terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Desafortunados: Yegor Titov

Titov era talentoso, porém causou muitos problemas extra-campo por onde passou
(Gol atan kaleye)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Na União Soviética, a sua equipe te deixa para ficar com a mulher em estado final da gestação, diriam os mais ligados em memes internéticos. É com essa premissa que começamos a contar a história de mais um Desafortunado, o russo Yegor Titov, diversas vezes convocado para a seleção russa e de currículo dedicado quase que inteiramente ao Spartak Moscou.

Pois bem, Titov iniciou sua caminhada nas camadas jovens do Spartak em 1993. Passou dois anos dando o seu melhor até chamar a atenção de Oleg Romantsev, treinador da equipe principal dos moscovitas. Era responsável por ser o enganche, o trequartista, ou meia atacantevski dos krasno-belye (alvirrubros em russo) além de marcar muitos gols. Para alguns, tinha grande visão de jogo e sempre sabia o momento certo de dar um drible ou arriscar à baliza adversária. 

Na prática, ao menos até a metade dos anos 2000, era isso que ocorria com Yegor em campo. Determinado e forte nas divididas, capitaneou o lado spartachi durante o período supracitado. Todos o viam como um astro em ascensão, um talento para colocar o selecionado russo dentre as seleções do topo. Na prática não foi bem isso que aconteceu. Chamado por 41 vezes para envergar o manto da Mãe Rússia, disputou sem brilho o Mundial de 2002, além das Eliminatórias para a Euro 2004, ambos sem muito impacto. 

Impacto causou quando foi pego no doping depois de um confronto contra País de Gales nestas mesmas Eliminatórias. Ficou um ano na geladeira (sem jogar no futebol russo, entenderam? hã hã hã? -apaga essa-) e até apareceu como figura constante em reality shows russos. Quer dizer, as pessoas tem de manter sua renda, ora bolas. 

Chegando às vésperas da Euro 2008, em mais um episódio envolvendo a qualificação para o certame, Titov abortou a missão de encarar a Estônia, alegando que precisava ficar perto de sua esposa, até então gestante e prestes a colocar no mundo um pequeno herdeiro. Daí pra frente, só derrota, diriam os amigos @mlklaser, @zenascimento, @zezinhodudu, @tiagofeldens e @Borgo_. Nem é preciso dizer que nunca mais retornou a representar seu país. Fora de forma, entrou em nítida decadência técnica e deixou o quadro de atletas do Spartak na metade do mesmo ano. 

Acertou com o Khimki, pequenucho clube da Premier League russa, que sempre alternava entre a zona intermediária e a briga para escapar do rebaixamento. Terminaram na antepenúltima colocação naquela temporada,  o que fez Titov mudar de ares mais uma vez, optando por encerrar sua carreira no Astana, do Cazaquistão. 

Seu legado como um dos principais armadores do futebol russo ficará pelos próximos anos e na lembrança dos torcedores as boas apresentações são eternas, só que ao contrário.




domingo, 11 de dezembro de 2011

Craques: Carlos Alberto Gamarra

Monstro da zaga por onde passou, Gamarra deixou
 saudades na zaga corintiana nos anos 90 (Bettor)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP, capital mundial da chuva de verão

Para ser zagueiro e ganhar reconhecimento mundial pelo seu trabalho, é preciso ser exímio na função, ter um diferencial e um currículo invejável. Com incrível técnica, capacidade de marcação e desarme, Carlos Gamarra marcou época na seleção paraguaia e em muitos clubes por onde passou ao longo de 16 anos como profissional. Em especial o ano de 1998 em que esteve no Corinthians, sendo capitão na campanha do título alvinegro no Brasileirão.

Lá no Cerro Porteño em 1991, fez um bom primeiro ano no Ciclón e em 1992 levantou a taça do Campeonato Paraguaio em 1992. Foi negociado com o Independiente da Argentina, o famoso Rey de Copas. Sem grande sequência de jogos e amargando o banco do Rojo até decidir por retornar a Asunción.

1993 foi o ano de se consolidar no setor defensivo do Cerro e da seleção paraguaia. As primeiras convocações para a albirroja vieram com naturalidade e Gamarra tinha segurança de sobra para executar a função. Venceu mais um campeonato paraguaio em 1994 e em 1995 foi contratado junto ao Internacional.

Em especial a década de 1990 abriu as portas para atletas paraguaios no futebol brasileiro. Arce e Rivarola foram para o Grêmio e posteriormente para o Palmeiras. O exemplo de Carlos talvez tenha sido um dos mais bem sucedidos em relação ao apreço da torcida.

De imediata identificação com a torcida colorada, Gamarra foi a personificação da raça, do futebol aguerrido praticado no Sul. Não bastasse sua perseverança, ainda aliava a força com uma precisão incomparável. Por essas e outras qualidades, virou um dos pilares na campanha do Campeonato Gaúcho de 1997, afinal, um grande time começa por uma grande defesa.

Gamarra nos seus tempos alvinegros: faixa de capitão e títulos brasileiros em 1998/99
(Gazeta)
Teve rápida passagem pelo Benfica, no segundo semestre de 1997 onde ficou por meia temporada, até voltar ao Brasil, desta vez em São Paulo. Em 1998 chegou a peso de ouro no Corinthians, que ostentava parceria milionária com o Banco Excel, que por sua vez enchia o plantel corintiano com estrelas do futebol brasileiro. Gamarra foi o capitão do combalido grupo do Timão, campeão nacional em cima do Cruzeiro. Desnecessário dizer que seu estilo xerifão conquistou de pronto o coração da Fiel.

Um momento memorável de Gamarra na seleção paraguaia foi o duelo contra a França nas oitavas de final da Copa do Mundo. Sem cometer uma falta durante toda a sua participação no Mundial, lesionou o ombro e jogou durante todo o segundo tempo e a prorrogação imobilizado. Nem mesmo debilitado ele fez alguma infração, tendo feito o cotejo mais memorável por um paraguaio na história do evento FIFA. O duelo terminou 1-0 para os franceses, tento marcado por Blanc na prorrogação, sendo o primeiro gol de ouro da história das Copas.

Para 99, a mesma tendência vitoriosa, comandando a cozinha alvinegra campeã paulista e brasileira, em cima do Atlético Mineiro, sendo colocado como um dos maiores jogadores da posição em toda a história do clube paulista.

Continuando com a tendência nômade, foi vendido para o Atlético de Madrid ao fim de 1999 e esteve presente no rebaixamento colchonero em La Liga. Tratou de assinar com o Flamengo para 2000, que montava grande elenco para os torneios nacionais. Ficou por dois anos na Gávea, sem muito brilho como em dias passados. Levantou um Carioca e uma Copa dos Campeões em 2001.

De partida para a Grécia em 2001, ficou no AEK e conquistou uma Copa da Grécia no mesmo ano, mas já em franca decadência técnica. Ainda sim, sem mostrar o mesmo futebol de antes, virou ídolo absoluto da torcida ateniense. Conseguiu uma transferência para a Internazionale, em 2002, às vésperas da Copa no Japão/Coreia. Fez outro Mundial exuberante, apesar da frustrante campanha paraguaia. Venceu uma Coppa Italia em sua passagem pela agremiação milanesa.

Amargou o banco de reservas em três anos de nerazzurri, sem chances de competir com atletas como Córdoba, Materazzi, entre outros. Gamarra mal entrou em campo, apenas 27 aparições em três temporadas, somadas às lesões que teve neste período. Em 2005, cansado de ser mero esquenta bancos, assinou com o Palmeiras, onde chegaria com status de lenda e para organizar um setor tão carente no clube da Barra Funda.

Foto: Welt.de
Rapidamente assumiu a titularidade do time alviverde e a faixa de capitão, já que Marcos estava lesionado na oportunidade. Longe dos tempos de muralha defensiva e já prejudicado pela idade avançada (35 anos) e problemas com sua forma física, Gamarra demonstrou ter deixado para trás os seus anos corintianos, criticando o rival antes de um clássico no Campeonato Paulista, vencido pelos alvinegros com gol de Tévez, curiosamente em lance ganho em cima do mesmo Gamarra.

Ficou até o fim da disputa da Libertadores de 2006 no Palestra Itália, disputou o Mundial da Alemanha (fazendo inclusive um gol contra na partida frente à Inglaterra) e depois rescindiu contrato. Ficou sem clube até o início de 2007, quando optou por encerrar a carreira no grande oponente do Cerro, o Olímpia.

Por sete temporadas no futebol brasileiro, levou quatro premiações de Bola de Prata (1995, 1996, 1998 e 2005) e ficará lembrado em todas as equipes que passou como exemplo de dedicação, profissionalismo e acima de tudo pelos seus desarmes e jogadas que só um grande craque na zaga poderia proporcionar. Integrando muitas seleções de melhores atletas que os anos 90 tiveram, Gamarra é imortal nos corações paraguaios, alvinegros, colorados, palestrinos e rubronegros.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sócrates, o jogador que eu queria ser



Leonardo Rossatto, @leorossatto
De Santo André-SP

Minha mãe não gosta do Sócrates. Falava que ele era um “bebum”. Ainda em vida, que fique bem claro. O alcoolismo, que ajudou na morte prematura do ídolo, é uma doença, deve ser tratada como tal, e falar que é uma falha de caráter ou algo do tipo é leviano, pra não dizer babaca mesmo.

Não acompanhei Sócrates em sua carreira profissional. Uma pena. Mas sempre tive, quando criança e até determinado ponto da adolescência (aquele em que suas ilusões desabam para dar lugar à dura realidade), o sonho infantil de ser jogador de futebol. Eu via muitos jogadores atuando e nenhum deles tinha o CARÁTER e as características que eu gostaria de ter como jogador de futebol. Até ler e ver vídeos sobre a carreira do Sócrates.
Dentro do campo, sempre quis ser um sujeito com muita visão de jogo, que chutasse maravilhosamente bem de longe, que tivesse alguma habilidade, mas a utilizasse somente para o objetivo do jogo: fazer gol ou colocar alguém de forma genial na cara do gol. Além disso, queria ser aquele cara que marcasse com classe, tomasse a bola no tempo exato sem fazer faltas desnecessárias e saísse jogando com desenvoltura. Obviamente nunca nem cheguei perto disso. O mais perto que cheguei disso foi em um gol de calcanhar completamente casual numa final de um campeonato interno no IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp)
Fora de campo, gostaria de ser um sujeito esclarecido, diferente dos outros jogadores, um líder, que se importa com causas políticas e com a cultura dos jogadores de futebol, querendo atuar e lutar por diretrizes mais justas para a sociedade através do futebol, com muita consciência. Obviamente nunca tive notoriedade e nem futebol para isso.
Mas Sócrates foi o retrato fiel das duas frases acima. Dentro de campo foi vistoso, tinha uma visão de jogo maravilhosa, um estilo de jogo solidário e uma influência incomum sobre os companheiros. Fora dele, era um ativista, defendia causas como a democracia, a justiça social e a honestidade no futebol.
Sócrates morreu. Ele era uma daquelas pessoas que se importava mais com os outros e com aquilo que considerava justo do que consigo mesmo. E, entre essas pessoas, é comum que a própria saúde seja deixada em segundo plano. Aquela história de que “os bons morrem cedo” é verdade. Não só pela saudade que deixam. Mas porque os bons, como o Doutor Sócrates, dedicam-se mais os outros do que a si mesmos.
Sócrates era o exemplo perfeito do jogador que eu queria ser. Gostaria que muitos jogadores de futebol homenageassem o Sócrates. Não apenas com momentos que logo caem no esquecimento, antes ou depois dos jogos. Mas cientes que que a melhor forma de homenagear o Doutor é eternizando o seu legado, tomando o seu procedimento como exemplo e tornando-se um jogador de futebol com senso crítico, que busque se fortalecer não apenas como atleta, mas na cultura, no caráter e na disposição de lutar por uma sociedade mais justa através do futebol. Mostrar que o exemplo dado pelo Doutor Sócrates pode ser replicado é a melhor forma de mantê-lo vivo, agora que ele se foi.
Descanse em paz, Doutor.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Craques: Carlos Valderrama

Maior estrela colombiana de toda a história do futebol, Valderrama também
será lembrado pelo seu estilo ovelha de ser (Colombia link)
Valderrama fez de tudo o que podia para ser um dos maiores ícones da geração dourada do futebol colombiano: grande craque, carismático e herói de um país que teve seu esporte quase que totalmente içado pelo dinheiro do tráfico, fez também sua carreira fora da Colômbia

Ligas sul-americanas: fórmulas e situação de momento

Festa do Nacional, campeão uruguaio desta temporada (Lancenet)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Não é apenas no Brasil que a liga nacional chegou ao fim. Em todo o continente sul-americano as competições domésticas estão na reta final. Como cada país tem uma fórmula diferente, é comum que os que tentam acompanhar esses campeonatos se vejam em dificuldades. Este post tenta explicar melhor como se decide o campeão nos países sul-americanos.

Na Argentina vigora a temporada europeia, de agosto a junho, com dois torneios em que 20 clubes se enfrentam apenas uma vez em cada um, com dois campeões por temporada. O Apertura 2011 ainda terá duas rodadas, mas o Boca Juniors se sagrou campeão por antecipação neste domingo, ao vencer o Banfield por 3 a 0.

No Uruguai o sistema é semelhante, mas com 2 importantes diferenças: são apenas 16 clubes e há um único campeão anual. Ao fim do Clausura, os dois campeões da temporada se enfrentam em jogo único. O vencedor enfrentará o melhor na soma anual em duas partidas, que definirão o campeão. Caso um dos campeões seja também o melhor na tábua anual, a partida semifinal ocorre igualmente. Se essa equipe for a vencedora é a campeã do ano. Se a outra equipe vencer, haverá uma decisão.

Na última temporada, por exemplo, se enfrentaram Defensor, que ganhou o Apertura e o Nacional, campeão do Clausura, e também o melhor na soma dos dois torneios. Se o Defensor vencesse, iria à final contra o próprio Nacional. Como o Bolso venceu, se sagrou campeão sem necessidade da grande final. No momento os tricolores sonham em repetir a façanha, pois se sagraram campeões do Apertura ao vencer o Liverpool por 1 a 0, gol de Recoba.

A Bolívia acaba de adotar o calendário europeu, e assim como a Argentina o país tem dois campeões por temporada. Mas a fórmula não é a de pontos corridos: se formam duas chaves de seis equipes, cada qual classificando quatro para a fase de mata-mata, que começou no último fim de semana com as partidas: Bolívar 1 x 0 The Strongest, San José 1 x 0 Aurora, Nacional Potosí 2 x 3 Universitário Sucre e Guabirá 0 x 0 Oriente Petrolero.

O Chile tem calendário anual, de fevereiro a dezembro, e dois campeões anuais. Mas ao fim de uma fase classificatória, em que todos se enfrentam uma vez, há um mata-mata entre os oito primeiros. O Apertura foi vencido pela Universidad de Chile, e o Clausura iniciou os play-offs no último fim de semana. Os resultados foram: La Serena 2 x 6 Colo-Colo, Universidad Catolica 3 x 1 Audax Italiano, La Calera 0 x 1 Cobreloa e Unión Española 0 x 1 Universidad de Chile.

O mesmo sistema é utilizado na Colômbia, que também teve sua primeira rodada das quartas de final. Os placares foram: Boyacá Chicó 0 x 0 Junior (suspenso no intervalo quando o bandeira foi agredido por um torcedor), Santa Fé 3 x 2 Itagui, América 0 x 0 Once Caldas e Envigado 2 x 1 Milionários.

No Paraguai também há calendário anual e dois campeões anuais. Mas como são apenas 12 equipes, tanto o Apertura quanto o Clausura são jogados em sistema de ida e volta. O Nacional venceu o Apertura, e faltam 2 rodadas para o fim do Clausura. No último, o Libertad lidera com 38 pontos, seguido por Olimpia com 37 e Cerro Porteño com 36.

O sistema equatoriano lembra bastante o paraguaio, mas nele há um campeão anual, conhecido a partir do encontro entre os vencedores das duas etapas. Em 2011 esse confronto será entre Emelec e Deportivo Quito.

No Peru há um torneio único no ano, o Descentralizado, com um sistema semelhante ao brasileiro, mas com uma grande diferença: os dois primeiros colocados fazem uma decisão para conhecer o campeão. Essa final ocorrerá a partir desta semana, entre Alianza Lima e Juan Aurich.

Na Venezuela o sistema é semelhante ao argentino e uruguaio, com temporada acompanhando a europeia e dois torneios anuais, mas com um campeão anual, conhecido no confronto entre os dois campeões. No Apertura, a 2 rodadas do fim, o líder é o Deportivo Lara com 35 pontos, dois à frente do Caracas.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

2010, parte 2

E agora, Cuca? (Futnet)
Leonardo Bertozzi, @lbertozzi
De São Paulo-SP

Pelo segundo ano consecutivo, o Atlético-MG contratou dezenas de jogadores, evidenciou um planejamento confuso e terminou o Campeonato Brasileiro escapando do rebaixamento apenas na penúltima rodada. Dorival Júnior, que em 2010 serviu para salvar o time, foi demitido com a temporada em curso e deu lugar a Cuca.

Depois de um primeiro turno abaixo da crítica, com apenas 15 pontos somados, o Galo mudou de rota no segundo turno. Com a ascensão de jovens como Fillipe Soutto e Bernard e a contratação de Pierre, o time ganhou corpo e melhorou seu rendimento - sobretudo como mandante, permanecendo invicto nesta condição durante toda a segunda parte do campeonato.

O balanço geral, mais uma vez, é de fracasso. A certeza de que pelo menos havia as bases para formar um time com poucas e pontuais mudanças para 2012 foi abalada pela goleada de 6 a 1 para o Cruzeiro na última rodada. O resultado, além de configurar o maior revés do Galo em um jogo contra o rival, ainda tirou a chance de classificação para a Copa Sul-Americana.

Cuca permanece, mas o abalo gerado pelas declarações pós-clássico faz com que ele já comece o novo ano sem margem de erro. Difícil imaginar que o Atlético, que desde 1991 não começa e termina o ano com o mesmo técnico, mude a história desta vez.

Antes tarde do que mais tarde

Lance do clássico paranaense deste domingo, que celou rebaixamento do Furacão (IG)
Rodolfo Dias 
De Curitiba-PR

Ter mais de um técnico na temporada, é tradicional para o Atlético. Isso vem de pelo menos 20 anos para cá. Porém, nos bons anos, mesmo que se mudasse muito, a base do time era mantida.

Em 2001, por exemplo, foram quatro treinadores, o Estadual e o Brasileiro. O time tinha um esqueleto que esteve nas mãos de Paulo Cesar Carpegiani e Flávio Lopes, no Estadual, e depois com Mário Sérgio e Geninho no Nacional.

Não se chegava e saía jogadores, alguns medalhões, em ciclos, como na primeira metade dos anos 90. Não éramos um posto de boias-frias (que naquela época tinham acento). Corte a cana no estadual e depois no Brasileiro até cair fora.

Mas o negócio foi desandando de 2006 para cá e virou de novo a terra dos trabalhadores volantes, sem confundir com os médios defensivos. Este ano foi um excesso. Merece até novo parágrafo.

Seis treinadores em um ano. Sabe aquilo de que se um cara realmente não para em relacionamentos, o problema é com ele? O primeiro erro foi manter Sérgio Soares: o time tinha perdido desempenho com ele no fim do ano passado e ficou fora da Libertadores por detalhes.

Depois, sem repor as perdas da defesa, um tempo com Leandro Niehues, que ainda não mostrou no mínimo estar pronto para dirigir um time do tamanho do Atlético. A aposta em Geninho, na sequência, soou a populismo, pois é o campeão brasileiro pelo clube. A saída dele, com belo aproveitamento rachou o grupo. Quem sabe o Atlético fizesse uma campanha decente com ele no comando? Isso entrou no mundo dos "ses".

Adilson Batista é o oposto de Geninho e aí o time desandou no Brasileirão. Ele jogou o time para baixo com seu método. Renato Gaúcho foi uma solução com data de validade: ele se cansar da cidade. E Antônio Lopes talvez tenha surgido tarde demais, ainda mais que um time pego do meio costuma oscilar.

Fora isso, vários medalhões foram contratados em detrimento dos garotos. Exatamente igual ao rebaixamento do Galo em 2005. Robston, Márcio Borboleta? Oh, disgusting.

Não é nenhuma surpresa essa situação, por mais que o clube tenha superávit coisa e tal. É como um acidente aéreo: são várias falhas juntas para que ele se concretize. Isso sem falar como casos de indisciplina no elenco e de briga política no clube. É muita coisa.

Ceará, tua glória é lutar

Osvaldo em partida contra o Grêmio no Presidente Vargas: grande talento do Vozão (Lancenet)
Sérgio Botarelli, @SBotarelli
De São Paulo-SP

O final de 2010 foi satisfatório. O Ceará cumpriu o que pretendia e terminou um campeonato bom, para quem acabara de subir. Isto já anunciou o início espetacular de 2011. Campeão da primeira fase do Cearense invicto, o Ceará já tinha se classificado para a finalíssima, contra o campeão do segundo turno. Como não poderia ser contra o próprio, o Vozão levou o Cearense do modo que o povo local gosta de dizer: arrastão. Campeão do primeiro e do segundo turno com autonomia e goleada na final: 5 a 0 sobre o Guarany de Juazeiro.

Sob comando de Vagner Mancini e os veteranos Geraldo, Fernando Henrique e Iarley dentro de campo, o Ceará fez uma campanha surpreendente na Copa do Brasil. A alma do time se mostrou forte na vitória sofrida e no último minuto sobre o Brasiliense, no ainda ativo Castelão. O gol? Foi do, até então, xodó da Cearamor: Nicácio.

Depois de eliminar o Flamengo, o Ceará chegou à sua 2ª melhor campanha em Copas do Brasil (na melhor perdeu a final para o Gremio) e tinha pela frente um time que vinha destruindo desde o estadual, o Coritiba. Um empate em Fortaleza e uma derrota em Curitiba eliminaram o Vozão da Copa do Brasil...sob aplausos de todos.

Mas algumas coisas mexeram no time do Ceará, algumas despensas. Iarley perdeu espaço no time e preferiu sair, voltou para o Goiás. Geraldo ficou no banco até onde agüentou e partiu para o Vitória. Nicácio teve desavenças e foi afastado por um grande período. Não condeno o Mancini, por compreender a má fase dos três jogadores. Mas houve sim uma desestabilização no time, que tinha os três como os alicerces, mesmo no banco, por incrível que pareça.

Entre vitórias e derrotas, o Ceará ia se mantendo na 12ª colocação, nada mais que isso. Para o presidente, insuficiente. Mancini demitido. A maior besteira feita sob comando de Evandro Leitão, por ingenuidade e não por incompetência. Por pressão de uma torcida exigente e não por sacanagem. O ano do Ceará acabara ali. A contratação do já desgastado Estevam Soares (que já tinha uma passagem pífia e derrotada pelo Ceará) só piorou as coisas em Porangabuçu. Derrotas atrás de derrotas levaram o time à zona de rebaixamento. A dependência de um só jogador, Osvaldo, fez do Ceará um time previsível e presa fácil para os adversários. A vitória sobre o Gremio, no Olímpico, reascendeu a força que precisava para escapar.

Mas como “adversário de fuga” tinha um grande do futebol brasileiro. E o empate em casa com o Cruzeiro rebaixou, moralmente, o Vozão para a série B. Já que, meio anunciada, a entrega do jogo (digo com a boca cheia: ENTREGA DO JOGO) ao Cruzeiro por parte do Atlético-MG, na última rodada, só consolidou aquilo que já vinha sendo anunciada a muitos jogos, sendo fortalecido com a derrota para o Bahia, no Pituaçu.

É triste ver uma torcida apaixonada, que ama, que acompanha, que não desiste e que não abandona chorar por uma queda. Mas a Cearamor não vai largar o osso tão fácil. O Ceará, agora, já tem experiência suficiente para fazer com que o ano de 2012 prometa muito para a torcida. O ano acaba triste, porém confiante para o futuro. Ceará tua glória é lutar!

Povo? Gente? Bola pra frente

Claudio Pool, ou Caçapa, lenda avaiana deste Dilmão 2011

Rodrigo Salvador, @novosomsalvador
De Curitiba-PR

O jogo de domingo foi um bom retrato do ano do Avaí. Só faltou perder pra ficar um retrato excelente.

O time começou mal o jogo, como começou mal o ano. Um monte de jogador bom foi embora, tipo o Emerson, e veio muita gente boa, tipo o---. O Campeonato Catarinense, dá até um ruim de lembrar. Se juntasse os técnicos dos 10 times em um time, gordos e burros mesmo, pra um amistoso contra o Leão, eles ganhariam (sim, com um a menos). Foram 4 derrotas logo de cara, incluindo uma em casa pro glorioso Imbituba. Chegamos, sei lá como, na final do segundo turno, pra deixar a Chape levar a vaga pra final, puta merda. Tudo errado demais. No clássico também, a primeira meia hora do time foi uma grande, fedida, carcomida, apodrecida e nojenta bosta.

Aí, quando você tá pronto pra ver a próxima demência futebolística do Avaí, ele acerta. O time foi se encorajando, ameaçando, até que o Lincoln (fica Linco =/) cruzou pro gol do Diogorlando. E isso ajuda a lembrar que, nesse ano péssimo, o Leão fez uma coisa boa sim. Quartas de final da Copa do Brasil, todo mundo cantando São Paulo e Vasco na semifinal. O Vasco chegou, mas o São Paulo pegou o Leão. Guerreiro, corajoso, valente, o Leão foi buscar dois gols contra o "soberano" e cavar a vaguinha na semi. Guerreiro, corajoso, valente, a Azurra segurou o Vasco em São Januário e tinha condição total de ir pra final. Miguelão, covarde, medroso, perdeu em casa.

O balde de água fria daquele jogo contra o Vasco tem tudo a ver com o gol do tricolor do estreito ontem. O Avaí mostrando força, vindo do melhor momento que desde o começo do jogo/campeonato, aí toma uma invertida. É de cair os butiá do bolso. O time volta pro lugar em que estava, mas sem ânimo. E dá nisso: jogo arrastado, o time fingindo que o jogo valia alguma coisa. Ano arrastado, o Leão fingindo que podia se segurar na série A. E assim até o fim melancólico. Com o empate, o Leão garantiu duas coisas: a melhor campanha catarinese na história do Brasileiro, deixando o Figueira em oitavo, contra o sexto lugar de 2009; e um grande argumento de bosta pra maquiar as cagadas de 2011. 

Último lugar, nada de relevante no ano. Uma pena pra alguns caras, como o William, o Lincoln, o Caçapa, o Cleverson, até o Neguinho. Não mereciam esse cenário. E a expectativa pra 2012 é baixíssima. Os reforços são do quilate de Aélson, Marcinho Guerreiro, Renato Santos e Ronaldo Capixaba e Neílson. Vai ser um ano ruim se não subir, não importa o resto. Afinal, Zunino vai continuar desfilando do jeito que quer pela Re$$acada dele, vai continuar desmentindo o hino do time e fazendo do Avaí cada vez menos povo, menos gente, menos bola pra frente. O Avaí que a torcida quer é muito diferente do Avaí de hoje, que é "só coração". E agora eu peço licença pra esquecer essa merda toda.

Parados na esquina

Ronaldinho e o time que complicou a vida vascaína na última rodada (Lancenet!)
Pedro Cuenca, @colderhearts
De São Paulo-SP


Foi suado, difícil, na raça e com um sabor amargo no final. O Flamengo começou o ano fazendo barulho anunciando as contratações de Ronaldinho e Thiago Neves. Se esperava um time que apresentasse futebol genial, no Campeonato Carioca. Apesar do título, vencendo os dois turnos - um contra o Boavista e outro contra o Vasco - o rubro-negro teve apresentações irregulares e em muitos momentos irritou seu torcedor.

O primeiro semestre ainda teve a desastrosa Copa do Brasil. Vitórias suadas marcaram as primeiras fases, principalmente contra o fraco Horizonte. Nas quartas-de-final, porém, o duro golpe: derrota para o Ceará no Engenhão. Com a necessidade de reverter o quadro, o Fla fez uma de suas melhores partidas no ano, mas só empatou em 2 a 2 e o reino foi abalado.

De um lado, Luxemburgo era ameaçado de demissão. De outro, Ronaldinho era acusado de exagerar nas baladas. Patrícia Amorim, a presidenta bolha, pouco fez. Mas no Brasileirão, pelo menos no turno, a postura mudou. Por muitas rodadas, o time carioca encarou de frente os rivais paulistas Corinthians e São Paulo. A derrota para o Atlético-GO, já nas rodadas finais, no entanto, mexeu com o brio da equipe e com o restante da campanha.

No returno, o que se viu foi um Flamengo muito apagado, pouco parecido com o que vinha fazendo grandes apresentações nos primeiros vinte jogos. Vitórias heróicas, como a sobre o São Paulo num Morumbi lotado para receber Luis Fabiano ou a sensacional virada em cima do Fluminense, foram ofuscadas para tropeços dentro de casa contra Bahia, Palmeiras, Atlético-PR, empates nos clássicos contra Vasco e Botafogo, além da incrível virada sofrida pelo Grêmio.

Mesmo assim a Libertadores ficou nas mãos. A Pré-Libertadores, na verdade, mas que serve de alento para a apaixonada torcida do Fla. Que o “pojeto” de Luxemburgo dessa vez realmente funcione, que os jogadores rendam seu máximo, e que as contratações sejam bem feitas. O Flamengo não pode viver de resto. Não pode sonhar com o colo de “uma nêga chamada Teresa” e ficar “parado na esquina”.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um ano para se esquecer?

Foto: GloboEsporte.com
Julia Mariano, @Diaba
De São Paulo-SP

São Paulo
O ano 
Mais um ano se passou, ontem (finalmente) acabou o Campeonato Brasileiro, e o São Paulo ficou longe do título e sem vaga na Libertadores 2012. Se fiquei triste com isso? Não. Calma, vou explicar o porquê.

2011 foi extremamente complicado para o SPFC, tanto dentro, quanto fora de campo. Já começamos o ano vendo nossos rivais participando da nossa competição favorita (apesar da desastrosa participação de um deles), o outro acabou se consagrando campeão com um dos nossos ex-técnicos, que sempre ficou no "quase" quando comandava nosso time. 

Não preciso lembrar do Paulista, né? Ninguém gosta dele. Campeonato chato, que só serve como pré-temporada. Ninguém fica triste quando perde, e quando ganha, a animação só dura aquele domingo. 

Aí veio a Copa do Brasil... Confiávamos no título, pois os torcedores mais cegos, viam nosso time como o melhor do campeonato. Caimos no Avaí. É, o mesmo Avaí que foi rebaixado para a Série B.

Começamos o Brasileiro com vontade, e acreditamos que poderíamos ir bem. Veio Luis Fabiano para agregar, mas infelizmente, veio machucado. Sabíamos que demoraria para ele pegar ritmo de jogo e arrebentar. Porque futebol é o que não falta ali. Mas no meio do campeonato, a mingau desandou. 
Perdemos muitos jogos em casa e empatamos jogos relativamente fáceis. Primeiro pensamos que o problema era o técnico, depois pensamos que o elenco era o problema, e agora achamos que o problema é a diretoria.

Não faltou elenco, não faltou técnico. Faltou vontade. Raça. E vergonha na cara. Não honraram a camisa que tanto amamos e idolatramos a vida toda. A camisa que abraçamos na vitória e enxugamos as lágrimas na derrota. A camisa que gastamos uma grana para comprar. Passou da hora de nos livramos de Marlos, Xandão, Juan, Jean, Fernandinho. Mandar metade do elenco embora. Não nos preocupamos com a derrota, mas sim, com a falta de vontade.

O dérbi
Acredito que os torcedores assistiram o jogo contra o Santos com vontade de mudar de canal, e acompanhar os principais jogos da rodada. E muitos devem ter feito isso. O Santos entrou em campo com o time C-2 e eles engoliram um lindo (?) 4x1. Durante o primeiro tempo, muitos se animaram com a possibilidade de conseguir uma vaguinha para a Libertadores, mas me respondam com toda sinceridade, sãopaulinos: Merecíamos? 

Os torcedores mais fanáticos (e cegos) podem dizer que sim, pois ajudaria a animar o elenco para 2012, mas esse mesmo elenco conseguiria se ajustar para competir um campeonato tão duro? Você, sãopaulino, aguentaria mais um ano de esperança para no final, morrermos na praia com os mesmos problemas de 2011? Eu não aguentaria.

E o que precisa ser lembrado em 2011? Isso 
 e isso.

Que venha 2012! Só espero que venha com raça e sangue nos olhos.

Lucas Leite, @lucasleyte
De Passos-MG

Santos
O ano
Um ano em que tudo levava a crer que daria errado, acabou se tornando um dos mais vitoriosos do clube. Sem o futebol alegre do início de 2010, mas com a mesma carência defensiva da equipe de Robinho e Cia., o time da baixada passou por períodos turbulentos com Adílson Batista e Marcelo Martelotte, mas conseguiu se reerguer a tempo graças a chegada do melhor técnico do Brasil.

Com Muricy, o peixe se propôs a jogar defensivamente e apostar no talento de Paulo Henrique Ganso e Neymar. E deu certo. Mesmo jogando sem brilhantismo e exigindo muito do goleiro Rafael em boa parte das partidas, o time da Vila conseguiu, ante o Corinthians, o bicampeonato paulista e, sobre os Uruguaios do Peñarol, o terceiro título da Libertadores, conquista que não vinha desde a Era Pelé.

Se o Santos obteve sucesso na maior competição das Américas, a coisa foi um pouco diferente no certame nacional. Após um primeiro turno de jogadores reservas, de convocações esdrúxulas de seus principais nomes e de várias partidas adiadas, o alvinegro flertou com a zona da degola durante um bom tempo. 

No segundo turno, a equipe até chegou a ameaçar, com oito partidas de invencibilidade, mas a derrota para o Figueirense e outras duas que vieram em sequência fizeram com que o Santos não tivesse mais forças (ou ânimo) para correr atrás do eneacampeonato. De positivo, apenas a artilharia de Borges, que com 23 gols passa a ser o maior goleador santista em uma edição de Campeonato Brasileiro. O que os próximos meses reservam ao Santos? Isso só o tempo dirá...

O dérbi
Longe dos holofotes de São Paulo, o time reserva do Santos foi até Mogi Mirim e não conseguiu fazer frente ao tricolor paulista, que só precisou dos 45 minutos iniciais para vencer na derradeira rodada do Brasileirão. Com apenas um titular (Elano, que visivelmente não tem rítmo de jogo) em campo, o peixe fez um primeiro tempo pífio e não deu trabalho algum ao São Paulo, que não demorou a encontrar o caminho das redes.

A primeira chance veio aos seis minutos, quando Luís Fabiano invadiu a área e exigiu boa defesa de Vladimir. Aos 13 porém, o Fabuloso não desperdiçou. Após jogada de Cícero e Fernandinho pela esquerda, o camisa 9 subiu entre a dupla de zaga santista para cabecear no contrapé do arqueiro adversário.

O gol deixou o jogo ainda mais fácil para o time de Emerson Leão, que seguiu dando trabalho aos fracos laterais santistas com jogadas de lado de campo. Contudo, o segundo tento saiu em jogada frontal, quando Jean avançou pelo meio campo e soltou uma bomba de fora da área.

Minutos mais tarde Lucas anotou o terceiro gol da partida ao se livrar da marcação e, da entrada da área, colocar a redonda no canto direito de Vladimir.

Também em função do forte calor que fazia no interior de São Paulo, o nível técnico da partida caiu vertiginosamente na etapa complementar. O Santos, que tinha Diogo como seu jogador mais lúcido, pecava na armação das jogadas, enquanto o São Paulo preferiu diminuir o rítmo e esperar o tempo passar.

Foi aí que o Santos achou seu gol de honra. Na marca dos 16, Diogo foi derrubado na entrada da área e Elano contou com a dispersão da barreira para colocar a bola no fundo das redes de Rogério Ceni.

Entretanto, o gol pouco interferiu na partida, tanto que a dez minutos do fim Luís Fabiano contou com falha grotesca de Vladimir para deixar sua marca pela segunda vez na partida e garantir a goleada são paulina.

Mesmo com a goleada, o tricolor, que não dependia apenas dele, fica fora da Libertadores pelo segundo ano seguido. O Santos, por outro lado, termina o nacional na décima posição da tabela e volta todas as suas atenções para o Mundial de Clubes, no Japão.

A bela festa de um time que não mereceu

D'Alessandro, o novo homem Gre-Nal? (GloboEsporte.com)

Francisco Luz, @franciscoluz
De Novo Hamburgo, o fim do mundo-RS

Inter
O ano
Se 2011 não foi o ano mais estranho e anticlimático dos 102 que o Internacional registra na sua história, bem, aí eu não sei de nada. Só sei que, das 26 temporadas que vivi como colorado, essa foi de longe a que menos me empolgou. E, no fim, ela termina muito bem, e com um bom cartel de jogos memoráveis para se guardar na memória, além da perspectiva de uma Libertadores pela frente –  e, graças ao agora pentacampeão Corinthians, não corremos o risco de inaugurar um vexame em pré-Libertadores, o que é sempre um alento para quem proporcionou o Mazembaço.

Porque, obviamente, a esdrúxula derrota na semifinal do Mundial de Clubes do ano passado foi o grande NORTEADOR da época vermelha. Foi o Mazembe que fez o Inter iniciar tarde o ano; foi o Mazembe, no fim das contas e com atraso, que tirou Celso Roth do Beira-Rio; e foi o Mazembe o time lembrado pelo Grêmio antes dos dois principais Gre-Nais de 2011, e ambos terminaram com o Internacional triunfante.

A questão toda é a seguinte: se não fosse por Leandro Damião, de longe o jogador mais decisivo que eu já vi vestindo a camiseta encarnada, 2011 seria em tudo ridículo e lamentável. Não bastassem os erros da direção dentro de campo – que chegou ao ápice de se DIVORCIAR simplesmente de Paulo Roberto Falcão, o maior de todos os colorados –, ainda houve o fator REFORMA DO BEIRA-RIO. Isso é o que de mais grave fica, e é o mais preocupante também, já que a classificação à Libertadores vai servir para mascarar a vergonha que é ter iniciado a destruição de parte do estádio antes de saber como ele seria reerguido; e, depois, simplesmente não conseguir explicação nenhuma sobre o porquê de as malditas reformas não começarem.

2011 é, portanto, o ano em que o Inter perdeu o Beira-Rio. Sem o Beira-Rio, perdeu em casa a Libertadores nas oitavas de final, perdeu em casa um Gre-Nal de final do Gauchão e perdeu em casa os pontos que poderiam ter levado o time a brigar por mais, muito mais. Sem o Beira-Rio, a direção também perdeu os critérios e não teve a capacidade de buscar jogadores nas poucas posições em que o Internacional é carente, reforçando de verdade a equipe.

2011 é, também, o ano em que eu menos consegui acompanhar o Inter como colorado, o que deve apenas aumentar daqui para a frente, devido ao meu trabalho – sou editor de Esporte do Jornal NH. Fui em apenas um jogo na arquibancada no ano, e mesmo assim a sensação de ver um time sem coração permanecia. E, claro, tudo isso influenciou para o aspecto negativo que a temporada teve em mim, mesmo que para a história fiquem os títulos gaúcho e da Recopa. Sem o Beira-Rio, eu perdi um pouco do Internacional de sempre que eu tive comigo.

O dérbi
Mas, como havia Damião, e como sempre há D'Alessandro em Gre-Nais, o ano termina bem: com o Estadual conquistado no Olímpico (algo que não acontecia desde 1982), de virada, em dois grandes jogos e com Falcão superando Renato Portaluppi. E, ontem, após o casamento quase eterno com o sétimo lugar do Brasileirão, o Colorado finalmente desencantou e, com a ajuda do seu principal escudeiro neste Nacional – o Resultado Paralelo – conseguiu vencer o rival de sempre e selar a vaga para lutar pelo tri da América.

O jogo foi protocolar, um clássico de cartilha: pegado, com o underdog melhor no primeiro tempo e dando a impressão de que poderia mais uma vez selar a incompetência vermelha, até que D'Alessandro tomou as rédeas do jogo na etapa final e complementou sua relação de puro amor com o Gre-Nal ao marcar o pênalti libertador. O Grêmio até tentou, e foi digno, mas a diferença de qualidade e a motivação entre os dois times foi determinante para a vitória vermelha.

A esperança para um 2012 vencedor deveria existir, mas sem o Beira-Rio inteiro é complicado pensar em algo melhor do que vimos neste ano. Porque, sem a sua casa, o Internacional é não é o Colorado na sua essência – e isso sempre acaba cobrando um preço caro.


Victor Lucena, @victorlucena
De Porto Alegre-RS


Grêmio
O ano

Impossível falar do 2011 do Grêmio sem lembrar do segundo semestre de 2010. O Grêmio, até então comandado por Silas, patinava no Brasileirão e flertava com a zona do rebaixamento. Silas logo foi ceifado, para sua vaga, o maior ídolo da história tricolor: Renato Portaluppi.

Renato chegou e logo arrumou a casa. Afastou, quase imediatamente, a possibilidade de rebaixamento. O time encaixou de uma maneira avassaladora. Vitórias e mais vitórias. Até o acaso – mais conhecido nessa altura como Independiente de Avellaneda ajudou, ganhando do Goiás na final da Copa Sulamericana e confirmando a vaga do Grêmio pra Libertadores da América 2011.

Tudo era promissor. O maior ídolo da história do clube na casamata, um time que brilhou no segundo semestre de 2010 e o sonho da terceira libertação da América. Aí veio a novela Ronaldinho.

Não satisfeito em tomar um “chapéu” de Ronaldinho lá em 2001, o Grêmio fez por onde levar um segundo. A diretoria acreditou na palavra do Assis. Até caixas de som foram alugadas para a apresentação do R10. O resto, vocês já sabem. Ronaldinho foi pro Flamengo, nas bandas da Azenha, só sobrou a vergonha.

Não bastando tudo isso, enquanto a direção oferecia o que tinha e o que não tinha para trazer Ronaldinho, esqueceu do grande destaque de 2010: Jonas. Com a velocidade de um Sebastian Vettel, Jonas juntou suas malas e rumou à Valência. O Grêmio, no fim das contas, ficou sem Ronaldinho e sem Jonas.

A partir daí, o desastre estava desenhado. Renato já não conseguia fazer o time render. Sem Jonas, o Grêmio perdeu a referência no ataque, o jogador que decidiu várias vezes, sozinho jogos em 2010.
O Grêmio bateu cabeça e não demorou muito para cair da Libertadores.  Começou o Brasileirão e... pimba! 

A zona do rebaixamento era um risco eminente e lá se foi Renato. Veio Julinho Camargo. Junto com ele, boas ideias e bons conceitos. Porém, só isso não bastava. O Grêmio tinha um time caro e cheio de medalhões, Julinho não conseguia tirar o Grêmio da lama. Logo foi demitido.

Aí veio o sargentão Celso Juarez Roth. Sua missão: botar ordem na casa e tirar o time da ameaça do rebaixamento. Olhando friamente suas metas, Celso Roth foi um sucesso. Ficou devendo um algo mais, com o campeonato louco do jeito que foi, uma série de três ou quatro vitórias seguidas colocaria o time na briga por uma vaga na Libertadores 2012.

Tudo ok, o time já não tinha chances de rebaixamento, muito menos, de conseguir uma vaga na Libertadores. Mas aí, num roteiro digno de Alfred Hitchcock, ainda tinha um Grenal.

O dérbi
O Grenal foi pragmático. A diretoria do Grêmio já tinha anunciado que esse seria o último jogo de Roth como comandante tricolor. De um lado, a ambição colorada de vencer e ir à Libertadores, do outro, um Grêmio desinteressado.

Mas, perdoando o clichê, Gre-nal é Gre-nal, amigos. Quando azuis e vermelhos entram em campo, nada mais importa. O Rio Grande para por 90 minutos. Uma famosa pichação no centro de Porto Alegre diz que “enquanto te roubam, tu grita gol!”. Uma verdade que dói. Triste realidade. Porém, não vai ser logo num clássico que vamos parar de gritar gol.

O Beira-Rio estava lotado. A torcida colorada lotou o estádio e bradava que queria a vaga na competição continental. Dois mil tricolores também estavam lá. Mesmo não almejando mais nada no certame, o Grêmio começou bem o clássico. Atacou bastante, buscou o gol, principalmente pelos pés de Marquinhos, que era o melhor jogador gremista no setor ofensivo. Lá atrás, Saimon e Vilson anulavam o melhor nove do país: Leandro Damião. Fernando marcava D’Alessandro com uma garra e perícia invejáveis.

Apesar das tentativas tricolores, o primeiro tempo logo acabou: 0 a 0.

No segundo tempo a coisa mudou de figura. O Internacional foi a frente. Tentou o gol a todo custo. Até que numa jogada Oscar dominou a bola e foi pra cima do peso-pesado Fábio Rochemback. Pênalti. Não há o que se discutir no lance. D’Alessandro bateu e fez. Victor ainda triscara na bola. Maldito Hitchcock!

O Inter passou a administrar o resultado. Celso Roth, de uma forma desesperada se lançou ao ataque. Entraram Miralles e Leandro. Nada adiantou. Venceu e se classificou à Libertadores; o Grêmio perdeu e anunciou seu novo treinador, Caio Júnior.

A torcida tricolor lamenta a derrota e imagina um 2012 melhor. A colorada regozija-se com a possibilidade do tri da América. O campeonato brasileiro acabou. 2012 se mostra promissor para as duas equipes. Seguiremos gritando gol e torcendo para não sermos mais roubados.