segunda-feira, 21 de maio de 2012

Vai começar


Rodrigo Salvador, @novosomsalvador
De Curitiba-PR

Vai começar mais um texto com a frase “Vai começar o Brasileirão”:
Vai começar o Brasileirão! O campeonato mais equiliblablabla… A única coisa que importa é que é o campeonato mais fácil de acompanhar. Por uma feliz coincidência, ele é foda, e vale a pena escrever sobre ele, é tudo que importa. A culpa deste texto – e dos que seguirão – é toda do Mahani, esse falso amigo que, num momento de fraqueza meu, fingiu que gostou dos meus textos ano passado. Desgraçado. Tomara que o São Paulo seja rebaixado. Por outro lado, o Zezinho ajudou com os times-base desse texto. Tomara que o Grêmio seja campeão.

Vou começar metendo banca de quem já viu os 20 times jogarem pelo menos uma vez e botar aqui o ranking baseado no critério mais importante e embasado que conheço: eu memo. Sem chute mais ou menos, vai a lista ordenadinha. E vai comentada, que é pra eu poder rir de mim mesmo em dezembro. É o seguinte:

Foto: UOL
1. Santos

Neymar, esse bandido da luz monocromática. Raros os que não sofrem nos pés do moleque. E o desgraçado não machuca. Some-se a isso o Bom Mesmo, que finalmente voltou a jogar bem. Esses dois mais nove e pronto, temos um favorito no futebol brasileiro. Mas no meio dos nove tem Arouca, Drogborges, Tarrafael. Feliz de quem tirar ponto do Peixe.
Baleia: Neymaravilha
Lambari: Juan
Ozonze: Rafael; Fucile, Edu Dracena, Durval e Juan; Adriano, Arouca, Elano e Ganso; Neymar e Borges. Professor: Muricy Ramalho

Foto: Placar.abril.com.br

2. Fluminense

Olha ali ozonze do Flu. Fora a zaga, todo mundo é acima da média no Brasil. Esse Bruno, lateral direito, é um baita jogador. E ainda tem He-man e Wellington Nem (craque) no banco. Se o Flu não chega forte, então ninguém chega.
Laranja mecânica: Fred (vai te pegar)
Laranja podre: Gum
Ozonze: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Leandro Euzebio e Carlinhos; Edinho, Jean, Thiago Neves e Deco; Rafael Sóbis e Fred. Professor: Abel Braga

Foto: LanceNET

3. Corinthians

O Corinthians é o principal obstáculo no caminho do Corinthians ao título. Se mantiver a resultabilidade do 1×0, uma hora ou outra a maionese desanda, o kissuco ferve e o caqui preteia. O Corinthians está atrás do Santos hoje em dois quesitos: Ousadia e alegria.
Athos, Porthos e Aramis: RalfePaulinho
Dartanhããã: Tite
Ozonze: Cassio, Edenilson, Chicão, Castan e Fabio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo e Jorge Henrique; William e Emerson. Professor: Tite

Foto: SPFC.terra.com.br

4. São Paulo

AI MELDELS O SAO PAULO EM QUARTO COMO ASSIM pois é gente, tem pouco time bom no Brasil, quem tem um ou outro #fera já tá em cima. E o São Paulo tem Lucas e Fabuloso, suficiente pra ganhar um jogo ruim em 1 minuto. Além disso, boa parte do que tinha de ruim no São Paulo saiu no começo do ano. Ainda não tá jogando bem, mas não falta tanto assim pra isso.
Santo: Lucas ex-Marcelinho
Demonho: Paulo Miranda
Ozonze: Dênis; Douglas, Paulo Miranda, Rhodolfo, Cortês; Denilson, Casemiro, Cicero, Jadson e Lucas; Luis Fabiano. Professor: Leão

Foto:UOL

5. Internacional

O Inter é um dos melhores times do Brasil no papel. Tem um técnico bom. Mas ainda assim não é confiável. Quinto no BR11, oitavas da Libertadores, Gauchão com final, é pouco pra esse elenco. O que falta? Sei lá.
Saci: Leandro Damigol
Mula sem cabeça: MO-LE-DO (tugududu, tugududu, uh!)
Ozonze: Muriel; Nei, Moledo, Índio e Kleber; Sandro Silva, Guiñazu, Oscar e D’alessandro; Dagoberto e Damião. Professor: Dorival Junior

Dedé é um cara legal pra caralho Foto: A bola.pt 
6. Vasco

PRO VASCÃO TUDO É MAIS SOFRIDO porque eles fazem questão. Desde o ano passado, o Vasco complica jogos importantes se fechando e bicudando a bola (se especializou nisso) ao invés de definir logo. E assim quase perdeu a Copa do Brasil (desde as quartas) e as oitavas da Libertadores contra o Lanús. Parece que o Vasco não confia em si mesmo.
Cruz de Malta: Dedé
Cruz Credo: Rodolfo
Ozonze: Fernando Prass; Fagner, Dedé, Rodolfo e Tiago Feltri; Nilton, Rômulo, Juninho Pernambucano e Diego Souza; Eder Luis e Alecsandro. Professor: Cristovão Borges

Foto: LanceNET

7. Grêmio

Na moral que a galera espera menos do Grêmio que um sétimo lugar. Mazolha, eu acho que tem um meio campo bem consistente. Precisa ajeitar a defesa, mas já tem em campo o suficiente pra superar as expectativas no Brasileiro. O que não pode é dar os moles que deu no Gauchão.
Imortal: Gilberto Silva de máscara
Natimorto: Werley
Ozonze: Victor; Edilson, Werley, Gilberto Silva e Julio Cesar; Fernando, Souza, Leo Gago e Zé Roberto; Kleber e Marcelo Moreno. Pofexô: Luxemburgo

Foto: Diário Flamengo

8. Flamengo

O Flamengo em 2012 é um gira-gira de um parquinho enlameado. Não dá pra confiar em nenhum jogador, nem no Papai Joel, nem na PILF. O melhor que o Flamengo tem pra largada do Brasileiro é a camisa.
Urubu: Bottinelli (sério)
Pardalzinho: Ronaldinho (mais sério ainda)
Ozonze: Felipe; Leo Moura, Welinton, David Braz e Junior Cesar; Willians, Botinelli, Renato Abreu e Ronaldinho, Vagner Love e Deivid. Professor: Joel Santana

Foto: LanceNET

9. Atlético-MG

Pra mim, se todo o elenco do Galo estivesse com outra camisa, seria vaga certa na Libertadores. Mas é o Galo. É um time muito forte pela direita, mas sofrível pela esquerda. A defesa funciona bem, mas a criação do time simplesmente não existe. O Galomailindomundo vai sair dessa fase uma hora ou outra; se for esse ano, pega Libertadores de boa.
Galo: Leãodro deusnizete
Galinha: Rafael Marques (o zagueiro, não o advogado (se bem que…))
Ozonze: Giovani, Marcos Rocha, Rafael Marques, Rever e Richarlyson; Pierre, Leandro Donizete, Danilinho e Escudero; André e Guilherme. Professor: Cuca

Foto: ECBahia.com.br

10. Bahia

O Bahia me agradou bastante. Tem uma disciplina tática que sarta aozóio. Vai dar bastante trabalho no Brasileiro, exceto quando o time não estiver completo. Devia largar a Copa do Brasil pra não complicar as primeiras rodadas.
De Aço: Falcão (não o campeão dos campeões, outro)
De Lata: Fahel
Ozonze: Marcelo Lomba; Coelho, Donato, Titi e Gerley; Fahel, Helder, Morais e Zé Roberto; Junior e Souza. Professor: Falcão

Foto: Figueirense

11. Figueirense

O Curioso Caso de Figueirense e Branco: o time tem um dos melhores ataques do país, ganha os dois turnos do estadual, perde o título (sim) e demite o técnico. Bizarríssimo. Vem Argel (AQUELE, o Fucks), que foi bem no Joinville, e tem um time bem digno pra treinar. O perigo pro Argel é começar bem o campeonato, porque aí o Figueira pode Fucks ele.
Furacão: Fernandeus
Peidinho: Guilherme Santos
Ozonze: Wilson; Pablo, Sandro, Canuto e Guilherme Santos; Toró, Tulio, Doriva e Fernandes; Augusto e Roni. Professor: Argel Fucks

Foto: UOL

12. Ponte Preta

A Ponte tá no nível do Figueira, com ataque forte e defesa temerosa. Só que, ao que tudo indica, já começa o campeonato sem o Cajá, e o ataque fica com Caio, Pimpão e Roger, sem reserva. Se perder esses também, aí complica, aí complica aí é gol, aí gol aí é o gol dado, gol da Inglaterra. Por hora, a Ponte é favorita ao título de Robin Hood do Roubrasileirão. 
Chita: O meio vai ter Cajá? Então Cajá. Senão, Caio
Monga: Ferron
Ozonze: Bruno Fuso; Guilherme, William Magrão, Ferron e Uendel; João Paulo, Cicinho, Somália, Caio e Renato Cajá; Roger

Foto: UOL

13. Botafogo

Dos 20, o Botafogo foi o último a perder no ano. OH! Mas chegou uma hora que tava com tipo 12 vitórias e 11 empates, algo assim. O Botafogo tem um problema difícil de corrigir: superestima Fabios Ferreiras, Márcios Azevedos e Antonios Carloses. Tem vários bons valores, mas não percebe o prejuízo que os ruins causam.
Estrela: Renato (não, não esqueci do Loco nem do Jefferson, é o Renato mesmo)
Anã-branca: Márcio Azevedo
Ozonze: Jeferson; Lucas Zen, Antonio Carlos, Fabio Ferreira e Marcio Azevedo; Renato, Maicosuel, Andrezinho e Elkeson; Herrera e Loco Abreu. Professor: Oswaldo Oliveira

Foto: LanceNET

14. Coritiba

Em fevereiro/março, o Coxa jogava futebol de lanterna. Em abril, evoluiu pra 17º. Hoje, já dá pra pensar em não cair. Contratou um caminhão de gente e só usa um no time titular. Ainda vai ter obrigatoriamente que substituir o Tcheco, e do jeito que vem contratando…
Coxa e sobrecoxa: Emerson
Pele: Aquino
Ozonze: Vanderlei; Jonas, Emerson, Demerson e Lucas Mendes; Junior Urso, Gil, Everton Ribeiro e Lincoln; Roberto e Everton Costa. Professor: Marcelo Oliveira.

Foto: Yahoo

15. Palmeiras

Em 2011, Felipão fez milagre conseguindo 44 pontos com o Palmeiras. Em 2012, a diretoria pretende repetir o desempenho. É difícil imaginar esse Palmeiras jogando bem, e vai caber de novo ao Felipão arranjar uns empates estratégicos pra segurar o time na Série A.
Palestrino: Barcos
Siciliano: vish, vai o Mauricio Ramos
Ozonze: Bruno; Cicinho, Mauricio Ramos, Henrique e Juninho; Marcio Araujo, Marcos Assunção, Valdivia e Daniel Carvalho; Maikon Leite e Barcos. Professor: Felipão

Foto: GloboEsporte.com

16. Atlético-GO

Do ano passado pra cá, ficaram no Dragão: Márcio (o Rogério Ceni/Marcos deles), Pituca, Marcão. O reforço mais importante do time foi o Joílson. E ainda trazem Adilson Batista. Dragão só pode estar com saudades da Série B. A questão é que TODO ANO o time entra pra cair e não cai.
Shiryu: Pituca
Shun: Paulinho
Ozonze: Márcio, Rafael Cruz, Gilson, Paulo Henrique e Paulinho; Pituca, Naldino, Bida e Elias; Felipe e Diogo Ramos. Professor: Adilson Batista

Foto: Sport Recife notice

17. Sport

A primeira vez que vi o Sport, o time jogou bem (contra o Náutico). Aí começou a definhar e precisei ver de novo a cagada. Apanhou pro time fraco do Paysandu em casa, não à toa. Agora ainda perde o Marcelinho Paraíba (pensando bem, isso é um ponto positivo (MUITO positivo)). Nem o maior trunfo do Sport, a Ilha do Retiro, assusta mais.
Leão: (RESERVA DI) Magrão
Ratinho: Marquinhos Gabriel
Ozonze: Magrão; Edcarlos, Aílson, Bruno Aguiar e Moacir; Diogo, Rivaldo, Marquinhos Gabriel e Hamilton; Jael e Jheimmy. Professor: Mazola

Foto: DomTotal.com

18. Cruzeiro

O Cruzeiro dá continuidade ao projeto iniciado ano passado, da busca pelo título da Série B do Brasileirão. Acho certo, na Série A tem sido sempre 3º, 4º, 5º, Libertadores também nunca ganha, agora até o Mineiro largou pra focar num título diferente. Do jeito que vem jogando, o projeto parece bem orientado na cabeça de cada jogador. Podemos confiar na Raposa.
Raposa: Victorino (sou fã)
Hiena: Anselmo Ramon
Ozonze: Fabio; Diego Renan, Leo, Victorino e Everton; Leandro Guerreiro, Amaral, Marcelo Oliveira e Montillo; Wellington Paulista e Anselmo Ramon. Professor: Celso Roth

Foto: UOL

19. Náutico

Naútico, meu caro: Você subiu com dificuldade. Você tem problemas pra montar um time nível Série A. O que é que te leva a especular gente como Domingos?! Amigão, sinto muito, mas teu lugar tá guardado.
Gambá-de-orelha-branca: Tiuí
Gambá-surdo: pode escolher, mas sugiro Souza (AQUELE ex-Palmeiras)
Ozonze: Gideão; Ananias, Marlon, R. Alves e Jeferson; Elicarlos, Derley, Souza e Ramon; Siloé e Tiuí . Professor: Alexandre Gallo

Foto: Diário lusitano

20. Portuguesa

A Barcelusa, na Série A, não ficaria abaixo do 10º lugar. FROXO. O time desse ano é o pior dos 20 nesse momento, e só vai pontuar no erro alheio nas primeiras rodadas. O lado bom é que as faixas da Leões da Fabulosa desviraram.
pt: Rai
pt-br: Maylson
Ozonze: Gledson; Ricardo, Renato, Rogério e Rai; Mateus, Boquita, Maylson e Wilson Matias; Ananias e Rodriguinho. Professor: Geninho.


“Ai Salvador ce tá louco tal time em tal posição”. Tô mesmo. Por isso que escrevi e te mostrei o texto. Porque eu quero rir disso tudo aí. Eu espero rir pelo menos 38 vezes, daqui até dezembro. Teje convidado.

Craques: Jari Litmanen

Foto: Yellow affair
Você certamente nunca ouviu falar de um jogador finlandês tão bem sucedido quanto Litmanen. Idolatrado por onde passa, o meia brilhou demais numa das melhores equipes da história do futebol: o Ajax de 1995

sábado, 19 de maio de 2012

Desafortunados: Sebastian Deisler

Sebastian Deisler: o destino não ajudou (Foto: Fussball24)
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

Sebastian Deisler surgiu em um momento em que o futebol alemão não formava grandes jogadores, via a tradição do 3-5-2 com o líbero se encerrar, a National Mannschaft se via carentes de grandes nomes, visto que o único atleta de destaque era o goleiro Oliver Kahn, que começava a despontar para o mundo. Até que Deisler começou a obter grande destaque mostrando muita habilidade na ponta-direita e surgindo como a maior promessa dos últimos tempos no país.

Sua estreia no futebol profissional veio no ano de 1998, até então com 18 anos, jogando pelo Borussia Monchengladbach. Apenas uma temporada se passou, os potros foram rebaixados e Sebastian acabou por se transferir para o Hertha, onde mostrou todo o seu potencial, além de passes e dribles de efeito.

Ainda com 20 anos e já visto como uma possível salvação no cenário germânico, o meia foi chamado para a disputar sua primeira grande competição com a seleção alemã: a Eurocopa de 2000. Apesar de certa expectativa, o desempenho da Nationalelf foi totalmente apático e uma eliminação logo na primeira fase fez cair por terra as esperanças de redenção.

Foto: Futebol chucrute
Após a Euro, Sebastian seguiu apresentando bom futebol em Berlin. Chegou 2001, e ele teve seu primeiro grande problema físico da carreira. Uma grave lesão no joelho direito acabou fazer com perdesse toda aquela temporada e desfalcasse a seleção alemã na Copa do Mundo de 2002. Tudo isto desencadeou nos seus primeiros problemas emocionais, que viriam atrapalhar (e muito) sua trajetória.

Recuperado da lesão, Deisler se transferiu do clube da capital alemã logo após o fim da Copa de 2002 e acertou com o todo-poderoso Bayern, onde teria a oportunidade de expor ainda mais sua qualidade, não sem cobranças por parte da diretoria e torcida bávaras.

Os primeiros anos no clube bávaro foram decepcionantes. O meia sentiu toda pressão em sua volta, colecionou lesões, e a titularidade não vinha com tanta frequência. O conjunto de toda essa negatividade fez com que o jogador se afundasse na depressão, se complicando bastante.

Foto: Badische-zeitung.de
Na temporada 2004-05, Deisler amadureceu muito quando teve a chance de ser pai pela primeira vez, e pareceu readquirir confiança, ainda mais com o fato de ter passado a jogar regularmente. já que Michael Ballack, titular absoluto do Bayern até então, havia arrumado suas malas e partido para o Chelsea. Demonstrando grande melhora, voltou representar a Alemanha na Copa das Confederações de 2005 e provou por a+b que ainda teria lenha para queimar.

Quando tudo ia bem, as lesões e o emocional não incomodavam tanto, Sebastian sofreu um duríssimo baque. No ano de 2006, o jogador teve nova lesão, desta vez no joelho esquerdo, e mais uma vez, foi impedido de disputar a Copa do Mundo daquele ano, com o seu lado psicológico completamente abalado.

A lesão colocou o meia novamente num turbilhão emocional, até o ponto de ele não conseguir se recuperar de jeito nenhum deles. Foi então que no ano de 2007, com apenas 27 anos, a eterna promessa do futebol alemão anunciava sua aposentadoria, para surpresa de muitos. 

Crente de que Basti (como era chamado) voltaria atrás, o Bayern não rescindiu seu contrato. O vínculo venceu em 2009 e hoje só resta a melancolia na Alemanha em função da tão promissora carreira de Deisler ter sido encerrada da forma prematura que foi.



sexta-feira, 18 de maio de 2012

Craques: Giuseppe Giannini

Foto: Goal.com
Giannini cresceu entre os melhores e se tornou um deles quando a Roma passou pelo período de transição mais tedioso de sua história. Ídolo do maior ídolo romanista, Il Principe gastou a bola e foi o ícone de um time que acumulou insucessos

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Descraques: Dario Simic

Simic fazendo o que mais gostava: pancadas não intencionais (Zimbio)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

100 jogos pela Croácia. Três Copas do Mundo, três Eurocopas e passagens por dois dos maiores clubes italianos: este é o currículo de Dario Simic, que para muitos, ainda ficou devendo como zagueiro/lateral/volante/gandula/garoto do suco.

Nascido em Zagreb, o lugar mais óbvio para se dar a luz a um croata futebolista, o menino Dario deu seus primeiros botes na categoria de base do Dinamo, o clube mais óbvio para formar um croata futebolista, em 1992. Lá encontrou seu lar dentro de campo, na defesa. Servia bem como lateral direito, mas também jogava de zagueiro, improvisava de volante, até de líbero. Versátil o rapaz, logo virou peça chave no esquema dos plavi e em especial do professor Miroslav Blazevic. 

Parceiro de figurinhas carimbadas como Tomislav Butina, Drazen Ladic, Mario Stanic e Goran Vlaovic, Simic conquistou cinco vezes o Croatão, que com muita justiça hoje deveria se chamar Liga Stana Katic de futebol profissional, ou Stanão, mas é só uma ideia idiota.

Com ou sem Stana Katic no nome, Dario e seus comparsas, os bad blue boys, ergueram o caneco da Liga em (anote aí também os números da Mega-sena): 1992-93, 1995-96, 1996-97, 1997-98 e 1998-99. 6-13-19-23-48-57. Um ganhador foi sorteado em Vilhena-RO. Da HNL Cup então, quatro vezes: em 1993-94, 1995-96, 1996-97, e 1997-98. E então, o ciclo do lateral se encerrou após o último troféu doméstico, com propostas da Internazionale. (Caceta, quase todos os dez últimos perfis que escrevi os caras passaram pela Inter, puta vida).

Foto: Posto Ipiranga (dãa)
Deveria ter ouvido aos suplícios de Mamãe Simic que dizia: Mas filho, cê vai pra Milão porcausdiquê? Qui em Zagreb cê ganha tudo, não tem pro Hajduk Split e nem pro Cibalia, num vai minino, num faz isso ca sua mãe. Entretanto, a gana de despontar como grande talento internacional seduziu o rapaz, que aos 24 anos, pegou mala e cuia e foi-se embora para o Giuseppe Meazza.

Reserva absoluto, o croata demorou a se adaptar ao estilo de jogo italiano e até apareceu bastante como substituto nos quatro primeiros anos de Inter. De marcação forte e bom desarme, pecava na saída de bola e constantemente deixava brechas na cobertura, ainda que não fosse um atleta muito ofensivo. Os passes também eram uma negação, talvez se só o encarregassem de evitar ataques do oponente, teria obtido mais êxito na equipe nerazzurri. Detalhe: jogou quase sempre como zagueiro.

Pela seleção croata ia bem, obrigado. Com participação discreta na Euro em 1996, realizando apenas um jogo, galgou sua posição como pilar defensivo dois anos depois, no Mundial da França. Somando seis aparições, incluindo a fatídica semifinal onde os donos da casa se beneficiaram de certa forma da arbitragem, e bateram os axadrezados por 2-1, com direito a tapa na cara por parte de Laurent Blanc e gol de Lilian Thuram. Parte da imprensa acredita que a Croácia é a campeã moral daquela competição (por parte da imprensa, entenda esse que vos escreve).

Ainda foi aos Mundiais de 2002 e 2006, sempre com a cota Simic na lateral, que só foi anulada em 2008, na Eurocopa, com a aparição de Vedran Corluka na ala direita. Dario foi mero coadjuvante no evento sediado na Áustria-Suíça. Mas voltando ao seu histórico por clubes, em 2002-03 virou a casaca em Milão para a indignação da torcida interista. (Mentira, ninguém fez nenhum tipo de objeção)

Ganhou espaço no Milan e era presença constante no segundo tempo, para
evitar maiores danos defensivos (Foto: football wallpapers)
No Milan mudou sua característica. Passou a jogar de lateral, como na seleção. Parte da campanha milanista vitoriosa na Liga dos Campeões de 2002-03 sobre a Juventus, nos penais, deu o azar de ser desfalque nas três derradeiras partidas. Machucado, não retomou a mesma forma nos anos seguintes e caiu de produção, servindo apenas para esquentar o banco de Cafu. (Xarope que só ele, passou a ficar incomodado com a situação e cornetou Carlo Ancelotti por ser esquecido nas profundezas da reserva). Até 2008 ficou num impasse e jamais conseguiu resgatar os velhos tempos de Dinamo, era agora o famoso gerente do banco rossonero

A insatisfação que estava evidente fez com que ele buscasse novos ares. Em 2008, quando também perdeu a regalia na seleção nacional, aos 33 anos, percebeu que era hora de sair da Itália. O Monaco, que já era apenas a sombra daquele bravo esquadrão vice campeão europeu em 2004, abriu as portas e lá foi Dario em busca de uma última razão para comemorar. Bicampeão europeu, campeão da Serie A, Coppa Italia e Supercoppa com o Milan, motivação não faltava. Faltava era um elenco decente para os monegascos, que tiveram de se contentar em chegar em décimo-primeiro e oitavo, respectivamente nas temporadas de 2008-09 e 2009-10.

Bateu saudade de casa e em 2010 Simic retornou à Zagreb com uma música na cabeça: no dia em que eu saí de casa/ minha mãe me disse/ filho vem cá/ passou a mão em meus cabelos/ olhou em meus olhos/ começou falar e então teria seu último ano como profissional no lugar onde se consagrou, ao menos para os locais. Devia ter ouvido Dona Simic e continuado em casa, mas a ambição falou mais alto. Encerrando com dignidade a sua caminhada, venceu a Super Copa da Croácia e pendurou as chuteiras. 

Desafortunados: Andy Van der Meyde

Foto: flickr/mitrasites
Felipe Portes, @portesovic
De ???

Nascido em Arnhem, o meia atacante Andy Van der Meyde começou sua trajetória no futebol em 1997-98, pelo Ajax. Sua boa movimentação e interação com o setor ofensivo eram seus pontos fortes. Impressionando os treinadores das categorias de base dos Godenzonen, o rapaz traçou bons passos e o fato de ser canhoto (característica bem vista por olheiros) facilitou esse avanço. 

Aparecendo constantemente entre os titulares numa fase complicada da equipe de Amsterdã, Andy foi emprestado ao Twente em 1999-00. Seu retorno ao Ajax em 2000-01 foi fundamental para consolidar sua posição como titular. Com as peças certas, conquistou o título da Eredivisie em 2001-02 sob comando do treinador Ronald Koeman.

Em ação contra o Valencia na LC de 2002-03 (NRC.nl)
Inicialmente como ponta direita, começou a fazer sucesso na Holanda, vivendo seu auge durante a Liga dos Campeões de 2002-03, quando os godenzonen alcançaram as quartas de final (última vez, inclusive), perdendo para o Milan, que viria a levantar o troféu contra a Juventus numa final com disputa de pênaltis.

Aquele foi o último grande elenco do Ajax, diga-se de passagem: Hatem Trabelsi, Christian Chivu, Maxwell, Petri Pasanen, Tomas Galásek, Steven Pienaar, Rafael Van der Vaart, Wesley Sneijder, Jari Litmanen, Nigel de Jong, Zlatan Ibrahimovic e Mido (tá, ok, o último foi só pra causar impacto). A boa fase de Andy refletiu no seu maior número de gols em uma só temporada: foram 11 tentos em 28 partidas.

Negociado com a Internazionale em 2003-04, foi logo mostrando que se tratava de um flop. O estilo decisivo dos tempos passados já não estava mais lá, os gols tampouco, restou só a promessa de que iria retomar a boa forma no futuro. Em dois anos na Inter, entrou em campo apenas 32 vezes, se tornando um reserva de luxo no esquema de Roberto Mancini, treinador nerazzurri em 2004-05.

Ainda sim ganhou uma chance de fazer parte da Holanda que disputou a Eurocopa de 2004, perdida nos penais para a República Tcheca nas quartas de final. Já ameaçando descer a ladeira daqueles que brilham e não mantém a performance, Van der Meyde decidiu se transferir para o Everton após mais um fiasco interista. A eliminação frente o Milan (também) nas quartas de final da LC de 2004-05 (aquele mesmo do sinalizador na cabeça do Dida, e tal) motivaram o meia a procurar sua reabilitação na Inglaterra.

Ligeiramente fora de forma e com problemas de comportamento,
Andy mostrou seu lado revoltadinho ao abdicar da cabeleira
e ficar completamente careca (Foto: Daily Mail)
Nos Toffees, piorou. Repetidas lesões e escassas atuações fizeram com que Andy passasse quase quatro temporadas só assistindo do banco de reservas. Jornais especulavam que ele agora tinha problemas com alcoolismo, o que sempre foi negado com veemência pelo holandês, muito embora meses depois ele tenha dado entrada num centro médico em Liverpool com certa quantidade de álcool no sangue. Fato é que ele raramente exercia seu ofício.

Cotado para voltar ao Ajax, afirmou várias vezes estar contente (claro, vamos tomar isso como verdade) no Goodison Park. As manchetes e a sua ausência na escalação do Everton diziam totalmente o contrário. Somente em 2008-09 desfez sua ligação com o clube, ficando alguns meses na geladeira até ser contratado junto ao PSV, onde lamentavelmente não faria nenhum jogo oficial. Detalhe: não marcou um gol sequer nas quatro temporadas em que esteve na Premier League.

Tiozão do churrasco no Emmen, Andy desfila a pança na terceirona holandesa
Foto: RTVDrenthe.nl
Chegou a se aposentar em 2009-10 após o fracasso no PSV. Aceitou o convite do WKE Emmen, que joga na terceira divisão holandesa e por lá joga até hoje, provavelmente se sentindo em casa e sem a vistosa cabeleira de outrora.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Farsa nossa: Tony Meola

Foto: ESPN.us
Felipe Portes, @portesovic
De Rosana-SP
[ATENÇÃO: este post contém informações biográficas inverídicas sobre o atleta em questão]

Ícone dos yankees na Copa de 1994 nos EUA, Tony Meola foi o capitão de uma geração que estava aprendendo a jogar futebol na terra do Tio Sam. Teve seu primeiro contato com o soccer na Universidade de Virginia, e de tão bem que se saiu foi convocado para o Mundial sub-20 de 1987, vencido pela Iugoslávia. Três anos depois disputou o Mundial de 1990 na Itália e sua participação segura garantiu um empréstimo ao Brighton & Hove Albion, que hoje disputa o Npower Championship. 

Sem sucesso, no mesmo ano ainda jogou pelo Watford, encerrando sua expedição pelo futebol britânico, por problemas na licença de trabalho. Depois de 1991, quando jogou pelo Fort Lauderdale Strikers, demorou três anos até retornar a defender alguma equipe que não fosse a seleção dos EUA. Somente em 1994, pouco antes da Copa, que assinou com o Buffalo Blizzard, de futsal. Em 1995, com moral após boa apresentação nos quatro jogos dos americanos (o último contra o Brasil em 4 de julho, dia da Independência), reiniciou sua trajetória clubística pelo Long Island Rough Riders (que não era um time de motoqueiros gays).

Grandalhão, teve de esperar até 1996 para ter uma chance na MLS. O NY Metrostars (hoje Red Bulls e com Thierry Henry) contou com os serviços do gordachão até 1998. A fase não era boa e ele não teve chances no Mundial da França. Bem, Meola se mudou para o Kansas City Wizards em 1999 e lá ficou até 2004, e em 2005, às vésperas de pendurar as luvas, voltou ao NY, que já passava por processo de transformação em Red Bulls. Ameaçou retornar ao futebol em 2008, pelo New Jersey Ironmen, novamente se aventurando no futsal, sem sucesso.

Uma curiosidade sobre Tony é que ele foi kicker do New York Jets na NFL em meados de 1994, e também jogava basquete e baseball antes de completar 20 anos, na Universidade de Virginia.

[Versão alternativa e não oficial]
Lawman: o último quase trabalho de Meola como dublê de Seagal (AETV.com)
Antonio Michael Meola é filho de italianos (até possui dupla cidadania) e ainda jovem aprendeu a lutar artes marciais. Com o sucesso de filmes estrelados por Steven Seagal, o ator, sempre lembrado por seu rabo de cavalo precisava de um dublê. A semelhança de porte físico entre os dois era tão grande que logo no primeiro teste que Meola fez para o papel, o próprio Seagal requisitou ao seu staff que ele fosse contratado.

Os infindáveis compromissos cinematográficos impediam Tony de jogar por clubes. A saída para que os fãs do atleta, e não do dublê não percebessem era justamente ele continuar vestindo a camisa da seleção. Foram mais de 100 atuações pelos EUA e mais de trinta filmes iguais com Seagal. Fora de forma, em 2011, foi cogitado para participar de Lawman, uma série estrelada pelo astro da pancadaria, mas acabou perdendo a vaga para um ator mais jovem.

Hoje, Tony é comentarista esportivo e nas horas vagas apresenta um programa de utensílios domésticos na tv fechada norte-americana. A Tonyshop vende tralhas que podem ser compradas por telefone por pessoas que ainda acreditam em tranqueiras tecnológicas multifuncionais, como escovas de dente com fio dental/espelho/aplicador de flúor, liquidificador/processador de alimentos/torradeira/grill e o incrível incinerador de lixo/purificador de marofa/aspirador de pó entorpecente.


terça-feira, 15 de maio de 2012

Descraques: Marco Materazzi

Foto: Greenobles.co.uk
Felipe Portes, @portesovic
De Helsinki-FIN (tá frio pra caraco aqui, mas tá bacana)

A arma secreta de um bom beque é a aptidão para descer o sarrafo e não levar cartão vermelho por isso. Outros diriam que é o bom desarme que faz um zagueiro ser reconhecido mundialmente. Para qualquer outro atleta as duas alternativas anteriores são válidas. Mas não para Marco Materazzi, que em seu momento mais célebre, conseguiu esquentar o temperamento de Zinedine Zidane a ponto do francês, já campeão do mundo e coroado como melhor da sua geração, lhe acertar uma cabeçada no peito, nos minutos finais de uma Copa.

Bem, a história de Marco é cheia de momentos inusitados. Como o futebol corria em suas veias (é filho de Giuseppe Materazzi, que jogou por Lecce, Reggina e Bari na década de 1970), logo foi se familiarizando com o esporte e aos 17 já integrava os elencos juvenis do Messina, em meados de 1990. Demorou até alcançar o profissional, em 1993, pelo Marsala. Tão logo demonstrou uma de suas principais características: o faro de gol. Aparecia bem na área adversária em bolas paradas para marcar. Vários foram os tentos providenciais que marcou de cabeça, de canela, salvando as equipes que defendeu.

Depois do período de Marsala, desfilou no Trapani por uma temporada e foi contratado em 1995 pelo Perugia, onde ganharia fama no cenário italiano. Com força incomum e talento para marcação (e anulação de adversários), virou referência defensiva no grifoni. Emprestado ao Carpi em 1998, retornou ao Perugia e passou uma época no Everton. Sua imagem de caneleiro foi construída a partir daí.

Cena comum de Marco em sua passagem pelo Goodison Park
Foto: The sun
Conhecido como "The Butcher" pelos ingleses (nenhuma referência ao zagueiro Terry Butcher, o termo no caso de Materazzi era açougueiro mesmo), foi expulso quatro vezes em menos de trinta jogos pelos Toffees. De volta à Itália, defendeu o Perugia por mais dois anos. Em 2001 selou seu destino ao acertar com a Internazionale. Todo aquele papo de fazer muitos gols e baixar o cacete nos atacantes ficou ainda mais sério: Marco agora era convocado pela Squadra Azzurra. Ou seja, um ranca toco internacional. 

Seu principal alvo na Serie A era sem dúvida Andriy Shevchenko. Rei da pancadaria nos clássicos contra o Milan, o beque sempre se desentendeu com o ucraniano dentro das quatro linhas. Evidente que não podemos classificar o camisa 23 como apenas um doido varrido e bom de briga. The Matrix também tinha certa técnica. Não era seu ponto forte, claro, mas enfim.

Presença constante na seleção italiana, disputou as Copas de 2002 e 2006, as Eurocopas de 2004 e 2008. Foi na Alemanha, em 2006, que ficou gravado na memória dos amantes do futebol como um dos maiores vilões (para todo o mundo, exceto para a Itália, que se beneficiou de sua peripécia). Assumiu a vaga de titular após a lesão de Alessandro Nesta e ficou no posto até a dramática decisão contra a França.  

Eram sete minutos do primeiro tempo, quando Marco derrubou Florent Malouda dentro da área. A imprudência resultou em pênalti, cobrado com extrema classe e ousadia por parte de Zidane. 1-0. 12 minutos depois, a redenção: Pirlo bate escanteio e Materazzi, que havia feito bobagem pouco antes, testa para vencer Fabien Barthez. 1-1. O clima tenso se seguiu e o empate prevaleceu até a prorrogação. Foi aí que a malandragem do zagueirão fez a diferença.

A famigerada cabeçada de Zidane (football wallpapers)
Provocando o capitão francês até o limite, o italiano em determinado lance levou uma cabeçada no peito e conseguiu causar a expulsão de Zidane, que se aposentadoria minutos depois, sem arrependimento algum pelo que fez. De acordo com Marco, o entrevero com Zizou aconteceu por causa de um simples pedido de  troca de camisas. Após recusa do capitão rival, ele então retrucou dizendo que "preferia a vadia da irmã" de Zinedine, que se enfezou e levou o cartão vermelho. A França teve de permanecer focada na partida por mais dez minutos, antes dos penais. O restante desse episódio todos sabem o final.

Conduzindo uma carreira cheia de botinadas e de títulos pela Inter, foi em 2010/11 que o zagueiro experimentou como era o outro lado da moeda. Em determinado clássico contra o Milan (no qual ele distribuía pontapés sem dó), ficou frente a frente com Zlatan Ibrahimovic, encrenqueiro mundialmente conhecido por também ter lutado taekwondo quando jovem. Seria uma dividida normal se o sueco não tivesse entrado com a sola por cima da pelota e acertado a cintura do adversário nerazzurri. Ironicamente, Ibra saiu só com um cartão amarelo.

Ídolo às avessas da torcida interista, Materazzi disputou sua última temporada justamente em 2010/11, quando o Milan saiu vencedor do scudetto, interrompendo o reinado da outra grande torcida milanesa. Aos 38 anos não se encontra aposentado, de acordo com o colega @arthurbarcelos_, que confirmou o fato do camisa 23 ainda estar ponderando sobre jogar mais uma ou duas temporadas, trabalhando com a possibilidade de assumir algum cargo técnico dentro da Inter.




segunda-feira, 14 de maio de 2012

TF História: O mais fraco também triunfa

Gol de Sparwasser derrubou por um dia a Alemanha que seria campeã do mundo
contra a Holanda de Johann Cruyff (Foto: Superillu.de)
Felipe Portes, @portesovic
De Belgrado-SRB

Um gol em Copas do Mundo significa mais do que uma medalha, um baú repleto de ouro para um jogador. Um gol em clássico de Mundiais, um tanto a mais. Um gol com significado libertador e que representou todo um conflito entre países irmãos, no caso duas partes do mesmo país, não há riqueza que se iguale.

É o caso de Jürgen Sparwasser, ex-atacante da Alemanha Oriental (parte comunista do país) e que marcou o gol de seu lado da pátria contra a poderosa irmã ocidental e futura bicampeã mundial em 1974. Numa época em que as mazelas políticas e a Guerra fria ecoavam em todos os cantos do globo, o tento marcado por Sparwasser (77 minutos) foi o marco de uma batalha travada dentro do gramado e fora dele.

Com a Revolta de 1953 em território germânico, milhares de alemães do lado oriental tiveram de se refugiar do outro lado do Muro de Berlim, para evitar a repressão que havia contra os ideais comunistas.  E é neste cenário de luta pela soberania que o duelo entre as duas irmãs ocorreu no mundial sediado em seu país.

Era 22 de junho de 1974, no Volkspark Stadion, em Hamburgo. Pelo selecionado azul oriental, alinhavam: Croy, Kurbjuweit, Bransch, Weise, Waetzlich, Kische, Kreische, Lauck, Irmscher, Sparwasser e Hoffmann.

A Alemanha Ocidental, de branco, escalou Meier, Vogts, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Breitner, Cullmann, Overath, Hoeness, Grabowski, Müller e Flohe.

O domínio dos ocidentais era completo. Breitner passeava em campo, e Müller trazia muitas preocupações ao goleiro Croy. Um dos bons lances azuis na peleja, foi com Kreische, que desperdiçou chance vital debaixo das traves de Meier. A pressão se manteve até que o camisa 14, Sparwasser, recebeu passe pelo alto, matou no peito, tirou o marcador e entrou na área. Com espaço mínimo, ele fuzilou o arqueiro Meier, que nada pode fazer.

Com cambalhotas, Sparwasser não sabia ao certo como externar a sua alegria de ter marcado num jogo tão desigual. Antes de ser um confronto entre duas faces de uma Alemanha, era um jogo entre um gigante e uma equipe mais acanhada, sem brilho. Num dos raros casos em que a vontade sobrepõe ao talento, a DDR (denominação para o lado oriental germânico) viu o futebol como válvula de escape aos terríveis anos que se passaram por questões políticas e ideológicas.

O gol de Jürgen foi quase como um grito de liberdade. Contam os mitos do mundo da bola, que ele recebera prêmios do governo comunista da DDR, como um carro e uma propriedade. Os atos, vistos como manobra governamental para explorar o seu feito. Sensato e sem intenção de se alinhar ao movimento, Sparwasser sempre negou com veemência que tivesse sido “agraciado” pelos chefes de estado, tendo inclusive deixado o seu país em 1988, pouco antes da queda do Muro de Berlim. 


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Desafortunados: Massimo Taibi

Passagem de Taibi pelo todo poderoso United foi pífia, diria Mauro Cezar Pereira.
Foto: MUFC.net
Felipe Portes, @portesovic
De Spa-Francorchamps-BEL (ôo, o portes voltou, o portes voltoooo-ôooou)

Taibi e seu triste porém cômico destino no futebol tiveram seu primeiro capítulo lá em 1990-91, pelo Trento. Impulsionado por grandes gerações de arqueiros formados na Itália como Dino Zoff, Franco Tancredi, Walter Zenga, Gianluca Pagliuca, entre outros, Massimo se agarrava ao objetivo de sua carreira, que muito provavelmente deveria ser um grande guarda redes de nível internacional.

E então foi começando a ser uma barreira para os atacantes pelos lados do estádio Briamasco, quando em apenas uma simples temporada alertou os dirigentes do Milan. Com enormes dificuldades para se adaptar de forma tão rápida ao esquadrão rossonero, foi repassado ao Como, por empréstimo, sem ao menos entrar em campo. Fez sucesso na Serie C, quando os Lariani passaram perto de ascender à Serie B de 1992-93. A terceira colocação frustrou a rapazeada e especialmente Taibi, que sabia da dificuldade que era aparecer para o grande público jogando em divisões inferiores.

Perseverante, o jovem siciliano (nascido em Palermo) aceitou a oferta da Piacenza, que jogava na B, para poder então prestar seus serviços. Íntimo das traves, com bons reflexos e colocação ímpar na pequena área, Massimo trouxe mais confiabilidade para o setor defensivo dos biancorossi. A terceira posição na classificação final e o acesso à Serie A alavancou a popularidade do humilde rapaz, que agora já estava com boas condições para mostrar as suas cartas.

Cinco temporadas na Piacenza fizeram com que o goleiro voltasse a fazer parte dos planos do Milan, em 1997-98. Caindo no mesmo conto de anos antes, foi feito de mera peça do elenco, apenas participando de 17 compromissos. Com pompas de top 5 goleiros italianos da época, foi ao Venezia e lá jogou ao lado de atletas como Alessandro Pistone (aquele, 1), Fillippo Maniero (aquele, 2) Fabio Bilica (poltrona 36?), Álvaro Recoba e Tuta (aquele, 3), veja só você. 

O uniforme amarelo e a careta de E agora, Jesus? foram emblemáticos
na estadia de Taibi no Old Trafford (Tumblr)
Logo na sequência, em 1999-00, o siciliano resolveu então aceitar o maior convite de sua carreira, por parte do Manchester United, que se impressionara com as habilidades do guarda metas. Haviam duas possibilidades: ser reserva de uma das maiores forças da Europa ou enfim vingar como maior nome italiano na posição, sucedendo o genial Pagliuca. Entretanto, o inesperado não só aconteceu, como marcou Taibi por toda a sua trajetória profissional.

Fazendo míseras quatro aparições pelos Red Devils, estreou contra o Liverpool em 10 de setembro de 1999, no Anfield. O Manchester saiu na frente graças a uma falha clamorosa de Jamie Carragher, que cortou cruzamento e testou contra a própria meta, defendida pelo lendário Sander Westerveld. Sem chances, o holandês apenas pode lamentar o infortúnio. Andy Cole aumentaria a vantagem dos visitantes de cabeça, aproveitando um dos precisos cruzamentos de David Beckham. Estava tudo bem para Sir Alex Ferguson e sua intrépida trupe, parte 1.

Aos 23, falta cobrada na área do United e Taibi sai exatamente igual Marcos no Mundial Interclubes de 1999. Caçando borboletas, o italiano não achou a bola que vinha pelo alto e permitiu que Sami Hyypia testasse para o fundo das redes. Nada de grave. Com duas excelentes defesas logo em seguida, Massimo se redimia de sua falha inicial. Garantindo a vitória por 3-2 (Carragher marcou mais um gol contra aos 44'), estava seguro de que havia encontrado um porto seguro. Pois é, mas as coisas não caminharam tão bem assim. Duas partidas depois da glória, nosso Desafortunado passou por maus bocados.

O duelo era contra o Southampton do brilhante Matthew Le Tissier e assim de repente Marian Pahars marcou um gol de placa, dando uma caneta em Jaap Stam para inaugurar os trabalhos no Teatro dos sonhos. Teddy Sheringham empatou e Dwight Yorke colocou o United na frente. Estava tudo bem para Sir Alex e sua intrépida trupe, parte 2. Estava. Le Tissier dominou uma bola na faixa de 30 metros e carregou com dois toques até achar espaço. Resolveu arriscar e nessa chance contou com um frangaço clássico de Taibi. Por entre as pernas do siciliano foi a bola, traquina e cruel. Checando sua chuteira após o lance, Massimo deve ter pensado que demônios tiraram a pelota de seu controle. Demônios arteiros, diga-se.

Mikaël Silvestre fez bobeira na lateral, perdeu para Pahars que achou Le Tissier no meio da área. 3-3. Yorke havia deixado o seu minutos antes, mas aparentemente não teve a mesma sorte do que naquele dia contra o Liverpool. A nebulosa de Taibi não acabaria ali. O frangaço foi tratado com muitas piadas por parte da imprensa britânica, que não demorou a crucificar o rapaz de Palermo pelo erro crucial (e vexatório). Na rodada seguinte, contra o Chelsea, em Stamford Bridge, mais um duro golpe e o último que Massimo sofreria na Inglaterra. 

Vamos resumir o sofrimento: Dan Petrescu cruza, Taibi sai novamente caçando borboletas e Gustavo Poyet marca. 1-0; Chris Sutton cabeceia no ângulo, 2-0; Celestine Babayaro faz carnaval na defesa e só rola para Frank Leboeuf, que chuta, Taibi rebate mal e Poyet confere, 3-0; Gianfranco Zola faz uma jogada extremamente técnica e cruza para Sutton, mas Henning Berg chega antes e faz contra, 4-0; Jody Morris recebe sozinho na área e chuta rasteiro, entre as pernas de Taibi. Fim do show de horrores. 

Na Reggina, redenção e gol em escanteio. Great times revival?
Foto: Dio salvi la Reggina
Passado o pesadelo inglês, Massimo retornou à Itália para jogar pela Reggina, na Serie A, na temporada 2000-01. No primeiro de abril de 2001, confrontando a Udinese e perdendo por 1-0 até os 43 do segundo tempo, o goleiro que tanto foi apedrejado pela torcida vermelha de Manchester conseguia um afago após anos de duro trabalho. 

De cabeça marcou o gol de empate, para insana festa dos locais no Reggio Calabria. Somando mais passagens por Atalanta (2001-05), Torino (2005-07) e Ascoli (2007-09, se aposentou em 2009) Taibi seria mais um nome memorável de goleiro italiano, não fosse seu fiasco relâmpago no United.