terça-feira, 26 de julho de 2011

Desafortunados: Ebi Smolarek

Foto: Poland Soccer
Por Felipe Portes

Você deve ter de cabeça vários nomes de jogadores que apareceram como promessas, brilharam no início ou em determinado ponto de sua carreira, mas depois caíram no ostracismo das más atuações e da decadência profissional. Para não sermos completamente injustos com alguns destes nomes, nós da Total Football abrimos mais esta série de postagens sobre os Desafortunados do esporte. 

Começamos pelo polonês Ebi Smolarek, atacante que teve ótima fase no Borussia Dortmund até a metade da década passada, mas que degringolou e entrou em queda livre. Mas vamos pelo começo desta fábula:

Euzebiusz Smolarek, ou Ebi, como ficou conhecido, teve seu primeiro contato com o futebol nas categorias de base do Feyenoord. Chamou atenção pela sua velocidade e pela sua magreza, características pouco presentes em atacantes de sucesso. Filho de Wlodimierz Smolarek, famoso ponta polaco presente nas Copas de 1982 e 1986, Ebi também não tinha boa estatura, mas compensava com o faro de gols aguçado e sua movimentação intensa nas adjacências da grande área.

Jogou profissionalmente pela equipe holandesa até 2004, quando foi contratado pelo Dortmund, que vinha de uma das fases mais gloriosas de sua história. Foram quatro temporadas de empréstimo e a possibilidade de alinhar junto a jogadores renomados como Lars Ricken, Sebastian Kehl, Tomas Rosicky, Christian Wörns e o brasileiro Ewerthon. Ao todo, disputou 81 jogos pela agremiação germânica, fazendo 25 gols, o seu recorde. Contudo, ao fim da temporada 2006/07, suas atuações já não faziam mais frente àquele garoto entusiasmado que se divertia no Feyenoord. 

Vendido ao Racing Santander, amargaria uma zica homérica no pequenino clube espanhol. Falta de pontaria, passes errados e deslocamento tático fizeram com que Ebi jogasse por 34 vezes pelo Racing, deixando apenas quatro gols. Aquela média que impressionava nos seus tempos de juvenil na Holanda caía por terra. Visado pelo Bolton, foi novamente emprestado. No clube inglês, a sua inoperância foi determinante. 12 jogos e apenas um gol. "Que Smolarek trouxemos?" - pensaram os dirigentes dos Wanderers.

Sem espaço nenhum no cenário europeu, Ebi chegou com pompas de ex-astro que precisava recuperar a alegria de jogar futebol, no Kavala, da Grécia. Na temporada 2009-10 pouco fez pela equipe helênica, cavando sua aposentadoria por déficit técnico. Importante salientar que dos campeonatos disputados em sua carreira, o Gregão foi o que menos ofereceu desafio ao polonês, escancarando sua decadência. O engraçado é que Smolarek ainda tem 30 anos.

Para a temporada de 2010/11, a volta para casa. Contratado pelo Polonia Varszawa, nosso desafortunado de hoje adentrou os relvados em 23 partidas, balançando as redes em sete oportunidades. Com média de 0.30 gols por jogo em sua primeira experiência em times do seu país natal, pode ser que os tempos de tormenta estejam perto do fim. 

Figura importante para a seleção polonesa ainda nos dias de hoje, Smolarek tem 20 gols em 47 jogos por sua nação. Tendo participado da Copa de 2006 e da Euro 2008, seu sucesso internacional talvez seja uma das únicas coisas a se comemorar ao longo desses quase 11 anos de carreira.


domingo, 24 de julho de 2011

A volta dos que não foram


Por Felipe Portes

Foi uma tarde dentro do esperado no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. Um placar justo, um futebol eficiente e um título mais do que merecido. Uns fulanos podem sugerir que o Uruguai é um time limitado, outros dizem que é zebra não contar com Brasil ou Argentina na partida final. Não há uma verdade absoluta sobre o que significou esta vitória celeste além da atuação avassaladora frente os rivais paraguaios.

Se há o que lamentar tendo em vista o futebol bem praticado (entenda bons passes, marcação e estilo de jogo mais solto) é a presença do Paraguai na decisão. Os amigos leitores devem concordar que seria mais justo a brava Venezuela estar peleando com o Uruguai. Este que vos escreve defende o emergir de nomes pouco tradicionais no esporte, especialmente quando se tem muita paixão movendo um grupo de jogadores.

A Celeste não foi brilhante todo o tempo, é importante que se assuma isso. Lutou na primeira fase e com certa dificuldade obteve o ingresso para as quartas de final. No confronto contra os donos da casa foi possível se ver uma mescla do futebol cheio de vontade com algumas artes marciais mais obscuras. Que o diga Diego Pérez, expulso de campo ainda na primeira etapa do duelo. Excessos e carrinhos à parte, o clássico teve um resultado digno do que foi visto nos 120 minutos + pênaltis.

Especificamente na final desta Copa América, o Uruguai deu o seu melhor. Tanto na marcação quanto na precisão de seus homens de frente, que anotaram os tentos do triunfo derradeiro nesta edição. Suárez foi tão letal quanto nos seus bons dias de Ajax e Liverpool, Forlán esteve criativo e os demais desempenharam seu papel com maestria. Foi uma partida fácil, apesar dos ataques galoperos no início da etapa complementar. Além do bom posicionamento defensivo da Celeste, o atacante Zeballos não era muito qualificado para ameaçar o placar final.

Ao fim das contas, o que se pode fazer é comemorar mais uma glória uruguaia, como poucas da história recente e saudosa dos tempos dourados de Ghiggia, Schaffino e Maracanazo. Para que os cegos saibam que a América do Sul não vive só de Brasil e Argentina, Maradona e Pelé. Agora é hora de Forlán e Suárez, que tecem uma história belíssima a ser contada para nossos filhos e netos. O Uruguai representa um guerreiro gigante que retornou mesmo sem ter partido. Ou como dizia meu pai: a volta dos que não foram.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Intervalo: Chegamos ao fim

Por Dimayma Belloni

Cansei! Preciso desabafar, é melancólico admitir o fim de uma história de amor, mas as pessoas precisam saber como você me decepcionou. Esse romance começou bem cedo, na verdade nem lembro quando, ou como foi. Sei apenas que quando me dei conta, já estava completa e perdidamente apaixonada!

Pensava o tempo todo em você, dormia e acordava com vontade de te ver, fazia absurdos, saía por aí sozinha, gastava meu dinheiro... tudo por você. Não serei ingrata. Admito que durante muitos anos esse amor foi recíproco.

Você me deu tantas alegrias! Me arrepio só de pensar em cada momento nosso de felicidade, em como você me deixava extasiada, por vezes até mesmo exausta, mas eu adorava tudo aquilo. Enfrentei chuva, sol, ficava em pé e sem comer por horas só pra te ver mais de perto. Tudo era festa! Era um tesão delicioso! Mas aí, o tempo passou e não sei explicar o que aconteceu com a gente.

Não sei se amadureci demais e as coisas acabaram perdendo o encanto, ou se fiquei intolerante e passei a não admitir mais seus erros... Sei que é triste, e como diz aquele samba, “chegamos ao fim/tá doendo sim...”

Hoje em dia, por mais que eu me esforce na tentativa de manter nossa relação, não rola mais. Ao seu lado, as horas se arrastam, tudo é chato, monótono e previsível. Eu não consigo. 

Fico te olhando e chega a doer ver em no que se transformou. Você ficou ganancioso e arrogante, só quer saber de ganhar dinheiro e acha que é melhor que todo mundo. Cadê aquela magia, aquela paixão? O que aconteceu com sua vontade de brincar na chuva, de sair por aí divertindo as pessoas? Seu jeito malandro, maroto, moleque... era tão mais charmoso do que esse ar empreendedor que você vestiu.

E agora, pergunto: o que vai ser da gente? Como vamos ficar daqui pra frente? Você vai deixar que eu continue por aí me distraindo com outros? Como eu queria que nos entendêssemos, que tudo voltasse a ser como era antes e você, Futebol, voltasse a ser o grande amor da minha vida.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Craques: Marc Wilmots

Ídolo na seleção belga e no Vale do Ruhr, Wilmots foi fundamental para o Schalke nos anos 1990 (Welt.de)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Meia atacante explosivo, Marc Wilmots marcou uma geração na seleção belga. Apelidado de "O touro de Dongelberg", em razão de sua força e velocidade, Marc passeou em clubes do seu país até o ano de 1996, quando chegou ao Schalke 04. Suas passagens pelo Sint-Truiden, Mechelen e Standard Liège (o último e mais memorável escudo que defendera em território belga) confirmaram o que o torcedor já sentia: ele foi o jogador mais importante de sua geração. 

Convocado pela Bélgica desde 1990, Wilmots participou de quatro Mundiais e uma Euro (2000) pela sua pátria, tendo marcado cinco gols e se consolidado como maior artilheiro da seleção em Copas. Os aficcionados devem se lembrar do maravilhoso gol de bicicleta contra o Japão na primeira fase da edição de 2002, num empate em 2-2. 

Com facilidade para transitar entre a meia cancha e o ataque, Marc teve seu auge técnico nos anos de Standard, onde disputou 136 partidas e marcou 67 gols. Recapitulando sua carreira, o ano de 1997, já em Gelsenkirschen trouxe a maior glória para o atleta. Ao lado de jogadores como Jens Lehmann, Thomas Linke, Olaf Thon e Andreas Müller, Wilmots foi fundamental na campanha vitoriosa da Copa Uefa 1996-97. 

Na primeira partida da final, contra a Internazionale, o belga balançou as redes protegidas pelo mito Gianluca Pagliuca aos '70, na Veltins Arena. Com 1-0 e a vantagem para o duelo do Giuseppe Meazza, os alemães foram derrotados em território inimigo pelo mesmo placar, gol de Zamorano, aos '84. A decisão foi para as penalidades, onde Wilmots cobrou a quarta e última cobrança. O tento de maior importância em sua carreira. 

A estadia no clube germânico perdurou até 2000, quando seguiu viagem para o Bordeaux. Em 30 partidas, apenas oito gols marcados e a sensação de ter perdido algo pelo caminho. Wilmots voltaria para o Schalke e disputaria duas temporadas, sem muita sequência e gols. Entretanto, ainda é um dos jogadores favoritos da torcida azul-real, que dirá dos fanáticos de seu país. 

Atualmente, trabalha como auxiliar técnico da seleção da Bélgica, em trabalho conjunto com Georges Leekens. Extremamente técnico, explosivo e bom finalizador, Wilmots é um retrato do futebol de vontade, de batalha. Para finalizar, confira uma compilação de ótimos lances do belga.

domingo, 17 de julho de 2011

Jogamos como sempre, perdemos como nunca

Vargas: força decisiva dentro do plantel peruano

Por Rodolfo Zavati

É adaptando o célebre mote mexicano de fracassos futebolísticos que podemos ter uma noção do que representou Colômbia x Peru para os cafeteros.

Antes de falar da partida, faremos uma pequena viagem no tempo. Mais especificamente para 1990, Copa da Itália. A seleção de Valderrama avança para as oitavas de final do Mundial, conseguindo a classificação num grupo difícil, que contava com Alemanha e Iugoslávia. No primeiro mata-mata, um duelo "acessível" contra a sensação Camarões. O placar em branco no tempo normal levou a partida para a prorrogação. E foi no tempo extra que ruiu o sonho colombiano de chegar pela primeira vez entre as oito melhores seleções do mundo. Numa das falhas mais bizarras da história das Copas, o goleiro René Higuita perdeu a bola para Roger Milla enquanto tentava driblar o atacante. A Colômbia ainda descontou, mas o gol camaronês foi um balde de água fria.

De volta ao presente para o Colômbia x Peru de ontem, em Córdoba. A partida que valia uma vaga nas semifinais da Copa América de 2011 foi exatamente o que se imaginava. Peruanos fechados, apostando no contra-ataque, aguardando o erro do adversário. Colombianos passando a sensação de estarem sempre mais perto do gol.

Em momento algum o Peru foi dominado, é verdade. Mas, mesmo sem ser incisiva, a Colômbia controlava o jogo, imprimindo sua habitual escola de toque e valorização da posse de bola. O primeiro tempo, morno, terminou 0-0. Na segunda etapa, o sumido Guarín entrou no jogo e o volume colombiano aumentou, com direito a bola na trave. Ao Peru, restava assustar com chutes de fora da área.

Aos 20 minutos, lance capital: pênalti para a Colômbia. A vitória estava nunca esteve tão próxima. Na cobrança, contudo, Radamel Falcão García desperdiçou a chance de possivelmente liquidar a fatura. E poucos minutos depois, o mesmo Falcão, abatido, furou na hora de completar ótima jogada de Dayro Moreno. Nos acréscimos, as traves peruanas tremeram novamente, em bomba de Guarín que explodiu no travessão.

O fim do tempo regulamentar e o desânimo pelo gol que não saiu derrubou o time de Hernán Darío Gómez. Apáticos, apenas assistiram Juan Manuel Vargas e Paolo Guerrero tomarem conta da partida (conforme nós da TF cantamos a bola no dia anterior). E foi após um cruzamento do ala da Fiorentina que o goleiro Neco Martínez saiu mal, permitindo a Lobatón abrir a contagem. Gómez promoveu alterações e a Colômbia partiu para a tentativa do empate, num improvável 4-1-1-4. No entanto, em novo erro de Martínez, Vargas fechou o caixão colombiano.

Para a Colômbia, fica a lição que vem sendo dada ao time há, no mínimo, vinte anos: a habilidade diferenciada dos jogadores do país não é suficiente na hora de um jogo eliminatório, em que muitas vezes a disposição supera a qualidade técnica. Falta à seleção colombiana o "algo a mais" que sobrou ao Once Caldas, último clube local a vencer a Taça Libertadores.

Do lado peruano, prêmio para um time frio, que soube aguardar pacientemente pela falha do adversário para dar o bote. E festa pela primeira classificação para as semifinais da Copa América em 14 anos.

Banzai!

Seleção japonesa comemora seu inédito título nacional (GloboEsporte.com)
Por Felipe Portes

Foi um jogo épico entre EUA x Japão. No estádio de Frankfurt, as damas americanas tentaram o tri perante as destemidas nipônicas que deixaram Alemanha e Suécia pelo caminho. Assim como na peleja yankee contra o Brasil, a decisão foi para as grandes penalidades, onde seriam separadas as meninas das mulheres. 

O primeiro tempo reservou a sensação de "quase" para a torcida estadunidense, com ótimas chances de Wambach e Rapinoe. O Japão contra atacava com Ono e Anda, que testavam a defesa americana composta por Rampone e Buehler. Lloyd apareceu por algumas vezes, sempre chutando forte para o gol. Ainda para ser testada, a goleira japonesa Kaihori não acertava suas saídas, assustando a torcida de seu país.

Logo na volta do intervalo, vimos uma atuação decisiva dos EUA, que deixou a ansiedade de lado e colocou a bola no chão. Eis que aos '22, Morgan dominou e disparou no ataque, e ao entrar na área japonesa bateu no canto, com perfeição. 1 a 0. Aos poucos, as nipônicas nivelavam o jogo e se lançando à frente, sem medo da imponente esquadra yankee. A capitã Sawa, que estava de certa forma desaparecida em campo, começava a ter seus primeiros lampejos.

Miyama empatou a final aos '35. Em grande bobagem de Rampone e Krieger, que trabalharam juntas para o bem da nação japonesa, entregaram de bandeja para a camisa 8 adversária. 1 a 1, sem chances para Hope Solo. Com um duelo absolutamente equilibrado e aberto, fomos para mais 30 minutos de jogo. As americanas, já acostumadas com a tensão do tempo extra, pareciam mais confiantes. 

O cansaço prevaleceu sobre as jogadoras. De tal forma que Maruyama, reserva que substituiu a veloz Ando na segunda etapa, foi trocada por Iwabuchi quando se aproximava o fim da etapa derradeira na prorrogação. Aos '13, Wambach mostrou a que veio e cabeceou com muita força a bola em cruzamento de Rapinoe. Nada melhor do que um gol antes da última pausa. Contudo, bobo é quem pensa que as japonesas se entregaram em algum momento.

Foi com muita insistência (e algumas falhas de Rampone e Buehler) que o Japão chegou ao empate. Restando três, eu disse TRÊS minutos para o fim da jogatina, Sawa, a capitã nipônica que buscava seu espaço deixa tudo igual, de calcanhar. Foi uma ducha de água fria nas belas americanas que já ensaiavam o coro de tri campeãs mundiais na modalidade. 

Impossível não associar os acontecimentos seguintes ao jogo do domingo passado, entre Brasil x EUA. Como os amigos leitores bem sabem, Wambach igualou o marcador no penúltimo minuto da prorrogação. E assim se fez na máxima do "o feitiço se virou contra o feiticeiro". Nas penalidades, Boxx, Lloyd e Heath perderam, com a arqueira Kaihori assumiu o posto de heroína ao defender a terceira cobrança. Pelo Japão, Miyama e Sakaguchi converteram. Wambach cobrou bem e acertou o ângulo, mas nada pode fazer no chute que viria a seguir, quando Kumagai deu o título ao seu país. 

Enfatizando o que foi dito lá em cima, as japonesas derrubaram a bi-campeã Alemanha e a perigosa Suécia nesta caminhada até a final. Se o futebol masculino já é em si repleto de surpresas e viradas de jogo, porque é que o feminino, infinitamente mais gracioso não haveria de ter das suas? 

Japão campeão inédito do Mundial Feminino.

De qualquer forma a justiça seria feita

Dia inusitado para os uruguaios: Muslera salvou a pátria contra a Argentina (Globo Esporte.com)
Por Felipe Portes

Sempre que as bandeiras de Argentina e Uruguai entram em campo, o mínimo da garra apresentada gera faíscas, fogueiras e fora do sentido metafórico, alguns hematomas. Uma única palavra define a partida de ontem pelas quartas de final da Copa América: vontade. Ainda perdida com seu sistema tático, a Argentina vestia a camisa 10 em campo. O Uruguai, por sua vez, não descansava na marcação e conseguiu seu gol numa falha defensiva de seu oponente.

A cidade de Santa Fé via mais um capítulo deste clássico tão charmoso da América do Sul, onde não vimos albiceleste e nem a própria celeste olímpica, visto que as duas seleções adentraram o gramado com seus uniformes alternativos (a Argentina de azul marinho/branco e o Uruguai de branco/preto). Capítulo este que lembrava um filme de guerra, com seus jogadores lutando por cada espaço no campo. O mais bravo (qualquer um dos sentidos é válido na compreensão) foi Diego Pérez, que abriu o placar para os uruguaios logo aos cinco minutos. O volante cometeu quatro faltas e na última sobre Gago recebeu o cartão vermelho, pouco antes do intervalo. 

Solada pra cá, carrinho pra lá, Messi achou espaço por entre a defesa adversária e cruzou para Higuaín testar contra Muslera, que caiu tarde demais na bola para evitar o empate dos donos da casa. A peleja seguiu com uma pitada de violência até os minutos finais. 

Além da situação tensa para as torcidas, tivemos dois gols anulados no primeiro tempo. Aos 30, Messi bate com perfeição uma falta e joga novamente na testa de Higuaín, que guardou mais um. Em posição de impedimento, Gonzalo imediatamente olhou para o auxiliar que levantava sua bandeira. Nem fez questão de reclamar. 

Como bom adversário, não demorou muito para o Uruguai dar o troco na mesma moeda. Lugano (em uma das trezentas cabeçadas ao gol que tentou) acertou a trave de Romero e no rebote, Cáceres balançou as redes argentinas. Mas lá estavam os bandeirinhas para impedir que o placar saísse do empate.

Foi um grande duelo, de qualquer forma. Ao final do segundo tempo, que foi um tanto quanto morno, comparado ao restante do confronto, o Uruguai viu um milagre ser realizado. Muslera fez defesas importantíssimas nos minutos derradeiros, como nunca havia feito em toda a sua carreira. (Que isso não soe como uma crítica severa, mas o goleiro é mediano)

Preservado o empate entre os rivais, tivemos 30 minutos de prorrogação que não serviram para outra coisa a não ser deixar os pobres torcedores mais tensos e sujeitos à ataques cardíacos. Messi fez a jogada mais perigosa do tempo extra, driblando a marcação mas sem conseguir o chute, esbarrando no arqueiro uruguaio. 

Nos pênaltis, muitas cobranças boas por parte das estrelas, exceto Tévez, que ingressou na etapa complementar da partida, depois de vários pedidos da torcida. O quase corintiano (transferência pode pintar nos próximos dias) bateu mal e Muslera pegou. E no final, de qualquer forma a justiça seria feita. Seja pelo bom futebol dos uruguaios ao longo da competição ou o despertar dos argentinos.

Na semifinal, o Uruguai encara o Peru na terça-feira, em La Plata. 

Confira em Tempo Real a final do Mundial Feminino! EUA x Japão

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Mais um vôo de Falcão?

Radamel Falcão, o astro da perigosa seleção colombiana

Por Rodolfo Zavati

Colômbia e Peru é, de certa forma, um confronto inesperado. Embora a classificação colombiana, numa chave que contava com Costa Rica e Bolívia, fosse esperada, poucos apostariam que o time de Hernán Darío Gómez superaria a Argentina em pontos e terminaria na dianteira do grupo A. E não pára por aí: os colombianos fizeram a melhor campanha da primeira fase e ainda não sofreram nenhum gol na competição.

Do lado peruano, não se pode considerar que a classificação como o segundo melhor terceiro colocado tenha sido uma zebra. Surpreende, entretanto, os bons jogos realizados pelo time, que empatou com o Uruguai e só perdeu do Chile com um gol nos acréscimos - mesmo jogando com um time misto. O trabalho do técnico Sergio "El Brujo" Markarián começa a render frutos. Markarián, uruguaio de 66 anos que teve passagens de sucesso por clubes de Paraguai, Chile e do próprio Peru, tenta repetir a boa passagem que teve pela seleção paraguaia - que treinou entre 1999 e 2002.

O ponto forte dos colombianos é a já citada defesa invicta. O quarteto Zuñiga (Napoli), Yepes (Milan), Perea (Atlético de Madrid) e Armero (Udinese) faz ótima Copa América. Na frente, porém, a deficiência na finalização faz o time perder chances demais. O incrível gol desperdiçado por Dayro Moreno contra a Argentina, por exemplo, custou a vitória colombiana. O alento ofensivo é Radamel Falcão García, um dos melhores atacantes da última temporada européia. Na mira do Chelsea, o artilheiro do Porto desencantou na última partida da primeira fase, marcando duas vezes em cima da Bolívia.

O Peru depende especialmente da atuação de dois jogadores: o ala José Vargas (da Fiorentina) e o centroavante Paolo Guerrero (do Hamburgo). As jogadas pelo lado esquerdo feitas pelo capitão Vargas são a principal arma ofensiva peruana. Na área, o rápido e oportunista Guerrero espera qualquer vacilo da zaga adversária para balançar as redes. Em bom momento, foram dele os dois gols peruanos na Copa América até o momento.

Em tese, o favoritismo é da Colômbia. Porém, deverá ser um jogo mais equilibrado do que se espera, em que a ineficiência do ataque colombiano poderá custar a classificação.

Colômbia x Peru
Estádio Mario Kempes, Córdoba
16/07, 16:00

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Chegou a hora das samurais?

Nipônicas derrubaram Alemanha e Suécia, serão os EUA a próxima e última vítima? (FIFA)
Por Caio Dellagiustina

Depois de muito tempo se aprimorando no futebol masculino, o Japão parece ter descoberto seus talentos no futebol feminino. Isso porque a seleção japonesa está na final da Copa do Mundo, realizada na Alemanha. Para encarar as americanas, as japonesas derrotaram as favoritas Alemanha e Suécia sempre mostrando bom futebol.

Contra a Suécia, o time japonês não se assustou, mesmo depois de ter saído atrás do marcador. Virou com propriedade o jogo e consolidou o placar com um belo gol por cobertura.

Já as americanas...ahh, as americanas. Com um belíssimo time em todos os sentidos mostraram o quão competitivas podem ser. Depois de terem ido mal na primeira fase, o time americano já eliminou Brasil e agora na semifinal, eliminou a França.

A França que vinha pouco cotada no início do torneio, eliminou Inglaterra, tirou da Alemanha a vaga olímpica e chegou na semifinal contra os Estados Unidos que ainda capengavam na competição. Porém, desde o início as americanas foram superiores. O gol de Bompastor, para a França foi apenas um lapso. Nada que pudesse tirar a vaga dos Estados Unidos, que no final venceram por 3 a 1.

Agora, Estados Unidos e Japão farão um duelo para ver qual a melhor seleção feminina. Na teoria, as americanas são melhores, mas as samurais já provaram nessa competição que ainda darão muito o que falar.

A final acontece no próximo domingo, dia 17, às 15:45 em Frankfurt. 

Olha a laranja, olha a laranja! (3)

Inler, em sua apresentação no Napoli: extravagância é pouco (GloboEsporte.com)

Por Victor Hugo Torres

Capitão da Suíça acerta com o Napoli

Visando reforçar o elenco para a disputa da próxima Liga dos Campeões, o Napoli apresentou o meio-campista Gökhan Inler, ex-Udinese. Após ótima temporada pelos zebrette, o clube que Maradona brilhou pagou pelo meia de 27 anos cerca de 12 milhões de euros num contrato de cinco temporadas. Dessa forma, o suíço -de origem turca- vai formar um meio de campo interessante juntamente com Marek Hamsik, e os recém contratados Daniele Mannini, Marco Donadel e Mario Santana.

Logo em sua apresentação, Inler “causou” ao entrar na sala de entrevistas do clube ao lado do presidente napolitano Aurelio de Laurentiis, vestindo uma máscara de leão (foto). Na verdade tudo não passou de uma brincadeira dos partenopei, que apelidaram seu novo astro de “Guerreiro de Nápoles”.

Riise regressa a Terra da Rainha

Dividida entre irmãos na partida Roma x Fulham: Irmãos Riise juntos novamente (UEFA)
O lateral esquerdo de chutes potentes John Arne Riise voltará a jogar a Premier League. O norueguês assinou contrato com o Fulham, válido até 2014. O valor da transferência não foi revelado. Riise que passou os últimos três anos defendendo a Roma, já havia tido uma passagem pela Inglaterra de 2001 a 2008 atuando pelo Liverpool, sendo um dos destaques dos Reds na conquista do titulo da Liga dos Campeões 2004-05.

Um dos atrativos para que o jogador de 30 anos aceitasse a proposta do clube londrino, foi que seu irmão mais novo Bjørn Helge Riise, já atua pelos cottagers. Com isso, tudo estará em familia pelos lados de Craven Cottage, na temporada 2011-2012.

Mais um garoto para Wenger: Gervinho é do Arsenal

Gervinho chega para brigar pela posição... de cabelo
mais medonho do Arsenal (Promesas del futbol mundial)
Nesta segunda feira, o Arsenal anunciou que Gervinho é o seu primeiro reforço para a temporada que se inicia. O marfinense, que na ultima temporada foi Campeão francês e da Copa da França pelo Lille, anotando 15 gols em 40 jogos reforçará o ataque dos Gunners, que constantemente sofre com desfalques.

A transferência, segundo a imprensa britânica, custou 13,5 milhões de euros aos cofres do clube londrino. O atacante de 24 anos não fará a pré-temporada com o restante do grupo, ficando na Inglaterra até recuperar sua melhor forma física.

Se Gervinho terá sucesso com a camisa do Arsenal, isso não podemos garantir. Contudo, podemos ter certeza que vai ser um rival à altura de Bacary Sagna para o posto de penteado mais excêntrico do elenco de Arsène Wenger.


Boateng deixa o City e ruma para o Bayern Munique

Grandalhão Boateng volta a Alemanha, desta vez para o Bayern (Terra)
Após contratar os badalados Manuel Neuer e Rafinha o Bayern fechou a contratação do defensor Jerome Boateng por 13,5 milhões de euros. O ex-jogador do Manchester City já deixou Los Angeles onde fazia pré-temporada com seu antigo clube e viajou para Munique, onde fará exame médicos antes de assinar contrato até 2015. Boateng é o oitavo jogador da seleção alemã no elenco bávaro, que na próxima temporada vai receber a final da LC em seu estádio, a Allianz Arena.


Parem as máquinas ! Djibril Cissé é da Lazio


Foto: Esporte Na Tela
 A Lazio terá uma poderosa dupla de ataque para a próxima temporada. Após trazer o artilheiro da Copa de 2006 Miroslav Klose, o clube romano apresentou nesta semana o atacante Djibril Cissé, comprado por 6 milhões de euros. Com um contrato de quatro anos, o marrento francês de 29 anos -recebido com festa pela torcida laziale- aos holofotes do futebol europeu, depois de passar dois anos escondido no futebol grego, no Panathinaikos.


Sánchez vai para o Barça, segundo jornais espanhóis



Alexis Sánchez, uma das grandes sensações do ultimo Campeonato Italiano, deve estar fechando com o Barcelona. Jornais espanhóis afirmam que o presidente da Udinese acertou a venda do atacante chileno por 40 milhões de euros, num contrato de 5 anos. Também há a possibilidade dos catalães cederem Jeffrén Suárez para o clube italiano.

Concluída a negociação, o atual campeão europeu volta as suas atenções para repatriar Cesc Fàbregas, grande sonho de consumo barcelonista nos últimos anos tornando sua equipe ainda mais forte.

Brasil segue roteiro de suspense contra o Equador e avança às quartas

Pato e Neymar fizeram a diferença contra o Equador,
apesar de Caicedo e Júlio César (GloboEsporte.com)
Por Felipe Portes

Não há quem convença o torcedor mais atento que esta última atuação brasileira contra o Equador foi algo brilhante, digno dos anos mais dourados da camisa amarelinha no futebol. A mídia pacheca insiste em exaltar o placar de 4-2 como efeito colateral do pragmatismo, do jornalismo de resultado praticado neste país desde a chegada de Dunga ao comando da equipe nacional.

Mas se há algo a se preocupar para as próximas partidas é a inconsistência do setor defensivo -com ressalvas para Júlio César- que foi vazado por quatro vezes nas últimas duas rodadas. O duelo contra o Paraguai ainda tem o desconto de que Roque Santa Cruz e sua turma têm crescido no esporte na última década, o que por si não é nenhuma mentira ou exagero. Entretanto, de Paraguai para o frágil Equador há muita diferença, um abismo, um oceano inteiro. 

As comparações com a campanha argentina acontecem a todo instante. Uma hora a Argentina é menosprezada por ter vencido a inexperiente Costa Rica, outra hora o Brasil conseguiu retomar seu melhor futebol. Exageros e parcialidades à parte, as duas equipes tiveram certa dificuldade para abater o nervosismo na primeira etapa de seus desafios nesta derradeira jornada na Copa América. A albiceleste conseguiu seu primeiro tento com Agüero apenas no último minuto do primeiro tempo. O Brasil foi para o intervalo empatando em 1-1 e com falha fragorosa de Júlio César. 

Durante o segundo tempo, a maioria dos cronistas esportivos apontam que o meio campo brasileiro passou a funcionar. Uma verdade das mais discretas, dado o fato que a horrenda atuação dos homens de retaguarda quase comprometeu o restante da formação. O Brasil foi mesmo melhor, principalmente nos vinte minutos finais, o que não deve ficar como sucesso absoluto tendo em vista o contexto em que a partida estava inserida.

Neymar e Pato funcionaram e deixaram dois gols cada. Muito se falou sobre Robinho (mais do penteado do que o jogador, propriamente dito) e Ganso (continua objetivo e de certa forma reticente) como as forças decisivas deste selecionado de Mano Menezes. Ao menos Filipe Caicedo não entrará em campo contra os canarinhos na próxima partida, para alívio de muitos. Mas o traiçoeiro Paraguai pode trazer um jogo diferente e mais maduro que este Equador. 

A esperança para o torcedor brasileiro é que o velho clichê do "camisa pesa nos grandes jogos" se faça valer nas próximas fases desta competição. Por outro lado, futebol é 11 contra 11, bola e um extenso gramado, não só fantasias e superstições. 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Fomos campeões: PSV Eindhoven 1987-88


Atletas do PSV levantam a taça após final dramática contra o Benfica (UEFA)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

É sempre bom ter um campeão inédito, em qualquer competição que seja. A edição de 1987/88 da Liga dos Campeões viu o PSV Eindhoven erguer o caneco mais desejado da Europa em cima do Benfica, no Neckar Stadion, em Stuttgart. Se você tem simpatia por equipes "copeiras" ou "sofridas", este selecionado holandês certamente contará com a sua simpatia. Saiba as razões e algumas curiosidades sobre o grande vencedor da LC em 1988.

Elenco sem grandes estrelas

Ao se ter uma olhadela nos atletas que compuseram o PSV naquela gloriosa temporada, podemos notar que não era um plantel recheado de grandes nomes estelares. Fato é que mesmo na condição de "azarão" na caminhada até a final, o pavilhão de Eindhoven trazia consigo cinco atletas que integraram a Holanda da Euro-88. Hans Van Breukelen, Ronald Koeman, Gerald Vanenburg, Berry Van Aerle e Wim Kieft foram peças fundamentais no título do torneio de seleções, e apenas Kieft não foi titular na grande decisão contra a União Soviética (2-0 para a Laranja Mecânica, gols de Marco Van Basten e Ruud Gullit).

Além dos jogadores holandeses, chamavam a atenção os dinamarqueses Frank Arnesen (hoje dirigente do Hamburgo, responsável pela contratação de Ronaldo junto ao PSV em 1994), Soren Lerby e Jan Heintze, e Eric Gerets, importante meia belga das décadas de 1980/90. 

Os passos até a conquista

Até 1993, era preciso ser campeão nacional para se obter uma vaga na LC. Com o título doméstico de 1986/87, o PSV entrou como um dos clubes do pelotão intermediário, longe de Real Madrid, Bayern, Porto e Steaua Bucareste (campeão dois anos antes). Para que se tenha uma idéia da dificuldade, veja os oito que chegaram a fase de quartas de final: Benfica, Bordeaux, Anderlecht, Real Madrid, Bayern, Steaua, Rangers e o próprio PSV.

Na vitoriosa trajetória da Eredivisie, os rapazes de Eindhoven bateram o Ajax pela diferença de seis pontos (59 a 53) e a marca invejável de 99 gols em 34 jogos, com média de 2.91 gols por partida. Os duelos contra o rival de Amsterdã na liga foram complicados. Uma derrota por 3-0 e o troco no segundo turno, com triunfo simples, 1-0. Ao longo do certame, foram muitos os placares elásticos como o 7-0 sobre o Excelsior (R17), 6-1 Groningen e Den Bosch (R13 e 27 respectivamente) e as duas saraivadas no Den Haag (6-2 na rodada 16 e 7-3 na rodada 33). Não só foi o melhor ataque da época, como também se sagrou a melhor defesa, sofrendo apenas 21 tentos. 

Já valendo pela LC, o PSV encarou o Galatasaray de Didier Six, Fatih Terim, Bulent Korkmaz e Zoran Simovic na primeira rodada. Uma vitória no Philips Stadion por 3-0 praticamente selou o avanço para as oitavas, não fosse a derrota em Istanbul por 2-0, que os holandeses seguraram até o limite para evitarem as penalidades. 

O próximo adversário foi o Rapid Viena, que contava com Andreas Herzog, lendário meia austríaco. Com dificuldades, o Eindhoven perdeu a primeira mão do combate em Viena, por 2-1. A superioridade do plantel holandês fez valer na volta, onde o PSV bateu o alviverde vienense por 2-0. (Importante lembrar que ainda nesta temporada vigorava outra fórmula de disputa da LC. Todas as fases eram eliminatórias até o ano de 1993, quando foi instituída a nova Champions)

Na fase de quartas de final, nossos protagonistas tiveram de encarar o Bordeaux de Jean Tigana, Jean-Marc Ferreri, René Girard e treinados por Aimée Jacquet. Páreo duríssimo para o PSV, que empatou em território inimigo por 1-1 e segurou mais um empate -desta vez sem gols- na Holanda para assegurar a passagem para as semis. 

O grande desafio

A semifinal colocou o Real Madrid ante o PSV, numa fase não tão áurea da equipe espanhola, como se viu no passado ou até mesmo na década seguinte, na famosa "Era Raúl". Ainda sim, Camacho, Sanchís, Milan Jankovic, Martin Vázquez, Michel, Gordillo, Gallego, Santillana, Hugo Sánchez, Jorge Valdano e a lenda Emilio Butragueño dominavam a Espanha. 

O roteiro para os dois embates foi escrito pelo mesmo autor. Um autor de drama, de suspense, daqueles de te fazer ficar com frio na barriga e imaginando o que acontecerá a seguir. Mais uma vez a estratégia do "esforço mínimo" permitiu ao Eindhoven deixar o adversário para trás. 1-1 no Santiago Bernabéu e 0-0 no Philips Stadion: PSV pela primeira vez numa final de LC. 

Por fim, os encarnados

Vencedor do outro duelo da semifinal, o Benfica passou pelo Steaua e tinha a chance de conquistar por mais uma vez a taça desta competição. A história dos Encarnados em disputas internacionais é no mínimo curiosa. Dizem as lendas da bola que o mítico treinador Béla Guttmann, descobridor do talento de Eusébio e multi campeão nacional no comando das águias, amaldiçoou o clube em sua saída conturbada no ano de 1962. O folclore em torno desta maldição dá conta de que Guttmann pediu um aumento à diretoria, mas não foi atendido. Como resposta, o húngaro profetizou: Nem daqui a 100 anos o Benfica conseguirá vencer uma Copa Européia!

O mais engraçado é que depois da praga de Béla, os lisboetas ainda foram à final por cinco oportunidades. A última delas em 1990, disputada em Viena, terminou em vitória do Milan. Corre também o relato de que Eusébio teria comparecido ao túmulo de seu ex-treinador antes da peleja frente os italianos para pedir que o feitiço fosse desfeito. Vivo estivesse, dificilmente negaria ao pupilo este pedido. Mas como todos bem sabem, um jazigo não pode fazer nada por quem está na superfície.

Quis o destino (e Guttmann) que mais um insucesso benfiquista fosse perpetuado nas páginas do futebol europeu. Como o PSV também não foi brilhante em nenhum momento da disputa da LC, o óbvio seria mais um empate. Choque do time que não ganha contra o que não pode ganhar, por motivos de força maior.

E assim foi, um 0-0 nervoso e que refletia os dois complexos citados no parágrafo acima. Ficamos então com as penalidades para definir qual dos dois combatentes deixaria o relvado com a taça devidamente personalizada com as tradicionais faixas coloridas, de acordo com o uniforme do vencedor. 

Com um desesperador 6-5, os holandeses ergueram o caneco pela primeira vez em sua história, deixando o Benfica e o seu feitiço a ver navios. Os portugueses seguem até os dias atuais sem vencer novamente a sua tão venerada copa européia. Já o PSV, também passa longe de repetir o feito, mesmo conquistando bom número de Eredivisies nos últimos anos. 

PSV: Van Breukelen, Van Aerle, Heintze, R. Koeman, Nielsen, Gerets, Vanenburg, Linskens, Lerby, Jannsen (Gillhaus) e Kieft.

Benfica: Silvino, Antônio Veloso, Mozer, Dito, Álvaro, Shéu, Elzo, Pacheco, Chiquinho, Magnusson (Hajry) e Rui Águas (Wando).

Jogos:
Primeira Rodada
PSV 3-0 Galatasaray
Galatasaray 2-0 PSV

Primeira Rodada
Rapid Viena 1-2 PSV
PSV 2-0 Rapid Viena

Quartas de final
Bordeaux 1-1 PSV
PSV 0-0 Bordeaux

Semifinal
Real Madrid 1-1 PSV
PSV 0-0 Real Madrid

Final - 25 de maio de 1988, Stuttgart
PSV 0-0 Benfica (6-5 pênaltis)


Uruguai vence no aperto e enfrenta Argentina no sábado

Uruguaios fazem festa com gol salvador contra o México:
Agora a Argentina vem pela frente (GloboEsporte.com)
Por Caio Dellagiustina

Credenciado como um dos grandes favoritos ao lado de Argentina e Brasil e decepcionado como ambos nos dois primeiros jogos, o Uruguai suou... mas venceu os jovens mexicanos por 1 a 0 e avançou para a próxima fase.

Com um gol solitário de Álvaro Pereira ainda no primeiro tempo, os uruguaios tiveram todo o jogo para ampliar o marcador, mas as finalizações eram deploráveis. Forlán, grande astro celeste não conseguia acertar um chute e perdeu diversas chances de gol. Pelo menos armou as jogadas do time, assim como fez na Copa do Mundo.

Sem poder contar com Cavani e Godín machucados, coube a Coates, jogador preterido pelo São Paulo compor a zaga com Lugano e a Cristian Rodriguez subir mais para o ataque, deixando Forlán mais avançado ao lado de Suárez.

Logo no início já foi possível ver uma mudança de postura no time Oscar Tabarez. Mais ofensivo, chegou ao gol logo aos 14 minutos. As chances persistiram, mas a incapacidade de marcar deu o tom do que seria o segundo tempo.

Cadenciando mais o jogo, os uruguaios atacaram pouco na segunda metade de jogo. Os mexicanos, sem nada a perder começaram a se lançar ao ataque, dando sustos no goleiro Muslera que por si só já causa um frio na espinha dos torcedores a cada bola que chega ao gol. Aos 42 minutos o México marcou com Rafa Márquez, (não é aquele ex-Barcelona, mas é tão ruim quanto) porém para a sorte do Uruguai, o bandeirinha boliviano acusou impedimento.

Agora a Celeste enfrenta a arqui-rival Argentina nas quartas de finais. O jogo será no próximo sábado em Santa Fé. E fé é o que os dois times precisarão ter pois com o futebol que vem jogando eles tem sorte que pelo menos um passa...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Argentina acorda e evita vexame doméstico

Segunda-feira da Copa América viu show de Messi e Aguero, numa partida
incrivelmente tensa na primeira etapa. (ESPN)
Por Felipe Portes

Não adiantou o famoso "corneteiro" secar a albiceleste. Por mais que a torcida anti-Argentina tivesse ganho força neste início tenebroso de Copa América, os jogadores fizeram a sua parte contra a surpreendente Costa Rica sub-23. Com dois gols de Agüero e um de Di Maria, os donos da casa garantiram a vaga na próxima fase, jogando em Córdoba.

A "teimosia" de Sergio Batista em escalar um meio campo com dois volantes e apenas um homem de criação (Di Maria) foi um dos fatores a se destacar pela má atuação argentina nos dois jogos anteriores. O problema tático era evidente e a consequência foi o time ter forçado (entenda ter insistido demais) nas descidas pelas pontas. Di Maria demonstrava vontade, mas não esteve tão bem quanto em outras atuações pelo Real Madrid. Todavia, o centro das atenções era Messi, acusado de não ser "argentino o suficiente" para vestir a camisa de sua seleção nacional.

Durante os primeiros 40 minutos, o que se viu foi uma pressão intensa e desordenada por parte dos mandantes, ainda que Messi estivesse ligado em campo, coisa que não acontecia com Higuain. Gonzalo perdeu gols a esmo, enquanto Agüero seguia sendo a esperança no setor ofensivo. Foi num dos "abafas" argentinos que aos 45, Gago pegou rebote e bateu firme. Moreira, o goleirão costarriquenho soltou nos pés de Kun, que fuzilou e deu a tranquilidade ao restante da sua equipe.

Voltando do intervalo a Argentina era praticamente outra seleção. Com outro espírito, calma e a cabeça no lugar, os dois outros gols fluíram e a vaga para a próxima fase apareceu sem que nenhum tango fosse executado nas imediações do estádio. Fim de papo: 3 a 0 em cima da pobre e jovem Costa Rica.

Se livrando do peso de uma possível eliminação diante de seus torcedores, a Argentina teve pela frente um fraco adversário, é verdade. Mas mesmo com a escalação controversa de Batista foi possível deixar o campo de cabeça erguida e com a confiança necessária para enfrentar o próximo adversário. Ainda abaixo do que pode desempenhar, Messi e sua patota despertaram do sono profundo (ou tático) para buscar o título. 

Ou terá sido mais um lampejo de uma seleção que caiu vergonhosamente para a Alemanha em 2010? 

Intervalo: A seleção mais letal do Mundial Feminino

Por Felipe Portes

Bem se sabe que a Copa do Mundo Feminina é repleta de atletas que também podem ser modelos nas horas vagas. Nunca foi tão fácil parar e ver dois times de 11 correndo atrás da bola, sem temer o famoso close da câmera, nas transmissões.

Machistas como somos, é questão de tempo até que elaboremos uma seleção das mais belas que desfilam neste torneio. Para quem pensa que é uma tarefa fácil, digo-lhes que sobra opções para todas as funções táticas e até há disputa pelo banco de reservas. Dou-me o direito de escalar meu time, com os meus critérios próprios de beleza e não levando em conta se a jogadora disputou ou não algum jogo. Pode chamar de Miss Copa do Mundo, e como nosso negócio é futebol e não moda, cada uma ganha seu papel dentro do gramado. Em esquema 4-4-2, eis o meu grupo:

Goleira: Hope Solo - EUA (hors-concours)
O amigo leitor há de convir que qualquer seleção de futebol feminino tem de contar com Solo no gol. Melhor goleira e pedaço de mau caminho, a americana é unanimidade desde as Olimpíadas de 2004. Segura e toda produzida, Hope não poderia não guardar as metas da minha equipe. Atualmente joga no Boca Raton MagicJack, dos EUA. Importante ressaltar que ela é a capitã deste "catado".

Zagueira: Marita Skammelsrud Lund - Noruega
Marita cansou de levar dribles de Cristiane na partida válida pela primeira fase, mas não podemos jamais esquecer a sua bravura, seus lindos olhos e seus cab... sua boa capacidade de marcação. Vale a pena assistir aos jogos do selecionado norueguês para prestigiar a moçoila. Lund emana seu charme o resto do ano pelo Kvinner, de sua terra natal.

Zagueira: Corine Franco - França 
É importante ressaltar que haviam fotos mais ousadas de Franco, por aí. Mas como este blog é de respeito, utilizo esta, que é carregada de charme. Corine é uma das estrelas da seleção francesa, que faz boa campanha no Mundial. Encarregada de manter a cozinha arrumada (não poderia perder essa), assume o posto de zagueira deste selecionado. Como se pode perceber, joga pelo Olympique Lyonnais.

Lateral: Ellyse Perry - Austrália
Vinte anos, toda bonitinha, habilidosa e com uma peculiaridade: Ellysa Perry também joga pela seleção nacional de cricket! Com cara de atriz de Hollywood, foi reserva na maior parte do tempo deste Mundial, entrando como titular apenas contra a Suécia (poooxa, treinador!). Disputando as Copas do Mundo dos dois esportes, Perry não poderia ficar de fora desta postagem. Atualmente, joga futebol pelo Camberra United, da Austrália.

Lateral: Alex Krieger - EUA
Um dos destaques da lateral americana na partida contra o Brasil, Krieger fez uma partida exuberante. Tanto com a bola nos pés, quanto com as mãos levadas ao cabelo. A musa que fecha o setor defensivo desta escalação, está sem clube, ora só! Montarei um time do meu prédio, para que ela treine aqui em casa.


Volante: Laure Boulleau - França
Ah, a mulher francesa... Laure Boulleau é a responsável pela contenção e criação das bleus nesta Copa, envergando a camisa número 3, que já foi de Maldini. Ou Maldini teria vestido a 3 que seria de Boulleau? Difícil decidir. Fato é que a boa campanha francesa passa pelos pés desta loirinha de 1,59m que tem contrato com o Paris Saint-Germain.

Meia: Madeleine Giske - Noruega
Cérebro da seleção norueguesa, Madeleine Giske é veloz e apresenta bons passes. Características fundamentais para uma boa jogadora do meio campo. Quem acompanhou a peleja das escandinavas contra o Brasil, pode notar que uma das únicas que corriam e participavam ativamente da criação era justamente Giske. A camisa 13 da Noruega atualmente joga pelo Arna-Bjornar, do seu país.

Meia: Alex Morgan - EUA
A camisa 10, a favorita, a protegida deste que vos escreve. Alex Morgan causou furor ao adentrar o relvado contra o Brasil, na segunda etapa. Com seus gracejos e leveza ao caminhar, a lindinha deu mobilidade ao setor de meio campo dos EUA, no memorável duelo das quartas de final. Antes que este parágrafo vire um pedido de casamento, informo que Morgan joga pelo Western New York Flash.

Meia: Gaetane Thiney - França 
Thiney já posou de modelo juntamente com Corine Franco, antes da campanha da Euro-2009. Alternando entre as tarefas de meia ofensiva e atacante, Gaetane veste o manto francês com muita garra. Versatilidade é a palavra chave para definir esta atleta. Joga pelo Juvisy, da França.

Atacante: Jonelle Filigno - Canadá
Atacante titular desta equipe, Jonelle é a musa inspiradora do Canadá. Se disputasse concursos de beleza, certamente rivalizaria com as mais belas canadenses. Com calibre para brigar com Cobie Smulders, a mais célebre da terra de Celine Dion e Bryan Adams, Filigno foi presença constante durante a discreta campanha de sua nação nesta Copa. Eliminada precocemente ou não, ela ficará nos corações de muitos torcedores. Não é, @dsleite? Ela é vinculada ao time da universidade de Rutgers, nos EUA.

Atacante: Amy Rodriguez - EUA
Foi difícil, árduo e complicado ter escolhido a última atleta desta seleção. Fiquei entre Landstrom, da Suécia e a própria Rodriguez. Mas me lembrei do encanto que fui sujeito ao assistir aos jogos dos EUA e ver Amy, centroavante assim como tento ser. Americana no jeito de ser, de agir e até de ter sua função bem realizada em campo, Rodriguez integra um elenco quase perfeito, seja no primor técnico ou na beleza. Leva a camisa 9 pela simpatia. Joga pelo Philadelphia Independence.

*A pesquisa para a escolha das jogadoras foi demorada e criteriosa. Além das partidas televisionadas, este que vos escreve passou horas a fio no site da FIFA levantando ficha por ficha das nações participantes. Não suficiente selecionar atleta x ou y, consultei também as fotos presentes no Google para chegar a um consenso. Confesso que foi trabalhoso, mas realizei a tarefa com muito gosto. Afinal, mulher que joga futebol, por si é um charme..

segunda-feira, 11 de julho de 2011

É difícil ser Marta

Marta é marcada de perto pela americana Shannon Boxx,
 em partida épica deste domingo (GloboEsporte.com)
Por Felipe Portes

Em partida dramática nesta tarde de domingo, na cidade de Dresden a Seleção feminina de futebol foi eliminada da Copa do Mundo, pelas mãos e pés das meninas dos EUA. Um gol contra madrugador de Daiane aos dois minutos da primeira etapa, enervou as atletas brasileiras que com muito custo igualaram o marcador. Foi numa penalidade cobrada por Marta, na segunda tentativa (a primeira cobrada de forma displicente por Cristiane) que o Brasil conseguiu empatar a peleja. 

O segundo tempo foi conturbado e cheio de oportunidades para o lado amarelo, mas tivemos de assistir a mais meia-hora de um bom (e cansado) futebol. Seguia a igualdade no placar e a apreensão da torcida. A goleira/fenômeno/mulher maravilha Hope Solo fechou a meta e apesar de sofrer um gol besta no início da prorrogação, mais um de Marta, impediu dezenas de ofensivas tupiniquins. 

É justo se dizer que além da camisa 10 brasileira, apenas Érika, Fabiana e Cristiane estavam lúcidas em campo. A última, nem tanto, abusando demais das jogadas individuais. Rosana também tentou decidir a parada sozinha e por fim saiu pela linha de fundo com bola e tudo. Tudo ia muito bem, muito lindo, Brasil sonhando com o título -já que as donas da casa, as alemãs foram eliminadas pelo Japão- até que Megan Rapinoe (Luciano do Valle experimentou dizer Rapinói, Rampino, Rapini, Rampini, Rapinoé, Rapino) acertou cruzamento milimétrico na cabeça da grandalhona Abby Wambach. Wambach se aproveitou do momento "caça-borboletas" da ótima Andréia e empatou, restando dois minutos para o final do tempo extra. 

Depois disso, você já sabe que as Yankees venceram por 5 a 3, pênalti perdido por Daiane, em inferno astral. Mas vamos ao que realmente interessa neste texto, a protagonista desta competição e quiçá do esporte em si: Marta. Nunca foi tão insuportável ser ídolo no país quanto agora. 

Numa modalidade pouco vista pelo público mundial (salvo EUA, e alguns países europeus) Marta é a referência de bom futebol, talento e mágica como nem Mia Hamm, ex-estrela americana um dia conseguiu ser. Birgit Prinz era uma das rivais da brasileira, mas se aposentou após esta Copa. Como se não bastasse a falta de apoio que as meninas recebem, (não se iluda que futebol feminino "pegou" no Brasil) a forma como elas são menosprezadas chega a dar enjôo nos verdadeiros amantes do esporte.

Quem gosta de bom futebol, deveria no mínimo admirar Marta, assim como as outras equipes top. Alemanha, Noruega, Suécia e EUA praticam bom futebol, é fato. Mas o desconhecimento de quem assiste leva a comentários exagerados e equivocados de que quando o Brasil atropelou as norueguesas na primeira fase, o adversário era fraco. As nórdicas venceram o primeiro Mundial feminino...

Uns dizem que futebol feminino só pode ter atletas bonitas. Outros dizem que é quase uma aula de educação física transmitida para o mundo todo. Baita bobagem. Após esta derrota para os EUA, ouviu-se uma pequena quantidade de pessoas minimizando os feitos da nossa protagonista, que pode não ser tão bonita quanto Alex Morgan, Jonelle Filigno (musa eterna do colega Daniel Leite, @dsleite), Hope Solo, Alex Krieger ou Marita Lund. Mas a sua capacidade de destruir a marcação adversária, definir confrontos e carregar a bola sem ser desarmada é algo fascinante, encantador, de outro mundo.

Desde 2004, porém, Marta vem colecionando insucessos (importante que esta palavra seja usada, ao invés de fracasso). Foram duas Olimpíadas e duas Copas do Mundo. Mesmo ganhando prêmios e mais prêmios, grande parte da "torcida" taxa a atleta e suas companheiras como "campeãs do quase". Cruel, desnecessário e pejorativo para quem tanto briga pela exposição da modalidade no país. 

Marta sofre do mal de "sumir em decisão"? Não. Melhor em campo, melhor do torneio e contribuiu muito com o restante das companheiras que infelizmente não estavam em bom dia. Assim como Zico, mas de uma forma mais ativa, ela ainda é marcada para muitos brasileiros como "a jogadora que não ganha Copas", quando deveria ser ídolo.

É difícil ser a melhor jogadora do mundo, talvez de toda a história do futebol feminino. É difícil ser a melhor em campo em quase todos os jogos, mas ter um time que simplesmente não acompanha o ritmo ou não tem poder de decisão. É difícil ser Marta...