terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Desafortunados: Taribo West

IIIH, NOJEEEENTO! (Nairaland)
Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP

Em uma época em que Cristiano Ronaldo e Neymar fazem sucessos com seus cabelos extravagantes e comportamento duvidoso, poucos lembram de um penteado que marcou uma geração (Winning Eleven) e assustou criancinhas durante a década de 1990. Taribo West, um carrasco brasileiro que nasceu na Nigéria, foi ainda jovem para a Europa é lembrado muito mais por seus cabelos verdes do que pelo seu bom futebol.

Depois de dois anos no Julius Berger, de seu país natal, West partiu para a França, porta de entrada para muitos africanos na Europa. Seu primeiro time no velho continente foi o Auxerre, em 1993. Em quatro anos no clube foram mais de 70 jogos. Porém, sua passagem pela equipe francesa não foi nem de longe comparada com sua participação nas Olimpíadas de 1996.

Junto de astros como Kanu, Babangida, Okocha, Amokachi e Babayaro, West era referência na zaga que tirou a grande chance do Ouro Olímpico para o futebol brasileiro. As Águias Verdes eliminaram o Brasil na semifinal com o extinto gol de ouro, marcado por Kanu. Se serve de consolo para alguns, a Nigéria derrotou a Argentina na final.

Taribo até jogou na Inter. Jogou? (Football Tea)
A participação de West nos jogos de Atlanta rendeu respeito por diversos grandes clubes. Permaneceu mais um ano no Auxerre, o zagueiro foi contratado pela Internazionale, que contava no seu elenco com Ronaldo e Roberto Carlos. Porém, na Itália, Taribo não rendeu o que dele se esperava. Seu desrespeito com o técnico Mircea Lucescu, devido suas subidas sem nexo ao ataque, no melhor estilo Lúcio nos tempos áureos de Bayern. Essa desavença foi a gota d’água para que ele saísse da Inter. Quando se esperava uma transferência para Inglaterra ou Holanda, West assina simplesmente com o maior rival da Inter, o Milan.

No esquadrão rossonero ele foi mero espectador, isso porque, em uma temporada, o zagueirão nigeriano entrou em campo apenas quatro vezes. Era hora de deixar a Itália. Partiu em 2000 para a Inglaterra, para jogar no modesto Derby County. Não se firmou e acertou contrato com o Kaiserslautern, justamente numa boa época do time alemão, que vinha de boas campanhas e um recente título na Bundesliga.

Mas tantas mudanças não fizeram bem a Taribo, que viu sua carreira desandar. Em 2002 foi para o Partizan. Os dois anos na Sérvia não trouxeram o bom futebol que o consagrou anos antes, obrigando-o a ver como uma das últimas soluções partir para o “mundo árabe”, até então com pouca visibilidade. No Al Arabi, West foi só expor seu excêntrico penteado pois futebol que é bom... Saiu do clube sem fazer nenhuma partida.

OLHA ESSE CABELO! Foto: Fora da Súmula
Retornou à Inglaterra para jogar na terceira divisão, pelo Plymouth, mas pouco atuou. Depois disso ainda regressou ao seu primeiro clube, Julius Berger e encerrou a carreira, ainda cedo, com 35 anos no Paykan, do Irã.

Apesar do bom início de carreira, West não despontou como se esperava para o futebol. Seu temperamento o prejudicou quando sua carreira explodia. Ainda assim ficará marcado como um grande desafeto para os brasileiros e o zagueiro mais contratado da história do Winning Eleven 4. Fora as tranças...



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Mudanças na TF

Caros leitores, é visando um conteúdo de maior qualidade e com diferencial que a nossa equipe não mais trará análises pontuais dos campeonatos europeus e sul-americanos. Visto que não adianta competir com grandes portais nas coberturas, o trabalho do staff da TF fica complicado, já que lidamos com pouco pessoal e claro, imprevistos.

Para não mais sofrer com falta de atualização ou a temida correria pela postagem, optamos por focar nas editorias que não ficam velhas, como a Craques/Descraques/Desafortunados, entre outras que visamos reativar para o formato semanal. Vamos mudando um pouco a cara do blog, sem mexer na essência, já que são justamente esses textos que mais vingam, são mais visitados e que raramente são encontrados em outro lugar. Também traremos cada vez mais convidados para escrever, quem sabe você não tem um texto seu exposto aqui? 

Sendo assim, esperamos que vocês gostem dessa nova fase, apesar dessa mudança nova só ser questão de foco em editoria x ou y. Contamos com o apoio de todos nessa empreitada de diversificar a TF dos demais blogs de futebol. 

Grande abraço,
Felipe Portes, @portesovic.

Descraques: Bruno N´Gotty

N´Gotty comemora tento na final da Taça das Taças UEFA de 1996 (Le meilleur de PSG)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Era um daqueles brucutus que surgiam aos montes na França nas décadas de 1980 e 90. Da mesma escola de Desailly, Leboeuf, Blanc e Angloma (quando digo da mesma escola, não entenda graduado com nota 10), Bruno N´Gotty foi um dos caras mais superestimados que passaram pelos gramados europeus nos últimos vinte anos. 

Na base do Lyon começou a ganhar espaço. Em era de vacas magras do Gerland, tornou-se referência na cozinha do OL, demonstrando bom poder de marcação, posicionamento e chegada firme, com consciência. Características de um bom beque. Permaneceu por lá até 1995, quando assinou com o último grande PSG que reinou na França.

A força e os demasiados carrinhos (muitas vezes terminando em falta) foram fazendo a fama de Bruno, que no papel de zagueiro fazia boa participação, afinal, ninguém espera que defensores desarmem os seus oponentes e peçam desculpas, levem flores. Construindo uma reputação em cima da sua capacidade de combater os atacantes, N'Gotty já fazia parte da seleção francesa em 1994, embarcando logo após o grande fiasco de Les Bleus ao não se classificarem para o Mundial dos EUA, quando a Bulgária levou a última vaga com gol de Kostadinov.

Inegavelmente o futebol francês estava em uma nebulosa. Os seus clubes por nada brigavam quando fez-se a exceção na Taça das Taças UEFA, em 1996. A vitória parisiense frente o Rapid Vienna de Trifon Ivanov, com gol de N'Gotty, representou o ponto alto da carreira de um atleta que depois experimentaria o ostracismo.

Perdendo espaço no selecionado nacional em 1997, conseguiu uma transferência para o Milan, que mais parecia uma Torre de Babel na ocasião. 14 estrangeiros e estrelas internacionais figuravam entre o plantel rossonero que venceu a Serie A. Não conseguindo convencer, Bruno fez apenas 25 aparições antes de ser repassado ao Venezia, onde fracassou vergonhosamente na tarefa de dar segurança ao setor defensivo, inclusive protagonizando um gol de calcanhar contra a Roma. Detalhe, a bola balançou as suas próprias redes.
Num momento de Whitney Houston nas traves
do Milan, N'Gotty sofre... (Maglia Rossonera)
Daí em diante foi só tristeza, quase uma canção do Roupa Nova no dia dos namorados, quando a sua garota te deixou na saudade dias antes ao te trocar pelo Ricardão do Corolla. Voltou ao Milan em 2000 e quase não entrou em campo. Era hora de um retorno ao seu país de origem (ainda que a ascendência de N'Gotty seja camaronesa), para jogar pelo Marseille. Uma temporada serviu para que o OM se livrasse do pobre rapaz, que acabou rumando ao Bolton em 2001/02.

Certo tempo depois, aquela segurança no início da carreira já não era mais a mesma. De 2001 até 2006 o francês ficou no Reebok Stadium, quando o treinador Sam Allardyce o dispensou e disse que não mais contaria com os serviços de Bruno para a sequência do trabalho. Aliás, nessa mesma leva de dispensa, foi também o lendário nigeriano Jay-Jay Okocha, sim, ele mesmo.

Acumulando mais passagens por Birmingham, Leicester e Hereford, N'Gotty encerrou sua carreira sem uma grande trama, um grande campeonato, uma grande história para se contar. Talvez aquele título da Serie A no qual foi figurante, o gol em final de competição europeia. Ainda sim, seus netos dificilmente acreditarão nessa história.



Crescimento repentino. Será?

Aleksandr Yaroslavskiy e seu amigo Roman Abramovich (AP)
Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

Várias vezes falei da hegemonia de Shakhtar Donetsk e Dynamo Kyiv na Ucrânia. É inevitável mencionar a UPL e deixar de lado este detalhe. Por muito tempo se acreditou que o Dnipro fosse o único time que poderia tentar "quebrar" isso, mas hoje o pensamento é diferente. Depois de ficar na terceira colocação por 5 temporadas consecutivas, o Metalist está cada vez mais próximo de fazer frente aos 2 máximos campeões ucranianos. 

Para o resto do mundo, o Metalist ganhou mais destaque apenas nesta temporada, graças à sua brilhante participação na UEFA Europa League até o momento. E isso também é algo lógico, não há como esperar que todos acompanhem a UPL. De qualquer forma, quem segue sabe que o time de Kharkiv vem em uma crescente já há algum tempo. Esta terceira colocação em 5 campeonatos consecutivos se deu depois da chegada do grande empresário Aleksandr Yaroslavskiy, que investiu bem demais tanto dentro quanto fora de campo. Para se ter uma ideia, ele é um dos homens mais poderosos do país. Em 2007 ajudou a fundar o grupo DCH, que reúne os setores empresariais da construção, finanças e transporte.

Outro dos responsáveis por este sucesso do Metalist é o treinador Myron Markevich. Inclusive ele chegou ao clube no mesmo ano que Yaroslavskiy (2005). Nem é preciso dizer que balançou no cargo algumas vezes, mas felizmente não foi demitido. Claramente esta ideia de projeto a longo prazo foi baseada na do Shakhtar Donetsk, que contratou Mircea Lucescu em 2004. As duas situações são tão semelhantes que o Metalist também conta com vários jogadores sulamericanos em seu elenco (dentre eles os brasileiros Cleiton Xavier, Edmar, Marlos, Taison e Fininho).

Apesar dos bons resultados recentes na UPL, o time de Kharkiv ainda não conquistou nenhum título nacional. Na antiga liga soviética até teve bons desempenhos, mas também nada que mereça muito destaque. Seu maior feito foi levantar o "caneco" da antiga Copa Soviética de 1988, quando venceu o Torpedo Moscow por 2x0 na final. Atualmente a equipe ocupa de novo o terceiro posto da Premier ucraniana com 47 pontos, apenas 4 a menos que o vice-líder Dynamo Kyiv.

Algo que chama demais a atenção neste Metalist é seu estilo de jogo. Nada de pragmatismo e toques de lado sem objetividade, o que se vê realmente é uma grande qualidade técnica e um altíssimo poder ofensivo. Para não se complicarem na defesa, os Zhovto-Syni fazem questão de manter a posse de bola no campo de ataque durante suas partidas. Isso acontece independentemente de qual seja seu adversário. O 4-2-3-1 é uma unanimidade para Markevich.


Mesmo que haja um certo equilíbrio entre os três setores do Metalist, não restam dúvidas de que o defensivo é o mais "modesto" por assim dizer. Contudo, vem superando as expectativas no quesito confiança. O primeiro nome a ser citado é o do goleiro Oleksandr Goryainov. O veterano de 36 anos ainda é fantástico sob as traves da equipe e tem uma frequência de jogos muito grande.

No centro da zaga encontramos o senegalês Pape Gueye, jogador que faz muitíssimos gols de bola parada e também é muito veloz. Depois da campanha lastimável de Senegal na CAN 2012, muitos pensam até 5 vezes antes de confiar em um zagueiro desta nacionalidade, mas Gueye vem mostrando que nem todos são tão ruins. Seu companheiro é o argentino Marco Torsiglieri, um defensor de muita qualidade técnica que é o verdadeiro xerifão desta zaga.

Existem muitos times grandes europeus que têm sérios problemas com laterais. O Metalist ainda não é um destes grandes, mas felizmente não sofre com ausência de jogadores para esta posição. Os mais "habituais" são o ucraniano Oleksandr Romanchuk e o argentino Cristian Villagra. Para haver aquele tradicional equilíbrio, o primeiro tem maior poder de marcação e o segundo apoia muito bem ao ataque. Seus respectivos suplentes são o ucraniano Sergey Pshenichnikh e o brasileiro Fininho. O que vale mencionar é que os dois reservas poderiam ser titulares sem problema algum.

Como não poderia ser diferente, a dupla de volantes do Metalist também está a um nível espetacular. O brasileiro (já naturalizado ucraniano) Edmar e o argentino Juan Torres são fundamentais tanto na marcação quanto no início das jogadas. Enquanto o brasileiro fica mais na marcação, o argentino tem liberdade para sair. No entanto, esta liberdade é um pouco restrita. Em suma, o Metalist permanece quase sempre em um 4-2-3-1 e não varia para um 4-1-4-1 como várias equipes.

A linha de 3 mais dos Zhovto-Syni é com certeza o que mais agrada a todos nesta equipe. As jogadas protagonizadas por Sosa, Cleiton Xavier e Taison vêm enchendo os olhos de toda a Europa na atualidade. O argentino José Sosa sempre reclamou quando deslocado ou para o lado esquerdo ou para o direito. No Metalist foi diferente. Ele acatou a decisão de Markevich e vem jogando demais aberto pelo flanco direito. Mais centralizado está o maestro e capitão do time, Cleiton Xavier. O ex-jogador do Palmeiras vive uma das melhores fases de sua carreira. Praticamente todas as jogadas passam por seus pés. Por fim, quem faz o lado esquerdo é outro brasileiro, Taison. Como não poderia ser diferente, o momento que ele vive também é maravilhoso. Sua jogada característica de pegar a bola na ponta, driblar os defensores e entrar na área está dando dores de cabeça aos adversários desde o início da temporada.

E finalmente chegamos ao ataque do Metalist, composto por apenas um jogador. Em tese, o titular da posição é Marko Devic. O sérvio naturalizado ucraniano é um "9" puro e sempre rende muito bem. Como se não bastasse isso é o quarto maior artilheiro da história do clube, tendo marcado 69 gols. Mas nem sempre Markevich joga com um centro-avante mais preso na área, por isso Jonathan Cristaldo é frequentemente utilizado.

Fiquei abismado com a quantidade de pessoas que estão se mostrando surpresas com o Metalist na temporada e não sabem de onde vem todo este crescimento. Pois aí está o motivo. E para os "desavisados de plantão", não será nenhum absurdo se dentro de alguns (poucos) anos o time de Kharkiv conquistar um título ucraniano.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Craques: Ole Gunnar Solskjaer

Cara de garoto e futebol de veterano: o norueguês faz parte de um dos períodos
mais memoráveis da história do Manchester United (Eircom.net)
Felipe Portes, @portesovic
De não sei montar um armário, mas sou dono e redator de blog-SP

Conhecido como talismã no Manchester United, o norueguês Ole Gunnar Solskjaer, dono da infame alcunha de "baby face assassin" foi um dos mais célebres atletas da recente história do clube mancuniano. Brilhando em momentos decisivos como na final da Liga dos Campeões em 1999 contra o Bayern, Ole era sempre a opção de Alex Ferguson para entrar no segundo tempo, aposta que quase sempre dava certo e resultava em gols.

Muito veloz e com finalização apurada, sempre conseguia tirar o máximo de cada lance, com inteligência e elegância. Querido pela torcida dos Red Devils, Solskjaer esbanjava talento e carisma, somados ao fato de sua fisionomia lembrar a de um garoto qualquer. Com o tempo e as ótimas companhias de elenco, os gols passaram a sair com naturalidade, em sua maioria com chutes fortes e/ou indefensáveis para os arqueiros rivais.

Iniciou sua carreira em 1990 no acanhado Clausenengen, da sua cidade natal, Kristiansund. O clube era da terceira divisão local e somente quatro anos depois o jovem Ole despertaria o interesse das principais forças norueguesas. Na sua passagem pelo Clausenengen, somou assustadores 115 gols em 109 jogos, mais um ano sem disputar títulos relevantes dentro de seu país seria mesmo uma tragédia. Como destino na elite nacional, escolheu o Molde. Lá, notabilizou-se pela sua ótima média como atacante (31 tentos em 42 partidas). 

Em sua fase de Molde, o talento já derrubava várias barreiras (Wikimedia)
O menino tímido e dedicado ganhou uma chance na seleção da Noruega logo em seu segundo ano de Molde.  A brilhante campanha de uma equipe considerada média se comparada a Rosenborg, Válerénga e até mesmo o Stabaek foi quase em sua totalidade devida ao grande futebol apresentado pelo garoto de Kristiansund. Vice-campeão com dez pontos atrás do sempre campeão Rosenborg, o MFK contava com nomes como Kjetil Rekdal (já veterano e constante presença na seleção), Petter Rudi e o arqueiro Morten Bakke. 

Sem mesmo completar dois anos na Tippeligaen, na metade de 1996 veio a proposta que mudaria a sua vida. Sir Alex Ferguson, ainda não tão lendário à época, queria contar com o futebol da maior revelação do país nos últimos anos. Era mesmo questão de tempo para que arrumasse sua vida nos grandes centros. A vida em Manchester foi muito melhor do que esperava. Convivendo com David Beckham (em início de carreira), Eric Cantona, Roy Keane, Paul Scholes, Ryan Giggs e Peter Schmeichel. Orientado por seu compatriota Ronny Johnsen, se adaptou rapidamente ao clima inglês.

Os primeiros passos no United foram incriveis. 33 jogos e 18 gols marcados e o apelido de "matador com cara de bebê" como o primeiro parágrafo indica. Um raro exemplo de jogador que conquista a torcida por suas capacidades de forma quase que instantânea. A excelente fase e participação no elenco renderam uma convocação para fazer parte dos atletas que iriam para a Copa de 1998 na França. 

Maior momento da carreira de Ole: o gol na final da LC de 1999 (UEFA)
A consagração veio um ano após o Mundial. No Camp Nou, a grande final da Liga dos Campeões do ano de 99 colocou frente a frente Manchester e Bayern. Aos cinco minutos iniciais os germânicos abriram o placar com Basler, de falta, assustando o lado inglês. A vitória estaria próxima, já que a defesa bávara funcionava muito bem, o meio campo conseguia manter a posse e o ataque jogou duas vezes na trave de Schmeichel. 

Aos 45, Giggs pega da entrada da área e chuta. A bola vai torta e encontra Sheringham, que desvia e marca o gol de empate, dando sobrevida ao Manchester no duelo. Nem um minuto depois, Beckham cobra escanteio, o mesmo Sheringham cabeceia e mais uma vez um pé desvia para o gol. Era o de Solskjaer, sempre bem posicionado para vencer Kahn. Uma virada inesquecível, num dos mais épicos encerramentos que a LC já teve. 

No auge, o jovem norueguês desfrutava da fama e do sucesso. Seguia como peça importante no esquema armado por Ferguson e sempre fazendo belos gols. Foi uma grande era para o United, que só seria superada anos depois, com Cristiano Ronaldo no comando. Ole, por sua vez, teve como último brilho a temporada de 2001/02, quando balançou as redes por 17 vezes em 30 oportunidades. 

Assolado por lesões, passou os anos seguintes alternando entre o banco de reservas e o departamento médico. Ficou assim, fazendo raras aparições. Seu último ano com mais de dez jogos foi 2007, justamente quando se aposentou do futebol profissional para assumir o comando técnico das camadas jovens do United. Assinou com o Molde em 2011, para ser treinador da equipe que o revelou. Operando novo milagre, levou o MFK ao seu primeiro título da elite norueguesa, quando comemorava o seu centenário. 


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Procuram-se Pofexôres: o futebol argentino preso na armadilha do imediatismo

Vasco Azconzábal, treinador do Estudiantes (Olé.ar)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Talvez o cenário dos treinadores dos clubes argentinos nunca tenha sido tão desolador como atualmente. Boca Juniors e River Plate possuem técnicos que não agradam às direções, mas seguem quase que por falta de opção. Mesmo ameaçadíssimo pelo descenso, o San Lorenzo se mantém com um limitado Léo Madelon. O Estudiantes entregou seu elenco fortíssimo a Vasco Azconzabal, sem nenhuma experiência na função, como já fez com Eduardo Berizzo há um ano atrás.

O curioso é que não faltam treinadores argentinos de qualidade. Na Espanha Marcelo Bielsa classificou o Athletic Bilbao para as oitavas de final da Europa League e para final da Copa do Rei, enquanto divide uma ótima quinta colocação na liga espanhola com o Espanyol, treinado por seu discípulo Maurício Pochettino. Logo atrás das duas equipes está o Atletico de Madrid, treinado por Diego Simeone.

Mas não é preciso ir tão longe. No Uruguai, o campeão do último torneio foi Marcelo Gallardo, ex-ídolo do River Plate. No Paraguai, o atual campeão é o uruguaio Gerardo Pelusso, comandando o Olímpia, mas os outros que disputam a Libertadores têm argentinos no comando: Jorge Burruchaga (Libertad) e Javier Torrente (Nacional).

Também entre os guaranis, houve o sucesso recente de Gerardo Martino na seleção do país, enquanto o grande treinador sul-americano de 2011 foi, incontestavelmente, Jorge Sampaoli, que conduziu a Universidad de Chile a todos os títulos que disputou e encantou o continente.

O que se torna claro é que a Argentina é capaz de produzir bons técnicos em quantidade expressiva. No entanto, seu próprio futebol pouco se beneficia disso. Vários dos nomes citados jamais tiveram boas oportunidades em seu país, como o próprio Sampaoli, que construiu sua carreira basicamente nos países andinos, em especial no Peru e no Chile.

E o fenômeno, aparentemente bizarro, não é um acidente. Algo muito parecido ocorre entre os jogadores argentinos. O enorme número de atletas do país atuando em clubes do exterior não é fruto apenas da saída de jogadores que naturalmente seriam vendidos para ligas europeias de qualquer maneira. E nem sempre tem a ver também com as dificuldades econômicas do país.

Basta notar que há jogadores argentinos de bom nível em ligas sul-americanas de bem menos recursos que a de seu país. Clubes paraguaios, chilenos e equatorianos normalmente se servem á vontade desses jogadores. Vários deles apareceram por aqui, sendo Conca e Montillo os exemplos mais expressivos.

O caso mais recente é Barcos: sem ser um craque, trata-se de um atacante eficiente, que jamais teve chances de um trabalho de longo prazo em seu país, construindo a maior parte de sua carreira no exterior, incluindo países sul-americanos, como Paraguai e Equador.

Uma das causas do fenômeno é a existência de torneios curtos, que definem seu campeão em 19 rodadas. Após mais de duas décadas utilizando o formato, o futebol argentino se viu envolvido em uma cultura imediatista da qual não consegue sair. Nas grandes equipes os treinadores estão sempre ameaçados. Assim, não costumam ter paciência com jovens. Não há espaço para o erro.

Um exemplo é o Boca Juniors, atual campeão. Quando Julio Cesar Falcioni assumiu o comando técnico da equipe, há pouco mais de um ano, o elenco xeneize tinha um bom número de jogadores jovens (ou ao menos com um bom tempo de carreira pela frente) esperando sua oportunidade. E assim continuaram. Falcioni emprestou ou vendeu a maioria e boa parte dos demais segue assistindo as partidas de longe.

O treinador optou por uma equipe de jogadores razoáveis ou bons, mas experientes e confiáveis, e ganhou com facilidade o Apertura 2011. Uma história de sucesso? Quando se pensa no curto prazo, certamente sim. Mas quem pensa no longo prazo vê sérios problemas nessa estratégia.

Dos 11 jogadores considerados titulares por Falcioni, 8 têm 30 anos ou mais. As exceções são Cvitanich e Insaurralde, que completam 28 anos em 2012, e Roncaglia, que tem 25. Assim, é uma equipe de média de idade muito alta, que poucos anos terá pela frente. Enquanto isso, jogadores que poderiam vestir a camisa xeneize por muitos anos estão em outros clubes, geralmente no exterior, ou fazendo figuração no elenco.

O caso xeneize não é uma exceção. É apenas um bom exemplo de um país em que o imediatismo absoluto é a norma (em um nível ainda mais alto do que vemos no Brasil). Com os grandes clubes incapazes de se planejar para o médio prazo, as equipes dos países vizinhos fazem a festa, e recheiam seus elencos com profissionais de qualidade.

domingo, 29 de janeiro de 2012

O baixinho

Foto: Minha Gorda Querida (t-ambrosio.blogspot.com)
Romário de Souza Faria tem suma importância no futebol brasileiro como celeiro de grandes craques e também como referência na seleção canarinho. Dono de um talento extraordinário para se posicionar/marcar gols de dentro da área, o Baixinho aterrorizou as defesas adversárias até os seus 41 anos, e de acordo com ele mesmo, só não parou antes por encontrar extrema facilidade para balançar as redes.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Desafortunados: Adrianinho

Foto: Olheiros
Felipe Portes, @portesovic

Adrianinho era um meia dos ariscos, revelado na Ponte Preta em meados de 1998. Neste ano, a Macaca montava um elenco repleto de futuras promessas do futebol nacional, tal qual Luís Fabiano, Fábio Luciano, Mineiro, Washington e Regis Pitbull (só que não), além de figurões do passado. Para se ter uma noção, Sergio Baresi, Ronaldão, Ezequiel (ex-Corinthians), Wagner Mancini e Sandro Gaúcho também foram contemporâneos do rapazote protagonista desse texto. Falta de referências na carreira não pode ter sido a razão para tamanho insucesso.

sábado, 21 de janeiro de 2012

E aí, Dnipro?

Vamos ver até quando dura a paciência com Juande Ramos
Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

Desde 1992 a hegemonia no futebol ucraniano é dividida entre Shakhtar Donetsk e Dynamo Kyiv. Os dois quase sempre permanecem no topo da tabela com "sobras" em relação aos outros. Atualmente, o Metalist está se aproximando bastante. Quer tentar o mesmo que o Tavriya, último time que conquistou uma liga ucraniana (justamente em 1992). 

Há algum tempo atrás se esperava que essa quebra de hegemonia começaria com o Dnipro, que passou a investir pesado em contratações e, além disso, já é um time historicamente grande. De meados da década de 70 até meados da de 80, o Dnipro conquistou dois títulos soviéticos (1983 e 1988) e se tornou o primeiro clube profissional da URSS.

Nomes como Oleg Protasov, Hennadiy Litovchenko, Oleksiy Cherednyk e Oleg Taran até hoje arrancam lágrimas dois mais antigos torcedores. Entretanto, desde este período o Dnipro passou a ser um verdadeiro "gigante adormecido", vendo times como Metalist e Shakhtar crescerem e conquistarem a simpatia da nação (principalmente a equipe de Donetsk).

Na temporada passada o proprietário Andiy Stetsenko decidiu que não bastava apenas trazer jogadores. Era preciso mudar a filosofia, assim como fez o Shakhtar quando contratou Mircea Lucescu. Foi exatamente por isso que trouxe o experiente treinador espanhol Juande Ramos para o banco de reservas, bancando -ponderadamente- suas contratações.

O técnico, por sua vez, se mostrou contente com o elenco trazendo apenas Matheus, Zozulya,  Derek Boateng e Nikola Kalinic para 2011-2012. Este último para substituir Yevgen Seleznyov (em russo Seleznev), artilheiro da UPL em 2010-2011, que foi para o Shakhtar. A princípio pareceram poucas contratações, mas considerando que o elenco já contava com Giuliano, Ruslan Rotan, Mandzyuk, Konoplyanka e Strinic, foram "cirúrgicas".

Quando a bola rolou, tudo pareceu mais complicado do que realmente era. Os insucessos do time caíram como uma "bomba" para a torcida e também para Ramos. Hoje a diferença do Dnipro, 5o. colocado, para o líder Shakhtar é de exatamente 18 pontos, em 19 rodadas disputadas. O que é algo bizarro, pelo elenco do Dnipro.

É fato que Juande Ramos ainda não encontrou uma formação para o time. Logicamente não pude ver todos os jogos do Dnipro na temporada, mas em todos que pude acompanhar, foram utilizados esquemas diferentes: 4-4-1-1, 4-4-2, 4-3-2-1 e, algumas vezes, até 4-3-3. Isso quando os jogadores não perdiam o controle e atacavam como loucos. Literalmente na base do abafa.

Não restam dúvidas de que quando um time não está bem, seu treinador deve mudar. Mas quando estas mudanças não são bem-sucedidas, ele precisa insistir em uma formação até que o plantel se habitue. Caso contrário, não haverá um padrão de jogo. Foi exatamente isso que aconteceu na partida Illychivets 3x2 Dnipro, onde a equipe de Dnipropetrovsk saiu perdendo por 2x0 e empatou no segundo tempo apenas por ter jogado com raça. Mas quase nenhuma técnica.

O esquema ideal

Pelas peças que tem, julgo que o esquema ideal para o Dnipro seja o 4-4-1-1, principalmente pela chegada de Matheus. Normalmente concordo com as opções para goleiros, mas depois de ter visto Kanibolotskiy na Ucrânia sub21 no último Europeu, não sei como ele é reserva do tcheco Lastuvka.

Na zaga Mandzyuk é incontestável. Titular tanto no Dnipro quanto na seleção ucraniana de Oleg Blokhin. Excelente nome. Ultimamente Juande vem utilizando Cheberyachko como seu companheiro, mas como ele é lateral, por vezes acaba se complicando. O nome do experiente volante croata Ivan Strinic me soa um pouco melhor.

Já que Cheberyachko é um lateral, Ramos poderia colocá-lo em sua posição -pela esquerda. Na direita Samuel Inkoom é o melhor, mas em casos extremos o winger Denys Kulakov pode ser recuado, atuando como lateral mais ofensivo.

Na faixa central do meio o nome do volante Ruslan Rotan é incontestável. O capitão do time passa uma enorme confiança e também é titular na Ucrânia. O problema é decidir quem pode ser seu companheiro. Nomes como Kravchenko, Boateng e Strinic são normalmente utilizados. O jogador ganês prefere atuar pela esquerda, mas como não vai tomar a posição de Konoplyanka, já foi escalado pelo centro.

Até o começo da temporada Giuliano era titular incontestável pelo lado direito do meio-campo. Mas não correspondeu. Nas últimas rodadas veio sendo trocado por Kulakov. Acharia uma medida interessante se o brasileiro passasse e jogar ao lado de Rotan, deixando o time mais criativo. Além do mais, Giuliano por vezes abdica do jogo pelas laterais e pouco chega à linha de fundo. Geralmente tende a cortar para o meio.

Do lado esquerdo está a "pérola" deste time, o jovem Yevgen Konoplyanka. Dono de uma técnica fantástica está jogando em uma "fogueira" enorme, sendo exigido demais. O jovem meia (22 anos) é dono de uma qualidade técnica sensacional e um toque de bola muito refinado, pouco comum a jogadores do leste Europeu. Por vezes tenta chamar o jogo, mas não consegue resolver sozinho.

Matheus começou como titular, foi para o banco e agora voltou a ser escalado. O ex-atacante do Braga é o nome ideal para ficar nos 3/4 do campo, fazendo a ligação com  ataque. Muito se fala de outro garoto: Roman Zozulya, ex-Dynamo Kyiv. Ele realmente é bastante promissor, mas ainda não jogou o suficiente para estar entre o XI titular.

A posição de "9" é uma das poucas que por enquanto não vem gerando dúvidas em Juande. Desde que chegou, Nikola Kalinic marcou 7 gols e desbancou as "incógnitas" Oleksiy Antonov, Denys Olyinyk e Dmytro Lyopa, que não passavam a mesma confiança que Seleznyov.

Preciso destacar que Juande Ramos já utilizou o time assim por algumas vezes. Mas ele não teve paciência de permanecer com o mesmo por 4 ou 5 rodadas, este foi o problema. Posso até estar terrivelmente enganado, mas pelo que conheço, estas seriam as melhores opções para o Dnipro hoje.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Descraques: Osmar

Cena frequente de Osmar no Palmeiras: a cambalhota (Lancenet)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Seria mais um jogador normal de clubes do interior paulista, não fossem os gols feitos no Palmeiras na fatídica Copa do Brasil de 2004, pelo Santo André. Natural de Marília, cidade mais próxima de Oriente, terra natal de um certo Marcos Roberto Silveira Reis, Osmar começou sua carreira como atleta do quadro profissional do Rio Branco em 2000. Fazia seus gols vez ou outra, dentro dos padrões do Tigre. 

De baixa estatura, o atacante ganhou destaque por sua velocidade e posicionamento. Era aquele baixinho que  sempre estava no lugar certo para cabecear, tocar de canela ou de bico para dentro das redes. Negociado com o União São João em 2001, fez bons Campeonatos Paulistas até 2004, quando assinou com o Ramalhão, que teria uma temporada incrível naquele ano.

Na Copa do Brasil, o brilho do Santo André seria a maior surpresa das Américas em muito tempo. A equipe andreense deixou o Novo Horizonte, Atlético-MG e Guarani pelo caminho até alcançar o Palmeiras, na fase de quartas de final, um ponto decisivo na história do time do ABC paulista. Valendo pelo confronto de ida, no estádio Bruno José Daniel, um empate eletrizante por 3-3. Tentando se reconstruir do vexame na mesma competição em 2003, frente o Vitória, o alviverde contava com as novas esperanças do retorno à Série A. 

Era uma parada difícil, especialmente para o clube da capital, que tinha sim muito mais a perder do que uma vaga na semifinal do certame. Valia a honra de se classificar em cima de uma grata surpresa. No dia 20 de maio de 2004, em pleno Palestra Itália, Tássio, Sandro Gaúcho(2) e Osmar marcaram os gols do Ramalhão em cima do reformulado alviverde. Marcinho, Correa, Vágner Love e Marcinho bem que tentaram diminuir o estrago, mas a vitória era o único resultado que interessava. 

Foto: R7
Ao fim da partida, Marcos deu suas declarações habituais, criticando a postura do elenco diante do revés. O tímido Osmar foi destaque e bastante procurado pela imprensa, especialmente por ser amigo do goleiro palmeirense. Se ouviu depois um bochicho de que o mariliense ganharia uma chance de figurar ao lado de jogadores como Vágner Love, Diego Souza, Lúcio, Baiano, Nen e Leonardo. Era uma época de vacas magras pelos lados do Palestra Itália e então um dos algozes naquela noite do dia 20 de repente virou solução para formar a dupla de ataque escalada por Jair Picerni. 

Se apresentou no CT da Barra Funda após a Copa do Brasil, vencida pelo Santo André de forma épica em cima do Flamengo, no Maracanã. Os louros da vitória caíram sobre os ombros do veteraníssimo Sandro Gaúcho. Além do título inédito, os andreenses se credenciaram para disputar a Libertadores de 2005, por um acaso caindo no mesmo grupo dos palmeirenses.

Osmar então iniciou sua trajetória num time grande. No meio de um plantel limitadíssimo, conseguiu a titularidade e mostrar o seu valor. Ao final de 2004, entretanto, já contestado, foi tentar a sorte no Grêmio, coincidentemente também se reestruturando após a queda para a Série B. Sem conseguir uma mínima sequência no tricolor gaúcho, foi repassado ao Monarcas Morelia. Mostrou que aquelas atuações na Copa do Brasil eram mera faísca.

Como no México é mais fácil virar lenda (que dirá Lúcio Flávio, o Pelé branco do Atlas), o nosso descraque de hoje aprontou das suas e deitou e rolou no FLORINDÃO por um ano. Passou pelo Oita Trinita em 2006 e por lá foi ídolo antes de voltar ao Palmeiras, onde teria uma chance real de mostrar que não era mais um sonho de verão. A redenção não viria tão rápido, Osmar ainda foi emprestado ao Fortaleza até que pudesse reintegrar o grupo do Palmeiras. 2007 seria um ano complicado pelos lados da Barra Funda. 

Foto: IG
O setor ofensivo palmeirense estava assaz inchado naquele ano. Edmundo, Osmar (titulares) alternavam com Florentín, Max, Cláudio, Luis, Cristiano, Alemão (que faleceria num acidente de carro em meados de julho), Alex Afonso, Luis Henrique, Rodrigão (!) e Beto, jovem da base. Se a torcida teve alguma felicidade naquele ano foi a vitória no clássico sobre o Corinthians, por 3-0, com atuação fenomenal de Edmundo. De resto, tudo descarrilhou num grande desastre.

A começar pela morte de Alemão, o 2007 foi nebuloso. Perdendo a vaga nas semifinais do Paulista para o Bragantino, no respiro final, a equipe de Palestra Itália ainda perdeu a chance de disputar a Libertadores de 2008, escorregando por dois pontos e deixando o Cruzeiro como último qualificado. Osmar embarcou na onda de azar e se lesionou pouco depois de Alemão, em maio. Os dois conviviam bem no Departamento médico e em meados de junho, nosso Descraque cometeu a maior gafe de sua carreira. Em entrevista, afirmou que travaria uma "competição sadia" com o amigo afim de retornar antes aos gramados, e que certamente poderia jogar antes. Bem, o desenrolar vocês já sabem, Alemão nunca mais vestiu a camisa de um clube profissional...

Osmar, bem vivo, graças a James Brown, voltou em 2008. E no ano do primeiro título estadual, taça que o Palmeiras não levantava desde 1996. Para o atacante, a temporada poderia ser resumida em banco, banco, banco, 5 minutos finais, gols cagados e cambalhotas, sua marca registrada. Sem impressionar ninguém da alta cúpula, foi emprestado ao Vitória, ao fim de 2008. Encostado em sua passagem pela Bahia, retornou à São Paulo para 2009 e amargou não ser relacionado para nenhuma partida pelo Palmeiras.

Desde 2010 transita entre clubes menores do interior de São Paulo, entre eles o União São João, Americana e Marília. Atualmente joga pelo mesmo União São João, talvez o único clube de todos que realmente precisou dos seus serviços. Não há registro de nenhum palmeirense, baiano, japonês, mexicano ou andreense que sinta a sua falta. É, Osmar, a vida não é só cambalhotas.



*Sim, Osmar está dando uma cambalhota na imagem, mas quem entenderia se a figurinha viesse de cabeça para baixo?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Desafortunados: Vratislav Gresko

Gresko é considerado uma das piores contratações da "Era Moratti" 

Arthur Barcelos, @arthurbarcelos_
De Marabá-PA 

Já ouviu falar? Não? Sorte a sua. Este rapaz “flopou” em grandes ligas, como Bundesliga, Serie A e Premier League. 

Nascido na pequena vila de Tajov, na Tchecoslováquia, Gresko iniciou sua carreira como futebolista no modesto Dukla Banská Bystrica aos 18 anos. Dois anos depois, mudou-se para o Inter Bratislava, um dos principais times na Eslováquia. 

Na capital eslovaca, passou a se destacar. Depois de duas boas temporadas, foi comprado pelo Bayer Leverkusen, na época o vice-campeão alemão. Junto com a mudança de clube, uma convocação para seleção eslovaca sub-21, para a disputa do campeonato europeu. Na Alemanha teve poucas oportunidades (principalmente por enfrentar a concorrência de Zivkovic e Zé Roberto), e nas chances que teve, não mostrou bom futebol. 

Porém pela seleção sub-21, encheu os olhos de Marco Tardelli, então assistente técnico da Itália. Poucos meses depois, Tardelli assumiria o comando da Internazionale, ocupando o lugar de Marcelo Lippi. Logicamente, Gresko foi uma das contratações pedidas pelo ex-jogador. Massimo Moratti desembolsou 14 milhões de euros no eslovaco! Valor absurdo na época, e atualmente. Gresko participou de 17 jogos, muito irregular, fez algumas boas partidas, mas também péssimas. 

Na temporada seguinte, Héctor Cúper foi contratado para ser o novo técnico do time azul de Milão. Com o argentino no comando, Gresko entrou em campo 23 vezes. Continuou irregular. Mas foi em um lance que teve toda sua carreira na Inter manchada. No último jogo da temporada pela Serie A, valendo Scudetto, o eslovaco da camisa 24 participou diretamente de um dos gols de Poborský, fazendo com que o time não só perdesse o jogo (4-2 para a Lazio), como a liderança (Juventus foi a campeã). 


Sem prestígio, foi passado ao Parma. No time da Emília-Romanha teve a concorrência do penta campeão Júnior. Jogou apenas cinco vezes. Em janeiro de 2003 foi para o Blackburn, por empréstimo com opção de compra. Na Premier League foi até bem, sendo comprado em agosto. Continuou com a boa fase, porém em dezembro uma infelicidade: sofreu uma grave lesão nos ligamentos cruzados. 


Mesmo recuperado da lesão, entrou em campo apenas seis vezes nas temporadas 2004/05 e 2005/06. Com o fim do contrato voltou à Alemanha, dessa vez para o Nuremberg. Nova decepção, e como free agent, regressou ao Bayer Leverkusen. 

Dois anos como reserva, entrando uma vez ou outra, Gresko parou em 2009. Dois posteriormente foi anunciado que voltaria aos campos. Assinou um contrato de quatro anos com o Podbrezová, modesto time da segundona eslovaca. Atualmente o time ocupa a segunda colocação, e Gresko tem jogado regulamente.

sábado, 14 de janeiro de 2012

As "cartadas" de Yuri Semin

Yuri Semin, treinador do Dinamo Kiev (Dnipro.ua)
Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

A temporada

Ninguém na Ucrânia (nem fora dela) tem dúvidas da força do Shakhtar Donetsk e de suas possibilidades de conquistar o título nacional. Mas depois de 2 duas temporadas sem levantar o "caneco", o todo poderoso Dynamo Kyiv vem com muita vontade -e sobretudo qualidade- para desbancar seus principais rivais.

Em 2008-2009, na primeira passagem de Yuri Semin pelo time de Kiev, o título foi conquistado com sobras: terminando 15 pontos à frente do Shakhtar e 20 do Metalist, vice-campeão e terceiro colocado, respectivamente. Semin saiu e voltou em 2010, mas não foi pário para Mircea Lucescu e seus comandados. Para um time que foi campeão 26 vezes (13 da Liga Soviética e 13 da UPL), dois anos sem um campeonato nacional é muita coisa.

Isso ficou comprovado com as contratações para esta temporada: Dudu, Ideye Brown, Carlos Corrêa, Lukman Haruna e Pape Dikhaté, que se juntaram a nomes como Vukojevic, Ninkovic, Garmash, Gusev, Yarmolenko, Milevskiy e Shevchenko. Com relação às baixas, as mais significantes foram dos meias Roman Eremenko e Roman Zozulya, mas que de momento não fazem muita falta.

A UPL já fez sua tradicional pausa de inverno e só volta em março. Por enquanto o líder é o próprio Dynamo, invicto e com 52 pontos, um a mais que o Shakhtar. Vale lembrar que o time do Serviço Secreto soviético já não briga mais por competições europeias, tendo ficado atrás de Besiktas e Stoke City no grupo E da Europa League. Logicamente o presidente Igor Surkis não ficou nada contente com a eliminação, mas ao menos o Dynamo pode se concentrar exclusivamente na UPL, o que torna as coisas ainda mais difíceis para o Shakhtar nesta temporada.

A equipe de Donetsk não é a mesma da temporada passada -em termos de atuações. A última colocação no grupo G da Champions mostrou que isso é um fato. O segundo lugar na UPL vem justamente pela superioridade de seu elenco em relação a outros times. Mas não podemos colocar esta aparente "queda" do Shakhtar como principal motivo para a liderança do Dynamo. Os méritos maiores são dos comandados de Yuri Semin.

Aliás, desde os tempos de Lokomotiv Moscow -time que ele fez crescer dentro do cenário russo- Semin era conhecido por seu pragmatismo. Uma fama até certo ponto justificada. Por outro lado, com opções mais ofensivas em 2011-2012 ele vem mostrando que pode armar também times cuja defesa é apenas um dos pontos fortes -mas não o principal.

O mais curioso deste Dynamo Kyiv é a recorrente alternância de esquemas táticos. No caso do Dnipro este fator deixa evidente sua irregularidade, mas no caso do Dynamo o que aparenta é a versatilidade dos jogadores e a confiança que Semin deposita nos mesmos. Vale mencionar que também existe esta versatilidade nos jogadores do Shakhtar, mas não ocorrem tantas mudanças táticas assim (Lucescu até que tentou colocar dois atacantes no time, o que não deu muito certo).

Esquema do começo da temporada
Os incontestáveis

Semin começou a temporada em um 4-2-3-1, que até hoje é o esquema mais decorrente no time. A defesa (menos vazada da UPL com apenas 8 gols sofridos) é comandada pelo capitão da seleção ucraniana Shovkovskiy, um goleiro muito experiente e que passa muita confiança.

Na zaga central o único nome que parece demonstrar mais segurança até o momento é o do nigeriano Aiyla Yussuf. Ele foi titular desde o princípio e poucas vezes ficou no banco de suplentes. A dúvida maior é gerada em torno de seu companheiro. Foram utilizados Diakhaté, Betão e Kacheridi. Mas nenhum deles conseguiu corresponder à altura.

Nas laterais é que começamos a notar as mudanças tão destacadas. Normalmente os titulares eram Danilo Silva e Popov. Isso é o lógico. Mas quem disse que Semin quer seguir a lógica? Dependendo da escalação ele coloca Danilo Silva e Betão, dois laterais predominantemente defensivos. No entanto, em uma das partidas contra o Besiktas pela UEL ele utilizou uma outra "cartada" entrando com Oleg Gusev pela direita e Popov pela esquerda. Ambos apoiam demais (Gusev é um right winger). Nisso, o croata Vukojevic voltava para fazer a zaga, formando um 3-4-3 ultra-ofensivo.

Por falar nele, Ognjen Vukojevic é outro atleta mais do que incontestável neste Dynamo Kyiv. O croata está há 3 anos na capital ucraniana e é titular absoluto. Por vezes mostrou que é imprescindível para o time. Durante suas lesões, Semin não coloca outro volante, deixando que o meia Aliyev faça a função.

Atual esquema
As variações 
É bastante delicado falar sobre o meio-campo e o ataque do Dynamo, que se modificaram bastante ao longo da temporada. Para se ter uma ideia, a linha de 3 meias que começou a temporada foi Gusev-Eremenko-Yarmolenko, sendo este último substituído algumas vezes por Ideye Brown.

Hoje quem ganhou espaço foram Ninkovic, Garmash e o já mencionado Aliyev. Enquanto isso, Artem Milevskiy, que fazia temporada lastimável, finalmente sentou no banco de reservas. Outra coisa que Semin mudou foi o posicionamento de Ideye, que saiu do lado esquerdo para jogar onde gosta, ou seja, no meio da área, como um "9" puro. Antes disso, Yarmolenko, Shevchenko e o próprio Milevskiy foram testados na posição, mas sem sucesso.

Detalhe é que isso tudo aconteceu quando Yuri Semin esteve utilizando um 4-2-3-1 (4-1-4-1), porque em dado momento da temporada ele passou para um improvável 4-4-1-1. Isso aconteceu quando Vukojevic se lesionou e ele não tinha alguém de confiança para deixar como seu "cão de guarda" no meio-campo.

Aí é que entram com mais protagonismo Oleksandr Aliyev, Denys Garmash e Milos Ninkovic. Os dois primeiros atuaram mais centralizados no meio-campo, sendo que Aliyev ficava mais com papel de marcação. Entretanto, como ele não é um grande marcador, acabou dando ainda mais qualidade para a bola "rodar".

A primeira opção para jogar a seu lado foi Ninkovic, mas ele não foi bem e acabou sendo substituído pelo jovem ucraniano Danys Garmash, que finalmente mostrou todo o seu potencial e agarrou de verdade a oportunidade. Mas para a sorte (?) de Ninkovic Gusev se lesionou e ele pôde entrar para fazer a left winger, com Yarmolenko sendo deslocado pelo lado direito. Ao menos a segunda chance ele aproveitou bem.

Enquanto isso Shvechenko foi colocado como um segundo-atacante (por vezes um "falso 10" como alguns preferem), fazendo exatamente o mesmo papel de Wayne Rooney no Manchester United. À sua frente seguiu Ideye Brown, mantendo uma altíssima média de gols (marcou 10 na temporada).

Realmente o Dynamo Kyiv não jogou bem em todas as partidas -isso seria quase impossível-  mas o fato é que seu elenco e o trabalho de Semin estão chamando demais a atenção. São raríssimos os times em ligas teoricamente de "segundo escalão da Europa" que têm tantas opções de qualidade e apresentam mudanças táticas tão interessantes. Em suma, o Dynamo precisa cair muito de produção ao longo da temporada para não conquistar este título ucraniano.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Craques: Robert Prosinecki

Foto: Dasbiber.at
Sempre lembrado como o cérebro da Croácia na espetacular campanha da Copa de 1998, Prosinecki precisou lutar muito para mostrar seu valor nos clubes que passou

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Henry em 14 atos

Nicholas Hagel, @Nicholas_Hagel
De Guaratinguetá-SP

Henry está de volta. O francês retornou ao Arsenal nesta segunda-feira, contra o Leeds, na Carling Cup. Como se fosse num filme, marcou o gol da vitória sobre os whites e fez vibrar a torcida que por tantos anos gritou seu nome enlouquecidamente. Esse post é apenas uma pequena homenagem ao maior artilheiro dos gunners de toda a história. Em 14 atos...

1.
Watford 2x3 Arsenal
23/04/2000

2.
Arsenal 1x0 Manchester United
30/09/2000
3.
Arsenal 5x0 Newcastle
09/12/2000
4.
Arsenal 5x3 Charlton
01/04/2002
5.
West Ham 2x2 Arsenal
24/08/2002
6.
Arsenal 3x0 Tottenham
16/11/2002
7. (O terceiro gol)
Roma 1x3 Arsenal (Para o sofrimento do @portesovic)
27/11/2002
8.
Manchester City 1x5 Arsenal
22/02/2003
9.

Middlesbrough 0x2 Arsenal
19/04/2003

10.
Charlton 1x1 Arsenal
26/10/2003
11.
Arsenal 4x0 Charlton
02/10/2004
12.
Weiz 0x5 Arsenal
18/08/2005
13.
Real Madrid 0x1 Arsenal
21/02/2006
14.
Liverpool 1x3 Arsenal
06/01/2007

sábado, 7 de janeiro de 2012

Stari Most

Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

Há algum tempo atrás falei um pouco sobre o APOEL Nicosia e me lembro bem de ter mencionado que a cidade é dividida ao meio por um muro. Falei também sobre o clima um pouco "pesado" entre os turco-cipriotas e os grego-cipriotas. Mas este clima nem se compara ao da cidade de Mostar, na Bósnia e Herzegovina, que é dividida ao meio por uma ponte que separa os Bosniaks (muçulmanos bósnios) e sérvios dos croatas.

É fato que hoje a situação na região também é mais amena. No entanto, há poucos anos atrás, quando "estourou" a guerra, não havia lugar seguro em todo o país. Mas a ponte -denominada Stari Most- não tem muito a ver com a guerra. Ela foi criada no século XI, quando a cidade pertencia ao Império Otomano. Reza a lenda que seu arquiteto, Minar Hayruddin, estava condenado à morte e seria executado após sua construção.

Aposto que muitos estão se perguntando: mas onde o futebol entra nisso tudo? Acalmem-se. Antes de falar do futebol preciso explanar todo o contexto histórico. Durante a Guerra que assolou a Bósnia de 1992 à 1995, a cidade de Mostar também foi atacada e a ponte destruída por um terrível bombardeio. As forças croatas da HVO e do exército croata se responsabilizaram pela destruição. Seu objetivo era isolar os Bosniaks e sérvios-bósnios no lado leste da cidade até que estes se rendessem.

Com o fim da guerra e a independência  da Bósnia e Herzegovina a divisão em Mostar permaneceu quase a mesma, com os croatas no lado oeste e os Bosniaks e sérvios no lado leste. Para os ansiosos de plantão, é aqui que entra o relato futebolístico. Como não poderia deixar de ser, há dois clubes de futebol que representam estes "lados": o HSK Zrinjski e o FK Velez.

O primeiro é o clube mais antigo da Bósnia, formado em 1905 por estudantes. No entanto, por ter cores croatas e participar da Prva HNL, acabou dissolvido em 1945 e sendo "retomado" apenas em 1992 (justamente no primeiro ano da Guerra). Não negando suas origens, o Zrinjski fica no lado oeste de Mostar e a maioria de seus torcedores são croatas e, como se não bastasse isso, representam a direita do país.

O Velez já é mais novo que seu rival. Nasceu em 1922. Seu nome vem de um famoso monte da cidade de Mostar, sagrado para os antigos povos. Diferentemente do Zrinjski, o Velez não foi dissolvido pelo governo iugoslavo, muito pelo contrário, foi durante o governo comunista que o time atingiu seu auge, conquistando duas Copas Nacionais. A maioria de seus torcedores são Bosniaks e sérvios, que se localizam a leste da Stari Most e são esquerdistas.

Apesar da rivalidade ser enorme, os dois ficaram 55 anos sem enfrentarem-se graças à dissolução do Zrinjski. O confronto só foi retomado em 2000, em uma partida amistosa que terminou empatada em 2x2. Atualmente, com os dois na Bosnian Premier League a ocorrência de derbys é bastante frequente e sempre há um problema com relação aos ultras de ambos os lados.

No primeiro turno desta temporada ocorreram dois jogos consecutivos, sendo um pela Copa Nacional e outro pela Premier League. Fato que assustou a polícia de Mostar. O primeiro embate, válido pela copa, precisou ser paralisado por problemas com as torcidas. No segundo isso não aconteceu, já que os torcedores foram proibidos de entrar.

Além de tudo isso, este derby serve para evidenciar a cidade de Mostar para o mundo. Ela é a maior da região da Herzegovina e é como se fosse uma capital para a mesma. Alguns dizem que o derby de Mostar é maior do que o da capital Sarajevo, disputado entre Zeljenicar e FK Sarajevo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Mais que um ídolo

(Foto: SporTV)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Você aí que chegou agora, já vem com olhos e mente armados com rivalidade e possíveis rancores com a figura da foto acima: pare. Você que já traz consigo o ideal de que cada clube deve ter o seu ídolo e que jamais devemos reverenciar jogadores dos rivais, também pode parar por aí. 

Para qualquer torcedor comum, que não o palmeirense, Marcos Roberto Silveira Reis foi um grande goleiro, cidadão pacato do interior de São Paulo (Oriente, cidade acanhada perto de Marília, a capital do biscoito), além de figura dotada de sinceridade e acidez que estão cada vez mais raras no esporte, tamanha -e irreversível- comercialização do mesmo. 

No entanto, para a massa palestrina (que está se diminuindo cada vez mais com os protestos infames e nojentos de uma organizada qualquer), SÃO MARCOS representa muito mais do que uma camisa 12 imortalizada na sala de troféus do clube, inativa e sedenta por novas glórias. Era um estandarte dos tempos que mais pudemos comemorar, uma figura que representava o espírito aguerrido e vencedor que um dia tivemos. Original como sempre ousou ser, o goleiro permaneceu inabalável e absoluto como referência nos elencos que passaram pelo Palmeiras durante estes últimos dez anos.

Com ele ali debaixo das traves, aprendemos a confiar de que não tomaríamos tantos gols, que todo jogo teria um milagre e por vezes até um cafezinho. Durante a fase mais lamentável da história do clube, Marcos soube se portar como um ícone que se importava com a crise, que tinha o necessário para ajudar o Palmeiras a sair da lama. Acima de tudo, personalidade. Dá para frisar que nenhum outro atleta que passou pelo Palestra nos últimos 40 anos teve tanto carisma e prestígio, figurando ao lado de gênios como Ademir, Dudu, Leivinha, César, Luis Pereira, que foram soberanos num tempo em que poucos ousavam desafiar o Santos de Pelé, o Inter de Falcão ou o Flu de Rivellino. 

Ele estava lá, o tempo todo. Não se abateu com um 7-2 humilhante em que falhou de forma memorável, com um Mundial perdido, um ASA surpreendente, dentre outras partidas que o palmeirense tenta esquecer sem sucesso. Ultimamente, as lesões foram cada vez mais cruéis com o homem que não media esforços para continuar em campo, diante de várias adversidades.

Marcos ensinou que ficar onde você ganhou notoriedade e fazer história é mais importante do que ser seduzido pelos milhões que a Europa e Ásia oferecem. E exatamente por sua fidelidade e dedicação ao escudo palestrino que virou Santo, mais ainda do que pelos milagres realizados dentro de campo. 

A tristeza da torcida não se deve somente ao fato de Marcos estar se retirando da profissão que o consagrou. Até mesmo porque eles já estavam se preparando para essa ocasião desde 2008, quando o arqueiro acenou a primeira vez com a possibilidade da aposentadoria. O que dói mesmo é saber que nenhum outro que vá chegar no futuro vai corresponder de forma satisfatória o papel que ele prestou todos estes anos. 

Ao insubstituível dono da meta alviverde, o doloroso adeus e o muito obrigado por todas as alegrias.