terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Parados na esquina

Ronaldinho e o time que complicou a vida vascaína na última rodada (Lancenet!)
Pedro Cuenca, @colderhearts
De São Paulo-SP


Foi suado, difícil, na raça e com um sabor amargo no final. O Flamengo começou o ano fazendo barulho anunciando as contratações de Ronaldinho e Thiago Neves. Se esperava um time que apresentasse futebol genial, no Campeonato Carioca. Apesar do título, vencendo os dois turnos - um contra o Boavista e outro contra o Vasco - o rubro-negro teve apresentações irregulares e em muitos momentos irritou seu torcedor.

O primeiro semestre ainda teve a desastrosa Copa do Brasil. Vitórias suadas marcaram as primeiras fases, principalmente contra o fraco Horizonte. Nas quartas-de-final, porém, o duro golpe: derrota para o Ceará no Engenhão. Com a necessidade de reverter o quadro, o Fla fez uma de suas melhores partidas no ano, mas só empatou em 2 a 2 e o reino foi abalado.

De um lado, Luxemburgo era ameaçado de demissão. De outro, Ronaldinho era acusado de exagerar nas baladas. Patrícia Amorim, a presidenta bolha, pouco fez. Mas no Brasileirão, pelo menos no turno, a postura mudou. Por muitas rodadas, o time carioca encarou de frente os rivais paulistas Corinthians e São Paulo. A derrota para o Atlético-GO, já nas rodadas finais, no entanto, mexeu com o brio da equipe e com o restante da campanha.

No returno, o que se viu foi um Flamengo muito apagado, pouco parecido com o que vinha fazendo grandes apresentações nos primeiros vinte jogos. Vitórias heróicas, como a sobre o São Paulo num Morumbi lotado para receber Luis Fabiano ou a sensacional virada em cima do Fluminense, foram ofuscadas para tropeços dentro de casa contra Bahia, Palmeiras, Atlético-PR, empates nos clássicos contra Vasco e Botafogo, além da incrível virada sofrida pelo Grêmio.

Mesmo assim a Libertadores ficou nas mãos. A Pré-Libertadores, na verdade, mas que serve de alento para a apaixonada torcida do Fla. Que o “pojeto” de Luxemburgo dessa vez realmente funcione, que os jogadores rendam seu máximo, e que as contratações sejam bem feitas. O Flamengo não pode viver de resto. Não pode sonhar com o colo de “uma nêga chamada Teresa” e ficar “parado na esquina”.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um ano para se esquecer?

Foto: GloboEsporte.com
Julia Mariano, @Diaba
De São Paulo-SP

São Paulo
O ano 
Mais um ano se passou, ontem (finalmente) acabou o Campeonato Brasileiro, e o São Paulo ficou longe do título e sem vaga na Libertadores 2012. Se fiquei triste com isso? Não. Calma, vou explicar o porquê.

2011 foi extremamente complicado para o SPFC, tanto dentro, quanto fora de campo. Já começamos o ano vendo nossos rivais participando da nossa competição favorita (apesar da desastrosa participação de um deles), o outro acabou se consagrando campeão com um dos nossos ex-técnicos, que sempre ficou no "quase" quando comandava nosso time. 

Não preciso lembrar do Paulista, né? Ninguém gosta dele. Campeonato chato, que só serve como pré-temporada. Ninguém fica triste quando perde, e quando ganha, a animação só dura aquele domingo. 

Aí veio a Copa do Brasil... Confiávamos no título, pois os torcedores mais cegos, viam nosso time como o melhor do campeonato. Caimos no Avaí. É, o mesmo Avaí que foi rebaixado para a Série B.

Começamos o Brasileiro com vontade, e acreditamos que poderíamos ir bem. Veio Luis Fabiano para agregar, mas infelizmente, veio machucado. Sabíamos que demoraria para ele pegar ritmo de jogo e arrebentar. Porque futebol é o que não falta ali. Mas no meio do campeonato, a mingau desandou. 
Perdemos muitos jogos em casa e empatamos jogos relativamente fáceis. Primeiro pensamos que o problema era o técnico, depois pensamos que o elenco era o problema, e agora achamos que o problema é a diretoria.

Não faltou elenco, não faltou técnico. Faltou vontade. Raça. E vergonha na cara. Não honraram a camisa que tanto amamos e idolatramos a vida toda. A camisa que abraçamos na vitória e enxugamos as lágrimas na derrota. A camisa que gastamos uma grana para comprar. Passou da hora de nos livramos de Marlos, Xandão, Juan, Jean, Fernandinho. Mandar metade do elenco embora. Não nos preocupamos com a derrota, mas sim, com a falta de vontade.

O dérbi
Acredito que os torcedores assistiram o jogo contra o Santos com vontade de mudar de canal, e acompanhar os principais jogos da rodada. E muitos devem ter feito isso. O Santos entrou em campo com o time C-2 e eles engoliram um lindo (?) 4x1. Durante o primeiro tempo, muitos se animaram com a possibilidade de conseguir uma vaguinha para a Libertadores, mas me respondam com toda sinceridade, sãopaulinos: Merecíamos? 

Os torcedores mais fanáticos (e cegos) podem dizer que sim, pois ajudaria a animar o elenco para 2012, mas esse mesmo elenco conseguiria se ajustar para competir um campeonato tão duro? Você, sãopaulino, aguentaria mais um ano de esperança para no final, morrermos na praia com os mesmos problemas de 2011? Eu não aguentaria.

E o que precisa ser lembrado em 2011? Isso 
 e isso.

Que venha 2012! Só espero que venha com raça e sangue nos olhos.

Lucas Leite, @lucasleyte
De Passos-MG

Santos
O ano
Um ano em que tudo levava a crer que daria errado, acabou se tornando um dos mais vitoriosos do clube. Sem o futebol alegre do início de 2010, mas com a mesma carência defensiva da equipe de Robinho e Cia., o time da baixada passou por períodos turbulentos com Adílson Batista e Marcelo Martelotte, mas conseguiu se reerguer a tempo graças a chegada do melhor técnico do Brasil.

Com Muricy, o peixe se propôs a jogar defensivamente e apostar no talento de Paulo Henrique Ganso e Neymar. E deu certo. Mesmo jogando sem brilhantismo e exigindo muito do goleiro Rafael em boa parte das partidas, o time da Vila conseguiu, ante o Corinthians, o bicampeonato paulista e, sobre os Uruguaios do Peñarol, o terceiro título da Libertadores, conquista que não vinha desde a Era Pelé.

Se o Santos obteve sucesso na maior competição das Américas, a coisa foi um pouco diferente no certame nacional. Após um primeiro turno de jogadores reservas, de convocações esdrúxulas de seus principais nomes e de várias partidas adiadas, o alvinegro flertou com a zona da degola durante um bom tempo. 

No segundo turno, a equipe até chegou a ameaçar, com oito partidas de invencibilidade, mas a derrota para o Figueirense e outras duas que vieram em sequência fizeram com que o Santos não tivesse mais forças (ou ânimo) para correr atrás do eneacampeonato. De positivo, apenas a artilharia de Borges, que com 23 gols passa a ser o maior goleador santista em uma edição de Campeonato Brasileiro. O que os próximos meses reservam ao Santos? Isso só o tempo dirá...

O dérbi
Longe dos holofotes de São Paulo, o time reserva do Santos foi até Mogi Mirim e não conseguiu fazer frente ao tricolor paulista, que só precisou dos 45 minutos iniciais para vencer na derradeira rodada do Brasileirão. Com apenas um titular (Elano, que visivelmente não tem rítmo de jogo) em campo, o peixe fez um primeiro tempo pífio e não deu trabalho algum ao São Paulo, que não demorou a encontrar o caminho das redes.

A primeira chance veio aos seis minutos, quando Luís Fabiano invadiu a área e exigiu boa defesa de Vladimir. Aos 13 porém, o Fabuloso não desperdiçou. Após jogada de Cícero e Fernandinho pela esquerda, o camisa 9 subiu entre a dupla de zaga santista para cabecear no contrapé do arqueiro adversário.

O gol deixou o jogo ainda mais fácil para o time de Emerson Leão, que seguiu dando trabalho aos fracos laterais santistas com jogadas de lado de campo. Contudo, o segundo tento saiu em jogada frontal, quando Jean avançou pelo meio campo e soltou uma bomba de fora da área.

Minutos mais tarde Lucas anotou o terceiro gol da partida ao se livrar da marcação e, da entrada da área, colocar a redonda no canto direito de Vladimir.

Também em função do forte calor que fazia no interior de São Paulo, o nível técnico da partida caiu vertiginosamente na etapa complementar. O Santos, que tinha Diogo como seu jogador mais lúcido, pecava na armação das jogadas, enquanto o São Paulo preferiu diminuir o rítmo e esperar o tempo passar.

Foi aí que o Santos achou seu gol de honra. Na marca dos 16, Diogo foi derrubado na entrada da área e Elano contou com a dispersão da barreira para colocar a bola no fundo das redes de Rogério Ceni.

Entretanto, o gol pouco interferiu na partida, tanto que a dez minutos do fim Luís Fabiano contou com falha grotesca de Vladimir para deixar sua marca pela segunda vez na partida e garantir a goleada são paulina.

Mesmo com a goleada, o tricolor, que não dependia apenas dele, fica fora da Libertadores pelo segundo ano seguido. O Santos, por outro lado, termina o nacional na décima posição da tabela e volta todas as suas atenções para o Mundial de Clubes, no Japão.

A bela festa de um time que não mereceu

D'Alessandro, o novo homem Gre-Nal? (GloboEsporte.com)

Francisco Luz, @franciscoluz
De Novo Hamburgo, o fim do mundo-RS

Inter
O ano
Se 2011 não foi o ano mais estranho e anticlimático dos 102 que o Internacional registra na sua história, bem, aí eu não sei de nada. Só sei que, das 26 temporadas que vivi como colorado, essa foi de longe a que menos me empolgou. E, no fim, ela termina muito bem, e com um bom cartel de jogos memoráveis para se guardar na memória, além da perspectiva de uma Libertadores pela frente –  e, graças ao agora pentacampeão Corinthians, não corremos o risco de inaugurar um vexame em pré-Libertadores, o que é sempre um alento para quem proporcionou o Mazembaço.

Porque, obviamente, a esdrúxula derrota na semifinal do Mundial de Clubes do ano passado foi o grande NORTEADOR da época vermelha. Foi o Mazembe que fez o Inter iniciar tarde o ano; foi o Mazembe, no fim das contas e com atraso, que tirou Celso Roth do Beira-Rio; e foi o Mazembe o time lembrado pelo Grêmio antes dos dois principais Gre-Nais de 2011, e ambos terminaram com o Internacional triunfante.

A questão toda é a seguinte: se não fosse por Leandro Damião, de longe o jogador mais decisivo que eu já vi vestindo a camiseta encarnada, 2011 seria em tudo ridículo e lamentável. Não bastassem os erros da direção dentro de campo – que chegou ao ápice de se DIVORCIAR simplesmente de Paulo Roberto Falcão, o maior de todos os colorados –, ainda houve o fator REFORMA DO BEIRA-RIO. Isso é o que de mais grave fica, e é o mais preocupante também, já que a classificação à Libertadores vai servir para mascarar a vergonha que é ter iniciado a destruição de parte do estádio antes de saber como ele seria reerguido; e, depois, simplesmente não conseguir explicação nenhuma sobre o porquê de as malditas reformas não começarem.

2011 é, portanto, o ano em que o Inter perdeu o Beira-Rio. Sem o Beira-Rio, perdeu em casa a Libertadores nas oitavas de final, perdeu em casa um Gre-Nal de final do Gauchão e perdeu em casa os pontos que poderiam ter levado o time a brigar por mais, muito mais. Sem o Beira-Rio, a direção também perdeu os critérios e não teve a capacidade de buscar jogadores nas poucas posições em que o Internacional é carente, reforçando de verdade a equipe.

2011 é, também, o ano em que eu menos consegui acompanhar o Inter como colorado, o que deve apenas aumentar daqui para a frente, devido ao meu trabalho – sou editor de Esporte do Jornal NH. Fui em apenas um jogo na arquibancada no ano, e mesmo assim a sensação de ver um time sem coração permanecia. E, claro, tudo isso influenciou para o aspecto negativo que a temporada teve em mim, mesmo que para a história fiquem os títulos gaúcho e da Recopa. Sem o Beira-Rio, eu perdi um pouco do Internacional de sempre que eu tive comigo.

O dérbi
Mas, como havia Damião, e como sempre há D'Alessandro em Gre-Nais, o ano termina bem: com o Estadual conquistado no Olímpico (algo que não acontecia desde 1982), de virada, em dois grandes jogos e com Falcão superando Renato Portaluppi. E, ontem, após o casamento quase eterno com o sétimo lugar do Brasileirão, o Colorado finalmente desencantou e, com a ajuda do seu principal escudeiro neste Nacional – o Resultado Paralelo – conseguiu vencer o rival de sempre e selar a vaga para lutar pelo tri da América.

O jogo foi protocolar, um clássico de cartilha: pegado, com o underdog melhor no primeiro tempo e dando a impressão de que poderia mais uma vez selar a incompetência vermelha, até que D'Alessandro tomou as rédeas do jogo na etapa final e complementou sua relação de puro amor com o Gre-Nal ao marcar o pênalti libertador. O Grêmio até tentou, e foi digno, mas a diferença de qualidade e a motivação entre os dois times foi determinante para a vitória vermelha.

A esperança para um 2012 vencedor deveria existir, mas sem o Beira-Rio inteiro é complicado pensar em algo melhor do que vimos neste ano. Porque, sem a sua casa, o Internacional é não é o Colorado na sua essência – e isso sempre acaba cobrando um preço caro.


Victor Lucena, @victorlucena
De Porto Alegre-RS


Grêmio
O ano

Impossível falar do 2011 do Grêmio sem lembrar do segundo semestre de 2010. O Grêmio, até então comandado por Silas, patinava no Brasileirão e flertava com a zona do rebaixamento. Silas logo foi ceifado, para sua vaga, o maior ídolo da história tricolor: Renato Portaluppi.

Renato chegou e logo arrumou a casa. Afastou, quase imediatamente, a possibilidade de rebaixamento. O time encaixou de uma maneira avassaladora. Vitórias e mais vitórias. Até o acaso – mais conhecido nessa altura como Independiente de Avellaneda ajudou, ganhando do Goiás na final da Copa Sulamericana e confirmando a vaga do Grêmio pra Libertadores da América 2011.

Tudo era promissor. O maior ídolo da história do clube na casamata, um time que brilhou no segundo semestre de 2010 e o sonho da terceira libertação da América. Aí veio a novela Ronaldinho.

Não satisfeito em tomar um “chapéu” de Ronaldinho lá em 2001, o Grêmio fez por onde levar um segundo. A diretoria acreditou na palavra do Assis. Até caixas de som foram alugadas para a apresentação do R10. O resto, vocês já sabem. Ronaldinho foi pro Flamengo, nas bandas da Azenha, só sobrou a vergonha.

Não bastando tudo isso, enquanto a direção oferecia o que tinha e o que não tinha para trazer Ronaldinho, esqueceu do grande destaque de 2010: Jonas. Com a velocidade de um Sebastian Vettel, Jonas juntou suas malas e rumou à Valência. O Grêmio, no fim das contas, ficou sem Ronaldinho e sem Jonas.

A partir daí, o desastre estava desenhado. Renato já não conseguia fazer o time render. Sem Jonas, o Grêmio perdeu a referência no ataque, o jogador que decidiu várias vezes, sozinho jogos em 2010.
O Grêmio bateu cabeça e não demorou muito para cair da Libertadores.  Começou o Brasileirão e... pimba! 

A zona do rebaixamento era um risco eminente e lá se foi Renato. Veio Julinho Camargo. Junto com ele, boas ideias e bons conceitos. Porém, só isso não bastava. O Grêmio tinha um time caro e cheio de medalhões, Julinho não conseguia tirar o Grêmio da lama. Logo foi demitido.

Aí veio o sargentão Celso Juarez Roth. Sua missão: botar ordem na casa e tirar o time da ameaça do rebaixamento. Olhando friamente suas metas, Celso Roth foi um sucesso. Ficou devendo um algo mais, com o campeonato louco do jeito que foi, uma série de três ou quatro vitórias seguidas colocaria o time na briga por uma vaga na Libertadores 2012.

Tudo ok, o time já não tinha chances de rebaixamento, muito menos, de conseguir uma vaga na Libertadores. Mas aí, num roteiro digno de Alfred Hitchcock, ainda tinha um Grenal.

O dérbi
O Grenal foi pragmático. A diretoria do Grêmio já tinha anunciado que esse seria o último jogo de Roth como comandante tricolor. De um lado, a ambição colorada de vencer e ir à Libertadores, do outro, um Grêmio desinteressado.

Mas, perdoando o clichê, Gre-nal é Gre-nal, amigos. Quando azuis e vermelhos entram em campo, nada mais importa. O Rio Grande para por 90 minutos. Uma famosa pichação no centro de Porto Alegre diz que “enquanto te roubam, tu grita gol!”. Uma verdade que dói. Triste realidade. Porém, não vai ser logo num clássico que vamos parar de gritar gol.

O Beira-Rio estava lotado. A torcida colorada lotou o estádio e bradava que queria a vaga na competição continental. Dois mil tricolores também estavam lá. Mesmo não almejando mais nada no certame, o Grêmio começou bem o clássico. Atacou bastante, buscou o gol, principalmente pelos pés de Marquinhos, que era o melhor jogador gremista no setor ofensivo. Lá atrás, Saimon e Vilson anulavam o melhor nove do país: Leandro Damião. Fernando marcava D’Alessandro com uma garra e perícia invejáveis.

Apesar das tentativas tricolores, o primeiro tempo logo acabou: 0 a 0.

No segundo tempo a coisa mudou de figura. O Internacional foi a frente. Tentou o gol a todo custo. Até que numa jogada Oscar dominou a bola e foi pra cima do peso-pesado Fábio Rochemback. Pênalti. Não há o que se discutir no lance. D’Alessandro bateu e fez. Victor ainda triscara na bola. Maldito Hitchcock!

O Inter passou a administrar o resultado. Celso Roth, de uma forma desesperada se lançou ao ataque. Entraram Miralles e Leandro. Nada adiantou. Venceu e se classificou à Libertadores; o Grêmio perdeu e anunciou seu novo treinador, Caio Júnior.

A torcida tricolor lamenta a derrota e imagina um 2012 melhor. A colorada regozija-se com a possibilidade do tri da América. O campeonato brasileiro acabou. 2012 se mostra promissor para as duas equipes. Seguiremos gritando gol e torcendo para não sermos mais roubados.

Ano perdido, ano ganho


João Paulo Borgonove, @Borgo_
De Pedreira-SP

Corinthians

O ano
Como sempre, foi bem difícil. O gordo, no fim do ano passado, falou que não era um problema. Mas foi. Foi um problemão. Tolima. Colômbia. Repescagem. Zero a zero em casa. Pior que o resultado, só o jogo. Pior que o jogo, o gordo. Dois a zero pra eles lá nas ricas terras do café que é melhor que o nosso. Já era o ano. Acabou.

Não. O ano seguiu. Paulistão. Um bom Paulistão. Derrubamos todos. Quase todos. Faltou o time do menino de ouro. Não deu. Perdemos a competição, mas perdemos de cabeça erguida. Foi bonito. São Jorge Henrique jogou mais que podia. Ronaldo jogou menos que se podia imaginar. Aposentou. Tirou um peso inimaginável das costas do time. Do Tite.

Campeonato nacional de futebol do Brasil, o Brasileirão. Dez jogos. Um empate. NOVE VITÓRIAS. Nove vitórias. Cinco a zero no segundo maior rival. Quebra de invencibilidade. São Paulo tava voando. E voou a invencibilidade deles.  Éramos imbatíveis. Éramos.

Décima segunda rodada. Cruzeiro. Pacaembu. Rodamos. Deu TILTE nas asas. Aí começou a fase nebulosa. Júlio Cesar trincando o dedo, guerreiro. Seguiu no tal jogo. Saiu. Renan não aguentou o baque. Danilo deu conta. Voltou o GUERREIRO DOS BRAÇOS CURTOS. O único curintiano do time.

Mais lesões vieram. E de tropeço em tropeço nóis ficamo em pé, sempre lá no alto. Sempre lá na dianteira. E sempre estivemos lá por jogos épicos. Duas viradas em cima do galo de Minas. Duas viradas lindas, bem curintias. Dois a zero pros caras lá em Minas. Acaba o primeiro tempo. Volta. Diminui. Empata. VIRA. Coisa linda. Coisa espetacular.

Chicão em má fase. Tite peitou e afastou. Problema resolvido.Reta final. O time a ser batido. A caça. Maioria dos jogos contra times que lutam pra poder continuar lutando no próximo ano.

GRANDE AMÉRICA DE MINAS COELHÃO DO MAL. Perdemos. Mas ainda estávamos na dianteira. Atlético do Paraná. XEIQUE DAS ARÁBIAS TERRAS LONGÍNGUAS Ceará. Gol no final. Muito no final. CATITO RAMIRES IMPERADOR INCA. Segunda virada no Galo. IMPERADOR REDONDO PAPUDO AMOR. PAULINHO, O MESTRE SUPREMO DA VOLÂNCIA OFENSIVA. Figueira. Nova vitória. De ALEX CZAR MOSCOVITA pra LEVEZINHO O DELÍRIO DA FIEL.

É CAMPEÃO PORRA. 

Era campeão, porra. Gol do time das caravelas no final do final, lá no MAR AZUL. Ficou pra última rodada.

Semana tensa, demorada. Semana que passou. Domingo, dia mundial do futebol. Domingo é dia de título, bebê. Domingo que começou com tristeza. Foi-se o ídolo, foi-se o VERDADEIRO JOGADOR DIFERENCIADO. A vida cobra caro pelo passado. Mas quanto mais caro ela cobra, mais valiosa é. O Corinthians, a partir das quatro e pouco da matina, tinha a OBRIGAÇÃO MORAL E HISTÓRIA E HONROSA de ser campeão. A obrigação esportiva já tinha desde aquele monte de jogo invicto. 

O dérbi
O ALVIVERDE EX-IMPONENTE tava babando pra jogar uma pedra de gelo em nosso mais puro uísque. (E quem coloca gelo em uísque é tudo filho da puta.) Quase chegou lá por várias vezes. Deve ter matado meia dúzia de fiéis. O coração já tava baqueado e foi cada susto que, minha nossa, foi TENSO. Mas MAGO VALDIVIA, O ÍDOLO INJUSTIFICÁVEL, ajudou. Deu uma de Valdivia e foi expulso após uma chegada mais forte no SÃO JORGE HENRIQUE. Aliás, como os ponta-esquerdas do Corinthians apanham, heim? 

Depois saiu mais treta, teve mais jogador expulso -- coisa de jogador (e não time) pequeno que não sabe perder -- e assim foi. O jogo de cá nem tinha acabado e o bando de loco já comemorava o penta. O jogo de lá já tinha acabado -- e em empate. É CAMPEÃO PORRA. Festa linda, enredo triste. DOUTOR SÓCRATES DEMOCRATA BRASILEIRO, esse foi pro senhor. Em sua honra, copos ao alto e uns goles pra comemorar. Muitos goles pra comemorar. 

E chute no ar dá ÁGUA NO JOELHO, só pra avisar. 

Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Palmeiras
O ano
Foi um ano de merda pro Palmeiras. Do começo ao fim. Lá nos idos de fevereiro, eu dizia que seria um 2011 tenebroso. Poucos escutaram. O Paulistão foi a primeira prova de que Felipão não conseguiria ir longe com um elenco mais limitado que perneta em São Silvestre. Perdemos até de forma honrosa nos penais pro Corinthians, mas perder com honra nunca apagou nenhuma derrota na história da humanidade. O perdedor sempre foi só o perdedor.

O início no Brasileiro foi completamente ilusório. Resultados até que expressivos para um grupo desunido e que estava às beiras do caos, uma morte anunciada. A morte veio nas picuinhas criadas por Kléber, que procurou a todo momento se desvencilhar do manto alviverde e fez por onde. Nisso, descobriram que ele já foi integrante da Gaviões, que forçou lesões (até inventou algumas) em prol de uma transferência que ele devia fomentar há algum tempo.

Kléber à parte, o resto também não era no mínimo aceitável. Passamos por maus bocados na Copa do Brasil diante do histórico Coritiba e fraquejamos rodada a rodada com esse bando de jacarés sedentos por dinheiro. Pouquíssimos podem ser lembrados como exemplos de hombridade, como Deola, Assunção, Henrique e claro, São Marcos. Márcio Araújo até tentou figurar neste seleto grupo, mas demonstrou ser fraco de espírito, ao menos por agora.

O Palmeiras se acostumou a ser um time mediano, que se contentava com empates contra equipes mal posicionadas na tabela, perder jogos contra grandes e tentar encontrar razões para o insucesso, a vergonha. Incrível associar a tão irrelevante personalidade, mas fato é que o Verdão melhorou após a saída do traidor #30. As rusgas com Filippone cessaram e se vê que os atletas parecem mais leves, mais focados. 

A reta final desse campeonato mostra que o espírito é outro, veja só, ganhamos até do Bahia. O dérbi contra o São Paulo era um duelo de derrotados em que nós obtivemos êxito. Contudo, o que importa mesmo pra fechar 2011 é esse clássico contra o possível campeão...

O dérbi
Nos últimos minutos do Brasileirão, a tendência de um ano desgraçado se repetiu. Palmeiras dominou, teve posse de bola superior, até deu bons passes, mas pecou nas finalizações. Gerley não conseguia segurar a redonda na esquerda, Valdívia fez totalmente o contrário e Patrik se encarregou de chutar ao gol.

Logo cedo no domingo ficou difícil pensar nas palavras que eu escolheria para o texto, com o baque da partida do Magrão. De alguma forma que ainda não sei explicar, aquilo me afetou bastante, mesmo sempre tendo sido palmeirense. Justamente por não ter nenhuma palavra em especial, sinto que o título está nas mãos certas, afinal. Doutor era uma figura importante, não só um mero jogador.

Não dá pra dizer que deu desgosto. Foi um jogo interessante, apesar de não valer nada além de uma possível carimbada na faixa corintiana. Bem verdade que a frustração de não ter saído de campo com a vitória dói. Mais verdade ainda é que ela não adiantaria de nada para impedir o triunfo alvinegro. Contudo, do fundo do coração, parabenizo os rivais do Parque São Jorge. Sem mais.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Grandes jogos: Liverpool x Alavés

Foto: Betshoot.com

Murillo Moret, @moret_
De São Paulo-SP

O mês era o do aniversário de Steven. Aquela era a terceira temporada dele no clube de vestimenta vermelha. A terceira e o título individual de melhor jogador jovem do país. Coisa pouca ele não era. Não porque Gerrard era titular do meio-campo de Gérard Houllier em 2001. Não porque ele marcou um dos gols na final da Copa da Uefa contra o Alavés.

A maratona foi desgastante. Além da Uefa, o Liverpool disputava a Premier League e as Copas da Inglaterra e da Liga. Em fevereiro, título da última ante o Birmingham. Em maio, dia 12, virada nos últimos minutos e caneco da FA Cup sobre o Arsenal. Quatro dias depois, o Westfalenstadion em Dortmund recebeu os vermelhos e o Alavés.

Os títulos da temporada estavam do lado inglês; do outro, os espanhóis supreendiam a Europa. O Liverpool passou com dificuldades por Roma, Porto e Barcelona até chegar a final. O Alavés, por sua vez, não teve problemas em eliminar a Inter de Marco Tardelli no Giuseppe Meazza, passou pelo Rayo Vallecano e atropelou o Kaiserslautern na semifinal.

A blitz inicial foi do Liverpool. Heskey sofreu falta e McAllister colocou na cabeça do alemão Markus Babbel. Não tardou para Eggen errar passe, Murphy interceptar e começar a jogada que parou apenas no fundo da rede em gol de Gerrard. Só que não tinha bêbado nem morto jogando de azul e amarelo. E eles tinham Cosmin Contra - aquele mesmo do Bayern x Getafe em 2008.

O romeno ainda estava com 26 anos. Um jovem. Um quase garoto que viu espaço de Carragher e cruzou na cabeça de Iván Alonso, o Fàbregas uruguaio back in the days. Aliás, o atacante subiu uns 3m - chutando baixo. Eis que veio mais uma sapatada na cara do Alavés: Herrera saiu johnnyherreramente do gol e cometeu pênalti em Owen. McAllister converteu e os Reds foram ao vestiário em vantagem.

Acabou que em dois minutos o empate aconteceu. Contra, sempre ele, fez o que quis com Carragher. Talvez o inglês ainda seus 60 de acceleration e speed no FIFA 2001. Mas o romeno o colocou para dançar e, novamente, passou a bola na cabeça de um companheiro. O felizardo foi Javi Moreno. Ou por que não bomber? do Alavés ainda virou: à Ronaldinho, bateu falta por baixo da barreira. E isso ainda estava aos 50'.

Era um jogaço. O futuro aniversariante Gerrard tentava motivar o time. Javi Moreno e Contra também. Em um contra-ataque, McAllister assistiu Fowler, no que pensava que seria o último gol da partida. Título nas mãos inglesas. Que escapou. Escapou aos 88'. Jordi Cryuff, filho do Mito, subiu entre três zagueiros para empatar.

A prorrogação viu a expulsão de Magno e Karmona. Desfalcado e combalido, Téllez e Tomic observaram McAllister cobrar falta na cabeça de... Geli. O título voltou às mãos do Liverpool com o gol contra. E ficou por lá. Quinze dias depois da final, Gerrard, quem diria!, comemorou o aniversário com o Treble.

Liverpool (5)
Westerveld, Babbel, Hyypiä, Henchoz (Smicer 55'), Carragher; McAllister, Hamann, Gerrard, Murphy; Heskey (Fowler 64'), Owen (Berger 78')
T: Gérard Houllier

Alavés (4)
Herrera, Contra, Karmona, Téllez, Eggen (Iván Alonso 23'), Geli; Jordi, Tomic, Desio, Astudillo (Pablo 46'); Javi Moreno (Magno Mocelin 65')
T: José Manuel Esnal
Árbitro: Gilles Veissière (FRA)

Estádio: Westfalenstadion, em Dortmund (ALE)

Data: 16 de maio de 2001

Gols: Babbel 4', Gerrard 16', Alonso 27', McAllister 41', Moreno 47' e 51', Fowler 73', Jordi 89', Geli (contra) 117'

Cartões amarelos: Babbel, McAllister; Herrera, Contra, Téllez, Astudillo

Cartões vermelhos: Karmona, Magno Mocelin


Descraques: Tomas Brolin, parte 2

Último momento de Brolin no futebol internacional: uma rolha de poço (Sporting Heroes)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

O baixinho começou a engordar depois da lesão ao fim de 1994. A volta ao Parma, já em meados de 1995 foi deprimente para o sueco, que não conseguia se encontrar em campo, um verdadeiro desastre da natureza.  

Negociado na temporada 1995/1996 com o Leeds, chegou com pompa na equipe do Elland Road para recuperar o bom futebol e aquelas coisas todas que você já cansou de ouvir o Ronaldinho, Robinho, Ronaldo e Adriano falarem nas trocas de clube.

Fez apenas vinte partidas nos Whites e quatro gols antes de ser patrulhado pela torcida do Leeds, que reclamava de suas ausências nos treinos e sua péssima forma quando entrava em campo. Ficou apelidado pelos fanáticos fãs como comedor de tortas, em alusão aos vários flagras dele se esbaldando em restaurantes londrinos. Também é citado como pior contratação do clube em toda a história. É pouca bagunça?

Saiu pela porta dos fundos do Elland Road para tentar a sorte no Zürich. Nos helvéticos permaneceu por apenas um semestre, fazendo três aparições e recebendo um salário vergonhoso de 800 libras por semana. Chamado de volta pelo Leeds, atrasou seu retorno e causou um rebuliço danado em torno da sua situação.
Aí gordinho, gostei do mullet. (Permanent Plastic Helmet)
Contra a sua vontade, deixou o Zürich e voltou à Londres só para ser negociado outra vez. Ao se ausentar da pré-temporada dos Whites, foi praticamente dispensado do quadro de atletas. Tomou os rumos do Ennio Tardini mais uma vez em sua carreira. Fez onze jogos em um ano, completamente fora de forma. Ou em forma de barril, como queira.

Os diretores do Crystal Palace resolveram apostar na redenção de Brolin, o contratando para a temporada 1997/98. Passando vergonha nos Eagles, foi escalado apenas 13 vezes e só serviu para ser chacota perante os outros clubes. Desnecessário dizer que sua forma era cada vez pior.

Por essa razão, Tomas resolveu se aposentar aos 29 anos, realizando seu último compromisso pelo Hudiksvalls, de sua terra natal, na segunda divisão sueca. Virou empresário e dono de uma cadeia de restaurantes, além de hotéis. Posteriormente virou uma das estrelas da Party Poker e constantemente aparece em campeonatos internacionais da modalidade de carteado (ugh).

E você, amigo leitor? Considera o sueco Craque ou um Descraque?


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Craques: Tomas Brolin, parte 1

Craque até metade da década de 1990, Brolin
teve um grande adversário no fim da carreira: o peso
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Ligeiramente balofo e muito decisivo, Tomas Brolin foi um dos grandes jogadores suecos dos tempos modernos. Defendendo a seleção por apenas cinco anos, marcou época na Serie A italiana no início dos anos 90, pelo Parma. Nos crociati, diga-se de passagem, teve seu maior brilho, ao lado de Zola.

Começou sua curta carreira no Sundsvall, pequeno clube sueco. Desfilou seu bom futebol por dois anos, até arrumar um clube de primeira divisão para 1990, no caso o Norrköpping. Lá, definitivamente galgou seu lugar entre os principais jogadores da seleção sueca.

Convocado para o Mundial daquele ano, na Itália, entrou em campo três vezes na vergonhosa campanha de seu país naquela ocasião. Dono de grande habilidade e visão de jogo, Brolin fazia as vezes de um meia clássico, armando iniciativas e por vezes as concluindo.

A atuação na Copa de 90 chamou a atenção dos dirigentes do Parma, que certamente fizeram grande investimento naquele jovem baixinho e robusto, para não dizer outra coisa. Tomas não decepcionou e desde o começo de sua passagem pelo Ennio Tardini fez o seu melhor, que não era pouco. Constantemente dava assistências e dava um toque de molecagem ao estilo de jogo da equipe comandada por Nevio Scala. 

Fundamental na campanha sueca na Euro 92, onde sua seleção foi eliminada pela Alemanha nas semifinais, Tomas foi titular em todos os compromissos, balançando as redes três vezes, artilheiro da svërige no certame.

Seu primeiro título no Parma foi a Supercopa Europeia de 1993. O título em cima do Milan, por 2-0 em pleno San Siro veio após conquista da Taça das Taças sobre o Royal Antwerp, por 3-1. Especialmente neste jogo, disputado no Wembley, Brolin esteve infernal. A partir daí, se deu uma fase estranha na carreira do jovem sueco.

Momento da bela assistência de Brolin para Andersson, contra o Brasil na primeira fase (Catflapfootball)
No Mundial nos EUA em 94, foi um dos coringas da campanha magnífica dos suecos na terra do Tio Sam. Em grande forma, Brolin era o cérebro do time nórdico, que deu trabalho ao Brasil na fase de grupos, passou pela Arábia Saudita, derrubou a boa surpresa da Romênia antes de cair para o mesmo Brasil, tetracampeão naquela oportunidade. O troféu de consolo veio contra a Bulgária, um terceiro lugar para um elenco memorável. 

Larsson, Kennet Andersson, Dahlin, Ravelli, Thern, Limpar e Mild foram heróis em sua terra natal, com a medalha de bronze na Copa. Alguns momentos inesquecíveis de Brolin naquela competição foram a assistência para o golaço de Andersson no empate em 1-1 contra o Brasil na fase de grupos; o belo gol contra a Romênia na prorrogação das quartas de final, além dos gols contra a Rússia e Bulgária no derradeiro cotejo em terras norte-americanas.

Ao fim de novembro de 1994, Brolin sofreu uma lesão no pé, fato esse que desencadearia uma mudança enorme na sua trajetória. O resto você fica sabendo na próxima parte, domingo



terça-feira, 29 de novembro de 2011

Craques: Hans Krankl

Reconhecido como um dos maiores austríacos no futebol, Krankl
 reinou absoluto na seleção nacional nos anos 80 (Getty Images)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Um tanque de guerra. Centroavante dos bons e verdadeiros, Hans Krankl foi o principal nome austríaco nas décadas de 1970 e 80 com o seu perfil combativo e chute potente. O vienense era especialista em furar bloqueios defensivos e até em encarar beques de força excessiva. Aliás, se pudéssemos definir Hans em uma só palavra, ela seria força.

Iniciou sua carreira no Rapid Vienna em 1970, antes de ser emprestado ao Wiener SC. Lá já mostrava seus dotes de finalizador, com 27 gols em 26 compromissos, numa média incrível para um jovem atleta. Retornou aos alviverdes da capital austríaca para ficar por mais seis temporadas. O recorde em sua terra natal veio justamente na última época em que disputou a liga doméstica. Em 77/78 fez 36 jogos e anotou 41 gols. Incontestável, venceu o troféu Chuteira de Ouro da FIFA.

Partiu então para o Barcelona, que contava na oportunidade com Rexach, Neeskens e Heredia. Adorado pelos catalães, ganhou o Pichichi (de artilheiro do campeonato espanhol) em 1978/79 com 29 gols em 30 partidas, sendo um dos maiores homens de frente que já passaram pela equipe blaugrana. Versátil e oportunista, passou a figurar entre os grandes atletas da sua posição depois da passagem pela Espanha.

Sem sequência para 1979/80 devido a um acidente de carro, Krankl alinhou pelo Barça em apenas nove oportunidades. Marcou dois gols e foi emprestado ao First Vienna, onde ficou por apenas um ano e recuperou a boa forma, balançando as redes 12 vezes em 19 cotejos. Referência absoluta na seleção austríaca, vestiu o manto da sua pátria por 12 anos. 

Disputou os Mundiais de 1978 e 82, onde foi determinante para a presença da Áustria nestas competições. Fez excelente Copa na Argentina, marcando 4 gols e sendo o quarto colocado na artilharia do certame. O primeiro, claro, foi Kempes, lenda albiceleste. 

De volta ao Barça para 1981, novamente teve problemas em encaixar um bom número de partidas, entrou em campo somente sete vezes e arrumou suas malas para retornar à mãe Áustria. Jogaria novamente pelo Rapid Vienna, lugar onde se criou como estrela internacional. Mais seis campeonatos e dezenas de gols, já em decadência se mudou outra vez para o Wiener SC, em 86, já ostentando cabelos brancos, sua marca na fase final de seus 19 anos dedicados ao futebol.

Filho de um taxista de Viena, Hans esbanjava carisma. Despojado, ainda tentou a sorte na indústria fonográfica, gravando um LP em 1985, um single chamado "Lonely Boy". Com a alcunha de Johann K; por acaso seu primeiro nome, fez sucesso nas paradas austríacas e não raro no Youtube se pode encontrar perfomances do atacante ao microfone. A parte engraçada é que ele não deixa a desejar no hobby e mostra mais qualidade do que vários artistas reconhecidos como Jorge Vercilo, Mário Frias, Vinny e Felipe Dylon (ok, desculpem por isso).

A segunda estadia no Wiener rendeu. Foram 40 tentos em duas épocas, bom para quem já estava na faixa dos 32 anos. Foi para o Kremser e passou o semestre antes de assinar com o Salzburg (agremiação que deu origem ao Red Bull Salzburg que temos hoje) para daí sim realizar suas derradeiras 14 aparições e deixar 10 gols, encerrando sua interessante carreira em 1989 e tornando memorável o seu bigode, figura que representa bem o que foi a década de 80...

Confira abaixo um compilado com os melhores lances de Krankl em 19 anos de carreira, e claro, sua música. 


Verão de '85

Foto: Botões para sempre
Fabrizio Pugliese
De Novara-ITA

Muitos hão de dizer que o time italiano mais notável da década de 80 foi a Juventus de Platini, Inter de Rummenigge, Milan de Baresi, Udinese de Zico, Fiorentina de Sócrates e Antognoni, talvez a Roma de Falcão, ou quiçá o Napoli de Maradona. A priori uma coisa a ser destacada dentre estes esquadrões: o investimento no elenco. Com planteis estelares, os grandes da Serie A se digladiavam, um simpático clube de Verona vinha silenciosamente galgando o seu espaço no hall dos campeões italianos. 

Em 1985, alguns dos brilhantes nomes que contribuíram para esta glória veronesa são Briegel, líbero e lenda alemã, Elkjaer e Galderisi, uma dupla dinâmica no ataque, Fanna, Di Gennaro e Sacchetti como ases do meio campo além de Tricella, Ferroni e Volpati para a retaguarda, tão intransponível quanto o fantástico Briegel. 

Era um time combalido, valente, decidido e bem treinado por Osvaldo Bagnoli, surpresa também no banco de reservas. Bagnoli, diga-se de passagem, foi até contratado pela Inter em 1989, após longa carreira no comando de equipes de menor expressão. Importante notar o grande trabalho de bastidor por parte do técnico, que conseguiu o feito de levantar a Serie A apenas dois anos depois de um acesso. Com peças suficientes para conseguir uma classificação média na mão de qualquer outro colega de profissão, Osvaldo tirou não só leite da pedra gialloblù, mas sim suco de laranja, caipirinha e qualquer outra bebida deliciosa que você possa imaginar. Foram apenas 17 atletas usados em toda a campanha.

Naquela temporada em especial, o scudetto veio sem grandes dificuldades, de ponta a ponta, com apenas duas derrotas e muitos empates. Não podemos chamar um time desses de irregular, jamais. Tudo se resume a um ótimo planejamento e a sabedoria de um grupo de atletas que sentiam que poderiam conquistar algo maior. 

Foram 43 pontos, 15 vitórias, 13 empates e duas derrotas, bem menos que as cinco da vice campeã Juventus, batida por quatro pontos. A peculiaridade vem no número de gols marcados: 42. Ao lado da Inter e atrás de Udinese (43) e Juventus (48), o setor comandado pelo dinamarquês Elkjaer foi deveras imponente e integrante do Top Five dos melhores da temporada. Todavia, o que chamava mais a atenção nos Mastini era justamente a defesa. Briegel e Tricella estiveram impecáveis para uma caminhada de apenas 19 tentos concedidos, com média de 1,57 por jogo.

Finalista em duas edições anteriores da Coppa Italia, este Verona não se abateu com os insucessos e chegou forte para a Serie A seguinte, querendo superar a própria façanha. Somando vitórias contra Fiorentina (2-1 em casa e 3-1 fora), Juventus (2-0 em casa), Napoli (3-1 em casa, na estreia de Maradona), e Roma (1-0 em casa).

Este triunfo de 1985 continua sendo o único título da simpática agremiação veronesa, que tenta a todo custo se reerguer de anos inglórios em divisões inferiores na Itália. Atualmente na quinta colocação da Serie B, é de se esperar que este ano os gialloblù retomem sua trajetória na elite e quem sabe reescrever novos tempos. O clássico contra o Chievo é só o primeiro dos objetivos a serem traçados.



segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Coxa tá no G5 (caralho)

Jéci comemora gol sofrido do Coxa na vitória sobre o Avaí (GloboEsporte.com)
Rodrigo Salvador, @novosomsalvador
Texto psicografado por Felipe Portes

Limbo

Eu tinha 26 anos, fui no Couto Pereira, estádio do Coritiba, ver meu time jogar. Tinha uma chance pequena de entrar no G5, tinha resultados prováveis que podiam nos levar até lá, mas eu não acreditava, era coisa demais. Cheguei cedo, compramos ingresso pra patroa e pro meu irmão, encontramos o pessoal que tá sempre por lá e beleza, entramos. Eu não sabia o que estava por vir.

Jogo? Demorou pra começar. Era 30 do segundo tempo quando o jogo começou. Antes disso, rolou uma pelada no campo, com o Vanderlei defendendo até chute de atacante impedido, e o Coxa chutando uma na trave e as outras na trave lá da grade da torcida visitante. 

A rodada acontecia na arquibancada, e só lá. Um tiozão girtou um gol fake do América e o estádio inteiro caiu na dele (verdade, última cena engraçada da minha vida). Depois saiu mesmo o gol do América, aí todo mundo com os radinho confirmou. No primeiro tempo também saiu gol do Galo e do Flamengo, gols que a gente contava pra poder ganhar e entrar no G5. E passou rápido, assim mesmo, porque não teve nada de mais. Eu mais brinquei com uma menininha fofinha lá do que vi a pelada que rolava.

Voltou o segundo tempo e o Coxa mexeu. Tirou as ínguas, improvisou outras, ficou tudo a mesma meia boca. O jogo continuava ruim quando saiu o gol do Palmeiras. Porra, se ganhasse a gente ia pra sexto. O Atlético empatou, o Cruzeiro virou, eles tavam sendo rebaixados. Tá, legal, mas pô, a gente não vai ganhar esse jogo não? Pá, ataca daqui, ataca de lá, gol do Corinthians. Fudeu, foi aí que eu comecei a ver a luz. 

O cara gritou o gol do Corinthians e na mesma hora eu sentei desesperado, um gol colocava a gente em quinto e NÃO VAI SAIR ESSA PORRA DE GOL, o que tava saindo eram meus cabelos e uns gritos de raiva. Praticamente na mesma hora, o maluco deles chuta o Geraldo e é expulso. A galera comemorando enquanto AQUELE MALDITO JOGO NÃO COMEÇAVA DE NOVO PORRA TIME TIRA ELE DAÍ, TIRA O CARA, TIRA ELE, VAMO JOGAR VAMO FAZER O GOL. E eu vendo a luz.

Um chute pra fora, outro chute pra fora e depois mais um chute pra fora. Daí um cruzamento errado e depois um chute pra fora. O lanterna, com 10, time misto, sem o Caçapa (se ele tivesse lá, seria a única justificativa pra não fazer gol até aquela hora) e o Coxa ainda no zero. Todas as amareladas passando na minha cabeça. 98 contra a Portuguesa, 2002 contra o Gama, 2004 na Libertadores, 2005 perdendo oito jogos e cair, 2006 sem ganhar oito jogos e não subir, ia acontecer de novo e eu ia estar ali de novo. Escanteio pro Coxa, gol do América, cala a boca galera esquece esse jogo olha essa maldição aí acontecendo de novo o Coxa vai perder mais uma chancGOL GOL GOL CARALHO GOL GOOOOOOOOL GOOOOOOL AAAAAAAAAAAAAAAAAH GOOOOOOOOOOOOOOOOL. Corri não sei pra onde, abracei não sei quem, me pendurei na grade...

E sei lá, acho que foi nessa hora que aconteceu. É foda, não tem como saber a hora que você morreu. Só sei que foi foda, foi um gol fantástico, nem sei direito quem fez, quem cruzou, quem tava no campo aquela hora. Sei que nem no melhor save de FM teria uma última rodada assim. Sei que nunca esqueceria isso se continuasse vivo depois do jogo. Mas morri né. Aqui no além é tudo diferente, sério, vocês não tem noção. Mas tem uma lei que a gente não pode dar spoiler da morte. A única coisa que vou contar é que Deus existe e é mó maneiro, gente finíssima. Digo, divindade finíssima. Vocês vão adorar conhecer.

Descraques: Robbie Savage

Foto: Mirror
Robbie Savage era selvagem em tudo, até no nome. Épico volante galês que fez sucesso na Premier League nos anos 2000, adorava receber um cartão amarelo e fazer faltas absurdas em adversários. Rei do carrinho e da tesoura, Robbie é um legítimo Descraque

sábado, 26 de novembro de 2011

Desafortunados: Joe Cole

Isso é Joe Cole: futebol arte, futebol moleque, de várzea, toco e me voy ao solo
(Foto: Negócios do futebol/ Expressão: Arthur Chrispin @achrispin)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Queridinho da Inglaterra na década de 2000, o Desafortunado de hoje realmente merece o adjetivo da seção. Dono de canelas (no caso joelhos) de vidro, como diz o vocabolário (vocabulário da bola, sacou? sacou? não? não. Ok.) do esporte bretão.

Acontece que além de se quebrar mais fácil do que biscoito de polvilho numa tarde de sol, Cole não era bom no Winning Eleven. Ao contrário de Junichi Inamoto, um dos últimos atletas citados aqui nesta editoria pelas palavras do amigo Lobão, vulgo @moret_. Naquelas gloriosas jogatinas virtuais, difícil ter algum amigo seu que optasse por Joãozinho como referência no meio campo. Na vida real, Joe Cole era sempre aquele reserva que se machucava. Quando titular, aproveitava bem a suas chances, até que alguma lesão o acometesse. Uma lástima.

Começou lá em 1998, no West Ham. Nesta temporada em particular, o meio campo hammer era mais lotado que o 7545- Praça Ramos na hora do almoço. Lá o nosso desafortunado de hoje aprendeu alguns fundamentos e alguns macetes com o jovem Frank Lampard, com o saudoso Marc-Vivien Foé, Paolo Di Canio, Jimmy Bullard, entre outros canalhas da terra da rainha. 

Pequeno Joe foi convocado para o Mundial de 2002, na Coreia e no Japão, seguindo a política britânica de recrutamento para jovens talentos abaixo dos 18 anos. Wayne Rooney, Gareth Barry e Theo Walcott são bons exemplos. Chamou a atenção com seu bom futebol (tolos dirigentes do Chelsea, mua-ha-ha-ha) e foi para o Stamford Bridge naquele inesquecível verão de 2003.

No início da era Roman Abramovich comandando (entenda $$) os Blues, era visível a estratégia por contratar jogadores de destaque no futebol inglês. Saindo de uma fase de jogadores míticos como Marcel Desailly, Emmanuel Petit, Claude Makelélé, Mario Stanic, entre outros que brilharam na década de 90, a agremiação londrina resolveu acreditar na promessa daquele rapazinho de 1,75m que mostrava bom passe, velocidade, e visão de jogo. A farsa estava para começar. Se bem que, treinados por Claudio Ranieri, era difícil sair algo de bom, de qualquer forma.

E daí que Cole conquistou a confiança e a simpatia da torcida azul e do público inglês, que clamava pelo seu nome na seleção. E você aí pensando que o hype por convocações é exclusividade do povo brasileiro. Sua primeira grande chance no English Team foi em 2004, na Euro em Portugal. Quem não se lembra daquele time incrível dos ingleses, David Beckham em chamas, Lampard inspirado, Steven Gerrard nem tanto e do famigerado escorregão de Becks no pênalti decisivo contra os lusos. Ah, que verão aquele...

Joe disputou apenas uma partida naquela Euro, contra a Croácia, ainda nos grupos, num 4-2 inglês, que já tinha vaga garantida para a próxima fase. Seguindo com boas atuações e costumeiros afastamentos por lesão, Cole tinha carisma e bola suficientes para se manter em bom nível na Premier League, sendo aquele jogador que entrava durante os cotejos já resolvidos para pentear a redonda e se desse, marcar um golzinho. 

Eis que Sven-Goran Eriksson inclui mais uma vez Joe Cole em sua lista para o Mundial de 2006. Titular em todos os cinco jogos do English Team, deixou boa impressão apesar da eliminação diante de Portugal, nas quartas. Fadado ao insucesso internacional, tal qual Gerrard, Lampard e Beckham, Joãozinho foi peça importante para o Chelsea até 2008, quando começou a amargar o banco. 

Em decadência técnica (bem precoce, diga-se de passagem) e lutando contra contusões complexas, Joe passou um dos momentos de maior vergonha na sua carreira, ao ser trocado por Yossi Benayoun no Chelsea e partir para o Liverpool. Logo na sua estreia, foi expulso num lance com Laurent Koscielny na peleja contra o Arsenal. Novo quadro de chinelagem impediu o queridinho da Inglaterra de ganhar sequência nos Reds, onde participou de apenas 11 encontros pela Premier League. 

Agora no Lille, Cole quer apagar a imagem de chinelinho com bom futebol (Europe 1.fr)
Recomeço à francesa
Depois do fracasso em terras beatlemaníacas, Joe foi emprestado ao Lille, campeão francês. Les Dogues tinham de se reforçar após a saída de Gervinho, Adil Rami e Yohann Cabaye e trouxeram alguns bons nomes  para a reposição. O nosso inglês pegou a camisa de número 26 e admite estar impressionado com os rumos tomados, ele que já está chegando na casa dos 30. 

"Estou sentindo aquele espírito outra vez. Aqui (em Lille) todos parecem se entender perfeitamente, além de sermos amigos. É um lugar animador e relaxante, as condições de trabalho são excelentes e tenho prazer de vir trabalhar todos os dias", confessou ao portal britânico Mirror Football. Que lindo, gente.

Tido como grande talento e estrela em território francês, Joãozinho terá sucesso nesta nova empreitada? Os cães de Lille irão latir felizes a cada vez que Cole fizer um gol? (marcou em seu debut contra o St. Etiénne) Será que os sinos tocarão com o retorno de mais um grande jogador aos relvados da Ligue 1? Eu não me canso de fazer perguntas ao fim dos textos?

Por fim, esta é a hora e a vez de Joseph John Cole? Rufem os tambores.