segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Gente legal pra caralho

Foto: Pop.com.br
Rodrigo Salvador, @novosomsalvador 
(Que deveria estar de folga mas resolveu importunar o editor, de recesso)
De Curitiba-PR

Oi gente legal, hoje vou falar sobre gente legal. Isso pra vocês não acharem que eu sou mal humorado e só reclamo de tudo, porque eu reclamo do que merece e um bom exemplo é quem reclama de eu reclamar e ah foda-se isso.

O primeiro cara legal é o Dedé. Eu tinha um puta preconceito com ele por ser zagueiro e chamar Dedé, puta merda isso lá é nome de zagueiro? Mas ele conseguiu ganhar uma vaga na zaga do meu time de ídolos que nunca jogaram no Coxa (ao lado do Caçapa) a despeito desse apelido idiota com um futebol fodaço, e agora até gol resolveu fazer. O segundo gol contra o Botafogo, inclusive, começou numa jogada dele. Puta cara legal (mas reflita sobre trocar esse nome).

Fabuloso também é legalzão. Ele tem uma parada que uma galera não tem, ele vive o jogo. Nego que não vive o jogo não dá valor pra um momento putaqueparivelmente grandioso e comemora com joão sorrisão ou usando mascara da própria cara. Não que os outros que não comemoram assim não sejam legalzões, mas o Fabiano comemorou PARA CARALHO o gol contra o Avaí. Deve ter pressão junto, a zica que ele tava e tudo mais, mas gol foda tem que ser comemorado assim. E só vivendo o jogo pra isso acontecer. O Willian do Coxa também joga assim, Petkovic jogava assim. Futebol é coisa séria, quer rir vai no circo, quer passear vai no parque, quer dançar o tigrão vai te ensinar.

Eu fui ver Coxa 2-0 Flamengo e tem dois caras legais pra falar de lá. Um é o Maranhão, que além do golaço salvou um quero-quero atropelado inescrupulosamente por uma bola malvada e cheia de malefícios em seus gomos. O Angelim tava ali perto e ficou com nojinho, aí que veio o Maranhão e levou o quero-quero pra fora sob aplausos. E quase que não adiantou nada porque o gandula (que não é legal pra caralho) largou o bicho do lado da placa de publicidade, e só se tocou com a torcida ali pedindo pra levar o coitado pra outro lugar. 

O outro cara legal do jogo é um moleque que tava do meu lado. Dois, no máximo três anos. Um quilo de carne em cada bochecha. Camisa do Coxa, o pai e a mãe também. E ele pulando loucamente e gritando e fazendo “Vamos vamos meu verdão” com o braço. Véi, eu não posso com criança em estádio, eu fico babando, eu esqueço o jogo. Criança e velhinho, principalmente velhinha, aquelas que levam almofadinha do time pra sentar. Eu ouço muita gente falando que futebol isso, futebol aquilo, não presta, não serve pra nada e blá blá blá. Imagina o quanto essas velhinha não ouviram e ainda tão lá. Ah, são campeãs do Campeonato de Seres Humanos*.

Também tem uns caras legais tipo o Cortês, o Neto Berola (cujo nome é Sosthenes, sério, nome + alcunha mais legal da humanidade desde Pepino, o Breve), o São Marcos e Damião, mas todos jogam em times que perderam na rodada (Palmeiras empatou mas PORFAVORNÉ, convenhamos) então merecem só uma menção. O último cara é o chefe Felipe Portes. Mentira, não sei se é legal, mas espero que seja, porque ele vem passar a semana aqui em casa. Se eu sentir falta de alguma coisa eu falo (DENUNCIO) no texto da semana que vem.

* © Copyright by Arthur Chrispin. Todos os direitos reservados. Inclusive o de ser freguês no Couto.

** O editor deste texto agradece o elogio e promete não furtar nada da residência durante a estadia.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Craques: Peter Schmeichel

Foto: A bola e um mundo
Pedro Cuenca, @colderhearts
De São Paulo-SP

A profissão de goleiro é, com certeza, uma das mais ingratas do mundo. Enquanto a falha é motivo de crucificação, os acertos raramente são exaltados e esquecidos com o tempo, com exceção de gênios como Yashin, Banks e Taffarel. Além disso, os que perduram uma carreira inteira no clube costumam ser idolatrados. Os outros? Vilões até que provem o contrário.

E mesmo sabendo de tudo isso, Peter Boleslaw Schmeichel, nascido em Gladsaxe, Dinamarca, insistiu na carreira. Seu primeiro clube foi o Gladsaxe/Hero, da sua cidade natal, ainda em 1981, com menos de 18 anos. O time estava na terceira divisão do país. Três anos depois, migrou para o Hvidovre, onde teve que buscar empregos paralelos para sobreviver.

A carreira de Schmeichel só foi mudar em 1987, quando se transferiu para o Brøndby, após grandes atuações nos clubes anteriores. Lá, jogou com grandes craques compatriotas como John Jensen, Lars Olsen e Brian Laudrup, ganhando quatro dos cinco campeonatos nacionais que disputou.

A chance na Inglaterra
Com grandes apresentações na Copa da UEFA 1990/91, Peter chamou a atenção do Manchester United, clube que o contratou por uma quantia equivalente a atuais 600 mil euros. Anos depois, o técnico Alex Ferguson chamaria essa de a “negociação do século”, e com justiça. O período de sua chegada, porém, não era dos melhores, pois os Diabos Vermelhos amargavam um longo jejum de títulos.

As grandes defesas do goleiro rapidamente o transformaram em ídolo da carente torcida do United. Na primeira temporada, o Leeds levou o título inglês por quatro pontos de vantagem, mas sobrou a Copa da Liga Inglesa. Veio, então, a Eurocopa 1992, que o consolidou como um dos grandes arqueiros de sua geração.

Após a suspensão da Iugoslávia, a Dinamarca foi convidada a participar do torneio, mas caiu em uma cilada. No Grupo A, o país estava ao lado de Suécia, país-sede, França e Inglaterra. Com uma vitória, um empate e uma derrota, a classificação veio no limite, com três pontos e a vice-liderança da chave. Na semifinal, um empate eletrizante com a Holanda, então detentora do título, por 2 a 2. Nos pênaltis, Schmeichel defendeu a cobrança de Van Basten e deu a vaga na final.

Na grande decisão do torneio, a Dinamarca venceu a Alemanha por 2 a 0, com gols de Jensen e Vilfort, conquistando um título inédito na história. A campanha foi impressionante, principalmente pelos números de Schmeichel, que levou apenas quatro gols no campeonato. Com isso, ele voltava com mais moral ao United.

E a fase mudou no clube inglês. Na temporada 1992/93 foi inaugurada a Premier League. E o Manchester United conquistou o título de maneira incontestável, além de sensacional participação de Schmeichel. O arqueiro não levou gol em 22 partidas no torneio. Na sequência, em 93/94, o bicampeonato e o título da FA Cup de quebra. Apesar disso, ele não conseguiu ajudar sua seleção a se classificar para  Copa do Mundo.

Veio a temporada 1994/95 e a decepção chegou no Old Trafford. A equipe perdeu a Premier League para o Blackburn por apenas um ponto, além de ter sido derrotada pelo Everton na final da FA Cup. O retorno aos tempos sombrios? Não mesmo. Vida que passa e na temporada 95/96, a dobradinha com conquistas na Premier League e na FA Cup, superando o rival Liverpool. Era, com certeza, uma década dourada do United, mas ainda faltava um título: a Liga dos Campeões.

Um dos donos da Europa
Na temporada 1998/99, título da Premier League sobre o Arsenal por um ponto. O rival também foi derrotado na semifinal da FA Cup com Schmeichel defendendo um pênalti de Bergkamp. Na final, vitória sobre o Newcastle.

Na Liga dos Campeões, o United estreou com vitória, ainda na fase de classificação, sobre o LKS Lodz, da Polônia. O time ficou no Grupo D, ao lado de Bayern de Munique, Barcelona e Brøndby, dando a chance de Schmeichel reencontrar seu antigo clube. Após seis duros jogos, a vice-liderança da chave e a passagem de fase.

Nas quartas-de-final, vitória sobre a Inter de Milão por 2 a 0. Na volta, empate por 1 a 1 e a classificação. Nas semi, a poderosa Juventus. Após o primeiro jogo ter acabado em igualdade, o United venceu por 3 a 2 de maneira sensacional, fora de casa, e conquistou a vaga. O título continental estava ao alcance do time inglês.

Na final, a ser disputada em Barcelona, um conhecido adversário: o Bayern de Munique. E o time alemão começou arrasador, marcando com Basler logo aos seis minutos de jogo. Depois de muito pressionar o adversário, o empate do Manchester chegou aos 46 do segundo tempo, com Sheringham. O melhor, porém, estava por vir. Aos 48 minutos, último dos acréscimos, Solskjaer, desvia cabeçada e leva o United ao título. Como capitão, Schmeichel levanta a taça e chega ao ápice de sua carreira.

O fim da carreira, o início do mito
Na temporada seguinte, Peter fez as malas e se mudou para o Sporting, de Portugal. Lá, conquistou um campeonato português. Em 2000, participou da fracassada campanha da Dinamarca na Euro 2000, sem nenhuma vitória. Saiu da seleção no ano seguinte.

Em 2001, foi para o Aston Villa. Na temporada seguinte, se transferiu para o Manchester City, clube rival do United, onde encerrou sua carreira.

Não importa, o mito Schmeichel já estava criada. Suas defesas, imortalizadas. Lembram-se do que disse sobre os goleiros que ficam marcados na história? Pois é, Peter Schmeichel é um deles, um dos maiores goleiros já vistos e, na opinião deste que escreve, o melhor da década de 90.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Desafortunados: Papa Bouba Diop

Jorge Lafond? Não, é Papa Bouba Diop, grande flop senegalês na terra da Rainha (Daily Mail)
Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP

Um africano que vai entrar para a história da Copa do Mundo. Não, não falo de Roger Milla, caro leitor. Falo de um senegalês que protagonizou uma das maiores zebras das Copas, o Homem Montanha.

O ano era 2002, o dia, 31 de maio. O estádio de Samg-Na, de Seul, na capital sul-coreana estava lotado para ver os atuais campeões mundiais em ação, contra um adversário estreante em mundiais. França e Senegal abriam a Copa daquele ano, que seria completamente tortuosa para os franceses.

Os bleus, amplamente favoritos, mantinham a base vencedora em 1998, com Zidane e companhia limitada. Já os senegaleses tinham como grande destaque um jovem que acabara de fazer grande temporada no Lens: El Hadji Diouf, que após a grande Copa, conquistara uma transferência para o Liverpool. No fim, quem acabou brilhando não foi nem Zidane, muito menos Diouf.

Aos 30 minutos de jogo, após uma bola perdida por Petit no meio campo, Diouf é lançado em velocidade, tira Leboeuf da jogada e cruza para Papa Bouba Diop, que entra como um raio na área. O senegalês chuta em cima de Barthez, que não segura e no rebote, o próprio Diop balança as redes para em seguida sair correndo para a bandeirinha de escanteio e fazer uma dança no melhor estilo Milla.

Diop passou a ser conhecido. Antes da Copa, ele jogou no Grasshoppers e Neuchátel Xamax, onde começou a carreira, com 18 anos. Antes do Mundial, veio interesse do Lens, da França, justamente no país onde foi carrasco. Lá, durou três anos (2001-04) e mesmo após uma passagem discreta, conseguiu uma transferência para o concorrido futebol inglês, mais precisamente no Fulham, onde recebeu a alcunha de "Homem Montanha" já em 2004. Com apenas um ano pelos lados de Londres, se destacou e chegou a valer 8 milhões de euros. No entanto, depois disso sua carreira só entrou em declínio.

Seu último ano no clube londrino foi esquecível, mas lhe rendeu uma venda ao Portsmouth, em 2007 pela metade do preço que chegou a valer dois verões antes. No time do sul, Diop enfrentou dias difíceis e a má administração financeira levou o Pompey a péssimas campanhas. O ponto alto da estadia de Bouba foi o título inédito da Copa da Inglaterra. Antes do barco afundar, ele preferiu ir para o AEK, da Grécia, ao fim de 2010.

A conquista da Copa da Grécia na primeira época por lá poderia mostrar o ressurgimento do jogador, contudo, mais uma crise financeira abalou os planos do senegalês, que resolveu voltar para a Inglaterra, dessa vez para jogar no West Ham.

Pela seleção, Diop também vem um pouco esquecido. Desde a Copa Africana de Nações de 2008 não é convocado para uma seleção que desde o Mundial de 2002 não conseguiu se firmar. Ao todo, até o momento, foram 63 jogos pelos Leões de Teranga e 11 gols marcados.

O melhor jogador africano de 2002, agora na segunda divisão inglesa, tenta voltar a jogar com frequência e quem sabe vir ao Brasil na Copa de 2014 e aprontar pra cima de outra grande seleção...

O comandante

Foto: My football facts.com
Hagi somou glórias por vários times onde passou e até hoje permanece como maior ídolo do esporte na Romênia, idolatrado pelo seu talento e pelos seus feitos; último brilho foi no Galatasaray 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mariscal Santa Cruz: quando a Bolívia venceu um torneio continental de clubes

Escalação do lendário Mariscal Santa Cruz (El-area.com)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Quando se olha a lista dos campeões dos principais torneios continentais interclubes da América do Sul, o que se conclui é que os únicos países que jamais chegaram a um título são Bolívia e Venezuela. No entanto, o país andino tem (ou tinha) um clube campeão continental: o Mariscal Santa Cruz, campeão da Copa Ganadores de Copa de 1970.

Em fins dos anos 60, com a Libertadores já consolidada, a Conmebol começou a pensar na possibilidade de realizar um segundo torneio continental. Na época, além da Copa dos Campeões, a UEFA realizava a Recopa (já extinta), reunindo os vencedores das copas nacionais e a Copa da UEFA, atual Liga Europa, com as melhores equipes dos campeonatos nacionais que não haviam chegado ao título.

A opção mais óbvia seria a realização nos moldes da Copa da UEFA, já que a maior parte dos países sul-americanos não possuía a tradição de realizar copas nacionais. No entanto a Conmebol resolveu instituir a Recopa Sul-Americana, o nome original da Copa Ganadores de Copa (o torneio atualmente é catalogado pelo último nome para evitar confusão com a Recopa disputada atualmente entre os campeões da Libertadores e da Sul-Americana), nome que aponta a intenção de instituir um torneio aos moldes da Recopa europeia. A idéia era estimular a criação de copas nacionais.

No entanto, a Conmebol resolveu introduzir uma novidade: o torneio seria disputado em formato de Copa América, com sedes fixas em um período curto de disputa. As sedes escolhidas para a primeira edição, disputada em março e abril de 1970, foram o Equador (Quito) e a Bolívia (La Paz e Cochabamba).

Como seria de se prever, o torneio acabou esvaziado. O Brasil havia acabado de extinguir a Taça Brasil, substituída pelo Robertão, e a CBD resolveu não enviar representantes, assim como a confederação colombiana. Além disso, alguns países (como Bolívia, Peru e Venezuela), não realizaram um torneio à parte para indicar seu representante, enviando a melhor equipe classificada na liga nacional abaixo dos classificados para a Libertadores.

Outros países fizeram suas copas, enviando seus campeões para a Recopa. Um exemplo foi a Argentina, que realizou a única edição da Copa Argentina (a edição de 1970 não chegou ao fim), vencida pelo Boca Juniors. Como os xeneizes também se classificaram para a Libertadores, o enviado pelo país foi o minúsculo Atlanta, vice-campeão da Copa Argentina.

Esvaziada pelas ausências de Brasil e Colômbia, a chave de Quito teve apenas 3 equipes: Nacional (Equador), Libertad (Paraguai) e Canarias (Venezuela). Com uma vitória e um empate, a equipe da casa venceu o grupo e se classificou para a final. Na Bolívia jogaram: Atlanta (Argentina), Rampla Juniors (Uruguai), Unión Española (Chile), Deportivo Municipal (Peru) e o Mariscal Santa Cruz, que aproveitou o fato de jogar em casa para se classificar, com 3 vitórias e 1 empate.

A primeira partida da final, realizada em Quito, terminou sem gols. A grande final foi disputada a 26/04/1970 em um abarrotado estádio La Paz. Aos 40 minutos o paraguaio Eliseo Baez recebeu passe de Hurtado e abriu o placar. Aos 12 minutos da segunda etapa um pênalti sofrido por “Chembo” Gonzalez permitiu a Baez marcar o segundo gol. Para delírio da torcida boliviana, o Mariscal Santa Cruz era campeão da Recopa Sul-Americana.

No ano seguinte apenas quatro países (Equador, Paraguai, Peru e Venezuela) mandaram seus representantes para a segunda edição do torneio. Nesse cenário, a Conmebol decidiu realizar uma edição amistosa com os quatro clubes indicados (vencida pelo América de Quito, sem ser oficialmente coroado campeão). Apenas nos anos 1980 a confederação voltaria a realizar um segundo torneio entre seus afiliados.

A trajetória posterior do campeão da edição única do torneio seria ainda mais triste. O clube havia sido fundado em 1923, e se chamou Nothern até 1966, quando atolado em dívidas, foi vendido ao exército boliviano. Rebatizado com o nome de um herói da independência peruana e boliviana, voltou à primeira divisão da liga boliviana, e chegou aos céus em 1970. Seis anos depois o ditador do país, General Hugo Banzer, concluiu que era a hora de encerrar as atividades do clube. Um homônimo ainda seguiu disputando a Liga Paceña, sem sucesso.

Com isso, a equipe que venceu aquele torneio jamais deixou de ser lembrada pelos bolivianos, ainda que poucos estrangeiros conheçam a história. Naquele dia inesquecível para o futebol daquele país, jogaram: Zimmerliz, Barrientos, Angel Báez, Montoya, Gramajo, Jiménez, Eliseo Báez, Hurtado, González, Díaz e Farías.

O primeiro título mundial argentino: Racing de 1967


Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Semana passada se completaram 44 anos de uma incrível façanha: o título mundial do Racing, a primeira vez que um clube ou seleção argentina chegou ao topo do planeta. Uma boa hora para lembrar a histórica “equipe de José”, referência a seu treinador, Juan José Pizzuti, grande responsável pelo feito.

Em 1965 Pizzuti tinha apenas 38 anos. Havia sido um bom atacante, com passagens por várias equipes, entre elas Racing e Boca Juniors, e várias convocações para a seleção de seu país. Naquele ano foi chamado para treinar a equipe pela qual havia conquistado dois títulos argentinos. Mas os tempos haviam mudado, e a equipe de Avellaneda ocupava um desesperador último lugar no campeonato nacional.

A estreia era contra o River Plate, então líder. A vitória por 3 a 1 mostrou que o novo comandante não estava para brincadeiras. A equipe chegou a ficar 14 partidas invicta, terminando o campeonato em quinto lugar. No ano seguinte a festa continuou. Com apenas uma derrota, chegando a completar 39 partidas invictas, a Academia chegou ao título com 3 rodadas de antecedência.

O segredo era uma grande novidade no futebol argentino: a ausência de posições fixas dos jogadores. Mesmo os atacantes recuavam para ajudar na marcação, e os contra-ataques eram devastadores, em bloco, algo nunca antes visto. Para muitos, uma antecipação da Laranja Mecânica de 1974. Para outros, o germe do futebol de resultados, que chegaria nos anos seguintes ao auge, com o Estudiantes treinado por Osvaldo Zubeldia, tricampeão da Libertadores.

O título argentino de 1966 levou a Academia à Libertadores de 1967. Na época, isso significava uma verdadeira maratona: na primeira fase a equipe de Avellaneda estava no grupo do River Plate e dos representantes da Colombia (Santa Fé e Independiente de Medellín) e Bolívia (Bolívar e 31 de outubro). Com 8 vitórias em 10 jogos, “el equipo de José” se classificou em 1º lugar para a segunda fase. Na segunda fase o Racing disputava uma única vaga na final com River, Universitário do Peru e Colo-Colo. Foi necessária uma partida desempate no Chile contra a equipe peruana, vencida pelos azuis e brancos. O Racing estava na final.

O adversário da final era o temível Nacional, repleto de jogadores que disputariam a semifinal do mundial de 1970 contra o Brasil. Após dois empates em 0 a 0, foi preciso disputar outro jogo desempate, novamente no Chile. E logo no primeiro tempo o Racing abriu 2 a 0, com gols do brasileiro João Cardoso e de Raffo. O Nacional descontou no fim, mas não pode impedir a festa argentina. Com Pizzuti no banco e o craque Humberto Maschio comandando a equipe em campo, não havia rivais para o clube de Avellaneda. Ou haveria?

Era a hora de tentar chegar onde nenhum clube argentino havia chegado: a taça intercontinental (como então se chamava o mundial de clubes). A única equipe argentina a vencer a Libertadores havia sido o Independiente, em 1964 e 1965, nas duas vezes perdendo o confronto contra a Internazionale. Conquistar o título que o arqui-rival havia perdido era um tempero a mais para o Racing.

Mas o rival era temível: o Celtic. Treinado pelo lendário Jock Stein (morto à beira do campo, após classificar a seleção escocesa para a repescagem das eliminatórias para o mundial de 1986), a equipe, inteiramente formada por jogadores nascidos num raio de 50 km de seu estádio, havia batido a Internazionale em Lisboa para ser campeã europeia.

A primeira partida, disputada no Hampden Park, foi terrível para o Racing. A equipe escocesa imprensou La Academia no campo de defesa, terminando por vencer por 1 a 0, gol de McNeil. Na volta, um público estimado em até 120 mil pessoas abarrotou o Cilindro de Avellaneda, disposto a empurrar sua equipe para a vitória. No primeiro tempo Gemmell abriu o placar para os escoceses cobrando um pênalti. No início do segundo tempo Raffo empatou. E já nos descontos da partida o valente Juán Carlos “Chango” Cardenas marcou o gol da vitória.

Era quase o céu para os racinguistas. Mas ainda faltava um terceiro jogo, disputado no Centenário de Montevidéu. Como de costume naqueles anos, a partida foi tensa, resultando em várias expulsões (incluindo Alfio Basile, então defensor do Racing, e posteriormente técnico da seleção argentina). O jogo foi resolvido aos 11 do segundo tempo, novamente com um gol de Chango Cárdenas, que acertou um canhotaço de 30 metros no ângulo, dando o título à Academia. Sem ter metade do talento e inteligência de Maschio, o nortenho foi o herói da conquista máxima do clube.

Naquele dia a equipe teve: Cejas, Martin, Perfumo, Basile e Chabay; Rulli, Rodriguez e Maschio. Cardoso, Raffo e Cárdenas.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ora, direis

Wilsão, mito do gol do time da arvinha (GloboEsporte)
Rodrigo Salvador, @novosomsalvador
De Curitiba-PR

Pra fazer o texto de hoje é só eu escrever de novo o texto da semana passada, só que ao contrário. Ronaldinho foi bem e o Flamengo meteu 5. Galera de cima perdeu, galera de baixo ganhou. Não teve nenhum empate. Só o Figueira não me fez parecer um aprendiz de Mãe Dinah e ganhou de novo fora de casa. Daí que eu acho que qualquer texto que eu faça iria fica uma bosta. Por isso (e porque eu li Olavo Bilac ontem) resolvi saltar minha veia artística e fazer um poema, confiram:

Brasileirão é foda, não tá fácil pra ninguém
Só pro Corinthians que perde pro lanterna e segue líder
Até que o título podia cair no colo de alguém
Tipo Vasco, Botafogo, São Paulo ou Inter
Mas esses quatro aí são tudo um bando de gay
E um a um se fuderam, tomaram no esfíncter

A turma de baixo resolveu começar a ganhar
O único papelão digno de dó foi do Cruzeiro
Tá, e o do Avaí, que perdeu em casa pro Ceará
Vozão foi um dos cinco TIME DE GUERRERO
Que acharam três pontos e querem se salvar
Mas quatro chegam chorando em janeiro

Um é o América, coitado, que até ganhou do líder
Mas só quem salva é o gênio da lâmpada
Mas lâmpada não tem rima então fodeu essa estrofe

E o Atlético Goianiense, hein
Eu nem lembrava que tava nesse campeonato
Não joga mal mas não joga bem
Aqui perde três e lá ganha quatro
Serve pra nada esse time, vai tomar no cu 
Time chato do caralho, ano que vem é a mesma coisa chata
Como que pode esses time goiano, não tem nenhum legal
Pior que as banana do Mario Kart
Pior que comercial no meio do filme
Pior que a merda do Teatro Mágico que fez show aqui em Curitiba ontem
E a merda é que eu conheço um monte de gente que foi
Porra que bosta

domingo, 6 de novembro de 2011

Fomos campeões: Zenit 2007-08

Pogrebnyak e o grande Zenit campeão da Copa Uefa em 2008 (Detriva Blog)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Numa edição marcada por surpresas interessantes classificadas para a decisão em Manchester, a Copa Uefa de 2007/08 teve como campeão o emergente Zenit, num desfecho que certamente não era previsto, ao olharmos para a fase preliminar. Contudo, apesar da controvérsia envolvendo o duelo contra o Bayern nas semifinais, não deixa de ser uma história interessante a ser contada. 

Tudo começou com o quarto lugar na Premier League russa em 2006 (o calendário russo era idêntico ao brasileiro na ocasião), quando o CSKA levantou a taça e foi seguido por Spartak Moscou e Lokomotiv, antes dos rapazes celestes de St. Petersburgo. O consolo para uma campanha nacional mediana foi justamente a vaga para a Copa UEFA supracitada. Nela, os Bomzhi (algo como andarilhos em russo) se consolidaram como uma das novas forças impulsionadas por injeção financeira (da Gazprom neste caso), uma mania ainda em crescimento naquele ano no cenário europeu.

O primeiro passo para este reconhecimento veio contra o Zlaté Moravce, da Eslováquia, na segunda eliminatória. Dois passeios, fora e dentro de casa. 2-0 e 3-0 selaram o ingresso da celeste soviética ao próximo round. A seguir, viriam os belgas do Standard Liège, supostamente aumentando o grau do desafio do Zenit rumo à fase de grupos. No agregado, 4-1, com 3-0 no Petrovsky e 1-1 em Liège, em um confronto de certa forma simples para os russos.

Avançando para a chave A, ao lado de Everton, Nuremberg, AZ Alkmaar e Larissa, Arshavin e sua intrépida trupe por pouco não foram eliminados, ao ficarem na terceira colocação, somando cinco pontos em quatro jogos. Entretanto, a esperança ainda estava viva, mesmo com más apresentações neste round do certame. A única vitória dos bomzhi foi justamente contra o Larissa, por 3-2, fora de casa. Os gols foram marcados por Pogrebnyak, Zyrianov e Fatih Tekke.

Os muitos empates neste estágio não empolgavam muito a torcida e nem a diretoria, que acreditavam em melhores atuações e resultados. De tanto sofrer, na fase de 16 avos de final o Zenit reagiu, logo contra o Villarreal. Em difícil confronto em St. Petersburgo, Pogrebnyak fez o gol solo dos mandantes aos 64 minutos, dando tons de drama ao duelo contra os espanhóis.

Na volta, no El Madrigal, novamente Pogrebnyak deixou a sua marca, aos 31. O submarino amarelo bem que virou a parada, com Franco e Tomasson, no último minuto, mas a regra do gol fora de casa classificou os russos, já devidamente motivados. Para quem pensa que a missão ficou mais fácil a seguir, o Zenit teve o Marseille como adversário nas oitavas.

Os franceses estavam num processo de reestruturação e amargavam a hegemonia do Lyon no Francês. Jogando pela primeira perna do confronto, o Marseille emplacou 3-1 nos russos, com doblete de Cissé e outro de Niang. Arshavin descontou para os visitantes que sem sombra de dúvida ficaram em maus lençóis para tentar uma virada em território soviético.

Quem não tem Ronaldo, ataca com Pogrebnyak. O grandalhão mais uma vez foi fundamental para o triunfo azulado, marcando dois tentos (aos 39 e 78) e conduzindo o Zenit ao inédito papel nas quartas (2-0), deixando um forte Olympique de Cana, Nasri, Valbuena, Niang e Cissé para trás. Outra vez, se aproveitando do gol fora de casa, marca registrada dos russos na disputa.

Num instante raro de tranquilidade do Zenit na Copa UEFA, o Leverkusen foi atropelado em casa, pelo placar de 4-1, na BayArena. Arshavin iniciou os trabalhos aos 20, Kiessling empatou aos 31 e depois disso só ladeira abaixo para os germânicos. Pogrebnyak, Anyukov e Denisov resolveram o cotejo antes da marca de 15 da etapa complementar. Para a volta, no Petrovsky, Bulykin marcou para o Bayer e ao menos honrou seu grupo, 1-0.

Imagem do duelo polêmico entre Zenit-Bayern, que levantou suspeitas de corrupção dos alemães (Daily Mail)
O momento crucial da caminhada
O oponente da vez era o poderoso Bayern, que passeava pela Copa UEFA naquela temporada. Poderia em qualquer circunstância significar o fim do sonho para os russos, mas não nesta em especial. O primeiro capítulo da novela foi disputado na Allianz Arena em Munique, no dia 24 de abril de 2008. Ribéry abriu o marcador aos 18 e viu Lúcio descontar (contra) para o Zenit.

Para o embate no Petrovsky, o inesperado aconteceu. Mas vamos relatar o que aconteceu extra-campo. Em reportagem do Daily Mail, ainda em 2008, foi levantada a suspeita de uma "venda" do resultado favorável aos soviéticos. O Bayern teria aceitado perder a partida por 4-0, pelo valor de 50M de euros, acusava o promotor espanhol Baltazar Garzon, responsável pela Operação Troika. A ação envolveu 400 agentes da polícia espanhola e conseguiu deter cerca de 20 membros da máfia Tambovskaya, oriunda de St. Petersburg, nas cidades de Mallorca, Málaga, Madrid e Alicante, numa tacada só.

Os mafiosos foram detidos sob acusação de lavagem de dinheiro, tráfico de armas e entorpecentes, além de homicídios. O burburinho envolvendo uma suposta entrega por parte dos alemães fez sentido ao analisarmos a participação da defesa bávara nos tentos sofridos. Oliver Kahn falhou na metade dos gols e dividiu a parcela de culpa com o seus companheiros de setor, que também não colaboraram muito para evitar um massacre por parte do Zenit. *OBS: Nenhum vídeo deste jogo foi encontrado, todos foram removidos pela UEFA.

A diretoria soviética afirmou na ocasião não ter envolvimento e ainda declarou que o caso não passou de "uma ofensa às raízes do clube", em coletiva pouco depois do estouro do escândalo. Fecha parênteses, segue com o relato dentro das quatro linhas. Não é preciso dizer que nenhuma providência foi tomada pela UEFA, que investigou 26 partidas daquela edição da Copa UEFA e não teve evidências conclusivas. (Que surpresa)

Pogrebnyak inaugurou o marcador aos 4, Zyrianov aumentou aos 39, Fayzulin fez o terceiro aos 54 e o matador Pogrebnyak dobrou o seu feito aos 73, aproveitando-se da estranha fragilidade defensiva dos oponentes para chegar às redes. A façanha deixou a cidade de St. Petersburgo em festa, com fãs enlouquecidos como nunca antes na história da Rússia pós-dissolução da URSS.

Com vaga garantida na decisão, no estádio City of Manchester, o Zenit ainda teria de passar pelo Rangers para se sagrar campeão da Europa. Tarefa não muito desafiadora diante dos passados triunfos nas fases anteriores.

Em 14 de maio de 2008, Denisov (72´) e Zyrianov (93´) marcaram os gols que deram a taça UEFA aos celestes soviéticos. Arshavin foi o melhor homem em campo, sempre com muita criatividade e velocidade pelo lado bomzhi. O Rangers não foi páreo para os poderosos rapazes de St. Petersburg, como não haveria de ser depois da grande superação de seu rival naquela noite.

O legado ficou nos lados do Petrovsky. Um título nacional depois, o Zenit é hoje a principal força na Rússia (tanto como time a ser batido quanto no sentido de investimento) e colhe os frutos daquele 2008 inesquecível.
Dick Advocaat é erguido pelos atletas na festa do título europeu (UEFA)
Zenit: Malafeev, Krizanac, Anyukov, Sirl e Shirokov. Tymoschuk, Zyrianov, Fayzulin e Denisov. Arshavin e Pogrebnyak. Téc: Dick Advocaat

Rangers: Alexander, Weir, Broadfoot, Papac e Cuéllar. Whittaker, Ferguson, Hemdani e Thomson. Davis e Darcheville. Téc: Walter Smith

Todos os jogos do Zenit

2ª Pré-eliminatória
Zlate Moravce 0-2 Zenit
Zenit 0-3 Zlate Moravce

Play-off
Zenit 3-0 Standard Liège
Standard Liège 1-1 Zenit

Fase de grupos
Zenit 1-1 AZ Alkmaar
Larissa 2-3 Zenit
Zenit 2-2 Nuremberg
Everton 1-0 Zenit

16 avos de final
Zenit 1-0 Villarreal
Villarreal 2-1 Zenit 

Oitavas de final
Marseille 3-1 Zenit
Zenit 2-0 Marseille

Quartas de final
Leverkusen 1-4 Zenit
Zenit 0-1 Leverkusen

Semifinais
Bayern 1-1 Zenit
Zenit 4-0 Bayern

Final - 14 de maio de 2008 - City of Manchester Stadium
Zenit 2-0 Rangers


Zenit st vs Rangers Final match por Haja91

Al-Sadd é campeão da Champions asiática

Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

Neste sábado se decidiu a final da AFC Champions (Champions League Asiática) onde se enfrentaram o Al-Sadd (Qatar) e o Jeonbuk Hyundai Motors (Coreia do Sul), na Coreia do Sul. O duelo não se decidiu no tempo normal, terminando em 2x2. Só após os pênaltis é que o time de Doha pôde gritar "É campeão!".

Antes de a bola rolar, o favoritismo era do time sul-coreano, que tinha mais qualidade e além do mais, jogava com presença massiva de sua torcida. O Jeonbuk até foi melhor em campo, mas não conseguiu vencer.

O Jeonbuk Motors abriu o placar aos 17 minutos, com golaço de falta de seu craque, o brasileiro Eninho. Depois disso o time mais tradicional do Qatar foi quem pressionou e mandou a bola na trave por duas vezes, até que conseguiu empatar o jogo com Khalfan Ibrahim.

É difícil imaginar este time pressionando por muito tempo, mas foi o que aconteceu. O Al-Sadd voltou melhor para o segundo tempo até que virou o jogo, com Kader Keita. A partir daí, se retrancou como sempre. Foi então que começou a brilhar a estrela do melhor goleiro do Qatar, Mohamed Saqr, que fez defesas espetaculares.

Ele passou de herói a vilão quando, no minuto 90, saiu para interceptar um escanteio mas acabou falhando e a bola sobrou para Seung-Hyun Lee empatar para o Jeonbuk Motors e levar o duelo para a prorrogação. Nesta, o time da casa foi melhor, mas não conseguiu marcar.

Nos pênaltis, quem se saiu melhor foi o Al-Sadd, que venceu por 4x2. Nas grandes penalidades o goleirão Saqr apareceu outra vez, defendendo duas. Quem converteu a última cobrança foi o famoso Nadir Belhadj, ex-jogador do Portsmouth.

Com isso, o Al-Sadd foi campeão da Asian Champions. Mas a questão é: este título foi merecido? Sem dúvidas em termos de futebol bem apresentado, não. Os comandados de Jorge Fossati, ex-técnico do Internacional que faz ótimo trabalho, não jogaram bem durante toda a competição. E na final não foi diferente.

Em termos de competência, realmente este time precisa ser valorizado. Mas nível técnico é outra coisa. Isso ficou evidente ao longo da competição. Aliás, o Al-Sadd se envolveu em polêmicas durante toda ela. Nas quartas-de-final, a equipe de Doha enfrentou o Cerezo Osaka e acabou vencendo, mas parte de sua torcida provocou os japoneses recordando o desastre que ocorreu em Fukushima.

Na semi-final, o time de Fossati passou pelo sul-coreano Suwon Bluewings, vencendo o primeiro jogo por 4x3 e perdendo o segundo por 1x0. No duelo de ida, houve uma verdadeira batalha campal depois que Madmadou Niang fez o segundo gol quando um jogador sul-coreano estava caído no gramado. Todo o time do Suwon exigiu fair-play por parte do Al-Sadd, que não o fez. Depois disso um torcedor invadiu o campo e começou a briga.

Este título, um dos mais contestados dos últimos anos, não foi o primeiro do Al-Sadd. O time mais antigo do Qatar conquistou a antiga Asian Club Championship em 1988, batendo o iraquiano Al-Rasheed na final e tornando-se o primeiro time árabe a conseguir tal feito.

Depois de alguns anos a hegemonia de clubes japoneses e sul-coreanos na Asian Champions foi quebrada. Mas isso não quer dizer muita coisa. A verdade é que o futebol tanto do Japão quanto da Coreia do Sul ainda está um passo à frente dos outros países asiáticos.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Desafortunados: Junichi Inamoto

Melhor que Nakamura no WE? Farsa japonesa? Conto do vigário nipônico?
De que vive, do que se alimenta? Por onde passou? No próximo Glo.. OH WAIT (Zimbio)
Murillo Moret, @moret_
De São Paulo-SP

O único japonês que está na lista dos 100 melhores jogadores do mundo é Hidetoshi Nakata. No fim da década de 90, ele fazia sucesso na Serie A - passando por Perugia e Roma. O conterrâneo Shunsuke Nakamura, habilidoso meia canhoto, era eleito pela segunda vez no time da temporada. Era 2000. Ao seu lado despontava Junichi Inamoto. O motorzinho do Gamba Osaka chegava para causar furor.

Arsène Wenger sempre foi um treinador que buscou promessas em diversos países. Fato. Nem sempre, no entanto, elas vingam. Como Tomas Danilevicius, de técnica discutível, comprado junto ao Lausanne em dezembro de 2000. Ou Francis Jeffers do Everton por 13 milhões de libras. Era dia 23 de julho de 2001 e lá estava Junichi Inamoto vestindo a camisa do Arsenal, a de número 19. História, ele fez: foi o primeiro japonês a conseguir tal feito. Custou 3,5 milhões de libras aquele jogador que entrou em campo contra Grimsby e Blackburn Rovers, ambos pela Worthington Cup - e também em dois joguinhos na Liga dos Campeões...

Está certo que Inamoto precisava ser um gênio para entrar naquele time. O meio-campo formado por Patrick Vieira, Edu, Freddie Ljungberg e Robert Pires pouco foi mudado no decorrer da temporada - raras exceções para as presenças de Ray Parlour e Gilles Grimandi na volância. "Sabia que ele seria um vencedor desde quando jogou contra a Bélgica", disse Wenger durante a primeira fase da Copa do Mundo de 2002. Mas ele não pensou duas vezes em liberar Inamoto de graça para o Gamba Osaka no verão de 2002. Os japoneses cederam o jogador por empréstimo ao Fulham. Inamoto não teve regularidade e recebeu mais cartões amarelos do que fez gols. Além disso, teve uma lesão na perna que comprometeu a temporada. O técnico Chris Coleman não ficou impressionado e deu tchau para o japa.

A terceira tentativa de se dar bem na Inglaterra foi no West Brom. Gary Megson pagou 200 mil libras pelo meio-campista (que desvalorização em dois anos, hein?!). Como foi um pedido do técnico, Inamoto deve ter pensado: "agora vai!". O único problema foi que Megson não suportou a pressão por resultados e foi demitido. Após passagem do interino Frank Burrows, Bryan Robson foi contratado pelos Baggies. O novo comandante preferia a presença do nada talentoso Ronnie Wallwork no círculo central. A alternativa era ser emprestado para o Cardiff City, na Championship. Em 2005-06, Inamoto estava de volta à primeira divisão, mas não conseguiu segurar seu time na elite do futebol inglês.

No novo ano, o japonês achou na Turquia um novo local para viver. Com Eric Gerets, o Galatasaray, no entanto, não conseguiu manter o título de campeão nacional. Inamoto rodou por Alemanha (Frankfurt) e França (cinco jogos pelo Rennes) antes de retornar à Terra do Sol Nascente. Já são três anos atuando com as cores azul e preta do Kawasaki Frontale. O japa loiro foi à duas Copas do Mundo, mas sempre vai ficar conhecido por ser melhor que Nakamura no Winning Eleven.


O Evangelho segundo o flamenguismo

Arte: Globo Esporte.com
Arthur Chrispin, @achrispin
De Recife-PE

Participar do blog do Felipe Portes não é uma honra, mas é uma galhofa. No meu caso, estas coisas se confundem. Falarei sobre o fenômeno antropológico e religioso do Flamengo e seus súditos, os flamenguistas, uma seita arrogante, bipolar e oscilante que é muito divertida quando se pronuncia de maneira racional [quase nunca]. De qualquer maneira, este ano de 2011- que ainda não acabou - se pronuncia como um ano típico para os Flamengos.

Baseado nisso, discorreremos sucintamente sobre o Evangelho Segundo o Flamenguismo de 2011, em pequenas e parcas linhas:

I - Não terás outros Deuses diante de mim
O time do Flamengo serviu apenas a um Deus nesta temporada, o Deus "pojeto". Esta divindade que justifica tanto as vitórias épicas [5-4 sobre o Santos], como os empates xexelentos [inúmeros] e derrotas vergonhosas [0-4 para La U e 1-4 para Atlético-GO, ambas no Rio]. Assim, em nome do "pojeto", tudo éum mecanismo do destino, que ocorre para que o Flamengo possa exercer suas virtudes e encarar suas fraqueza. "Pojeto" é o Maomé rubro-negro de 2011.

II - Não tome o nome do Senhor em vão
O simples mandamento cuja tradução é "Flamengo é Flamengo". Exemplo: Os torcedores do Convidado - vulgo Fluminense - costumam se autodenominar time de guerreiros, e tentam debochar o Flamengo. Em vão. Quando se debocha do Flamengo, o bicho pega. Pelo menos esta mística ainda sobrevive.

III - Não farás para ti imagem esculpida
Sem o Maracanã, a grande imagem do Flamengo, que é a torcida, se desfez. Não dápra santificar um domingo no Engenhão. Aquele catolicismo futebolístico de ir ao seu teplo venerar os santos do passado como Junior, Adílio, Andrade, Raul, Zico e afins foi trocado pelo programa silvícola de ir ao estádio do Botafogo, que nada mais é do que uma reserva ecológica para abrigar os botafoguenses que ainda não foram extintos. O estádio Vazião - feito pelo IBAMA e doado ao Botafogo para fins da natureza- é o retrato mais opaco de onde um time com a força torcedora do Flamengo pode jogar. O Engenhão não tem identidade, o Engenhão é igual à água [insípido, inodoro, incolor], exceto por um ponto: ao contrário da água, o Engenhão é desnecessário.

IV - Honra teu pai e tua mãe
O Flamengo tem uma relação bipolar com seu pai - a torcida. Alterna momentos de grande honradez com alguns vexames dignos de virar estátua de sal. A torcida do Flamengo, esta entidade maníaco-depressiva que é humilde na dor e arrogante no amor, pena com a instabilidade do seu time.Nelson Rodrigues enxergaria um sem número de virtudes e defeitos no Flamengo atual [ou não, já que era quase cego]. Falando em Nelson Rodrigues, o Flamengo não honra em nada sua mãe, o Fluminense. Como um Édipo da Chatuba de Mesquita, o rubro-negro seviciou o Fluminense de todas as maneiras ultimamente, a ponto de perder apenas um dos últimos quinze jogos. Um matricídio futebolístico.

V - Não matarás
Este é um mandamento que a equipe rubro-negra não segue.Pelo menos 90% dos 33 milhões de rubro-negros já teve um princípio de infarto nesta temporada 2011. Os meliantes são sempre os mesmos: Welinton e sua capacidade incrível de cagar qualquer jogada minimamente fácil, o popular Toque de Sadim; Willians, o godzilla do futebol brasileiro - pois destrói como ninguém, mas construir nunca; e Leo Moura, que depois que deu mole pra caramba, perdeu a Perlla e virou um tremendo vacilão nunca mais acertou um passe. Este trio foi responsável pelo quase assassinato de milhões de rubro-negros. Para completar o 288 - Formação de Quadrilha - inclua os reservas descerebrados como Gustavo Holyfield, Fierro Funcionário Público e outros menos cotados.

VI - Não cometa adultério
O time do Flamengo é craque em subverter isso.E não estou falando das estripulias que ocorrem desde o tempo de Adrianight e Goleiro Bruno; O rubro-negro é pródigo em trair convicções alheias: Não tem chances de título? Vai lutar pela taça. Tem chances de ser campeão? Olha a zona de rebaixamento ali. Por isso, nunca convém subestimar o Flamengo, porque quando menos se espera ele coloca um chifre nas suas convicções.

VII - Não roubarás
A convicção do ludopédio brasileiro é de que o Flamengo é o time da Globo, o time do roubo, o time da imprensa. Se isso for verdade, o Brasileirão 2011 é da Record, porque o Flamengo nunca tomou tanta pernada de anão quanto nesse brasileiro. Nenhum pênalti marcado a favor, vários gols legítimos anulados, expulsões repletas de mirabolância e coisas afins. Óbvio que o Flamengo não foi só prejudicado, também houve erros a favor do rubronegrismo, mas para quem é intitulado pelo alheio ululante como time da Globo, o Ibope está muito baixo em 2011.

VIII - Não cometerás falso testemunho
Este é o ponto nevrálgico do Flamengo em 2011. Muitos falsos testemunhos em campo. Welinton comete o falso testemunho por não ser zagueiro, Renato Abreu idem por não ser meio-campista e há diversos coadjuvantes que ferem este mandamento. O time ganha de forma improvável e perde em circunstâncias igualmente improváveis. E isso é muito Flamengo, não só em 2011, mas em qualquer ano.

IX - Santificará o teu descanso
Se tem uma coisa que não foi santificado pelo Flamengo foi o descanso. O descanso dos torcedores foi sempre atormentado por jogos emocionantes, seja pelo lado bom, seja pelo lado ruim. Perder partidas ganhas, ganhar partidas perdidas, errar passes fáceis, acertar passes impossíveis. O Flamengo foi tudo isso, só que ao contrário.

X - Não cobice a mulher do próximo
O campeonato de 2011 não é, nem nunca foi do Flamengo. Até o momento, faltando 5 jogos, o time está há 6 pontos do líder e cobiçando a mulher dos próximos - Corinthians, Vasco, Fluminense, Botafogo, SP e Inter... Se no fim desta cobiça o Flamengo conflagrará seu objetivo, dia 04 de dezembro saberemos.

Craques: Davor Suker

Herói e artilheiro da Copa de 1998, Suker segue como
 um dos maiores nomes do futebol croata (Football Team Players)


Pedro Cuenca, @colderhearts
De São Paulo-SP

Para muitos, o maior jogador da história da Croácia. Para outros, o melhor da Copa do Mundo de 1998, na qual foi artilheiro de maneira indiscutível. A história de Davor Suker, porém, começa na antiga Iugoslávia, no primeiro dia do ano de 1968.

Nascido em Osijek, foi lá, no clube que levava o nome da própria cidade, que Davor começou sua carreira em 1984, nas categorias de base. No mesmo ano, já tinha sido alçado à equipe principal, onde ficou até 1989. Nesse período, já chamava a atenção de muitos e foi campeão do Mundial sub-20 de 1987, além de ter disputado as Olimpíadas de 1988 pelo seu país.

Depois, se transferiu para o Dínamo Zagreb. Lá teve outra excelente média de gols, que o garantiu na Copa do Mundo. Apesar disso, o feroz centroavante só fez número no plantel e não teve a chance de mostrar sua oportunidade. Essa só viria depois, durante as Eliminatórias da Eurocopa, contra as Ilhas Faroe, quando entrou durante a partida e marcou um dos gols. Curiosamente, seria sua última partida pela Iugoslávia, pois a Croácia seria reconhecida oito dias depois.

Em 1991, se transferiu para o Sevilla, onde ficou por cinco anos. Lá, teve a oportunidade de jogar com o craque argentino Diego Maradona. Em 153 aparições com a camisa do time espanhol, Suker marcou incríveis 76 gols. Nesse período, ganhou mais destaque por seus jogos no clube, já que a Croácia e os outros países emancipados da Iugoslávia não disputaram as Eliminatórias para a Copa do Mundo dos Estados Unidos.

E foi em 1996 que a carreira do croata mudou. Ele se transferiu para o Real Madrid, que ainda não tinha o elenco galáctico, mas formava um esquadrão de respeito, com jogadores como Seedorf, Roberto Carlos, Hierro e Raúl. Nesse mesmo período, a Croácia lidera seu grupo nas Eliminatórias da Eurocopa, ficando na frente da Itália. Na competição continental, ele foi o vice-artilheiro com três gols, mas viu sua seleção ficar pelas quartas-de-final, ao ser derrotada para a Alemanha. A vingança viria anos depois.

Apesar das poucas chances no Real Madrid, ajudou seu país a chegar a Copa do Mundo de 1998. E foi no sufoco. A vaga veio na repescagem após uma vitória e um empate com a Ucrânia. As esperanças para o time da camisa xadrez eram poucas. Veio o sorteio e o Grupo H lhe foi reservado, ao lado da Argentina, uma das grandes favoritas ao título, além das estreantes seleções da Jamaica e do Japão.

A Croácia terminou na segunda posição, com seis pontos (perdeu apenas para a Argentina) e Suker com dois gols marcados. Nas oitavas-de-final, a Romênia. Um placar apertado, mas Suker garantiu a vitória. Chegou então a poderosa Alemanha na fase seguinte. Era a chance da vingança de dois anos antes. E não foi diferente. Com show da Croácia, Suker apenas fechou o caixão na vitória por 3 a 0.

Os axadrezados chegavam às semifinais em sua primeira Copa do Mundo, eliminando a Alemanha, campeã europeia em 1996. Na partida contra a França, Suker deixou sua marca, mas não evitou a derrota por 2 a 1 contra o time comandado por Thuram. Na disputa pelo terceiro lugar, vitória contra a Holanda e mais um tento do artilheiro da Copa com seis gols feitos.

No final daquele glorioso ano, Suker ainda concorreu ao prêmio de Melhor do Mundo, mas ficou em terceiro lugar, atrás de Zidane e Ronaldo. Além disso, foi campeão mundial interclubes com Real Madrid, após vencer o Vasco, em partida que disputou poucos minutos.

A falta de oportunidade, aliás, o fez se transferir para o Arsenal em 1999. O cenário, porém, não se modificou. O atacante continuou relegado ao banco de reservas, além de ter se envolvido em uma polêmica ao investir no Manchester United na bolsa de valores e perdido um dos pênaltis da final da Copa da UEFA de 2000, contra o Galatasaray.

Ao sair do time londrino, a carreira de Suker foi ladeira abaixo. Fracassos no West Ham e no Munique 1860 o fizeram se aposentar em 2003. Pela seleção croata, apresentava desempenhos fracos. O país não disputou a Eurocopa 2000, além de ter feito campanha mediana na Copa do Mundo de 2002.

Apesar disso, Suker foi eleito, em 2004, o maior jogador da Croácia pela FIFA. No mesmo ano, esteve na lista dos 125 maiores jogadores em atividade escolhidos por Pelé. É também o maior artilheiro de seu país e, querendo ou não um ídolo para muitos, inclusive para esse que vos escreve.



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Craques: George Best

Best comemora o gol marcado em Wembley, contra o Benfica, na final da Copa dos Campeões
Tauan Ambrosio, @ambrosiotauan
Do Rio de Janeiro-RJ

Além de ser o berço do futebol, a Inglaterra é também o país de grandes bandas da história do rock n´roll. Foi lá que conjuntos como Iron Maiden, Judas Priest, Black Sabbath, Rolling Stones e tantas outras (também excelentes) nasceram. Impossível deixar de destacar o papel dos Beatles na Terra da Rainha. Junto com os Stones, os "Garotos de Liverpool" foram responsáveis pela popularização maciça do melhor e mais pesado estilo de música existente - opinião cada um tem a sua! Para os amantes do esporte bretão, futebol e Beatles remetem também a George Best, um dos maiores jogadores da história. E, ironia do destino, ele escreveu essa história usando a camisa de um time nada querido de Merseyside: Manchester United.

Nascido em Belfast, na Irlanda do Norte, Best já carregava no sobrenome o adjetivo que lhe alçaria ao posto de um dos melhores pontas da história do futebol europeu; considerado por muitos o maior jogador britânico de todos os tempos. Já vivendo em Manchester, estreou pelo United em 1963, com apenas 17 anos. Nesse mesmo ano conquistou a Copa da Inglaterra. Ao lado de Bob Charlton e Denis Law, levantou o título inglês da temporada 1964/1965, que colocou o clube na Copa dos Campeões da Europa – a Champions League. No torneio europeu, destacou-se na partida das quartas-de-final, contra o Benfica de Eusébio, uma potência que já havia conquistado a taça orelhuda em duas oportunidades (1960/1961 e 1961/1962).

Na primeira partida, no Old Trafford, vitória mancuniana por 3 a 2; na segunda, em Lisboa, o United goleou por 5 a 1. Nesse jogo, Best fez um hat-trick e se consagrou com o apelido de “O Quinto Beatle” – em referência ao seu talento nos campos e com as mulheres, além do fato de seus cabelos e costeletas lembrarem muito os usados pelos Garotos de Liverpool. O sonho da conquista, porém, acabou nas semifinais, com uma derrota para o Partizan. A chance de levantar o cobiçado troféu europeu veio novamente na temporada 1967/1968 (no ano anterior, os comandados do lendário treinador Matt Busby, os “Busby Babes”, conquistaram o 7º Campeonato Inglês da história do Manchester United. Durante essa temporada, Charlton, Law e Best foram responsáveis por 53,4% dos gols do time, isso fora as assistências).

Após passarem pelo Real Madrid nas semifinais da Copa dos Campeões, os Busby Babes voltaram a enfrentar o Benfica, desta vez na final. Para os Red Devils, melhor lugar impossível para a decisão: o Estádio de Wembley. Jogando de azul, o United empatou com os benfiquistas no tempo regulamentar: 1 a 1, gols de Bob Charlton e Jaime Graça. Na prorrogação, passeio dos Diabos Vermelhos, que marcaram três vezes e entraram para a história como o primeiro clube inglês a levantar o troféu mais cobiçado da Europa. O primeiro dos três tentos marcados na prorrogação foi um golaço de Best, aos 92 minutos. As excelentes atuações nos flancos ofensivos lhe renderam a bola de ouro da temporada 67/68.

Infelizmente, Best não chamava atenção somente pelo seu talento com a bola. Fora de campo, as longas bebedeiras e algazarras passaram a virar notícia. Os atrasos nos treinos, atividade que já não era a preferida do jogador, lhe renderam multas. Já sem contar com Charlton e Law no time, o Belfast Boy foi o último do trio a deixar o United, em 1974. Nessa mesma temporada o time acabou sendo rebaixado. O gol que selou o descenso dos Diabos foi, ironicamente, marcado por Denis Law, que passou a defender o Manchester City.

Sem a camisa mancuniana, migrou por diversos clubes, mas ao invés dos gols e das jogadas de habilidade, as notícias relatavam seu alcoolismo e confusões. Depois de uma passagem apagada no futebol estadunidense, teve uma rápida passagem no Fulham e no Stockport, da Inglaterra, mas foi no Hibernian, da Escócia, que voltou a chamar atenção de toda mídia. Seu péssimo estilo de vida fez com que o clube escocês o expulsasse. O caminho traçado pelo camisa 7 rendia muitas comparações à outro craque que sofria do mesmo mal: Garrincha. Ao contrário do Mané, Best teve uma vida mais longa, porém não mais saudável. Chegou a trabalhar como comentarista esportivo e participava de alguns eventos relacionados àquela fase áurea do United, sempre ao lado de Charlton e, principalmente, Law, seu grande amigo.

A história do Quinto Beatle teve seus acordes finais em 2005, quando, devido a complicações no fígado, o mortal e polêmico jogador do Manchester United passou a ser imortal nos corações dos torcedores. Em seu leito de morte, ao receber uma carta escrita por Pelé, trocou as frases engraçadas (“Em 1969, eu abandonei as mulheres e o álcool. Foram os 20 piores minutos da minha vida”) por uma sentença: “Este foi o último brinde da minha vida”. O que o Rei do Futebol havia escrito? “Do segundo melhor jogador de todos os tempos, Pelé”.