segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Ano perdido, ano ganho


João Paulo Borgonove, @Borgo_
De Pedreira-SP

Corinthians

O ano
Como sempre, foi bem difícil. O gordo, no fim do ano passado, falou que não era um problema. Mas foi. Foi um problemão. Tolima. Colômbia. Repescagem. Zero a zero em casa. Pior que o resultado, só o jogo. Pior que o jogo, o gordo. Dois a zero pra eles lá nas ricas terras do café que é melhor que o nosso. Já era o ano. Acabou.

Não. O ano seguiu. Paulistão. Um bom Paulistão. Derrubamos todos. Quase todos. Faltou o time do menino de ouro. Não deu. Perdemos a competição, mas perdemos de cabeça erguida. Foi bonito. São Jorge Henrique jogou mais que podia. Ronaldo jogou menos que se podia imaginar. Aposentou. Tirou um peso inimaginável das costas do time. Do Tite.

Campeonato nacional de futebol do Brasil, o Brasileirão. Dez jogos. Um empate. NOVE VITÓRIAS. Nove vitórias. Cinco a zero no segundo maior rival. Quebra de invencibilidade. São Paulo tava voando. E voou a invencibilidade deles.  Éramos imbatíveis. Éramos.

Décima segunda rodada. Cruzeiro. Pacaembu. Rodamos. Deu TILTE nas asas. Aí começou a fase nebulosa. Júlio Cesar trincando o dedo, guerreiro. Seguiu no tal jogo. Saiu. Renan não aguentou o baque. Danilo deu conta. Voltou o GUERREIRO DOS BRAÇOS CURTOS. O único curintiano do time.

Mais lesões vieram. E de tropeço em tropeço nóis ficamo em pé, sempre lá no alto. Sempre lá na dianteira. E sempre estivemos lá por jogos épicos. Duas viradas em cima do galo de Minas. Duas viradas lindas, bem curintias. Dois a zero pros caras lá em Minas. Acaba o primeiro tempo. Volta. Diminui. Empata. VIRA. Coisa linda. Coisa espetacular.

Chicão em má fase. Tite peitou e afastou. Problema resolvido.Reta final. O time a ser batido. A caça. Maioria dos jogos contra times que lutam pra poder continuar lutando no próximo ano.

GRANDE AMÉRICA DE MINAS COELHÃO DO MAL. Perdemos. Mas ainda estávamos na dianteira. Atlético do Paraná. XEIQUE DAS ARÁBIAS TERRAS LONGÍNGUAS Ceará. Gol no final. Muito no final. CATITO RAMIRES IMPERADOR INCA. Segunda virada no Galo. IMPERADOR REDONDO PAPUDO AMOR. PAULINHO, O MESTRE SUPREMO DA VOLÂNCIA OFENSIVA. Figueira. Nova vitória. De ALEX CZAR MOSCOVITA pra LEVEZINHO O DELÍRIO DA FIEL.

É CAMPEÃO PORRA. 

Era campeão, porra. Gol do time das caravelas no final do final, lá no MAR AZUL. Ficou pra última rodada.

Semana tensa, demorada. Semana que passou. Domingo, dia mundial do futebol. Domingo é dia de título, bebê. Domingo que começou com tristeza. Foi-se o ídolo, foi-se o VERDADEIRO JOGADOR DIFERENCIADO. A vida cobra caro pelo passado. Mas quanto mais caro ela cobra, mais valiosa é. O Corinthians, a partir das quatro e pouco da matina, tinha a OBRIGAÇÃO MORAL E HISTÓRIA E HONROSA de ser campeão. A obrigação esportiva já tinha desde aquele monte de jogo invicto. 

O dérbi
O ALVIVERDE EX-IMPONENTE tava babando pra jogar uma pedra de gelo em nosso mais puro uísque. (E quem coloca gelo em uísque é tudo filho da puta.) Quase chegou lá por várias vezes. Deve ter matado meia dúzia de fiéis. O coração já tava baqueado e foi cada susto que, minha nossa, foi TENSO. Mas MAGO VALDIVIA, O ÍDOLO INJUSTIFICÁVEL, ajudou. Deu uma de Valdivia e foi expulso após uma chegada mais forte no SÃO JORGE HENRIQUE. Aliás, como os ponta-esquerdas do Corinthians apanham, heim? 

Depois saiu mais treta, teve mais jogador expulso -- coisa de jogador (e não time) pequeno que não sabe perder -- e assim foi. O jogo de cá nem tinha acabado e o bando de loco já comemorava o penta. O jogo de lá já tinha acabado -- e em empate. É CAMPEÃO PORRA. Festa linda, enredo triste. DOUTOR SÓCRATES DEMOCRATA BRASILEIRO, esse foi pro senhor. Em sua honra, copos ao alto e uns goles pra comemorar. Muitos goles pra comemorar. 

E chute no ar dá ÁGUA NO JOELHO, só pra avisar. 

Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Palmeiras
O ano
Foi um ano de merda pro Palmeiras. Do começo ao fim. Lá nos idos de fevereiro, eu dizia que seria um 2011 tenebroso. Poucos escutaram. O Paulistão foi a primeira prova de que Felipão não conseguiria ir longe com um elenco mais limitado que perneta em São Silvestre. Perdemos até de forma honrosa nos penais pro Corinthians, mas perder com honra nunca apagou nenhuma derrota na história da humanidade. O perdedor sempre foi só o perdedor.

O início no Brasileiro foi completamente ilusório. Resultados até que expressivos para um grupo desunido e que estava às beiras do caos, uma morte anunciada. A morte veio nas picuinhas criadas por Kléber, que procurou a todo momento se desvencilhar do manto alviverde e fez por onde. Nisso, descobriram que ele já foi integrante da Gaviões, que forçou lesões (até inventou algumas) em prol de uma transferência que ele devia fomentar há algum tempo.

Kléber à parte, o resto também não era no mínimo aceitável. Passamos por maus bocados na Copa do Brasil diante do histórico Coritiba e fraquejamos rodada a rodada com esse bando de jacarés sedentos por dinheiro. Pouquíssimos podem ser lembrados como exemplos de hombridade, como Deola, Assunção, Henrique e claro, São Marcos. Márcio Araújo até tentou figurar neste seleto grupo, mas demonstrou ser fraco de espírito, ao menos por agora.

O Palmeiras se acostumou a ser um time mediano, que se contentava com empates contra equipes mal posicionadas na tabela, perder jogos contra grandes e tentar encontrar razões para o insucesso, a vergonha. Incrível associar a tão irrelevante personalidade, mas fato é que o Verdão melhorou após a saída do traidor #30. As rusgas com Filippone cessaram e se vê que os atletas parecem mais leves, mais focados. 

A reta final desse campeonato mostra que o espírito é outro, veja só, ganhamos até do Bahia. O dérbi contra o São Paulo era um duelo de derrotados em que nós obtivemos êxito. Contudo, o que importa mesmo pra fechar 2011 é esse clássico contra o possível campeão...

O dérbi
Nos últimos minutos do Brasileirão, a tendência de um ano desgraçado se repetiu. Palmeiras dominou, teve posse de bola superior, até deu bons passes, mas pecou nas finalizações. Gerley não conseguia segurar a redonda na esquerda, Valdívia fez totalmente o contrário e Patrik se encarregou de chutar ao gol.

Logo cedo no domingo ficou difícil pensar nas palavras que eu escolheria para o texto, com o baque da partida do Magrão. De alguma forma que ainda não sei explicar, aquilo me afetou bastante, mesmo sempre tendo sido palmeirense. Justamente por não ter nenhuma palavra em especial, sinto que o título está nas mãos certas, afinal. Doutor era uma figura importante, não só um mero jogador.

Não dá pra dizer que deu desgosto. Foi um jogo interessante, apesar de não valer nada além de uma possível carimbada na faixa corintiana. Bem verdade que a frustração de não ter saído de campo com a vitória dói. Mais verdade ainda é que ela não adiantaria de nada para impedir o triunfo alvinegro. Contudo, do fundo do coração, parabenizo os rivais do Parque São Jorge. Sem mais.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Grandes jogos: Liverpool x Alavés

Foto: Betshoot.com

Murillo Moret, @moret_
De São Paulo-SP

O mês era o do aniversário de Steven. Aquela era a terceira temporada dele no clube de vestimenta vermelha. A terceira e o título individual de melhor jogador jovem do país. Coisa pouca ele não era. Não porque Gerrard era titular do meio-campo de Gérard Houllier em 2001. Não porque ele marcou um dos gols na final da Copa da Uefa contra o Alavés.

A maratona foi desgastante. Além da Uefa, o Liverpool disputava a Premier League e as Copas da Inglaterra e da Liga. Em fevereiro, título da última ante o Birmingham. Em maio, dia 12, virada nos últimos minutos e caneco da FA Cup sobre o Arsenal. Quatro dias depois, o Westfalenstadion em Dortmund recebeu os vermelhos e o Alavés.

Os títulos da temporada estavam do lado inglês; do outro, os espanhóis supreendiam a Europa. O Liverpool passou com dificuldades por Roma, Porto e Barcelona até chegar a final. O Alavés, por sua vez, não teve problemas em eliminar a Inter de Marco Tardelli no Giuseppe Meazza, passou pelo Rayo Vallecano e atropelou o Kaiserslautern na semifinal.

A blitz inicial foi do Liverpool. Heskey sofreu falta e McAllister colocou na cabeça do alemão Markus Babbel. Não tardou para Eggen errar passe, Murphy interceptar e começar a jogada que parou apenas no fundo da rede em gol de Gerrard. Só que não tinha bêbado nem morto jogando de azul e amarelo. E eles tinham Cosmin Contra - aquele mesmo do Bayern x Getafe em 2008.

O romeno ainda estava com 26 anos. Um jovem. Um quase garoto que viu espaço de Carragher e cruzou na cabeça de Iván Alonso, o Fàbregas uruguaio back in the days. Aliás, o atacante subiu uns 3m - chutando baixo. Eis que veio mais uma sapatada na cara do Alavés: Herrera saiu johnnyherreramente do gol e cometeu pênalti em Owen. McAllister converteu e os Reds foram ao vestiário em vantagem.

Acabou que em dois minutos o empate aconteceu. Contra, sempre ele, fez o que quis com Carragher. Talvez o inglês ainda seus 60 de acceleration e speed no FIFA 2001. Mas o romeno o colocou para dançar e, novamente, passou a bola na cabeça de um companheiro. O felizardo foi Javi Moreno. Ou por que não bomber? do Alavés ainda virou: à Ronaldinho, bateu falta por baixo da barreira. E isso ainda estava aos 50'.

Era um jogaço. O futuro aniversariante Gerrard tentava motivar o time. Javi Moreno e Contra também. Em um contra-ataque, McAllister assistiu Fowler, no que pensava que seria o último gol da partida. Título nas mãos inglesas. Que escapou. Escapou aos 88'. Jordi Cryuff, filho do Mito, subiu entre três zagueiros para empatar.

A prorrogação viu a expulsão de Magno e Karmona. Desfalcado e combalido, Téllez e Tomic observaram McAllister cobrar falta na cabeça de... Geli. O título voltou às mãos do Liverpool com o gol contra. E ficou por lá. Quinze dias depois da final, Gerrard, quem diria!, comemorou o aniversário com o Treble.

Liverpool (5)
Westerveld, Babbel, Hyypiä, Henchoz (Smicer 55'), Carragher; McAllister, Hamann, Gerrard, Murphy; Heskey (Fowler 64'), Owen (Berger 78')
T: Gérard Houllier

Alavés (4)
Herrera, Contra, Karmona, Téllez, Eggen (Iván Alonso 23'), Geli; Jordi, Tomic, Desio, Astudillo (Pablo 46'); Javi Moreno (Magno Mocelin 65')
T: José Manuel Esnal
Árbitro: Gilles Veissière (FRA)

Estádio: Westfalenstadion, em Dortmund (ALE)

Data: 16 de maio de 2001

Gols: Babbel 4', Gerrard 16', Alonso 27', McAllister 41', Moreno 47' e 51', Fowler 73', Jordi 89', Geli (contra) 117'

Cartões amarelos: Babbel, McAllister; Herrera, Contra, Téllez, Astudillo

Cartões vermelhos: Karmona, Magno Mocelin


Descraques: Tomas Brolin, parte 2

Último momento de Brolin no futebol internacional: uma rolha de poço (Sporting Heroes)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

O baixinho começou a engordar depois da lesão ao fim de 1994. A volta ao Parma, já em meados de 1995 foi deprimente para o sueco, que não conseguia se encontrar em campo, um verdadeiro desastre da natureza.  

Negociado na temporada 1995/1996 com o Leeds, chegou com pompa na equipe do Elland Road para recuperar o bom futebol e aquelas coisas todas que você já cansou de ouvir o Ronaldinho, Robinho, Ronaldo e Adriano falarem nas trocas de clube.

Fez apenas vinte partidas nos Whites e quatro gols antes de ser patrulhado pela torcida do Leeds, que reclamava de suas ausências nos treinos e sua péssima forma quando entrava em campo. Ficou apelidado pelos fanáticos fãs como comedor de tortas, em alusão aos vários flagras dele se esbaldando em restaurantes londrinos. Também é citado como pior contratação do clube em toda a história. É pouca bagunça?

Saiu pela porta dos fundos do Elland Road para tentar a sorte no Zürich. Nos helvéticos permaneceu por apenas um semestre, fazendo três aparições e recebendo um salário vergonhoso de 800 libras por semana. Chamado de volta pelo Leeds, atrasou seu retorno e causou um rebuliço danado em torno da sua situação.
Aí gordinho, gostei do mullet. (Permanent Plastic Helmet)
Contra a sua vontade, deixou o Zürich e voltou à Londres só para ser negociado outra vez. Ao se ausentar da pré-temporada dos Whites, foi praticamente dispensado do quadro de atletas. Tomou os rumos do Ennio Tardini mais uma vez em sua carreira. Fez onze jogos em um ano, completamente fora de forma. Ou em forma de barril, como queira.

Os diretores do Crystal Palace resolveram apostar na redenção de Brolin, o contratando para a temporada 1997/98. Passando vergonha nos Eagles, foi escalado apenas 13 vezes e só serviu para ser chacota perante os outros clubes. Desnecessário dizer que sua forma era cada vez pior.

Por essa razão, Tomas resolveu se aposentar aos 29 anos, realizando seu último compromisso pelo Hudiksvalls, de sua terra natal, na segunda divisão sueca. Virou empresário e dono de uma cadeia de restaurantes, além de hotéis. Posteriormente virou uma das estrelas da Party Poker e constantemente aparece em campeonatos internacionais da modalidade de carteado (ugh).

E você, amigo leitor? Considera o sueco Craque ou um Descraque?


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Craques: Tomas Brolin, parte 1

Craque até metade da década de 1990, Brolin
teve um grande adversário no fim da carreira: o peso
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Ligeiramente balofo e muito decisivo, Tomas Brolin foi um dos grandes jogadores suecos dos tempos modernos. Defendendo a seleção por apenas cinco anos, marcou época na Serie A italiana no início dos anos 90, pelo Parma. Nos crociati, diga-se de passagem, teve seu maior brilho, ao lado de Zola.

Começou sua curta carreira no Sundsvall, pequeno clube sueco. Desfilou seu bom futebol por dois anos, até arrumar um clube de primeira divisão para 1990, no caso o Norrköpping. Lá, definitivamente galgou seu lugar entre os principais jogadores da seleção sueca.

Convocado para o Mundial daquele ano, na Itália, entrou em campo três vezes na vergonhosa campanha de seu país naquela ocasião. Dono de grande habilidade e visão de jogo, Brolin fazia as vezes de um meia clássico, armando iniciativas e por vezes as concluindo.

A atuação na Copa de 90 chamou a atenção dos dirigentes do Parma, que certamente fizeram grande investimento naquele jovem baixinho e robusto, para não dizer outra coisa. Tomas não decepcionou e desde o começo de sua passagem pelo Ennio Tardini fez o seu melhor, que não era pouco. Constantemente dava assistências e dava um toque de molecagem ao estilo de jogo da equipe comandada por Nevio Scala. 

Fundamental na campanha sueca na Euro 92, onde sua seleção foi eliminada pela Alemanha nas semifinais, Tomas foi titular em todos os compromissos, balançando as redes três vezes, artilheiro da svërige no certame.

Seu primeiro título no Parma foi a Supercopa Europeia de 1993. O título em cima do Milan, por 2-0 em pleno San Siro veio após conquista da Taça das Taças sobre o Royal Antwerp, por 3-1. Especialmente neste jogo, disputado no Wembley, Brolin esteve infernal. A partir daí, se deu uma fase estranha na carreira do jovem sueco.

Momento da bela assistência de Brolin para Andersson, contra o Brasil na primeira fase (Catflapfootball)
No Mundial nos EUA em 94, foi um dos coringas da campanha magnífica dos suecos na terra do Tio Sam. Em grande forma, Brolin era o cérebro do time nórdico, que deu trabalho ao Brasil na fase de grupos, passou pela Arábia Saudita, derrubou a boa surpresa da Romênia antes de cair para o mesmo Brasil, tetracampeão naquela oportunidade. O troféu de consolo veio contra a Bulgária, um terceiro lugar para um elenco memorável. 

Larsson, Kennet Andersson, Dahlin, Ravelli, Thern, Limpar e Mild foram heróis em sua terra natal, com a medalha de bronze na Copa. Alguns momentos inesquecíveis de Brolin naquela competição foram a assistência para o golaço de Andersson no empate em 1-1 contra o Brasil na fase de grupos; o belo gol contra a Romênia na prorrogação das quartas de final, além dos gols contra a Rússia e Bulgária no derradeiro cotejo em terras norte-americanas.

Ao fim de novembro de 1994, Brolin sofreu uma lesão no pé, fato esse que desencadearia uma mudança enorme na sua trajetória. O resto você fica sabendo na próxima parte, domingo



terça-feira, 29 de novembro de 2011

Craques: Hans Krankl

Reconhecido como um dos maiores austríacos no futebol, Krankl
 reinou absoluto na seleção nacional nos anos 80 (Getty Images)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Um tanque de guerra. Centroavante dos bons e verdadeiros, Hans Krankl foi o principal nome austríaco nas décadas de 1970 e 80 com o seu perfil combativo e chute potente. O vienense era especialista em furar bloqueios defensivos e até em encarar beques de força excessiva. Aliás, se pudéssemos definir Hans em uma só palavra, ela seria força.

Iniciou sua carreira no Rapid Vienna em 1970, antes de ser emprestado ao Wiener SC. Lá já mostrava seus dotes de finalizador, com 27 gols em 26 compromissos, numa média incrível para um jovem atleta. Retornou aos alviverdes da capital austríaca para ficar por mais seis temporadas. O recorde em sua terra natal veio justamente na última época em que disputou a liga doméstica. Em 77/78 fez 36 jogos e anotou 41 gols. Incontestável, venceu o troféu Chuteira de Ouro da FIFA.

Partiu então para o Barcelona, que contava na oportunidade com Rexach, Neeskens e Heredia. Adorado pelos catalães, ganhou o Pichichi (de artilheiro do campeonato espanhol) em 1978/79 com 29 gols em 30 partidas, sendo um dos maiores homens de frente que já passaram pela equipe blaugrana. Versátil e oportunista, passou a figurar entre os grandes atletas da sua posição depois da passagem pela Espanha.

Sem sequência para 1979/80 devido a um acidente de carro, Krankl alinhou pelo Barça em apenas nove oportunidades. Marcou dois gols e foi emprestado ao First Vienna, onde ficou por apenas um ano e recuperou a boa forma, balançando as redes 12 vezes em 19 cotejos. Referência absoluta na seleção austríaca, vestiu o manto da sua pátria por 12 anos. 

Disputou os Mundiais de 1978 e 82, onde foi determinante para a presença da Áustria nestas competições. Fez excelente Copa na Argentina, marcando 4 gols e sendo o quarto colocado na artilharia do certame. O primeiro, claro, foi Kempes, lenda albiceleste. 

De volta ao Barça para 1981, novamente teve problemas em encaixar um bom número de partidas, entrou em campo somente sete vezes e arrumou suas malas para retornar à mãe Áustria. Jogaria novamente pelo Rapid Vienna, lugar onde se criou como estrela internacional. Mais seis campeonatos e dezenas de gols, já em decadência se mudou outra vez para o Wiener SC, em 86, já ostentando cabelos brancos, sua marca na fase final de seus 19 anos dedicados ao futebol.

Filho de um taxista de Viena, Hans esbanjava carisma. Despojado, ainda tentou a sorte na indústria fonográfica, gravando um LP em 1985, um single chamado "Lonely Boy". Com a alcunha de Johann K; por acaso seu primeiro nome, fez sucesso nas paradas austríacas e não raro no Youtube se pode encontrar perfomances do atacante ao microfone. A parte engraçada é que ele não deixa a desejar no hobby e mostra mais qualidade do que vários artistas reconhecidos como Jorge Vercilo, Mário Frias, Vinny e Felipe Dylon (ok, desculpem por isso).

A segunda estadia no Wiener rendeu. Foram 40 tentos em duas épocas, bom para quem já estava na faixa dos 32 anos. Foi para o Kremser e passou o semestre antes de assinar com o Salzburg (agremiação que deu origem ao Red Bull Salzburg que temos hoje) para daí sim realizar suas derradeiras 14 aparições e deixar 10 gols, encerrando sua interessante carreira em 1989 e tornando memorável o seu bigode, figura que representa bem o que foi a década de 80...

Confira abaixo um compilado com os melhores lances de Krankl em 19 anos de carreira, e claro, sua música. 


Verão de '85

Foto: Botões para sempre
Fabrizio Pugliese
De Novara-ITA

Muitos hão de dizer que o time italiano mais notável da década de 80 foi a Juventus de Platini, Inter de Rummenigge, Milan de Baresi, Udinese de Zico, Fiorentina de Sócrates e Antognoni, talvez a Roma de Falcão, ou quiçá o Napoli de Maradona. A priori uma coisa a ser destacada dentre estes esquadrões: o investimento no elenco. Com planteis estelares, os grandes da Serie A se digladiavam, um simpático clube de Verona vinha silenciosamente galgando o seu espaço no hall dos campeões italianos. 

Em 1985, alguns dos brilhantes nomes que contribuíram para esta glória veronesa são Briegel, líbero e lenda alemã, Elkjaer e Galderisi, uma dupla dinâmica no ataque, Fanna, Di Gennaro e Sacchetti como ases do meio campo além de Tricella, Ferroni e Volpati para a retaguarda, tão intransponível quanto o fantástico Briegel. 

Era um time combalido, valente, decidido e bem treinado por Osvaldo Bagnoli, surpresa também no banco de reservas. Bagnoli, diga-se de passagem, foi até contratado pela Inter em 1989, após longa carreira no comando de equipes de menor expressão. Importante notar o grande trabalho de bastidor por parte do técnico, que conseguiu o feito de levantar a Serie A apenas dois anos depois de um acesso. Com peças suficientes para conseguir uma classificação média na mão de qualquer outro colega de profissão, Osvaldo tirou não só leite da pedra gialloblù, mas sim suco de laranja, caipirinha e qualquer outra bebida deliciosa que você possa imaginar. Foram apenas 17 atletas usados em toda a campanha.

Naquela temporada em especial, o scudetto veio sem grandes dificuldades, de ponta a ponta, com apenas duas derrotas e muitos empates. Não podemos chamar um time desses de irregular, jamais. Tudo se resume a um ótimo planejamento e a sabedoria de um grupo de atletas que sentiam que poderiam conquistar algo maior. 

Foram 43 pontos, 15 vitórias, 13 empates e duas derrotas, bem menos que as cinco da vice campeã Juventus, batida por quatro pontos. A peculiaridade vem no número de gols marcados: 42. Ao lado da Inter e atrás de Udinese (43) e Juventus (48), o setor comandado pelo dinamarquês Elkjaer foi deveras imponente e integrante do Top Five dos melhores da temporada. Todavia, o que chamava mais a atenção nos Mastini era justamente a defesa. Briegel e Tricella estiveram impecáveis para uma caminhada de apenas 19 tentos concedidos, com média de 1,57 por jogo.

Finalista em duas edições anteriores da Coppa Italia, este Verona não se abateu com os insucessos e chegou forte para a Serie A seguinte, querendo superar a própria façanha. Somando vitórias contra Fiorentina (2-1 em casa e 3-1 fora), Juventus (2-0 em casa), Napoli (3-1 em casa, na estreia de Maradona), e Roma (1-0 em casa).

Este triunfo de 1985 continua sendo o único título da simpática agremiação veronesa, que tenta a todo custo se reerguer de anos inglórios em divisões inferiores na Itália. Atualmente na quinta colocação da Serie B, é de se esperar que este ano os gialloblù retomem sua trajetória na elite e quem sabe reescrever novos tempos. O clássico contra o Chievo é só o primeiro dos objetivos a serem traçados.



segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Coxa tá no G5 (caralho)

Jéci comemora gol sofrido do Coxa na vitória sobre o Avaí (GloboEsporte.com)
Rodrigo Salvador, @novosomsalvador
Texto psicografado por Felipe Portes

Limbo

Eu tinha 26 anos, fui no Couto Pereira, estádio do Coritiba, ver meu time jogar. Tinha uma chance pequena de entrar no G5, tinha resultados prováveis que podiam nos levar até lá, mas eu não acreditava, era coisa demais. Cheguei cedo, compramos ingresso pra patroa e pro meu irmão, encontramos o pessoal que tá sempre por lá e beleza, entramos. Eu não sabia o que estava por vir.

Jogo? Demorou pra começar. Era 30 do segundo tempo quando o jogo começou. Antes disso, rolou uma pelada no campo, com o Vanderlei defendendo até chute de atacante impedido, e o Coxa chutando uma na trave e as outras na trave lá da grade da torcida visitante. 

A rodada acontecia na arquibancada, e só lá. Um tiozão girtou um gol fake do América e o estádio inteiro caiu na dele (verdade, última cena engraçada da minha vida). Depois saiu mesmo o gol do América, aí todo mundo com os radinho confirmou. No primeiro tempo também saiu gol do Galo e do Flamengo, gols que a gente contava pra poder ganhar e entrar no G5. E passou rápido, assim mesmo, porque não teve nada de mais. Eu mais brinquei com uma menininha fofinha lá do que vi a pelada que rolava.

Voltou o segundo tempo e o Coxa mexeu. Tirou as ínguas, improvisou outras, ficou tudo a mesma meia boca. O jogo continuava ruim quando saiu o gol do Palmeiras. Porra, se ganhasse a gente ia pra sexto. O Atlético empatou, o Cruzeiro virou, eles tavam sendo rebaixados. Tá, legal, mas pô, a gente não vai ganhar esse jogo não? Pá, ataca daqui, ataca de lá, gol do Corinthians. Fudeu, foi aí que eu comecei a ver a luz. 

O cara gritou o gol do Corinthians e na mesma hora eu sentei desesperado, um gol colocava a gente em quinto e NÃO VAI SAIR ESSA PORRA DE GOL, o que tava saindo eram meus cabelos e uns gritos de raiva. Praticamente na mesma hora, o maluco deles chuta o Geraldo e é expulso. A galera comemorando enquanto AQUELE MALDITO JOGO NÃO COMEÇAVA DE NOVO PORRA TIME TIRA ELE DAÍ, TIRA O CARA, TIRA ELE, VAMO JOGAR VAMO FAZER O GOL. E eu vendo a luz.

Um chute pra fora, outro chute pra fora e depois mais um chute pra fora. Daí um cruzamento errado e depois um chute pra fora. O lanterna, com 10, time misto, sem o Caçapa (se ele tivesse lá, seria a única justificativa pra não fazer gol até aquela hora) e o Coxa ainda no zero. Todas as amareladas passando na minha cabeça. 98 contra a Portuguesa, 2002 contra o Gama, 2004 na Libertadores, 2005 perdendo oito jogos e cair, 2006 sem ganhar oito jogos e não subir, ia acontecer de novo e eu ia estar ali de novo. Escanteio pro Coxa, gol do América, cala a boca galera esquece esse jogo olha essa maldição aí acontecendo de novo o Coxa vai perder mais uma chancGOL GOL GOL CARALHO GOL GOOOOOOOOL GOOOOOOL AAAAAAAAAAAAAAAAAH GOOOOOOOOOOOOOOOOL. Corri não sei pra onde, abracei não sei quem, me pendurei na grade...

E sei lá, acho que foi nessa hora que aconteceu. É foda, não tem como saber a hora que você morreu. Só sei que foi foda, foi um gol fantástico, nem sei direito quem fez, quem cruzou, quem tava no campo aquela hora. Sei que nem no melhor save de FM teria uma última rodada assim. Sei que nunca esqueceria isso se continuasse vivo depois do jogo. Mas morri né. Aqui no além é tudo diferente, sério, vocês não tem noção. Mas tem uma lei que a gente não pode dar spoiler da morte. A única coisa que vou contar é que Deus existe e é mó maneiro, gente finíssima. Digo, divindade finíssima. Vocês vão adorar conhecer.

Descraques: Robbie Savage

Foto: Mirror
Robbie Savage era selvagem em tudo, até no nome. Épico volante galês que fez sucesso na Premier League nos anos 2000, adorava receber um cartão amarelo e fazer faltas absurdas em adversários. Rei do carrinho e da tesoura, Robbie é um legítimo Descraque

sábado, 26 de novembro de 2011

Desafortunados: Joe Cole

Isso é Joe Cole: futebol arte, futebol moleque, de várzea, toco e me voy ao solo
(Foto: Negócios do futebol/ Expressão: Arthur Chrispin @achrispin)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Queridinho da Inglaterra na década de 2000, o Desafortunado de hoje realmente merece o adjetivo da seção. Dono de canelas (no caso joelhos) de vidro, como diz o vocabolário (vocabulário da bola, sacou? sacou? não? não. Ok.) do esporte bretão.

Acontece que além de se quebrar mais fácil do que biscoito de polvilho numa tarde de sol, Cole não era bom no Winning Eleven. Ao contrário de Junichi Inamoto, um dos últimos atletas citados aqui nesta editoria pelas palavras do amigo Lobão, vulgo @moret_. Naquelas gloriosas jogatinas virtuais, difícil ter algum amigo seu que optasse por Joãozinho como referência no meio campo. Na vida real, Joe Cole era sempre aquele reserva que se machucava. Quando titular, aproveitava bem a suas chances, até que alguma lesão o acometesse. Uma lástima.

Começou lá em 1998, no West Ham. Nesta temporada em particular, o meio campo hammer era mais lotado que o 7545- Praça Ramos na hora do almoço. Lá o nosso desafortunado de hoje aprendeu alguns fundamentos e alguns macetes com o jovem Frank Lampard, com o saudoso Marc-Vivien Foé, Paolo Di Canio, Jimmy Bullard, entre outros canalhas da terra da rainha. 

Pequeno Joe foi convocado para o Mundial de 2002, na Coreia e no Japão, seguindo a política britânica de recrutamento para jovens talentos abaixo dos 18 anos. Wayne Rooney, Gareth Barry e Theo Walcott são bons exemplos. Chamou a atenção com seu bom futebol (tolos dirigentes do Chelsea, mua-ha-ha-ha) e foi para o Stamford Bridge naquele inesquecível verão de 2003.

No início da era Roman Abramovich comandando (entenda $$) os Blues, era visível a estratégia por contratar jogadores de destaque no futebol inglês. Saindo de uma fase de jogadores míticos como Marcel Desailly, Emmanuel Petit, Claude Makelélé, Mario Stanic, entre outros que brilharam na década de 90, a agremiação londrina resolveu acreditar na promessa daquele rapazinho de 1,75m que mostrava bom passe, velocidade, e visão de jogo. A farsa estava para começar. Se bem que, treinados por Claudio Ranieri, era difícil sair algo de bom, de qualquer forma.

E daí que Cole conquistou a confiança e a simpatia da torcida azul e do público inglês, que clamava pelo seu nome na seleção. E você aí pensando que o hype por convocações é exclusividade do povo brasileiro. Sua primeira grande chance no English Team foi em 2004, na Euro em Portugal. Quem não se lembra daquele time incrível dos ingleses, David Beckham em chamas, Lampard inspirado, Steven Gerrard nem tanto e do famigerado escorregão de Becks no pênalti decisivo contra os lusos. Ah, que verão aquele...

Joe disputou apenas uma partida naquela Euro, contra a Croácia, ainda nos grupos, num 4-2 inglês, que já tinha vaga garantida para a próxima fase. Seguindo com boas atuações e costumeiros afastamentos por lesão, Cole tinha carisma e bola suficientes para se manter em bom nível na Premier League, sendo aquele jogador que entrava durante os cotejos já resolvidos para pentear a redonda e se desse, marcar um golzinho. 

Eis que Sven-Goran Eriksson inclui mais uma vez Joe Cole em sua lista para o Mundial de 2006. Titular em todos os cinco jogos do English Team, deixou boa impressão apesar da eliminação diante de Portugal, nas quartas. Fadado ao insucesso internacional, tal qual Gerrard, Lampard e Beckham, Joãozinho foi peça importante para o Chelsea até 2008, quando começou a amargar o banco. 

Em decadência técnica (bem precoce, diga-se de passagem) e lutando contra contusões complexas, Joe passou um dos momentos de maior vergonha na sua carreira, ao ser trocado por Yossi Benayoun no Chelsea e partir para o Liverpool. Logo na sua estreia, foi expulso num lance com Laurent Koscielny na peleja contra o Arsenal. Novo quadro de chinelagem impediu o queridinho da Inglaterra de ganhar sequência nos Reds, onde participou de apenas 11 encontros pela Premier League. 

Agora no Lille, Cole quer apagar a imagem de chinelinho com bom futebol (Europe 1.fr)
Recomeço à francesa
Depois do fracasso em terras beatlemaníacas, Joe foi emprestado ao Lille, campeão francês. Les Dogues tinham de se reforçar após a saída de Gervinho, Adil Rami e Yohann Cabaye e trouxeram alguns bons nomes  para a reposição. O nosso inglês pegou a camisa de número 26 e admite estar impressionado com os rumos tomados, ele que já está chegando na casa dos 30. 

"Estou sentindo aquele espírito outra vez. Aqui (em Lille) todos parecem se entender perfeitamente, além de sermos amigos. É um lugar animador e relaxante, as condições de trabalho são excelentes e tenho prazer de vir trabalhar todos os dias", confessou ao portal britânico Mirror Football. Que lindo, gente.

Tido como grande talento e estrela em território francês, Joãozinho terá sucesso nesta nova empreitada? Os cães de Lille irão latir felizes a cada vez que Cole fizer um gol? (marcou em seu debut contra o St. Etiénne) Será que os sinos tocarão com o retorno de mais um grande jogador aos relvados da Ligue 1? Eu não me canso de fazer perguntas ao fim dos textos?

Por fim, esta é a hora e a vez de Joseph John Cole? Rufem os tambores.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Cabeça de fósforo

Foto: BVB Freunde
Gênio surgido no humilde futebol da Alemanha Oriental, Sammer conseguiu ganhar prestígio o bastante para ser ídolo no seu país unificado. Se consolidando como um dos jogadores mais importantes no cenário alemão nos anos 90, conduziu o Dortmund a sua maior conquista em campo

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O dilema de Vitor Pereira

Vitor Pereira, já com passagem conturbada pelo comando técnico do Porto (Armada azul e branca.blogspot.com)

Por Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

Parece um pouco cedo para dizer, ou mesmo exagerado pela colocação do Porto na Liga Zon Sagres, mas o time comandado por Vítor Pereira é muito diferente do de André Villas-Boas. As diferenças saltam à vista. Inclusive os jogadores não estão ao lado do treinador.

Já conhecemos muito bem a (curta) história de Villas-Boas com o FC Porto. Em apenas uma temporada ele conquistou praticamente todos os títulos que disputou (exceto Taça da Liga) com os Dragões e ainda por cima, o título nacional veio de forma invicta. Como se não bastasse isso, as atuações do time portista eram sempre empolgantes e memoráveis, prezando por um futebol muito vistoso.

Com o fim da temporada 2010-2011, surgiu o interesse do Chelsea no jovem treinador português, visando a substituição do italiano Carlo Ancelotti. Logicamente o presidente Pinto da Costa não queria se desfazer de seu treinador, mas depois de uma multa rescisória altíssima oferecida por Roman Abramovich, ele não teve como negar.

Boa parte da comissão técnica foi com ele para a Inglaterra, exceto Vítor Pereira, que ficou no Dragão. O ex-auxiliar então foi rapidamente eleito novo técnico do time, contando com todo o apoio do presidente portista, que declarou total confiança no antigo "braço direito" de AVB para o cargo. Em uma de suas declarações, Villas-Boas até mencionou que o verdadeiro "gênio tático" do Porto era Pereira e não ele.

Mas infelizmente o que estamos vendo na temporada não é nada disso. Apesar de ser vice-líder do campeonato com a mesma pontuação do Benfica, o time ainda não convenceu. Aliás, muito pelo contrário, só deixou a desejar. Até a efetividade perdeu, tanto que é terceiro colocado no grupo G da Champions League, que é liderado pelo APOEL.

Aparentemente a "gota d'água" foi a eliminação para a Académica (treinada por Pedro Emanuel) na Taça de Portugal, perdendo por 3-0. Isso provocou revolta em toda a torcida, tanto que a SAD portista foi forçada a alertar Fernando Madureira, presidente da torcida organizada "Super Dragões", para acalmar a todos.

O objetivo é evitar que o incidente de 2006 se repita. Na ocasião, o treinador era o holandês Coo Adriaanse (hoje no Twente). Justamente depois de uma eliminação na Taça de Portugal seu carro foi vítima de diversos vândalos, todos da mesma torcida comandada por Fernando Madureira.

Mas, como em 2006, é bastante provável que Pinto da Costa banque Vítor Pereira até o final da temporada, já que ele não costuma voltar atrás em suas decisões. O fato é que Pereira terá que conquistar a confiança do plantel e fazer esta equipe voltar a jogar bem, algo que de momento parece muito complicado.

O 4-3-3 foi conservado e, além de Falcão, nenhuma outra peça importante foi perdida. O que intriga é como o Porto se comporta dentro de campo, sendo bem menos vertical, lento e sem toda aquela capacidade de compor invejável. Em suma, parece que o time envelheceu de uma hora para outra.

A forma mais simples de se notar isso é em Hulk. As atuações dele refletem no time. E provavelmente ele faz sua pior temporada desde que chegou aos Dragões. Como em 2010-2011 ele foi artilheiro e verdadeira referência portista dentro de campo, é constantemente buscado por seus companheiros. Mas não responde à altura. Tanto que Pereira já foi forçado a sacá-lo de campo, o que mudou um pouco a cara do plantel, mas provocou uma enorme revolta em todos.

Este dilema que vive Vítor Pereira é realmente muito complicado. E, ao invés das coisas melhorarem, estão piorando. A última notícia -divulgada pelo jornal "Expresso"- é que um grupo de jogadores não confia no atual técnico. O respeitavam como auxiliar, mas como comandante não. Segundo a mesma fonte, o líder deste grupo é João Moutinho, que curiosamente foi muito bem servindo a seleção portuguesa, mas péssimo com o FC Porto.

Caso esta notícia seja verdade, não restará outra alternativa ao presidente que não seja demitir Vítor Pereira, porque é impossível trabalhar com um time sem ter a confiança dos jogadores. E agora ele terá pouquíssimo tempo para provar que são apenas boatos "plantados" pela imprensa e fazer com que o time melhore, ou será forçado a sair pela porta dos fundos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

17 anos atrás

Desailly e o quarto gol milanista frente o Dream Team do Barça (Bleacher Report)
Felipe Portes, @portesovic
Da internet que não quer funcionar-VIVO
(Que a operadora do bonequinho exploda em um zilhão de pedaços)

Senhores, nesta quarta-feira teremos mais um capítulo de uma novela das mais nobres do futebol europeu. Se enfrentam no San Siro Milan e Barcelona, pela quinta jornada da chave H. O que poucos de vocês (penso eu) não sabem é que esses dois titãs do velho continente já decidiram uma Liga dos Campeões, no ano de 1994. 

Lá quando o Brasil ainda não era nem tetra, Romário não tinha sido melhor do mundo, Ronaldo não dava suas arrancadas, Xavi não era capitão blaugrana, Puyol não tinha vasta cabeleira e este que vos escreve ainda nem sabia andar de bicicleta, muito menos falar Eintracht Frankfurt, esses gigantes duelavam no Olímpico de Atenas na tarde do dia 18 de maio. 

Duas seleções, na acepção da palavra, reuniam grandes talentos daquela época. Do lado milanista, além da base da seleção italiana que disputaria o Mundial dos EUA, Fabio Capello podia contar com Zvonimir Boban, Dejan Savicevic (dois astros eslavos) e Marcel Desailly como estrangeiros e não menos brilhantes. 

Johan Cruyff, pelo lado do Barça, se orgulhava de ter Ronald Koeman (capitão e responsável pelo gol do título da LC de 1992, em cima da Sampdoria), Romário e Stoichkov. Se deu ao luxo de dispensar o gênio danês Michael Laudrup para não sacar nenhum destes três supracitados. Uma dinastia.

Pois bem, com bola rolando após as festinhas características do certame estrelado, tivemos um baita jogo. Ficará sempre na memória dos rossoneri, e um dia para enterrar a sete palmos para os barcelonistas, como poucas datas na história recente do pavilhão da Catalunha. Só deu Milan, que pareceu enfrentar um adversário no easy com handicap no 1 e com sete em campo. Um banho de futebol, uma aula de como jogar uma final de campeonato. Puta que la merda.

Naquele tempo o mundo ainda não esperava o sacode francês em cima do Brasil, no Stade de France. E em tempos de vacas raquíticas e decisões xoxas, iminência de penalidades para definir campeões mundo afora, o marasmo não teve espaço. Ah, mas não mesmo. Massaro tratou de dar corda aos companheiros e fez o tento inaugural aos 22. Um cartão de boas vindas aos rivais espanhóis. O mesmo rapaz que bateria forte com o cotovelo no rosto de Luis Enrique num duelo desses de Copa faria outro, aos 45. 

Sem dar colher de chá, Savicevic marcou aos dois minutos da etapa complementar. Completamente desestabilizado e sem esperanças, o Barça continuou rendido à velocidade e o jogo objetivo por parte do Milan, que não fez outra coisa além de jogar bola, jogar uma bola das mais convincentes que já se viu. E assim se fez até Desailly anotar o quarto e fechar a conta, para deixar os blaugranas boquiabertos e pensando que pasa, muchacho? que pasa? -Repare em Koeman ao fundo da foto lá em cima, completamente desolado e perdido- 

Claro que alguns anos depois (mais precisamente 12) o Barcelona iria obter seu troco. Não em forma de taça ou goleada, mas sim uma eliminação sofrida na semifinal da LC em 2006. Uma magra vitória de Ronaldinho e seus comparsas em Milão (gol de Giuly aos 57) valeu como passaporte para a decisão contra o Arsenal, não claro escapando de um empate sem gols e cheio de emoções no Camp Nou antes do estágio derradeiro.

E aí o amigo leitor se pergunta se o Barça nunca chicoteou o Milan antes em uma competição europeia. No alto dos históricos perdidos está uma goleada de 5-1 na primeira ronda da LC (que ainda era Copa dos Campeões Europeus) em 25 de novembro de 1959. Ficarei devendo quem marcou cada um dos gols. 

17 anos depois, com Romário e todos os outros que estiveram em campo em Atenas aposentados, é possível que tenhamos uma partida dura, mas com cautela de Guardiola e seus pupilos. Em outras palavras, vá esperando um duelo beirando a monotonia. Já que as vagas estão resolvidas nesta chave, fica difícil esperar grande apresentação de qualquer uma das duas frentes. Contudo, espero sinceramente estar tremendamente enganado nessa previsão...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

AFF

O Fred vai te pegar? Ih, rapaz... (GloboEsporte.com)
Rodrigo Salvador, @novosomsalvador
De Curitiba-PR

Todo campeonato a gente se mete a adivinho de placar, de posição na tabela. Nem tem como ser diferente. E, hipocrisia ou não, dar uma zoada nas previsões é necessário.

Eu joguei no bolão que o Cruzeiro ia ser campeão, aposto que mais gente também. E quando saiu a definição da última rodada com clássicos, "imagina um Figueirense x Avaí valendo a permanência?". Vasco brigando por título, quem diria? Toda essa bobagem seria desnecessária se avisassem o básico: A MALDIÇÃO DO "A" E A BENDIÇÃO DO "F".

É SIM GENTE É VERDADE!!! Imagina se uma voz aparece no meio do Jornal Nacional (tipo o Cid Moreira falando JABULAaAaAaAaAaAaAaAaNI) e fala "Fááááátima, vão cair trêêêêêês times com a letra AAAAAA e vão pra Libertadoooooores três times com a letra EFEEEEEEEEE..." e o caos é instantaneamente instalado no Brasil. No Rio, Fluminense e Flamengo já iam se olhar torto querendo um chegar na frente do outro, a imprensa correndo pra Gávea e pras Laranjeiras e gerando altos acidentes na Av Brasil. O Vasco ia dar de ombro, "foda-se já tô lá mesmo" e o Botafogo ia sentar no meio fio e "porra, de novo?". 

Em Floripa ia ser uma catarse. Todo mané da Ilha ia chorar loucamente, imagina você falar pra um alvinegro que o Figueira vai pra Libertadores. Uns iam rir da tua cara, outros iam tatuar VEM PRO SCARPELLI BOCA JUNIORS. No sul da Ilha os avaianos iam começar a secar os atléticos e o américa, porque né. Aí pensa no Cruzeiro: "Merda, sobrou uma vaga só pra Libertadores então a gente vai ter que HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA". 

A torcida do Coxa ia começar a dançar nas bancadas, aí os atleticanos iam falar "peeeeera pera pera, vai que eles contaram a gente como Furacão?! LI-BER-TADOREEEEEEES". (Hahahaha, porra, essa ia ser a melhor discussão de todas). Em São Paulo iam falar que a voz é mais uma brincadeirinha sem graça do Tiago Leifert e ele seria despedido (viu como seria uma boa essa idéia da voz?), e também iam acusar a Globo de complô com a CBF pra beneficiar os cariocas e nossa aguente Juvenal, Andres e Tirone. Grêmio e Inter não iam aceitar e exigiriam separação do Bras---- OH WAIT. Ceará e Bahia iam cearazar e baianar, enquanto iam olhar pra baixo encarando Fortaleza e Vitória com um sorrisinho no canto da boca.

Mas nenhuma raiva ia ser maior que a dos jogadores de búzios e tarô. O Sindicato das cartomantes iria na justiça comum paralisar o Brasileirão alegando maus tratos e combinação de resultados. Ia rolar um Globo Reporter... não, um Record Reporter, sei lá como chama a cópia deles, falando sobre as dificuldades da profissão, o preconceito e etc. E eu vou colocar um ponto final nesse texto pros idiotas pararem de ler.

Qual é o maior clássico do mundo?

Recoba (ao centro) e seus companheiros comemoram a vitória no dérbi (El País.uy)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

O título deste post é uma questão que costuma ser discutida pelos fanáticos do futebol, mesmo que seja virtualmente impossível responde-la. Afinal, ela implica em comparar coisas muito difíceis de medir, como rivalidade, camisa, tradição, torcida e títulos.

Em grosso modo pode-se citar dois tipos de clássico. Alguns devem sua grandeza ao fato de reunir camisas com muitos títulos nacionais e internacionais, colocando frente à frente equipes universalmente admiradas: Inter x Milan, Real Madrid x Barcelona e Boca Juniors x River Plate são exemplos.

Por outro lado, há equipes que disputam clássicos de outra natureza. Em geral são os dois clubes que hegemonizam completamente alguma liga mediana, e há muitas décadas anualmente fazem confrontos que param seus países. Fenerbahce x Galatasaray e Celtic x Rangers são exemplos do segundo tipo.

Os clássicos do primeiro tipo normalmente ocorrem em grandes ligas, com muitos clubes tradicionais, fazendo com que a rivalidade seja diluída. Os do segundo tipo tem claramente uma oposição mais forte, mas tem menos força no quesito títulos relevantes e projeção internacional.

Talvez o único clássico que consiga unir as virtudes dos dois tipos seja Peñarol x Nacional. Como nos casos turco e escocês, são equipes que hegemonizam fortemente o futebol do país, produzindo uma rivalidade inteiramente concentrada um no outro. Mas assim como os clássicos das grandes ligas, são clubes de história fortíssima, somando oito títulos continentais, cinco do Peñarol, e três do Nacional.

Isso não quer dizer necessariamente que seja o maior clássico do mundo. Mas inquestionavelmente merece o direito a postular tamanha honra. E para apimentar a briga, são clubes com perfil distinto.

Mais ligado á elite uruguaia, o Nacional tem uma história marcada por equipes de alta qualidade técnica. É o time que forneceu a base para a Celeste Olímpica que assombrou o mundo nos anos 1920 e venceu a copa de 1930. Jogaram no Bolso o xerife Nasazzi, o gênio José Leandro Andrade (a “Maravilha Negra”) e o diabólico trio de ataque daquela seleção: Pedro Petrone, Pedro Cea e o supercraque Hector Scarone.

Outra façanha incrível do Bolso foi ter 7 titulares na seleção uruguaia que chegou às semifinais do mundial de 1970. Somente 40 anos depois, com a Espanha de 2010 e seus sete titulares barcelonistas, tal façanha seria repetida. Não por acaso, a equipe comandada por Ancheta, Cubilla e Morales, tendo ainda o brasileiro Manga e o argentino Artime, chegaria ao título da Libertadores de 1971.

Clube preferido da comunidade italiana e muito ligado à população mais pobre, o Peñarol tem uma longa história de conquistas baseadas na raça e na superação. A espinha dorsal da seleção uruguaia de 1950 jogava no Manya, como Maspoli, Varela, Miguez, Schiaffino e Ghiggia. Três das conquistas continentais do clube envolvem episódios semelhantes.

Em 1966 o clube perdia o jogo desempate para o River por 2 a 0. O equatoriano Spencer tentou o gol, mas chutou fraco, e o lendário goleiro Carrizo matou a bola no peito, para delírio das arquibancadas. Cheio de brios, a equipe carbonera atacou furiosamente até conseguir virar para 4 a 2. O show de Pedro Rocha, Spencer e seus colegas foi a origem do termo depreciativo “galinhas” para a equipe portenha.

Em 1982 o Peñarol empatou em casa a primeira partida da final contra o Cobreloa, para conseguir o impossível, vencendo a revanche com um gol do lendário Fernando Morena no último lance do jogo. Cinco anos depois, Diego Aguirre, com uma grande jogada individual, marcou o gol do título no último minuto da prorrogação, evitando o empate que daria o título ao América de Cali e garantindo a quinta taça para o Peñarol (curiosamente, o palco dessas três façanhas foi o mesmo: o Estádio Nacional de Santiago).

A se lamentar, o fato de essas duas camisas tão poderosas terem chegado ao ponto em que estão. O Peñarol de hoje é totalmente diferente da equipe bem montada que chegou à final da Libertadores. Sete titulares se foram, assim como o treinador Diego Aguirre. O Nacional também perdeu muitos jogadores da equipe que venceu o último campeonato uruguaio, incluindo suas duas revelações, o zagueiro Sebastian Coates e o atacante Morro Garcia.

Só como ilustração, três dos protagonistas do clássico jogado neste domingo foram jogadores francamente decadentes e à beira da aposentadoria: Recoba (autor do gol da vitória do Nacional por 2 a 1), Carini (falhou no primeiro gol) e Zalayeta (desfalcou sua equipe por uma expulsão estúpida na partida anterior). Se esses veteranos de uma geração que pouco conseguiu com a camisa celeste ainda são protagonistas do futebol uruguaio, é porque há algo muito errado.

Mas se o chamado renascimento do futebol uruguaio não atingiu os gigantes do futebol do país, isso não muda em nada o fato de que é um clássico único no mundo. É o único clássico que simultaneamente coloca em campo 8 títulos continentais e mobiliza a quase totalidade dos torcedores do país. Apesar de tudo, os 60 mil torcedores que estavam no Estádio Centenário ontem atestam a permanência da magia presente em cada encontro entre esses gigantes do futebol mundial.

domingo, 20 de novembro de 2011

Descraques: Vinnie Jones

Foto: Daily Mail
Ele era carniceiro, estouradinho e jogava para a torcida: Vinnie Jones chegou até a apresentar uma série de chamada "Soccer´s hard men" na tv inglesa, tamanha reputação como detonador. Conheça a história do zagueiro que ganhou fama de brutamontes e virou ator de Hollywood

Champions Africana já tem seu campeão

Espérance de Tunis, campeão da Champions Africana (AFP)
Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

Após dois embates contra o Wydad Casablanca (Marrocos), o Espérance de Tunis venceu em casa e sagrou-se campeão da Champions Africana. O time tunisiano havia conquistado um título da antiga Copa dos Campeões africana e estará no mundial interclubes.

Diferentemente do título asiático conquistado pelo Al-Sadd, este não foi contestado pelos especialistas, já que o Espérance fez uma excelente campanha e foi muito bem tanto na ida quanto na volta. O equilíbrio deste duelo era conhecido desde a primeira fase, já que os dois times estiveram no mesmo grupo e empataram duas vezes.

O primeiro jogo da grande final foi realizado no Marrocos, no estádio do todo poderoso Wydad. Claramente o Espérance entrou para segurar o resultado e sair nos contra-ataques. Ainda assim, seu esquema foi um 4-4-2, deixando apenas os móveis N'Djeng e Bouazzi na frente e o craque Oussama Darragi no banco de reservas.

Mesmo com toda a pressão marroquina, os tunisianos se seguraram muito bem, concedendo pouquíssimas chances de gol. O Wydad, armado em um 4-2-3-1, concentrava seus ataques pelo lado esquerdo, com o habilidoso Ahmed Ajeddou. Enquanto isso, apenas N'Guessi ficava na área esperando a bola chegar.

A ótima marcação do Espérance conseguiu anular praticamente todos os ataques dos comandados de Michel Decastel,  tanto que nem o "maestro" Mohamed Berrabeh ou o habilidoso Yassine Rami se encontravam. Por outro lado, quem se destacou positivamente foi o goleiro Lamyaghri, que segurou o 0x0.

Depois deste empate no Estádio Mohamed V, o Espérance de Tunis se converteu em franco-favorito ao título, tendo a oportunidade de decidir no Stade Olympique d'El Menzah. Deu para notar este favoritismo logo no início, quando o time da Tunísia partiu para cima com tudo.

Nabil Maaloul posicionou seu time em um interessante 4-3-1-2. Esquema feito para Darragi, que era o trequartista do time. À sua frente seguiram N'Djeng (mais preso na área) e Bouazzi (segundo-atacante) e atrás estavam os ótimos Korbi, Traoui e Msakni.

Mas a medida mais "cirúrgica" foi sacar o defensivo lateral Coulibaly para colocar o ultra-ofensivo Harrison Afful, que se converteu em herói do time pouco antes do fim do primeiro tempo, quando recebeu a bola na ponta-direita, cortou para o meio, driblou seu marcador e com a perna esquerda colocou a bola no ângulo do goleirão do Wydad.

O primeiro tempo do Espérance foi massacrante. Toque de bola refinado e uma marcação que abafou os jogadores de qualidade do Wydad. A tática de Decastel para este segundo duelo foi colocar um meio-campo muito criativo, com Lakhal e Berrabeh como volantes, mas aí faltou mesmo aquela "pegada";

Pouco antes do fim da primeira etapa -mas já depois do gol- o lateral Lamssen deixou o cotovelo em N'Djeng e foi expulso. Nem é preciso dizer que o Wydad Casablanca voltou do intervalo completamente perdido.

Para completar, nas poucas vezes que a bola chegou a N'Guessi, ele se atrapalhou completamente e perdeu inúmeras chances de empatar e até mesmo virar a partida. Apesar destes esforços, o time anfitrião é que seguiu melhor na etapa complementar e poderia ter marcado mais vezes.

É difícil fazer uma comparação entre o Espérance de Tunis e o TP Mazembe*, campeão da última edição da Champions Africana. O Espérance me pareceu um time mais completo e com mais qualidade, sobretudo defensivamente.

*O mítico TP Mazembe acabou desclassificado desta edição da competição por ter escalado um jogador irregular ainda na primeira fase.