domingo, 29 de janeiro de 2012

O baixinho

Foto: Minha Gorda Querida (t-ambrosio.blogspot.com)
Romário de Souza Faria tem suma importância no futebol brasileiro como celeiro de grandes craques e também como referência na seleção canarinho. Dono de um talento extraordinário para se posicionar/marcar gols de dentro da área, o Baixinho aterrorizou as defesas adversárias até os seus 41 anos, e de acordo com ele mesmo, só não parou antes por encontrar extrema facilidade para balançar as redes.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Desafortunados: Adrianinho

Foto: Olheiros
Felipe Portes, @portesovic

Adrianinho era um meia dos ariscos, revelado na Ponte Preta em meados de 1998. Neste ano, a Macaca montava um elenco repleto de futuras promessas do futebol nacional, tal qual Luís Fabiano, Fábio Luciano, Mineiro, Washington e Regis Pitbull (só que não), além de figurões do passado. Para se ter uma noção, Sergio Baresi, Ronaldão, Ezequiel (ex-Corinthians), Wagner Mancini e Sandro Gaúcho também foram contemporâneos do rapazote protagonista desse texto. Falta de referências na carreira não pode ter sido a razão para tamanho insucesso.

sábado, 21 de janeiro de 2012

E aí, Dnipro?

Vamos ver até quando dura a paciência com Juande Ramos
Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

Desde 1992 a hegemonia no futebol ucraniano é dividida entre Shakhtar Donetsk e Dynamo Kyiv. Os dois quase sempre permanecem no topo da tabela com "sobras" em relação aos outros. Atualmente, o Metalist está se aproximando bastante. Quer tentar o mesmo que o Tavriya, último time que conquistou uma liga ucraniana (justamente em 1992). 

Há algum tempo atrás se esperava que essa quebra de hegemonia começaria com o Dnipro, que passou a investir pesado em contratações e, além disso, já é um time historicamente grande. De meados da década de 70 até meados da de 80, o Dnipro conquistou dois títulos soviéticos (1983 e 1988) e se tornou o primeiro clube profissional da URSS.

Nomes como Oleg Protasov, Hennadiy Litovchenko, Oleksiy Cherednyk e Oleg Taran até hoje arrancam lágrimas dois mais antigos torcedores. Entretanto, desde este período o Dnipro passou a ser um verdadeiro "gigante adormecido", vendo times como Metalist e Shakhtar crescerem e conquistarem a simpatia da nação (principalmente a equipe de Donetsk).

Na temporada passada o proprietário Andiy Stetsenko decidiu que não bastava apenas trazer jogadores. Era preciso mudar a filosofia, assim como fez o Shakhtar quando contratou Mircea Lucescu. Foi exatamente por isso que trouxe o experiente treinador espanhol Juande Ramos para o banco de reservas, bancando -ponderadamente- suas contratações.

O técnico, por sua vez, se mostrou contente com o elenco trazendo apenas Matheus, Zozulya,  Derek Boateng e Nikola Kalinic para 2011-2012. Este último para substituir Yevgen Seleznyov (em russo Seleznev), artilheiro da UPL em 2010-2011, que foi para o Shakhtar. A princípio pareceram poucas contratações, mas considerando que o elenco já contava com Giuliano, Ruslan Rotan, Mandzyuk, Konoplyanka e Strinic, foram "cirúrgicas".

Quando a bola rolou, tudo pareceu mais complicado do que realmente era. Os insucessos do time caíram como uma "bomba" para a torcida e também para Ramos. Hoje a diferença do Dnipro, 5o. colocado, para o líder Shakhtar é de exatamente 18 pontos, em 19 rodadas disputadas. O que é algo bizarro, pelo elenco do Dnipro.

É fato que Juande Ramos ainda não encontrou uma formação para o time. Logicamente não pude ver todos os jogos do Dnipro na temporada, mas em todos que pude acompanhar, foram utilizados esquemas diferentes: 4-4-1-1, 4-4-2, 4-3-2-1 e, algumas vezes, até 4-3-3. Isso quando os jogadores não perdiam o controle e atacavam como loucos. Literalmente na base do abafa.

Não restam dúvidas de que quando um time não está bem, seu treinador deve mudar. Mas quando estas mudanças não são bem-sucedidas, ele precisa insistir em uma formação até que o plantel se habitue. Caso contrário, não haverá um padrão de jogo. Foi exatamente isso que aconteceu na partida Illychivets 3x2 Dnipro, onde a equipe de Dnipropetrovsk saiu perdendo por 2x0 e empatou no segundo tempo apenas por ter jogado com raça. Mas quase nenhuma técnica.

O esquema ideal

Pelas peças que tem, julgo que o esquema ideal para o Dnipro seja o 4-4-1-1, principalmente pela chegada de Matheus. Normalmente concordo com as opções para goleiros, mas depois de ter visto Kanibolotskiy na Ucrânia sub21 no último Europeu, não sei como ele é reserva do tcheco Lastuvka.

Na zaga Mandzyuk é incontestável. Titular tanto no Dnipro quanto na seleção ucraniana de Oleg Blokhin. Excelente nome. Ultimamente Juande vem utilizando Cheberyachko como seu companheiro, mas como ele é lateral, por vezes acaba se complicando. O nome do experiente volante croata Ivan Strinic me soa um pouco melhor.

Já que Cheberyachko é um lateral, Ramos poderia colocá-lo em sua posição -pela esquerda. Na direita Samuel Inkoom é o melhor, mas em casos extremos o winger Denys Kulakov pode ser recuado, atuando como lateral mais ofensivo.

Na faixa central do meio o nome do volante Ruslan Rotan é incontestável. O capitão do time passa uma enorme confiança e também é titular na Ucrânia. O problema é decidir quem pode ser seu companheiro. Nomes como Kravchenko, Boateng e Strinic são normalmente utilizados. O jogador ganês prefere atuar pela esquerda, mas como não vai tomar a posição de Konoplyanka, já foi escalado pelo centro.

Até o começo da temporada Giuliano era titular incontestável pelo lado direito do meio-campo. Mas não correspondeu. Nas últimas rodadas veio sendo trocado por Kulakov. Acharia uma medida interessante se o brasileiro passasse e jogar ao lado de Rotan, deixando o time mais criativo. Além do mais, Giuliano por vezes abdica do jogo pelas laterais e pouco chega à linha de fundo. Geralmente tende a cortar para o meio.

Do lado esquerdo está a "pérola" deste time, o jovem Yevgen Konoplyanka. Dono de uma técnica fantástica está jogando em uma "fogueira" enorme, sendo exigido demais. O jovem meia (22 anos) é dono de uma qualidade técnica sensacional e um toque de bola muito refinado, pouco comum a jogadores do leste Europeu. Por vezes tenta chamar o jogo, mas não consegue resolver sozinho.

Matheus começou como titular, foi para o banco e agora voltou a ser escalado. O ex-atacante do Braga é o nome ideal para ficar nos 3/4 do campo, fazendo a ligação com  ataque. Muito se fala de outro garoto: Roman Zozulya, ex-Dynamo Kyiv. Ele realmente é bastante promissor, mas ainda não jogou o suficiente para estar entre o XI titular.

A posição de "9" é uma das poucas que por enquanto não vem gerando dúvidas em Juande. Desde que chegou, Nikola Kalinic marcou 7 gols e desbancou as "incógnitas" Oleksiy Antonov, Denys Olyinyk e Dmytro Lyopa, que não passavam a mesma confiança que Seleznyov.

Preciso destacar que Juande Ramos já utilizou o time assim por algumas vezes. Mas ele não teve paciência de permanecer com o mesmo por 4 ou 5 rodadas, este foi o problema. Posso até estar terrivelmente enganado, mas pelo que conheço, estas seriam as melhores opções para o Dnipro hoje.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Descraques: Osmar

Cena frequente de Osmar no Palmeiras: a cambalhota (Lancenet)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Seria mais um jogador normal de clubes do interior paulista, não fossem os gols feitos no Palmeiras na fatídica Copa do Brasil de 2004, pelo Santo André. Natural de Marília, cidade mais próxima de Oriente, terra natal de um certo Marcos Roberto Silveira Reis, Osmar começou sua carreira como atleta do quadro profissional do Rio Branco em 2000. Fazia seus gols vez ou outra, dentro dos padrões do Tigre. 

De baixa estatura, o atacante ganhou destaque por sua velocidade e posicionamento. Era aquele baixinho que  sempre estava no lugar certo para cabecear, tocar de canela ou de bico para dentro das redes. Negociado com o União São João em 2001, fez bons Campeonatos Paulistas até 2004, quando assinou com o Ramalhão, que teria uma temporada incrível naquele ano.

Na Copa do Brasil, o brilho do Santo André seria a maior surpresa das Américas em muito tempo. A equipe andreense deixou o Novo Horizonte, Atlético-MG e Guarani pelo caminho até alcançar o Palmeiras, na fase de quartas de final, um ponto decisivo na história do time do ABC paulista. Valendo pelo confronto de ida, no estádio Bruno José Daniel, um empate eletrizante por 3-3. Tentando se reconstruir do vexame na mesma competição em 2003, frente o Vitória, o alviverde contava com as novas esperanças do retorno à Série A. 

Era uma parada difícil, especialmente para o clube da capital, que tinha sim muito mais a perder do que uma vaga na semifinal do certame. Valia a honra de se classificar em cima de uma grata surpresa. No dia 20 de maio de 2004, em pleno Palestra Itália, Tássio, Sandro Gaúcho(2) e Osmar marcaram os gols do Ramalhão em cima do reformulado alviverde. Marcinho, Correa, Vágner Love e Marcinho bem que tentaram diminuir o estrago, mas a vitória era o único resultado que interessava. 

Foto: R7
Ao fim da partida, Marcos deu suas declarações habituais, criticando a postura do elenco diante do revés. O tímido Osmar foi destaque e bastante procurado pela imprensa, especialmente por ser amigo do goleiro palmeirense. Se ouviu depois um bochicho de que o mariliense ganharia uma chance de figurar ao lado de jogadores como Vágner Love, Diego Souza, Lúcio, Baiano, Nen e Leonardo. Era uma época de vacas magras pelos lados do Palestra Itália e então um dos algozes naquela noite do dia 20 de repente virou solução para formar a dupla de ataque escalada por Jair Picerni. 

Se apresentou no CT da Barra Funda após a Copa do Brasil, vencida pelo Santo André de forma épica em cima do Flamengo, no Maracanã. Os louros da vitória caíram sobre os ombros do veteraníssimo Sandro Gaúcho. Além do título inédito, os andreenses se credenciaram para disputar a Libertadores de 2005, por um acaso caindo no mesmo grupo dos palmeirenses.

Osmar então iniciou sua trajetória num time grande. No meio de um plantel limitadíssimo, conseguiu a titularidade e mostrar o seu valor. Ao final de 2004, entretanto, já contestado, foi tentar a sorte no Grêmio, coincidentemente também se reestruturando após a queda para a Série B. Sem conseguir uma mínima sequência no tricolor gaúcho, foi repassado ao Monarcas Morelia. Mostrou que aquelas atuações na Copa do Brasil eram mera faísca.

Como no México é mais fácil virar lenda (que dirá Lúcio Flávio, o Pelé branco do Atlas), o nosso descraque de hoje aprontou das suas e deitou e rolou no FLORINDÃO por um ano. Passou pelo Oita Trinita em 2006 e por lá foi ídolo antes de voltar ao Palmeiras, onde teria uma chance real de mostrar que não era mais um sonho de verão. A redenção não viria tão rápido, Osmar ainda foi emprestado ao Fortaleza até que pudesse reintegrar o grupo do Palmeiras. 2007 seria um ano complicado pelos lados da Barra Funda. 

Foto: IG
O setor ofensivo palmeirense estava assaz inchado naquele ano. Edmundo, Osmar (titulares) alternavam com Florentín, Max, Cláudio, Luis, Cristiano, Alemão (que faleceria num acidente de carro em meados de julho), Alex Afonso, Luis Henrique, Rodrigão (!) e Beto, jovem da base. Se a torcida teve alguma felicidade naquele ano foi a vitória no clássico sobre o Corinthians, por 3-0, com atuação fenomenal de Edmundo. De resto, tudo descarrilhou num grande desastre.

A começar pela morte de Alemão, o 2007 foi nebuloso. Perdendo a vaga nas semifinais do Paulista para o Bragantino, no respiro final, a equipe de Palestra Itália ainda perdeu a chance de disputar a Libertadores de 2008, escorregando por dois pontos e deixando o Cruzeiro como último qualificado. Osmar embarcou na onda de azar e se lesionou pouco depois de Alemão, em maio. Os dois conviviam bem no Departamento médico e em meados de junho, nosso Descraque cometeu a maior gafe de sua carreira. Em entrevista, afirmou que travaria uma "competição sadia" com o amigo afim de retornar antes aos gramados, e que certamente poderia jogar antes. Bem, o desenrolar vocês já sabem, Alemão nunca mais vestiu a camisa de um clube profissional...

Osmar, bem vivo, graças a James Brown, voltou em 2008. E no ano do primeiro título estadual, taça que o Palmeiras não levantava desde 1996. Para o atacante, a temporada poderia ser resumida em banco, banco, banco, 5 minutos finais, gols cagados e cambalhotas, sua marca registrada. Sem impressionar ninguém da alta cúpula, foi emprestado ao Vitória, ao fim de 2008. Encostado em sua passagem pela Bahia, retornou à São Paulo para 2009 e amargou não ser relacionado para nenhuma partida pelo Palmeiras.

Desde 2010 transita entre clubes menores do interior de São Paulo, entre eles o União São João, Americana e Marília. Atualmente joga pelo mesmo União São João, talvez o único clube de todos que realmente precisou dos seus serviços. Não há registro de nenhum palmeirense, baiano, japonês, mexicano ou andreense que sinta a sua falta. É, Osmar, a vida não é só cambalhotas.



*Sim, Osmar está dando uma cambalhota na imagem, mas quem entenderia se a figurinha viesse de cabeça para baixo?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Desafortunados: Vratislav Gresko

Gresko é considerado uma das piores contratações da "Era Moratti" 

Arthur Barcelos, @arthurbarcelos_
De Marabá-PA 

Já ouviu falar? Não? Sorte a sua. Este rapaz “flopou” em grandes ligas, como Bundesliga, Serie A e Premier League. 

Nascido na pequena vila de Tajov, na Tchecoslováquia, Gresko iniciou sua carreira como futebolista no modesto Dukla Banská Bystrica aos 18 anos. Dois anos depois, mudou-se para o Inter Bratislava, um dos principais times na Eslováquia. 

Na capital eslovaca, passou a se destacar. Depois de duas boas temporadas, foi comprado pelo Bayer Leverkusen, na época o vice-campeão alemão. Junto com a mudança de clube, uma convocação para seleção eslovaca sub-21, para a disputa do campeonato europeu. Na Alemanha teve poucas oportunidades (principalmente por enfrentar a concorrência de Zivkovic e Zé Roberto), e nas chances que teve, não mostrou bom futebol. 

Porém pela seleção sub-21, encheu os olhos de Marco Tardelli, então assistente técnico da Itália. Poucos meses depois, Tardelli assumiria o comando da Internazionale, ocupando o lugar de Marcelo Lippi. Logicamente, Gresko foi uma das contratações pedidas pelo ex-jogador. Massimo Moratti desembolsou 14 milhões de euros no eslovaco! Valor absurdo na época, e atualmente. Gresko participou de 17 jogos, muito irregular, fez algumas boas partidas, mas também péssimas. 

Na temporada seguinte, Héctor Cúper foi contratado para ser o novo técnico do time azul de Milão. Com o argentino no comando, Gresko entrou em campo 23 vezes. Continuou irregular. Mas foi em um lance que teve toda sua carreira na Inter manchada. No último jogo da temporada pela Serie A, valendo Scudetto, o eslovaco da camisa 24 participou diretamente de um dos gols de Poborský, fazendo com que o time não só perdesse o jogo (4-2 para a Lazio), como a liderança (Juventus foi a campeã). 


Sem prestígio, foi passado ao Parma. No time da Emília-Romanha teve a concorrência do penta campeão Júnior. Jogou apenas cinco vezes. Em janeiro de 2003 foi para o Blackburn, por empréstimo com opção de compra. Na Premier League foi até bem, sendo comprado em agosto. Continuou com a boa fase, porém em dezembro uma infelicidade: sofreu uma grave lesão nos ligamentos cruzados. 


Mesmo recuperado da lesão, entrou em campo apenas seis vezes nas temporadas 2004/05 e 2005/06. Com o fim do contrato voltou à Alemanha, dessa vez para o Nuremberg. Nova decepção, e como free agent, regressou ao Bayer Leverkusen. 

Dois anos como reserva, entrando uma vez ou outra, Gresko parou em 2009. Dois posteriormente foi anunciado que voltaria aos campos. Assinou um contrato de quatro anos com o Podbrezová, modesto time da segundona eslovaca. Atualmente o time ocupa a segunda colocação, e Gresko tem jogado regulamente.

sábado, 14 de janeiro de 2012

As "cartadas" de Yuri Semin

Yuri Semin, treinador do Dinamo Kiev (Dnipro.ua)
Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

A temporada

Ninguém na Ucrânia (nem fora dela) tem dúvidas da força do Shakhtar Donetsk e de suas possibilidades de conquistar o título nacional. Mas depois de 2 duas temporadas sem levantar o "caneco", o todo poderoso Dynamo Kyiv vem com muita vontade -e sobretudo qualidade- para desbancar seus principais rivais.

Em 2008-2009, na primeira passagem de Yuri Semin pelo time de Kiev, o título foi conquistado com sobras: terminando 15 pontos à frente do Shakhtar e 20 do Metalist, vice-campeão e terceiro colocado, respectivamente. Semin saiu e voltou em 2010, mas não foi pário para Mircea Lucescu e seus comandados. Para um time que foi campeão 26 vezes (13 da Liga Soviética e 13 da UPL), dois anos sem um campeonato nacional é muita coisa.

Isso ficou comprovado com as contratações para esta temporada: Dudu, Ideye Brown, Carlos Corrêa, Lukman Haruna e Pape Dikhaté, que se juntaram a nomes como Vukojevic, Ninkovic, Garmash, Gusev, Yarmolenko, Milevskiy e Shevchenko. Com relação às baixas, as mais significantes foram dos meias Roman Eremenko e Roman Zozulya, mas que de momento não fazem muita falta.

A UPL já fez sua tradicional pausa de inverno e só volta em março. Por enquanto o líder é o próprio Dynamo, invicto e com 52 pontos, um a mais que o Shakhtar. Vale lembrar que o time do Serviço Secreto soviético já não briga mais por competições europeias, tendo ficado atrás de Besiktas e Stoke City no grupo E da Europa League. Logicamente o presidente Igor Surkis não ficou nada contente com a eliminação, mas ao menos o Dynamo pode se concentrar exclusivamente na UPL, o que torna as coisas ainda mais difíceis para o Shakhtar nesta temporada.

A equipe de Donetsk não é a mesma da temporada passada -em termos de atuações. A última colocação no grupo G da Champions mostrou que isso é um fato. O segundo lugar na UPL vem justamente pela superioridade de seu elenco em relação a outros times. Mas não podemos colocar esta aparente "queda" do Shakhtar como principal motivo para a liderança do Dynamo. Os méritos maiores são dos comandados de Yuri Semin.

Aliás, desde os tempos de Lokomotiv Moscow -time que ele fez crescer dentro do cenário russo- Semin era conhecido por seu pragmatismo. Uma fama até certo ponto justificada. Por outro lado, com opções mais ofensivas em 2011-2012 ele vem mostrando que pode armar também times cuja defesa é apenas um dos pontos fortes -mas não o principal.

O mais curioso deste Dynamo Kyiv é a recorrente alternância de esquemas táticos. No caso do Dnipro este fator deixa evidente sua irregularidade, mas no caso do Dynamo o que aparenta é a versatilidade dos jogadores e a confiança que Semin deposita nos mesmos. Vale mencionar que também existe esta versatilidade nos jogadores do Shakhtar, mas não ocorrem tantas mudanças táticas assim (Lucescu até que tentou colocar dois atacantes no time, o que não deu muito certo).

Esquema do começo da temporada
Os incontestáveis

Semin começou a temporada em um 4-2-3-1, que até hoje é o esquema mais decorrente no time. A defesa (menos vazada da UPL com apenas 8 gols sofridos) é comandada pelo capitão da seleção ucraniana Shovkovskiy, um goleiro muito experiente e que passa muita confiança.

Na zaga central o único nome que parece demonstrar mais segurança até o momento é o do nigeriano Aiyla Yussuf. Ele foi titular desde o princípio e poucas vezes ficou no banco de suplentes. A dúvida maior é gerada em torno de seu companheiro. Foram utilizados Diakhaté, Betão e Kacheridi. Mas nenhum deles conseguiu corresponder à altura.

Nas laterais é que começamos a notar as mudanças tão destacadas. Normalmente os titulares eram Danilo Silva e Popov. Isso é o lógico. Mas quem disse que Semin quer seguir a lógica? Dependendo da escalação ele coloca Danilo Silva e Betão, dois laterais predominantemente defensivos. No entanto, em uma das partidas contra o Besiktas pela UEL ele utilizou uma outra "cartada" entrando com Oleg Gusev pela direita e Popov pela esquerda. Ambos apoiam demais (Gusev é um right winger). Nisso, o croata Vukojevic voltava para fazer a zaga, formando um 3-4-3 ultra-ofensivo.

Por falar nele, Ognjen Vukojevic é outro atleta mais do que incontestável neste Dynamo Kyiv. O croata está há 3 anos na capital ucraniana e é titular absoluto. Por vezes mostrou que é imprescindível para o time. Durante suas lesões, Semin não coloca outro volante, deixando que o meia Aliyev faça a função.

Atual esquema
As variações 
É bastante delicado falar sobre o meio-campo e o ataque do Dynamo, que se modificaram bastante ao longo da temporada. Para se ter uma ideia, a linha de 3 meias que começou a temporada foi Gusev-Eremenko-Yarmolenko, sendo este último substituído algumas vezes por Ideye Brown.

Hoje quem ganhou espaço foram Ninkovic, Garmash e o já mencionado Aliyev. Enquanto isso, Artem Milevskiy, que fazia temporada lastimável, finalmente sentou no banco de reservas. Outra coisa que Semin mudou foi o posicionamento de Ideye, que saiu do lado esquerdo para jogar onde gosta, ou seja, no meio da área, como um "9" puro. Antes disso, Yarmolenko, Shevchenko e o próprio Milevskiy foram testados na posição, mas sem sucesso.

Detalhe é que isso tudo aconteceu quando Yuri Semin esteve utilizando um 4-2-3-1 (4-1-4-1), porque em dado momento da temporada ele passou para um improvável 4-4-1-1. Isso aconteceu quando Vukojevic se lesionou e ele não tinha alguém de confiança para deixar como seu "cão de guarda" no meio-campo.

Aí é que entram com mais protagonismo Oleksandr Aliyev, Denys Garmash e Milos Ninkovic. Os dois primeiros atuaram mais centralizados no meio-campo, sendo que Aliyev ficava mais com papel de marcação. Entretanto, como ele não é um grande marcador, acabou dando ainda mais qualidade para a bola "rodar".

A primeira opção para jogar a seu lado foi Ninkovic, mas ele não foi bem e acabou sendo substituído pelo jovem ucraniano Danys Garmash, que finalmente mostrou todo o seu potencial e agarrou de verdade a oportunidade. Mas para a sorte (?) de Ninkovic Gusev se lesionou e ele pôde entrar para fazer a left winger, com Yarmolenko sendo deslocado pelo lado direito. Ao menos a segunda chance ele aproveitou bem.

Enquanto isso Shvechenko foi colocado como um segundo-atacante (por vezes um "falso 10" como alguns preferem), fazendo exatamente o mesmo papel de Wayne Rooney no Manchester United. À sua frente seguiu Ideye Brown, mantendo uma altíssima média de gols (marcou 10 na temporada).

Realmente o Dynamo Kyiv não jogou bem em todas as partidas -isso seria quase impossível-  mas o fato é que seu elenco e o trabalho de Semin estão chamando demais a atenção. São raríssimos os times em ligas teoricamente de "segundo escalão da Europa" que têm tantas opções de qualidade e apresentam mudanças táticas tão interessantes. Em suma, o Dynamo precisa cair muito de produção ao longo da temporada para não conquistar este título ucraniano.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Craques: Robert Prosinecki

Foto: Dasbiber.at
Sempre lembrado como o cérebro da Croácia na espetacular campanha da Copa de 1998, Prosinecki precisou lutar muito para mostrar seu valor nos clubes que passou

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Henry em 14 atos

Nicholas Hagel, @Nicholas_Hagel
De Guaratinguetá-SP

Henry está de volta. O francês retornou ao Arsenal nesta segunda-feira, contra o Leeds, na Carling Cup. Como se fosse num filme, marcou o gol da vitória sobre os whites e fez vibrar a torcida que por tantos anos gritou seu nome enlouquecidamente. Esse post é apenas uma pequena homenagem ao maior artilheiro dos gunners de toda a história. Em 14 atos...

1.
Watford 2x3 Arsenal
23/04/2000

2.
Arsenal 1x0 Manchester United
30/09/2000
3.
Arsenal 5x0 Newcastle
09/12/2000
4.
Arsenal 5x3 Charlton
01/04/2002
5.
West Ham 2x2 Arsenal
24/08/2002
6.
Arsenal 3x0 Tottenham
16/11/2002
7. (O terceiro gol)
Roma 1x3 Arsenal (Para o sofrimento do @portesovic)
27/11/2002
8.
Manchester City 1x5 Arsenal
22/02/2003
9.

Middlesbrough 0x2 Arsenal
19/04/2003

10.
Charlton 1x1 Arsenal
26/10/2003
11.
Arsenal 4x0 Charlton
02/10/2004
12.
Weiz 0x5 Arsenal
18/08/2005
13.
Real Madrid 0x1 Arsenal
21/02/2006
14.
Liverpool 1x3 Arsenal
06/01/2007

sábado, 7 de janeiro de 2012

Stari Most

Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR

Há algum tempo atrás falei um pouco sobre o APOEL Nicosia e me lembro bem de ter mencionado que a cidade é dividida ao meio por um muro. Falei também sobre o clima um pouco "pesado" entre os turco-cipriotas e os grego-cipriotas. Mas este clima nem se compara ao da cidade de Mostar, na Bósnia e Herzegovina, que é dividida ao meio por uma ponte que separa os Bosniaks (muçulmanos bósnios) e sérvios dos croatas.

É fato que hoje a situação na região também é mais amena. No entanto, há poucos anos atrás, quando "estourou" a guerra, não havia lugar seguro em todo o país. Mas a ponte -denominada Stari Most- não tem muito a ver com a guerra. Ela foi criada no século XI, quando a cidade pertencia ao Império Otomano. Reza a lenda que seu arquiteto, Minar Hayruddin, estava condenado à morte e seria executado após sua construção.

Aposto que muitos estão se perguntando: mas onde o futebol entra nisso tudo? Acalmem-se. Antes de falar do futebol preciso explanar todo o contexto histórico. Durante a Guerra que assolou a Bósnia de 1992 à 1995, a cidade de Mostar também foi atacada e a ponte destruída por um terrível bombardeio. As forças croatas da HVO e do exército croata se responsabilizaram pela destruição. Seu objetivo era isolar os Bosniaks e sérvios-bósnios no lado leste da cidade até que estes se rendessem.

Com o fim da guerra e a independência  da Bósnia e Herzegovina a divisão em Mostar permaneceu quase a mesma, com os croatas no lado oeste e os Bosniaks e sérvios no lado leste. Para os ansiosos de plantão, é aqui que entra o relato futebolístico. Como não poderia deixar de ser, há dois clubes de futebol que representam estes "lados": o HSK Zrinjski e o FK Velez.

O primeiro é o clube mais antigo da Bósnia, formado em 1905 por estudantes. No entanto, por ter cores croatas e participar da Prva HNL, acabou dissolvido em 1945 e sendo "retomado" apenas em 1992 (justamente no primeiro ano da Guerra). Não negando suas origens, o Zrinjski fica no lado oeste de Mostar e a maioria de seus torcedores são croatas e, como se não bastasse isso, representam a direita do país.

O Velez já é mais novo que seu rival. Nasceu em 1922. Seu nome vem de um famoso monte da cidade de Mostar, sagrado para os antigos povos. Diferentemente do Zrinjski, o Velez não foi dissolvido pelo governo iugoslavo, muito pelo contrário, foi durante o governo comunista que o time atingiu seu auge, conquistando duas Copas Nacionais. A maioria de seus torcedores são Bosniaks e sérvios, que se localizam a leste da Stari Most e são esquerdistas.

Apesar da rivalidade ser enorme, os dois ficaram 55 anos sem enfrentarem-se graças à dissolução do Zrinjski. O confronto só foi retomado em 2000, em uma partida amistosa que terminou empatada em 2x2. Atualmente, com os dois na Bosnian Premier League a ocorrência de derbys é bastante frequente e sempre há um problema com relação aos ultras de ambos os lados.

No primeiro turno desta temporada ocorreram dois jogos consecutivos, sendo um pela Copa Nacional e outro pela Premier League. Fato que assustou a polícia de Mostar. O primeiro embate, válido pela copa, precisou ser paralisado por problemas com as torcidas. No segundo isso não aconteceu, já que os torcedores foram proibidos de entrar.

Além de tudo isso, este derby serve para evidenciar a cidade de Mostar para o mundo. Ela é a maior da região da Herzegovina e é como se fosse uma capital para a mesma. Alguns dizem que o derby de Mostar é maior do que o da capital Sarajevo, disputado entre Zeljenicar e FK Sarajevo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Mais que um ídolo

(Foto: SporTV)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Você aí que chegou agora, já vem com olhos e mente armados com rivalidade e possíveis rancores com a figura da foto acima: pare. Você que já traz consigo o ideal de que cada clube deve ter o seu ídolo e que jamais devemos reverenciar jogadores dos rivais, também pode parar por aí. 

Para qualquer torcedor comum, que não o palmeirense, Marcos Roberto Silveira Reis foi um grande goleiro, cidadão pacato do interior de São Paulo (Oriente, cidade acanhada perto de Marília, a capital do biscoito), além de figura dotada de sinceridade e acidez que estão cada vez mais raras no esporte, tamanha -e irreversível- comercialização do mesmo. 

No entanto, para a massa palestrina (que está se diminuindo cada vez mais com os protestos infames e nojentos de uma organizada qualquer), SÃO MARCOS representa muito mais do que uma camisa 12 imortalizada na sala de troféus do clube, inativa e sedenta por novas glórias. Era um estandarte dos tempos que mais pudemos comemorar, uma figura que representava o espírito aguerrido e vencedor que um dia tivemos. Original como sempre ousou ser, o goleiro permaneceu inabalável e absoluto como referência nos elencos que passaram pelo Palmeiras durante estes últimos dez anos.

Com ele ali debaixo das traves, aprendemos a confiar de que não tomaríamos tantos gols, que todo jogo teria um milagre e por vezes até um cafezinho. Durante a fase mais lamentável da história do clube, Marcos soube se portar como um ícone que se importava com a crise, que tinha o necessário para ajudar o Palmeiras a sair da lama. Acima de tudo, personalidade. Dá para frisar que nenhum outro atleta que passou pelo Palestra nos últimos 40 anos teve tanto carisma e prestígio, figurando ao lado de gênios como Ademir, Dudu, Leivinha, César, Luis Pereira, que foram soberanos num tempo em que poucos ousavam desafiar o Santos de Pelé, o Inter de Falcão ou o Flu de Rivellino. 

Ele estava lá, o tempo todo. Não se abateu com um 7-2 humilhante em que falhou de forma memorável, com um Mundial perdido, um ASA surpreendente, dentre outras partidas que o palmeirense tenta esquecer sem sucesso. Ultimamente, as lesões foram cada vez mais cruéis com o homem que não media esforços para continuar em campo, diante de várias adversidades.

Marcos ensinou que ficar onde você ganhou notoriedade e fazer história é mais importante do que ser seduzido pelos milhões que a Europa e Ásia oferecem. E exatamente por sua fidelidade e dedicação ao escudo palestrino que virou Santo, mais ainda do que pelos milagres realizados dentro de campo. 

A tristeza da torcida não se deve somente ao fato de Marcos estar se retirando da profissão que o consagrou. Até mesmo porque eles já estavam se preparando para essa ocasião desde 2008, quando o arqueiro acenou a primeira vez com a possibilidade da aposentadoria. O que dói mesmo é saber que nenhum outro que vá chegar no futuro vai corresponder de forma satisfatória o papel que ele prestou todos estes anos. 

Ao insubstituível dono da meta alviverde, o doloroso adeus e o muito obrigado por todas as alegrias.




segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Craques: Allan Simonsen

Simonsen elevou o futebol dinamarquês no cenário internacional
(Foto: UEFA)
O único dinamarquês a ter conquistado o troféu de Bola de Ouro não é um dos irmãos Laudrup, por incrível que pareça. Na década de 1970, um furacão chamado Allan Simonsen passou por Vejle, Borussia Mönchengladbach, Barcelona e Charlton

sábado, 24 de dezembro de 2011

Por que contratar, por que não contratar? - Parte II

Martinuccio: flop tricolor em 2011 após chapéu no Palmeiras (Lancenet)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Segue a continuação do último post, com dicas teoricamente óbvias (mas quase sempre ignoradas por nossos clubes) a serem seguidas na hora de contratar jogadores sul-americanos.

Paciência
Não é fácil para ninguém se ambientar em um novo ambiente de trabalho. Muito menos em um país novo. Para os jogadores isso é especialmente forte. E não apenas por questões como a língua e a vida em um lugar novo. Esses elementos também pesam, mas há outros elementos que frequentemente não são levados em conta.

O principal é o fato de diferentes países terem diferentes escolas de futebol. Por exemplo, em termos táticos o Brasil tem várias peculiaridades em relação à maioria dos outros países. Uma: esperamos que os laterais exerçam uma importante função ofensiva, enquanto na maior parte dos países esses jogadores são defensores pelo lado do campo, necessitando no máximo aparecer por vezes como elemento surpresa no ataque.

Além disso, temos a peculiaridade de dividir o meio de campo entre jogadores prioritariamente marcadores e outros que são principalmente ofensivos. Assim, o 4-4-2 a rigor praticamente não existiu por aqui, preterido por um 4-2-2-2, em que dois jogadores mais centralizados tem funções majoritariamente defensivas, e outros dois abertos pelos lados do campo são posicionados mais à frente, para atacar geralmente em dupla com os laterais.

Assim, muitos jogadores podem sentir dificuldades, dado que chegam a um país onde se espera que exerçam funções distintas àquelas que estão acostumados. Um exemplo hipotético: Verón atua como volante no Estudiantes. Dificilmente seria bem aceito por aqui nessa função, pois tem como grande diferencial o enorme talento para organizar a equipe a partir do campo de defesa. No Brasil provavelmente seria considerado “ofensivo demais para a posição”.

Mas isso não ocorre na tradição argentina, onde os laterais são mais presos, o que anula a necessidade de dois volantes fixos à frente da zaga. Como nossos laterais avançam com mais freqüência, volantes marcadores são indispensáveis.  O oposto aconteceria com os laterais estrangeiros, que são essencialmente marcadores, e possivelmente seriam tido como “limitados” por aqui.

Nada disso impede o sucesso de jogadores estrangeiros nessas posições. Mas implicam na necessidade de ter em conta esses fatores na hora da contratação. E principalmente em ter paciência até o recém-chegado compreender o que se espera que jogadores da sua função façam por aqui.

Estrangeiros podem ser úteis sem ser protagonistas
Uma curiosa peculiaridade do futebol brasileiro é o fato de que estrangeiros só são aceitos por aqui para serem ídolos. Ainda não conseguimos compreender que jogadores de fora podem ser úteis sem serem os “donos do time”.

E perdemos muito com isso. Para dar um exemplo, os únicos países sul-americanos que tiveram campeões neste fim de 2011 sem argentinos no plantel foram Brasil, Peru e Colômbia. Em várias dessas equipes os jogadores argentinos não foram decisivos, mas muito frequentemente foram úteis para suas equipes.

Outro paralelo possível está na própria Argentina. A maioria absoluta dos clubes da primeira divisão do país possuem jogadores estrangeiros. Em alguns casos são protagonistas, como os colombianos Gutierrez e Moreno, destaques do Racing, ou o uruguaio Santiago Silva, agora na Fiorentina, mas grande destaque na campanha que deu o título ao Vélez Sarsfield no Clausura 2011.

Mas há outros casos. Várias equipes do país possuem bons jogadores uruguaios, chilenos, colombianos, paraguaios ou de outros países do continente. Não são ídolos, mas cumprem com competência sua função para ajudar suas equipes, como o venezuelano Vizcarrondo, o paraguaio Bareiro (ambos do Olimpo), o uruguaio Regueiro (Lanus) e o boliviano Raldés (Colón).

E houve diversos jogadores que passaram recentemente pelo Brasil e, ainda que de qualidade incontestável, duraram pouco por aqui exatamente porque não se compreendeu que poderiam ser úteis às suas equipes, ainda que não fossem exatamente grandes jogadores.

Basta notar quantos jogadores estrangeiros que fracassaram ou foram vistos como decepções nos últimos anos, para em seguida terem desempenho satisfatório em outros países. Urrutia e Equi Gonzalez, que jogaram pouco no Fluminense, são destaques da LDU. Saja, goleiro que saiu sem deixar saudades do Gremio, hoje é referencia no Racing, liderando uma defesa que está entre as melhores do país. Schiavi, campeão da Libertadores e ainda hoje xerife do Boca Juniors, foi reserva do inexpressivo Teco, quando passou pelo Grêmio. Arevalo Rios, de passagem discreta pelo Botafogo, é indispensável para a seleção uruguaia, de grandes sucessos recentes.

Nisso tudo há elementos imponderáveis, como a identificação com a nova camisa ou a adaptação ao país. Mas observar o jogador, saber o que esperar dele, ter paciência e não esperar que ele necessariamente vá ser o melhor jogador do time são atitudes que minimizam a chance de fracasso.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Por que contratar, por que não contratar?

Vargas tanto chamou a atenção dos clubes brasileiros que assinou com o Napoli (UEFA)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

O futebol brasileiro tem uma nova tradição nos períodos de transferências: as especulações infindáveis sobre jogadores de países vizinhos que podem ser trazidos por clubes brasileiros. A maioria não se concretiza (até porque os clubes e representantes frequentemente inventam interesse de clubes brasileiros para valorizar seus atletas, sem que haja qualquer negociação em andamento), mas várias de fato acontecerão. Algumas resultarão em sucesso, mas outros jogadores inevitavelmente irão fracassar em sua temporada brasileira.

Aqui vão duas dicas para diminuir a possibilidade de contratações mal-sucedidas. São muito simples, tão simples que nem deveriam ser necessárias. Mas como os clubes brasileiros mostram uma incrível persistência em não seguí-las, sempre é bom lembrar.

Jogar bem contra clube brasileiro não é atestado de qualidade
Por incrível que pareça, a maior parte dos clubes brasileiros parece convencida do contrário. Todo ano é a mesma coisa: algum jogador de clube sul-americano faz boa partida contra clubes brazucas em alguma competição continental. E de desconhecido se transforma em objeto de desejo de vários dos nossos clubes. Ninguém sabe nada sobre o jogador, mas como jogou bem contra clube brasileiro, deve ser craque.

O último exemplo foi o chileno Eduardo Vargas. Até a metade do ano, era um completo desconhecido por aqui. Mas suas boas partidas pela Universidad de Chile na Sul-Americana o transformaram em objeto dos sonhos de vários clubes brasileiros. Vargas de fato é bom jogador e seria um ótimo reforço.

Mas a questão é outra: não é um jogador recém saído das divisões de base. Aos 23 anos já tem cinco temporadas como profissional, convocações pela seleção chilena e foi eleito o melhor jogador do Apertura 2011, vencido pelo seu clube. Deveria ter sido notado há tempos pelos clubes brasileiros. Mas isso só aconteceu após seu ótimo desempenho contra Flamengo e Vasco. Tivesse La U estado em outra chave do torneio e seguiria desconhecido por aqui.

Um exemplo mais claro é o de Martinuccio. Jogador sem nenhum destaque na Argentina, onde atuou por um clube da 2ª divisão, acabou no Peñarol, onde fez uma bela partida contra o Internacional no Beira-Rio, e passou a ser visto no Brasil como um grande jogador. Acabou disputado a tapa por Palmeiras e Fluminense, e terminou 2011 lutando para sentar no banco de reservas tricolor. Bastava os cartolas terem perguntado por ele na Argentina, e ouviriam que é um atleta sem projeção. Ou aos uruguaios, onde ouviriam que os destaques daquele time carbonero eram o volante Aguiar e o meia Mier.

Outro exemplo é o Damian Escudero. Jogador talentoso, mas de carreira errática, foi contratado pelo Grêmio no início de 2011. Pessoalmente, como gremista que tem contatos em Porto Alegre, tentei alertar que o jogador não tinha um histórico recente que justificasse a contratação. Não adiantou: para todos os com quem conversei, Escudero era apenas “aquele cara que fez dois gols no Inter na Libertadores 2007”.

2) DVD não substitui a observação
Essa não vale apenas para estrangeiros, mas se aplica particularmente a eles, pois DVD’s de jogadores brasileiros podem ser complementados por indicações de conhecidos em que cartolas e treinadores confiem.

O caso mais notório recentemente foi Defederico (conhecido por muitos como DVDrico). Não que tenha sido propriamente uma contratação ruim: o jovem jogador havia sido peça destacada do Huracán na campanha do vice-campeonato do Clausura 2009 e despontava como promessa. Mas foi contratado para o lugar de Douglas, uma função bem diferente da sua. E com a expectativa de que chegaria ao país um “novo Messi” (Defederico disputava com Toranzo e Bolatti o posto de segundo melhor jogador da equipe; o melhor, indiscutivelmente, era Pastore). Contratado para jogar fora de sua posição com expectativas irreais, o fracasso era inevitável.
           
Por pouco não aconteceu um caso semelhante, quando um clube grande brasileiro esteve muito perto de contratar Patrício Toranzo, do Racing, julgando tratar-se de um clássico enganche. Na verdade o jogador atua em uma função que não existe há tempos no Brasil: é um “8” à moda antiga, um segundo volante que organiza o jogo a partir do campo de defesa, e é ótimo no passe e no arremate a gol. Já jogou mais perto da área adversária (como no Huracán do Apertura 2009), mas sem maior sucesso. Se tivesse vindo, dificilmente teria sucesso, pois chegaria para desempenhar uma função que não é a sua.

Esses problemas poderiam ser minimizados de forma simples. Bastaria que os clubes brasileiros fossem de fato profissionais e tivessem alguém acompanhando as ligas dos países vizinhos. Poderiam identificar talentos antes de eles se valorizarem muito, evitar erros de avaliação e escapar do cerco dos empresários e seus DVD’s mágicos. E seria um momento perfeito para isso, pois o Brasil tem moeda mais forte e economia mais sólida que a dos vizinhos, além dos clubes terem aumentado sua receita de TV. Mas aparentemente preferem desperdiçar essa possibilidade, contratando sem cuidado e rezando para dar certo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Descraques: Kily González

Você acha que Kily pensa na jogada, mas ele está bolando
um plano para quebrar o adversário (Hinchas Rosario Central)
Murillo Moret, @moret_
De São Paulo-SP

Ter triênios vitoriosos no Valencia e na Internazionale no currículo é louvável. E não? Jogar ao lado de Aimar, Ayala, Vicente e Cañizares até a chegar à decisão da Liga dos Campeões. Ou então de Zanetti, Gamarra, Emre, Recoba, Figo e Adriano e conquistar quatro títulos na Itália. Só que estamos falando de um descraque, e ele é Cristian González.
Kily saiu da mesma categoria de base que Mario Kempes, bomber que foi artilheiro do Mundial vencido pela Argentina em 1978 e fez história no Valencia no início da década de 80. Apesar disso, seu grande ídolo sempre foi Omar Palma, exímio meio-campista histórico do Rosario Central. Com 19 anos fez sua estreia como profissional n’Academia rosarina. Depois da derrota no debute para o Gimnasia por 2 a 0, foram mais 50 partidas e sete gols. Boa média para um meio-campista com duas décadas de vida.
Em 1995, Jorge Valdano estava em sua segunda temporada como técnico do Real Madrid. O futuro diretor geral do clube merengue tentou fechar com aquele argentino rápido e incisivo. O problema é que Valdano bateu de frente com o interesse de Diego Maradona – e do treinador Carlos Bilardo -, que gostaria de Kily no Boca Juniors. E foi exatamente por Pibe que o jogador assinou com o time da capital. Uma temporada depois, no entanto, 375 milhões de pesetas (2,25 milhões de euros) levou o meia ao Real Zaragoza.
Na região de Aragón, Kily González se tornou um dos melhores pontas canhoto da Liga. Ele sabia nada sobre o futebol espanhol – nem mesmo sobre o Real Madrid – quando firmou contrato com o Zaragoza. Em três anos, os 15 gols não foram suficientes para ganhar o primeiro título da carreira. Felizmente, para o argentino, ele estava chegando. Foi na temporada de 2001-02, quando se juntou com Aimar, Ayala e Cañizares, que Kily venceu a Primeira Divisão. Temporada sem goleadas, mas regularíssima: 75 pontos contra 68 do vice-líder La Coruña. A Liga dos Campeões ficou no quase, pois o Valencia foi eliminado nas quartas pela Internazionale.
O único título consolidou Kily González como o que já era – um dos melhores pontas-esquerdas. O problema do jogador é que ele podia iniciar uma jogada brilhante e terminar com uma confusão que, muito provavelmente, receberia um cartão vermelho. Ágil, inteligente, agressivo. Uma bomba prestes a estourar.
Mesmo assim ele foi à Copa do Mundo de 2002 e ainda ganhou – no campo – a medalha de ouro com a Argentina em 2004, nos Jogos Olímpicos de Atenas. À época, o hermanito já atuava em solos italianos. Hector Cuper, ex-técnico do Valencia, resolveu levá-lo para a Inter. O tempo do treinador foi curto: demitido em outubro, foi precedido por Alberto Zaccheroni. O comando foi trocado na temporada seguinte, Roberto Mancini preteria Kily e ele voltou à Argentina em 2006.
Teve tempo de atuar pelo Rosario na primeira divisão, antes de rumar ao San Lorenzo. Voltou ao clube do coração na Segundona, mas uma lesão quase o fez pendurar as chuteiras neste ano de 2011. Ainda não o fez. Estaria este fato próximo de acontecer? Em abril último, Cristian González foi afastado do time principal. Prelúdio.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Desafortunados: Kiki Musampa

Musampa surgiu no Mundial sub-20 de 1995 mas naufragou
nos anos seguintes (Futbol Sandigi)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Filho mais célebre de Whoopi Goldberg (comparação inevitável), Kizito Musampa nasceu no Zaire, antiga República Democrática do Congo lá em 1977. Criado nas geniais categorias de bases do Ajax e promovido ao profissional justamente no ano do título holandês na Liga dos Campeões sobre a Juventus. Naturalizado como cidadão dos Países-baixos, deu seus primeiros passos na academia de Amsterdã.

Bem como podem notar, Kizito piorou o que já estava ruim e ganhou a alcunha de Kiki, um prelúdio para o fracasso que viria anos depois. Afinal, quem é que brilha com um nome desses? Pelo menos não no futebol, não sabemos se no vôlei ou no handebol a história seria a mesma. 

Desde bem novo ostentava longos cabelos, que eram tendência nos jovens talentos de seu país. Davids e Seedorf eram adeptos do semi rastafari, provando que além do futebol vistoso, os garotos tinham estilo. E então, Kiki Goldberg foi chamado ao Mundial sub-20 de 1995, onde a Oranje foi eliminada ainda na primeira fase, vencendo apenas Honduras e ficando atrás de Portugal e Argentina.

Sem chances dentro de um poderoso Ajax, arrumou suas malas e partiu rumo a França, em 1997 para assinar com o Bordeaux. Esperando conseguir uma sequência maior de aparições, foi companheiro de vestiário de caras como Gralak, Ricardinho Grisalho, Wiltord e Papin. Tido como uma aposta para o segundo tempo, era um talismã para o professor Guy Stéphan e tentava sempre mudar o panorama das partidas nos minutos derradeiros. 

Com algumas lesões, ficou relegado a reserva pouco utilizado ao fim da temporada e o sonho de disputar a Copa de 1998 foi por água abaixo. Campeão francês em 99, foi apenas figurante na conquista. Frustrado, Kiki partiu com suas tralhas rumo ao Málaga em 1999. Ajudou os andaluzes a alcançarem uma melancólica 12ª posição em La Liga. Com o tempo, Musampa passou a se conformar no posto de jogador meia boca, um ruim eficiente, um perna de pau internacional.

Duelando com Mauro Silva pelo Málaga: não foi dessa vez
(Skyscraper city)
Passou quatro épocas no Málaga e era lembrado como o Severino, o quebra galho. Ganhando regularidade, disputou 96 compromissos neste meio tempo e até arrumou espaço para marcar gols, 22 ao todo. 2001/02 foi quando mais esteve na equipe titular dos boquerones. Finalmente atraiu olhares de um grande europeu. O Atlético de Madrid, de volta da Segundona, arrematou os serviços de Kiki em 2003. Não partiu da Andaluzía sem conquistar uma Intertoto (que na verdade nem é um título, mas sim uma vaga para a extinta Copa UEFA) em 2002.

Agora vô sê reconhecido, vô me consagrá e virá jogador da Laranja Mecânica, confia neu, mãe - contava um empolgado Musampa ao telefone com sua querida mãe, na longínqua República do Congo. Pouco antes disso, recebera o convite do treinador Claude Le Roy para jogar na seleção congolesa. No entanto, a FIFA não permitiu que Kizito (com várias chamadas para a sub-21 holandesa) aceitasse a oferta. O que me fez lembrar de um vídeo da TV Pirata com um paradoxo parecido, já que nosso Desafortunado queria honrar suas origens.

Vestindo a camisa 8 colchonera, esteve em boa parte dos compromissos de sua equipe em 2003/04, no honroso sétimo lugar ao final do Paz Vegão, como bem lembrou o astuto @Spilmann1986 no twitter enquanto este que vos escreve tentava achar uma alternativa de apelido para o Espanhol. Alinhou em 26 embates e marcou duas vezes.

Foto: Sporting Life
No ano seguinte, perdeu sua vaga nos 11 iniciais para o lépido dinamarquês Gronjkaer, contratado junto ao Chelsea e na prática, sinônimo de futebol alegre e moleque. (não) Estava encerrada a sua grande chance de estourar para o futebol mundial. Transferiu-se então em 2004 para um Manchester City desesperado e à beira da falência. Não fez mais de 41 jogos antes de dar linha na pipa do antigo Maine Road. 

Os otomanos do Trabzonspor resolveram investir alguns tostões em Musampa, em 2006. Daí em diante, ladeira abaixo. 14 míseras apresentações e mais uma vez foi convidado a passar no RH para retirar o boné, souvenir pelos pífios serviços prestados. De acessório novo cobrindo a juba, levou um DVD aos dirigentes do AZ para tentar uma possível volta para casa.

Volta o cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas, diriam os sábios telespectadores do Chaves. Enganou os diretores mas não o implacável técnico Louis Van Gaal. Cinco aparições botaram cal na carreira discreta do meia congolês/holandês. Passou pelo Seoul FC em 2008 e pelo Willem II antes de pendurar as chuteiras. Desnecessário dizer que não fez sucesso, já que de acordo com o ditado popular, de onde se menos espera, daí que não sai nada mesmo. 

Ficará sempre marcado por aquele... aquela... um grande jogo pelo... ok, não ficou marcado por nada, melhor parar por aqui.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Descraques: Oleg Salenko

Salenko na partida lendária contra os Camarões: ficou só nisso (Betfair)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Artilheiro do Mundial de 1994, Oleg Salenko foi o único jogador soviético a alcançar a chuteira de ouro em Copas. Aos que já se antecipam no pensamento de putz, então quer dizer que ele era craque de bola? - digo, NÃO. Não era. Evidente que não se pode menosprezar o potencial de um camarada que marca cinco gols num jogo na fase de grupos, quer dizer, pode sim. 

Nascido em Leningrado, ainda em período URSS, Salenko começou sua carreira em 1986 no Zenit Leningrad (hoje St. Petersburg) e por lá prometia um futuro brilhante, mostrando faro de gols, competência na finalização e bom posicionamento. Em dois anos nos bomzhi anotou 10 tentos em 47 aparições, olha lá, uma média até boa pra um novato. Em 1989, sua vida mudaria. Convocado para o Mundial sub-20 pela União Soviética, foi o artilheiro do certame com cinco gols marcados.

Para o ano de 1989, assinou com o Dinamo Kiev, alinhando com Onopko e Luznhy nos bilo-syni. Lá conquistou o Sovietão em 90, além da Copa da URSS. Sua melhor temporada em Kiev foi em 1991, quando fez 39 partidas e 21 gols. O reconhecimento para as suas boas atuações veio em 1993, com as primeiras convocações ao selecionado nacional russki. 

Em 1992 chegou a fazer uma partida pela seleção ucraniana, mas resolveu por só aceitar chamados da Mãe Rússia a partir de 1993. Contratado pelo pequeno Logroñés, da Espanha, que na época disputava La Liga, teve a honra de dividir o mesmo espaço de vestiário do lendário zagueiro CLEBÃO, ex-Palmeiras, Figueirense e São Caetano. Com um semestre no clube da cidade de Logroño, teve 16 participações, balançando as redes sete vezes.

O auge (entenda último momento de brilho) veio no biênio 1993-94. Escalado em 37 duelos pelo pequeno clube espanhol, anotando 21 gols, arrebentando a boca do balão, quebrando tudo, fazendo a diferença e sendo mito (não).

Lance da inesquecível temporada 1993/94 no Logroñés (AS.com)
Chegava a hora do maior momento para a discreta existência de Oleg. A Copa de 1994. Terra do Tio Sam, abertura de Diana Ross e Jon Secada (pffff), calor infernal, jogos ao meio-dia, AAAAAH, que alegria. Os russos caíram num grupo com Brasil, Suécia e Camarões. A estreia foi frustrante, derrota para os canarinhos por 2-0.

Na jornada seguinte, #sóderrota e a Suécia passeou sobre os sovietes também. 3-1. Deixou sua marca, num penal aos quatro minutos. A Rússia estava virtualmente eliminada, mas ainda lhe restava o último jogo contra os camaroneses, liderados pelo ancião Roger Milla, o homem mais velho a marcar em Mundiais.

28 de junho de 1994, Stanford Stadium, na Califórnia. Salenko estava em chamas e foi às redes africanas aos 15, 41, 44, 72 e 75´. Seria o maior artilheiro de uma só partida em Copas, tal qual o Chuteira de Ouro daquela edição, ao lado de Stoichkov, terceiro colocado na ocasião.

Com um esplêndido Mundial contando a seu favor, chamou a atenção dos dirigentes do Valencia, que contava com um elenco interessante. Mazinho, Penev, Zubizarreta, Mijatovic e Mendieta. Em 31 jogos apenas 10 gols e começavam as suspeitas de que aquele cracaço não era lá tudo isso, poderia vir a ser uma farsa, teoria essa que os escoceses do Rangers comprovaram.

Chegando para 1995/96 com pompas de estrela em recuperação, Oleg não enganou os dirigentes de Glasgow e atuou 17 vezes antes de ser dispensado, em seis meses. "Este homem é um falsário, uma cópia malfeita de Salenko! Devolvam-no aos russos ou joguem-no aos leões", vociferavam os britânicos. Era hora do tímido Istambulspor apostar numa lenda em decadência.

Somou 18 aparições em três temporadas. Ficou incrivelmente fora de forma e mostrou que aquele ano de 1994 era só um brilho distante de uma perna direita sem lembranças. Nada mais conseguia fazer, imprestável ficou, acumulando lesões e comentários sobre o quanto perdeu rendimento em curto espaço de tempo. Um clássico caso de exposição por apenas quinze minutos, onde os holofotes se cansaram de iluminar um cara que nunca teve nada demais para continuar no topo.

Uma última tentativa séria em 1998 no Córdoba, na Segundona espanhola e absolutamente sem ninguém especial no elenco. Quadro deprimente, em suma. Adentrou os relvados mais quatro vezes por lá e resolveu se aposentar. "Num guento mais, véi! Chega disso, peço desculpas ao papai e a mamãe por ter falhado, desculpa ae pessoal de Leningrado, St. Petersburg e região, não deu", deve ter dito numa de suas coletivas derradeiras. Fato é que o tempo foi cruel, muito cruel com Salenko.

Retornou para apenas um compromisso no Pogon, antes de desistir de vez da carreira futebolística que lhe foi tão ingrata. Nem seis anos depois do épico Mundial nos EUA ele havia caído em total esquecimento. No afã de se desvencilhar de memórias que nunca mais viriam, negociou a venda de seu troféu da chuteira de ouro ganho em território yankee, muito por sua façanha contra Camarões. Dizem as más línguas que conseguiu 500 mil dólares pela peça.

Ah, danado...