quarta-feira, 18 de abril de 2012

Desafortunados: Slavisa Jokanovic

Foto: Premier League
Jokanovic pegou carona na onda de atletas iugoslavos que brilharam na Europa, foi bem no Tenerife e enganou muita gente que pensava que ele poderia ter sido um grande atleta

terça-feira, 17 de abril de 2012

Fomos campeões: Olympique Marseille 1992-93

Foto: Pari-et-gagne
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

O protagonista desta semana na Fomos campeões não foi destronado de qualquer forma, como grandes formações vitoriosas em campo. Quem acompanha futebol europeu está cansado de saber que mesmo com esquadrões quase perfeitos, a tarefa de ser campeão continental de forma consecutiva é dura. Que diga o Barcelona de Romário e Stoichkov, o Manchester United de Cristiano Ronaldo, o Barcelona de Lionel Messi e até a Internazionale de Eto´o.

A saga dos marselhanos começou em 1986, com o presidente Bernard Tapie, eleito na oportunidade. Com investimentos faraônicos, Tapie foi gastando o quanto podia para montar um grande time, praticamente do zero. Mal sabia ele que estava iniciando uma tendência no futebol europeu. Hoje grande parte dos clubes pequenos (não que fosse o caso do Olympique) conta com ricaços em seus cargos mais poderosos.

A cada temporada que se passava, o elenco transmutava, e até o primeiro título da Liga Francesa de sua gestão, foi preciso apenas dois anos. A primeira época em que tinha a nova diretoria, terminou com uma segunda colocação, atrás do Bordeaux, com quatro pontos a menos do que a equipe campeã. Karl-Heinz Forster, François Domergue, Alain Giresse e Jean-Pierre Papin foram os principais novos destaques dentre o grupo.

Em 1987-88, Yvon Le Roux, Abedi Pelé, Benoít Cauet, Bernard Genghini e Klaus Allofs chegaram para dar segmento ao processo de fortalecimento do selecionado marselhano. Todavia, muito dinheiro e muitos jogadores não entrosados, acabaram minando as chances do Olympique na temporada, que terminou apenas na 6ª posição, tendo o Monaco como grande vencedor da Liga.

Foto: lvironpigs
O primeiro triunfo celeste, e tecnicamente de Tapie, também, veio em 1988-89, superando o PSG por dois pontos. Astros como Alain Boghossian, Eric Cantona, Gaetan Huard e Franck Sauzée chegaram e conseguiram fazer a diferença. Com isso, o Olympique ganhou a chance de disputar a Liga dos Campeões no ano seguinte, e não fez feio. Bateu o Dinamo Tirana, Lech Poznan, e o Milan nas quartas-de-final. Com um plantel “estelar”, não era lá uma grande surpresa o progresso francês na Liga. A semifinal não foi desafiadora, e o Spartak Moscou foi a última presa fácil, tanto na ida quanto na volta. Por 3-1 e 2-1, respectivamente.

Na primeira grande decisão continental do Olympique, em 1990-91, a torcida foi em peso até o estádio San Nicola, em Bari, para prestigiar o cotejo contra o Estrela Vermelha, valendo a “coroa” de melhor time europeu da temporada. Um duelo especial para Dragan Stojkovic, meia/atacante iugoslavo que foi formado no clube sérvio e agora alinhava pelo Marseille. Stojkovic acabou entrando somente na segunda etapa de uma decisão dramática. Um 0-0 levou o confronto para as penalidades, vencidas por 5-3 pela agremiação alvi-rubra do Estrela Vermelha.

Derrota para o Estrela Vermelha adiou o sonho alviceleste na LC
Foto: Minhas camisas
O ano seguinte não reservou surpresas europeias para o Marseille, que caiu logo na segunda fase, perdendo para o Sparta Praga, na temporada 1991-92.

Finalmente sopraram bons ventos na época seguinte. Chegaram ao elenco: Fabien Barthez, Jocelyn Angloma, Marcel Desailly, Martín Vázquez, Didier Deschamps, Jean-Marc Ferreri, Alen Boksic, François Omam-Biyik, Rudi Völler, além dos já estabelecidos Mozer e Chris Waddle. Em 1992-93, a caminhada na LC começou contra o Glentoran, sem grandes dificuldades, os franceses atropelaram o time da Irlanda do Norte, com duas vitórias, uma por 5-0 e outra por 3-0. Na segunda fase vieram os romenos do Dinamo Bucareste, que venderam caro a classificação, com um empate sem gols na ida e uma derrota por 2-0 na França, selando o avanço marselhano para a fase de grupos.

Eram duas chaves com quatro clubes, o melhor de cada uma avançaria para a grande final, a ser jogada no Olímpico de Munique. O Marseille fez 9 pontos, com três vitórias e três empates (a vitória somava apenas dois pontos). Com a primeira posição dentre Rangers, Club Brugge e CSKA Moscou, nossos protagonistas conquistaram o direito de enfrentar o Milan na final.

No dia 26 de maio de 1993, a Liga dos Campeões seria decidida. O estádio lotou para o espetáculo. Alinharam pelo Marseille: Barthez, Boli, Angloma, Desailly, Eydelie, Di Meco, Deschamps, Sauzée, Boksic, Pelé e Völler. Pelo lado rossonero: Rossi, Tassotti, Maldini, Baresi, Costacurta, Rijkaard, Donadoni, Lentini, Massaro e Van Basten.

Foto: AC Milan blog
Foi uma peleja assaz disputada, com muita solidez apresentada pelas duas defesas, apesar dos lances perigosíssimos. Pelo Milan, Massaro e Van Basten não estavam se entendendo. Em um contra-ataque, o italiano correu com a bola em direção à área de Barthez, sozinho e com Van Basten em posição legal. A tentativa foi por água abaixo quando ele demorou para realizar o passe, dando tempo para os marselhanos se recompor. O Olympique também teve a sua chance de abrir o placar, com Völler e Boksic, mas o croata não acertou o alvo no rebote dado por Rossi.

Aos 44’ do primeiro tempo, Pelé recebeu passe de Sauzée e conduziu a pelota até a linha de fundo, onde tentaria achar um companheiro livre. Antes disso, Maldini conseguiu o desarme botando a bola para escanteio. O mesmo Pelé foi para a bola e acertou na medida para Boli subir mais que o defensor milanista e fazer o único tento da tarde/noite alemã. 1-0 Marseille, que só administrou a vantagem, com o excelente Barthez em grande atuação. Ao apito final, Deschamps levantou a taça e fez com que sua equipe fosse a única francesa a conseguir o título da Liga dos Campeões, até os dias atuais. O adversário no Mundial Interclubes seria o São Paulo, se a Federação Francesa não tivesse descoberto um esquema nas jornadas finais do Campeonato Francês daquela temporada.

O Olympique também venceu a sua liga doméstica, mas com ressalvas. Em 1994, foi revelado que alguns jogadores do Valenciennes, adversário dos celestes na reta final da competição nacional, teriam sido abordados pelo meia Jean-Jacques Eydelie, de forma que “não oferecessem resistência para a vitória, que jogassem limpo, evitando contundir os atletas do OM”, que estavam às vésperas do embate contra o Milan. Entre o grupo que revelou o suborno, estava Jorge Burruchaga, campeão do mundo em 1986 com a Argentina, que à época era um dos principais nomes do Valenciennes.

Foto: Top-people
O escândalo ficou conhecido como “L´affaire VA-OM” em alusão aos dois envolvidos. E é preciso dizer que a punição foi severa para os marselhanos: cassação do título francês de 1992-93, rebaixamento para a Segunda divisão, (onde teve de permanecer por dois anos) impossibilidade de disputar o Interclubes de 1993, SuperCopa Europeia de 1993 e a Liga dos Campeões 1993-94. O rebaixamento foi ocasionado por irregularidades fiscais que se somaram a todo o caos.

O presidente em questão, Bernard Tapie, foi condenado por cumplicidade em corrupção, além de suborno de testemunhas, entre outros crimes como sonegação de impostos. Estranhamente (ou não) Tapie ficou na cadeia por apenas seis meses, durante o ano de 1997, e anos depois se filiou ao Partido Radical de Esquerda na França. 

Jogos
1a Rodada
Glentoran 0-3 Marseille
Marseille 5-0 Glentoran

2a Rodada
Dinamo Bucareste 0-0 Marseille
Marseille 2-0 Dinamo Bucareste

Grupo A
Rangers 2-2 Marseille
Marseille 1-1 Rangers
Marseille 3-0 Club Brugge
Club Brugge 0-1 Marseille
CSKA 1-1 Marseille
Marseille 6-0 CSKA

Final, 26 de maio de 1993 - Olímpico de Munich (Olympiastadion)
Marseille 1-0 Milan



Olympique De Marseille / A.C Milan Finale... por

segunda-feira, 16 de abril de 2012

TF História: Um gol contra letal

Ivo Ivanov chora com a eliminação do Levski na Liga Europa: que ocasião
inesperada, meu caro colega búlgaro! (Reuters)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Poucos gols contra são tão lembrados quanto o de Andrés Escobar em 1994, o de Oséas no clássico entre Palmeiras x Corinthians em 1999. Certamente os amigos leitores darão outros exemplos nos comentários, mas fato é que nenhum deles foi um recorde ou tão bizarro quanto a situação desta TF História em particular.

Era a noite de 4 de novembro de 2010, partida de Liga Europa, coisa e tal. Se enfrentavam no Georgi Asparuhov em Sofia Levski e Lille. Quarta rodada da chave C que tinha além destes rivais o Sporting e Gent. Pois bem, ninguém sabia que aquele duelo em especial definiria muita coisa nos classificados para a próxima fase. Ao fim deste round, avançaram Sporting e Lille, com 12 e oito pontos, respectivamente.

Garra Dembelé abriu o placar para os búlgaros aos 11 iniciais. Túlio de Melo daria números iguais aos 35 e o empate permaneceria até que Vladimir Gadzhev, aos 82', reviver as esperanças dos torcedores do Levski. A euforia tomou conta das arquibancadas locais e os adeptos foram à loucura com a possibilidade de ver o seu amado time entre os 32 melhores do certame europeu.

Restando dois minutos para o apito final, o treinador Yasen Petrov mexeu na formação. Tirou o meia macedônio Dario Tasevski, para fechar o sistema defensivo com o beque Ivo Ivanov. O grandalhão entrou e foi logo correndo para a sua área, afim de ajudar na marcação, os franceses tinham uma falta para cobrar na faixa de 35m. 

Momento da proeza de Ivanov (AP)
Com a mesma empolgação que adentrou o relvado, o zagueiro subiu na bola mais alto que os adversários e conseguiu tocar de cabeça. No entanto, o que era para ser um alívio para a retaguarda azul, se tornou um pesadelo. A pelota foi direto no gol de Kiril Akalski, que nada conseguiu fazer para evitar o desastre. Em 18 segundos Ivanov entrou e marcou contra seu próprio time, para o desespero dos companheiros na lateral que  custavam a acreditar no acontecido.

Desolado, Ivo se atirou ao chão e ficou durante os minutos finais buscando uma explicação para tamanho azar (ou incompetência). O resultado final frustrou toda e qualquer expectativa de classificação, que seria completamente descartada duas rodadas depois, mesmo com a vitória de 1-0 sobre o Sporting no mesmo estádio Georgi Asparuhov, desta vez com Ivanov entre os onze iniciais. Apenas para enfatizar o tamanho do prejuízo, o Lille passou com um ponto a mais que o Levski. 

"Não tenho nenhuma explicação. A bola simplesmente bateu na minha cabeça e entrou. Foi doloroso ver que isso aconteceu. Este foi o pior momento da minha vida", comentou o pobre Ivo, que ainda joga pela agremiação azulada de Sofia. E sim, este foi o gol contra mais rápido da história, marcado no intervalo de 18 segundos entre o ingresso do atleta ao gramado até o gol. Incrível façanha.

Nota do editor: Infelizmente o vídeo com o lance foi deletado e nem na UEFA consta. O acesso aos lances da partida está limitado para quem é cadastrado no site da federação. De qualquer forma, fica o registro.
Atualização às 22:11 - O colega @a_esportivo, Alexandre Perin encontrou um link com o vídeo dos melhores momentos da partida entre Levski - Lille, incluindo o último gol contra em questão. Pode ser visto aqui >> http://eurorivals.net/levski-sofia:lille-highlights-goals-video_20101104.html

sábado, 14 de abril de 2012

Bugados: Maxim Tsigalko

Foto: O alguidar
Felipe Portes, @portesovic
De Smederevo-SRB
[ATENÇÃO: este texto é uma obra fictícia]

Ninguém sabe ao certo se ele existe. O que os fãs do Championship Manager 2001-02, o famoso CM sabem é que Maxim Tsigalko é uma das maiores lendas da história do joguete. Ao lado de Tó Madeira e Nikiforenko, o bielorrusso vive na memória dos aficcionados, contrastando fortemente com a vida real, onde é praticamente desconhecido e nunca teve brilho. Todavia, a falta de informações sobre o atleta (muito por ele ser mera estatística e não craque) leva o autor deste texto a inovar na editoria. Por que não contar o que seria uma lenda que vai na contramão sobre tudo que há a respeito de Maxim?

Dentro de uma caixa velha de televisão com alguns panos e uma mamadeira, foi encontrado e adotado por uma loba às margens do Rio Dnipro, na Bielorrússia. Criado na cidade de Orsha até os sete anos, teve de se separar da mãe adotiva porque o serviço social local não admitia que uma criança ficasse sob responsabilidade de um animal, após denúncias dos outros moradores da aldeia. Para eles, a loba incitava os instintos selvagens de Maxim. Uma família de Minsk resolveu então levar o garoto para casa, temendo que o mito de Mogli, o menino lobo se tornasse real. 

Aos doze anos teve seu primeiro contato com a bola, durante aulas de educação física. Foram sete meses até que ele fosse educado a não furar ou morder a redonda e que deveria jogá-la com os pés e não as mãos. Com paciência, o professor/técnico do time juvenil do Dinamo lapidou o jovem e viu nele um futuro promissor. Atacante dos bons, sabia se posicionar como os maiores no ofício, e sua capacidade de finalização era assustadora para os padrões do futebol soviético.

Sem pestanejar, os dirigentes trouxeram Tsigalko para as categorias de base, afim de dar a educação futebolística que o menino ainda carecia. Veloz e forte, seguia impressionando quem o via jogar. Em sua primeira temporada na equipe sub-15, fez 73 gols em 38 partidas, mostrando que o que os seus adversários se esforçavam para fazer, ele tirava de letra.

Imagem meramente ilustrativa (Trivela.com)
O recorde mais impressionante veio quando ele fez três gols de bicicleta em três oportunidades seguidas. Aos dezesseis já viajava com as seleções juvenis da Bielorrússia, era a estrela principal da companhia. Durante uma viagem de ônibus até Borisov, onde enfrentaria o sub-18 do BATE, quando o veículo capotou quatro vezes. Por sorte, Maxim escapou sem nenhum arranhão, ao contrário de uma senhora que estava na quarta poltrona, de carona com a delegação e não resistiu aos ferimentos. Felizmente, atacante estava na poltrona 36, cochilando no instante do acidente.

A vida costuma ser irônica. Numa reviravolta do destino, aos dezessete anos, Maxim estava indo de bicicleta para o treino entre os profissionais do Dinamo Minsk, o primeiro que teria. Um caminhão entrou na contramão da avenida ao lado do centro de treinamento e atropelou aquele pobre rapaz que apenas estava perseguindo um sonho. 

Imagem meramente ilustrativa, parte II (Gazeta da Paraíba)
Maxim ficou um ano em coma. Durante os dois últimos meses, seus pais adotivos levaram uma bola de futebol ao hospital, esperando que isso o ajudasse na recuperação. O primeiro milagre ocorreu quando ele mesmo inconsciente conseguia fazer embaixadinhas. Nenhum médico soube explicar o fenômeno, mas todos atribuíam o acontecimento ao amor que Tsigalko tinha pelo esporte. Os movimentos eram involuntários e emocionaram os orgulhosos pais do rapaz.

Duas semanas depois de receber alta, assustou novamente os médicos e retomou os treinos físicos com a mesma capacidade de antes. Estreou no plantel principal do Dinamo e iniciava-se assim a trajetória e um grande exemplo de superação que insistem em aparecer nos filmes e livros. Ganhou uma estátua em Orsha. Era o cidadão mais ilustre do município, o mais glorioso dos que nasceram lá, embora ninguém saiba ao certo de onde veio aquele bebê dentro de uma caixa. 

Foi artilheiro da equipe de Minsk e do campeonato bielorrusso até 2005, quando nova tragédia se abateu sobre ele. Após o título nacional em 2004, quando foi o principal goleador da competição (para orgulho de sua mãe loba que estava no estádio para acompanhar a partida derradeira da campanha) teve de lidar com nova perda. Seus pais adotivos foram assaltados por uma gangue de macacos ferozes na volta de uma peça teatral. Um dos macacos estava armado com um arpão e acertou o seu pai Mikhail, morrendo no local. A mãe Ivana fugiu em estado de choque e nunca mais foi encontrada. 

Novamente órfão, o já consagrado atleta fugiria da violência de Minsk e assinaria contrato com o Naftan, de Novopolotsk. Ao lado de Dmitriy Komarovskiy formou inesquecível dupla de ataque até a metade do certame, quando sofreu uma lesão grave enquanto limpava o porão de sua casa. Maxim escorregou na cera que havia acabado de aplicar no solo e caiu da escada, ficando inconsciente por dois dias e sendo encontrado por sua empregada. Na queda ele sofreu uma concussão cerebral, quebrou os dois tornozelos e sofreu uma luxação no ombro esquerdo. Seria difícil retomar o nível mais uma vez. Foram sete meses inativo e a aposentadoria era iminente.

Com mais de 300 gols na primeira divisão local e com apenas 26 anos, Tsigalko partiu para o futebol armeno, em busca de redenção. Assinou em 2009 com o Banants Yerevan e brigou por uma vaga nos onze iniciais, sem contar com a confiança do treinador. Decepcionado e deprimido, tentou a sorte no Kaisar, em do Cazaquistão, onde de forma heróica marcou 80 vezes durante 48 partidas. Estaria de volta a maior lenda da Bielorrússia? 

Em 2010 foi contratado junto ao Savit Mogliev, da sua amada terra natal. As lesões começaram a cobrar do seu corpo, mais do que ele poderia suportar. No fim de 2009, realizava uma festa de ano novo em sua casa na cidade de Orsha, quando em dado momento sua esposa Yulia esqueceu o tender no forno. A fumaça chamou a atenção do atleta, que correu até a cozinha para ver o que estava errado. Um incêndio havia começado e os três minutos em que Maxim permaneceu tentando evitar maiores estragos foram suficientes para que ele se intoxicasse e desenvolvesse uma doença no pulmão. 

Na sua última temporada, entrou em campo apenas seis vezes, na última delas desmaiou após um choque com o defensor adversário e resolveu aposentar-se aos 26 anos. Ganhou de presente do Dinamo Minsk uma despedida oficial, reunindo aquele elenco campeão de 2004 e outros amigos que havia feito dentro do futebol. Em apenas 45 minutos balançou as redes cinco vezes, levando em conta o fato do goleiro rival ser um de seus colegas envolvidos naquele fatídico acidente de ônibus. Yuri Kruschenko estava cego, mas mesmo assim não deixou de participar do último instante de glória de Tsigalko.

Era o fim da brilhante saga de Maxim Tsigalko, um dos maiores ícones do futebol (virtual).

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Craques: Carlos "El Lobo" Diarte

Carlos "El Lobo" Diarte em seu início de carreira. 
Desde os 16 anos, brilhava com o Olimpia
Foto: ABC
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

Carlos "El Lobo" Diarte pode ser considerado um dos maiores atacantes do futebol sul-americano. Contudo, poucos conhecem este verdadeiro mito, com exceção do povo paraguaio que o idolatra até hoje como um dos maiores do esporte local. Ídolo no Olimpia e com uma passagem de sucesso pelo futebol espanhol, o antigo goleador perdeu uma dura batalha contra o câncer e se foi no ano de 2011. Ainda sim, a lenda permanece intacta.

Logo com 16 anos, Diarte já recebeu uma oportunidade como profissional. No ano de 1971, a promessa estreava com a camisa do Olimpia, clube responsável por formar o atleta, e, na sua estreia, já mostrou que tinha faro de gol. Em um duelo contra o River Plate de Assunção marcou um dos gols da sua equipe e deixou todos em êxtase, já que era sabido que aquele jovem viria a ser um grande nome no futuro.

Na sua primeira temporada como profissional, já foi coroado com o título do Campeonato Paraguaio. De fato, era questão de tempo pro garoto se aventurar na Europa. Com sua grande velocidade e faro de gol cada vez mais apurado, assim que "El Lobo" completou 18 anos já rumou para a Espanha afim de defender as cores do Zaragoza, tudo isso no ano de 1973.

Com os Zaraguayos, El Lobo começou a brilhar no futebol espanhol
Foto: As
Pelo Zaragoza, o atacante se encontrou com a equipe que recebeu o apelido de Zaraguayos por contar com outros grandes jogadores paraguaios como Saturnino Arrua e Felipe Ocampos, El Lobo se aproveitava ainda mais do seu porte físico avantajado, usando-se muito bem do cabeceio, além, óbvio, da velocidade. Colecionando boas atuações e respondendo em campo ao investimento feito, Diarte passou bons tempos nos blanquillos, com destaque para o vice-campeonato espanhol conquistado na temporada 1974-75. O bom futebol rendeu novos olhares e no ano de 1976, o goleador paraguaio se transferiu para o Valencia.

No Valencia, o paraguaio compôs um inesquecível trio ofensivo 
ao lado de Kempes e Rep Foto: El Mundo
Chegando ao Mestalla para defender o Valencia, Carlos Diarte compôs um dos mais míticos trios ofensivos da história do futebol espanhol ao lado do artilheiro argentino Mario Kempes e do mito holandês Johnny Rep. Com tantas estrelas ao seu lado, o paraguaio não marcou gols na mesma proporção, mas nem por isso deixou de ser importante para o clube, mesmo que o tão estrelado plantel não tenha atendido todas as expectativas.

Como saldo da sua passagem pelo Mestalla, veio o título da Copa do Rei na temporada 1978-79. Talvez, se não tivesse sofrido as primeiras lesões um pouco mais sérias de sua carreira, é provável que a passagem do paraguaio por Los Che seria ainda mais arrasadora. E no ano em que ganhou seu último título com o Valencia, El Lobo buscou novos ares, ainda na Espanha, mas, deixou o time e foi defender o UD Salamanca.

No Salamanca, o paraguaio foi obrigado a conviver com contusões, o que o impediu de manter uma boa sequência de partidas. Entretanto, em algumas poucas participações que teve, já conseguiu certo destaque ao lado de Juanito, Corominas e D' Alessandro. Passou apenas uma temporada na equipe e no ano de 1980 acabou por se transferir para o Bétis, onde voltaria a ter grande destaque.

Defendendo os verdiblancos, El Lobo ainda era sentia alguns problemas físicos, mas voltou a marcar gols em maior proporção. Com dribles fabulosos e arrancadas sensacionais que lembravam os áureos tempos, logo caiu na graça da torcida do Bétis. Permaneceu por três temporadas e assim acabou por encerrar seu ciclo no futebol espanhol, já que em 1983 acabou por se arriscar no futebol francês defendendo o St. Etiénne.

Na França, ele conseguiu encaixar alguns bons jogos, mas, então com 33 anos, sentia que era a hora de voltar ao seu tão querido Paraguai afim de fazer sua última temporada pelo time que o revelou para o mundo e sua volta para o Olimpia para que fizesse sua última temporada foi decretada, isto no ano de 1987.

Em sua temporada final no mundo do futebol, El Lobo foi simplesmente sensacional e viu sua carreira ter o desfecho final que merecia. A idade pesava um pouco, mas o atacante ainda assim tratava bem a bola e até mesmo rascunhava algumas arrancadas, com isso tudo, veio o título paraguaio no ano de 1987, fechando com chave de ouro uma carreira tão brilhante.

Já aposentando, El Lobo investiu na carreira de técnico; 
Na foto, é apresentado na seleção de Guiné Equatorial Foto: EFE
Já aposentado, Diarte tentou a carreira de técnico. Treinou diversas equipes do futebol espanhol tais como o Valencia e o Salamanca, pelos quais brilhou como atleta. Em 2009, assumiu a seleção de Guiné Equatorial, mas, infelizmente, teve sua carreira de treinador interrompida. No dia 28 de junho de 2011, perdeu um desafio mais duro do que qualquer final de campeonato: a batalha contra o câncer.

Ao fim de um ciclo glorioso, fica o legado daquele que com dribles, arrancadas e gols maravilhosos foi um dos mais contundentes e estupendos camisa 9 não só do futebol paraguaio, como do sul-americano em geral.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Craques: Alexi Lalas

Foto: Who ate all the pies.tv
Cabeludo, xerife e precursor dos tempos de MLS nos Estados Unidos, Lalas foi sim um ícone norte-americano que fez seu país começar a ter gosto pelo soccer

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Desafortunados: Glenn Helder


Por: Felipe Ferreira (@felipepf13)
De Araçatuba-SP

Quando surgiu no futebol holandês, Glenn Helder era apontado como uma das maiores promessas da Laranja Mecânica, mas, bastou uma passagem sem sucesso pelo Arsenal para que sua carreira desandasse e seu psicológico fosse abalado, tanto que acabou na cadeia. Bem, realmente uma história com aperitivos diferentes do da maioria, contudo, Helder é mais um desafortunado clássico.

Nas categorias de base, passou três clubes da Holanda: os pequenos Orange Groen e UVS, além do grande Ajax. No entanto, sua carreira profissional se deu início em outro time: o Sparta Roterdã. No ano de 1989, então com 23 anos, o habilidoso ponta-esquerdo contou com uma boa sequência de jogos no clube da cidade portuária, passando quatro temporadas lá, ele buscou ares novos para sua carreira, se transferindo para o Vitesse, em 1993.


No Vitesse, Helder explodiu de vez e mostrou para a Europa a sua qualidade. Tornando-se um ponta-esquerda bastante explosivo e que aparecia muito bem no ataque, marcando vários gols, ele começou a despertar interesse de equipes maiores tanto da Holanda como de outros países. Os Vitas bem que resistiram em não negociar o seu talento, mas, passada uma temporada e meia, os diretores holandeses não tiveram como resistir e negociaram o jogador com o Arsenal, em 1995.

Em seus tempos de Highbury, o ponta bem que recebeu algumas oportunidades mas não conseguiu ter boas atuações e atender às expectativas. Como consequência disso tudo, não demorou para a torcida passar a odiar o jogador que chegara com pompa de uma nova estrela da escola holandesa. Com isso tudo, os diretores do Arsenal decidiram por emprestar Helder para o Benfica afim de que ele se reencontrasse com o bom futebol, em meados de 1996.


A tentativa de se recuperar foi em vão. O ponta não conseguiu se encontrar, muito menos manter uma sequência de jogos, sendo que atuou apenas em pouco mais de 10 partidas pelos Encarnados. Sem o mínimo interesse em renovar o empréstimo, os portugueses mandaram o holandês de volta para o Arsenal que por sua vez também queria se desfazer do traste. Glenn então voltou ao futebol de sua terra pelo NAC Breda, para a temporada de 1997-98.

Já na agremiação aurinegra, não fez nada de relevante e começou a sofrer por distúrbios psicológicos tanto que teria tentado cometer suicídio, de acordo com jornais locais. Ainda em busca da sua redenção no futebol, Helder começou a apostar na carreira no pôquer e representava a Holanda em torneios internacionais. Contudo, não conseguiu êxito com o carteado e seguia "brigando com a bola".

Depois do NAC Breda, o jogador foi para a China tentar a sorte no Dailan Wanda, em 1998, voltou para o NAC menos de seis meses depois. Não desistindo, tentou mais um trunfo pelo MTK Budapeste, em 1999, retornou à Holanda para defender os pequenos Roosendaal e TOP Oss, contudo, realmente, ele tinha desaprendido a jogar futebol e o sucesso foi nulo.

Largou o futebol profissional em 2003, com 35 anos, e partiu para o futebol amador, contudo, nesse tempo, seus distúrbios psicológicos só cresceram e Glenn veio a ser uma pessoa completamente transtornada. Antes de ser preso em 2007 por posse de arma, abuso e perseguição a uma ex-namorada, o flop voltou a aparecer na mídia um ano antes quando participou da despedida do mito Denis Bergkamp do Arsenal.

Aparentemente curado dos mais diversos problemas, o ex-ponta esquerda achou um meio em que vem conseguindo êxito: o da música. Hoje, o antigo talento brilha como percussionista na Holanda, onde toca nas mais diversas festas e boates.



terça-feira, 10 de abril de 2012

TF História: Por dentro da faixa de Gaza

A terra santa do futebol chileno, o Estádio Nacional. (O Gol) 
Bruno Núñez, @BrunoNunez

Cheguei a Santiago, capital do AR SECO, em um sábado com um clima DESÉRTICO e com o sol em grande fase, o uso de boné, boina ou quepe era OBRIGATÓRIO. Já tinha consciência do jogo que rolaria na tarde daquele sábado, em pleno Estádio Nacional, que outrora já fora palco de uma final de Copa do Mundo, hoje dava espaço para um duelo medieval entre ÁRABES e CRUZADOS, pela primeira rodada do Apertura chileno. Ambos em busca do HUEMUL DE PLATA, troféu dado ao campeão nacional.

Ludibriado pelo GOOGLE MAPS, achei que a estação de metrô estava ao lado do hotel onde me hospedei, mas me enganei e enfrentei uma caminhada de 10 minutos, que pareceram uma hora por causa do sol que mirava diretamente para o meu CUCURUTO. Chegando a estação Ñuble, a mais próxima do Estádio Nacional, fui novamente ludibriado pelo serviço de mapas online, que indicava o metrô bem próximo ao estádio, mas tive que fazer nova caminhada longa sobre o calor ESCALDANTE da cidade de Santiago. 

O estádio não aparecia nunca no meu campo de visão, achei que tinha pegado o caminho errado, mas percebi um grupo de NÓRDICOS que parecia ter o mesmo objetivo que o meu, e não deu outra, do nada, o Estádio Nacional EMERGIU na minha frente.

Estava atrasado, o jogo já havia começado, e isso se refletia nas ruas em torno do estádio, nenhuma alma viva próxima parecia respirar aquela partida, só chegando perto das bilheterias que percebi alguns HINCHAS do Palestino atrasados, comprando rapidamente seu ingresso para a batalha já em andamento. Eu estava indeciso para que torcida eu ia me bandear, e o bom senso falou mais alto: acabei comprando um ingresso para a GALERIA do Palestino, que no dia, jogava de local.

O Palestino de 1978, segunda e última vez que o time foi
 campeão chileno, Figueroa é o quarto da fileira de cima,
 da esquerda para a direita (Foto: Solo Fútbol)
Me perdi na área interna do estádio já que não tinha nenhuma sinalização mostrando que ali teriam ÁRABES vendo um jogo de futebol. De súbito percebi que tinha perdido um gol da Católica, enquanto LOS CRUZADOS saltavam e gritavam de felicidade, eu havia achado um senhor com uma bancada cheia de produtos do Palestino (chaveiros, flâmulas e vários outros tipos de PENDURICALHOS) que me indicou a entrada certa. Lá fui eu, subindo as escadas para finalmente ver o jogo, percebo ÊXTASE da torcida em que me aproximava, e sim, gol do Palestino e mais um gol perdido por mim.

Finalmente o jogo, haviam cerca de 100 pessoas (ou menos) na área destinada a torcida do Palestino, os CRUZADOS também decepcionaram e ocupavam pouquíssimos lugares, apesar disso, chego e me acomodo de pé ao lado de um senhor de baixa estatura, ele conversava com todos a sua volta, onde eu estava prestes a conhecer um EXPERT em Palestino e futebol em geral. Comecei a conversar com o senhor, perguntei quem tinha feito o gol e quem era o destaque do time, ele estranhou um pouco, logo me identifiquei como BRASILEÑO, e aí ele não parou de falar mais, ficou muito feliz que um estrangeiro tinha ido ver um jogo do Palestino.

Ele se apresentou como Francisco e depois me levou para a BARRA BRAVA (eram por volta de 10 pessoas). Logo começou a contar ANEDOTAS das canchas chilenas, entre elas a de grandes brasileiros (?) que passaram pelo futebol chileno: a história mais curiosa era a de BENEDITO PEREIRA, beque central que segundo Don Francisco veio ao Chile para ser jogador de basquete e acabou sendo um dos símbolos dos tempos AÚREOS do pequeno Independiente de Cauquenes, hoje na quinta divisão do país.

Don Francisco ENDEUSAVA Don Elías Figueroa, que estava presente no último CHILENÃO que o Palestino conquistou no ano de 1978, e bradava que DON ELÍAS tinha muita classe e foi o maior jogador na história daquele país. Do atual elenco ÁRABE ele admirava o capitão da equipe, Roberto Bishara, mais conhecido como El Jeque (O Sheikh) e que tem ascendência palestina e ainda por cima jogou pela SELEÇÃO PALESTINA, a capitania estava mais do que bem representada.

Roberto Bishara e Felipe Núñez, os ícones do time 
árabe na atualidade (El Gráfico) 
O jogo era bom, chances boas pra ambos os lados, ambos os arqueiros se destacaram, Toselli da Católica fez milagres, e FELIPÃO Núñez do Palestino (típico goleiro sul-americano, camisa colorida e cheia de Gustavo Cerati’s [vocalista do Soda Stereo, uma das maiores bandas de rock da América Latina], além de FELIPAO [sem til mesmo] nas mangas) parou quase tudo, menos um chute de Kevin Harbottle, indefensável.

A arbitragem ajudou um pouco a Universidad Católica, deixando os torcedores muito enfurecidos, principalmente com o bandeirinha, que era de origem judia, não preciso falar que ele era o mais hostilizado ali. A Católica venceu por 2 a 1, os poucos hinchas do clube estavam tristes porque o time mostrou empenho, mas a bandeira palestina que tremulava no CUME do Estadio Nacional mostrava que o sentimento estava mais vivo do que nunca.

Saindo do estádio, CRUZADOS e ÁRABES saíam pacificamente juntos do estádio, nada de GUERRA SANTA como no passado, o simpático senhor Francisco parou na bancada que vendia PENDURICALHOS do Palestino e me comprou um chaveiro, depois conversando com um amigo, me arranjou um CAMELO DE PLÁSTICO, falando que eram presentes para que eu nunca mais me esquecesse do Palestino, e realmente eu não iria. 

Voltei ao metrô conversando com Don Francisco, que seguia falando apaixonado de como o estádio era antigamente, quando se sentia o ALENTO e o CALOR do público. Hoje não, o Estádio Nacional perdeu todo seu charme com o PROCESSO DE EUROPEIZAÇÃO que  sofreu. Cheio de cadeiras, a cancha perdeu todo o ROMANTISMO que tinha por trás, um fato que destrói a mística do futebol sul-americano em geral.

O Estádio de La Cisterna, o habitat natural do Palestino. (Cada7)
Quando estávamos por nos despedir, ele me fez um convite, ir até o Estádio de La Cisterna (a casa do Palestino, segundo ele o MARACANÃ chileno, já que nunca fica cheio. (Sem sentido nenhum essa comparação, mas tudo bem). No outro sábado, me daria a camisa tricolor do time caso eu fosse, infelizmente não pude ir. Saí da cidade na sexta, creio que perdi uma grande história, mas ganhei um amigo de cancha e também um clube pra alentar, e como diz o único canto que a INTIFADA PALESTINA cantou durante o jogo, ‘’CHI CHI CHI, LE LE LE, PALESTINO DE CHILE’’, o clube árabe é um OASIS de histórias.


Os gols da partida, atentos para o gol de Peréz do Palestino, golaço (e eu não vi ao vivo)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Descraques: Mark Bosnich

A cara da desolação: Bosnich teve horrível estadia no Chelsea (Daily Mail)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Histórias de jogadores que se perdem no vórtex da fama e da perdição no futebol aparecem aos montes em jornais, revistas e sites. A lenda de Mark Bosnich, goleiro australiano que precedeu o ancião Mark Schwarzer, é intrigante. Talento da base do Sydney United, em 1989, logo aos 18 anos foi contratado pelo Manchester United, inicialmente nas categorias de base.

Estreou em 1990 pelos Red Devils, em partida contra o Wimbledon. Pouco trabalhou naquele ano, apenas três oportunidades. Retornou ao Sidney para mais um ano, ganharia experiência ao fim da temporada antes de retornar à Inglaterra. Em meados de 1992, aceitou oferta do Aston Villa, esperando ter boas chances de ser titular. Somente em 1993-94 ganhou o lugar de Michael Oakes. Foi numa decisão por pênaltis na Copa da Liga inglesa contra o Tranmere Rovers que alcançou a fama. Pegando três chutes, assegurou sua posição como macho alfa do gol dos Villans. 

O sucesso veio em 1994-95, quando ele finalmente figurava entre os mais prestigiados arqueiros no futebol inglês. Daí em diante ele era reconhecido como grande valor australiano, o mais célebre entre os que jogavam fora da terra dos cangurus. De presença regular à polêmico em 1996, se lesionou na primeira metade de 1997 e ficou no estaleiro até 1999, quando se transferiu para o Manchester United (disputou a final do Intercontinental contra o Palmeiras, substituindo Schmeichel).

HAHAHAH, daora essa taça, mano, daora (UOL)
Dois anos depois perderia a vaga para Fabien Barthez, lenda francesa debaixo das traves. Ameaçado e em decadência, foi para o Chelsea em 2001. Mais lesões crônicas e Mark já era um flop em Londres. Sete jogos realizados e em setembro de 2002 o famigerado anti-doping em que seria pego. Aí alcançou o seu pior momento, sendo até mandado embora do Stamford Bridge. Aposentado e falido, resolveu voltar ao esporte, jogando pelo Central Coast Mariners, em 2008. Sem sequência, teve passagem rápida pelo Sydney Olympic, por apenas oito aparições.

Vencedor de títulos como o da Premier League e Mundial Interclubes (Manchester em 1999-00), e duas Copas da Liga com o Villa (1993-94 e 1995-96), Bosnich não se arrepende de nada do que passou no esporte. Quando iniciou sua carreira, teve problemas com o visto de trabalho e retornou à Austrália. Em busca do sonho de fazer parte do futebol, serviu exército na Iugoslávia em 1991. Por alguns anos, teria enfrentado uma guerra civil. Poderia muito bem servir de lição para os mais jovens, os que se deslumbram com a fama e o dinheiro, o reconhecimento. Hoje é comentarista da FOX Sports, na Inglaterra.

Fanfarrão
Em 1996, foi repreendido pela diretoria do Aston Villa, após fazer uma saudação nazista para a torcida do Tottenham, que tem grande parcela judia. Em 2002, se envolveu com uma modelo inglesa, Sophie Anderton, com a qual teve uma série de entreveros, além de problemas com narcóticos. A moça já tinha histórico de maria chuteira, mas aparentemente nosso querido Bozza preferiu ignorar isso.



sexta-feira, 6 de abril de 2012

TF História: Quando os Milionários viraram galinhas

Foto: Futebol Portenho

Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Todos os clubes argentinos possuem ao menos uma alcunha, muitas das quais são bastante curiosas. Sediado na elegante zona norte portenha, o River Plate é historicamente conhecido como “Milionário”. No entanto, em 1966 surgiu uma segunda forma de se referir ao clube, a qual ainda provoca calafrios em seus torcedores: “galinhas”.

Naquele ano o clube fez uma grande campanha na Libertadores. Com jogadores como o histórico goleiro Carrizo, os uruguaios Matosas e Cubilla e os irmãos Onega, os comandados de Renato Cesarini chegaram como favoritos à grande decisão, mas perderam o título de forma surpreendente.

Naquele ano a Libertadores, até então um torneio curto, teve pela primeira vez uma fórmula mirabolante, inaugurando um período de muita desorganização que perduraria até a edição de 1971, quando finalmente a Conmebol conseguiria encontrar a fórmula que seria utilizada por quase duas décadas. Mas nos anos anteriores a tônica do maior campeonato continental interclubes foi a bagunça.

Naquele ano os milionários jogaram 16 vezes antes de chegar à final, em um torneio que tinha 17 clubes. Com as três partidas da decisão foram 19 jogos em 3 meses. Primeiro um grupo com o Boca Juniors, dois clubes do Peru (Alianza e Universitário) e dois da Venezuela (Deportivo Lara e Deportivo Itália). Com oito vitórias em dez jogos o River se classificou em primeiro lugar.

Na segunda fase um grupo duríssimo, que só classificaria uma equipe para a grande final: além do River lá estavam o Boca Juniors e o Independiente, vencedor das duas edições anteriores do torneio, além dos paraguaios do Guarani. Foi necessário um desempate com o Independiente, vencido pelos Milionários por 2 a 1. O River havia chegado à grande decisão.

O adversário era uma grande equipe do Peñarol, repleta de nomes históricos do clube. O treinador era ninguém menos do que Roque Máspoli, goleiro da seleção uruguaia na copa de 1950. Em campo havia grandes jogadores, três dos quais fizeram muito sucesso no Brasil: o grande goleiro Mazurkiewicz, o lateral Forlán e o genial Pedro Rocha. Uma equipe que poderia enfrentar qualquer outra do planeta, e que venceria as duas partidas da final intercontinental contra o Real Madrid.

A primeira partida foi no Centenário. Nela o River foi guerreiro, e segurou o empate por 75 minutos. Mas Abbadie e Joya marcaram os gols da vitória carbonera nos últimos minutos. Um empate daria ao Manya o terceiro título da Libertadores. Uma partida de tamanha importância entre duas equipes tão tradicionais e recheadas de grandes craques só poderia mesmo entrar para a história.

O Monumental de Nuñez estava abarrotado, incluindo torcedores à beira do campo, o que não era totalmente incomum na época. Pedro Rocha abriu o placar, mas Ermindo Onega empatou ainda no primeiro tempo. O equatoriano Spencer colocou novamente o Peñarol em vantagem logo no início do segundo tempo, mas Sarnari empatou logo depois, e Ermindo Onega marcou o terceiro gol, para delírio da torcida. Tudo seria decidido no jogo desempate, em Santiago do Chile.

No primeiro tempo o River Plate foi melhor, e desceu para o intervalo com dois a zero a favor, gols de Daniel Onega e Solari. A Libertadores de 1966 parecia definida. Logo no início do segundo tempo ocorreu o lance mítico que mudou a história da partida. Um simples momento que tem muitas versões, mas em geral inclui um chute de Spencer, defendido de forma humilhante por Amadeo Carrizo, que matou a bola no peito e saiu jogando.

Com os brios feridos os jogadores do Peñarol correram como nunca. Logo após os 20 minutos o mesmo Spencer aproveitou uma bola na área e fuzilou Carrizo. Mais cinco minutos e Abbadie chutou de fora da área, a bola desviou em Matosas e enganou o goleiro milionário. O Peñarol havia conseguido um empate que parecia impossível. E entrou na prorrogação com muito mais força que o rival.

Aos 12 minutos o equatoriano Spencer ensinou a Carrizo que com uruguaios não se brinca, subindo mais que toda a defesa inimiga para acertar uma cabeçada espetacular. Após 102 minutos de jogo o Manya tomava a frente do placar pela primeira vez. No segundo tempo Pedro Rocha concluiu um rápido contra-ataque com uma cabeçada muito bem colocada. O Peñarol havia feito história: era campeão da Libertadores de 1966 e em seguida seria campeão mundial.

O River Plate havia perdido a incrível oportunidade de conquistar seu primeiro título continental, exatamente quando a conquista parecia praticamente certa. O tipo de coisa que os rivais jamais perdoariam. Poucos dias depois o clube enfrentou o Banfield, pelo campeonato argentino daquele ano. Um hincha do Taladro entrou em campo com uma galinha, como referência à derrota, para delírio da torcida local.

A galhofa de um anônimo torcedor do Banfield entraria para a história. A partir daquele dia, ao menos para os rivais o River Plate deixaria de ser o “Milionário” e passaria a ser conhecido como “Galinha”. Algo que os torcedores do clube ainda sentem arrepios de ouvir. Tudo por conta de uma incrível vitória do Peñarol em 1966.

PEÑAROL: Mazurkiewicz, Lezcano, Diaz e Forlán; Gonçalvez e Caetano; Abbadie, Cortés, Spencer, Rocha e Joya.

RIVER PLATE: Carrizo, Matosas, Vieytez e Sainz; Sarnari e Grispo; Cubilla, Solari, Ermindo Onega, Daniel Onega e Más.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Desafortunados: Emmanuel Amunike

Foto: Solo fútbol
Bruno Núñez, @BrunoNunez
De São Paulo-SP

O perfil desse Desafortunado é o típico caso do jogador que BARBARIZA jogando pela seleção, mas que não tem a mesma fortuna jogando pelos grandes clubes, que clamaram por seus serviços graças as boas exibições pelo esquadrão de sua terra natal. Ainda houve o agravante da lesão, que acabou com a sua carreira e não rendeu aquilo que todos esperavam dele.

Emmanuel foi um dos símbolos dos tempos de glória das Super Águias, a seleção nigeriana que encantou os gramados na década de 1990, o ala-esquerdo Amunike (que virou seu nome, de tanto que erraram a pronúncia) era um talento promissor, estava em campo quando a Nigéria foi campeã da Copa Africana de Nações em 1994 (fazendo os dois gols na final, consagrando-se ídolo dos nigerianos) e também fez parte do grupo que participou da primeira Copa da história dos Águias verdes naquele mesmo ano.

O ponto máximo daquela geração nigeriana foi a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos, que além de Amunike, tinha jogadores da estirpe de Amokachi, Babayaro, Kanu, Babangida, Okocha e West (com seu cabelo [?] que ficará eternamente nas nossas memórias). A vitória sobre o Brasil nas semifinais já tinha deixado os espectadores perplexos, então veio o triunfo sobre os argentinos na final olímpica, foi ainda mais estonteante, com o nosso Desafortunado tendo grande participação na partida, mostrando que tinha mística de decisão, marcando o gol do triunfo histórico dos nigerianos no último minuto do segundo tempo.

Na sua carreira profissional, Amunike começou a impressionar no Julius Berger, clube do seu país natal, mas logo foi para um gigante africano, o Zamalek do Cairo, onde se consagrou como um ala ofensivo esquerdo. Conquistando o bicampeonato egípcio de 1992 e 1993, viveu quatro anos na beira do Rio Nilo. Seu futebol logo chamou atenção do mercado europeu, principalmente por suas atuações pelo selecionado nacional, que lhe renderam o prêmio de melhor jogador africano de 1994. O presidente do Sporting de Lisboa na época, Sousa Cintra, fez de tudo para ter o jovem jogando pelos leoninos, inclusive foi ao Egito acertar pessoalmente com atleta e clube, já que era iminente a sua ida para um desconhecido da Alemanha, a atitude do presidente sportinguista fez com que o destino de Amunike fosse diferente.

O desembarque na Europa foi o melhor possível, Amunike logo assumiu a titularidade no elenco leonino, mostrando que era rápido, técnico e tinha um excelente chute. Essas qualidades ajudaram a agremiação lisboeta na temporada de 1994-95, finalizando o Campeonato Português em segundo, enquanto ele encaixava 24 jogos/8 gols (inclusive o seu primeiro gol foi contra o rival Benfica) e se sagrando campeão da Taça de Portugal.

Os tempos dourados de Amunike em clubes vieram no Sporting
(Craques e flops leoninos)
Na temporada seguinte, Amunike novamente foi um dos destaques do Sporting, 34 jogos e 9 gols, com direito a uma Supertaça de Portugal no bolso. No fim da época, Amunike embarcou para Atlanta e deu no que deu, campeão olímpico com as Super Águias, sendo um dos destaques daquele time, o Sporting não poderia segurar mais o jogador. Ainda jogou parte da temporada 1996-97 pelo alviverde luso, mas no fim do ano foi embora.

Sir Bobby Robson viu aquele jovem de 25 anos encantando os torcedores nas Olímpiadas, e não titubeou em trazê-lo para a Catalunha. Para isso o Barcelona desembolsou 4 milhões de dólares dos seus cofres. Amunike chegava a um elenco muito forte, entre os novos companheiros da Pantera Nigeriana estavam Figo (que havia jogado com ele no Sporting), Ronaldo e Guardiola.

Amunike parecia que ia ajudar muito os blaugranas, teve oportunidades, mas começou a padecer de sucessivas lesões no joelho (já havia sofrido de algumas no fim de sua passagem pelo Sporting), que deixaram ele parado por muito tempo, e graças a elas, ele não foi para a Copa do Mundo de 1998. Suas lesões voltavam, ele perdia ritmo de jogo, e isso começou a comprometer na sua habilidade, não era o mesmo, estava em processo de Pedrinhozação descraquização. As únicas lembranças que deixou em Barcelona foram seus arremessos laterais, que eram potentes; (não chegava a ser um Delap, mas dava para o gasto) a outra, foi o canto que os madridistas fizeram para o meia Luís Enrique do Barça, que dizia ‘’Luis Enrique tu padre es Amunike’’, bom...não preciso explicar o sentido do canto.

Choro ou cansaço? Só o tempo irá dizer
(The offside)
Foram três temporadas no clube (''conquistou'' 2 Ligas, 2 Copa do Rei, 1 Recopa Europeia e 1 Supercopa da Europa) mas de fato só conseguiu jogar 1 temporada e meia, foram cerca de 20 jogos e 1 gol com a camisa do Barça.

A carreira de Amunike só decaía, chegou ao Albacete na temporada de 2000-01, após a passagem frustrada pelo Camp Nou. As lesões destruíram a carreira do winger nigeriano, já não tinha a velocidade de antes, nem a técnica, o velocista que passava e colocava os zagueiros para dançar agora era colocado na roda de bobinho, não tendo o mesmo folego de antes. Seu futebol nunca mais foi o mesmo, o Albacete foi mais uma passagem frustrada na sua carreira, foram duas épocas pouquíssimo aproveitadas pelo africano. Depois foi para a Jordânia, vestiu a camisa do Al-Wihdat (temporada 2003-04), mas quando viu que não estava bem nem em terras jordanianas, decidiu que era a hora de parar.

Apostou nos cargos técnicos para seguir no futebol, foi treinador adjunto na Arábia Saudita, e depois foi contratado pelo Manchester United como observador de jogadores africanos, principalmente na Copa da África de 2008. Dirigiu o Julius Berger e o Ocean Boys da sua terra natal, mas depois voltou a Espanha, onde participou de um anúncio publicitário que tirou onda de sua fracassada passagem pelo Barcelona. Amunike mostra no anúncio que está vendendo um VHS com a sua melhor jogada, que é o seu arremesso lateral, único lance mostrado em toda vídeo-aula fictícia, pobre Emmanuel.

Atualmente dirige uma escolinha de futebol na Nigéria, apesar de viver na Espanha esperando por uma oportunidade em alguma comissão técnica de algum clube espanhol, apostando que pode triunfar em terras hispanas, já que não pôde quando jogador espera ter melhor sorte como treinador. 




quarta-feira, 4 de abril de 2012

Craques: Julio Dely Valdés

Foto: Diálogo americas
Felipe Portes, @portesovic
De Brisbane-AUS

Aproveitando o fato que falamos do maior jogador costarriquenho da história, Paulo Wanchope, o gancho é bom para que o protagonista de hoje seja Julio Dely Valdés, o maior panamenho de todos que já caminharam por esta terra.

Goleador daqueles desesperados, um artilheiro nato, Dely Valdés marcou época no PSG, Oviedo e Málaga, também com boas passagens por Cagliari e Nacional do Uruguai. Começou sua carreira em 1987, no Deportivo Paraguayo, de divisões inferiores na Argentina. O talento para balançar as redes usando o bico da chuteira, a testa, a canela e até a cintura fizeram de Julio ídolo imediato na pequena agremiação de Buenos Aires. 

De lá, partiu para o Nacional, onde ganharia destaque internacional e suas primeiras chances na seleção panamenha, onde seria eterno camisa 9 e maior ícone. Reza a lenda que O Pelé da América Central marcou mais de 100 gols pelo Bolso. A mitificação de Dely era algo inevitável. De 1989 a 1993 torturou os goleiros e defesas adversárias no Uruguai até chamar a atenção do Cagliari. Foi campeão nacional em 1992 e no ano seguinte partiu para a equipe da Sardenha.

No Cagliari, ainda possuindo alguma quantidade de cabelos, Julio fez companhia de ataque ao não menos lendário e carismático Luis Oliveira (Oliveirrá, como diziam os belgas). A parceria não vingou como esperado e apenas uma décima posição na Serie A frustrou os ânimos dos dirigentes no Sant'Elia. Para a temporada seguinte, em 1994-95, contou com Roberto Muzzi e Massimiliano Allegri no elenco gialloblu, mas o resultado final também não empolgou. A nona posição foi a gota d'água para que o panamenho procurasse outro lugar para tentar corresponder às suas ambições como profissional.

Semi-voleio de Dely Valdés na final da Taça das Taças em 1996
O Paris Saint-Germain foi a escolha para o futuro. Já adotando o visual careca/Seal/Sebastian da C&A, Dely  já chegou com pompas e levantando o título da Taça das Taças UEFA em 1995-96. A vitória sobre o Rapid Viena, com gol de Bruno N'Gotty, foi o único troféu erguido pelo talentoso atacante, apesar da excelente média de gols (64 jogos e 24 gols). Em 1997 deixou o Parc des Princes e assinou com o Real Oviedo, onde seria rei. 

Eram tempos nebulosos para a simpática equipe das Astúrias. Três péssimas campanhas em La Liga, com ponto alto para os intermináveis gols de Julio contrastaram na história do clube. Ainda importantíssimo e herói no Oviedo, o atacante foi para o Málaga, em 2000-01 onde venceu a Copa Intertoto (2002) e se consagrou como um dos maiores artilheiros dos Boquerones. 


O reconhecido faro de gols continuava ali. Com o passar dos anos, Julio se transformou num centroavante mais de área, de conclusão, não um jogador de arrancada, explosão e velocidade como nas suas passagens por Cagliari, PSG e até mesmo Oviedo.


Veteraníssimo, aos 36, saiu do Málaga em 2003 e rumou ao Nacional, onde foi revelado para o futebol internacional. A idade foi uma barreira e ele disputou apenas 15 partidas antes de defender o Árabe Unido, do Panamá, onde encerraria sua carreira (vejam só como rimou com o começo da oração). É irmão gêmeo de Jorge Dely Valdés, que teve passos similares no que se diz início e fim da caminhada como jogador de futebol.