, em Asunción, o primeiro capítulo da finalíssima envolvendo Olimpia e Nacional. O Defensores del Chaco estava dominado pelas cores alvinegras e os presentes testemunharam a uma vitória do mandante por 2-0, num jogo duro em que o craque Raúl Amarilla infernizou a retaguarda verdolaga. Agora a missão era ainda mais difícil.

Bogotá recebeu de braços abertos os atletas do Nacional, que mais do que nunca precisavam do empurrão vindo das arquibancadas. Todo o domínio dos paraguaios no compromisso anterior virou de lado. Com autoridade, a festa no El Campín foi se desenhando e os gols saíram com naturalidade. Igualando o agregado com dois tentos, os colombianos forçaram a disputa por pênaltis.

Escobar caminhou para a bola e marcou. Ever Almeida desperdiçou a primeira cobrança pelo Olimpia. O drama se arrastou por nove cobranças (García, Pérez, Gómez e Perea perderam para os alviverdes, González, Guash, Balbuena e Sanabria por La O). Restava a Leonel Álvarez, o Bell Marques colombiano conferir o seu e dar o tão sonhado e comemorado título ao Nacional.

Foto: Futbol red.com
Campanha: Seis vitórias, cinco empates e três derrotas, 21 gols marcados, 12 sofridos.

Jogos: 
Fase de grupos
Millonarios 1-1 Atlético Nacional
Emelec 1-1 Atlético Nacional
Deportivo Quito 1-1 Atlético Nacional
Atlético Nacional 0-2 Millonarios
Atlético Nacional 2-1 Deportivo Quito
Atlético Nacional 3-1 Emelec

Oitavas de final
Atlético Nacional 2-0 Racing
Racing 2-1 Atlético Nacional

Quartas de final
Atlético Nacional 1-0 Millonarios
Millonarios 1-1 Atlético Nacional

Semifinal
Danubio 0-0 Atlético Nacional
Atlético Nacional 6-0 Danubio

Final - 24 de maio de 1989, Asunción - Defensores del Chaco
Olimpia 2-0 Atlético Nacional

31 de maio, Bogotá - El Campín
Atlético Nacional 2-0 Olimpia (5-4 nos pênaltis)



quinta-feira, 3 de maio de 2012

Farsa nossa: Marco Osio

Osio era ídolo do Parma quando veio jogar no Palmeiras
em meados da década de 1990, quando a Parmalat reinava
absoluta 
Felipe Portes, @portesovic
De Criciúma-SC
[ATENÇÃO: este post contém informações biográficas inverídicas sobre o atleta em questão]

Natural de Ancona, Marco Osio é o que a torcida do Parma pode chamar de ídolo. Campeão da Taça das Taças UEFA em 1992-93 pelos crociati, o cabeludo que ocupava a meia cancha gialloblù começou sua malfadada trajetória em 1983-84 pelo Torino. Três temporadas medianas fizeram com que a equipe grená negociasse o rapaz com o Empoli, em 1986-87. 

Em época de vacas magras, o Parma viu no meia um bom valor para 1987-88, que disputava a Serie B na ocasião. Lutando pelo acesso, a rapazeada do Ennio Tardini só conseguiu seu objetivo em 1990-91, quando o dinossauro Luca Bucci, o caneleiro Luigi Apolloni e Maurizio Ganz faziam parte do plantel. Na época seguinte, os dirigentes reforçaram consideravelmente o grupo, com as inclusões de Taffarel e Tomas Brolin. O investimento (e a entrada da Parmalat como patrocinadora master) impulsionou a equipe, que nos anos seguintes da década de 1990 figuraria entre as principais e mais simpáticas agremiações vindas da Itália. 

Vencedores da Taça das Taças UEFA em 1993, os nobres crociati deram início a anos dourados para o clube, que venceu duas vezes a Copa UEFA (1994-95 e 1998-99). Para Osio, que a cada ano perdia espaço entre os titulares, o crescimento parecia prejudicial. Voltou ao Torino em 1993-94 e por lá ficou quase dois anos, antes de receber um convite do novo parceiro da famosa leiteria: o Palmeiras. E é aí que a história fica interessante.

[Versão alternativa e não oficial]

Repare no cidadão de barba e chuteira verde na foto, ao lado de Júnior e
Djalminha: este é Osio, o célebre italiano que passou pelo Palmeiras em 1995
Foto: R7 (vem, Guardiola, vem pro Timão)
O Palmeiras vivia uma grande época. Bicampeão brasileiro em 1993 e 1994, o alviverde paulista agora buscava a glória internacional, com o título da Copa Libertadores. Foi em 1995 que alguém teve a ideia de contratar Osio, velha aposta do Parma, que por acaso também era patrocinado pela Parmalat, empresa que permitiu ao Verdão ser temido uma vez mais pelos adversários. O dinheiro dos italianos financiava a chegada de grandes craques e com eles a promessa de novos títulos. Neste intervalo, a alta cúpula da empresa arquitetou um plano maligno para a inclusão do mais ilustre filho de Ancona nas veias do Palestra.

A chegada do estrangeiro causou estranheza aos torcedores do Palmeiras, que desconheciam o talento e a finesse do cabeludo. Marco fez apenas vinte jogos em dois anos de Parque Antártica e certamente não deixou boa impressão, mas poucos sabiam a verdadeira missão dele pelos lados da Barra Funda. O italiano revelou aos colegas um plano de iniciar uma peruqueria em São Paulo.

Evidente que Osio levou em conta a magnitude que a metrópole tem no quesito moda, e iniciar o seu ramo num momento de crescimento de sua fortuna e claro, da equipe que o abrigou (termo ideal para definir a passagem do rapaz pelo Palestra Itália). O que ninguém sabia é que desde os tempos de juvenil, Marco usava peruca para disfarçar a sua calvície. Vaidoso, constantemente era visto usando roupas de marca e impecável, se comparado aos companheiros de plantel. Logo deu toques ao professor Wanderley, que começou seu costume de vestir ternos e smokings justamente nesta época.

Marco em sua recente passagem como treinador do Ancona
(Foto: Quelliche)
Marco escolheu a Vila Olímpia para ser o bairro sede de sua peruqueria, que por sua vez levaria o nome de Tutti Capelli (em tradução livre, todos os cabelos). O novo empreendimento chamou a atenção de vários boleiros que se ligavam no seu visual. Gonçalves, Paulinho Criciúma e especialmente o astro colombiano Carlos Valderrama. Tendo uma vasta e célebre clientela, a Tutti Capelli prosperou e virou referência no ramo. Exemplos mais recentes como Ozéas, Denis Marques e o importado Patrick Owomoyela são figuras constantes na loja fundada pelo meia. Ou você pensa que aqueles penteados são naturais?






sexta-feira, 6 de abril de 2012

TF História: Quando os Milionários viraram galinhas

Foto: Futebol Portenho

Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Todos os clubes argentinos possuem ao menos uma alcunha, muitas das quais são bastante curiosas. Sediado na elegante zona norte portenha, o River Plate é historicamente conhecido como “Milionário”. No entanto, em 1966 surgiu uma segunda forma de se referir ao clube, a qual ainda provoca calafrios em seus torcedores: “galinhas”.

Naquele ano o clube fez uma grande campanha na Libertadores. Com jogadores como o histórico goleiro Carrizo, os uruguaios Matosas e Cubilla e os irmãos Onega, os comandados de Renato Cesarini chegaram como favoritos à grande decisão, mas perderam o título de forma surpreendente.

Naquele ano a Libertadores, até então um torneio curto, teve pela primeira vez uma fórmula mirabolante, inaugurando um período de muita desorganização que perduraria até a edição de 1971, quando finalmente a Conmebol conseguiria encontrar a fórmula que seria utilizada por quase duas décadas. Mas nos anos anteriores a tônica do maior campeonato continental interclubes foi a bagunça.

Naquele ano os milionários jogaram 16 vezes antes de chegar à final, em um torneio que tinha 17 clubes. Com as três partidas da decisão foram 19 jogos em 3 meses. Primeiro um grupo com o Boca Juniors, dois clubes do Peru (Alianza e Universitário) e dois da Venezuela (Deportivo Lara e Deportivo Itália). Com oito vitórias em dez jogos o River se classificou em primeiro lugar.

Na segunda fase um grupo duríssimo, que só classificaria uma equipe para a grande final: além do River lá estavam o Boca Juniors e o Independiente, vencedor das duas edições anteriores do torneio, além dos paraguaios do Guarani. Foi necessário um desempate com o Independiente, vencido pelos Milionários por 2 a 1. O River havia chegado à grande decisão.

O adversário era uma grande equipe do Peñarol, repleta de nomes históricos do clube. O treinador era ninguém menos do que Roque Máspoli, goleiro da seleção uruguaia na copa de 1950. Em campo havia grandes jogadores, três dos quais fizeram muito sucesso no Brasil: o grande goleiro Mazurkiewicz, o lateral Forlán e o genial Pedro Rocha. Uma equipe que poderia enfrentar qualquer outra do planeta, e que venceria as duas partidas da final intercontinental contra o Real Madrid.

A primeira partida foi no Centenário. Nela o River foi guerreiro, e segurou o empate por 75 minutos. Mas Abbadie e Joya marcaram os gols da vitória carbonera nos últimos minutos. Um empate daria ao Manya o terceiro título da Libertadores. Uma partida de tamanha importância entre duas equipes tão tradicionais e recheadas de grandes craques só poderia mesmo entrar para a história.

O Monumental de Nuñez estava abarrotado, incluindo torcedores à beira do campo, o que não era totalmente incomum na época. Pedro Rocha abriu o placar, mas Ermindo Onega empatou ainda no primeiro tempo. O equatoriano Spencer colocou novamente o Peñarol em vantagem logo no início do segundo tempo, mas Sarnari empatou logo depois, e Ermindo Onega marcou o terceiro gol, para delírio da torcida. Tudo seria decidido no jogo desempate, em Santiago do Chile.

No primeiro tempo o River Plate foi melhor, e desceu para o intervalo com dois a zero a favor, gols de Daniel Onega e Solari. A Libertadores de 1966 parecia definida. Logo no início do segundo tempo ocorreu o lance mítico que mudou a história da partida. Um simples momento que tem muitas versões, mas em geral inclui um chute de Spencer, defendido de forma humilhante por Amadeo Carrizo, que matou a bola no peito e saiu jogando.

Com os brios feridos os jogadores do Peñarol correram como nunca. Logo após os 20 minutos o mesmo Spencer aproveitou uma bola na área e fuzilou Carrizo. Mais cinco minutos e Abbadie chutou de fora da área, a bola desviou em Matosas e enganou o goleiro milionário. O Peñarol havia conseguido um empate que parecia impossível. E entrou na prorrogação com muito mais força que o rival.

Aos 12 minutos o equatoriano Spencer ensinou a Carrizo que com uruguaios não se brinca, subindo mais que toda a defesa inimiga para acertar uma cabeçada espetacular. Após 102 minutos de jogo o Manya tomava a frente do placar pela primeira vez. No segundo tempo Pedro Rocha concluiu um rápido contra-ataque com uma cabeçada muito bem colocada. O Peñarol havia feito história: era campeão da Libertadores de 1966 e em seguida seria campeão mundial.

O River Plate havia perdido a incrível oportunidade de conquistar seu primeiro título continental, exatamente quando a conquista parecia praticamente certa. O tipo de coisa que os rivais jamais perdoariam. Poucos dias depois o clube enfrentou o Banfield, pelo campeonato argentino daquele ano. Um hincha do Taladro entrou em campo com uma galinha, como referência à derrota, para delírio da torcida local.

A galhofa de um anônimo torcedor do Banfield entraria para a história. A partir daquele dia, ao menos para os rivais o River Plate deixaria de ser o “Milionário” e passaria a ser conhecido como “Galinha”. Algo que os torcedores do clube ainda sentem arrepios de ouvir. Tudo por conta de uma incrível vitória do Peñarol em 1966.

PEÑAROL: Mazurkiewicz, Lezcano, Diaz e Forlán; Gonçalvez e Caetano; Abbadie, Cortés, Spencer, Rocha e Joya.

RIVER PLATE: Carrizo, Matosas, Vieytez e Sainz; Sarnari e Grispo; Cubilla, Solari, Ermindo Onega, Daniel Onega e Más.


quarta-feira, 14 de março de 2012

Craques: Alex Aguinaga

Toques de categoria eram o prato principal do garçom Aguinaga 
Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP

Poucos jogadores tem um sobrenome que condizem com seu futebol. Aguinaga pode se orgulhar disso. Alex Dario Aguinaga GARZÓN é nome verdadeiro, mas para muitos ele é conhecido apenas por “El Maestro”, pelos seus passes perfeitos. Equatoriano de nascimento e mexicano de coração, ele pode se orgulhar de ser um dos mais importantes jogadores da seleção equatoriana e ídolo no Necaxa, do México, por onde jogou boa parte de sua carreira.

Alex começou a carreira cedo e com apenas 15 anos fechou seu primeiro contrato profissional com o Deportivo Quito após mostrar toda sua incrível habilidade no sul-americano juvenil quando ajudou o time a se consagrar campeão, ainda como um legítimo ponta esquerda, longe da função de armador que tanto o consagrou.

Com 20 anos, foi convocado para defender o Equador na Copa América realizada no Brasil e, mesmo com seu time nem sequer passando da primeira fase, Alex foi um dos grandes destaques. Após a competição, choveram propostas de times gigantes como Internazionale, Real Madrid, Barcelona e Milan, mas acabou se transferindo para o Necaxa, do México. Isso mesmo, o time apenas tradicional em território mexicano desbanca potências mundiais na compra de um grande talento.

Tudo isso se deve ao fato de, na época, a liga mexicana estar em uma crescente e do clube alvirrubro ter sido recém comprado pelo grupo Televisa, uma das maiores empresas midiáticas do mundo, que chegava com a missão de reformular o elenco e via em Aguinaga como uma peça fundamental nesse projeto.

Recebendo a honrosa medalha de terceiro colocado no
Mundial de Clubes
 
Tanto esforço foi retribuído, já que o meia ficou lá por 14 anos e os deu três títulos mexicanos, até então desconhecidos na sala de troféus do clube de Aguascalientes: uma Copa do México e uma liga da Concacaf, em 1999, credenciando o time à disputa do 1º (?!) Mundial de Clubes, realizado no Brasil. Era a primeira vez que uma agremiação mexicana participava de uma competição de tamanha relevância. E o Necaxa não fez feio, terminando a disputa em terceiro lugar, após derrotar o Real Madrid. A coroação de Alex veio ao receber o prêmio de melhor jogador do país asteca nos anos 90.

Seu auge como atleta foi durante a disputa da Copa do Mundo de 2002. Graças a seu bom desempenho, somados à boa geração com Kaviedes, Delgado, Cevallos e Hurtado, o Equador conseguiu a inédita classificação. No entanto, nem todos esses bons nomes conseguiram evitar a fraca campanha e a eliminação ainda na fase de grupos.

Em 2003, mudou de ares e foi para o Cruz Azul, mas a fase já não era a mesma e apenas fez 13 partidas pela nova equipe. Para tentar um fim de carreira digno, retornou à terra natal para jogar pela LDU, dando início à um belo trabalho, culminando com o título da Libertadores de 2008, já sem “El Maestro”. Em dois anos na Liga, conseguiu o inédito doblete, ao vencer tanto o torneio Apertura quanto o Clausura, pela primeira e única vez na história do clube da capital equatoriana.

Muito parecido com Roberto Bolaños, Aguinaga já treinou o Barcelona... de Guayaquil
Depois de aposentado, tentou a carreira como técnico, no Barcelona de Guayaquil, mas sua inteligência em campo não deu resultado fora dele. Sem emprego, hoje ele é apenas referência e inspiração para novos jogadores não só no Equador, mas também no México.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Grandes Jogos: Palmeiras x Boca

Em era dourada, Palmeiras venceu o Boca com placar assaz elástico na Libertadores 1994
(A Tribuna Digital)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
Há exatamente 18 anos o Palmeiras conseguia uma façanha histórica, ao aplicar inimagináveis 6 a 1 no Boca Juniors. A diferença de gols foi absolutamente surpreendente, mas a vitória alviverde era esperada. Naquele momento, as equipes viviam momentos muito distintos.
Dirigido por Vanderlei Luxemburgo, o Palmeiras vivia o auge da fase Parmalat. O dinheiro da multinacional possibilitou a chegada de grandes jogadores ao Parque Antártica, dois dos quais seriam titulares da seleção campeã mundial logo depois: Mazinho e Zinho. Naquele 1994 o Palmeiras repetiria o sucesso do ano anterior, se sagrando então bi campeão paulista e bi campeão brasileiro, uma façanha ainda inalcançada no futebol paulista (no Brasil apenas o Internacional conseguiu o mesmo resultado, em 1975/76);
Por outro lado, eram tempos duros para a tradicional equipe de La Boca. Os xeneizes conquistaram apenas um título entre 1981 e 1998, o Apertura 1992. Logo em seguida o clube faria pesados investimentos, trazendo grandes estrelas, como Maradona e Caniggia. A estratégia não deu resultado, e o Boca reencontraria o caminho dos títulos apenas com a chegada de Carlos Bianchi. Naquela Libertadores, os comandados de César Menotti ficaram na primeira fase, com 4 derrotas em seis jogos, e ocuparam a lanterna do grupo.
Mas nada naquela noite faria prever tamanho massacre. A partida era válida pela segunda rodada daquela Libertadores, e as duas equipes haviam estreado bem. O Palmeiras havia vencido o Cruzeiro por 2 a 0 em casa, enquanto o Boca conseguira um empate com o Vélez fora de casa, um resultado muitíssimo aceitável. Naquele dia os argentinos vinham para o Brasil enfrentar seus rivais: enquanto o verdão destruía os xeneizes, o Vélez conseguia um bom empate no Mineirão contra a Raposa.
Mas aquela partida teria um grande fator desequilibrante: Mazinho. O camisa 8 palmeirense fez a melhor partida de sua vida, em uma atuação que ninguém que tenha assistido à partida vai esquecer. Os muitos críticos do sistema tático da seleção brasileira da época, com Mauro Silva e Dunga como volantes, se desesperavam só de pensar que o Brasil deixaria tal craque no banco (ao fim aconteceu o inesperado, e Mazinho foi campeão mundial como titular, mas na vaga de Raí).
O primeiro tempo terminou com vantagem mínima para o Palmeiras, um gol marcado logo aos 15 minutos. Navarro Montoya conseguiu fazer duas grandes defesas no mesmo lance, mas finalmente Cléber conseguiu estufar a rede com um potente arremate. O goleiro colombiano certamente não imaginava ter de voltar tantas vezes para buscar a bola no fundo da meta.
E no segundo tempo veio o massacre. Aos 6 minutos Evair deu lindo passe de calcanhar para Roberto Carlos fuzilar Navarro Montoya. Três minutos depois Edílson marcou o terceiro. Aos 20 Mazinho fez grande jogada individual, só sendo parado por uma falta dentro da área. Evair cobrou o pênalti e marcou o quarto.
Aos 26 minutos Mazinho cobriu Navarro Montoya com um toque maravilhoso, deixando o colombiano imóvel, apenas torcendo para a bola não entrar. A trave salvou o Boca, mas no rebote Evair marcou mais um. Aos 33 Jean Carlo aproveitou uma jogada coletiva para marcar o sexto. Um minuto depois Martinez descontou de pênalti.
Em termos concretos aquela partida não teve muita relevância. Palmeiras e Boca Juniors fariam partidas muito mais importantes anos depois, chegando a decidir a Libertadores de 2000. Mas os palmeirenses têm razão em considera-la inesquecível. Primeiro: não é todo dia que o Boca leva seis gols. Mas o principal é que naquele dia o verdão fez um dos maiores jogos de sua história, colocando na roda e dando um baile em um clube que é uma superpotência mundial.
Palmeiras: Sérgio, Cláudio, Antonio Carlos, Cléber e Roberto Carlos; César Sampaio (Tonhão), Amaral, Mazinho (Jean Carlo) e Zinho; Edílson e Evair. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
Boca Jrs.: Montoya, Soñora, Noriega, Giuntini e MacAllister; Peralta, Mancuso, Márcico e Carranza; Martinez e Da Silva (Acosta). Técnico: César Menotti.
Gols: Cléber (15") no primeiro tempo; Roberto Carlos (06'), Edílson (09'), Evair (20'), Evair (26'), Jean Carlo (33'), Martinez (34') no segundo tempo.

sábado, 3 de março de 2012

Descraques: René Higuita

Higuita na Copa de 1990: falharia vergonhosamente jogos depois (Spox)
Principal nome da escola de goleiros colombiana (mais por sua extravagância do que por talento, propriamente dito), René Higuita é uma das figuras mais irreverentes que o futebol já viu, e o melhor, dentro das quatro linhas.