quinta-feira, 28 de junho de 2012

Fomos campeões: Alemanha Ocidental 1980

Foto: Mirror.co.uk
Felipe Portes, @portesovic
Com colaboração de João Paulo Barreto, @joaopaulo87_

A década de 1980 viu a Alemanha Ocidental se notabilizar como time de chegada, sempre envolvido nas grandes decisões, seja na Eurocopa ou na Copa do Mundo, com destaque para as derrotas de 1982 e 1986. Mas nem tudo foi lamento para os alemães. A conquista veio em nova edição realizada na Itália, agora com formato de dois grupos com quatro equipes.

Classificaram-se para o certame na Velha Bota a Alemanha, Tchecoslováquia, Holanda e Grécia no Grupo A, Itália, Bélgica, Inglaterra e Espanha no B. A caminhada dos germânicos se mostrou tranquila com duas vitórias e um empate (contra a Grécia, por 0-0). Conseguindo a chance de se vingar dos tchecos pela derrota quatro anos antes, a National Mannschaft venceu por 1-0, com gol de Karl-Heinz Rummenigge, aos 57. Importante observar que grande parte do elenco eslavo estava em campo na final de 76 também.

Tal como 2012, a segunda jornada reservou um duelo entre os tedescos e os holandeses, em transição da fase Cruyff e com formação bastante modificada. Capitaneada pelo clássico Ruud Krol, a ex-Laranja mecânica contava com nomes como Huub Stevens (hoje no comando do Schalke), Arie Haan, Johnny Rep, Dick Nanninga (autor de um dos gols na final da Copa de 1978) e os irmãos Rene e Willy van de Kerkhof. 

Executando uma estratégia simples e eficaz, os comandados de Jupp Derwall não abusavam da posse de bola. Os passes rápidos, com objetividade, além da exímia visão do posicionamento adversário, foram valores que facilitaram e muito a trajetória da seleção germânica na competição.

Allofs comemora seu terceiro tento contra a Holanda (Bundesliga fanatic)
Duro adversário para os alemães, os laranjas tiveram de lidar com atuação de gala e hat-trick do possante Klaus Allofs, até então no Fortuna Düsseldorf. A superioridade dos bicampeões do mundo perante a Oranje era avassaladora e apenas nos minutos finais houve um princípio de reação. Rep diminuiu numa penalidade aos 79 e van de Kerkhof (Willy) deu esperança aos 85. Mas era só isso, não seria dessa vez que Krol e sua turma realizariam uma proeza de tal magnitude.

Para encarar a Grécia, já eliminada e atropelada pelos tchecos na rodada anterior, poupou alguns atletas e entrou em piloto automático, administrando empate por 0-0, no Delle Alpi em Turim. O regulamento visava que o primeiro colocado de cada chave estava qualificado para a decisão. A Bélgica de Jan Ceulemans seria a outra finalista.

Disputando a terceira colocação, os donos da casa enfrentavam os então campeões, para ao menos deixar o certame com honra. Lotando o San Paolo, em Nápoles, a Squadra Azzurra penou para empatar com os eslavos por 1-1, após gol de Ladislav Jurkemik. Não fosse por Francesco Graziani, bomber do Torino (e até onde sabemos, sem nenhuma relação com o amigo Fernando Graziani, @fgraziani) a história seria outra. Persistindo a igualdade no tempo normal e prorrogação, foi preciso uma disputa de penalidades. A contagem já estava em 9-8, quando Fulvio Collovati desperdiçou seu chute e sacramentou a derrota.

Ceulemans carrega a bola pela Bélgica (Foto: UEFA.com)
Presença certa em decisões
Como faria durante os anos 80 e início dos 90, a Alemanha participou de três grandes finais consecutivas. A da Euro na Itália era a terceira após a vitória em 72 e a derrota de 76 para a Tchecoslováquia. Anos depois, em 1982, perderia a Copa do Mundo para a Itália, em 1986 para a Argentina e em 1990 finalmente venceria os argentinos, vingando quatro anos antes.

Por sorte, a decisão contra os belgas resultou na segunda taça europeia em menos de 10 anos (sem falar na Copa de 1974). O Olimpico de Roma recebeu os finalistas na noite de 22 de junho de 1980. O selecionado dos Países baixos começava a crescer no âmbito mundial com nomes como Jean Marie Pfaff, Eric Gerets, François Van der Elst, Julien Cools, René Vandereycken e o explosivo Ceulemans. 

A partida foi imediatamente controlada pelos alemães, especialmente por Bernd Schuster, que estava inspirado na meia cancha da Nationalelf. O então atleta do Colônia foi que iniciou a descida do primeiro gol. Controlando a bola no círculo central, Schuster carregou até a intermediária e rolou para Horst Hrubesch, que dominou no peito e fuzilou Pfaff para inaugurar o marcador.

Intrigado, o treinador belga Guy Thys conseguiu fechar o sistema defensivo e dar menos espaço ao talentoso esquete adversário. Esfriando os ânimos, talvez fosse possível buscar uma reação. Ao fim da segunda etapa, num contragolpe venenoso, Van der Elst disparou sozinho pelo meio e ia vencer Harald Schumacher quando Uli Stielike cometeu um pênalti. Vandereycken foi para a bola e empatou a peleja.

No soar do gongo, aos 88, desmontando qualquer esperança de prorrogação, Hrubesch novamente apareceu. A jogada foi originada num escanteio cobrado por Schuster, que percorreu toda a área e achou o atacante do Hamburgo, que testou forte no alto da meta de Pfaff, adiantado. Dois zagueiros ainda estavam em cima da linha para evitar o pior, mas lá estava: 2-1.

Acostumada a grandes decisões, a Alemanha Ocidental traçou seu caminho (inglório) em grande parte das competições importantes que vieram nos anos seguintes. O percentual de conquistas de fato ainda é baixo se comparado ao número de decisões disputadas. Entretanto, nunca se deve subestimar uma camisa que sempre chega longe e mostra um futebol acima de tudo competente, como os germânicos...

Foto: UEFA
Alemanha: Schumacher, Kaltz, Förster, Stielike, Dietz, Schuster, Briegel (Cullmann), Hansi Müller, Rummenigge, Hrubesch e Allofs. Téc: Jupp Derwall

Bélgica: Pfaff, Gerets, Millecamps, Meeuws, Renquin, Van Moer, Vandereycken, Cools, Mommens, Van der Elst e Ceulemans. Téc: Guy Thys

Campanha: Quatro jogos, três vitórias e um empate. Seis gols marcados, três sofridos.

Jogos:
Fase de grupos
Tchecoslováquia 0-1 Alemanha Ocidental
Alemanha Ocidental 3-2 Holanda 
Grécia 0-0 Alemanha Ocidental

Final - 22 de junho de 1980, Roma - Olimpico
Alemanha 2-1 Bélgica

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Fomos campeões: Tchecoslováquia 1976

Foto: Total Pro Sports
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Nos tempos em que o bigode ainda era um artigo quase que indispensável para os homens europeus, a primeira surpresa de todas as Eurocopas veio com a Tchecoslováquia em 1976. A fase final do torneio , realizada na Iugoslávia, reuniu os donos da casa juntamente com os tchecoslovacos, a Alemanha e a Holanda, duas das maiores sensações no cenário mundial. 

Chaveados os adversários, em 16 de junho daquele ano as semifinais teriam início. Os Tchecos enfrentaram a Holanda no Maksimir, em Zagreb, e suaram para levar a partida para a prorrogação. Detalhe: Anton Ondrus foi o responsável pelo 1-1, marcando pelas duas equipes. A favor, aos 19, e contra aos 73, desviando um cruzamento. Johann Cruyff, Johan Neeskens, Rob Rensenbrink e Johnny Rep bem que tentaram, mas não furaram o bloqueio defensivo.

A partida então foi para a prorrogação, já acumulando três expulsões. Duas do lado holandês (Neeskens e Wim Van Hanegem) e Jaroslav Pollák pelo lado tcheco, mostraram que o nervosismo estava marcando os passos de vários atletas em campo. 

Foi então que no segundo tempo da prorrogação que Zdenek Nehoda e Frantisek Vesely passaram a régua nas pretensões laranjas naquela Euro. Dois anos depois, eles perderiam a sua segunda final de Copa seguida, ganhando o rótulo de "amarelões".

Donos de um estilo aguerrido, técnico e cauteloso, os tchecos tiraram um grande rival na disputa pelo título. Na outra chave, a Alemanha passou por cima da Iugoslávia com certa dificuldade. Depois de ficar dois gols atrás no placar, os germânicos contaram com Heinz Flöhe e Dieter Müller (com um hat-trick) saindo do banco para resolver a peleja.

Antonin Panenka ganhou fama na final contra
a Alemanha, em Belgrado (Foto: Shave your style)
Panenka e a cavadinha
Era hora do lendário meio campo eslavo entrar em cena. Antonín Panenka, Joséf Moder, Marián Masny e Zdenek Nehoda se encarregaram de dificultar a tarefa alemã de levantar o caneco mais uma vez. Os presentes no Marakana (estádio do Estrela Vermelha) mal sabiam que estavam prestes a testemunhar uma travessura contra os tedescos.

Tudo começou a ruir para a Alemanha quando Jan Svehlik completou uma rebatida na área de Sepp Maier. A defesa germânica estava concentrada naquela parte do campo e mesmo assim não evitaram o passe rasteiro de Nehoda para o companheiro, que chutou forte no canto. 1-0.

Sofrendo com a ofensividade tcheca, Franz Beckenbauer e seus colegas de zaga já estavam ficando carecas de preocupação quando Karol Dobias mandou uma bomba com caminho certo: o fundo das redes de Maier. No mesmo panorama das semifinais contra a Iugoslávia, Helmut Schön já estava amassando sua boina no banco de reservas, em busca de uma solução que trouxesse o empate.

O mesmo Müller que havia marcado três no jogo anterior, apareceu bem para diminuir o placar. Com um belo voleio, o atacante deu a esperança necessária aos colegas, que agora buscavam como nunca balançar as redes novamente. Envolta em tensão, a finalíssima seguiu com vitória tcheca até os 89, quando Bernd Hölzenbein subiu de cabeça na área de Ivo Viktor e salvou a pele tedesca.

Ilustração do pênalti histórico cobrado por Panenka
Foto: Four Four Two
Mantida a igualdade durante a prorrogação, as penalidades seriam a forma escolhida para definir quem levantaria o troféu Henry Delaunay. Ampla favorita, a Alemanha tentava seu bicampeonato europeu. Contudo, a noite de 20 de junho de 1976 reservou duas grandes surpresas.

A Tchecoslováquia cobrava primeiro. Masny, Nehoda, Ondrus e Jurkemik converteram, e pelo lado alemão, Bonhof, Flohe e Bongartz também fizeram a sua parte. Era a vez de Hoeness, estrela do Bayern, fazer sua cobrança. Poucos esperavam que o atacante chutasse na lua. Ele mesmo comentou em entrevista, anos depois, que "felizmente já encontraram a bola daquele pênalti".

Encarregado de encerrar a série, Panenka caminhou até fora da área e esperou que Maier não ficasse na linha do gol, mas escolhesse um dos lados. Tomou a distância e correu, diminuindo a passada logo ao chegar na bola e tocando sem força, por cima, balançando as redes e dando o título aos eslavos.

O movimento, conhecido aqui no Brasil como cavadinha, e constantemente usada por Loco Abreu, foi executada inicialmente com o tcheco, justamente numa decisão europeia. 30 anos depois, Zinedine Zidane repetiu a façanha na final da Copa de 2010 contra a Itália. Importante lembrar que o francês ousou ainda mais, acertando o travessão de Gianluigi Buffon. O legado deixado por Panenka, que consiste na taça e na modalidade de chute, até hoje é lembrado pela façanha em Belgrado. 
Tchecos ganham dois prêmios: a taça Henry Delaunay e a camisa dos alemães
derrotados nas penalidades (Foto: UEFA)
Tchecoslováquia: Viktor, Dobias (Vesely), Capkovic, Ondrus, Pivarnik, Gögh, Panenka, Moder, Svehlik (Jukarnik), Masny e Nehoda. Téc: Václav Jezek

Alemanha: Maier, Beckenbauer, Schwarzenbeck, Vogts, Dietz, Wimmer (Flohe), Bonhof, Hoeness, Beer (Bongartz), Dieter Müller e Holzenbein. Téc: Helmut Schön

Campanha: Dois jogos, uma vitória e um empate. Cinco gols marcados, três sofridos.

Jogos:
Semifinal
Tchecoslováquia 3-1 Holanda

Final - 20 de junho de 1976, Belgrado - Marakana (Crvena Zvezda)
Tchecoslováquia 2-2 Alemanha (5-3 nos pênaltis)


terça-feira, 26 de junho de 2012

Fomos campeões: Alemanha Ocidental 1972

Foto: Imortais do futebol
Felipe Portes, @portesovic
De Belgrado-SRB

Dois anos antes de se consagrar bicampeã mundial jogando em casa, a Alemanha Ocidental já roubava a cena do futebol europeu, durante a Eurocopa na Bélgica, em 1972. Com a base da valente seleção que conquistou a terceira colocação no México, em 70, os germânicos superaram a derrota na Copa e partiram com tudo para tentar sua primeira conquista continental.

O mesmo poder de marcação, a mesma técnica, precisão e disciplina estavam delineando as principais estrelas do grupo alemão. A defesa era estupenda, com o lendário Sepp Maier debaixo das traves, Hans-Georg Schwarzenbeck na zaga, Franz Beckenbauer como líbero, Paul Breitner como lateral, Uli Hoeness como meia armador, Günter Netzer como responsável pela ligação entre o meio e o ataque, e na frente, Jupp Heynckes e o célebre Gerd Müller. 

Estreando no certame, assim como os belgas, a National Mannschaft teve como primeiro rival a dona da casa, a sempre carismática Bélgica na primeira semifinal. No Bosuil Stadium, na Antuérpia, a sorte foi lançada. Bem, soa um tanto arrogante dizer que a sorte foi lançada quando todos sabem que o futebol tem onze de cada lado, com uma bola, um juiz, dois bandeirinhas e a Alemanha na final.

Müller faz dois e elimina Bélgica (Foto: UEFA)
Dito isso, era de se esperar que os visitantes aprontassem das suas na abertura do torneio. Não houve muitas chances para Maurice Martens e Paul Van Himst marcarem seu nome na história daquela edição da Euro. A grande atuação foi do letal Müller, que anotou dois (aos 24 e 71'), desmoronando com a esperança local de disputar a final. Não tivesse a vaca belga deitado sem cerimônias após o 2-0, talvez o gol de Odilon Poulleunis teria adiantado de algo. 

Enquanto isso, no Émile Versé, em Bruxelas, Hungria e URSS duelavam para ver quem enfrentaria Beckenbauer e cia ltda. Completamente diferentes do grupo que esteve na Itália quatro anos antes, os soviéticos sofreram para vazar a retranca húngara e Anatoliy Konkov fez o tento único, aos 53, despachando Lajos Kocsis (sem relação com AQUELE Kocsis, Sándor) e seu bando.

Importante lembrar que antes do término do embate, Sándor Zambó cometeu o crime e perdeu uma penalidade, defendida com serenidade pelo sucessor imediato de Lev Yashin, Evgeni Rudakov. Perfeitamente aceitável, já que nenhum outro atleta com nome terminado em bó jamais marcou gols numa Eurocopa. 

Estava definido então que na noite de 18 de junho de 1972, o Heysel, em Bruxelas, (arrepios) receberia a finalíssima. Novamente a URSS tentaria a sorte, sendo a maior concorrente ao título (vencedora em 1960, vice em 1964). O destino mostrou ser cruel com os então comunistas, que fraquejaram perante a sempre forte Alemanha Ocidental. 

Müller inferniza os soviéticos marcando dois novamente (Foto: UEFA)
A marca do goleador
O que poderia sair de um encontro envolvendo os evoluídos germânicos e os enfraquecidos soviéticos? A tarde de Bruxelas tratou de revelar o enredo, repleta de bandeiras alemãs, que tremularam durante toda a partida. Comandados pelo tiozão da boina, Helmut Schön, os tedescos impuseram bom ritmo e controlaram logo de cara o adversário, nitidamente intimidados.

A superioridade causou estrago numa troca de passes que caiu nos pés de Heynckes, que mandou uma bomba. Rudakov voou e espalmou, mas para o seu lamento, Müller estava logo adiante para aproveitar o rebote e abrir os trabalhos. Com Heynckes inspirado, mais uma iniciativa terminava na área da URSS. Coube a Herbert Wimmer, tímido meio campista carimbar. Um chute rasteiro no canto, que ainda resvalou nos braços do guarda metas russo antes de entrar. 2-0, e novamente a vaca deitouvski. 

Percebendo que a defesa rival estava desnorteada, Schön ordenou que os ataques continuassem. A Avenida Vladimir Kaplichny seguia movimentada quando um passe atravessou a extensão da área e alcançou Heynckes. Um passe lateral serviu para acionar Müller, que livre completou e jogou seus braços ao alto, como de costume. Alemanha campeã, para quem quisesse provar da técnica que virou marca registrada da equipe nos anos que se seguiram. 

Franz Blackpower Beckenbauer recebe o caneco das mãos de Gustav Wiederkehr,
então presidente da UEFA (Foto: Süd Deutsche)
Alemanha: Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Breitner, Höttges, Wimmer, Hoeness, Netzer, Heynckes, Müller e Kremers. Téc: Helmut Schön

URSS: Rudakov, Dzodzuashvili, Khuartsilava, Kaplichny, Istomin, Kolotov, Troshkin, Konkov, Baidachny, e Onischchenko. Téc: Aleksandr Ponomarev

Campanha: Dois jogos, duas vitórias. Cinco gols marcados, um sofrido.

Jogos:
Semifinal
Bélgica 1-2 Alemanha

Final - 18 de junho de 1972, Bruxelas - Heysel
Alemanha 3-0 URSS


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Fomos campeões: Itália 1968

Foto: Museu virtual do futebol
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

No tempo em que o catenaccio ainda era tendência nas equipes europeias (vide Inter e Milan nos anos 1960), a Itália fez valer o domínio e o talento de uma era de ouro no seu futebol. Liderados pelo eterno capitão Giacinto Facchetti, os rapazes italianos ainda não eram o grupo consistente que disputaria a Copa de 1970, perdendo a final para o Brasil, mas ainda sim, souberam mostrar o seu valor diante de duros oponentes na Eurocopa 1968, disputada em seus domínios.

Pela primeira vez, Itália e Inglaterra participavam da competição, classificados para a fase final. As peculiaridades começaram logo na primeira partida entre os donos da casa e os soviéticos, presença constante e ameaçadora para seus adversários.

Grandes rivais, os homens de vermelho seguraram um empate com a Squadra Azzurra por 0-0. E acredite, a decisão foi para o cara ou coroa. Albert Shesternyov, capitão da URSS, perdeu a disputa e consequentemente a vaga na grande final. Sim, no cara ou coroa...

Inglaterra e Iugoslávia se digladiavam no Artemio Franchi na outra semifinal. O cotejo ficou marcado pela violência e pela expulsão de Alan Mullery. O inglês recebeu uma solada na canela e em certo lance e revidou um um chute na virilha. Recebeu o cartão vermelho e já esperava o pior, mas foi absolvido pelos companheiros e pelo treinador Alf Ramsey. 

"Cheguei ao vestiário e pedi desculpas aos meus colegas. Alf veio a mim com um semblante tranquilo e disse que estava contente que alguém havia retaliado aqueles bastardos", conta o próprio Mullery ao site da BBC. Apesar do ato de coragem e indisciplina, os eslavos venceram por 1-0, gol de Dragan Dzajic.

Foto: Football Archive
Novo empate e replay
A final teve o mesmo contorno de drama da fase anterior. Os italianos tinham todo um Olímpico para apoiar contra os iugoslavos, que oito anos antes ganharam a medalha de ouro nas Olimpíadas de Roma. O equilíbrio entre o futebol de força praticado pelos visitantes e pelo foco nos passes curtos por parte dos italianos refletiu no marcador. 

O mesmo Dzajic, que castigou os ingleses, agora entrava em cena contra a Itália. Aos 39 ele abriu o placar com certa facilidade. Dominou na área, levantou a bola e chutou. Antes de ser derrubado por Zoff, tocou de leve para inaugurar o marcador. 

Não era surpresa que a experiente formação eslava dominasse o talentoso futebol italiano. Por todos os 90 minutos iniciais, a Iugoslávia se colocou no ataque e forçou Zoff a praticar algumas grandes defesas, além dos zagueiros Ernesto Castano e Tarcisio Burgnich. 

Facchetti domina em primeiro jogo da decisão
Foto: O campo dos sonhos
Foi numa besteira de Blagoje Paunovic que a Itália conseguiu o empate. O beque subiu e cotovelou Giovanni Lodetti, volante milanista. Concedida a falta na marca de 22 metros, coube a Angelo Domenghini soltar o pé para deixar tudo igual, aos 80 minutos. O apito final soou como frustração aos italianos, que sentiam ter o poder de reagir. Tudo seria decidido dois dias depois, no mesmo estádio. Naquela edição, o regulamento não previa prorrogação ou penalidades, muito menos cara ou coroa na finalíssima.

Reforçada, a Squadra Azzurra voltou mais forte, com Roberto Rosato, Sandro Mazzola, Giancarlo De Sisti e Luigi Riva. Coube ao genial Riva receber passe e tocar com a perna esquerda para abrir o placar, aos 12 minutos. Para o treinador Ferruccio Valcareggi, a missão era resolver logo a situação, para não passar o mesmo aperto da primeira partida. A formação de 5-2-3 apresentava duas das principais armas daquele plantel: a solidez defensiva e a eficiência de Riva.

Quase vinte minutos depois, Pietro Anastasi levantou o passe de Domenghini e bateu com força. A bola percorreu o caminho com uma velocidade que nem de perto pode ser evitada pelo arqueiro Ilija Pantelic. 2-0, sem chance para mais um milagre por parte dos visitantes. Os fogos no céu de Roma contaram a quem não estava no Olímpico que a Itália era novamente campeã. 

Foto: Varienews.blogspot.com
Itália: Zoff, Burgnich, Rosato, Guarneri, Salvadore, Facchetti, De Sisti, Mazzola, Anastasi, Domenghini e Riva. Téc: Ferruccio Valcareggi

Iugoslávia: Pantelic, Fazlagic, Paunovic, Holcer, Damjanovic, Trivic, Pavlovic, Acimovic, Hosic, Musemic e Dzajic. Téc: Rajko Mitic

Campanha: Três jogos, uma vitória e dois empates. Três gols marcados, um sofrido.

Jogos:
Semifinal
Itália 0-0 URSS (Itália vence no cara ou coroa)

Final - 8 de junho de 1968, Roma - Olimpico
Itália 1-1 Iugoslávia

Replay - 10 de junho, Olimpico
Itália 2-0 Iugoslávia

Fomos campeões: Espanha 1964

Foto: O campo dos sonhos
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Quatro anos depois de vencer a edição inaugural da Eurocopa, a União Soviética retornava com certo favoritismo para a disputa, que agora seria realizada na Espanha, em duas sedes. Como o formato havia mudado, e agora a competição tinha sua fase final consistindo apenas em semifinais/final, chegaram naquele verão espanhol a própria URSS, Dinamarca e Hungria, além dos donos da casa que boicotaram as quartas de final do certame anterior contra os soviéticos.

Treinados por Jose Villalonga Llorente, os espanhóis tinham em seu grupo o cerebral meia Luis Suarez, o mágico Amancio Amaro, o galopante Chus Pereda e o letal Marcelino. Com um plantel jovem, a Fúria era liderada em campo pelo já mundialmente reconhecido Suarez, que se encarregava de conduzir a batuta na meia cancha.

A URSS ainda contava com três dos astros presentes em 1960: Lev Yashin, Viktor Ponedelnik e Valentin Ivanov. A grande mudança nos convocados destruiu o entrosamento da equipe, que não teve boa atuação na final. 
Suarez: maestro no meio campo da Fúria
Foto: Quatro tiempos
Iniciada em Madrid, a fase final teve duelo inaugural entre Espanha x Hungria. Diante de um Santiago Bernabéu lotado, os mandantes sofreram para bater a forte seleção de Florian Álbert, Ferenc Bene e Lajos Tichy. O trabalho em equipe dos espanhóis foi crucial na batalha contra os húngaros. Pereda abriu o placar aos 35 iniciais, mas a Fúria se acomodou com a vitória parcial e concedeu espaço aos visitantes.

A pressão contra a defesa local surtiu efeito ao fim do segundo tempo, quando Bene estufou as redes e provocou o tempo extra para definir o primeiro finalista daquela edição da Euro. Tomando as rédeas do encontro, e empurrada pela torcida, a Espanha se lançou ao ataque. Amancio acabou com a agonia e desempatou, faltando cinco minutos para o apito final e as temidas penalidades.

Pela outra semifinal, os soviéticos faziam sua parte e atropelavam os daneses por 3-0, no Camp Nou. Voronin, Ponedelnik e Ivanov balançaram as redes e permitiram que a URSS disputasse sua segunda decisão seguida no certame.

Final entre Espanha e URSS seguiu o roteiro da semifinal
Foto: Forum biodiversity (???)
Mesmo roteiro, mesmo final
Em 21 de junho de 1964, diante de quase 80.000 pessoas no Santiago Bernabéu, a festa foi caseira. Novamente a determinação ibérica fez diferença no início. Pereda não demorou nem cinco minutos e castigou os oponentes com uma bomba, em grande iniciativa que saiu dos pés de Suarez. Duros na queda, os então comunistas ergueram a cabeça e não se entregaram logo na primeira dificuldade.

Galimzyan Khusainov deu números iguais ao marcador, num lance que puniu a frouxa marcação feita pela defesa espanhola. A tensão novamente predominou e o equilíbrio fez com que os rivais se recuassem, baseando a estratégia em passes curtos. Ligeiramente melhor na segunda etapa, a Fúria resolveu apostar nos seus jogadores de meio campo (que passaram os 45 minutos finais como homens de frente), mantendo a posse e acionando o mais avançado Marcelino, juntamente com os pontas Amancio e Lapetra.

A loucura ofensiva foi premiada aos 84 minutos, quando o impiedoso Marcelino completou de cabeça o cruzamento de Amancio. Lá atrás, Feliciano Rivilla recuperou a posse e lançou para Pereda, que levou para a ponta direita e cruzou. Tarde demais para mais uma reviravolta: Espanha campeã. E qualquer comparação desse selecionado atual com o de 1964 não é mera coincidência.

Foto: Dribles.com
Espanha: Iribar, Rivilla, Olivella, Calleja, Zoco, Fusté, Amancio, Pereda, Marcelino, Suarez e Lapetra. Téc: José Villalonga


URSS: Yashin, Voronin, Shesternyov, Mudrik, Shustikov, Ponedelnik, Chislenko, Ivanov, Anichkin, Korneev, Khusainov. Téc: Konstantin Beskov

Campanha: Dois jogos, duas vitórias. Quatro gols marcados, dois sofridos.

Jogos:
Semifinal
Hungria 1-2 Espanha

Final - 21 de junho de 1964, Madrid - Santiago Bernabéu
Espanha 2-1 URSS




terça-feira, 19 de junho de 2012

Fomos campeões: URSS 1960

Foto: Blog da comunicação
Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP
[Especial Eurocopa]

Cinco anos após a primeira disputa europeia entre clubes, é dado o pontapé inicial para o torneio que viria a ser a segunda grande competição do futebol, somente atrás da Copa do Mundo. A Eurocopa surgiu 30 anos após o projeto inicial, logo após o término do primeiro mundial, no Uruguai, em 1930, que contou com apenas quatro europeus. Para mostrar que a Europa não precisava da FIFA para organizar uma grande competição, nasceu o Campeonato Europeu de Seleções.

Ainda com resquícios da Segunda Guerra, algumas seleções de grande importância como Alemanha Ocidental, Itália e Inglaterra preferiram ficar de fora e se reconstruir à participar desse torneio. Assim, 17 seleções começaram da primeira Eurocopa, que diferente do que vemos hoje em dia, não tinha o mesmo formato.

Disputado no formato de mata-mata, o certame começou com o duelo entre Irlanda x Tchecoslováquia para decidir quem se juntaria aos outros 15 concorrentes. Perdendo por 2 a 0 em Dublin, os tchecoslovacos golearam por 4 a 0 em Bratislava e avançaram.

As primeiras fases não tinham uma sede definida e era o que poderíamos chamar de eliminatórias. Assim, foram oito confrontos em jogos de ida e volta, um em cada país. União Soviética (atual campeã olímpica) 4x1 Hungria*, França 8x2 Grécia*, Romênia 3x2 Turquia*, Noruega 2x6 Áustria*, Iugoslávia 3x1 Bulgária*, Alemanha Oriental 2x5 Portugal*, Polônia 2x7 Espanha* e Dinamarca 3x7 Tchecoslováquia* fizeram os jogos das oitavas de final. Destaque para a disparidade de resultados, com embates marcados por goleadas, tendo o confronto mais equilibrado entre Romênia e Turquia, em que os romenos triunfaram no placar agregado por 3 a 2.

Na fase seguinte, os oito classificados se enfrentariam, nos mesmos moldes da fase anterior, com dois jogos, novamente um em cada país. Com isso, tivemos chaveados França 9x4 Áustria*, Portugal 3x6 Iugoslávia*, Romênia 0x5 Tchecoslováquia* e Espanha x União Soviética. Contudo, por ainda estar sob o comando do ditador Francisco Franco, a Fúria se recusou a viajar até Moscou, onde o comunismo imperava. Desta forma, a URSS avançaria direto à fase final. França, Iugoslávia e Tchecoslováquia também conseguiriam, com certa facilidade, a classificação para o decisivo quadrangular final.

*Placar agregado

Lance da final entre URSS x Iugoslávia (Foto: Futebol e cia ltda.)
Nessa fase, diferente do que havia até o momento, houve uma sede fixa. O país escolhido foi a França (em Marselha e Paris), único dos representantes no final four que não era esquerdista. Definidos, os confrontos seriam entre Tchecoslováquia x União Soviética e França x Iugoslávia. Melhor para soviéticos e iugoslavos que avançaram e disputariam o inédito título.

Na final, um jogo emocionante que só teve seu vencedor definido na prorrogação. Com destaque para o goleiro Lev Yashin e o artilheiro da competição, Viktor Ponedelnik, a URSS venceu por 2-1. Milan Galic abriu o placar aos 43 e a Iugoslávia não teve muito tempo para comemorar a vantagem. Slava Metreveli igualou o cotejo seis minutos depois. Arrastado até o tempo extra, a Euro 60 foi definida por Ponedelnik, restando sete minutos para as penalidades.

Um grande coincidência foi que, como o jogo começara as dez horas da noite de um domingo, no horário local, o gol do título saiu somente na segunda-feira, e o nome do autor do gol, Ponedelnik, significa justamente, segunda-feira, em russo.

Foto: O campo dos sonhos
Campanha: Quatro jogos, quatro vitórias. Nove gols marcados, dois sofridos.

Jogos:
Oitavas de final
URSS 3-1 Hungria
Hungria 0-1 URSS

Quartas de final*
Espanha desistiu de enfrentar a URSS

Semifinal
Tchecoslováquia 0-3 URSS

Final – 10 de julho de 1960, Paris – Parc des Princes
URSS 2-1 Iugoslávia 


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Grandes jogos: Argentina-Brasil 1946

Foto: Baú do futebol
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE
No dia 10 de fevereiro de 1946 Brasil e Argentina fizeram um dos confrontos mais lembrados do longo histórico de partidas entre as duas seleções. A partida, válida pelo Sul-Americano (como então se denominava a Copa América) daquele ano, terminou com uma vitória da Argentina por 2 a 0, dois gols de Méndez. Mas o que menos se lembra é da partida em si.

No Brasil a história normalmente é contada como se essa partida fosse um desdobramento do confronto entre as duas equipes no final do ano anterior pela Copa América. A partida, disputada em São Januário, foi marcada por muita violência. Quem levou a pior foi o zagueiro argentino Battagliero, que fraturou a perna numa dividida com Ademir Menezes. Não há imagens do lance, mas no Brasil se assegura que o lance foi involuntário.

A partida de 1946, no Monumental de Nuñez é encarada por aqui como uma vingança planejada pelos argentinos. Nessa versão, tudo teria descambado de vez quando, aos 28 minutos, Jair da Rosa Pinto, também acidentalmente, quebrou a perna do zagueiro Salomón. A partir daí teria começado uma briga generalizada em que os argentinos massacraram os brasileiros, que teriam em Chico Aramburu o grande herói da briga.

Sempre segundo a versão brasileira da história, ao fim da briga a equipe brasileira estava amedrontada e temendo pela própria vida. Sem clima para jogar futebol, o Brasil teria apenas assistido a Argentina jogar e fazer os gols que quis. Em suma, o que se conta por aqui é que não houve futebol, apenas violência argentina contra um pobre e indefeso time do Brasil.

É difícil avaliar adequadamente a situação, pois não se conhece imagens em movimento das duas partidas, e em geral a história é contada por pessoas que não estavam no Monumental de Nuñez. Mas há coisas que merecem ser revistas nessa história.


Foto: Futebol e cia. ltda
A primeira: é difícil acreditar que os jogadores brasileiros tenham sido apenas vítimas da violência argentina. Afinal, o saldo final das duas partidas foi de duas pernas argentinas fraturadas por jogadores brasileiros. A versão argentina é exatamente oposta. Nela o Brasil bateu sem piedade nos vizinhos na partida de São Januário, e ainda teve a coragem de quebrar Salomón dentro do Monumental de Nuñez. Para os argentinos, a vitória naquela partida simplesmente refletiu a superioridade da albiceleste daqueles anos.

O argumento argentino levanta uma questão importante. Naquela ocasião o Brasil tinha um time muito interessante, já com muitos jogadores que atuariam em 1950. O ataque era avassalador: Tesourinha, Zizinho, Heleno de Freitas, Jair e Chico (com Ademir Menezes no banco). Aquela seleção poderia enfrentar qualquer outra de igual para igual. Menos a Argentina.

Naquele momento os vizinhos tinham a melhor geração de sua história. Era o auge da “maquina” do River Plate, com o lendário ataque formado por Muñoz, Moreno (para muitos daquele tempo, o melhor jogador da história do país), Pedernera, Labruna e Lostau. No Boca Juniors estava Mario “Atomico” Boyé. No San Lorenzo atuava o genial ponteiro Rinaldo Pontoni. No Huracán havia o artilheiro Norberto “Tucho” Méndez, autor dos dois gols da partida.

Eram tantos grandes jogadores que o River podia se dar ao luxo de emprestar Di Stefano, então com 20 anos, para o Huracán. E no Brasil daquele tempo, abundavam jogadores argentinos que, sem espaço em seu país, vinham para nosso país e reforçavam as grandes equipes daqui. Se jogadores argentinos medianos se destacavam por aqui, fica difícil sustentar que naquele encontro do Monumental de Nuñez a violência argentina possa ser a única explicação para nossa derrota.

E isso não deveria ser novidade, já que argentinos e uruguaios foram melhores que os brasileiros em quase todos os momentos da primeira metade do século XX. Nesses países o futebol chegou mais cedo e se desenvolveu muito antes do que por aqui. Os uruguaios haviam vencido duas Olimpíadas e um mundial, e viriam a vencer o próximo, em 1950. Em duas dessas competições (Olimpíada de 1928 e Mundial de 1930) o título veio em finais disputadíssimas contra os argentinos.

Os historiadores do futebol brasileiro adoram criar justificativas para explicar um fato que, objetivamente, é incontestável: na primeira metade do século XX o futebol brasileiro não teve qualquer destaque internacional. Teve como maior feito chegar em uma semifinal de mundial, algo que naqueles anos EUA e Suécia também conseguiram. Por isso não surpreende que o artilheiro argentino Pancho Varallo tenha declarado, sobre o mundial de 1930: “os melhores times eram Argentina e Uruguai. Dizem que o Brasil estava lá mas nem me lembro. Só importavam Argentina e Uruguai”.

Assim, a partida de 1946 poderia ser vista por outro prisma. Como lembrança de um tempo em que éramos fregueses (ou “hijos”, como dizem os argentinos) dos vizinhos do Rio da Prata. E o enorme esforço para superá-los certamente foi essencial para o crescimento do futebol brasileiro. Derrotas como aquela mostraram aos brasileiros que ainda havia muito a evoluir.

Argentina: Vacca, Salomón (Marante) e Sobrero; Fonda, Strembel (Ongaro) e Pescia; De la Mata, Méndez, Pedernera, Labruna e Loustau.

Brasil: Luiz Borracha, Domingos da Guía e Norival; Zezé, Danilo e Jaime (Rui); Tesourinha (Lima), Zizinho (Ademir), Heleno de Freitas, Jair e Chico.

Gols: Méndez aos 38 do 1º tempo e aos 10 do 2º.

Expulsões: De la Mata e Chico, aos 28 do 1º tempo.

*Agradeço a meu amigo Esteban Bekerman, @egerbek, historiador e jornalista esportivo argentino, pela ficha técnica da partida.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

TF História: A queda do Herói de Sevilla

Foto: Emaramures.ro
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP (Especial Romênia, parte 3)

Helmuth Duckadam foi o grande nome da conquista do Steaua na Liga dos Campeões, agarrando quatro cobranças do Barcelona, em 1986, no Ramón Sánchez Pizjuán. Por essa façanha, ficou conhecido pelos torcedores como "O Herói de Sevilla", alcunha que carrega até hoje. 

Em 1977 iniciou sua caminhada no Constructorul Arad, chamando atenção pelos seus reflexos e segurança dentro da grande área. Com 19 anos transferiu-se para o rival do Constructorul, o UTA Arad. Permaneceu quatro temporadas, inclusive colaborando com o acesso da pequena equipe alvirrubra à primeira divisão romena, até assinar com o Steaua, em 1982, ganhando projeção internacional.

Convocado duas vezes para a seleção nacional em 1982, viveu sempre à sombra de Silviu Lung, arqueiro do Universitatea Craiova, que foi dono da posição até a Copa de 1990. Mesmo se tornando referência debaixo das traves, não voltou a defender sua nação, com a titularidade nos ros-albastrii.

Duckadam nos anos que antecederam a glória no Steaua
Foto: You mago
Os quatro anos em Bucareste, encerrados com chave de ouro com a conquista da taça europeia contra o Barcelona em 1986, foram inesquecíveis para o cidadão de Semlac, distrito de Arad. Ao fim da temporada 1985-86, foi atormentado por dores no braço direito, mas escondeu o fato da equipe médica por medo de ser vetado na decisão continental.

Muitas histórias foram especuladas sobre a verdadeira razão do afastamento de Helmuth, nenhuma convincente o bastante. Na mais célebre delas, o presidente comunista Nicolae Ceausescu, que tinha uma relação com o Steaua bem parecida com a de Silvio Berlusconi com o Milan, teria mandado amputar as mãos de Duckadam, que ganhou imensa popularidade na Romênia após a memorável noite de 7 de maio de 1986.

Outras versões dão conta de que ele teria optado por se aposentar por encarar um veto de transferência para clubes maiores, já que era de interesse de agremiações italianas e espanholas. A verdade foi exposta pouco depois, pelo próprio guarda redes, revelando problemas de saúde.

Apresentando alguns sintomas de trombose, o goleiro não seguiu a carreira depois disso e aos 27 anos foi forçado a se retirar do esporte, no seu auge, como alguns outros atletas poderiam fazer afim de não macular uma história. Um tímido retorno no Vagonul Arad por dois anos, de 1989 a 1991 foi o último esforço de Helmuth dentro do futebol. 

Em 2010 foi eleito presidente do Steaua, cargo este que ocupa até hoje.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Craques: Dan Petrescu

Foto: Mircea 21
Felipe Portes, @portesovic
De Bucareste-ROM (Especial Romênia, parte 2)

Lateral direito mais bem sucedido da história do futebol romeno, Dan Petrescu dominou a posição tanto na seleção quanto nos clubes por onde passou. Extremamente técnico, excelente na cobertura e nos passes, participou diretamente dos anos dourados que o Steaua teve no fim da década de 1980/início dos anos 90. 

Assumindo a titularidade no setor em seu segundo ano como profissional (1986-87, temporada seguinte ao título europeu dos ros-albastrii), emprestado ao Olt Scornicesti entrando em campo em 24 oportunidades. Seu senso de posicionamento unido à audácia foram fundamentais para a sua consolidação como um dos pilares daquela geração. 

Com quatro campeonatos romenos no currículo, estreou em 1989 com a camisa da Romênia. O debut foi contra a Itália, num amistoso, em março daquele ano. Fora da lista dos convocados para o Mundial de 1990, em função de uma lesão ao fim de 89, Dan não se abateu com o revés e voltou mais forte. Em 1991, partiu para a Itália, depois de ver que o seu Steaua não iria manter o nível. A derrota na Copa dos Campeões de 1989 para o Milan (bicampeão) foi o primeiro sinal.

Foi em 1991-92 que mudou de ares e foi para o pequeno Foggia. Por duas épocas envergou o manto rossonero, que não tinha estrelas no elenco, exceto o próprio Petrescu e o atacante Giuseppe Signori, famoso anos depois na Lazio. Campanhas medianas (nono e 12o) não serviram muito para o clube, mas para o atleta, uma grande oportunidade de fazer o seu nome.

Recebendo um afago de Raducioiu, Petrescu brilha na Copa de 1994
Foto: Star times
De Foggia para Genoa, no último passo em busca de participar da sua primeira Copa do Mundo. A passos largos, virou incontestável na ala direita e alinhou em 11 partidas do grifoni em 1993-94. Mesmo em 11o na tabela com a equipe genovesa, Dan assegurou seu lugar entre os que foram aos Estados Unidos. Fazendo sua melhor participação na história e alimentando sonhos que a Romênia provavelmente desconhecia ter, os cárpatos foram longe, muito longe. 

O caminho traçado até as quartas de final contra a Suécia foi mais do que a nação poderia esperar. Deixando para trás a Argentina, que havia perdido Diego Maradona, Gheorghe Hagi e cia. limitada chegaram com moral ao duelo contra os escandinavos na fase seguinte. Foi preciso decidir nas penalidades o vencedor, num duelo que envolveu dois esquetes interessantíssimos. De um lado, Hagi, de outro Henrik Larsson. Nas trincheiras, Tomas BrolinFlorin Raducioiu, Hakan Mild, Dorinel Munteanu e grande elenco. Avançaram os suecos, que caíram diante do Brasil, com gol de Romário

Foto: Bleacher Report
De chegada no Hillsborough, lugar de péssima memória para o futebol inglês, Petrescu assinou com o Sheffield para 1994-95. Exuberante na sua tarefa, impressionou os locais e foi chamado para jogar no Chelsea, onde passaria cinco anos e integraria o grupo mais sólido dos blues antes da "Era do dinheiro fácil" de Roman Abramovich.

Peça fundamental no título da F.A Cup em 1996-97, o lateral estava em alta na Premier League. Prestigiado internacionalmente, também esteve no fiasco romeno na Eurocopa de 1996, quando os cárpatos saíram do certame com apenas um gol, prematuramente na primeira fase. 

Novas conquistas vieram ao Stamford Bridge, com a Taça da Liga inglesa e a Taça das Taças UEFA, em final contra o Stuttgart, em 1997-98, chegou com moral no Mundial de 1998, na França. Desta vez o ímpeto romeno parou nas oitavas, diante da não menos brilhante Croácia em sua mais impressionante formação. Fato engraçado daquela competição foi a aposta do grupo com o treinador Anghel Iordanescu: os atletas entraram em campo contra a Tunísia com os cabelos tingidos de loiro. Vai entender.

A nova loira do Tchan é linda, produção? (Bleacher Report)
Mais dois anos de Chelsea e um desentendimento com o treinador Gianluca Vialli bastaram para que Petrescu deixasse Londres. Recusando propostas de equipes maiores, foi para o Bradford City, onde teve passagem discreta e não demorou muito a assinar com o Southampton, treinado por Glenn Hoddle, em 2000-01.

Parte dos onze iniciais da Romênia na Euro 2000 em três dos quatro compromissos, Dan ficou fora das quartas de final contra a Itália, no qual a Squadra Azzurra venceu por 2-0. Pela Premier League, já não apresentava a mesma forma de outrora e foi relegado ao banco nos Saints. Lutando contra lesões e os efeitos da idade, às vésperas de completar 35 anos, voltou para a sua terra natal em 2002, pelo Progresul (antigo National Bucareste), rival local do seu antigo Steaua. 

Fez sua despedida do esporte na final da Copa da Romênia de 2003, quando o Progresul foi derrotado pelo Dinamo Bucareste. Sem sombra de dúvida, um final melancólico de um dos maiores heróis que já passaram pelo seu selecionado nacional. Hoje é treinador do Kuban Krasnodar, campeão da segunda divisão russa em 2010. Outro trabalho notável no banco foi no Unirea Urziceni, campeão romeno em 2008-09. Tal como nos seus tempos dentro das quatro linhas, tem futuro promissor no cargo.


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Desafortunados: Florin Raducioiu

Foto: Adevarul.it
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP (Especial Romênia, parte 1)

A Romênia produziu alguma quantidade de talentos notáveis na década de 1990. Após o sucesso do Steaua na Copa dos Campeões de 1985-86, o futebol local foi impulsionado pelo sucesso da equipe ros-albastrii no certame europeu. Curiosamente naquele ano, também iniciava a sua carreira um determinado atacante. 

Nas categorias de base do Dinamo Bucareste, Florin Raducioiu foi treinado e promovido ao plantel profissional por Mircea Lucescu, e aos 17 anos ganhou sua primeira chance. Em 1988 passou a ser titular e sua presença decisiva na área virou parte essencial no esquema dos cainii-rosii (cães vermelhos), que venceriam a Liga local em 1989-90, consagrando o jovem. Inesquecível para Florin foi o duelo contra o Steaua na final da Taça da Romênia. 

Deixando três gols e assombrando os rivais, consolidou-se como grande promessa do país depois de Gheorghe Hagi. Foi a estrela absoluta de um elétrico 6-4 naquela decisão, fundamental para a conquista do caneco.

Em sua passagem pelo Bari, Florin não despontou
Foto: Klasik futbol
Bem cotado na seleção romena em 1990, com vinte anos de idade, foi convocado para a Copa do Mundo, na Itália. Presente em três dos quatro compromissos dos cárpatos no evento, Raducioiu passou em branco, surpreendentemente. Ainda sim, encantou os dirigentes do Bari e assinou contrato para a temporada 1990-91.

Sem muito brilho, não conseguiu evitar uma campanha pífia de sua equipe, que terminou na 13a colocação naquela Serie A, vencida pela Sampdoria. Realizando 30 partidas, foi às redes em apenas cinco oportunidades.

Negociado com o Verona, sua média de gols caiu novamente. Agora era questão de um a cada quinze aparições, revelando que se tratava de um flop dos bons. O restante do grupo também não ajudou, terminando o campeonato na antepenúltima colocação.

Foto: El show de las reconciliaciones (???)
Bancando o cigano, partiu para o Brescia em 1992-93, recuperando a boa fase e emplacou 13 tentos em 29 compromissos. Contudo, nem sua redenção evitou que o Brescia fosse rebaixado. Ao lado de Hagi, Ioan Sabau, Dorin Mateut, a comunidade romena se viu representada nas cores da equipe biancoazzurri. De malas prontas para o Milan, onde tentava mostrar que era de fato um bom nome para o futuro. Sem impressionar no San Siro, embarcou para o Mundial de 1994 sem muitas esperanças, apesar dos títulos da Serie A, Supercoppa Italiana e a Liga dos Campeões

Nem mesmo os familiares de Florin esperavam uma Copa tão regular e estonteante por parte do rapaz. Dois gols contra a Colômbia na primeira fase, boas participações contra Suíça e Estados Unidos e mais um doblete contra a Suécia nas quartas de final transformaram Raducioiu numa figura revigorada. Por muito pouco não deu uma grande chance da Romênia ir à semifinal.

Os seguidos insucessos teriam ficado para trás depois de envergar o manto de sua seleção? A pergunta seria respondida no Espanyol ganhou o posto de titular e em duas temporadas enganou bem na equipe catalã. Um novo capítulo internacional de sua carreira veio em 1996, quando marcou o único gol romeno na Eurocopa. Depois daquele ano, jamais voltaria a ser convocado.

Foto: Daily Mail
Para a torcida do West Ham, é uma péssima lembrança. Sem se adaptar ao estilo do clube londrino, mal entrou em campo e virou reserva. Protagonizou um infame acontecimento onde estava fazendo compras em um shopping, enquanto os Hammers estavam em campo. Dispensado, retornou ao Espanyol, onde continuou com a sua decadência.

Daí em diante era só derrota, diria o amigo @zenascimento. Acumulando insossas passagens por Stuttgart, Brescia, Dinamo Bucareste, Monaco e Créteil, Florin era assumidamente uma promessa que não vingou. De 1997 a 2004, viveu o mais puro ostracismo até se aposentar em divisões inferiores na França. Foi o fim de uma história que quase teve uma ressurreição. Como o quase não entra em campo, Raducioiu ficará sempre lembrado por ser um Desafortunado, como muitos outros que fracassaram em manter o sucesso.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Fomos campeões: Criciúma 1991

Foto: Click nos campeões
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

A história do Criciúma é dessas poucas em que times pequenos chegam à glória com algo de muito especial. No caso do Tigre, um treinador que já aprontava das suas em território nacional e a determinação em vencer todos os grandes desafios pela frente. Campeão da Copa do Brasil em 1991, os catarinenses foram o que podemos considerar de primeira zebra da competição, que anos depois viu o Juventude (1999), Santo André  (2004) e Paulista (2005) saírem vencedores e credenciados com a vaga na Libertadores da América.

Os méritos foram muitos daquele elenco que soube aproveitar as vantagens e desvantagens do regulamento. Bastante focado na disciplina, marca registrada das equipes treinadas por Luiz Felipe Scolari, o plantel era basicamente formado por atletas sem muito reconhecimento, mas que seguiam a mesma base de anos anteriores, sem grandes mudanças. O entrosamento falou alto nos momentos de tensão, ainda que o tricolor tenha terminado o torneio sem uma derrota sequer.

Até então treinado por Luís Gonzaga Milioli (saiu do cargo antes das oitavas), o negro-amarelo entrava em campo quase sempre na mesma formação: Marola (Alexandre), Sarandí, Vilmar, Itá, Roberto Cavalo, Grizzo, Zé Roberto, Gelson, Vanderlei, Jairo Lenzi e Soares. 

Tendo como primeiro adversário o quase anônimo Ubiratan-MS, o Tigre jogou para o gasto no Mato Grosso do Sul e voltou para Santa Catarina com um empate de 1-1 na bagagem. No Heriberto Hülse, goleada por 4-1 (gols de Evandro, Grizzo, Zé Roberto e Vanderlei), resultado até surpreendente para os padrões de Felipão. Ao fim, o que interessava foi alcançado: a vaga nas oitavas.

Jairo Lenzi, ponta esquerda do Criciúma, destaque na caminhada
até o caneco da Copa do Brasil de 1991 (Terceiro Tempo)

A chapa começou a esquentar já nas oitavas, quando ficou definido que o Atlético Mineiro viria pela frente. O Galo atropelou o Caiçara-PI e somou 12-0 no agregado, inclusive castigando os piauienses com 11-0 no Independência. Temendo passar pelo mesmo perrengue do que os nordestinos, Big Phil ofereceu aos atleticanos o seu cartão de visita: a retranca e a jogada em contra golpe. Com atuação segura no Sul, o Criciúma fez 1-0 com Cavalo e se deu por satisfeito.

Fora de casa, a cautela em relação à defensividade teria de ser redobrada. Dito e feito, mais uma vitória simples e o campeão brasileiro de 1971 era despachado do certame, graças ao gol de Vanderlei aos dez minutos da primeira etapa.

Ganhando moral após tirar o primeiro grande do caminho, o tricolor catarinense encontraria o Goiás de Wilson Goiano e Túlio nas quartas de final. Alçando grande voo, o grupo demonstrava grandes sinais de união e usavam esse elemento, que pesava mais do que o talento em determinadas oportunidades. Viajando à Goiânia para dar sequência no trabalho, os comandados de Scolari seguraram o 0-0 e a pressão esmeraldina. Deixando toda a decisão para o Heriberto Hülse, Jairo Lenzi e sua tropa não decepcionaram: três a zero, com gols do próprio Jairo, Gelson e Grizzo.

Xerifão Scolari acertou a mão no Criciúma, que ia derrubando os adversários,
um a um até a grande final contra o Grêmio (Estadão)
O calor do Pará prometia ser um obstáculo na passagem do Tigre até a grande final. Favorito no duelo contra o Remo, precisou apenas de um tempo, mais precisamente 43 minutos para vazar a defesa do Leão, com Soares. Percebendo o cansaço dos seus atletas, apesar da chuva que caiu pouco antes da partida, Felipão recuou os homens de frente. Administrando o triunfo, já estava com um pé na finalíssima diante do Grêmio, vencedor da edição 1989, a primeira Copa do Brasil.

Em seus domínios, não houve nenhum tipo de turbulência para o Criciúma sair de campo sem a classificação. Esbanjando tranquilidade e bom futebol, o tricolor contou com a infelicidade de Chico Monte Alegre aos 35 do primeiro tempo para desamarrar o sistema defensivo do Remo. Soares completou a contagem aos 14 da etapa complementar e Santa Catarina teria um representante direto na disputa de um título nacional. 

Invictos, os catarinenses pretendiam utilizar a mesma tática bem sucedida que fora usada contra o Atlético nas oitavas. Sabendo da força do Grêmio, e que o conto de fadas poderia desmoronar se não fossem tomadas precauções, Big Phil acreditou que haviam boas chances se explorasse o erro do adversário.

Dino Sani, comandante gremista, às vésperas da decisão (Clic RBS)
Jogando com o regulamento
No dia 30 de maio de 1991, a história começaria a ser escrita no Olímpico. O tricolor imortal de Dino Sani trazia no elenco o sagaz China, o ligeirinho Caio, os meias Norberto e João Antonio e o atacante Maurício. Certamente não foi nem de longe um dos grandes esquadrões que os gaúchos montaram, contudo, jamais se despreza a tradição. Os dois rivais ainda não haviam perdido na competição.

Um pouco mais ousado do que de costume, o Tigre chegava mais no ataque. A força excessiva em alguns lances ficou clara com a chegada do capitão Itá em China, que ficou alguns instantes rolando e com dores na lateral esquerda. A defesa catarinense resistiu à perigosos ataques gremistas e saiu na frente com Vilmar, em cruzamento de Jairo Lenzi no primeiro pau. O beque subiu de cabeça e testou forte, sem chance para Gomes.

Seria uma grande vitória fora de casa, não fosse Maurício empatar a parada, restando sete minutos para o apito final. Tirando a alegria dos visitantes antes do soar do gongo, o tricolor gaúcho se manteve vivo na disputa e precisava marcar no Heriberto Hülse para provocar uma disputa de penais. Até aí, a festa em Criciúma já estava armada, com ou sem a taça.

Felipão, ao lado de Roberto Cavalo e a taça da Copa do Brasil (Polidoro Jr)
18 meses sem sofrer uma derrota sequer em seus domínios era a credencial apresentada pelos donos da casa na segunda perna da finalíssima. Um domingo, dia 2 de maio de 1991 foi escolhido para a consagração de um time aguerrido e de seu treinador ranzinza. Aproveitando a vantagem no confronto, novo empate, só que sem gols garantiu ao clube do interior catarinense levantar o caneco daquela edição da Copa do Brasil. Depois da conquista, Felipão enfatizava que seu grupo era composto por jogadores do mesmo nível técnico e físico e que não contava com estrelas e sem elas, conseguiu ser campeão sem perder nenhum compromisso. 

Criciúma: Alexandre, Vilmar, Sarandí, Itá, Gelson, Altair, Roberto Cavalo, Grizzo, Zé Roberto, Jairo Lenzi e Soares.

Grêmio: Sidmar, Vilson, João Marcelo, Chiquinho, Hélcio, João Antonio, Norberto, Caio, Donizete Oliveira, Nando (Darci) e Maurício. 

Campanha: Seis vitórias, quatro empates, nenhuma derrota. 14 gols marcados, três sofridos.

Jogos:
Primeira fase
Ubiratan-MS 1-1 Criciúma
Criciúma 4-1 Ubiratan-MS

Oitavas de final
Criciúma 1-0 Atlético Mineiro
Atlético Mineiro 0-1 Criciúma

Quartas de final
Goiás 0-0 Criciúma
Criciúma 3-0 Goiás

Semifinal
Remo 0-1 Criciúma
Criciúma 2-0 Remo 

Final
30 de maio de 1991, Porto Alegre - Olímpico
Grêmio 1-1 Criciúma

2 de junho, Criciúma - Heriberto Hülse
Criciúma 0-0 Grêmio