segunda-feira, 28 de maio de 2012

Fomos campeões: Estrela Vermelha 1990-91

Foto: Sport.blic.rs
Felipe Portes, @portesovic
De ainda não acredito que meu blog fez um ano-SRB

Voltando a um tempo em que o formato da Liga dos Campeões (ainda conhecida como Copa dos Campeões) era inteiramente disputado em play-offs e somente pelos vencedores de competições locais, a principal conquista sérvia (que ainda era conhecida como Iugoslávia) veio pelo Estrela Vermelha de Belgrado, tradicional pavilhão local que rivaliza e rivalizará até o fim deste planeta com o Partizan. 

Muita coisa mudou desde então. Agora alguns países tem direito a quatro vagas na LC, outros sofrem para sequer chegar à fase de grupos, a nomenclatura do certame mudou e a Sérvia se encontra numa pasmaceira futebolística, sem formar os grandes talentos de outrora. 

Pois bem, vamos pelo começo. Em 1990, quando equipes croatas ainda disputavam a mesma liga que os sérvios, eslovenos e aquele mundaréu de nações que surgiram após a dissolução da Iugoslávia, o Estrela caminhou para a vitória, deixando para trás o Dinamo Zagreb por 11 pontos. Seu maior rival, o Partizan, chegou em quarto e ficou com a vaga na Copa UEFA.

Prosinecki, cérebro daquele Estrela Vermelha
Foto: The vintage football club
Garantindo sua participação no maior torneio de clubes da Europa, os crveno-beli (alvirrubros em sérvio) passaram pelo Grasshoppers de Ottmar Hitzfeld na primeira rodada, empatando no Marakana em 1-1, mas atropelando na volta, no Letzigrund, por 4-1, com destaque para atuação de Robert Prosinecki, que marcou duas vezes. Pelo lado sérvio, Darko Pancev e Dusko Radinovic ainda balançaram as redes suíças.

Formado pela base da seleção iugoslava que participou Mundial de 1990, o Estrela contava com atletas do calibre de Sinisa Mihajlovic, Refik Sabanadzovic, Goran Juric, Miodrag Belodedici, internacional romeno, Vladimir Jugovic, Dejan Savicevic e Dragisa Binic, além dos supracitados Pancev e Prosinecki.

Pela segunda rodada, a tradição do Rangers entraria em campo para impedir o progresso do Zvezda. A missão dos escoceses de parar o bom futebol jogado pelos rapazes de Belgrado começou a ruir no Marakana com oito minutos do primeiro tempo. John Brown fez contra e complicou os visitantes. Prosinecki e Pancev marcaram num duelo em que a goleada poderia ter sido maior. Sem dúvida a vaga ficou decidida antes da segunda perna em Glasgow, onde não haveria muita margem para uma virada histórica. O empate por 1-1 com gols de Ally McCoist para os Rangers e Pancev para o Estrela selou a credencial sérvia para as quartas de final.

Savicevic foi crucial nos jogos contra o Dresden (Beliorlovi)
Sem sufoco até a final
Chegada a hora das quartas, o Crvena encarou o Dynamo Dresden, representante ilustre da Alemanha Oriental no certame europeu. Novamente sem muito esforço, o resultado saiu em Belgrado, com um 3-0 marcado por Prosinecki, Binic e Savicevic. A essa altura, os sérvios já tinham ideia do potencial que poderia ser explorado ao longo do torneio.

Em Dresden, no Glücksgas, Törsten Gütschow anotou uma penalidade logo aos três iniciais, esboçando uma reação. Savicevic voltou a balançar as redes e Pancev definiu novo triunfo crveno-beli e a chance de enfrentar o poderoso Bayern adiante.

Aconteceu que os bávaros não eram tão assustadores quanto o prometido. Em Munique, Roland Wohlfarth inaugurou o placar aos 22, assustando a torcida visitante, que já começava a pensar no que o professor Ljupko Petrovic poderia fazer para dar a volta na derrota parcial. Dentro do campo, a tensão envolvendo o cotejo era grande.

Restou aos infernais Savicevic e Pancev imitarem a atuação em Dresden, semanas antes. De virada, fora de casa, apenas um empate na Sérvia daria a chance do Estrela disputar sua primeira grande final continental. Na outra chave, o Marseille vencia o Spartak Moscou e se garantia sem maiores problemas, no primeiro grande passo da Era Tapie.

Diante de 80.000 pessoas no Marakana, Estrela Vermelha e Bayern empataram em 2-2, com participação peculiar de Klaus Augenthaler, que marcou duas vezes, uma contra e outra a favor. Manfred Bender ainda descontou para os germânicos, mas o estrago estava feito: era vez da Iugoslávia ser representada numa final europeia, tal qual o Partizan em 1966, que saiu derrotado pelo Real Madrid de Alfredo Di Stéfano.

Foto: O campo dos sonhos
Mais uma estrela no peito
A final contra o Marseille não seria de forma alguma fácil. A começar pelo fato que as duas nações envolvidas nunca haviam conquistado um troféu da Copa dos Campeões. Foi daí que o dia 29 de maio de 1991 marcou a entrada do Estrela no hall dos grandes que um dia já ergueram a taça mais desejada da Europa.

Repleta de nervosismo, a peleja de Bari viu dois rivais tumultuarem a meia cancha e um desafio particular: Dragan Stojkovic, ex-capitão do Estrela, agora alinhava pelos franceses, menos de um ano depois de ter se transferido. Para o azar de Piksi, ele só ingressou nos minutos finais da prorrogação, sem ter como evitar que o empate se prolongasse.

Recebendo três cartões amarelos, (Marovic, Mihajlovic e Binic) contra apenas um dos franceses, o Crvena se resguardou e não procurou tanto o ataque, e quando o fez, não conseguiu ultrapassar o sistema defensivo armado por Raymond Goethals, composto por Manuel Amoros, Eric Di Meco, Mozer e Basile Boli. 

Persistindo o empate sem gols e o teste de nervos, a decisão foi para os penais. Prosinecki converteu, e Amoros errou a primeira pelo Marseille. Binic, Belodedici e Mihajlovic também marcaram, Casoni, Papin e Mozer cumpriram com a sua parte e ficou tudo nos pés de Pancev, o camisa 9. O atacante não titubeou e balançou as redes, dando o título a sua equipe. A festa no San Nicola foi vermelha e branca, coroando uma campanha que passou longe de ser impecável, mas procedeu sem grandes ameaças.

Foto: Crvena Zvezda.rs
Estrela Vermelha: Stojanovic, Sabanadzovic, Najdoski, Belodedici, Marovic, Mihajlovic, Prosinecki, Jugovic, Pancev, Savicevic (Stosic), Binic.

Marseille: Olmeta, Amoros, Di Meco (Stojkovic), Mozer, Boli, Casoni, Fournier (Vercruysse), Waddle, Papin, Abedi Pelé, Germain. 

Campanha: 5 vitórias, quatro empates, 18 gols marcados, sete sofridos

Jogos:
1a rodada
Estrela Vermelha 1-1 Grasshoppers
Grasshoppers 1-4 Estrela Vermelha

Oitavas de final
Estrela Vermelha 3-0 Rangers
Rangers 1-1 Estrela Vermelha

Quartas de final
Estrela Vermelha 3-0 Dynamo Dresden
Dynamo Dresden 1-2 Estrela Vermelha

Semifinal
Bayern 1-2 Estrela Vermelha
Estrela Vermelha 2-2 Bayern 

Final - 29 de maio de 1991, Bari - San Nicola
Estrela Vermelha 0-0 Marseille (5-3 nas penalidades)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Fomos campeões: Parma 1994-95

Foto: Storie di Calcio
Felipe Portes, @portesovic
De Belgrado-SRB (200/200 posts, um marco histórico)

A saga crociati na Copa UEFA de 1994-95 começou na bela campanha feita na Serie A da temporada anterior. Naquela oportunidade, o quinto lugar para Nevio Scala e seus comandados serviu como alento para um grupo que se reforçou bem após o promoção da B, quatro anos antes. Com investimento da leiteria local Parmalat, o Parma conseguiu crescer no cenário italiano e assim tentaria também conquistar seu espaço continental.

Pela primeira vez qualificado a alguma competição europeia, a equipe gialloblu montou um plantel equilibrado, com bons valores em cada um dos setores. Luca Bucci era o titular debaixo das traves, deixando um jovem talentoso chamado Gianluigi Buffon no banco. Na defesa, Fernando Couto, Alberto Benarrivo, Luigi Apolloni, Roberto Mussi, Gianluca Falsini e Roberto Sensini, todos já devidamente internacionalizados. A meia cancha era formada por Gabriele Pin, Massimo Crippa, Dino Baggio, Tomas Brolin e Alberto Di Chiara. Por fim, o ataque trazia Gianfranco Zola, Faustino Asprilla, Marco Branca e Mario Lemme. 

A primeira rodada se demonstrou um tanto desafiadora. O Vitesse, equipe mediana da Holanda, parecia não trazer problemas para o lado italiano. Parecia. Em Arnhem, Hans Gillhaus marcou o único tento dos aurinegros na partida, aos 51'. Para o duelo no Ennio Tardini, os donos da casa precisariam balançar as redes ao menos duas vezes para avançar na competição. Zola tratou de cumprir a missão e marcou duas vezes, aos 24 e aos 75.

Avançando para a segunda rodada, o próximo adversário do Parma era o AIK, que jogava a primeira perna em seus domínios, em Solna. Com certo sufoco, Crippa marcou aos 73' e deu ampla vantagem para os crociati, que poderiam empatar em casa e ainda sim se classificar. Na Itália, Lorenzo Minotti emulou Zola na fase anterior e garantiu mais um ticket para as oitavas, contra o Athletic. Sem nenhum sufoco, a barca seguia.

Bilbao de Etxeberria e Guerrero complicou a vida do Parma
Foto: Iniestata.blogspot.com
O primeiro rival à altura (oitavas de final)
Com muito esforço, os gialloblu venceram o Athletic. Não sem suar frio com a possibilidade real de derrota no Ennio Tardini. A emoção começou em San Mamés, onde os bascos venceram por 1-0, gol marcado por José Ziganda, num confronto equilibrado em que os mandantes estiveram longe de perder o comando no placar. As saídas de contra ataque levavam perigo à defesa do Parma, que escapou de ser vazada mais de uma vez, o que complicaria a situação em casa.

Diante de 18.000 expectadores, os crociati começaram fazendo a lição de casa. Zola e Baggio (duas vezes)  marcaram para reverter o dano causado no País Basco. O embate ganhou contornos dramáticos quando Óscar Vales diminuiu para o Athletic aos 56'. Nove minutos depois, Couto aproveitou jogada na área adversária e concluiu, para deixar o Parma mais nas quartas. Julen Guerrero marcou o segundo dos visitantes e o caldo quase entornou com mais algumas descidas rojiblancas. Para a sorte de Nevio Scala e sua patota, ficou por isso mesmo. 

Toda a disciplina tática e a alta qualidade na ligação do meio campo com o ataque faziam o Parma um esquadrão sólido e capaz de encarar grandes rivais naquela Copa UEFA. O dinamismo e a objetividade certamente fizeram diferença nos passos dados pela agremiação, que se não tinha atletas de absoluto topo, compensava com dedicação e empenho em cada minuto de jogo.

Em foto de partida contra o Real Madrid, o ferrolho danês fica evidente (OB.dk)
Dinamarqueses e o ferrolho
Era chegada a hora das quartas de final. O adversário, o Odense, trazia uma retranca das temíveis, neutralizando as armas ofensivas italianas, e retardando o ritmo adversário. E assim se fez um singelo 1-0 com gol de Zola, marcado num pênalti, pouco após a volta do intervalo. A dificuldade em furar o bloqueio dinamarquês era grande e para o retorno, na Escandinávia, o buraco seria bem mais embaixo.

Um modorrento e tedioso 0-0 sem quase nenhuma chance de gol foi o retrato do cotejo em Odense, no qual os crociati puderam sem emoções avançar no certame, para enfrentar o emergente Bayer Leverkusen, no último passo antes da grande final.

Leverkusen e a afirmação gialloblu
Não tão tradicional assim, mas emergente, o Leverkusen pleiteava a vaga na finalíssima, tentando encontrar do outro lado o também alemão Dortmund. Contudo, nem mesmo a própria tarefa os moços da farmácia puderam executar e em casa, apanharam do Parma. A festa do visitante não deixou de acontecer mesmo com gol de Paulo Sérgio (aquele, ex-Corinthians e Bayern), aos 27. Descendo para o intervalo com a vantagem, os germânicos provavelmente julgaram que o ímpeto italiano havia acabado, a moral adquirida com as constantes vitórias estava minada. Erraram. 

Baggio e Asprilla destronaram o Leverkusen em cerca de dez minutos e a partir daí, só alegrias para os comandados de Nevio Scala. Sem correr grandes riscos jogando no Ennio Tardini, era hora de administrar a boa margem e colher os frutos antes de encarar a Juventus, que havia vencido os negro-amarelos na outra semifinal. Ah, enquanto isso na partida de volta, o Parma fez 3-0 com Asprilla (2) e Zola.

Retrato tirado na segunda perna da final da Copa UEFA de 1994-95 (twb.blogspot.com)
Rival doméstico é sempre problema
Já acostumados a se enfrentarem na Serie A, Parma e Juventus caminharam até a final com muito mérito. No Ennio Tardini a primeira parte da decisão foi marcada pelo nervosismo de ambas as partes e pela objetividade do lado gialloblu. Seria mais um daqueles 0-0 que não empolgam e até irritam, não fosse o gol de Dino Baggio aos cinco iniciais. Para a equipe bianconera, restava tentar fazer prevalecer a sua tradição e camisa, no San Siro, afim de colecionar mais uma copa.

Vialli tratou de igualar o agregado aos 33 iniciais da derradeira batalha daquela Copa UEFA. A esperança juventina permanecia viva, e por mais que um duro duelo contra aquela ousada formação crociati implicasse em penalidades, a confiança ainda estava com os atletas de Marcello Lippi. Pressão aqui, pressão ali e quem marcou foi o Parma. Aos 54', Dino Baggio decidiu a peleja e a missão de Scala era apenas segurar as investidas da Juve e comemorar ao fim dos 90 minutos. Novamente cumprido com maestria, o objetivo foi assegurado e assim a simpática equipe emiliana levantou a primeira de suas duas taças UEFA (a outra foi em 1998-99, com Hernán Crespo e grande elenco).

Campanha
1a Rodada
Vitesse 1-0 Parma 
Parma 2-0 Vitesse

2a Rodada
AIK 0-1 Parma
Parma 2-0 AIK

3a Rodada
Athletic Bilbao 1-0 Parma
Parma 4-2 Athletic Bilbao

Quartas de final
Parma 1-0 Odense
Odense 0-0 Parma

Semifinal
Leverkusen 1-2 Parma
Parma 3-0 Leverkusen

Final 
3 de maio de 1995 - Ennio Tardini, Parma
Parma 1-0 Juventus

17 de maio - San Siro, Milão
Juventus 1-1 Parma


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Descraques: Jerome Rothen

Foto: Telegraph.co.uk
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP (199/200)

Jerome Renée Marcel Rothen, um jogador que já começou errado pelo nome. Canhoto, nascido em Chatênay-Malabry, uma pequena comuna localizada na Ilha da França, começou sua carreira no futebol em 1994, pelo Caen. 

O garoto foi ganhando espaço com sua velocidade, bons passes e movimentação. Como meia, tinha domínio dos fundamentos da posição e não demoraria muito a ganhar autonomia dentro da França. Na verdade, demoraria sim. Depois do Caen, onde ficou até 2000, acertou com o Troyes, e aí sim se projetou nacionalmente, aos 22 anos.

Seu auge seria no Monaco, onde disputaria uma decisão de Liga dos Campeões, anos mais tarde. Todavia, deixemos isso para depois, vamos falar um pouco mais sobre os anos anteriores de menino Jerome. Trinta jogos em 2001-02 e atuações fantásticas pelo Troyes renderam uma transferência ao time do principado, que montava um plantel interessante e recheado de estrangeiros.

Derrotados pelo Porto, os monegascos lutaram bravamente até a grande final
Foto: Getty images
Titular já em 2002-03, colaborou e muito para o vice-campeonato francês do Monaco, que foi vencido pelo Lyon por apenas um ponto (68 a 67). Na temporada seguinte, era hora de subir um degrau, disputando a LC. Aquele ano, em especial, surpreendeu muitos especialistas no certame estrelado. Saindo de uma chave complicada, Les Rouge et blanc ficaram com a liderança, vencendo com 11 pontos, apenas um a mais que Deportivo e PSV, que foi eliminado.

Um a um os adversários iam caindo, juntamente com o seu favoritismo. E Rothen era considerado uma joia rara no meio campo monegasco, ao lado do capitão Ludovic Giuly, de Lucas Bernardi e Akis Zikos. Nenhum deles teve vocação para o estrelato, o que não eliminava a chance de mostrarem grande valor e eficiência. Foi-se o Lokomotiv, nas oitavas, depois o Real Madrid (esse com uma pitada maior de emoção, 4-2 no Santiago Bernabéu para os espanhois e 1-3 no Louis II classificaram Didier Deschamps e seus comandados).

Era hora de derrubar mais um azarão. O Chelsea de Hernán Crespo, que estava começando sua era de altos investimentos por Roman Abramovich, havia passado pelo grande rival Arsenal num eletrizante duelo em Stamford Bridge. Sem grandes dificuldades, o Monaco bateu os blues assegurou sua presença na Veltins Arena, em Gelsenkirschen, casa do Schalke 04, na finalíssima, contra o Porto.

No PSG, começou a decadência (Foto: Planéte PSG)
Considerado o segundo grande nome daquele plantel, Jerome só ficava atrás de Giuly na popularidade com os fãs europeus. Mesmo com a derrota para os portugueses na LC, Rothen foi lembrado pelo treinador Jacques Santini na convocação para a Eurocopa de 2004. A nau francesa afundou nas quartas de final, contra a Grécia, e essa seria a última competição de grande porte do nosso Descraque de hoje.

Assinando com o PSG para depois da fatídica Eurocopa, o rapaz queria estar num lugar onde brigaria por mais títulos. Coincidentemente ou não, os parisienses entraram numa crise tão grande que quase resultou em rebaixamento. Das cinco temporadas que esteve no Parc des Princes, as campanhas na Ligue 1 foram nono (2004-05 e 2005-06), 15o em 2006-07, 16o em 2007-08 e um admirável sexto, em 2008-09.

Cair em desprestígio após anos de glória se mostrou ser um duro golpe tanto para a equipe, quanto para Jerome, que foi emprestado ao Rangers no ano seguinte. No currículo dele, ainda constava só a Copa da Liga pelo Monaco em 2002-03 e PSG em 2008 a Copa da França em 2008.

Relegado ao time B dos parisienses, o empréstimo aos Rangers soou como salvação depois de um amargo tempo em que se lesionou com frequência. Mudar de ares parecia providencial para recuperar o bom futebol.

Posando de galã em Glasgow: novo flop de Rothen nos Rangers foi cruel
Foto: Daily mail
Foram apenas oito partidas em meia época no Rangers. Longe de ter qualquer sequência e sem esperanças, Rothen estava mais uma vez decepcionado, seu coração já estava cansado (abraço, @fgraziani) da rotina inglória que veio depois daquele sonho frustrado em Gelsenkirschen. Os escoceses estavam tão desagradados com a contratação, que quiseram se livrar do pobre meia antes do esperado. Vivendo num filme de drama provavelmente dirigido por Paul Haggis, aceitou a oferta do Ankaragucu, onde foi o melhor jogador da Liga Turca e marcou 39 gols em 30 jogos. Mentira, ele só teve 12 aparições e ainda sim como reserva.

Enfrentando muitas lesões, deixou o chinelismo tomar conta e se tornou um grande exemplo de ex-jogador em atividade. Passou 2010-11 amargando (veja só voce) o banco do PSG B, entrando em campo em míseras duas ocasiões. Super chateado, arrumou suas malas e foi para o Bastia, na segundona.

Com pompa de capitão, ainda que fora de forma, e em 30 jogos, balançou as redes quatro vezes, finalmente tendo papel determinante numa campanha vitoriosa. Campeões da Ligue 2, os rapazes da equipe córsega conseguiram a promoção à elite, juntamente com Stade de Reims e Troyes. Aos 34 anos, Jerome parece estar perto da aposentadoria. De contrato até o fim da temporada 2012/13, pode estar fazendo seu último ano como profissional.


TF História: O sérvio que brilhou nos Países Bascos

Milorad Pavic, o último estrangeiro 
a ganhar um título como treinador no 
Athletic Bilbao (Foto: SerBenfiquista)


Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

Por apenas aceitar jogadores nascidos ou desenvolvidos nos Países Bascos, o Athletic Bilbao é um dos mais emblemáticos símbolos da identidade basca. Se com atletas há todo este critério para a seleção, a presença de técnicos não-bascos é permitida, tanto que o atual é o argentino Marcelo Bielsa e outros treinadores já passaram pelo time. Todavia, o sucesso dos estrangeiros que tiveram a chance não foi tão grande, e como toda regra tem sua exceção, um nome em especial merece destaque na história do Athletic: o sérvio Milorad Pavic.

Com passagem pelo Estrela Vermelha, o sérvio quase teve que deixar o futebol de lado quando foi convocado pelo exército para defender sua nação na Segunda Guerra Mundial. Sobrevivendo ao conflito, foi capaz de desempenhar seu trabalho com êxito, sobreviver e em 1957 iniciar sua carreira de técnico no clube que defendeu quando mais jovem.

Depois de passar pelo gigante de Belgrado, Pavic foi para Bélgica, onde trabalhou por oito anos e conquistou duas Copas Belgas com o Standard Liége. Foi em 1972 que ele desembarcou em Bilbao para comandar o Athletic.

O mesmo Pavic, treinando o Celta (Foto: Yo entrené el Celta)
Nos Países Bascos, o sérvio não conseguiu obter sucesso instantâneo, e após uma primeira temporada pouco brilhante, precisaria trabalhar duro no ano de 1973 para mostrar a que veio. Mesmo com uma campanha pífia em La Liga, os seus comandados colecionaram boas atuações na Copa do Rei, até chegaram na final para enfrentar o Castellón.

Antes da decisão, o clube de San Mamés passou por dois combinados andaluzes, além de Real Oviedo, Sevilla e Málaga. No plantel, jogadores como o goleiro Irribia e os atacantes (e irmãos) Txetxu e José Francisco Rojo.

Foto: Edu Caxias.blogspot.com
Pois bem, eis que chegou o dia 29 de junho de 1973, um dia que viria a ser histórico na história do Athletic. Na grande decisão da Copa do Rei, os leões mostraram-se superiores e abriram o placar no 1° tempo com Arieta. Ainda antes do intervalo, Zubiaga ampliaria a vantagem, sacramentando o título da Copa do Rei e coroando o professor Pavic.

Milorad ainda permaneceria em território basco até 1974, quando se transferiu para o Benfica e sagrou-se campeão português. Ele ainda rodaria por Espanha, Portugual, França e Sérvia, retornando a Bélgica no ano de 1988 para encerrar sua carreira como treinador de futebol. Fazendo seu último trabalho no Standard Liége.

Passados 39 anos desde o título da Copa do Rei por Pavic, o Athletic Bilbao pode ver um segundo técnico estrangeiro sagrar-se campeão de algum torneio na história da agremiação. Marcelo Bielsa e seus comandados enfrentam o Barcelona nesta sexta-feira em jogo válido pela final da mesma competição conquistada no ano de 1973.

Um triunfo colocará El Loco na mesma condição de Pavic, como um dos poucos que brilharam no Países Bascos, mesmo sem ter tal origem.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Craques: Marcel Desailly

Foto: ABC.net
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Nascido em Accra, capital de Gana, o pequeno Odenke Abbey pouco entendeu o que a vida lhe traria aos quatro anos, quando mudou para a França. Sua mãe havia se casado com o responsável pelo consulado francês no país africano, e a chance era grande para que os meninos (Seth Adonkor era o outro filho, mais velho) fossem criados em condições melhores de vida. 

A nova fase em Nantes veio e agora Odenke era Marcel. Marcel Desailly. Juntamente com seu irmão, seguiu o caminho que o futebol proporciona, e dava seus primeiros chutes na bola, colocado na defesa. Grandalhão e bom na marcação, logo figurou entre o plantel do Nantes. Em 1986 estreou pelos canários, mas teve de esperar até 1988 para ser efetivamente titular.

As atuações seguras lhe valeram uma passagem para Marseille, onde defenderia o Olympique em 1992, que formava um esquadrão para tentar o título europeu, em história já conhecida por aqui na TF. No ano seguinte ganharia sua primeira chance na Seleção francesa e claro, a taça de campeão continental contra o Milan. Uma simples temporada rendeu o interesse dos italianos nos serviços de Marcel.

Foto: Quattro tratti
O ciclo glorioso continuou e logo de cara pelo Milan, Desailly ergueu a taça da Liga dos Campeões. Desta vez, com o requinte de marcar o gol da vitória, no famoso 4-0 em cima do Barça (relatado aqui neste mesmo blog pelo Felipe Ferreira). Já consagrado como atleta, viu de perto a eliminação francesa frente a Bulgária nas eliminatórias para a Copa de 1994, com gol de Emil Kostadinov restando dois minutos para o fim.

Nem tudo era frustração na segunda metade de 1994. Acumulando com a conquista europeia a Serie A italiana, também venceu a Supercopa UEFA. Atuando como volante na equipe rossonera, o francês se via como peça essencial no esquema armado por Fabio Capello, que mais tarde foi substituido por Óscar Tabárez, treinador uruguaio que concluiu o trabalho que resultou em mais um scudetto milanista, em 1995-96.

De partida novamente, desta vez para o Chelsea, em 1998-99, foi crucial para a sólida equipe francesa que venceu a Copa de 1998, em casa. Passando a segurança necessária para o restante do grupo, Desailly foi exemplo de garra e disciplina durante a competição que coroou Zinedine Zidane como estrela de nível mundial e na opinião de quem acompanhou de perto, o melhor de sua geração. A expulsão na final contra o Brasil de forma alguma tirou o brilho de sua participação como um todo no evento.

Foto: Daily Mail
No Stamford Bridge, chegou com pompas merecidas de campeão mundial. Não demorou para o traçado vitorioso voltar aos trilhos. Vencedor da Supercopa UEFA com o Chelsea, ainda carimbou no seu currículo os títulos da F.A Cup de 1999-00 e a Charity Shield em 2000, incrementando ainda mais uma história repleta de troféus. Sempre marcando suas aparições com força, vigor e precisão defensivas, Desailly comandou a defesa de Les Bleus na conquista da Eurocopa em 2000, contra a Itália, encerrando ali a era de um dos grandes esquadrões do futebol moderno.

Fosse em questão de elenco ou de domínio no cenário internacional, aquela França marcou época. E Marcel, pilar na retaguarda, tinha boa parcela no sucesso. Capitão do selecionado nacional após a Euro 2000, passou também pela maior decadência do futebol francês, no início da década de 2000.

Vencendo a Copa das Confederações em 2000 e 2003, foi o líder de um plantel apático que fracassou em sequer avançar às oitavas no Mundial de 2002. Duas derrotas, para Senegal e Dinamarca e um empate com o Uruguai selaram a volta para casa dos campeões, que entraram para a história como primeiros detentores do título a serem eliminados na primeira fase.

Seu tempo de Chelsea acabou em 2004, antes da última oportunidade em que vestiu a camisa da França. Novamente numa Eurocopa, e tal como no Mundial anterior, uma discreta passagem pela competição. Derrotados nas quartas pela futura campeã Grécia (com um gol de Angelos Charisteas), os campeões em 1998 experimentaram o ostracismo.

Antes de encerrar a carreira, Desailly jogou pelo Al-Gharafa, onde venceu a Liga Qatariana em 2004-05, e pelo Qatar SC, em 2006, este sim seu último ano como profissional.




terça-feira, 22 de maio de 2012

Desafortunados: Jorge Campos

Nunca o futebol mundial viu um goleiro tão versátil como Jorge Campos (Foto: AllSport) 
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

Você acha que seu time tem um jogador bastante versátil? Bem, pode até ter um volante que joga em todas as posições do meio-campo, além de jogar na lateral, um zagueiro que faz suas vezes como ala ou até mesmo um atacante que aparece como meio-campista. Contudo, é difícil achar um goleiro que saiba jogar em outra função que não seja a de usar as mãos para evitar gols do adversário. Pode até ter um guarda-redes que vá bater faltas e deixe seus gols, como Rogério Ceni, mas, ver o defensor da meta aparecendo como atacante, é algo quase impensável. Por essas e outras que Jorge Campos é um jogador bastante diferenciado se comparado aos demais.

Tendo apenas 1,73m de altura, o mexicano iniciou sua carreira no futebol profissional no ano de 1988, quando tinha 22 anos, jogando pelo Pumas. Porém, um empecilho atrapalhou os planos do pequeno grande goleiro. Adolfo Rios era um dos principais jogadores locais e titular incontestável dos felinos debaixo das traves. Querendo jogar, o atleta nascido na cidade da praia do Chaves de Acapulco decidiu inovar pediu para ser escalado como atacante. No ataque, o jovem não decepcionou e marcou 14 gols em sua primeira temporada, para a surpresa de todos.

Foto: Cultura futebolistica.wordpress.com
Apesar do bom desempenho no ataque, Jorge Campos queria mesmo era ser o goleiro titular do Pumas e na temporada seguinte tal condição foi alcançada. A baixa estatura não o atrapalhou e ele passou a se destacar graças à sua enorme elasticidade. Foram 6 anos como titular absoluto da meta do clube e, em 1995, o homem-elástico se transferiu para o Atlante.

Porém, 1 ano antes de mudar de ares, o versátil goleiro começou a chamar a atenção de todo o planeta bola. Convocado para defender a seleção mexicana na Copa de 1994, Campos ganhou seus quinze minutos de fama com seus extravagantes uniformes e espetaculosas defesas. Importante ressaltar que um ano antes do torneio nos Estados Unidos, ele sagrou-se campeão da Copa Ouro com o México.

Voltando a falar da carreira clubística, "El Brody", como era chamado, passou apenas uma temporada no Atlante, onde marcou um belíssimo gol de bicicleta em um jogo que jogou como atacante, e, em 1996, foi se aventurar nos Estados Unidos sendo contratado pelo Los Angeles Galaxy, que ainda não pretendia contratar David Beckham e ser o time galáctico da terra do Tio Sam. Em solo yankee, o dono das extravagantes camisas não foi bem, voltando ao México para não se dar bem no Cruz Azul e, depois, colecionar mais uma temporada ruim na MLS, dessa vez com o Chicago Fire.

Jorge, em 1996, pelo Galaxy
Buscando se reencontrar com o bom futebol, o goleiro-atacante retornou ao Pumas, onde ainda era idolatrado pela torcida. No seu antigo lar, ele conseguiu estabelecer uma boa sequência de jogos e marcar seus gols, garantindo vaga na seleção mexicana que disputou a Copa do Mundo de 1998. Além de que com o selecionado, ele ainda se sagraria campeão da Copa das Confederações, novamente da Copa Ouro e medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, tudo isso em 1999.

As glórias no ano de 1999 vieram quando o jogador estava vestindo uma nova camisa. Passando apenas uma temporada no querido Pumas, ele passou uma temporada no Tigres para depois retornar aos auriazules em 2000, já em fim de carreira.

Após esta passagem pelo Pumas, onde ficou até 2001, o goleiro ainda passou por Atlante e Puebla para em 2004 encerrar sua carreira e assumir o cargo de auxiliar-técnico na seleção mexicana, função que exerceu até 2006.

Ao todo, foram 562 jogos em toda sua carreira e 34 gols marcados. Mas, os números pouco importam, o que vem ao caso é que Jorge Campos, o popular "El Brody", foi um dos mais místicos goleiros que da história do futebol mundial.



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Vai começar


Rodrigo Salvador, @novosomsalvador
De Curitiba-PR

Vai começar mais um texto com a frase “Vai começar o Brasileirão”:
Vai começar o Brasileirão! O campeonato mais equiliblablabla… A única coisa que importa é que é o campeonato mais fácil de acompanhar. Por uma feliz coincidência, ele é foda, e vale a pena escrever sobre ele, é tudo que importa. A culpa deste texto – e dos que seguirão – é toda do Mahani, esse falso amigo que, num momento de fraqueza meu, fingiu que gostou dos meus textos ano passado. Desgraçado. Tomara que o São Paulo seja rebaixado. Por outro lado, o Zezinho ajudou com os times-base desse texto. Tomara que o Grêmio seja campeão.

Vou começar metendo banca de quem já viu os 20 times jogarem pelo menos uma vez e botar aqui o ranking baseado no critério mais importante e embasado que conheço: eu memo. Sem chute mais ou menos, vai a lista ordenadinha. E vai comentada, que é pra eu poder rir de mim mesmo em dezembro. É o seguinte:

Foto: UOL
1. Santos

Neymar, esse bandido da luz monocromática. Raros os que não sofrem nos pés do moleque. E o desgraçado não machuca. Some-se a isso o Bom Mesmo, que finalmente voltou a jogar bem. Esses dois mais nove e pronto, temos um favorito no futebol brasileiro. Mas no meio dos nove tem Arouca, Drogborges, Tarrafael. Feliz de quem tirar ponto do Peixe.
Baleia: Neymaravilha
Lambari: Juan
Ozonze: Rafael; Fucile, Edu Dracena, Durval e Juan; Adriano, Arouca, Elano e Ganso; Neymar e Borges. Professor: Muricy Ramalho

Foto: Placar.abril.com.br

2. Fluminense

Olha ali ozonze do Flu. Fora a zaga, todo mundo é acima da média no Brasil. Esse Bruno, lateral direito, é um baita jogador. E ainda tem He-man e Wellington Nem (craque) no banco. Se o Flu não chega forte, então ninguém chega.
Laranja mecânica: Fred (vai te pegar)
Laranja podre: Gum
Ozonze: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Leandro Euzebio e Carlinhos; Edinho, Jean, Thiago Neves e Deco; Rafael Sóbis e Fred. Professor: Abel Braga

Foto: LanceNET

3. Corinthians

O Corinthians é o principal obstáculo no caminho do Corinthians ao título. Se mantiver a resultabilidade do 1×0, uma hora ou outra a maionese desanda, o kissuco ferve e o caqui preteia. O Corinthians está atrás do Santos hoje em dois quesitos: Ousadia e alegria.
Athos, Porthos e Aramis: RalfePaulinho
Dartanhããã: Tite
Ozonze: Cassio, Edenilson, Chicão, Castan e Fabio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo e Jorge Henrique; William e Emerson. Professor: Tite

Foto: SPFC.terra.com.br

4. São Paulo

AI MELDELS O SAO PAULO EM QUARTO COMO ASSIM pois é gente, tem pouco time bom no Brasil, quem tem um ou outro #fera já tá em cima. E o São Paulo tem Lucas e Fabuloso, suficiente pra ganhar um jogo ruim em 1 minuto. Além disso, boa parte do que tinha de ruim no São Paulo saiu no começo do ano. Ainda não tá jogando bem, mas não falta tanto assim pra isso.
Santo: Lucas ex-Marcelinho
Demonho: Paulo Miranda
Ozonze: Dênis; Douglas, Paulo Miranda, Rhodolfo, Cortês; Denilson, Casemiro, Cicero, Jadson e Lucas; Luis Fabiano. Professor: Leão

Foto:UOL

5. Internacional

O Inter é um dos melhores times do Brasil no papel. Tem um técnico bom. Mas ainda assim não é confiável. Quinto no BR11, oitavas da Libertadores, Gauchão com final, é pouco pra esse elenco. O que falta? Sei lá.
Saci: Leandro Damigol
Mula sem cabeça: MO-LE-DO (tugududu, tugududu, uh!)
Ozonze: Muriel; Nei, Moledo, Índio e Kleber; Sandro Silva, Guiñazu, Oscar e D’alessandro; Dagoberto e Damião. Professor: Dorival Junior

Dedé é um cara legal pra caralho Foto: A bola.pt 
6. Vasco

PRO VASCÃO TUDO É MAIS SOFRIDO porque eles fazem questão. Desde o ano passado, o Vasco complica jogos importantes se fechando e bicudando a bola (se especializou nisso) ao invés de definir logo. E assim quase perdeu a Copa do Brasil (desde as quartas) e as oitavas da Libertadores contra o Lanús. Parece que o Vasco não confia em si mesmo.
Cruz de Malta: Dedé
Cruz Credo: Rodolfo
Ozonze: Fernando Prass; Fagner, Dedé, Rodolfo e Tiago Feltri; Nilton, Rômulo, Juninho Pernambucano e Diego Souza; Eder Luis e Alecsandro. Professor: Cristovão Borges

Foto: LanceNET

7. Grêmio

Na moral que a galera espera menos do Grêmio que um sétimo lugar. Mazolha, eu acho que tem um meio campo bem consistente. Precisa ajeitar a defesa, mas já tem em campo o suficiente pra superar as expectativas no Brasileiro. O que não pode é dar os moles que deu no Gauchão.
Imortal: Gilberto Silva de máscara
Natimorto: Werley
Ozonze: Victor; Edilson, Werley, Gilberto Silva e Julio Cesar; Fernando, Souza, Leo Gago e Zé Roberto; Kleber e Marcelo Moreno. Pofexô: Luxemburgo

Foto: Diário Flamengo

8. Flamengo

O Flamengo em 2012 é um gira-gira de um parquinho enlameado. Não dá pra confiar em nenhum jogador, nem no Papai Joel, nem na PILF. O melhor que o Flamengo tem pra largada do Brasileiro é a camisa.
Urubu: Bottinelli (sério)
Pardalzinho: Ronaldinho (mais sério ainda)
Ozonze: Felipe; Leo Moura, Welinton, David Braz e Junior Cesar; Willians, Botinelli, Renato Abreu e Ronaldinho, Vagner Love e Deivid. Professor: Joel Santana

Foto: LanceNET

9. Atlético-MG

Pra mim, se todo o elenco do Galo estivesse com outra camisa, seria vaga certa na Libertadores. Mas é o Galo. É um time muito forte pela direita, mas sofrível pela esquerda. A defesa funciona bem, mas a criação do time simplesmente não existe. O Galomailindomundo vai sair dessa fase uma hora ou outra; se for esse ano, pega Libertadores de boa.
Galo: Leãodro deusnizete
Galinha: Rafael Marques (o zagueiro, não o advogado (se bem que…))
Ozonze: Giovani, Marcos Rocha, Rafael Marques, Rever e Richarlyson; Pierre, Leandro Donizete, Danilinho e Escudero; André e Guilherme. Professor: Cuca

Foto: ECBahia.com.br

10. Bahia

O Bahia me agradou bastante. Tem uma disciplina tática que sarta aozóio. Vai dar bastante trabalho no Brasileiro, exceto quando o time não estiver completo. Devia largar a Copa do Brasil pra não complicar as primeiras rodadas.
De Aço: Falcão (não o campeão dos campeões, outro)
De Lata: Fahel
Ozonze: Marcelo Lomba; Coelho, Donato, Titi e Gerley; Fahel, Helder, Morais e Zé Roberto; Junior e Souza. Professor: Falcão

Foto: Figueirense

11. Figueirense

O Curioso Caso de Figueirense e Branco: o time tem um dos melhores ataques do país, ganha os dois turnos do estadual, perde o título (sim) e demite o técnico. Bizarríssimo. Vem Argel (AQUELE, o Fucks), que foi bem no Joinville, e tem um time bem digno pra treinar. O perigo pro Argel é começar bem o campeonato, porque aí o Figueira pode Fucks ele.
Furacão: Fernandeus
Peidinho: Guilherme Santos
Ozonze: Wilson; Pablo, Sandro, Canuto e Guilherme Santos; Toró, Tulio, Doriva e Fernandes; Augusto e Roni. Professor: Argel Fucks

Foto: UOL

12. Ponte Preta

A Ponte tá no nível do Figueira, com ataque forte e defesa temerosa. Só que, ao que tudo indica, já começa o campeonato sem o Cajá, e o ataque fica com Caio, Pimpão e Roger, sem reserva. Se perder esses também, aí complica, aí complica aí é gol, aí gol aí é o gol dado, gol da Inglaterra. Por hora, a Ponte é favorita ao título de Robin Hood do Roubrasileirão. 
Chita: O meio vai ter Cajá? Então Cajá. Senão, Caio
Monga: Ferron
Ozonze: Bruno Fuso; Guilherme, William Magrão, Ferron e Uendel; João Paulo, Cicinho, Somália, Caio e Renato Cajá; Roger

Foto: UOL

13. Botafogo

Dos 20, o Botafogo foi o último a perder no ano. OH! Mas chegou uma hora que tava com tipo 12 vitórias e 11 empates, algo assim. O Botafogo tem um problema difícil de corrigir: superestima Fabios Ferreiras, Márcios Azevedos e Antonios Carloses. Tem vários bons valores, mas não percebe o prejuízo que os ruins causam.
Estrela: Renato (não, não esqueci do Loco nem do Jefferson, é o Renato mesmo)
Anã-branca: Márcio Azevedo
Ozonze: Jeferson; Lucas Zen, Antonio Carlos, Fabio Ferreira e Marcio Azevedo; Renato, Maicosuel, Andrezinho e Elkeson; Herrera e Loco Abreu. Professor: Oswaldo Oliveira

Foto: LanceNET

14. Coritiba

Em fevereiro/março, o Coxa jogava futebol de lanterna. Em abril, evoluiu pra 17º. Hoje, já dá pra pensar em não cair. Contratou um caminhão de gente e só usa um no time titular. Ainda vai ter obrigatoriamente que substituir o Tcheco, e do jeito que vem contratando…
Coxa e sobrecoxa: Emerson
Pele: Aquino
Ozonze: Vanderlei; Jonas, Emerson, Demerson e Lucas Mendes; Junior Urso, Gil, Everton Ribeiro e Lincoln; Roberto e Everton Costa. Professor: Marcelo Oliveira.

Foto: Yahoo

15. Palmeiras

Em 2011, Felipão fez milagre conseguindo 44 pontos com o Palmeiras. Em 2012, a diretoria pretende repetir o desempenho. É difícil imaginar esse Palmeiras jogando bem, e vai caber de novo ao Felipão arranjar uns empates estratégicos pra segurar o time na Série A.
Palestrino: Barcos
Siciliano: vish, vai o Mauricio Ramos
Ozonze: Bruno; Cicinho, Mauricio Ramos, Henrique e Juninho; Marcio Araujo, Marcos Assunção, Valdivia e Daniel Carvalho; Maikon Leite e Barcos. Professor: Felipão

Foto: GloboEsporte.com

16. Atlético-GO

Do ano passado pra cá, ficaram no Dragão: Márcio (o Rogério Ceni/Marcos deles), Pituca, Marcão. O reforço mais importante do time foi o Joílson. E ainda trazem Adilson Batista. Dragão só pode estar com saudades da Série B. A questão é que TODO ANO o time entra pra cair e não cai.
Shiryu: Pituca
Shun: Paulinho
Ozonze: Márcio, Rafael Cruz, Gilson, Paulo Henrique e Paulinho; Pituca, Naldino, Bida e Elias; Felipe e Diogo Ramos. Professor: Adilson Batista

Foto: Sport Recife notice

17. Sport

A primeira vez que vi o Sport, o time jogou bem (contra o Náutico). Aí começou a definhar e precisei ver de novo a cagada. Apanhou pro time fraco do Paysandu em casa, não à toa. Agora ainda perde o Marcelinho Paraíba (pensando bem, isso é um ponto positivo (MUITO positivo)). Nem o maior trunfo do Sport, a Ilha do Retiro, assusta mais.
Leão: (RESERVA DI) Magrão
Ratinho: Marquinhos Gabriel
Ozonze: Magrão; Edcarlos, Aílson, Bruno Aguiar e Moacir; Diogo, Rivaldo, Marquinhos Gabriel e Hamilton; Jael e Jheimmy. Professor: Mazola

Foto: DomTotal.com

18. Cruzeiro

O Cruzeiro dá continuidade ao projeto iniciado ano passado, da busca pelo título da Série B do Brasileirão. Acho certo, na Série A tem sido sempre 3º, 4º, 5º, Libertadores também nunca ganha, agora até o Mineiro largou pra focar num título diferente. Do jeito que vem jogando, o projeto parece bem orientado na cabeça de cada jogador. Podemos confiar na Raposa.
Raposa: Victorino (sou fã)
Hiena: Anselmo Ramon
Ozonze: Fabio; Diego Renan, Leo, Victorino e Everton; Leandro Guerreiro, Amaral, Marcelo Oliveira e Montillo; Wellington Paulista e Anselmo Ramon. Professor: Celso Roth

Foto: UOL

19. Náutico

Naútico, meu caro: Você subiu com dificuldade. Você tem problemas pra montar um time nível Série A. O que é que te leva a especular gente como Domingos?! Amigão, sinto muito, mas teu lugar tá guardado.
Gambá-de-orelha-branca: Tiuí
Gambá-surdo: pode escolher, mas sugiro Souza (AQUELE ex-Palmeiras)
Ozonze: Gideão; Ananias, Marlon, R. Alves e Jeferson; Elicarlos, Derley, Souza e Ramon; Siloé e Tiuí . Professor: Alexandre Gallo

Foto: Diário lusitano

20. Portuguesa

A Barcelusa, na Série A, não ficaria abaixo do 10º lugar. FROXO. O time desse ano é o pior dos 20 nesse momento, e só vai pontuar no erro alheio nas primeiras rodadas. O lado bom é que as faixas da Leões da Fabulosa desviraram.
pt: Rai
pt-br: Maylson
Ozonze: Gledson; Ricardo, Renato, Rogério e Rai; Mateus, Boquita, Maylson e Wilson Matias; Ananias e Rodriguinho. Professor: Geninho.


“Ai Salvador ce tá louco tal time em tal posição”. Tô mesmo. Por isso que escrevi e te mostrei o texto. Porque eu quero rir disso tudo aí. Eu espero rir pelo menos 38 vezes, daqui até dezembro. Teje convidado.

Craques: Jari Litmanen

Foto: Yellow affair
Você certamente nunca ouviu falar de um jogador finlandês tão bem sucedido quanto Litmanen. Idolatrado por onde passa, o meia brilhou demais numa das melhores equipes da história do futebol: o Ajax de 1995

sábado, 19 de maio de 2012

Desafortunados: Sebastian Deisler

Sebastian Deisler: o destino não ajudou (Foto: Fussball24)
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

Sebastian Deisler surgiu em um momento em que o futebol alemão não formava grandes jogadores, via a tradição do 3-5-2 com o líbero se encerrar, a National Mannschaft se via carentes de grandes nomes, visto que o único atleta de destaque era o goleiro Oliver Kahn, que começava a despontar para o mundo. Até que Deisler começou a obter grande destaque mostrando muita habilidade na ponta-direita e surgindo como a maior promessa dos últimos tempos no país.

Sua estreia no futebol profissional veio no ano de 1998, até então com 18 anos, jogando pelo Borussia Monchengladbach. Apenas uma temporada se passou, os potros foram rebaixados e Sebastian acabou por se transferir para o Hertha, onde mostrou todo o seu potencial, além de passes e dribles de efeito.

Ainda com 20 anos e já visto como uma possível salvação no cenário germânico, o meia foi chamado para a disputar sua primeira grande competição com a seleção alemã: a Eurocopa de 2000. Apesar de certa expectativa, o desempenho da Nationalelf foi totalmente apático e uma eliminação logo na primeira fase fez cair por terra as esperanças de redenção.

Foto: Futebol chucrute
Após a Euro, Sebastian seguiu apresentando bom futebol em Berlin. Chegou 2001, e ele teve seu primeiro grande problema físico da carreira. Uma grave lesão no joelho direito acabou fazer com perdesse toda aquela temporada e desfalcasse a seleção alemã na Copa do Mundo de 2002. Tudo isto desencadeou nos seus primeiros problemas emocionais, que viriam atrapalhar (e muito) sua trajetória.

Recuperado da lesão, Deisler se transferiu do clube da capital alemã logo após o fim da Copa de 2002 e acertou com o todo-poderoso Bayern, onde teria a oportunidade de expor ainda mais sua qualidade, não sem cobranças por parte da diretoria e torcida bávaras.

Os primeiros anos no clube bávaro foram decepcionantes. O meia sentiu toda pressão em sua volta, colecionou lesões, e a titularidade não vinha com tanta frequência. O conjunto de toda essa negatividade fez com que o jogador se afundasse na depressão, se complicando bastante.

Foto: Badische-zeitung.de
Na temporada 2004-05, Deisler amadureceu muito quando teve a chance de ser pai pela primeira vez, e pareceu readquirir confiança, ainda mais com o fato de ter passado a jogar regularmente. já que Michael Ballack, titular absoluto do Bayern até então, havia arrumado suas malas e partido para o Chelsea. Demonstrando grande melhora, voltou representar a Alemanha na Copa das Confederações de 2005 e provou por a+b que ainda teria lenha para queimar.

Quando tudo ia bem, as lesões e o emocional não incomodavam tanto, Sebastian sofreu um duríssimo baque. No ano de 2006, o jogador teve nova lesão, desta vez no joelho esquerdo, e mais uma vez, foi impedido de disputar a Copa do Mundo daquele ano, com o seu lado psicológico completamente abalado.

A lesão colocou o meia novamente num turbilhão emocional, até o ponto de ele não conseguir se recuperar de jeito nenhum deles. Foi então que no ano de 2007, com apenas 27 anos, a eterna promessa do futebol alemão anunciava sua aposentadoria, para surpresa de muitos. 

Crente de que Basti (como era chamado) voltaria atrás, o Bayern não rescindiu seu contrato. O vínculo venceu em 2009 e hoje só resta a melancolia na Alemanha em função da tão promissora carreira de Deisler ter sido encerrada da forma prematura que foi.



sexta-feira, 18 de maio de 2012

Craques: Giuseppe Giannini

Foto: Goal.com
Giannini cresceu entre os melhores e se tornou um deles quando a Roma passou pelo período de transição mais tedioso de sua história. Ídolo do maior ídolo romanista, Il Principe gastou a bola e foi o ícone de um time que acumulou insucessos