quinta-feira, 5 de abril de 2012

Desafortunados: Emmanuel Amunike

Foto: Solo fútbol
Bruno Núñez, @BrunoNunez
De São Paulo-SP

O perfil desse Desafortunado é o típico caso do jogador que BARBARIZA jogando pela seleção, mas que não tem a mesma fortuna jogando pelos grandes clubes, que clamaram por seus serviços graças as boas exibições pelo esquadrão de sua terra natal. Ainda houve o agravante da lesão, que acabou com a sua carreira e não rendeu aquilo que todos esperavam dele.

Emmanuel foi um dos símbolos dos tempos de glória das Super Águias, a seleção nigeriana que encantou os gramados na década de 1990, o ala-esquerdo Amunike (que virou seu nome, de tanto que erraram a pronúncia) era um talento promissor, estava em campo quando a Nigéria foi campeã da Copa Africana de Nações em 1994 (fazendo os dois gols na final, consagrando-se ídolo dos nigerianos) e também fez parte do grupo que participou da primeira Copa da história dos Águias verdes naquele mesmo ano.

O ponto máximo daquela geração nigeriana foi a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos, que além de Amunike, tinha jogadores da estirpe de Amokachi, Babayaro, Kanu, Babangida, Okocha e West (com seu cabelo [?] que ficará eternamente nas nossas memórias). A vitória sobre o Brasil nas semifinais já tinha deixado os espectadores perplexos, então veio o triunfo sobre os argentinos na final olímpica, foi ainda mais estonteante, com o nosso Desafortunado tendo grande participação na partida, mostrando que tinha mística de decisão, marcando o gol do triunfo histórico dos nigerianos no último minuto do segundo tempo.

Na sua carreira profissional, Amunike começou a impressionar no Julius Berger, clube do seu país natal, mas logo foi para um gigante africano, o Zamalek do Cairo, onde se consagrou como um ala ofensivo esquerdo. Conquistando o bicampeonato egípcio de 1992 e 1993, viveu quatro anos na beira do Rio Nilo. Seu futebol logo chamou atenção do mercado europeu, principalmente por suas atuações pelo selecionado nacional, que lhe renderam o prêmio de melhor jogador africano de 1994. O presidente do Sporting de Lisboa na época, Sousa Cintra, fez de tudo para ter o jovem jogando pelos leoninos, inclusive foi ao Egito acertar pessoalmente com atleta e clube, já que era iminente a sua ida para um desconhecido da Alemanha, a atitude do presidente sportinguista fez com que o destino de Amunike fosse diferente.

O desembarque na Europa foi o melhor possível, Amunike logo assumiu a titularidade no elenco leonino, mostrando que era rápido, técnico e tinha um excelente chute. Essas qualidades ajudaram a agremiação lisboeta na temporada de 1994-95, finalizando o Campeonato Português em segundo, enquanto ele encaixava 24 jogos/8 gols (inclusive o seu primeiro gol foi contra o rival Benfica) e se sagrando campeão da Taça de Portugal.

Os tempos dourados de Amunike em clubes vieram no Sporting
(Craques e flops leoninos)
Na temporada seguinte, Amunike novamente foi um dos destaques do Sporting, 34 jogos e 9 gols, com direito a uma Supertaça de Portugal no bolso. No fim da época, Amunike embarcou para Atlanta e deu no que deu, campeão olímpico com as Super Águias, sendo um dos destaques daquele time, o Sporting não poderia segurar mais o jogador. Ainda jogou parte da temporada 1996-97 pelo alviverde luso, mas no fim do ano foi embora.

Sir Bobby Robson viu aquele jovem de 25 anos encantando os torcedores nas Olímpiadas, e não titubeou em trazê-lo para a Catalunha. Para isso o Barcelona desembolsou 4 milhões de dólares dos seus cofres. Amunike chegava a um elenco muito forte, entre os novos companheiros da Pantera Nigeriana estavam Figo (que havia jogado com ele no Sporting), Ronaldo e Guardiola.

Amunike parecia que ia ajudar muito os blaugranas, teve oportunidades, mas começou a padecer de sucessivas lesões no joelho (já havia sofrido de algumas no fim de sua passagem pelo Sporting), que deixaram ele parado por muito tempo, e graças a elas, ele não foi para a Copa do Mundo de 1998. Suas lesões voltavam, ele perdia ritmo de jogo, e isso começou a comprometer na sua habilidade, não era o mesmo, estava em processo de Pedrinhozação descraquização. As únicas lembranças que deixou em Barcelona foram seus arremessos laterais, que eram potentes; (não chegava a ser um Delap, mas dava para o gasto) a outra, foi o canto que os madridistas fizeram para o meia Luís Enrique do Barça, que dizia ‘’Luis Enrique tu padre es Amunike’’, bom...não preciso explicar o sentido do canto.

Choro ou cansaço? Só o tempo irá dizer
(The offside)
Foram três temporadas no clube (''conquistou'' 2 Ligas, 2 Copa do Rei, 1 Recopa Europeia e 1 Supercopa da Europa) mas de fato só conseguiu jogar 1 temporada e meia, foram cerca de 20 jogos e 1 gol com a camisa do Barça.

A carreira de Amunike só decaía, chegou ao Albacete na temporada de 2000-01, após a passagem frustrada pelo Camp Nou. As lesões destruíram a carreira do winger nigeriano, já não tinha a velocidade de antes, nem a técnica, o velocista que passava e colocava os zagueiros para dançar agora era colocado na roda de bobinho, não tendo o mesmo folego de antes. Seu futebol nunca mais foi o mesmo, o Albacete foi mais uma passagem frustrada na sua carreira, foram duas épocas pouquíssimo aproveitadas pelo africano. Depois foi para a Jordânia, vestiu a camisa do Al-Wihdat (temporada 2003-04), mas quando viu que não estava bem nem em terras jordanianas, decidiu que era a hora de parar.

Apostou nos cargos técnicos para seguir no futebol, foi treinador adjunto na Arábia Saudita, e depois foi contratado pelo Manchester United como observador de jogadores africanos, principalmente na Copa da África de 2008. Dirigiu o Julius Berger e o Ocean Boys da sua terra natal, mas depois voltou a Espanha, onde participou de um anúncio publicitário que tirou onda de sua fracassada passagem pelo Barcelona. Amunike mostra no anúncio que está vendendo um VHS com a sua melhor jogada, que é o seu arremesso lateral, único lance mostrado em toda vídeo-aula fictícia, pobre Emmanuel.

Atualmente dirige uma escolinha de futebol na Nigéria, apesar de viver na Espanha esperando por uma oportunidade em alguma comissão técnica de algum clube espanhol, apostando que pode triunfar em terras hispanas, já que não pôde quando jogador espera ter melhor sorte como treinador. 




quarta-feira, 4 de abril de 2012

Craques: Julio Dely Valdés

Foto: Diálogo americas
Felipe Portes, @portesovic
De Brisbane-AUS

Aproveitando o fato que falamos do maior jogador costarriquenho da história, Paulo Wanchope, o gancho é bom para que o protagonista de hoje seja Julio Dely Valdés, o maior panamenho de todos que já caminharam por esta terra.

Goleador daqueles desesperados, um artilheiro nato, Dely Valdés marcou época no PSG, Oviedo e Málaga, também com boas passagens por Cagliari e Nacional do Uruguai. Começou sua carreira em 1987, no Deportivo Paraguayo, de divisões inferiores na Argentina. O talento para balançar as redes usando o bico da chuteira, a testa, a canela e até a cintura fizeram de Julio ídolo imediato na pequena agremiação de Buenos Aires. 

De lá, partiu para o Nacional, onde ganharia destaque internacional e suas primeiras chances na seleção panamenha, onde seria eterno camisa 9 e maior ícone. Reza a lenda que O Pelé da América Central marcou mais de 100 gols pelo Bolso. A mitificação de Dely era algo inevitável. De 1989 a 1993 torturou os goleiros e defesas adversárias no Uruguai até chamar a atenção do Cagliari. Foi campeão nacional em 1992 e no ano seguinte partiu para a equipe da Sardenha.

No Cagliari, ainda possuindo alguma quantidade de cabelos, Julio fez companhia de ataque ao não menos lendário e carismático Luis Oliveira (Oliveirrá, como diziam os belgas). A parceria não vingou como esperado e apenas uma décima posição na Serie A frustrou os ânimos dos dirigentes no Sant'Elia. Para a temporada seguinte, em 1994-95, contou com Roberto Muzzi e Massimiliano Allegri no elenco gialloblu, mas o resultado final também não empolgou. A nona posição foi a gota d'água para que o panamenho procurasse outro lugar para tentar corresponder às suas ambições como profissional.

Semi-voleio de Dely Valdés na final da Taça das Taças em 1996
O Paris Saint-Germain foi a escolha para o futuro. Já adotando o visual careca/Seal/Sebastian da C&A, Dely  já chegou com pompas e levantando o título da Taça das Taças UEFA em 1995-96. A vitória sobre o Rapid Viena, com gol de Bruno N'Gotty, foi o único troféu erguido pelo talentoso atacante, apesar da excelente média de gols (64 jogos e 24 gols). Em 1997 deixou o Parc des Princes e assinou com o Real Oviedo, onde seria rei. 

Eram tempos nebulosos para a simpática equipe das Astúrias. Três péssimas campanhas em La Liga, com ponto alto para os intermináveis gols de Julio contrastaram na história do clube. Ainda importantíssimo e herói no Oviedo, o atacante foi para o Málaga, em 2000-01 onde venceu a Copa Intertoto (2002) e se consagrou como um dos maiores artilheiros dos Boquerones. 


O reconhecido faro de gols continuava ali. Com o passar dos anos, Julio se transformou num centroavante mais de área, de conclusão, não um jogador de arrancada, explosão e velocidade como nas suas passagens por Cagliari, PSG e até mesmo Oviedo.


Veteraníssimo, aos 36, saiu do Málaga em 2003 e rumou ao Nacional, onde foi revelado para o futebol internacional. A idade foi uma barreira e ele disputou apenas 15 partidas antes de defender o Árabe Unido, do Panamá, onde encerraria sua carreira (vejam só como rimou com o começo da oração). É irmão gêmeo de Jorge Dely Valdés, que teve passos similares no que se diz início e fim da caminhada como jogador de futebol.



terça-feira, 3 de abril de 2012

Bugados: Mateja Kezman

Foi no Chelsea que iniciou a derrocada de Kezman no futebol (Postmatch playmaker)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

102 gols em 105 jogos no PSV. Um recorde e meta de qualquer atacante que se preze, esse número conseguido por Mateja Kezman em quatro anos jogando em Eindhoven é uma proeza que muitos grandes nomes do esporte tentaram alcançar. O sérvio que já era bem conhecido nos seus anos de Partizan pela mesma perícia ao colocar a bola nas redes simplesmente teve seu brilho apagado assim que deixou a Holanda ao fim de 2004.

Era a segunda metade da década de 1990 na Sérvia. O futebol de lá não se deu muito bem no pós título do Estrela Vermelha em 1991. Nunca mais as equipes de Belgrado apareceram bem em cenário europeu. Nesse marasmo que estavam mergulhados os grandes rivais de lá, foi que surgiu um baixinho que conhecia muitos dos atalhos para o gol. 

No Radnicki Pirot (um dos 303 Radnickis espalhados pelo território sérvio), uma simples temporada (1996-97) foi suficiente para que a diretoria do Loznica, à época disputando a segundona local, contratasse os serviços do garoto. Um semestre depois, o Smederevo pediria um empréstimo para encerrar 1997-98 com um bom nome no ataque. Foi o último passo dado antes da tão sonhada chegada ao FK Partizana, separado por 800 metros de uma rivalidade que nunca cessou, entre os alvinegros e rubronegros que vivem em Belgrado.

Gol em dérbi contra o Estrela Vermelha: tudo estava
 indo bem, bem demais (Sportal.rs)
Artilheiro da temporada 1999-00, na qual o Partizan venceu o Servião, Mateja se identificou com a torcida grobari com seus muitos gols, (alguns importantes em clássicos) e claro, pelo fato de ser um torcedor do clube. O PSV então faria uma proposta tentadora para tirar o jovem e levá-lo para uma das cinco principais ligas europeias. 41 jogos e 35 tentos serviram de ótimo currículo.

Guarde este momento, amigo leitor. Será o ponto alto e o clímax deste texto. Em 2000-01, logo na sua chegada, se adaptou rápido e assumiu a titularidade, ao lado de Ruud Van Nistelrooy. Foram 31 gols em 49 jogos, média satisfatória para alguém que vinha de uma liga muito inferior, tecnicamente. A rotina de sempre ir às redes se repetiu até 2004, quando o emergente Chelsea, com impul$o de Roman Abramovich se interessou pelo futebol do sérvio. 

Kezman chegaria ao Stamford Bridge juntamente com Robben. Os dois já haviam feito parceria de sucesso no Philips Stadion. Dois títulos da Eredivisie depois, tentaria manter o sucesso na terra da Rainha. Com 102 tentos a mais na conta, já era presença constante na seleção da Sérvia e Montenegro.

E então, Batman (o técnico de som do estádio do PSV tocava o tema do Batman a cada gol de Mateja) e Robben reencenariam a dupla na Inglaterra, na difícil Premier League. Somando tudo o que o atacante fez na temporada, não deu nem o seu primeiro ano como profissional. Flop nos Blues, apesar do título nacional e a Copa da Liga em 2004-05, foi emprestado ao Atlético Madrid. Nova época em baixa no Vicente Calderón, foi muito inferior ao que poderia fazer. O único destaque fica por conta do gol de calcanhar contra o Real Madrid em La Liga.

Em 2006, no Fenerbahce, conseguiu retomar a moral. Mas os gols... (The offside)
Após o tenebroso Mundial pela Sérvia e Montenegro (Kezman foi expulso na estreia contra a Holanda), desembarcou em Istambul, no Fenerbahce. Sempre marcando, mas dessa vez bem menos do que costumava, ajudou o Fener a ser campeão turco em 2006-07, além da Supertaça turca em 2007. Duas temporadas ilusórias, que em nenhum momento viram o mesmo desempenho por parte do sérvio. A essa altura do campeonato, já era visto como fracasso, sombra do que era anos antes.

A franca decadência resultou numa transferência para o Paris Saint Germain, que atravessava péssima fase. Em nenhum momento pareceu boa ideia, para ambos os lados. O PSG não fazia boas campanhas na Ligue 1 e Kezman há tempos não era imponente como referência na área. Por incrível que pareça, a parceria rendeu uma Copa da França, em 2009-10. Em duas temporadas e meia no Parc des Princes (foi emprestado na metade de 2009 ao Zenit, desnecessário dizer que falhou) marcou apenas 10 gols.

Dragan Djuric, presidente do Partizan, e Kezman: negociação não vingou
por pouco, para a sorte da equipe sérvia (Partizan.rs)
Beirando os 30 anos, apostou no futebol chinês como seu último trunfo como profissional. Cada vez mais os gols iam deixando de acontecer e a aposentadoria mais próxima. Em 2011 negociou com o Partizan para um retorno. Jogando a Liga dos Campeões, o alvinegro sérvio acabou por não finalizar os termos, levando em conta a descente do atleta. Kezman então acertou com o BATE Borisov para a campanha seguinte na LC.

Sem um mínimo gol, retornou ao South China ao fim de 2011 e jogou apenas mais algumas vezes antes de se retirar definitivamente do futebol, em janeiro de 2012, passando longos 8 anos no ostracismo.

Joguetes em que brilhou
Até as versões 2011 de FIFA e Pro Evolution Soccer, Kezman era um nome excelente para o ataque. Fazedor de gols (os programadores nunca levaram muito em conta a maré negativa de Mateja na vida real), pode ser facilmente titular em qualquer equipe quatro estrelas que você possa escolher. Tem ótima finalização, mas peca na velocidade e tem péssimo preparo físico.




TF História: A taça sangrenta de Heysel

Platini nos instantes em que sucederam a batalha campal no Heysel
 Foto: Old school panini
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Uma final europeia sempre é um grande espetáculo de futebol. Com raras exceções, o sonho embutido em 90 ou 180 minutos de jogo se torna um pesadelo. A história da final da Liga dos Campeões (ou Copa dos Campeões) de 1984-85 é um dos exemplos em que a alegria foi sumariamente substituída pela dor, angústia e o terror, sentimentos que nunca foram bem vindos dentro de um estádio.

Os principais ingredientes para a confusão foram reunidos no caldeirão de Heysel, em Bruxelas. Naquela noite de 29 de maio de 1985, em que o local estava praticamente lotado, o desastre se não estava previsto pelo lado da torcida inglesa, ficou facilitado pelo policiamento, não reforçado o suficiente para um evento de tal magnitude. Ainda sim, os 60.000 lugares foram ocupados cerca de duas horas antes do pontapé inicial. 

De forma repentina, os reds presentes nas bancadas partiram lentamente em direção aos juventinos. Ah, sim, por trás de todo o noticiário envolvendo este fatídico dia, deveria haver sim um duelo futebolístico. Liverpool e Juventus decidiram o título europeu naquela noite belga. Onde eu estava? Na parte da invasão britânica no setor destinado aos italianos? Sim. Alguns covardemente armados com barras de ferro (retiradas da estrutura do estádio) e outros covardes simplesmente pelo fato de estarem em maioria. Ainda restava uma hora para que a finalíssima tivesse início.

O ato inicial de selvageria foi um conflito físico. Os poucos policiais presentes não conseguiram impedir a ação dos hooligans do Liverpool. Toda a agitação e pancadaria fez com que uma das partes do muro da arquibancada, mais precisamente o setor Z, cedesse e fosse ao solo, soterrando uma grande parcela de espectadores que estavam do lado de fora (e claro os que estavam em cima do concreto), deu-se início um grande show de horrores. 

39 perderam a vida naquela ocasião, onde pedras foram lançadas e sinalizadores foram acesos instantes antes da violência romper a paz no recinto. Era o caos envenenando o clima que poderia ser de muita festa. O inquérito sobre o desastre apontou falta de policiamento, além de clara culpa dos reds ao avançarem a faixa que separava os grupos de fanáticos. Por consequência, equipes britânicas foram banidas por cinco anos de competições europeias. 

Torcedor ferido do Liverpool é levado pelos policiais: descontrole marcou
a noite em Bruxelas (Tifosi bianconeri)
Teimosia organizacional 
Uma hora depois do previsto, a bola de fato rolou no Heysel. Ainda sob atmosfera tensa e sombria, a partida aconteceu. Sem uma parte da arquibancada e com torcida praticamente neutra, novamente houve pressão inglesa, desta vez com a bola nos pés. O Liverpool esteve melhor na primeira etapa e forçou o arqueiro Stefano Tacconi a fazer grandes defesas. Kenny Dalglish e seus companheiros praticavam o melhor futebol da década, um esquadrão certamente inesquecível na história dos Reds. 

No entanto, se houvesse uma forma que minimamente honrasse os que perderam a vida horas antes, esse resultado seria uma vitória da Juventus. Se de um lado tínhamos o talentoso Dalglish e uma formação muito consistente, do outro havia a determinação e um Michel Platini inspirado, obstinado a vencer o jogo e a severa mágoa de ter de participar de uma partida manchada pela desordem. 

Não deveria haver um jogo naquelas condições. A decisão por parte da arbitragem foi de realizar o confronto para evitar novos e maiores entreveros. Dentro de campo, aos 56, o lado bianconero cresceu e num contragolpe rápido, Boniek caiu fora da área. O juiz suíço Andre Daina assinalou pênalti. Platini converteu e colocou os italianos na frente. A defesa, composta por Sergio Brio, Luciano Favero, Antonio Cabrini e Scirea fez o seu serviço com louvor e segurou o eficiente ataque vermelho, com dupla de Dalglish e Ian Rush.

Ao fim dos 90 minutos, o 1-0 persistiu e a Juve saiu de campo com o caneco. Não houve vencedores em Heysel. Nem em uma possível goleada haveria. Os danos causados por irresponsáveis e malfeitores jamais será desassociado àquela noite de 29 de maio de 1985, que dirá os que partiram. Como em poucas oportunidades, vale o clichê de que "o resultado pouco importou" nesta série de acontecimentos.


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Fomos campeões: Galatasaray 1999-2000

Jogadores do Galatasaray comemoram o título da Copa da UEFA (Getty Images)
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

O Galatasaray é muito mais do que um simples clube do futebol turco, é um dos grandes responsáveis a levar o futebol das terras do antigo Império Otomano a ser reconhecido na Europa. Na temporada 1988-89, o já havia conquistado um enorme feito para a sua história e do esporte de sua terra: chegou a semifinal da Liga dos Campeões. Contudo, foi em 1999-00 que veio a consagração do pessoal que traz consigo as cores do Mc Donald's: o título da Copa da UEFA.

Naquela época de 1998-99, os Leões acabaram por conquistar o Campeonato Turco e o direito de participar da LC. Porém, logo na 1ª fase de grupos, acabaram por ficar na terceira colocação em seu grupo. Concorrendo com Chelsea, Hertha Berlin e Milan, o esquadrão de Istambul ainda ficou na frente do tradicionalíssimo rubronegro italiano, ganhando como prêmio de consolação a vaga na Copa UEFA.

No plantel, nomes interessantes não faltavam. Responsável por fechar o gol, o já experiente e tetracampeão mundial Taffarel era titular absoluto do time. Na zaga aparecia Gheorge Popescu, xerifão não só apenas no Gala, como na seleção romena. O ataque, por sua vez, era liderado pelo turco Hakan Sükür, que em 2002 marcaria o gol mais rápido da história das Copas. Por último e não menos especial, Gheorghe Hagi, que mesmo fim de carreira, era o grande nome e maestro dessa equipe.

Mas bem, o Galatasaray por ter vindo do certame estrelado, entrou na Copa da UEFA logo na terceira fase e o seu primeiro adversário foi o Bologna. Na partida de ida, realizada na Itália, um gol de Sükür nos últimos minutos acabou por garantir um empate em 1-1. Pela segunda perna, o lado turco não deu chances aos rossoblu e com uma vitória de 2-1 garantiram vaga nas oitavas de final.

Era hora de passar pelas oitavas, o adversário seria mais difícil. Pela frente, os leões teriam o Borussia Dortmund. Já no primeiro jogo, Hagi e seus comparsas trataram de deixar a vaga bem encaminhada. Em pleno Westfalenstadion, o Maradona dos Cárpatos e Sükür marcaram, sacramentando uma brilhante vitória por 2-0. Mesmo jogando em casa na volta, o Galatasaray administrou a vantagem, segurando o 0-0 e carimbando o passaporte para o próximo round.

E quem diria que o confronto das quartas seria o menos complicado? Contra o Mallorca, os Leões deitaram e rolaram na partida na Espanha, venceram por 4-1 e garantiram tranquilidade total pro jogo da volta, realizado em seus domínios. No Ali Sami Yen veio uma vitória por 2-1 sem dificuldade e o Galatasaray teria de superar o Leeds nas semifinais.

Hagi disputa bola com Danny Mills do Leeds em jogo que valeu vaga na final (AFP)
Diante dos ingleses, os turcos ressaltaram bem sua força. Jogando em Istambul, Sükür e o zagueiro brasileiro Capone marcaram assegurando o 2-0. um jogo bastante equilibrado, diante de um Leeds disposto a tudo para ficar com a vitória no Elland Road, o Galatasaray buscou conter o ímpeto dos donos da casa logo no início. Hagi, de pênalti, abriu o placar. O gol de empate dos Whites marcado por Eirik Bakke reacendeu as esperanças, mas a noite era dos atrevidos visitantes. Sükür, sempre ele) fez 2-1 e ainda deu tempo para um empate, novamente com Bakke, mas a vaga na grande decisão era dos Leões.

Na outra chave de semifinal, o Arsenal de Henry, Kanu e trupe ilimitada venceu o Lens, se garantindo para enfrentar o Galatasaray na Dinamarca, mais precisadamente no Parken Stadium, localizado em Copenhague.

O capítulo final


Na finalíssima, o clima era de tensão e ansiedade, já que o duelo marcaria o encontro de dois atletas que viviam grande fase: Hagi pelo Galatasaray e Bergkamp pelo Arsenal. A imprensa europeia apontava os Gunners como grandes favoritos para o jogo, entretanto, a fanática torcida turca se mostrava esperançosa para o confronto, fato comprovado pelos 10 mil rubroamarelos estavam no estádio.

O primeiro tempo da decisão foi bastante tenso. Kormaz e Buruk demonstravam claro nervosismo e por entradas fortes levaram cartão amarelo logo na metade inicial da primeira etapa. Quanto ao Arsenal,  Patrick Vieira também optou por abrir a caixa de ferramentas logo cedo, enquanto isso, Tony Adams buscava desmoralizar os adversários declamando "belas" palavras ao pé do ouvido. Com clara angústia dos dois lados, faltaram jogadas de efeito nos 45 iniciais, salvo uma boa jogada de Hagi que culminou em finalização de Sükür nada demais aconteceu.

Logo nos primeiros minutos da volta do intervalo, os turcos já foram buscar a surpresa e Seaman fez bela defesa em chute de longa distância de Arif. Contudo, logo o Arsenal conseguiu encaixar um bom estilo de jogo que privilegiava a velocidade de Henry e Overmars nos contra-ataques. Taffarel começava a se consagrar fazendo grandes defesas e assegurando que a decisão fosse para a prorrogação.

No tempo extra, o Galatasaray se complicou no começo quando Hagi agrediu Tony Addams e foi expulso. Com um homem a mais, o Arsenal correu atrás do gol de ouro, com destaque maior para duas excelentes finalizações, uma de Henry e outra de Kanu, que novamente mostraram o potencial do goleiro tetracampeão mundial. Chegava a hora que se separaria os meninos dos homens, a decisão de pênaltis decidiria o campeão daquele ano.

Foto: Itusozluk
A agonia pela decisão de pênaltis seria menor pelo lado rubroamarelo. Taffarel voltaria a se consagrar e garantiu de vez o prêmio de melhor jogador da final. O guarda metas brasileiro foi responsável por defender a cobrança de Süker e contar com o erro de Vieira para garantir o inédito título do time turco, que acertou todas as cobranças com Penbe, Sükür, Davala e Popescu. Parlour ainda converteu sua cobrança a favor do Arsenal.

3ª fase
Bologna 1-1 Galatasaray
Galatasaray 2-1 Bologna

Oitavas de final
Dortmund 0-2 Galatasaray
Galatasaray 0-0 Dortmund

Quartas de final
Mallorca 1-4 Galatasaray
Galatasaray 2-1 Mallorca

Semifinal
Galatasaray 2-0 Leeds
Leeds 2-2 Galatasaray

Final, 17 de maio de 2000, Parken Stadion - Copenhague
Galatasaray 0-0 Arsenal (4-1 nos pênaltis)

domingo, 1 de abril de 2012

Desafortunados: Juan Esnáider

Esnaider está no top 5 do campeonato mundial de flops
do futebol europeu (Futebol daragon)
Felipe Portes, @portesovic
Do Charme da Paulista-SP

Atacante que não tinha lá muito o hábito de marcar gols, Juan Esnáider é um grande exemplo de flop persistente, aqueles que rodam pelo planeta sem completar um número convincente de partidas. Argentino nascido em Mar del Plata no inglório ano de 1973, começou sua carreira no Ferro Carril Oeste, em 1990. Revelado juntamente com Germán Burgos, o rapaz logo foi chamado ao Real Madrid B, que durante aquela década investia em jovens estrangeiros na sua base. 

Naquele tempo, Esteban Cambiasso, Dejan Petkovic, Iarley, César Prates e Rolando Zárate integravam as camadas juniores do Real, Juan foi traçando um caminho interessante na base merengue. Promovido à equipe principal, pouco contribuiu e foi banco durante a maior parte do tempo. Neste intervalo, venceu uma Copa do Rey, em 1993. Após três anos alternando entre os reservas e titulares, foi repassado ao Zaragoza ainda em 93, onde teria seu maior brilho na carreira.

Em La Romareda, levantou o caneco da Taça das Taças UEFA e da Copa do Rei em 1994 (é muita taça, cara). Seus números foram impressionantes: em 61 partidas anotou 29 tentos. Era o suficiente para credenciar o argentino como um dos nomes fortes no mercado europeu. Retornou ao Real Madrid em 1995, no entanto amargou nova fase como mero esquenta bancos. Um ano depois, foi para o rival madrilenho do Vicente Calderón. Queria retomar os bons tempos como a referência goleadora no recinto colchonero. 

Foto: El Cuadrilátero
Nova era para Esnáider no Atlético em 1996: entrou em campo 35 vezes, marcou 16 gols. Óh, ele é competente, óh, é o novo Batistuta, ah, terror, Esnáider matador, gritavam os fãs do rapaz que tinha a aparência daqueles atores mexicanos de cinema underground. Não deixaria Madrid antes de protagonizar uma pataquada que custaria caro. Contra o Ajax, nas quartas de final da Liga dos Campeões em 1997, errou um pênalti decisivo e no rebote deu um carrinho por trás em Richard Witschge. Por sorte, só levou amarelo, mas a vaga foi para os holandeses e não dificilmente isso pode ter resultado na decisão da diretoria rojiblanca em não renovar seu contrato de empréstimo.

Facilmente confundido com Lorenzo Lamas ou qualquer outro cara que tenha feito filme de porrada nos anos 90, Juan deixou o Calderón e partiu para o Espanyol, em 1997. Sua primeira temporada no clube periquito foi honrosa. A seguir, disputou apenas metade da temporada 1998-99 e foi para a Juventus, onde passaria vergonha. Envergando a camisa 9 bianconera, Esnáider jogou 26 vezes em quase três anos e foi às redes apenas em duas oportunidades. O fracasso vestindo o manto juventino fez com que ele acertasse o retorno ao Zaragoza, já em 2001. 
Ninguém lembra que ele esteve na Juve,
mas para todos os efeitos, eis uma prova
(Juventus Area)
Passado o tempo na Itália, nosso Desafortunado retornou ao lugar onde foi mais feliz. O Zaragoza voltou a vencer a Copa do Rei em 2001, com grande ajuda de Juan, que marcou 11 vezes em 17 oportunidades. Aí então pensou com seus botões: ora, por que não aceitar esta oferta interessante do Porto? Queria ser ídolo num dos grandes europeus, brigar por títulos nacionais, coisa que não conseguiu na Juventus. 

Disputou apenas três jogos pelo Porto e passou em branco por um semestre. Em 2002 recebeu um convite do River Plate para voltar à Argentina e somou nove aparições na campanha vitoriosa do Clausura daquele ano. Também deixou os Millonarios sem balançar as redes. Assinou com o Ajaccio em 2002/03 e ficou mais seis meses na França: nada. Foi no Real Múrcia que teve uma boa sequência, mas 17 atuações constrangedoras e um gol (solamente) serviram para adiantar sua aposentadoria. Fez 10 jogos pelo Newell´s Old Boys, um mísero gol e pendurou suas chuteiras.

Um indício sobre sua franca decadência como atleta é o fato de nas suas três últimas temporadas, marcou apenas dois gols. E assim se encerrou de forma melancólica a carreira do atacante Juan Esnáider, que teve seus quinze minutos de fama na Juventus, mas não aproveitou como poderia. Será sempre lembrado pelos torcedores do Zaragoza pelos seus imp... bem, talvez nem seja. 


sexta-feira, 30 de março de 2012

Craques: Paulo Wanchope

Com duas participações em Mundiais no currículo, Wanchope foi
um dos grandes nomes costarriquenhos no futebol (BBC)
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

Todo país que tem futebol e uma seleção filiada à FIFA possui um jogador que é idolatrado por toda a população. O Brasil tem Pelé, a Argentina tem Maradona e a Costa Rica tem Paulo Wanchope. Sem a mesma qualidade dos dois gênios, o atacante é idolatrado pelos costarriquenhos na mesma proporção do que os anteriores, tudo isso graças a uma mítica carreira.

Tudo começou em uma cidade da Costa Rica chamada Heredia. Por lá, Paulo se destacava tanto nas quadras de basquete como nos campos de futebol. A recusa de uma bolsa em uma universidade norte-americana, convite vindo graças a sua enorme capacidade de encestar bolas, o levou a seguir investindo na carreira futebolística, que no fim deu bem certo. Após ter conseguido certo destaque jogando no futebol local pelo Herediano, o atacante desembarcou na Inglaterra para jogar pelo Derby County.

Ao lado de Solís, Paulo migrou para o Derby e ganhou reconhecimento internacional (BBC)
Pelas bandas da rainha Elizabeth, Wanchope desembarcou no Derby County no ano de 1996 juntamente com seu conterrâneo, o volante Mauricio Solís. Logo em sua estreia, o atacante já decidiu se consagrar quando, em partida contra o poderoso Manchester United, deixou quatro marcadores para trás e finalizou bonito sem chances para o tão consagrado Peter Schmeichel.

O golaço foi o começo de tudo em uma passagem muito boa pelo Derby. Nas duas temporadas em que jogou por lá, “La Gacela” ajudou seu time a terminar na boa 9ª colocação na temporada 97-98 e na ainda melhor 8ª colocação em 98-99. Ao todo, foram 83 jogos e 28 gols marcados. Tudo isso lhe rendeu uma valorização de seu passe e uma transferência para o West Ham.

Nos Hammers, sua participação não foi com a mesma pompa da época do Derby County, mas, o jogador foi ainda mais eficiente ao conseguir marcar 12 gols em 35 jogos na temporada 1999-00, a única que ficou em Upton Park. Ao fim de tal temporada, o West Ham contratou os grandes Davor Suker e Frédéric Kanouté, Wanchope perdeu espaço e precisava de uma nova casa, acabando por ir para o Manchester City.

Foto: football fan cast 
Na época, o City não lembrava nem um pouco o atual time que é. Sem o investimento dos xeiques, o time era bastante modesto e se encontrava nas divisões inferiores da Inglaterra. Já bem consolidado na seleção costa-riquenha, Wanchope foi muito importante para os Sky Blues, mesmo sem ter jogado muito por conta das mais diversas lesões. O costa-riquenho foi obrigado a jogar a terceira divisão da Inglaterra com o time, mas, mesmo sem poder emplacar uma grande sequência de jogos, foi um dos grandes responsáveis por colocar o time de volta na Premier League. Por lá, ficou de 2000 a 2004, jogou 64 jogos e fez 27 gols.

Em meio a sua passagem pelo City, foi que o atacante teve uma das suas passagens mais marcantes com a seleção da Costa Rica. No ano de 2002, o jogador jogava sua primeira Copa do Mundo e não deixou de se destacar, embora, sua seleção tenha caído na primeira fase. Wanchope chegou, inclusive, a marcar um gol em partida contra a seleção brasileira.

Foto: The best eleven
Voltando a falar da carreira clubistíca de “La Gacela”, em 2004, ele encerrou sua passagem pelo futebol inglês e foi se aventurar na Espanha. Passou uma temporada no Málaga, onde não colecionou, muitos sucessos, mas, macarou o gol mais bonito da temporada (prêmio concedido pela ESPN) em jogo contra o Numancia.

Contudo, realmente, as lesões atrapalhavam a carreira do costa-riquenho. Após deixar a Espanha, foi para os Emirados Arábes, onde jogou apenas 6 jogos pelo Al-Gharrafa no ano de 2005. Até que no ano de 2006, interessado em se focar na Copa do Mundo do mesmo ano, voltou para sua tão querida Costa Rica afim de jogar pelo Herediano, clube que o revelou.

Na Copa de 2006, mais uma vez, a Costa Rica caiu na fase de grupos, porém, Wanchope mostrou que seu faro de gol estava intacto e marcou dois gols em jogo contra a Alemanha, em jogo que terminou 4 a 2 a favor dos germânicos.

Depois da Copa do Mundo, foi para a Argentina jogar pelos Argentinos Juniors. Ano-novo, vida nova, e em 2007, ainda jogou pelo FC Tokyo e pelo Chicago Fire, mas, sem conseguir grande sucesso.

Até que no mês de novembro de tal ano, o atacante convocou uma coletiva de imprensa em que declarou que sua situação física não era nada boa, ainda mais que havia voltado a sentir uma antiga lesão no joelho oriunda da época do Manchester City. Com isso tudo, encerrou sua carreira para a tristeza de todos os aficcionados costa-riquenhos que perderam toda a habilidade e capacidade daquele que foi o melhor de seu país, Paulo Wanchope.



quarta-feira, 28 de março de 2012

Bugados: Serdar Özkan

Duvidoso... duvidoso. Edu Britto? (Zaman.com.tr)
Felipe Portes, @portesovic
De um lugar onde tenha Guaraná Cruzeiro-AC

Cria turca do fim da década de 2000, Serdar Özkan é um daqueles flops absolutos na vida real, mas que por alguma razão desconhecida teima em ser craque nos videogames. Pauta ideal para o debut desta nova editoria aqui na TF, o meia começou no futebol profissional pelo Besiktas, em 2003. As poucas chances no clube alvinegro não o fizeram desistir do sonho. Sem grandes concorrentes na posição, alternava na meia cancha com Tümer Metin e Aykut Aydin. 

Campeão turco na temporada anterior, o clube de Istambul não tinha lá um grande elenco, o que representou uma chance de ouro para aquele jovem garoto que queria ser importante, ser ídolo. Logo sua agilidade e técnica passaram a ser armas letais contra os adversários, que simplesmente não conseguiam lidar. (Posso involuntariamente ter aumentado sua capacidade/competência neste parágrafo)

Antes do início da temporada 2004/05, foi emprestado para o Istanbulspor, mas não chegou a entrar em campo. Repassado na época seguinte ao Akçaabat Sebatspor, foi titular e marcou quatro gols antes de desembarcar pela primeira vez no Samsunspor, agremiação que defende atualmente. Retornou em 2007 ao Besiktas.

Os dribles rápidos, uma característica dos atletas turcos que surgiam aos montes para o futebol europeu (Ilhan Mansiz, Emre Belozoglü, Ümit Davala eram grandes precursores do estilo), contavam a favor de Serdar, que sempre se encarregava em armar as jogadas, não concluir. Única e exclusivamente por isso, não era adepto de brigar por artilharia ou sair de cara para o gol.

Ponto alto foi a passagem de quase oito anos pelo Besiktas
(Forum Fútbol)
Aos poucos foi virando essencial para a formação dos Águias Negras. Na campanha do título turco de 2008-09, o crepúsculo de Özkan no Iñoñu, o investimento no plantel foi forte. Atletas renomados como Fabian Ernst, Matías Delgado, Ugur Inceman, Ali Tandogan, Gokhan Zan e Ibrahim Toraman compunham um dos grupos mais sólidos da Turquia, batendo de frente com Galatasaray e Fenerbahce. 

Em três anos antes de acertar com o Galatasaray (2007-10), foi convocado apenas três vezes para a seleção turca, tendo feito parte de várias das equipes de base. Ao procurar qualquer vídeo do rapaz, só se vê uma compilação de lances dele contra a Ucrânia, provavelmente em 2006, quando este defendia a sub-19. 

Acometido por lesões, sua última temporada em que entrou em campo mais de 10 vezes, foi na do título do Besiktas em 2008/09. Novamente jogando pelo Samsunspor, parece ter encontrado uma sequência, além da titularidade. Tido como uma grande promessa não cumprida, ainda tem 25 anos e pode com muita justiça ser comparado com Freddy Adu, o mais velho atleta de 23 anos da história do futebol.

Em sua rápida passagem pelo Galatasaray (Hurriyet)
Joguetes em que brilhou
No Pro Evolution Soccer 2011 é possível contar com os serviços de Serdar por um montante aceitável para um jovem da sua posição. Em função da sua ida para o Samsunspor (e pelo fato de não fazer parte da seleção turca), o personagem foi deletado sumariamente da database do jogo, estando apenas disponível nas versões não atualizadas. 

O overall é de 70 e reflete num jogador médio com boas possibilidades de evolução. Rápido e com bom arsenal de dribles, pode ser uma boa opção para o banco ou caso o save seja um milagre com times menores e de orçamento limitado. É melhor aproveitado como meia atacante ou na armação pela direita. Só tome cuidado com as constantes lesões...


TF História: A queda de um Dream Team

Stoichkov: um pilar para o Dream Team blaugrana derrotado
no Camp Nou em 1992 (Sector ofensivo)
Felipe Portes, @portesovic
De Belgrado-SRB

O dia 4 de novembro de 1992 ainda é um grande marco na história do CSKA Moscou. A equipe, conhecida por ser fortemente ligada às Forças Armadas russas, conquistaria 13 anos depois o título da Copa UEFA em cima do Sporting, em Lisboa. Contudo, uma façanha realizada contra o lendário Barcelona (que já se tornou um mero elenco estelar perto desse que joga hoje) em pleno Camp Nou pela Liga dos Campeões é lembrada com muito carinho pelos torcedores soviéticos.

A partida, válida pela 2ª rodada (antecedeu a fase de grupos na primeira edição que levaria a alcunha de Liga dos Campeões, de fato) decidiria qual dos oponentes ingressaria no Grupo 1, ao lado de Marseille (futuro campeão), Rangers e Club Brugge. Na outra chave, Milan, Göteborg, Porto e PSV. O formato ainda era experimental, então o campeão de cada agrupamento seria credenciado a disputar a grande final.

Pelo lado espanhol, o trio estrangeiro formado por Ronald Koeman, Michael Laudrup e Hristo Stoichkov já havia sido anulado no duelo em Moscou, no empate por 1-1. Neste confronto em especial, Alexandre Grichine inaugurou os trabalhos aos 17` e Txiki Begiristain deu números iguais ao 58`. O clima era de confiança para o embate em solo catalão, no Camp Nou. Completas, as formações rivais tiveram como plano de fundo uma bela noite em Barcelona para o espetáculo.

Foram necessários 13 minutos para que Nadal subisse mais alto que os defensores russos para testar e fazer 1-0 Barça. Aos 31, Begiristain recebeu belo passe de Laudrup e saiu somente com o goleiro Dmitri Kharin em sua frente, para aplicar um corte seco e mandar a bola para a meta vazia e desprotegida. 2-0 e a torcida local já se inflamava com a chance de ver o atual campeão do certame avançar à próxima fase. Bem, ainda havia um adversário do outro lado e que dificilmente se renderia apesar da desvantagem no marcador e no agregado. Aquele CSKA voltaria para o segundo tempo com a determinação de poucos para reverter o cenário.

Não estava resolvido
Antes do soar do gongo para o intervalo, Evgeny Bushmanov finalizou grande troca de passes e bateu forte no alto da meta de Andoni Zubizarreta. Os moscovitas então passaram a trabalhar com velocidade nas suas investidas, aproveitando-se da péssima atuação defensiva dos mandantes. Foi num escanteio bem cobrado que o CSKA encontrou a igualdade. 

Com o placar agregado, a vaga passou a ser dos visitantes, que marcaram dois tentos. Não satisfeitos com a proeza de segurar aquele verdadeiro esquadrão do Barcelona, foram necessários apenas dois lances para que o cotejo se definisse de fato. Mais uma troca rápida de passes, e de forma magistral (ok, foi sem querer) Dmitri Korsakov tocou de letra para vencer Zubizarreta. 

A desolação de Laudrup contrasta com a alegria de Sergeev (UEFA)
Desmontando todo e qualquer plano por parte do técnico culé Johann Cruyff, os soviéticos só precisaram fazer o mesmo papel da primeira perna em Moscou e manter a postura equilibrada que permitiu a reviravolta no Camp Nou. A eliminação surpreendente do Barça fez com que os atletas saíssem apressados do gramado, sob olhares no mínimo descontentes da torcida. 

A intrépida trupe russa fez uma grande festa, sabiam que o momento seria inesquecível tanto para o elenco quanto para o clube. Ironicamente foram os lanternas na Chave A, somando apenas dois pontos, longe de qualquer expectativa. Neste caso, talvez o troféu seja a memória daquela brava noite de 4 de novembro e essa honraria ninguém nunca vai poder roubar.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Craques: Karl-Heinz Riedle

(Welt.de)
Riedle teve uma temporada iluminada em 1996-97 e foi premiado com dois gols na decisão da Liga dos Campeões contra a Juve; seu feito lhe rendeu a eterna gratidão da muralha amarela em Dortmund

domingo, 25 de março de 2012

Grandes Jogos: Milan x Liverpool (2005)


Gerrard e Benítez com a "orelhuda" (The Sun)
Arthur Barcelos, @arthurbarcelos_ 
De Marabá-PA

Era 25 de maio de 2005. Dez conquistas da Liga dos Campeões/Copa Europeia em campo. Quis o destino que a peleja fosse disputada em Istambul, Turquia, com 70 mil espectadores. E os envolvidos não decepcionaram.

Em sua primeira temporada pelo Liverpool, após passagem vitoriosa no Valencia, Rafa Benítez surpreendeu a todos levando os Reds até a final da Liga dos Campeões 2004/05, quando ficou devendo na Premier League, tendo uma campanha muito irregular, e até mesmo na própria Liga, na fase de grupos. O espanhol ainda conseguiu levar o time até a final da Carling Cup, entretanto, caiu para o, quase, invencível Chelsea de Mourinho. E foi contra o próprio Chelsea por quem venceu nas semifinais da principal competição europeia.

Já o Milan de Carlo Ancelotti teve uma campanha excelente até a final, na Serie A, embora, acabou sendo "refém" de uma Juventus avassaladora de Fabio Capello, que, no entanto, não pôde comemorar o título oficialmente pelo campeonato ter sido cancelado, devido ao Calciopoli, esquema de manipulação de resultados descoberto em 2006. 

O favoritismo era maior por parte dos rossoneri, com um elenco melhor e maior força. Não à toa, dominaram a primeira etapa, ganhando quase que todas as bolas no meio-campo com o trio Gattuso-Pirlo-Seedorf, assessorados por um Kaká que progredia cada vez mais. E foi o mesmo Kaká quem sofreu falta de Traoré pela direita, logo no primeiro minuto. Na cobrança, Andrea Pirlo colocou a pelota na área e o capitão Paolo Maldini, com toda sua categoria, se antecipou de Xabi Alonso, acertando bom chute cruzado.

O gol logo no primeiro minuto foi um duro baque para os comandados de Benítez, apresentando erros capitais. Um dos erros era o mau posicionamento da linha defensiva, o que era explorado pelos italianos por meio de passes longos e enfiadas de bola nas costas dos defensores reds. Muitas chances assim foram criadas, como no segundo gol, aos 39 minutos, com Hernán Crespo, após passe de Kaká para Shevchenko nas costas de Traoré, esse passando para o argentino, sempre bem posicionado, marcar.

Cinco minutos depois veio o terceiro, em novo contragolpe, Kaká acertou ótimo passe para Crespo, nas costas de Carragher, e o camisa 11 não desperdiçou, tocando na saída de Dudek. 


Na volta do intervalo, mudanças no Liverpool. Rafa Benítez, que já havia colocado Smicer no lugar de Kewell, lesionado, promoveu a entrada do volante grandalhão Hamann, no lugar de Finnan. O espanhol reposicionou sua equipe num inesperado 3-4-2-1. Foi a chave para o empate.

Aos 54 minutos, Riise levantou a bola na área e Gerrard, livre de marcação, subiu sozinho para o cabeceio certeiro. Ainda baqueado pelo gol, o Milan deu espaço para o Liverpool fazer o segundo, quando aos 56, a bola foi passando entre os jogares que compunham a linha de quatro red: Riise, Xabi Alonso, Hamann e Smicer, esse que acertou ótimo chute de fora da área.

Embalado pelo dois gols em dois minutos, o time inglês partiu para cima e aos 60 minutos, Gerrard veio em velocidade após o passe de Baros e acabou sendo deslocado por Gattuso, caindo na grande área e sendo marcado o penal. Na cobrança de Xabi Alonso, Dida defendeu, mas pecou ao dar rebote, esse aproveitado pelo volante espanhol, empatando a peleja e levando à loucura os kopites presentes no estádio.


E a partida seguiu tensa, movimentada, mas o placar manteve-se inalterado até o fim do segundo tempo da prorrogação, com destaques para duas defesas espetaculares de Dudek aos 117 minutos, nos chutes de  Shevchenko.

Decisão por pênaltis na Turquia. Na primeira cobrança, Serginho elanou, mandando a bola para longe da meta. Na sequência, Hamann converteu. Então veio Pirlo, que viu sua cobrança ser defendida por Dudek, com toda sua malemolência polonesa. Cissé, que havia entrado no final da segunda etapa, ampliou a vantagem red. Precisando de um gol, Tomasson não deu atenção para as provocações do arqueiro adversário e converteu sua cobrança. 

Foi a vez de Dida mostrar sua capacidade de defender pênaltis, defendendo o bom chute de Riise. E assim como Tomasson, Kaká não ligou para Dudek e empatou a disputa. Smicer também não desperdiçou sua cobrança. Então veio Shevchenko, aparentemente desatencioso, e acabou perdendo a penalidade de forma medonha, para a festa de Dudek, o herói inesperado, dos demais jogadores, comissão técnica e torcedores do Liverpool. 


Milan (4-3-1-2/3-4-1-2): Dida; Cafu, Nesta, Stam, Maldini; Gattuso (Rui Costa), Pirlo, Seedorf (Serginho); Kaká; Shevchenko, Crespo (Tomasson). Téc.: Carlo Ancelotti

Liverpool (4-4-1-1/3-4-2-1): Dudek; Finnan (Hamann), Carragher, Hyypia, Traoré; Luis García, Gerrard, Xabi Alonso, Riise; Kewell (Smicer); Baros (Cissé). Téc.: Rafa Benítez

Gols: Maldini (1-0, 1'), Crespo (2-0, 39'), Crespo (3-0, 44'); Gerrard (3-1, 54'), Smicer (3-2, 56'), Alonso (3-3, 60')

Pênaltis: Tomasson, Kaká; Hamann, Cissé, Smicer / Desperdiçados: Serginho, Pirlo, Shevchenko; Riise